Riscos em Investimentos

Pesquisadores: Márcia Cristina Peraro, Marina de Moura Rezende, Michel Okamoto, Olívia Taeko Masuda, Renata Paula da Costa, Roberto Bianchin, Simone Aparecida Veiga de Lima e Wanessa Pereira Rabello.

O “bom retorno” dos capitais investidos é determinante para a rentabilidade e mesmo para a continuidade das empresas, já que representa o sucesso em relação aos recursos que lhe foram confiados. É por isso que a avaliação de capital é hoje uma ferramenta muito utilizada na Contabilidade de grandes, médias e até de pequenas empresas, que precisam ter certeza de bons resultados para os investimentos de seus sócios e financiadores.

As sociedades realizam vários tipo de investimento, visando ao seu desenvolvimento ou expansão. Estes empreendimentos, quando mal planejados e administrados, podem gerar, ao contrário do que se espera, apenas resultados insatisfatórios ou prejuízos. Por causa disso, foram desenvolvidos métodos capazes de avaliar se um investimento é ou não recomendável. Serão alguns desses sistemas que estaremos estudado neste capítulo.

Um investimento mal planejado (ou executado) pode gerar uma série de consequências para a firma, inclusive a sua falência; e isso é muito sério. No mínimo, exige-se que haja o retomo do capital inicial, mais a sua remuneração projetada pelos índices do mercado financeiro, do mercado de dinheiro.

1. POR QUE E QUANDO INVESTIR?

Um investimento deve ser bem analisado, bem planejado e, acima de tudo, bem executado. Muitos recursos são empregados sem a possibilidade da reversão, ou seja, depois de tomada a decisão e o dinheiro ser investido, não há mais como voltar atrás. Nesses casos se o empreendimento não for bem sucedido, o capital nele investido será perdido. Nessa situação a empresa perde seus atuais (e futuros novos) investidores, além de ter seu crescimento e desenvolvimento prejudicados.

Os gastos (gastos aqui entendidos no sentido mais amplo, no sentido de emprego de recursos) de capital têm dois destinos diferenciados. São eles:

Gasto Operacional: É o gasto com mão-de-obra e matérias-primas, cujo retomo é obtido em menos de um ano. Este também é chamado de gastos corrente.
Gasto de Capital: É aquele realizado com prédios, instalações, expansões, maquinaria etc., cujo retomo somente acontece a longo prazo.

No caso presente estudamos somente o gasto de capital, chamados também de dispêndio de capital.

De forma geral, cabe a Alta Administração da empresa dar a última palavra sobre o dispêndio de capital. Entretanto, nos casos de dispêndios menores e rotineiros, a Diretoria pode delegar a responsabilidade a outros níveis da organização. Esses investimentos de menor importância, devem ser examinados pela Gerência Operacional e pela Controladoria, verificando-se a necessidade e o destino dos recursos envolvidos. Quando são envolvidas importâncias de valor médio, os projetos devem ser analisados pelo colegiado de gerentes e, também, por alguém da Diretoria Financeira, examinando-se os custos e benefícios dos projetos apresentados. Em todos os casos, o enfoque das análises é a relação: valor envolvido x necessidade do dispêndio x garantia de retorno x remuneração do capital.

Os investimentos podem ser divididos em:

Projetos independentes: São projetos diferentes entre si e a escolha de um não elimina a necessidade de outro. Como os capitais são considerados recursos limitados, a empresa deve estudar conjuntamente (mesmo se tratando de projetos não relacionados entre si) todos os projetos julgados necessários, estabelecendo prazos diferentes para os investimentos, de acordo com sua relevância no contexto empresarial.

Projetos mutuamente excludentes: São aqueles projetos semelhantes quanto ao objetivo. Neste caso, deve-se escolher o que for melhor e mais conveniente para a empresa. Decidida a escolha por um deles, os outros são eliminados.

