Turismo no Alto-médio Tietê: Potencialidade e Infra-estrutura

Cláudia Correia de Almeida Moraes, Tomislav R. Femenick et al.
São Paulo, Sebrae; Salto, Inder, 2000.

ÍNDICE

Esclarecimentos
Caracterização da Região
- Domínios Naturais
- Planalto Atlântico
. Serrania de São Roque
. Planalto de Jundiaí
- Depressão Periférica
. Subgrupo Itarare
. Coberturas Cenozóicas Terciário-Quaternárias
. Corpos de diabásio
- Rio Tietê

Caracterização Sócio-Econômica
- Infra-Estrutura Básica
. Acesso Rodoviário
. Acesso Aéreo
. Acesso Fluvial
. Acesso Ferroviário
- Transportes Municipais e Intermunicipais
- Imprensa e Comunicações
- Telefonia
- Abastecimento de Água
- Esgoto
- Lixo e Limpeza Pública
- Energia Elétrica e Iluminação PÚblica
- Vias Públicas
- Arborização Urbana
- Praças, Parques e Áreas Verdes
- Moradia e a Mudança de Uso e Ocupação das Terras na Região
- Demografia
- Segurança
- Saúde
- Educação
- Economia

Equipamentos e Serviços Turísticos
- Gastronomia
- Agências de Viagens e Turismo e Transportadoras Turísticas
- Meios de Hospedagem
- Eventos
- Serviços de Informações Turísticas

Atrativos e Potencialidades Turísticas
- Meio Rural
- Considerações e Recomendações
- Ações Indiretas para a Implantação do Pólo (Temas e Ações)
- Ações Diretas para a Implantação do Pólo (Temas e Ações)
- Negócios Importantes Ligados ao Turismo

Conclusão

Bibliografia
- Base Cartográfica

Anexo I – Problemas e Soluções

Anexo II – Resumos dos Laudos Técnicos

MAPAS
- Área de Abrangência do Pólo Turístico
- Topografia
- Rede Hidrográfica
- Compartimentos Naturais
- Compartimentos Geomorfológicos
- Cobertura Vegetal
- Mapa de Acesso ao Pólo Turístico do Alto-Médio Tietê “
- Unidades de Conservação

CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO

A unidade regional na área de estudo do presente trabalho pode ser entendida sob diversos aspectos, mas o mais marcante é a presença do rio Tietê, que se apresenta literalmente como a ligação de diversos ambientes naturais e, do ponto de vista histórico e sócio-econômico, como o fator que promoveu a ocupação e o desenvolvimento dos nucleamentos humanos dessa região.

Em seu caminho para noroeste, o Tietê atravessa diversas compartimentaçães geomorfológicas que condicionam a instalação da vegetação. Seguir suas águas, da nascente à foz, proporciona o vislumbramento desses aspectos, sendo um ponto de partida interessante para o entendimento da história natural da região e as condicionantes desses aspectos na sua ocupação e povoamento.

Podemos dividir os ambientes, naturais e humanizados, de acordo com o caminho do Tietê. No primeiro segmento desse rio, denominado Alto Tietê e que se inicia na Serra do Mar, estão localizados os municípios de Santana de Parnaíba, Pirapora do Bom Jesus e Cabreúva. No segundo, a depressão periférica, conhecida como Médio Tietê, inicia-se nos municípios de Itu, rumando para oeste na direção de Salto e Porto Feliz. Logo, a região aqui estudada, formada pelos municípios banhados pelo Tietê, situa-se na transição entre o Alto e o Médio curso do rio, o que nos permitiu denominá-la corno região do Alto-Médio Tietê.

Próxima de grandes centros econômicos e populacionais do Estado de São Paulo, além da capital e área metropolitana. essa região coloca-se no epicentro delas. Apenas como referência, determinamos o epicentro desse Pólo no rio Tietê, no ponto médio entre os municípios de Santana de Parnaíba e Porto Feliz. Num raio de 50 km desse ponto encontramos cidades como: Campinas, Sorocaba e Jundiaí, e num raio de 100 km: Piracicaba, São Paulo e as cidades do ABC. Contíguo ao raio de 100 km situam-se Santos e várias cidades da baixada. Devido a essa proximidade, tanto o fluxo de turistas como o abastecimento dessas cidades é amplamente facilitado.
Esses aspectos reforçam a necessidade de um entendimento regional para o Pólo, sendo, portanto, essencial caracterizar as diversas partes que compõem essa região, destacando as interações existentes entre elas. Comecemos, então, pelo ponto de vista natural.

