O SAL NOSSO DE CADA DIA – I – PRODUTO DO SUOR DO HOMEM

Tomislav R. Femenick
Gazeta do Oeste. Mossoró, 23 set. 2007.
Tribuna do Norte. Natal, 23 set. 2007.

O sal é um dos elementos indispensáveis à vida animal, notadamente a humana, e mesmo de alguns vegetais. Tal fato é constatado quando se estuda a história da humanidade e fica evidenciado que as suas fontes naturais eram objetos de disputas entre as comunidades primitivas, pois o produto era essencial quer como alimento ou como elemento de conservação de outros alimentos. A própria Bíblia faz inúmeras referências ao sal e Heródoto, considerado o pai da historiografia, narrou as viagens das caravanas que levavam sal para os oásis do deserto do Saara, tráfico esse que se mantém até os dias de hoje.

O sal, por ser raro e necessário, foi também um dos primeiros meio de trocas, tomando a forma de moeda e servindo como parâmetro de valor entre as outras mercadorias. Várias civilizações antigas, inclusive os gregos e, principalmente, os romanos utilizaram o sal como meio de pagamento. Algumas palavras, tais como as nossas “salário”, “soldado” e “soldo”, derivam dos termos latinos “salarium, ii”, “soldato, i” e “solidus, i”, que, por sua vez, derivam de “sal, alis”, que significava “sal, a graça a sabedoria”. Isso porque, durante muito tempo, os salários e os soldos pagos aos saldados da Roma Antiga eram efetuados com sal ou com outras mercadorias que correspondessem a uma determinada quantidade de sal. O sal era moeda no Tibet (onde eram usados os “pães de sal”) e na Etiópia. Na Libéria, com trezentos torrões de sal se comprava um escravo.

Na história do Brasil há vários momentos que registram fatos importantes com relação ao sal. Em agosto de 1605, Jerônimo Albuquerque (um dos integrantes da esquadra que construiu o Forte do Reis Magos, em Natal) fez a doação de duas salinas a dois dos seus filhos, dizendo que “a terra não serve para coisa nenhuma, mas que para o sal que para se criar”. Um ano antes, em 1604, quando Pero Coelho regressava a Pernambuco com sua família e com os homens que restaram de sua malograda tentativa de explorar a Capitania do Ceará, “marcharam vários para as Salinas”. Em 1630, na época da ocupação holandesa, o aventureiro Adriaen (Adriano) Verdonck veio ao Rio Grande do Norte. No seu regresso à cidade do Recife, relatou a existência de extensos depósitos naturais de “sal alvíssimo, mais forte que o espanhol”. Em 1641, Gedeão Morritz, o chefe da guarnição holandesa no Ceará, também visitou essas salinas naturais. A partir daí, elas foram transformadas em fonte de abastecimento do produto, em substituição às importações que antes eram efetuadas pela Companhia das Índias Ocidentais – iniciando, assim, a extração de sal nas cercanias da foz do rio Mossoró.

Em 1631, época da unificação das coroas portuguesa e espanhola, esta última conformou o estanco, o monopólio real do sal. A colônia somente poderia consumir o produto importado da Espanha ou de Portugal. Entretanto, o episódio mais conhecido foi a revolta comandada por Bartolomeu Fernandes de Faria, um poderoso proprietário de terras e de escravos. No final de 1710, acompanhado por cerca de 200 índios e escravos fortemente armados, esse verdadeiro régulo invadiu a vila de Santos, arrombou os locais onde o sal do monopólio estava escondido, aguardando o aumento do preço, e levou o produto “serra acima”, onde o repartiu entre os senhores de terra. Dizia-se, no início do século XVIII, que o melhor negocio da colônia era o “negócio do sal”, por “o venderem pelo preço que quiserem”.

A exploração industrial e comercial do sal brasileiro somente teve início efetivo quando da proclamação da independência e, mais ainda, quando da proclamação da republica. Toda nossa produção sempre foi de sal marinho, obtido pela evaporação da água do mar e se localiza em áreas restritas da costa, exceção feita ao litoral do Rio Grande do Norte, onde há abundância de solo impermeável, longos períodos de sol e constantes correntes de ventos, soprando sobre extensas regiões – são conhecidas algumas jazidas de sal-gema em Sergipe, Bahia e Alagoas, mas sua exploração é difícil devido à grande profundidade em que se encontram. No passado recente, um dos pontos altos da produção salineira nacional deu-se no quinquênio 1955/1959, quando o Brasil produziu uma média anual de aproximadamente 800 mil toneladas de sal, das quais mais de 500 mil, ou 62,5%, foram extraídas das salinas potiguares.

Entretanto, até a metade do século passado, as fases de produção e extração do sal se davam de maneira artesanal, sem uso de máquinas e equipamento que aumentassem a produtividade da mão-de-obra. Dizia-se que o sal era produto do suor do homem. Isto quer dizer que quase toda “força motriz” empregada no seu fabrico era o braço do homem, fazendo com que a extração do produto se desse com baixo valor agregado e altos custos operacionais. Um outro ponto de estrangulamento estava no transporte do sal do Rio Grande do Norte – nos anos sessenta já cerca de 80% da produção nacional -, para os centros consumidores, estes localizados na região centro-sul do país.

HABEMUS SENADORA

Há varias formas justas de se fazer política, como as há as incorretas. Algumas pessoas persistem em optar por essa última, entretanto o povo deve sempre vencer. O Supremo Tribunal Eleitoral confirmou Rosalba, a senadora mossoroense, no cargo que lhe era de direito. Venceu nas pesquisas, no voto e na justiça. E agora? O que é que vão inventar e querer fazer?

NOVO LIVRO

Domingo próximo estarei lançando em Mossoró o livro “Padre Mota“, uma biografia do melhor prefeito da história da cidade, no dizer de Vingt-un Rosado. Entretanto esse livro não se limita simplesmente a contar a vida e a história desse venerando eterno vigário geral da Diocese de Santa Luzia, do homem que foi prefeito por quase dez anos e morreu pobre. No livro, entre outras coisas, procurei levantar fatos da história que caracterizaram o tempo do monsenhor, sua verve humorística, sua religiosidade, sua firmeza e humildade e, ainda, a sua famosa calçada — um espaço da democracia que congregava, democraticamente, católicos, protestantes, ateu, democratas, comunistas, partidários, adversários, autoridades e povo. Grande Padre Mota.



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