Quando a empresa utiliza o sistema de Planejamento Estratégico, geralmente há uma quantia de capital reservado aos investimentos. O montante desse capital é de grande peso na tomada dessas decisões. É difícil, se não impossível, encontrar em uma empresa recursos ilimitados. O mais comum é haver um racionamento de capital, ou seja, um montante fixo de capital destinado aos investimos do futuro próximo.

Há duas abordagens sobre os investimentos de capital que auxiliam na decisão do administrador. Uma é a abordagem “aceitar ou rejeitar” e a outra é a de “classificar”. A abordagem “aceitar ou rejeitar” é simples e consiste em avaliar os retornos projetados para cada um dos projetos e se esses retornos se enquadram na taxa mínima que a Alta Administração julga aceitável. Ela serve como instrumento inicial para avaliar empreendimentos mutuamente excludentes e para indicar o que oferece a melhor rentabilidade.

Já a abordagem classificatória consiste em priorizar os projetos, também de acordo com critérios estabelecidos pela Administração. Por exemplo: se o critério for de acatar os empreendimentos de baixo custo, de pequeno dispêndio de capital, o projeto mais econômico seria o primeiro da lista, enquanto que o mais caro ocuparia o último lugar na classificação. Esta abordagem auxilia a empresa na escolha do melhor projeto mutuamente excludente, quando a disponibilidade de capital é racionada.

Como se pode notar, decidir sobre um investimento não é tarefa simples e fácil. É preciso analisar e avaliar todas as variáveis para que a decisão seja a melhor possível e para que o retorno seja garantido e satisfatório.

2. A DECISÃO DE INVESTIR

2.1 – As Razões Para Investir

Uma empresa não deve investir seus recursos aleatoriamente. Esta decisão deve ser baseada em uma série de razões, entre elas:

Expansão dos negócios: Aqui se incluem os investimentos adicionais, feitos para ampliar edificações, volume ou número de itens dos estoques, instalações etc. Esta situação geralmente exige um dispêndio muito alto de capital. É preciso avaliar se o gasto com a expansão de fato trará benefícios e compensará. No caso de um hotel que projete aumentar o número de unidades habitacionais (apartamentos) para atender a demanda, só terá retorno do investimento quando a ocupação dessas novas unidades começarem a acontecer. Uma loja de roupa que antes trabalhava com estoque quase zero e que resolve trabalhar com compras programadas, feitas em grande quantidade e, consequentemente, de grande valor (ao invés de comprar uma peça de cada modelo resolva restaurante comprar várias peças do mesmo modelo), tem que acompanhar a relação “custo x benefício” dessa nova estratégia. O custo dos estoques de uma loja tem um valor expressivo e, se os investimentos para sua expansão não forem bem administrados, o resultado não compensará e pode haver até perda do produto.

Economia de custo: Aqui se decide se vale a pena investir em um sistema que automatiza um processo manual. Como exemplo pode-se citar os vários softwares que são desenvolvidos especialmente para o setor de estoque. Hoje pode-se adquirir sistemas que integram informações da compra, de recebimento de mercadoria compradas, do controle de entradas e saídas de mercadorias nos estoques e das contas a pagar que estas compras geram. Existem programas mais sofisticados. O que se deve procurar evidenciar é se o custo desse investimento será compensado pela segurança e aumento do “giro dos itens do estoque”.

Reposição: Este estudo deve avaliar se a troca de uma máquina com tecnologia defasada ou com desgaste pelo uso, por outra nova, que economizará custos operacionais e evitará desperdícios. Quando aquela velha máquina começa a dar problemas, é necessário analisar se os custos dos problemas que aparecem durante o tempo em que ela fica parada, do material que é desperdiçado, da energia elétrica gasta a mais, dos consertos constantes etc., não estão sendo maiores que o custo de sua reposição.

