TECNOLOGIA & DESENVOLVIMENTO

Tomislav R. Femenick
Tribuna do Norte. Natal, 24 ago. 2007.
Gazeta do Oeste. Mossoró, 23 ago. 2008.

A maioria das teorias econômicas não destacava a “Tecnologia” como um “Fator de Produção” em si. Consideravam apenas três: Mão-de-obra, Recursos da Natureza e Capital. Algumas diziam que a tecnologia estava no Trabalho, outras no Capital Produtivo e, ainda, outras mais, em ambos. Entretanto a tecnologia é algo representativo do estágio de desenvolvimento de uma sociedade; determinante da qualidade e da quantidade da produção, não um extensão da Mão-de-obra ou do Capital Produtivo. A tecnologia também determina o nível quantitativo do aproveitamento dos outros fatores de produção. O “saber fazer” reduz o tempo gasto na execução de uma tarefa, otimizando o aproveitamento dos recursos da natureza, trabalho e capital. Por esse motivo a tecnologia deve ser considerada como um meio de produção particular, com características diferenciadas dos demais fatores.

Quando se fala em tecnologia, geralmente, há imprecisão quanto ao significado exato do termo e este significado deve ser entendido, claramente, para se compreender o que realmente ela significa como fator de produção. A tecnologia é um processo criativo que se inicia na busca de meios para se atenderem às necessidades humanas, produzindo bens e serviços de melhor qualidade, em maior quantidade e com menor custo. Pode-se dividir a criação tecnológica em três fases distintas: a inventiva, a inovação e a aplicação prática.

A primeira, a inventiva, é a fase de criação, de pesquisa e de formulação da nova maneira de se fazer as coisas. Na segunda, a da inovação tecnológica, é quando acontece a descoberta dos novos métodos, instrumentos, sistemas de elaborar, armazenar, transportar e financiar a produção dos bens, com resultados melhores do que os obtidos anteriormente. A fase final é a aceitação da nova tecnologia, configurada em um conjunto de princípios, métodos, instrumentos e processos aplicados às atividades produtivas. Muito embora a tecnologia deva muito do seu desenvolvimento às descobertas das ciências, é preciso entender que tecnologia não é ciência. Pois, enquanto a primeira é uma série de processos e métodos, a ciência é um conjunto organizado de conhecimentos relativos a um determinado objeto, que serve a um determinado fim. As descobertas científicas fazem parte da tecnologia como instrumental, porém não como determinante da sua composição.

Nas sociedades o progresso tecnológico acontece, via de regra, quando há a conjunção de três elementos: necessidade social, disponibilidade de fatores de produção e um ambiente social favorável. Primeiro vêm as necessidades sociais, que são evolutivas e acompanham o estágio de desenvolvimento da sociedade. Como resultado, as pessoas desejam objetos melhores, em maior quantidade e com mais inovações. Se antes a dona de casa se contentava com uma máquina de costura de pedal ou a manivela para fazer as roupas da família, hoje, ela deseja comprar a roupa pronta. Para atender o desejo das pessoas, as empresas também têm suas necessidades. Para produzir mais alimentos, na agricultura o arado movido à tração animal cedeu lugar ao trator (alguns com ar condicionado); para produzir veículos mais baratos, na indústria já não bastam as linhas de montagem de Henry Ford, agora é a hora e a vez do “just-in-time” e da reengenharia.

A disponibilidade de fatores de produção é igualmente um incentivo para as inovações tecnológicas acontecerem. É elemento condicionante para o desenvolvimento de novas tecnologias a existência de mão-de-obra especializada e recursos de capitais, bem como, e mais importante, de outras tecnologias. A criação de novos métodos e processos não é um ato isolado; a disponibilidade de trabalho especializado depende do nível do sistema de ensino, a existência de capital decorre de excedentes de bens e serviços não consumidos pela população, isso é, da taxa de poupança. Muito embora importante, a disponibilidade de recursos da natureza não é fator condicionante do desenvolvimento tecnológico. O território japonês é escasso de recursos naturais e sujeito a intempéries – terremotos, maremotos etc. Entretanto é nesse pais onde ocorreu uma das maiores concentração de criação de tecnologia, na segunda metade do século XX. Pode-se dizer que a disponibilidade de fatores de produção determina o aspecto quantitativo da tecnologia.

Por último, o ambiente social, a elite dirigente e os grupos formadores de opinião podem favorecer ou retardar as inovações tecnológicas. A atuação desses segmentos pode favorecer determinados aspectos do desenvolvimento tecnológico e, ao mesmo tempo, cercear outros. No Brasil, durante o governo militar (1964-1985) foram priorizadas as técnicas que davam crescimento ao aparelho produtivo (empresas) do país, principalmente com a multiplicação e fortalecimento das empresas estatais, em detrimento das técnicas de bem estar social (educação, saúde, segurança pública etc.). Por isso é que se pode dizer que o ambiente social dá o direcionamento da evolução tecnológica da sociedade, ou seja, determina o seu angulo qualificativo.