Notícias de um Tempo: 2 – Atividades Produtivas

Tomislav R. Femenick
 Obra inédita - Trechos do Segundo volume de um total de cinco.

AGROPECUÁRIA

OS GRAVES PROBLEMAS QUE DESAFIAM OS MOSSOROENSES

MOSSORÓ, 18 – Atendendo a convocação feita pelo prefeito Raimundo Soares e pelo senador Duarte Filho, estiveram reunidos em Mossoró representante das classes produtoras, os presidentes do Centro das Indústrias do Rio Grande do Norte e da Associação Comercial de Mossoró, além dos representantes do Lions Club, do Rotary Club e de diversas associação classistas desta cidade. Na reunião, aberta pelo senador Duarte Filho, foram tratados assuntos de interesse de Mossoró e da região oeste do Estado. O assunto, contudo, que mereceu destaque foi o problema do algodão, em virtude de sua má posição atual, como fonte produtora de recursos. Lembrou-se, então que, enquanto o nosso Estado produz cerca 180 quilos por hectares, a produção de São Paulo atinge 900 quilos. Este fato deixa o Rio Grande do Norte sem condições de concorrer no mercado algodoeiro com o produto paulista, em virtude do custo de nossa produção ser muitas vezes superior, em virtude da produtividade ser muitas vezes inferior.

CUSTO E VENDA – O problema é de tal ordem que, em média, o agricultor norte-rio-grandense despende a importância de noventa e cinco a cem mil cruzeiros para o cultivo de um hectares de algodão, enquanto o preço de venda, em São Paulo, só alcança o valor de sessenta e cinco a setenta mil cruzeiros. Para tal disparidade concorrem diversos fatores, sendo que um dos mais importantes é a falta de técnica de plantio, que é feito desordenadamente e sem a adubação adequada.

GERGELIM E ALGODÃO – Visando minorar a crise por que passam os produtores e maquinistas de algodão do Estado, principalmente da região oeste, aventou-se a possibilidade de substituir, por alguns anos, o plantio de algodão pela cultura do gergelim, produto de que se extrai um óleo de largo emprego em muitas indústrias nacionais.

Entretanto essas empresas não estão em condições de consumir um grande produção de óleo de gergelim, atualmente. Esse fato não seria um elemento impeditivo para a implantação dessa cultura agrícola, desde que são grandes as possibilidades que ela oferece para exportação (…). – Diário de Natal – 18.01.1967

MOSTRA AGROPECUÁRIA DE MOSSORÓ SERÁ A MAIOR DE TODO O NORDESTE

MOSSORÓ (Serpes) – A coordenação da VII Exposição de Animais e III de Máquinas Agrícolas de Mossoró recebeu, da agência local do Bando do Nordeste do Brasil S/A, comunicação de que este estabelecimento de crédito ficará a disposição dos ruralistas para financiar as compras realizadas durante o evento.

O comunicado do BNB esclarece que o total dos financiamentos poderá atingir um montante de NCr$ 400.000,00 (quatrocentos milhões de cruzeiros velhos), sendo que NCr$ 300.000,00 serão destinados à operações com compra e venda de gado e NCr$ 100.000,00 para negociação de máquinas agrícolas.

A MAIOR – A VII Exposição de Animais e III de Máquinas Agrícolas de Mossoró, que será realizada ainda no decorrer do presente mês de setembro, pelo número de inscrições de pecuaristas já feitas, será a maior mostra agropecuária da região. Dela participarão expositores do Rio Grande do Norte, do Ceará, da Paraíba, de Pernambuco, de Alagoas, de Sergipe e da Bahia. De anos para ano vem havendo uma gradativa seleção de animais, o que tem contribuído para o êxito alcançado pela mostra.

Como nos anos anteriores, este ano espera-se que os maiores planteis e os melhores exemplares de animais sejam, novamente, dos expositores tradicionais campeões Otoni Maia, Dix-huit Rosado (presidente do INDA-Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário), Antonio de Medeiros Gastão, Clóvis Miranda, Tarcísio Maia (presidente do IPASE) e outros, que na certa desejam superar os êxitos das exposições passadas. – O Povo – 24.09.1967

FALTA DE CRÉDITO, DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E DE INCENTIVOS REDUZIRAM CAMPO OPERACIONAL DO “OURO BRANCO” DO RIO GRANDE DO NORTE

No setor agrícola é a cultura de maior importância econômica do Estado do Rio Grande do Norte. No entanto, até hoje, pelo menos na Microrregião de Mossoró, não há um sistema definido desta cultura.