Novo produto/diversificação: Este tipo de análise é constante nas empresas: a aquisição de novos produtos (novos itens no estoque), bem como a colocação de um novo produto ou serviços à disposição dos clientes (aquisição de itens do Ativo Imobilizado). Antes de adquirir um novo produto, é necessário saber a sua qualidade, a sua procedência, sua utilidade e, principalmente, a viabilidade de sua utilização. Deve-se optar por um produto do qual se tenha conhecimento, cuja qualidade é confiável e que vá de encontro às necessidades da clientela tradicional da empresa. A partir daí, deve-se iniciar o processo sobre a decisão deste investimento. O mesmo ocorre quando se planeja colocar um produto novo no mercado. Qual a capacidade técnica que o pessoal tem para elaborar tal produto, há fornecimento garantido de seus insumos, os clientes (tradicionais ou novos) estão interessados em usar tal produto? As respostas para essas perguntas é que devem apontar para a aceitação do investimento.

Escolha alternativa: Este seria o caso de haver a possibilidade de se escolher entre várias alternativas, para se atingir um mesmo fim. Por exemplo: uma loja de confecções tem a alternativa de vender somente roupas masculinas ou roupas masculinas e femininas. No primeiro caso teria um número menor de vendedores, atendendo a um só tipo de público; no segundo um número maior, atendendo a dois tipos de públicos. Por outro lado ter-se-ia um número maior de produtos no estoque.

Financeiro: Aqui a decisão a ser tomada é eminentemente financeira. Por exemplo: a compra de uma máquina pode ser realizada de formas diversas. Então deve-se avaliar se é melhor comprar com recursos próprios, comprar com financiamento bancário ou adquiri-la pelo sistema de leasing. Procede-se então uma avaliação da melhor opção de investimento, da melhor a alternativa, a que mais convém. Dessa forma a Administração poderá optar entre pagar essa máquina pelo sistema direto de aquisição (a vista ou a prazo), tendo que desembolsar o valor da máquina ou, então, pagar por arrendamento mercantil, em parcelas como se fossem aluguel, tendo como opção adicional a compra do equipamento, no final do contrato.

Obrigação: Esta situação faz com que a empresa faça investimento sem perspectiva de obter lucros. Geralmente resulta de imposição de algum órgão público Por exemplo: o governo pode obrigar a empresa a implantar um sistema contra fogo/incêndio em suas instalações. Mesmo assim ainda se pode optar por um fornecedor ou outro, avaliando custo, qualidade dos equipamentos, garantias de manutenção, formas de pagamento etc.

2.2 – As Prioridades dos Investimentos

Sempre que uma empresa necessitar fazer um investimento, provavelmente há várias alternativas que devem ser bem avaliadas; para decidir qual delas é a mais recomendável. Para auxiliar o investidor existem três padrões muito usados, são eles:

Grau de necessidade ou grau de urgência: As análise desse tipo evidenciam até quando se pode postergar um investimento, destacando a sua prioridade temporal. Este padrão possui uma falha, já que não avalia o que produzirá o capital investido em cada alternativa, ou seja, qual será o lucro do investimento. Por exemplo: Um plano de expansão pode ser adiado, em favor de um outro que apenas projete a revitalização de instalações antigas, por este ser improrrogável. Mas será que fatores tais como localização das instalações antigas e o montante dos gastos envolvidos não apontariam resultados menores? Portanto, há de haver cuidado nas análises das solicitações de investimentos, feitas por gerências de departamento. Essas solicitações vêm carregadas de pressão e urgência, que visam facilitar a aceitação de seus projetos. Como consequência, planos não tão prioritários podem se concretizar antes de outros, que trariam economia de custo e lucro.

