Textos & Contextos das Palavras

Tomislav R. Femenick 
Seleção de crônicas publicadas em jornais

 

Veja a vida como é. A gente aqui, quando nos aparece o Tomislav. O professor escreve como um nobre inglês, o Charles, ou o ianque Mark. Chega e nos entra com o pé direito com aquela crônica O intelectual conterrâneo, que pra mim foi sua real entrada no folhetim potiguar. E dá um banho mostrando como se é intelectual. Cita Eça, Mattar, FHC, Cascudinho, Vingt-un, Diógenes e nos esverdeia quando sapeca uma linha de Woden Madruga. Como se tudo isso fosse natural, fosse diletantismo.

Nas crônicas sobre o acampamento Leningrado, ele investe tonelada de força contra um ato quando muito não saudável e explica, para quem não sabe, o que realmente foi Leningrado e que melhor seria que o loteamento se chamasse Aurora, Pujança, Cravinote.

Mas ele apareceu mesmo com aquele Uma prosa pra Rosecleide. Peça que tanto pode ser um conto como uma crônica. Francamente, é das melhores peças literárias já escritas neste ano em Natal. Seguramente a melhor do quadrimestre, levando-se em conta a leveza sem pieguice, que mancharia todo o esforço em nos contar a epopéia de Rose. O leitor se comove, sente que há ainda entre nós alguém que vale por uma esperança e não morre na ladeira do querer mostrar, dizer como se faz, querer impor-se pela graça de uma sensibilidade que há ainda. E a crônica sobre o Jeitinho brasileiro o torna emblemático.

E continua mandando abrir a cortina do encantamento em seus artigos. São de encher os olhos. Ele fala de assuntos nossos, como se fossem assuntos nossos mesmo e estivesse, em sua sabedoria simples de mercador, desafiando-nos. Vende tudo, para nosso deleite e felicidade geral dos leitores. Não sei como é que pode um homem desse aparecer assim do nada e, puff, sair derretendo estrelas nas nossas semanas, cheias de segundas-feiras tantas, entre outras de tantos tiros, tantos despeitos, tantas agressões políticas.

É um ilustre intelectual que nos incandesce com crônica fabulosa. O homem com um monograma desses que nós estamos a admirar, não pode mais cair no esquecimento. Tem que andar reto, escrever igual e ser quente. E há de levar a bandeira da terra, no desfile inaugural do comitê olímpico. Feliz de quem pode contar com Tomislav. Não adianta ser contra a ventania, se a ventania é maior, e o tempo de agir muito pequeno. A ventania nos derruba.

É menino nascido e criado ali em Mossoró, parente de Mota Neto e do Padre Mota. É descendente de croata e, durante a Guerra, sofreu aqui mesmo em Jundiaí. Diz isto noutra crônica de arrepiar… Ele nos surpreendeu até no monograma. O Tomislav é professor universitário, pesquisador, historiador e consultor de empresa. Tem medula demais.

Afrânio Pires Lemos

Nele nada é usual. Tudo foge aos padrões normais; é incomum, insólito, estranho ou inabitual. Até aos sete anos não falada nada, embora entendesse quase tudo o que se dizia. Começou a falar e a escrever ao mesmo tempo. Como resultado, falava e escrevia com muitos erros. Aos treze, ainda sem saber escrever direito e para se corrigir, arranjou emprego como repórter no Jornal de Alagoas, órgão dos Diários Associados, na época a maior cadeia de comunicação do país. Aos quinze anos assumiu a sub-secretaria e, entre outras façanhas, entrevistou Juscelino Kubitschek, o general Janari Nunes, presidente da Petrobrás, João Agripino Filho, então secretário geral da UDN e futuro governador da Paraíba, Arnon de Melo, o pai de Fernando Collor de Melo e na época governador de Alagoas e muitas pessoas que fizeram história neste país. Num mesmo dia conheceu Filinto Müller, o temível chefe da polícia política de Getúlio Vargas durante o Estado Novo, e o coronel João Bezerra, o homem que comandou o cerco da grota de Angicos, quando mataram Lampião. Aos dezesseis pediu uma entrevista a Gilberto Freire. Entrevista concedida, perguntas feitas e respondidas em menos de meia hora. Eis que o nosso homem (então uma criança) sacou uma lista com mais de vinte dúvidas sobre duas obras do mestre: Casa grande & senzala e Interpretação do Brasil. Foram mais quatro horas de conversa.

Sua formação é a mais eclética possível: bacharel em ciências contábeis, especialista em economia para executivos e mestre em economia. Não contente, fez extensão em sociologia e história. Seus mestres foram os melhores de cada área: Hilário Franco, em contabilidade; Paul Singer, Guido Mantega e Francisco de Oliveira, em economia; Fernando Novais, em história, e Octavio Ianni, em sociologia todos expoentes máximo de suas respectivas áreas de conhecimento.

Além de jornalista já foi publicitário, bancário, sócio-diretor de agência de notícias, especialista em elaboração de projetos econômicos, auditor, consultor, diretor de seguradora, promotor de eventos no Brasil e nos Estados Unidos, especialista em hotelaria e turismo, perito contábil e professor universitário. Suas publicações (livros, ensaios, monografias, artigos) versam sobre os mais vários assuntos: economia, política, contabilidade, auditoria, orçamento empresarial, custos, hotelaria, turismo e, principalmente, história não história local, regional ou mesmo do Brasil; são sempre sobre assuntos mais amplos: história da escravidão no mundo, da Península Ibérica na baixa idade média, dos descobrimentos, da América, do Rio da Prata etc.

È claro que estou falando de Tomislav Rodrigues Femenick.

Armando Negreiros

 



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