Produção, Custo e Lucro

Tomislav R. Femenick
 Tribuna do Norte. Natal, 15 maio 2011.
 Gazeta do Oeste. Mossoró, 13 maio 2011.

A função produção das empresas (também chamada de planta de produção, planta industrial etc.) é o processo que transforma mão de obra, recursos da natureza, capital e tecnologia em bens e serviços, que tanto podem ser intermediários como finais. Entendendo-se que produtos intermediários aqueles que vão ser utilizados na produção de outros bens e serviços; produtos finais são aqueles que estão prontos para serem utilizados pela sociedade. O detalhamento desse sistema evidencia que o “aparelho produtivo” (a soma de todas as empresas, as formalmente organizadas e as informais) adquire os fatores de produção junto às “famílias” (a representação coletiva das pessoas) e os utiliza, em quantidades e qualidades determinada pela “grade técnica” do processo de manufatura, transformando-os em bens e serviços. Cada empresa possui a sua própria grade técnica, que seleciona, usa e faz a mixagem dos insumos necessários à elaboração dos seus produtos, em quantidades e qualidade diferentes.

A opção por uma determinada sistemática de produção evidencia duas situações, ambas resultantes do nível administrativo da empresa. Primeiro, aponta o grau de eficiência na utilização dos recursos disponíveis pela organização, recursos esses compreendidos como a especialização dos recursos humanos, o montante de recursos financeiros, os vários tipos dos de máquinas e equipamentos e, exponencialmente importante, a tecnologia do processo produtivo. Destaque-se que a tecnologia aqui concebida diz respeito às diferentes possibilidades de combinações entre os fatores de produção, para produzir uma dada quantidade de um bem ou serviço. Em segundo lugar mostra a eficácia da forma como está organizada a produção, destacando o resultado obtido, envolvendo elementos de custo, produtividade e lucro. Isso porque a escolha de dada planta de produção tem que considerar tanto a eficiência técnica como a eficácia econômica.

A eficiência técnica é compreendida como a melhor escolha do processo de produção (entre os vários possíveis) que permite produzir uma mesma quantidade de produto, utilizando menor quantidade de recursos da empresa, em determinado período de tempo. Já a eficácia econômica é entendida como o processo de produção que resulta na mesma quantidade de produto, porém com menor custo e maiores produtividade e resultado.

Assim compreendida, a função de produção é, ao mesmo tempo, um conceito tecnológico e quantitativo, uma determinante técnica entre quantidade de fatores de produção disponíveis e a quantidade de produtos obtidos e, por decorrência gerencial, é um conceito econômico, pois se relaciona com o mercado de fatores (fornecedores de insumos de qualquer natureza) e com o mercado de seus produtos, que envolve qualidade, quantidade, custos, preço de venda, lucro operacional.

Outro elemento importante a se considerar na função produção é relacionado à característica de uso dos insumos, pois há aqueles que são usados apenas uma vez e outros que são utilizados repetitivamente, sempre a empresa faz uso de sua planta industrial. Convencionou-se classificar esses fatores de produção como de curto ou de longo prazo.

Nesse caso, “curto prazo” é o período de tempo no qual um determinado insumo é fixo, quantitativamente. As mudanças nas quantidades produzidas devem ser resultantes tão somente das alterações do volume dos insumos variáveis. Exemplificando, se a empresa quiser produzir mais, terá que usar mais horas de trabalho com a mesma quantidade de instalações disponíveis. Em outras palavras, no curto prazo, a empresa somente é capaz de expandir sua produção operando as mesmas instalações durante mais horas por dia. Da mesma forma, quando há redução do nível da produção isso é obtido pela diminuição das horas trabalhadas ou pela dispensa de alguns trabalhadores. A organização não pode, imediatamente, vender suas instalações, sem perder grande parte do seu valor.

Longo prazo é o tempo futuro, no qual todos os insumos são variáveis. Portanto é nesse tempo que todas as alterações de insumos podem ser realizadas, sem prejuízos para a empresa. Por exemplo: no longo prazo poderá ser mais recomendável adquirir instalações adicionais do que trabalhar com horas extras.

Em outras palavras; a questão do prazo é determinada em termos de disponibilidade e uso de fatores. São considerados de longo prazo os elementos fixos de produção, que não se alteram quando há variação quantitativa dos itens manufaturados. Pode-se exemplificar com o Ativo Permanente: edificações, terrenos, máquinas, equipamentos etc. São fatores de curto prazo: matérias-primas, mão de obra etc. Porém a longo prazo, todos os fatores são variáveis.