Período de reembolso: O estudo do período de desembolso de um projeto de investimento, mostra em quantos anos o capital gasto será recuperado, sem que haja reserva para perda do capital. Auxilia na análise de investimentos que apresentam grande risco, onde a taxa de perda de capital e de difícil previsão. Isso porque esse padrão preocupa-se com os lucros dos primeiros anos e não muito com os lucros distantes. Muitas empresas consideram o reembolso dos investimentos apenas uma resposta quanto a questão do retomo do capital investido. Isso se dá devido à importância que atribuem à liquidez. Não que ela não seja importante, mas pode ser determinada por outros meios.

Taxa de retorno: Reembolsado o capital gasto com o investimento, este começa a dar lucro. A análise da taxa de retomo preocupa-se com a taxa de lucro líquido projetada e por quanto tempo a sociedade terá lucro com o investimento. Para uma boa análise sobre o investimento, usando a taxa de retorno, é preciso combinar lucros, vida econômica do investimento e montante do capital utilizado, com o índice de lucratividade.

Deve-se analisar todas as alternativas existentes e dar preferência à aquelas que necessitem de um menor investimento, mas que possuam uma boa taxa de lucro. O contrário, só pode ser aceito se a taxa de lucro for suficiente, adequada e consideralvelmente elevada.

2.3 – Pay Back Atualizado

Os programas de investimentos, se analisados de forma linear e isoladamente podem, a primeira vista, apresentar baixa perspectiva de lucros ou mesmo projetar prejuízo. Isso acontece por fatores inerentes aos próprios projetos, que desconsideram itens contábeis-financeiros importantes. Para que estas desvantagens sejam sanadas, pode-se evidenciar os “fluxos de caixa” das propostas, obtendo-se os valores atuais dos investimentos líquidos e das entradas líquidas de caixa. Divide-se então o “Valor Atual do Investimento Líquido” pelo “Valor Atual das Entradas Líquidas de Caixa”, chegando-se a um índice que não corresponde a uma medida de tempo de recuperação do investimento, sendo que a taxa de desconto que será aplicada é aquela que indica o valor mais alto do dinheiro, em um determinado tempo. Com isto obtemos:

Pay Back Atualizado = Valor Atual do Investimento Líquido / Valor Atual das Entradas Líquidas de Caixa

Deve-se notar que, quanto menor o índice que expressa essa relação, melhor será está proposta. Apesar das falhas que este método apresenta ele é muito utilizado pelas empresas, que o associam a outros métodos na hora da escolha do investimento.

2.4 – Taxa Média de Retorno (TMR) ou Taxa de Retorno Contábil

Esse é um método de análise de investimentos, onde o principal objetivo é determinar o grau de confiabilidade dos programas de dispêndio de capital. O instrumento usado por esse método é a Taxa Média de Retomo (TMR), cujo resultado é proveniente da proporção gerada entre o “Lucro Médio Anual” (LMA), após a dedução do IR, e o “Investimento Médio Anual” (IMA), que é a metade do investimento original.

Dessa forma temos:

TAXA MÉDIA DE RETOMO = Lucro Médio Anual após a dedução do IR / Investimento Médio Anual

Exemplo: Um grupo empresarial tem dois projetos. Ambos necessitam de um grande investimento. O grupo só pode arcar com um deles e, através da TMR, tomará a sua decisão.

A situação dos projetos analisados seria a seguinte:

LUCRO ANUAL – …ANO 1.. – ..ANO 2.. – …ANO 3.. – …ANO 4…
Projeto A……. – 1.000.000 – 1.000.000 – 2.000.000 – 1.000.000
Projeto B……. – 2.000.000 – 1.500.000 – 1.500.000 – 1.000.000

o Lucro Médio Anual para o projeto A é de R$ 1.250.000,00, o do projeto B é de R$ 1.500.000,00. O projeto A necessita de R$ 3.000.000,00 e o projeto B de R$ 3.500.000,00.

Sendo assim:

TRM (A) = 1.250.000 / 3.000.000 = 0,4166

TRM (B) = 1.500.000 / 3.500.000 = 0,4285

De acordo com as taxas encontradas, o grupo deverá aplicar no investimento do projeto B, já que este trará maior retorno.

