NOVOS PARÂMETROS

Tomislav R. Femenick
Tribuna do Norte
. Natal, 27 mar. 2011.

Indistintamente, grandes corporações e pequenas empresas, se deparam diariamente com uma realidade cada vez mais presente em seus negócios: a concorrência de produtos estrangeiros. Essa afluência, essa corrente abundante de mercadorias, se reflete tanto no mercado interno como no mercado externo. Aqui e lá fora, os produtos e serviços estrangeiros enfrentam os produtos industriais e agropecuários, bem como os serviços, de origem nacional nos aspectos de qualidade, concepção, elaboração e especificação de desenho industrial (design) tecnologia e, principalmente, preço. Muitas vezes essa competição assume um caráter de vida ou morte; ou de quase morte, como é exemplo a cotonicultura (cultura do algodão), a indústria têxtil e a cassinocultura (criação de camarão em cativeiro) do Rio Grande do Norte, que enfrentam problemas concorrenciais com empresas de outros países. Todavia, há casos em que os produtos nacionais, por vários motivos, se impõem no mercado internacional, no que os produtos agropecuários e minerais se destacam.

Esse fato se dá em virtude da chamada globalização econômica. O que aqui procuramos enfocar é a faceta da contabilidade perante a mundialização da economia, a necessidade de homogeneizar o comportamento dos registros, planejamento, projeções e controles orçamentários, bem como o posicionamento e as análises, exames e pronunciamentos de auditoria. Segundo Iara Marchioretto “Com a globalização dos mercados, deu-se início à caminhada rumo à harmonização mundial da contabilidade e da auditoria. Para dar suporte aos negócios e transações internacionais, a contabilidade passou a ser vista como plano estratégico capaz de atender às características do novo mercado mundial”.

Por esse entendimento, a realidade econômica exige algumas ações dos profissionais da contabilidade; compreendida em quatro segmentos básicos: registros e cálculos de atos e fatos, análises, gestão empresária e auditoria. No primeiro caso, há a necessidade de adequar o plano de contas da entidade à sua dimensão e ao setor empresarial específico, de modo que contemple as variáveis de lançamentos, provisões, depreciações, exaustão etc. No concernente às análises, além daquelas normais – rentabilidade, produtividade, tendências etc. –, há que se focar o mercado, satisfação dos clientes, novos aporte de capitais (investidores grandes, médios e pequenos), novas fontes de financiamento (empréstimos e financiamentos bancários, lançamento de debêntures e ações primárias, leasing e outras fontes) e novas alternativas para captações e aplicações de recursos.

Quanto à participação contábil na gestão da sociedade (quer seja através de elaboração de planejamento estratégico, orçamento empresarial, plano de logística e outros), sua atuação deve se voltar para o aperfeiçoamento da organização em busca da eficácia econômica, a projeção do ciclo de vida dos produtos, a minimizar os custos fixos (transformando-os em custos variáveis), o uso intensivo de tecnologia de ponta (tecnologia de produção e no produto), a redução dos riscos empresariais e a rapidez nas decisões. Ainda quanto o aspecto gerencial contábil, os contadores devem se envolver nas atividades ligadas ao crescimento da empresa, projetando novas frentes de negócio, tais como: abertura de novas unidades, fusão ou incorporação de outras empresas, participação em joint ventures, pulverização de capitais em negócios múltiplos etc.

Finalmente, temos a atuação da auditoria externa, que teve que reinventar seus métodos e procedimento, de forma a acompanhar o novo ritmo dos negócios e os novos graus de riscos que suas tarefas assumem, em virtude da globalização. Iniciado esse processo, os serviços dos auditores externos entraram em um estágio de aperfeiçoamento continuado, incorporando exames e verificações mais amplos e profundos, estendendo suas análises por setores antes só esporadicamente investigados e concentrando trabalho nas áreas mais sensíveis e vulneráveis a acontecimentos fortuitos. O resultado tem sido um número cada vez maior de verificações sobre transações e atos administrativos relacionados com empresas coligadas, captações de recursos e constituição de fundos geridos nas entranhas das corporações e aplicações no mercado financeiro; bolsas de valores, derivativos, futuro, commodities etc. No último caso, pela intensidade e movimentos que alteram rapidamente as posições assumidas pelos aplicadores. A consequência tem sido uma padronização internacional, também nas técnicas de auditoria.

A globalização criou novos produtos, aperfeiçoou a qualidade das mercadorias comercializadas, reduziu os seus custos de fabricação e os preços de venda, alterou a percepção da gestão empresarial e estabeleceu novos parâmetros para a contabilidade e para a auditoria independente.