Sobre a Atual Política Econômica e os Descaminhos do Monetarismo

Tomislav R. Femenick 
São Paulo: PUC, 1983 

Trechos de monografia elaborada sobre o texto de LIMA, Luiz Antonio De Oliveira. A atual política econômica e os descaminhos do monetarismo. Revista de Economia Política. São Paulo, v. 2/1, Nº 5, jan./mar. 1982. A monografia, na integra, foi adotado em aulas das disciplinas Economia Brasileira e Estudos de Problemas Brasileiros, da PUC-São Paulo.

O trabalho do autor tem por base a análise da política econômica brasileira nos últimos anos e resulta em uma interpretação do seu comportamento mais recentes quando, a partir de 1976, as dificuldades para fechamento do Balanço de Pagamentos determinou a elevação das taxas de juros internas, para que se fosse ao exterior a cata de moedas fortes. Paralelamente a esse fato específico o governo teve necessidade de recorrer ao mercado financeiro interno para cobrir o seu déficit no subsídio e alguns programas o que, por sua vez, também favoreceu o aumento dos juros internos. Essa ciranda teria levado os capitais a se afastarem das atividades produtivas, optando pela atuação no mercado financeiro.

As tentativas de corrigir essa tendência, em 1980, com o tabelamento dos juros e a limitação da correção monetárias, não surtiu efeito. Em fins daquele ano, o governo opta por uma nova políticas, decretando:

a) A liberação dos juros.
b) O abandono da prefixação cambial e da correção monetária.
c) Estabelecendo uma política monetária restritiva.

A adoção de uma diretriz monetária ortodoxas foi explicada como necessária à contenção da inflação e ao equilíbrio das contas externas.

Segundo a visão Keynesiana, a economia capitalista é, antes de tudo, um sistema que tem sustentação “no assalariamento da mão-de-obra”, quando (as empresas) paga salários e ordenados que determinam os custos básicos da produção, os quais, por sua vez, representam o maior componente da demanda dessa mesma produção.

Em assim sendo, antes do fator preços temos um estágio bem anterior na formação do mercado que é aquele integrado pelos rendimentos gerados pelo trabalho. No entanto, essa teoria não negaria a importância que teria uma política monetarista no comportamento da economia, mas essa importância não seria a primeira, a determinante do comportamento econômico, mas sim seria um fator agregado, mero coadjuvante.

Diferentemente dos monetaristas, que advogam a contenção da inflação com a contenção da demanda e nos preços, o autor julga que isso se daria mediante o aumento do desemprego e uma redução das pressões salariais.

Nesse ponto o autor faz uma comparação das concepções monetarista e Keynesiana, utilizando a celebre “equação de trocas” de Fisher: MV = PQ, onde “M” equivale ao volume da moeda; “V”, a velocidade das trocas; “P”, ao nível geral de preços, e “Q”, ao volume das mercadorias disponíveis para troca.

Os monetaristas se fixariam no fato de que se M aumenta, P também aumenta, e aumentará, mais ou menos, quanto maior ou menor for a velocidade de V.

Há, no entanto, de se levar em conta as possíveis variações nas alterações dos valores da formula, e quanto a variação de um dos elementos afetaria os demais, em que medida, quais os elementos etc. Essa questão poria em cheque a eficácia de uma política estritamente monetarista.

Assim é que a política adotada pelas autoridades teria apenas uma relativa influência na redução da inflação; ou seja, quando “vitimou a classe trabalhadora, com o desemprego e conseqüente desaquecimento da demanda de mão-de-obra”.

Em seguida o autor demonstra que a inflação de dezembro de 1979 e janeiro de 1981 não teve no fator salário uma causa autônoma de sua aceleração, período em que os salários sempre cresceram menos que os preços (exceto em março de 1980).

Aqui o autor situa nos custos financeiros em elevação e no custo das matérias primas os principais alimentadores do crescimento inflacionário, causas por ele consideradas fácil de identificar.

Não se pode culpar um dos componentes do custo, os salários monetários (o valor nominal do solário), como a causa da expectativa inflacionária, enquanto outro componente, os juros, tem crescimento autônomo e, ao contrário dos salários, cresce mais do que o nível de preços.

A conclusão do autor é de que o combate à inflação, meta do atual programa econômico do governo, é apenas um pretexto, uma justificativa para reduzir a atividade econômica do pais, objetivando um melhor comportamento de nossas contas externas.