Esse método tem vantagens e desvantagens. A grande vantagem é que fornece informações por meio de cálculos bastante simples. Entretanto tem muitas desvantagens: além de não prever o peso que o tempo exerce sobre o valor investido (já que usa médias anuais de lucro, sem se dar conta do ocorrido nos períodos analisados), não fornece taxas exatas que subsidiam de modo sensato o administrador a tomar uma decisão (…).

2.5 – A Verdadeira Taxa de Retorno

É um aprimoramento da Taxa Média de Retorno, não tomando como base a média do lucro, e sim a margem de lucratividade, medida através de taxas de juros. Dessa maneira o valor que excede aos juros calculados (juros de mercado) é a margem de lucratividade da empresa. Sendo assim:

MARGEM DE LUCRATIVIDADE = Valor do Investimento + Juros + Excedente

Sendo que:

TAXA DE RETORNO = Valor do Investimento + Lucro
VERDADEIRA MARGEM DE RETORNO = Lucro – Excedente

Esse método (…) pode ser bastante útil na tomada de decisão de se fazer ou não um determinado investimento.

2.7 – Valor Atual

Esse método usa o princípio dos juros compostos (M = C (1+i)n), levando em consideração o acúmulo de juros sobre o capital investido. Existem autores com ideias conflitantes sobre esse método de avaliação do retomo de investimento. No entanto muitos opinam que o método do Valor Atual acaba chegando a uma resposta satisfatória referente aos rendimentos.

Quando um capital é aplicado à determinada taxa de juros, podemos calcular antecipadamente seu “Valor Atual” daqui a “n” anos, utilizando a fórmula dos juros compostos. Da mesma forma podemos saber do valor aplicado, desde que seja revelada a que juros e por quanto tempo foi aplicado. Já quando os juros não são compostos, o que acontece é que o “Valor Atual” de uma quantia desvaloriza-se, conforme a taxa de juro.

Por que o investidor prefere fazer uma aplicação de risco ao invés de fazer aplicação de renda fixa, com retomo garantido? É que o investidor que aceita a segunda alternativa, está deixando de lado uma oportunidade de correr riscos e, também, de poder aumentar a sua renda. Para esse tipo de investidor (o de renda fixa), o “Valor Atual” de seus investimentos sempre será previsível, pois a taxa de ganho já é sabida. Por outro lado, os investidores de risco querem que o “Valor Atual” de seus recursos, daqui a “n” anos, seja igual ou superior ao valor investido, mais a remuneração que seria paga pelo mercado de renda fixa.

Assim, para atrair capitais para investimento de risco o projeto deve ser claro no cálculo do retomo previsto, pois os empresários não vão se interessar em aplicar o seu dinheiro em um projeto que não demonstre que o “Valor Atual” do investimento nunca será desvalorizado. Não importa se projeta a construção de uma fábrica, sua expansão ou a implantação de novos equipamentos para a melhoria de serviços oferecidos aos clientes; caso não tenha projetada a sua viabilidade financeira, não atrairá interessados em fazer investimento.

Citaremos aqui um exemplo de um empréstimo no valor de R$ 100.000,00 de uma instituição financeira a um empresário, que tem como finalidade a expansão do seu negócio. A taxa de juro sobre o empréstimo será de 15% ao ano, para ser paga em 10 anos:

Nota: Utilizamos os Fatores de Valor Annual de Mott (p. 184). Os valores do Fluxo de Caixa Anual foram calculados conforme Crespo (p.146).

Utillizamos a formula Ani= T.ani, sendo:

Ani = Valor do Empréstimo
T = Prestações anuais
ani = Fator de Amortização

Na tabela do livro de Crespo (p. 217), podemos localizar o Fator de Amortização
(ani = 5,01877) e junto com o valor do empréstimo (Ani = 100.000), pode-mos calcular as prestações anuais.

