Turismo e Economia Regional

Tomislav R. Femenick
Tribuna do Norte. Natal, 19 ago. 2007.
Gazeta do Oeste. Mossoró, 19 ago. 2007.

A maioria dos estudos econômicos centraliza seus levantamentos e análises nas operações e resultados das atividades produtivas, considerando apenas a interação dos agentes diretos (produtores e consumidores) e indiretos (governos, financiadores etc.), isto é, limitando-se aos elementos macroeconômicos e microeconômicos da oferta e da procura. Esta visão dá ao mercado não só a maior importância no contexto econômico, mas o transforma no único condicionante do êxito. Entretanto, alguns estudiosos do comportamento da economia – economistas e pesquisadores de outras áreas afins – têm se dedicado a estudar outras variáveis que interferem no processo produtivo, mas que estão fora do mercado. Esses processos, que terminam fazendo parte do fator econômico, compreendem o estudo dos chamados recursos gratuitos, cujos valores e características não possuem preço e não são contemplados pelos valores do mercado.

Na economia do turismo esses elementos são fatores essenciais, que devem ser considerados como tal, e são fundamentais na concepção de qualquer projeto que estude o desenvolvimento regional, pois que são básicos na sua formulação e projeções finais. Isso porque o desenvolvimento do turismo requer uma soma muito grande de recursos gratuitos, para poder satisfazer as necessidades e demanda dos consumidores, dos turistas. São considerados recursos gratuitos, por exemplo, os elementos geográficos, outros fatores naturais e os bens públicos: as praias, florestas, rios, parques, monumentos culturais, o folclore, as estradas e outros elementos de infra-estrutura, tais como hospitais, museus, escolas etc. Esses bens não têm valor de mercado, de troca ou de uso, se considerados pelo “strictu sensu” dos conceitos das várias teorias do valor. Entretanto existe um custo na oferta desses bens, inclusive na manutenção das suas condições e conservação, para que possam permanecer como atrações turísticas e meios de acesso à elas.

O fator que diferencia uma região turística de outra, sob o ângulo de recursos gratuitos, é a forma como se associam os recursos naturais e os recursos estruturais. A simples existência de praias, montanhas, parques, florestas e rios não dá a esses lugares possibilidade de atraírem visitantes, se a eles não houver meios de acesso. Linhas aéreas, bons aeroportos, boas estradas e bons atrativos naturais também não são suficientes por si só. Outros fatores devem integrar a oferta de pacotes turísticos: boas condições de alojamento, alimentação e recreação. Aqui entram as variáveis eminentemente econômicas, que devem ser consideradas nas políticas regionais de desenvolvimento e intensificação do setor turístico: a) a disponibilidade de recursos para aplicação na construção e ampliação de meios de hospedagem (hotéis, flats, pousadas, albergues ou campings), de restaurantes e de estabelecimentos de diversões culturais e populares (museus, parques temáticos, casas de música etc.); b) a integração das atividades turísticas com os outros setores da economia regional; c) a disposição de investir recursos na formação de mão-de-obra especializada, para os vários setores do turismo receptivo, e d) a existência de um potencial de demanda pelas atrações regionais.

A concretização dos projetos só se dá pela integração concreta dos recursos gratuitos com as variáveis econômicas. Somente os investimentos financeiros é que proporcionam a sinergia dos valores naturais com as instalações turísticas comerciais, fazendo com que a região seja um pólo de atração para a demanda turística. Para isso é fundamental uma política governamental de fomento e incentivo a esse setor da economia.

A ação governamental em um projeto de desenvolvimento turístico deve ser tão ampla quanto possível, principalmente quando se trata de um pólo regional, que agregue unidades municipais autônomas. Além da manifestação da vontade de formar o pólo turístico, os Municípios devem se comprometer na realização de uma política comum de inversões financeiras visando: a) gastos com o marketing e com a promoção do turismo da região, utilizando como suporte a mídia mais recomendável para atingir o consumidor alvo;
b) investimento na formação de mão-de-obra especializada; c) Investimento nos setores de saúde e segurança pública; d) estruturação de um setor de informações turísticas; e) subvenções à atividades não lucrativas diretas, tais como festas folclóricas, e f) participação de programas de associações e entidades voltadas aos estudos e desenvolvimento do setor turístico.

UMA BOA EXPRESSÃO

Expressão, o caderno domingueiro desta Gazeta, estava fenomenal na semana passada, pelo menos para mim. A matéria de Ferreira da Gazeta sobre o Maestro Batista, o meu amigo João Batista de Souza, retrata bem o seu jeito modesto de ser. Batista quase que pede desculpa para falar dele mesmo. Esqueceu-se até de dizer que tocou na Snob. Depois têm as matérias sobre Raimundo Nonato. Grande memorialista da vida da província e muito mais do “país de Mossoró”, essa entidade mítica que reside em nosso espírito. Não sei qual a melhor, se a de David Leite, a de Antonio Capristano ou a de Clauder Araújo.

RECORDAR É VIVER

Há quase quarenta anos, no dia 20.08.1968, publiquei a seguinte noticia no Diário de Pernambuco: “O Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte, aqui sediado, vem promovendo uma campanha, juntamente com o Clube de Diretores Lojistas, Associação Comercial e o Sindicato de Comércio Varejista, com vistas a que seja instalada nesta cidade uma agência da Caixa Econômica Federal. Diversos entendimentos, encontros e conferências foram promovidos, a fim de se estudar o assunto em seus detalhes técnicos. O Centro das Indústrias já encaminhou à presidência da Caixa Econômica, em Brasília, a documentação necessária ao estudo da liberação da carta patente”.

CRISPINIANO NETO

Dia 14, terça-feira passada, o mossoroense “ad hoc” Crispiniano Neto foi o palestrante convidado do Rotary Clube Natal Sul. Falou sobre seus plano e atuação à frente da Fundação José Augusto, que preside, dizendo das dificuldades de se fazer cultura na Província. Pena que estava apressado, pois tinha um outro compromisso em Assu. Deve voltar