O SAL NOSSO DE CADA DIA – III – E VEIO A MECANIZAÇÃO

Tomislav R. Femenick
Gazeta do Oeste. Mossoró, 07 out. 2007.
Tribuna do Norte. Natal, 07 out. 2007.

As salinas de Mossoró, Areia Branca, Grossos, Macau, Guamaré e Galinhos estão presentes na história do Estado desde o século XVI, quando sua existência foi registrada por Pero Coelho de Souza, nas primeiras cartas geográficas do litoral nordeste da então colônia portuguesa. Foram, também, descritas pelo Frei Vicente do Salvador, em suas anotações sobre a mesma região. Ali o sal era formado espontaneamente. Quando a maré baixava, as águas ficavam retidas e a sua evaporação era provocada pela ação natural do sol e dos ventos fortes. Essas reservas foram exploradas por portugueses e holandeses. Geden Morris de Jonge foi o primeiro não índio a fazer a extração do cloreto de sódio da costa potiguar – e talvez do Brasil.

Até os anos 50 e 60 do século passado, o sal marinho obtido no Rio Grande do Norte era baseado no mesmo processo: mediante a exposição de água do oceano ao sol e ao vento, em tanques rasos, a solução ia atingindo um teor de centralizações salina cada vez maior, até o ponto de saturação. Estão eram formadas blocos de sal que, quebrados, davam lugar ao sal grosso que era “colhido”. De fato, o processo era arcaico e antieconômico. Somente a privilegiada localização das salinas é que podia sustentar essa manufatura artesanal, naqueles dias em que a industrialização batia à porta do Brasil. Na zona salineira de Noroeste do Estado o sol, os ventos, o solo e a água salgada se juntam como que para facilitar a produção do cloreto de sódio. O sol é abrasador, desde a hora de seu despontar no horizonte; o solo impermeável, e os ventos constantes provocavam a evaporação e decantação das águas das marés. No caso específico da região do rio Mossoró, mesmo nos meses de chuva, quando o grau de salinidade da água diminui, ela não desaparece. Nos outros meses, é superior à da água do mar em quase em terço.

Afora alguns tímidos melhoramentos, nada se alterara até a metade do século XX. Somente coisas periféricas: na captação de água, moinhos de vento; na cristalização, os canteiros (baldes); na colheita, instrumentos de metais e os carrinhos de mão. Em síntese: até os anos 60, o sistema produtivo das salinas potiguares trabalhava na dependência da natureza; as marés e os ventos, estes também para mover as pás dos moinhos.

Analisado sob a ótica da tecnologia atual, esse processo apresentava diversas inconveniências. A sistemática de captação de água provocava o alagamento dos canteiros de captação e de cristalização, fato que reduzia a produtividade, vez que o sal se precipitava antes de alcançar os cristalizadores. Por outro lado a salmoura, não podendo ser controlada, danificava a pureza do produto, que era obtido somente em camadas finas, com consideráveis perdas de tempo e despesas anormais de mão-de-obra.

A esse cenário se juntavam os altos custos de carregamento dos navios, transporte e desembarque nos portos do centro-sul do país, o mercado consumidor do produto. Essa fase era tão ou mais arcaica que a primeira, fazendo com que o sal produzido no Rio Grande do Norte a 10 mil cruzeiros (moeda da época) custasse 64 mil cruzeiros, em São Paulo e no Rio de janeiro.

A situação, que era delicada, caminhava para ficar alarmante. Durante a visita que realizou a Mossoró, em fevereiro de 1967, Mario Thibau, o então Ministro das Minas e Energia, declarou que a indústria salineira do Rio Grande do Norte poderia sofrer um grande abalo dentro de prazo médio. Explicou que as reservas de sal gema encontradas em Alagoas, Sergipe e Bahia poderiam provocar até mesmo o desaparecimento do parque salineiro potiguar, em virtude do nosso baixo rendimento econômico, ao lado dos altos custos de carregamento e transporte.