O agricultor, entregue à sua própria sorte, planta de acordo com a sua concepção e experiência, que nem sempre são positivas. Em terrenos com as mesmas características uns plantam o algodão herbáceo, poucos cultivam o arbóreo e a maioria dá preferência às sementes não selecionadas, ou seja, a uma mistura de sementes de algodão mocó, verdão e branco, resultando disso uma hibridação profundamente prejudicial à fibra. Os primeiros visam ao safrejamento (termo usado no oeste do Rio Grande do Norte para designar o plantio feito objetivando tirar o máximo rendimento, logo nos primeiras colheitas ou no mesmo ano) em toda sua plenitude, no mesmo ano, enquanto que os outros são realmente os mais esclarecidos, mais hábeis nas conclusões de suas observações e de maiores recursos financeiros. Os últimos visam ao safrejamento no primeiro ano e à vida longa da planta.

Por essa desordem três causas são responsáveis: falta de um órgão técnico de orientação eficiente, ausência de sementes selecionadas na época do plantio (as que há são poucas e caras) e carência de conhecimento dos agricultores. O espaçamento no plantio do algodão é outra questão ainda indefinida e não disseminada nesta região.

PRAGAS E MECANIZAÇÃO – O combate às pragas ainda é incipiente. Só se tem combatido – e precariamente – o curuquerê. Entretanto há outras pragas tão perniciosas s quais, por ignorância, não são combatidas. Em determinados anos, do fim do inverno (época das chuvas) para o começo do verão (época do calor) a folhagem do algodoal sofre uma mudança de coloração, sinal do ataque do “vermelhão”. Supõe-se que os agentes causadores dessa doença sejam os pulgões ácaros. O fato é que o algodoal, assim atacado, enfraquece e perde muito de sua produtividade. A praga nunca foi combatida. A mecanização da lavoura é, também, muito precária. Raríssimos são os agricultores que têm tratores com os necessários implementos. A grande maioria não pode comprar esse importante instrumento de trabalho.

Apesar de todas esses deficiências técnicas, o algodão da região de Mossoró é de boa qualidade, gozando de Dom conceito nos mercados consumidores nacional e estrangeiro, o que prova que temos solo e condições climáticas próprias para produzir fibra de excepcional qualidade.

TÉCNICA & FINANCIAMENTO – Segundo conclusões do relatório “O Desenvolvimento Econômico do Nordeste do Brasil”, apresentado pelo economista Stefen H. Robock às Nações Unidas, “a escassez de técnicos e o nível geralmente baixo de conhecimentos técnicos constituem os principais obstáculos ao desenvolvimento do Nordeste Brasileiro”. Felizmente estamos acordando deste marasmo em que permanecemos por muito tempo. Aqui já se cuida de preparar técnicos com conhecimentos especializados. E a lavoura algodoeira vai se beneficiar disso.

Quanto ao crédito agrícola porém, há contradição na opinião dos agricultores. Uns acham que os financiamentos concedidos pelas carteiras dos bancos oficiais são satisfatórios; outros os consideram deficientes.

Há um outro problema para o qual não se pode ficar omisso: a precariedade das estradas que ligam Mossoró ao seu hinterland. Este fato, além de dificultar o transporte do algodão entre o produtor e as empresas maquinistas, atua em detrimento da rentabilidade econômica do agricultor, sobre quem recai o custo da entrega do algodão vendido.

COMERCIALIZAÇÃO – A primeira fase da comercialização é realizada entre os agricultores e as empresa maquinistas (as descaroçadoras e enfardadoras). Os maquinistas de Mossoró têm disseminadas pelo interior do Estado, nos pontos mais estratégicos e convergentes, agências compradoras e algumas usinas de descaroçamento de algodão. Este sistema de trabalho é adotado visando, principalmente, fazer a ligação direta da firma compradora com o produtor, para evitar, tanto quanto possível, a ação dos intermediários. Por falta de compreensão do próprio agricultor, não se tem conseguido grande êxito neste particular. Todavia, os resultados têm apresentados uma melhora gradual, de ano para ano (…).

Do meado da safra em diante, ocasião que a falta de dinheiro é gritante, ocorre o inverso da medalha, isto é, os produtores só conseguem vender o algodão a prazo de 30, 60 e até 90 dias, desde que assim permitam as condições dos vendedores. Nestas operações os compradores pagam ágio sobre o preço do dia, correspondente à juros. E o resultado disso? Simplesmente, por incrível que pareça, o Nordeste, esta região subdesenvolvida, por vias indiretas está financiando a indústria têxtil do sul do país.

A outra face da comercialização do produto envolve as empresas maquinistas e a indústria têxtil, nacional ou internacional. O algodão em pluma da região é, também, escoado para o exterior. As vendas para exportação obedecem a um regime de preços mínimos, determinados pela governo, através da CACEX-Carteira e Comércio Exterior, do Banco do Brasil. As vendas para o mercado esterno são difíceis e diminutas, porque raramente se consegue obter dos compradores europeus os tais limites mínimos.

Para o mercado nacional o algodão em pluma é vendido a prazo que varia d 120 a 130 dias, sendo que as vendas são realizadas para embarques futuros, parcelados conforme a escola de consumo mensal dos compradores. E não se tem esperança de que essas condições sejam modificadas. Isso porque, além de se constituírem um praxe, pelos reflexos da crise por que atravessam as fábricas de tecidos não haveria meios de se alteram o sistema. Por outro lado, o Nordeste não possui outra fonte compradora.

