O Fabuloso Quem?

Tomislav R. Femenick
Cazeta do Oeste. Mossoró, 16 dez. 207.
O Jornal de Hoje. Natal, 17 dez. 2007.

Em um desses feriadões encompridados, eu quis inovar nas minhas rotinas diárias. Decidido a quebrar com a mesmice do dia-a-dia, resolver não ler jornais, abrir a caixa de e-mails, ligar a internet, ver televisão, ler livro, escrever ou ir à praia. Cedinho, desci e fui andar no pretensioso jardim de alguns metros quadrados que orna a minha casa e tomei um banho de piscina, coisas que eu não fazia há já alguns meses. Depois de tomar café e acender meu charuto matinal, fui brincar com a cachorra, mas as horas não passavam. Fiquei doido para, pelo menos, folhear o jornal; mas me contive. O jeito foi andar pelas ruas do entorno da minha residência. Como era feriado, também era muito cedo para encontrar alguém nas ruas. Vez ou outra aparecia uma alma penada que passava por mim e fazia um cumprimento meio acanhado, com as palavras ditas pela metade, faladas para dentro.

Assim passei a manhã inteira, procurando fazer coisas diferentes. Liguei para os amigos daqui, de outros cantos do Brasil e fiz até uma ligação para a minha sobrinha que estava na França, coisa que antes nunca tinha feito. Mas não consegui falar com ela, vez que lá era dia de trabalho. Lá para as tantas, arrastei minha mulher e fomos passear em um dos shoppings da cidade. Eu acho que essa parte da ideia fui minha e de quase todo mundo, pois toda a população da urbe estava lá. Mal dava para se andar nas alamedas. As lojas que estavam abertas tinham compradores “escoando pelo ladrão” e a praça da alimentação formigava de gente. Em determinada altura vi-me em frente de uma livraria. Parei um pouco e fiquem conversando com meus botões: folhear livro é a mesma coisa de ler livro? Resolvi que não era. Entrei.

Estava vendo as prateleiras das novidades e olhando as outras, quando uma jovem senhora se aproximou e pediu que eu autografasse um livro meu que ele havia terminado de comprar. Atendi e agradeci à minha ilustre leitora (todo meu leitor é ilustre) o fato dela comprar algo de minha autoria e me voltei para continuar a folhear os livros que faziam parte de um lote de lançamentos. Ai fui abordado por um senhor com mais ou menos a minha idade, que tinha em mãos um exemplar do mesmo livro que eu acabara de autografar. Falei para mim mesmo: “Puxa, isso nunca me aconteceu antes, e agora acontece em dose dupla”.

Mais não era nada disso. O cidadão queria simplesmente discutir o conteúdo do livro. O livro em questão era a biografia do Padre Mota, de quem o dito cujo se disse bastante conhecedor. Questionou o que disse ser a “aridez” do meu texto, que no seu entender deveria ser mais informal, menos técnico. Achava que teria que haver mais “causos” engraçados, que eu deveria ter contado aquele do Raimundo Sacristão e aquela outra história etc. e tal. Disse que não faria falta se eu não tivesse escrito nada da primeira parte, onde são abordados aspectos da região e da gente de Mossoró e do Oeste do Estado. Nessa altura eu lhe perguntei se ele era de Mossoró e ele me respondeu que não. Ai ele engatou um macha mais forte e continuou sua análise. Disse que o livro deveria ter mais noticias sobre o padre e menos do prefeito, pois ele, evangélico, não concordava com essa história de padre se meter em política.

Ai aconteceu algo surrealista. Eu perguntei: “O senhor conhece Mossoró?”. Ele respondeu: “Não. Não gosto de calor”. Eu: “O senhor já leu o livro”. Ele: “Não. Folhei aqui na livraria”. Eu: “Como é o seu nome”. Ele: “Johan Maurits van Nassau-Siegenda da Silva, mas os meus amigos me chamam só de Maurício de Nassau”. E foi embora.

