OS MOTAS

Tomislav R. Femenick
O Jornal de Hoje. Natal, 22 jan. 2007.O Mossoroense. Mossoró, 18 jan. 2007.

 

Qual o significado da palavra “Mota”? Consultados os dicionários, tem-se a confirmação que, originalmente, ela designa certo tipo de lugar, portanto é um topônimo.

O Dicionário Aurélio Século XXI diz: “MOTA, de origem incerta. S. f. Aterro à beira de rio para proteger contra inundações os campos ou lugares marginais; marachão [pequena represa], presúria [açude], amota [aterro]. Terra ajuntada ao redor do tronco das árvores para resguardar-lhes as raízes contra o calor”. O Dicionário Universal da Língua Portuguesa afirma que “MOTA vem do Provençal. S. f. Aterro à beira dos rios para resguardar de inundações os terrenos marginais; terra amontoada em volta do tronco das árvores para lhes resguardar do calor as raízes”. Já no Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa está dito que “MOTA, de origem controversa, provençal pré-romana Muros, torres, fossos ou cavas que defendiam ou formoseavam uma casa de campo à maneira de um castelo ou fortaleza. Aterro à beira de um rio como meio de impedir que os lugares marginais sofram inundações; amota, marachão, presúria. Terra que circunda os troncos das árvores e protege suas raízes do calor”.

Por sua vez o sobrenome “Mota”, antes escrito “Motta” (conforme o italiano “Motta” e o francês “Motte”), deriva do substantivo “mota”, palavra de origem provençal, que por sua vez vem do germânico “motta”, que, como já visto, significa “monte de terra” ou “aterro” mandado fazer às margens de um rio, visando proteger as terras próximas de inundações. Em escocês, em irlandês e em baixo latim, “mota” e “motta”, designava uma edificação rodeada por um fosso ou situada em uma elevação artificial de terra, com a intenção de criar obstáculo aos invasores.

Em Portugal, alguns genealogistas defendem a idéia de que Mota, como nome de família, vem de um sobrinho do rei de França que, em Burgos, onde se fixou, era senhor de uma edificação chamada Mota. De concreto tem-se que o nobre Fernão Mendes de Gundar era Senhor da Terra do Olo, no Conselho de Gestacô, enquanto seu filho, Rui Gomes de Gondar, morava na “Terra da Motta”. Este achou por bem acrescentar o sobrenome “Mota” ao sobrenome, tornando-se o primeiro a dar início à família com essa denominação toponímica. Senhor de grandes posses, Rui fundou a “Quinta da Motta”, na Freguesia de Celorico de Basto, região do Minho, ao norte de Portugal. Ainda cultivou maiores bens no distrito de Lanhoso, às margens do rio Ave. Isso teria acontecido durante o reinado de Dom Afonso II, que foi de 1211 a 1223. Dr. Jerônimo da Mota, um dos seus descendentes, foi desembargador do Paço e da Fazenda Real, Juiz e nobre da corte de Dom João III, que governou Portugal de 1521 a 1557. De Dom João, Jerônimo da Motta recebeu, por decreto, o brasão de armas da família Mota.

O baiano Miguel Calmon du Pin e Almeida, o marquês de Abrantes, corrobora essa versão ao dizer que Mota, como sobrenome, deriva do nome de um lugar Mota, no termo de Vilela ou, então, da quinta do mesmo nome, na freguesia de São Miguel de Fervença, comarca de Celorico de Basto; ou de outros lugares, vilas e quintas Mota, existentes em Portugal.

Quando do seu reinado, entre 1495 e 1521, portanto em plena época das grandes navegações portuguesas e do descobrimento do Brasil, Dom Manuel I mandou reunir todos os brasões, insígnias e letreiros, visando organizar e normatizar a concessão e o uso de brasões e armas. Os estandartes com os brasões ficaram expostos no teto de uma das salas do Paço Real da Vila de Sintra, hoje chamado de Palácio Nacional de Cintra, também conhecida como a Sala de Armas.