T= Ani / ani

Assim:

Prestações Anuais = 100.000 / 5.0187 = 19.925,48 (valor futuro das prestações).

Para calcular o índice do “Fator de Valor Atual de 15%”, foi usado a fórmula que está no livro Gitman (p.116)

P = Fn / (1+k) elevado a “n”.

Sendo:

P = Valor Atual.
Fn = Montante Futuro.
K = Taxa de Desconto
n = Período.

Assim:

P = 1 / (1 + 0.15) elevado a “1” = 0.8695

o “Valor Atual” foi calculado através da multiplicação do valor da prestação anual, pelo “Fator de Valor Atual de 15%” (19.925.48 x 0.8695 = 17.925.00).

2.8 – Valor Atual Líquido (VAL)

“Valor Atual Líqüido” é o nome dado para a diferença entre os valores líquidos das entradas e das saídas de caixa, tanto para valores em termos monetários não atuais, quanto para valores atuais. Sendo assim:

VAL = Entradas Líquidas de Caixa – Investimento Inicial

O “Valor Atual Líquido” é proporcional a quantidade das vantagens a mais, ocasionada pela proposta. Quando maior ou igual a zero, conclui-se que o projeto proposto proporcionará um retomo igualou superior ao montante do investimento e poderá ser aprovado. Por outro lado para um “Valor Atual Líquido” menor que zero, entende-se que o plano proposto não é economicamente realizável, pois seu retorno será menor que o custo de capital, mais a rentabilidade mínima exigida. Quanto maior o VAL maior a atração que o empreendimento provoca nos investidores.

Tomemos como exemplo a seguinte situação: um empresário pretende investir R$ 60.000,00, em trinta máquinas automáticas, para venda de refrigerante em diversos ponto de shopping center. É esperado desse investimento um retomo de 25%. Dessa forma o lucro desejado para os três primeiros anos que seria de R$ 30.000,00; R$ 20.000,00 para o quarto ano e R$ 10.000,00 para o quinto ano. Sendo assim:

Conclui-se que o “Valor Atual Líquido” estabelece um processo refinado, pondera o valor do dinheiro no tempo e que está apresentado pela taxa de desconto aplicado.

Muitas vezes a resposta que o VAL nos fornece não é clara o suficiente para que comparemos duas ou mais propostas. Sendo assim, VAL é igual a entradas líquidas menos saídas de caixas, de acordo com o investimento líquido.

2.9 – Índice de Lucratividade (IL)

A diferença entre “Valor Atual Líqüido” e o “Índice de Lucratividade” é que este último analisa o retomo a valor atual para cada R$ 1,00 investido, enquanto que o “Valor Atual Líquido” é a diferença monetária encontrada entre o valor atual do retorno e o montante do investimento inicial. Por exemplo, se o projeto de investimentO prevê que se tenha uma entrada de caixa de R$ 45.000, divide-se este valor pelo investimento inicial, que teria sido de R$ 15.000, obtendo um resultado maior que zero.

Pode-se, então, aceitar o projeto, pois este trará lucro. Se os valores forem R$ 10.000 de caixa e R$ 15.000 para o investimento inicial, e o resultado menor que zero, o projeto seria fatalmente descartado, pois estaria indicando prejuízo.
No “Valor Atual Líquido” calcula-se o valor atual das entradas de caixa, menos o investimento inicial; enquanto que no “Índice de Lucratividade” faz-se o cálculo do valor atual das entradas de caixa, dividido pelo investimento inicial. Este método mede o retorno do investimento por unidade de valor investido.