Minha mulher, que até então estava em outra parte da livraria vendo outros livros, chegou e me perguntou: “Estava conversando com quem?”. Respondi: “Com o próprio, o fabuloso Mauricio de Nassau”. Ela: “Com o fabuloso quem?”.

Fui para casa ler meus jornais, abrir a caixa de e-mails, ligar a internet, ver televisão, ler meus livro e escrever meus artigo. Só não havia mais tempo para ir à praia.

GARIBALDI NA PRESIDÊNCIA

Nos dias que antecederam a escolha de Garibaldi para ser o candidato do PMDB à presidência do Senado, aconteceram duas coisas curiosas. Primeiro a unanimidade dos senadores do Estado em apoio ao seu nome, até José Agripino um dos mais contundentes críticos do governo Lula. Também não faltou pronunciamento da governadora, declarando seu apoio a Garibaldi. Por outro lado, alguns cronistas de jornais da capital davam a nítida impressão de estarem torcendo contra. Prova é que só transcreviam as notícias (todas) desfavoráveis a ele, que saiam na imprensa do Rio e São Paulo.

SAÚDE PÚBLICA

Rasteira a argumentação do governo em favor do CPMF. Dizer que sem ela o país não teria dinheiro para a saúde é querer fazer parecer que a saúde pública é uma maravilha nesse nosso Brasil varonil, de belezas mil.

AGORA TEMOS

Há uma história que diz que Deus, por ser brasileiro, construiu nosso país sem vulcões, sem terremotos, sem tufões, sem tsunamis, sem vendavais etc. Pois bem, agora temos terremoto. Há tempos temos estrondos aqui pelo Estado. Lá em Minas, terremoto. Já temos até a primeira morte causada pelo fenômeno. “Nunca na história deste país antes houve semelhante isso”.

Dia quatro passado O Globo, do Rio de Janeiro, publicou um artigo de minha autoria,  intitulado “O Líder que deu chabu”. Alguns leitores comentaram a matéria:

Jorge Manuel dos Santos da Silva: “Com todo o respeito ao autor da matéria, mais o líder que deu chabu é outro. É algum que é poliglota; é professor da Sorbone; é sociólogo e outras cositas mais. Lula atingiu o inimaginável para alguém de sua origem e trajetórias como a dele. Talvez por ser pobre e ter pegado no pesado, o povo brasileiro o conduziu até o ponto em que ele chegou. Já a outra figura a que me refiro, esta sim, devido a sua bagagem intelectual e trajetória pessoal e política, é que parece que “estouraria”. Deu chabu” — 06 dez. 2007.

Luciana Siqueira Johnsson: “Texto didático e muito articulado – quem escreveu sabe das coisas, ao contrário do “camarada” Jorge, que fez uma crítica “vazia”, em forma e conteúdo” — 09 dez, 2007.

Dia quatro passado O Globo, do Rio de Janeiro, publicou um artigo de minha autoria, intitulado “O Líder que deu chabu”. Alguns leitores comentaram a matéria:
Jorge Manuel dos Santos da Silva: “Com todo o respeito ao autor da matéria, mais o líder que deu chabu é outro. É algum que é poliglota; é professor da Sorbone; é sociólogo e outras cositas mais. Lula atingiu o inimaginável para alguém de sua origem e trajetórias como a dele. Talvez por ser pobre e ter pegado no pesado, o povo brasileiro o conduziu até o ponto em que ele chegou. Já a outra figura a que me refiro, esta sim, devido a sua bagagem intelectual e trajetória pessoal e política, é que parece que “estouraria”. Deu chabu” — 06 dez. 2007.

Luciana Siqueira Johnsson: “Texto didático e muito articulado – quem escreveu sabe das coisas, ao contrário do ‘camarada’ Jorge, que fez uma crítica ‘vazia’, em forma e conteúdo” — 09 dez, 2007.