Somente havia um caminho: a mecanização das salinas. Embora tenha havido iniciativas pioneiras de alguns outros industriais, a primeira salina planejada dentro de técnicas modernas foi a unidade produtiva da Salinas Guanabara S/A, empresa integrante do grupo econômico liderado pela S/A Mercantil Tertuliano Fernandes, ao qual também pertenciam as salinas da Sosal e, em parte, da Salmac. Embora presidido por Waldemar Fernandes Maia, o seu principal diretor e idealizador da mecanização foi Antônio Florêncio de Queiroz.

A Guanabara foi a primeira salina brasileira moderna, integralmente planificada para ser uma fábrica de fazer sal. Contava com oito grupos de bombas para movimentação da água dentro da salina (cada uma delas com capacidade de movimentar cem litros de água por segundo), tratores, colhedeiras, lavador de sal, 24 esteiras transportadoras para movimentação na área de estocagem e embarque, além de outros equipamentos nunca usados no setor. A demanda de energia elétrica era atendida por dois grupos geradores de 110 KWA para as fases de empilhamento, beneficamente e embarques, além de quatro outros, para a vila operária. Graças a estas novas técnicas é que a empresa conseguiu se firmar como a maior produtora de sal de país.

PADRE MOTA, O LIVRO

Tomislav Femenick e Vilma de Farias

Graças ao trabalho de algumas pessoas – entre elas o venerável José Geraldo, Gonzaga Ximbinho e Padre Flávio – considero que foi um sucesso o lançamento do meu último livro “Padre Mota“. Quero aqui agradecer a acolhida que tive na Loja Maçônica 24 de Junho, a atenção que recebi da Prefeitura Municipal e de José Rodrigues da Costa, este por me convidar para o VII Sematur, onde tive a oportunidade de reencontrar o meu amigo Sérgio Mamberti, o atual titular da Secretaria de Identidade e da Diversidade Cultural, do Ministério da Cultura.

Quero agradecer, especialmente, a atenção que recebi de Crispiniano Neto, presidente da Fundação José Augusto, editora da obra, e de meu novo amigo Gustavo Luz, da GL Gráfica, (sobrinho do meu velho amigo Jaime Hipólito Dantas), que imprimiu o livro. Agradeço, ainda, a Nilo Santos, Noguchi Rosado, Gilmar Lopes e de sua irmã Maria José, por serem meus amigos.

AINDA O LIVRO

Willams Vicente: “Trata-se de um livro para além de mero retrato biográfico de monsenhor Luiz Ferreira Cunha da Mota, homem que traçou parte da história de Mossoró. Dividido em 17 capítulos, o livro traça um panorama da história da cidade e da região a partir da vida e dos feitos de Padre Mota”. O Mossoroense, 30, set. 2007.

Carlos Santos: “Padre Mota é o título. O título é uma biografia do sacerdote e do político que por mais tempo governou Mossoró, ainda na primeira metade do século passado. Sobrinho do biografado, Tomislav apresentou o trabalho na Loja Maçônica 24 de Junho. Uma obra necessária” – Blog de Carlos Santos, 30 set. 2007.

Nilo Santos: “Monsenhor Luiz Ferreira Cunha da Mota. Ou simplesmente Padre Mota. O mais operoso prefeito de Mossoró, um avanço como administrador público, está biografado pelo sobrinho, jornalista e professor Tomislav R. Femenick” – Blog de Nilo Santos, 30 set. 2007.

Jornal de Fato: “Tomislav Femenick registrou uma parte da história de Padre Mota através de reportagem para o jornal. Nos anos sessenta, o autor fez uma série de reportagens para o Diário de Natal com o padre e algumas dessas matérias foram publicadas. Outras eles guardou com cuidado” – 30 set. 2007.

Correio da Tarde: “Tomislav acredita que o Monsenhor Mota tem sua história e seus feitos injustiçados por Mossoró. A cidade não tem a consideração que realmente merece essa figura emblemática e inovadora” – 27 set. 2007.