OS GRANDES DOMíNIOS NATURAIS DA REGIÃO

Numa análise integrada entre as formas do relevo, os tipos de solos e as formações vegetais, podemos dividir a região do Alto-Médio Tietê em dois grandes compartimentos, condicionados por estes fatores:
- O Planalto Atlântico Florestado e
- A Depressão Periférica recoberta com relidos de Cerrado e Mata Galeria.

Na natureza, as fronteiras dos fenômenos não são estanques. Entre um ambiente. ou compartimento. e outro, ocorre uma transição gradual que poderia ser denominada como Zona de Transição. Uma zona de transição é, por excelência, uma zona de tensão ecológica, pois na passagem de um ambiente para outro ocorre ora o predomínio de um ora o de outro, de acordo com as condições fisiográficas do local. Optamos, portanto, pela caracterização apenas dos dois primeiros compartimentos:

O PLANALTO ATLÂNTICO FLORESTADO

Numa análise geomorfológica, o Planalto Atlântico caracteriza-se como uma região de terras altas, constituída de rochas com mais de 500 milhões de anos, cortada por outras rochas que têm entre 200 e 500 milhões de anos e por coberturas bem mais recentes do ponto de vista cronológico.

Seus limites, a sudeste, com a Depressão Periférica paulista, são definidos pelos terrenos inclinados da Bacia do Paraná. Entretanto, “a delimitação das formas de relevo não corresponde exatamente ao limite geológico entre o escudo e a bacia sedimentar e a passagem entre as duas províncias não é prontamente perceptível”.

Como apontado, o Planalto Atlântico é uma grande fisionomia que se estende por centenas de quilômetros quadrados, encerrando seus limites na Depressão Periférica, na porção central de nossa região. Observando sua formação inserida na região do Alto-Médio Tietê, podemos dividi-Ia em duas parte: a Serrania de São Roque e o Planalto de Jundiaí.

Serrania de São Roque

A Serrania de São Roque foi considerada como “o mais típico dos planaltos
cristalinos pau listas. não só pela diversidade de suas estruturas e formas de seu acidentado relevo, como pela clara participação que em sua origem tiveram as superfícies de aplainamento Itaguá e Japi”.

Ela é uma extensa área montanhosa de constituição diversificada em termos de transformações rochosas. As maiores altitudes são encontradas na Serra do Japi, com cerca de 1200-1250 m. Os Assoalhos dos vales situam-se no geral entre 700-800 m de altitude.

“Ao norte, a Serrania de São Roque é orlada de um cordão montanhoso, em que se destaca seu principal acidente, a Serra do Japi. É ao mesmo tempo limite topográfico e estrutural”.

A superfície do Japi, uma das mais extensas superfícies de aplainamento do sul do Brasil, que nivelou os cimos mais altos da região da Serra da Mantiqueira, foi deformada durante soerguimento da Serra do Mar. As feições do relevo, mapeadas, resultam da evolução posterior a este evento regional, que soergueu a superfície do Japi de modo diferenciado: a partir da crista da Serra da Mantiqueira, as elevações perdem altura rumo noroeste, do mesmo modo que a superfície se acha menos elevada nas proximidades da Bacia do Paraná. Representa o nível alto, acima de 900 m e o nível médio de 800-900 m. Nela, predominam formas de relevo descobertas, cujo modelado constitui-se basicamente por morros altos com topos aguçados e índice de dissecação do relevo muito pequeno.

No planalto de lbiúna/São Roque predominam altimetrias entre 800-1000 m e as vertentes apresentam declividades predominantes acima de 29%, alcançando com freqüência mais de 40%.

Os estudos rochosos dessa unidade mostram que, basicamente, são representadas por migmatitos e granitos, sendo os solos dominantes os de tipo Podzólico Vermelho-amarelo e Latossolo Vermelho e Amarelo. A drenagem, no geral, apresenta um padrão dendrítico, com trechos subordinados à estrutura.

Por ser uma unidade com formas de dissecação média a alta, com vales entalhados e densidade de drenagem elevada, esta área apresenta um nível de fragilidade potencial médio a alto, sendo sujeita a fortes atividades erosivas.

Planalto de Jundiaí

O planalto de Jundiaí corresponde a uma extensa área de morros drenada pelas bacias dos rios Jundiaí e Atibaia. É um planalto rebaixado em relação às zonas geomorfológicas do Planalto Atlântico, porém elevado mais de uma centena de metros acima da zona do Médio Tietê da Depressão Periférica.

Os topos de morros no interior do planalto apresentam-se nivelados em torno de 820-870 m. Alguns espigões elevam-se a 900-1000 m. O assoalho dos vales encontra-se entre 700- 750 m. O rio Jundiaí atinge altitudes pouco abaixo de 600 m ao deixar a zona, já próximo a Indaiatuba e Salto.

