Turismo e meio ambiente

Tomislav R. Femenick
Gazeta do Oeste. Mossoró, 22 abr. 2007.
O Jornal de Hoje. Natal, 16 abr. 2007.
Metropolitano. Parnamirim, 04 maio 2007.

O desenvolvimento de um país está intrinsecamente relacionado ao respeito aos seus recursos naturais. A chamada “indústria” do turismo é, ainda, muito mais dependente do “estado” do meio ambiente. Possuindo uma das mais vastas legislações ambientais do mundo, o Brasil dispõem de leis que lhe dão condições para atuar em todas as áreas do sistema de preservação do meio ambiente, tanto de forma preventiva como corretiva. Entretanto, como o governo não dispõe de recursos para fiscalizar e punir os infratores, o descumprimento da legislação passa a ser uma constante. Aqui está o problema: o governo não cumpre o seu papel e a sociedade não assume sua responsabilidade. Nós brasileiros não nos conscientizamos de que os bens da natureza são limitados e que devem ser utilizados para satisfazer as necessidades ilimitadas da sociedade, porém de forma que não provoque o caos ambiental. O resultado é um cenário bastante desfavorável a atração dos milhões de turistas, que andam a cata de ambientes que lhes são exóticos, porém não de desconforto.

Vivemos no país do desperdício, cujo subdesenvolvimento é produto de uma inadequada formação estrutural, consequente da propagação de um modelo de progresso não planificado. Quando poluímos as águas, perdemos um vasto mercado de trabalho e de subsistência; quando desmatamos impensada e irresponsavelmente, extraímos recursos da natureza uma só vez; quando só nos aproveitamos da terra, não utilizamos a capacidade de renovação do solo e fomentamos sua erosão e empobrecimento; quando poluímos o ar, criamos graves problemas para a saúde da população.

Este comportamento vem em nosso próprio prejuízo, pois, ao destruirmos a natureza tão radicalmente, comprometemos as bases de uma existência futura rica e saudável. Historicamente somos predadores da fauna e da flora brasileiras e não respeitamos os limites impostos pelos nossos ecossistemas, criando muitas vezes, em nome de um “progresso” suspeito, desequilíbrios danosos e irreversíveis ao meio ambiente. Por outro lado fome, desemprego, analfabetismo são ameaças ecológicas tão nocivas à sociedade como a chuva ácida, o lixo químico, as queimadas, o desmatamentos e o uso impensado de recursos não renováveis.

Num país em que a pobreza está presente em todos os cenários da vida e cujo maior ativo da população é a força de trabalho, mudar a mentalidade do povo para o melhor aproveitamento dos recursos naturais, e não para a destruição dos mesmos, é um mecanismo de apoio ao desenvolvimento socioeconômico da nação. Entretanto, não há empenho para se alterar esse comportamento da sociedade nem para que se efetive a aplicação da legislação ambiental, tendo por objetivo uma política de desenvolvimento sustentado ou eco-desenvolvimento. Isso decorre em função de uma visão distorcida do uso tecnológico mais amplo nos projetos econômicos (públicos ou privados), onde se cuide, também, do respeito à natureza, à saúde pública, à segurança da população e ao patrimônio cultural.

Crescimento econômico, a qualquer custo, está longe de representar uma condição suficiente para se alcançar o desenvolvimento socioeconômico de um povo. Numa sociedade cujo desenvolvimento sustentável deixou de ser estratégia para ser desafio, conciliar o binômio Desenvolvimento Econômico e Preservação está mais inter-relacionado com o contexto da Política Sócio-cultural do que da Política Econômica. Aqui está o “difícil” de se fazer turismo: o ambiente turístico – os hotéis, os meios de transporte, os restaurantes, os passeios, os museus, as igrejas, as lojas etc. – não pode ser um quisto de prosperidade incompatível com os outros elementos da cidade ou região. Além disso, como pode haver um turismo próspero em uma floresta desmatada, em um rio assoreado, em uma região de pobreza generalizada (os “tours” à Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro são programas restritos aos turistas que gostam de emoções fortes – muito poucos, aliás), ou em uma região com ar irrespirável.

O mercado turístico brasileiro é comprimido por muitas causas: amadorismo e oportunismo empresarial, carência de profissionais capacitados, falta de respeito ao turista (que muitas vezes é visto como objeto de exploração e não de ganho honesto) etc., porém o meio ambiente tem o seu papel de destaque.

POLÍCIA E EDUCAÇÃO

No dia 15 de abril de 1969, há 39 anos, publiquei no Jornal “O Povo”, de Fortaleza, duas notícias sobre Mossoró:

PRÉDIO PARA O BATALHÃO DA POLÍCIA – O governo do Estado tem a intenção de construir um prédio para abrigar o Segundo Batalhão da Polícia do Rio Grande do Norte, que tem sede em Mossoró, para o que já teria verbas incluídas no orçamento do presente exercício. Os responsáveis pela referida unidade militar já estariam fazendo estudos, visando a aquisição de um terreno, para dar início às obras. No entanto o Comandante da Guarnição aqui sediada Capitão Francisco Bezerra Carlos, nada nos adiantou sobre o assunto.

É comprovadamente necessária a construção de um novo prédio para abrigar o Segundo Batalhão da Polícia Militar do Estado, que atualmente está sediado no mesmo edifício em que funciona a Cadeia Pública, prédio esse que se encontra em estado precariedade total. Suas paredes estão carcomidas pelo salitre e o madeiramento estragado, podendo ruir a qualquer momento. O seu estado é tal que põe em perigo a vida dos que ali estão abrigados ou trabalham: detentos e policiais”.

MAIS DOIS GINÁSIOS – Mossoró ganhará no próximo ano mais dois novos estabelecimentos de ensino do ciclo ginasial. Um será instalado no bairro Alto da Conceição e outro no Alto de São Manoel. O primeiro será de responsabilidade da Escola Monsenhor Motta, cujo prédio foi reformado, aumentando o número de salas de aula. O ginásio de São Manoel, que pertencerá a Paróquia do bairro, terá capacidade para 150 alunos, divididos em três turmas. Uma equipe já está elaborando todos os documentos exigidos pela Inspetoria Secional do Ensino, órgão da Secretária do Estado, para a instalação de ambas as escolas.

A estruturação da escola de São Manoel está sendo preparada pelo Setor de Organização da Comunidade da Paróquia, que formulou um plano de trabalho envolvendo diversos setores, com apoio da Faculdade de Serviço Social de Mossoró, da Caritas Diocesana, da ANCAR e do Movimento de Educação e Base. Provisoriamente, o primeiro estabelecimento escolar de nível ginasial do bairro funcionará no prédio da Escola Ambulatório Pe. Dheon, que será ampliado com a criação de novas salas de aula. Para a instalação do futuro ginásio, serão coletados recursos entre a própria comunidade. A Paróquia da igreja de São Manoel foi criada em 1964 e atualmente conta com aproximadamente 15 mil paroquianos (sendo 55% menores), que estão distribuídos entre os bairros de São Manuel e Santa Luzia, bem como parte da zona rural do município que vai até os limites com Areia Branca, Açu, Upanema, Augusto Severo e Governador Dix-Sept Rosado”.