Para se calcular o “Índice de Lucratividade” de um empreendimento, deve-se assim proceder:

IL = VAE / II

Onde:

IL = Índice de Lucratividade
VAE Valor atual das entradas de caixa
II = Investimento Inicial

2.10 – O Fluxo de Caixa Descontado (FCD)

o “Fluxo de Caixa Descontado” pode ser considerado uma técnica sofisticada e muito exata, no que diz respeito ao cálculo de retomo de capital aplicado em investimento. Através deste método tem-se a possibilidade de calcular a taxa de retorno, necessária para que os lucros gerados pelo investimento formem um valor atual igual ao custo do investimento para a empresa, isto é, o “Valor Atual Líquido” será de resultado zero.

o cálculo do “Fluxo de Caixa Descontado” é feito da seguinte maneira: estitula-se uma taxa de retomo aproximada, subtraindo-se os valores atuais pela taxa de juros, do fluxo de caixa anual. A partir daí verifica-se qual foi o resultado do “Valor Atual Líquido”. Caso o resultado seja negativo, deve-se diminuir a taxa de juro utilizada, se o resultado for maior que zero, a taxa de juro deve ser aumentada. Estes cálculos devem ser feitos através de tabelas ou gráficos, seguindo um raciocínio lógico de tentativas de taxas de juro, até que consiga atingir um valor líquido atual igual a zero.

Com o método de “Fluxo de Caixa Descontado” não é necessário que a empresa se preocupe em estabelecer a taxa de retomo, já que o método, por si só, estabelece qual seria a taxa possível para determinado capital investido.

2.11 – Interpolação

o método de interpolação toma o cálculo do rendimento do Fluxo de Caixa Descontado mais rápido e simples, ou seja, a taxa de juros é obtida através da fórmula a seguir, desde que sejam conhecidos previamente o valor excedente, déficit e respectivas taxas utilizadas, pois a interpolação é baseada no resultado dos outros métodos citados anteriormente.

Assim:

FCD = Ix + [(s / S+D) x (Iz – Ix)]

Onde:

Ix = Taxa de Juros Inferior
Iz = Taxa de Juros Superior
S = Superávit
D = Déficit

Desta forma, uma empresa que deseja conhecer a taxa de juros, solução de um investimento, cujos resultados representem um superávit de R$ 55.000,00, com uma taxa de 10% e um déficit de R$ 10.000,00, a uma taxa de 23% , deve realizar o seguinte cálculo:

FCD = 10% = [(55000 / 55000+35.000) x (23%+10%)]

Portanto: FCD = 21%

Outra forma de se obter o “Fluxo de Caixa Descontado”, utilizando o método da interpolação, é através de um gráfico, onde a taxa de juros corresponde ao eixo vertical e o “Valor Atual Líquido” ao eixo horizontal. Com isso, os dados adquiridos pelas estimativas são inseridas entre a reta e o eixo da taxa de juros correspondente ao “Fluxo de Caixa Descontado”.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dos métodos citados, o melhor é aquele que atende o cenário de investimento da empresa. O tipo de investimento, quando capital esta envolvido nos programas de investimento e até mesmo o tamanho da empresa são características que podem influenciar na escolha do método para avaliação do capital.

O computador é um instrumento que auxilia muito em qualquer tipo de trabalho e pode poupar grande tempo, principalmente no que diz respeito a cálculos, como do “Valor Atual Líquido” e do “Fluxo de Caixa Descontado”. Os profissionais, encarregados da decisão de fazer ou não um investimento, somente precisam fornecer os dados. Atualmente o uso da informática tem sido indispensável aos administradores de hotéis, principalmente em empresas de grande porte, devido à rapidez e eficácia, onde a operação toma-se simples e com baixa margem de erro.

Concluímos que sempre que uma empresa, seja qual for o seu tamanho, pensar em fazer investimentos, o mais importante não é obter o capital inicial, é avaliar se este investimento irá trazer vantagens para a empresa, seus sócios e investidores externos, isto é, se o que for investido irá retomar acrescido de ganhos marginais.

A escolha correta do método de avaliação dos investimentos irá garantir ao hotel o sucesso no que diz respeito ao retomo dos capitais.

BIBLIOGRAFIA

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