O Resto do Mundo

Tomislav R. Femenick
Tribuna do Norte
. Natal, 27 nov. 2011.
Gazeta do Oeste. Mossoró, 26 nov. 2011.

 

Em economia a expressão “resto do mundo” é usada para identificar os países com os quais os agentes nacionais estabelecem relações econômicas, num quadro de economia aberta. O resto do mundo importa nossos produtos e serviços, exportam suas mercadorias e serviços para o nosso país e conosco mantém transações financeiras. As trocas comerciais se baseiam no princípio segundo o qual cada povo possui recursos com características limitativas de mão de obra, recursos da natureza, capital e tecnologia. Esse fato real faz com que as nações tenham peculiaridades bem próprias, de produzir bens e serviços. Em termos de determinadas mercadorias, esse fato pode se acentuar cada vez que houver aumento de consumo. O caso do petróleo na economia japonesa é característico dessa situação.

O comércio internacional é fundamentado no princípio de que há necessidades e vantagens nas relações de troca entre as nações. Esse enfoque está em todas as teorias que abordam o assunto, quer àquelas que tentam “explicar” o fato concreto, quer àquelas que procuram “indicar” a melhor maneira de comportamento para o mercado entre os países.

Quais seriam essas vantagens e necessidades? Vamos exemplificar algumas delas, sob o ponto de vista do país importador. Primeiro vejamos as necessidades que dão norte ao comercio internacional. Um país pode precisar de um determinado produto, em cuja produção haja componentes de recursos da natureza não existentes em seu território. Supúnhamos, ainda, que não haja substitutos para esses fatores. Neste caso temos uma dificuldade concreta, impossível de ser transposta. Pode, ainda, precisar de bens e serviços, produzidos com tecnologias nele não disponíveis. Neste caso temos uma barreira de conhecimentos, difícil de ser vencida.

E quais as vantagens que uma nação tem, com essas transações? Certos produtos exigem uma grande inversão de bens de capital, de tecnologia e de mão de obra especializada. Mesmo que o país possua os recursos naturais necessários à sua produção, esta somente é recomendável se o consumo local for em escala que compensasse os investimentos necessários de capital, de tecnologia e de trabalho especializado. Caso contrário é mais compensador importar esses produtos. Há, também, ocorrer casos em que outros produtos, mesmo que havendo condições interna para produzi-los, são encontrados no mercado internacional por preços inferiores àqueles que não são possíveis para os produtores nacionais, isso em decorrência de uma série de fatores tais como: custos em gerais, deficiência tecnológica, incidência de tributos etc.

Cada uma dessas vantagens, ou necessidades, de países importadores representa uma vantagem de exportação, para as nações exportadoras. Como nas relações internacionais as vantagens tendem a serem bilaterais (via troca de bens e serviços e ativos financeiros), há uma espécie de reciprocidade de interesses.

Se um país tem necessidade de importar determinada mercadoria, por ter escassez de recursos naturais, tecnologia, capital e/ou mão de obra especializada para produzi-la, o exportador também ter necessidade de exportar, para continuar empregando esses mesmos recursos, de forma a não diminuir seu Produto nacional e, consequentemente, sua Renda nacional. Sob o aspecto vantagem, o conceito é o mesmo.

A internacionalização do mercado resulta em algumas mudanças de comportamentos do Aparelho Produtivo: ele tem que exportar, para financiar as importações; a natureza de sua produção tem que se ajustar às necessidades do mercado interno e externo, só pode exportar o que pode produzir a preços competitivos e deve importa o que não pode produzir em condições vantajosas.

O comércio internacional não registra apenas trocas de bens e serviços finais. Há uma corrente intensa de compra e venda de insumos, assim compreendendo-se tanto Fatores de Produção (trabalho, recursos da natureza, capital e tecnologia) como produtos intermediários; semiacabados. Preponderantemente, o fornecimento de produtos primários e semi-industrializados é realizado pelos países subdesenvolvidos ou em fase de desenvolvimentos, em direção aos países desenvolvidos. Nas nações do primeiro mundo origina-se o fornecimento de bens e serviços finais, tecnologia e, principalmente, capital financeiro e bens de produção, tendo como destino os países do terceiro mundo. Em ambos os casos, as importações representam uma complementação às disponibilidades locais de produtos de insumos. Assim como os bens e serviços finais vêm se somam aos bens e serviços do próprio país, para atender às necessidades de consumo das Famílias, os insumos importados se juntam aos insumos locais, para atender às necessidades das empresas.



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