O que é Microeconomia?

Tomislav R. Femenick
Tribuna do Norte
. Natal, 04 set. 2011
Gazeta do Oeste
. Mossoró, 03 set. 2011.

Se tomadas as várias concepções do “sentido do valor”, como base dos estudos econômicos, a Economia, definida como a ciência, se organiza de forma sistêmica, adotando um conjunto de categorias e elementos organizados, segundo alguns critérios, cada um deles adequado ao objetivo do estudo, do processo de raciocínio, de finalidade objetiva. Dessa maneira, é possível se estabelecer critérios diferentes para os diferentes processos com que as Ciências Econômicas trabalham. Foi partindo desse princípio que, no século XX, se generalizou a divisão dessa ciência em dois grandes segmentos de estudo, a Microeconomia e a Macroeconomia.

Até as primeiras décadas do século XX, as teorias econômicas clássicas e neoclássicas, estiveram voltadas quase que somente à análise microeconômica, enfocando o exame do comportamento dos agentes econômicos privados (consumidor e produtor) e públicos (os diferentes níveis e esferas de governo) e suas inter-relações, através do que procuravam a eficiência e o equilíbrio do sistema econômico.

Por causa dessa origem teórica, a Microeconomia é também chamada de “teoria dos preços”, uma vez que postula a articulação e coordenação das ações dos produtores e consumidores, por meio do sistema de livre funcionamento dos preços. Ao estudar a estrutura dos preços, a Microeconomia analisa: a) a oferta dos bens e serviços de consumo (comportamento dos produtores); b) a demanda desses produtos (o comportamento e reação dos consumidores); c) as várias formas como o mercado se comporta (monopólio, oligopólio e livre concorrência); d) a oferta e procura de Fatores de Produção e suas respectivas remunerações. A partir dessa abordagem particular sobre produtores e consumidores e com a integração das suas quatro ramificações teóricas, toda a vida econômica é abordada e analisada pela Microeconomia, processo teórico elaborado com vistas a constatar as possíveis condições gerais para o equilíbrio do comportamento das relações econômicas.

É com essa ótica que Galbraith afirma que “A microeconomia é o ramo da Economia que trata da firma comercial e do lar, a estrutura celular de base; assim, ela tem a riqueza sugestiva do microscópio e da microbiologia. E daí passa a tratar do mercado – para revelar, ou de qualquer forma imaginar, como os consumidores, dadas suas rendas e preferências, atuam reciprocamente através do mercado junto às empresas comerciais para determinar o que é produzido, em que quantidade, com que margem de lucro e a que preço”.

A microeconomia centra seus estudos em grandes grupos de formulações teóricas, principalmente em quatro grandes linhas: a) teoria do consumidor; b) teoria do produtor, da firma ou da empresa; c) teoria da produção; d) teoria da distribuição ou repartição.

A evolução dos estudos microeconômicos levou seus estudiosos a buscar respostas para problemas relacionados com as muitas variáveis constantes de suas formulações de “modelos paradigmáticos”, considerando que quanto maior for o número de variantes consideradas nos modelos, mais complexa será a evidência do resultado e mais complexo ainda será prever o resultado para a questão. Para atingir seus objetivos, a microeconomia elabora modelos hipotéticos da realidade econômica e estabelece hipóteses de comportamento para os agentes privados. Por outro lado, aceita que: a) algumas dessas variáveis não podem ser observadas ou medidas empiricamente – por isso são consideradas secundárias e descartadas; b) a comparação de duas ou mais situações de equilíbrio seja efetuada sem que seja considerado o aspecto temporal; início e fim do período; c) as hipóteses podem admitir – sem explicações razoáveis – que as condições que influem no resultado de duas ou mais variáveis, dependentes em si, permanecerão inalteradas.

Todavia, essas aparentes inconsistências metodológicas são apenas recursos que a microeconomia lança mão para conseguir obter consistência teórica em suas pesquisas e formulações. Quando o experimento se mostra ineficaz, quando a explicação obtida para dado fenômeno não é adequado ou mesmo quando não corresponde a predominância dos fatos concretos, a base hipotética é refugada.

Os primeiros estudos lógicos das atividades econômicas do ser humano tiveram uma abordagem microeconômica. Esses estudos foram desenvolvidos na Grécia antiga por Xenofonte (431 a.C. – 350 a.C.), Platão (428 a.C. – 348 a.C.) e Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.). O primeiro em sua obra “Econômico”, o segundo em “A República” e “As Leis” e o último em “Política”.

 



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