No nível alto do Planalto de Jundiaí predominam altimetrias entre 900-1200 m e as declividades predominantes são de 30 a 40%, chegando a 60% em algumas vertentes. Nesse nível alto encontra-se a Serra do Japi, que tem seu topo sustentado por quartzitos e sua base por granitos. Estende-se na direção sudoeste até a região de Sorocaba – Votorantim, onde se encontra a Serra de São Francisco também mantida por granitos. No nível médio, as altimetrias variam de 700-800 m e as declividades predominantes entre 20 e 30%.

Os estudos rochosos dessa unidade de relevo mostram que elas são constituídas por granitos e quartzitos no nível altimétrico mais elevado e gnaisses e migmatitos no nível médio. Os solos são do tipo Cambissolos, Latossolos Vermelho-amarelos e Podzólicos Vermelho-amarelos.

A drenagem é do tipo dendrítica, sendo as serras do Japi e dos Cocais as principais áreas dispersoras, pois nelas nascem os cursos d’água afluentes dos rios Jundiaí e Atibaia.

Por ser uma unidade com formas muito dissecadas, com vales entalhados e com alta densidade de drenagem, esta área apresenta um nível de fragilidade potencial alto, estando, portanto, sujeita a ocorrência de movimentos de massas e desencadeamento de processos erosivos lineares vigorosos.

A cobertura vegetal original do Planalto Atlântico enquadra-se na divisão fitogeográfica de Floresta Mesófila Semidecidual, atualmente restrita a poucos remanescentes que recobrem as serras do Japi, Guaxinduva e, em menor grau, a Piraí O município de Cabreúva possui aproximadamente 40% da Serra do Japi, compartilhando com o município de Pirapora do Bom Jesus outros 10% desse importante relicto da vegetação de planalto do Estado de São Paulo.

Resultante da expansão da Floresta Atlântica, com nítido empobrecimento estrutural em função dos menores índices pluviométricos, essa formação vegetal apresenta uma identidade própria, podendo, em certos locais, ostentar índices de diversidade superiores às florestas que lhe deram origem.
Nas porções de relevo montanhoso, como as do Planalto de Jundiaí, pode-se identificar grande heterogeneidade na cobertura vegetal. As áreas de maior altitude, muitas vezes com elevada declividade, são recobertas por uma floresta densa e seca, com indivíduos de porte baixo (média de 6 m). Nessa floresta ocorrem numerosas populações de cactáceas e bromeliáceas. A explicação para a ocorrência de tais fisionomias está na alternância climática (…)

RESUMO DOS LAUDOS TÉCNICOS (…)

Aspectos Econômicos na formação do Pólo Turístico do Alto-Médio Tietê

A maioria dos estudos econômicos centram seus levantamentos e análises nas operações e resultados das atividades produtivas. considerando apenas a interação dos agentes diretos (produtores e consumidores) e indiretos (governo, financiadores, etc.), isto é, limitando-se aos elementos macroeconômicos da oferta e da procura. Entretanto, outros estudiosos do comportamento da economia – economistas e pesquisadores de outras áreas afins – têm-se dedicado a estudar outras variáveis que interferem no processo produtivo, mas que estão fora do mercado. Esses processos, que terminam fazendo parte do fator econômico, compreendem o estudo dos chamados recursos gratuitos, cujos valores e características não possuem preço e não são contemplados pelos valores do mercado. O fator que diferencia um pólo turístico de outro, sob o ângulo de recursos gratuitos, é a forma como se associam os recursos naturais e os recursos estruturais.

A tentativa de levantamento de dados, sobre a economia e o potencial econômico/turístico dos Municípios que integram o Pólo do Alto e Médio Tietê, resultou na evidência de que há poucos elementos disponíveis, de que esses elementos não são homogêneos e nem mesmo suficientes para que se expresse uma opinião mais completa sobre o potencial econômico da região. Por outro lado, alguns dos números e valores obtidos não nos oferecem o grau de segurança necessário. Há elementos cuja metodologia de cálculo não está disponível aos pesquisadores e outros cujas datas já se apresentam desatualizadas.

Por esses motivos optamos por analisar individualmente cada município, empregando modo de apresentação próprio para cada um deles, ao invés de analisarmos a região como um todo, destacando as peculiaridades de cada unidade. Dessa forma, reconhecemos que nosso exame carece de um caráter de continuidade e integração regional. desejável em projeto desta espécie.

Tomislav R. Femenick – Mestre em Economia – PUC – São Paulo