Em resultado dessa situação – mercado interno sem elasticidade, compradores com pouco recursos e demanda externa reduzida – de ano para ano vem sendo reduzido o volume de capitais envolvidos no financiamento da safra do algodão. Logo nos primeiro meses de movimento, os limites operacionais dos bancos oficiais são tomados. Dai em diante se fica na expectativa do rodízio do crédito: a liquidação dos primeiros títulos descontados, abre margem para novos descontos. – Diário de Pernambuco – 23.06.1968

AGRICULTOR DO NORDESTE TERMINA COM DOR NO PESCOÇO DE OLHAR PARA AS NUVENS À ESPERA DE CHUVA

O pecuarista do Oeste Potiguar é um verdadeiro herói, porque luta contra a natureza, a falta de incentivos, de interesse dos governantes e, principalmente, de meios para aumentar o rebanho e, conseqüentemente, sua rentabilidade. Com as condições limitadas, pela falta de pastagens e de água, e ainda tendo que adquirir, por preços proibitivos, ração para alimentar o gado, tem de enveredar em outro campo de atividade para subsistir, a não ser que faça da criação um passa tempo.

FORMAÇÃO – A inadequação da terra para o plantio de forrageira (capim, xiquexique, macambira ou cardeiro) e, ainda, a ausência de chuvas e a quase impossibilidade de adquirir água fazem com que o pecuarista seja um homem cheio de problemas e eternamente preocupado. A plantação de capim requer grande investimento de capital, pois o terreno terá que ser devidamente preparado, coisa um tanto difícil, porque falta o financiamento público. A engorda por confinamento ainda é experiência quase desconhecida.

VOZ DA EXPERIÊNCIA – Todo o Rio Grande do Norte conhece Silvestre Veras Barbosa, ou simplesmente o coronel Silvestre, dono de dez mil hectares de terra, duas mil cabeças de gado e tantos empregados, que “para saber quantos lhe servem” tem que forçar a memória.

O coronel Silvestre – que anualmente viaja para o sul do país, conhece vários países da América e está projetando uma excursão à Europa – é o mais típico dos sertanejos. Possuindo dois automóveis, último modelo, jamais viajou, na sua cidade, nos veículos, pois prefere o cavalo, que considera “mais seguro”. Seu método é simples e objetivo. Do rebanho, tira anualmente, cerca de 500 cabeças para engorda, que lhe dão boa rentabilidade.

REALIDADE – Na sua fala mansa e característica de homem rude do sertão, diz aos amigos que “o sertanejo é um eterno homem com sede, que se arrisca a ficar com dor de pescoço de tanto olhar para o céu à espera de chuva”.

– “Seu moço, às vezes, no terraço da casa grande vejo um fiapinho de nuvem escura e digo de mim para mim que vai chover. Qual nada. O vento leva a nuvem e o sol volta quente e abrasador a queimar tudo. Nessa terra só há sol, capim queimado, areia quente, gado magro a mugir com fome e sede e nós bestas para lutar. Criar gado, num sertão deste, é negócio pra homem, homem macho”, disse-nos o coronel Silvestre a conversar, não deixando de blasfemar, de criticar a natureza e de pedir clemência a Deus.

DE CORTAR CORAÇÃO – No alpendre da casa senhorial, na Fazenda Monte Efraim, o coronel Silvestre olha o horizonte, solta uma praga e reinicia a conversa: “Todo dia, a pisada é a mesma, tratar do gado é uma obrigação. O diabo é que faltam os meios. A torta tem um preço tão alto que entorta a gente e a terra é ruim. É duro tirar água e comer da terra seca. Não há pastagem natural e não pudemos deixar o gado solto, porque se ficar solto no mato não volta mais. Como dói na alma ver os bichinhos com fome e sede, a mugir. É duro seu moço, a vida do campo”.

FALTA DE INCENTIVOS – Em 1960, a população pecuária dos municípios da região mossoroense, era de pouco mais de 400 mil cabeças, representando 20% do total do Estado, e era constituída, principalmente, de caprinos, ovinos e bovinos. A população de caprinos predominava em seis dos municípios. Em Assu, porém, a de bovinos era a primeira com 28%, e Carnaúbas, prontificava a de ovinos, apresentando a mesma percentagem.

O município que tinha maior participação no rebanho da área era Carnaúbas, com 32,5% do total. Em seguida, vinham os municípios de Assu, Apodí e Augusto Severo com cerca de 17% cada um. Mossoró não se destaca como criador, participando naquele ano apenas 8,7% do total da área.

Como área para o presente trabalho, que foi resultado de uma pesquisa do Banco do Nordeste do Brasil, foram considerados apenas os município de Mossoró, Assu, Apodí, Areia Branca, Augusto Severo, Carnaúbas, Grossos e Upanema, cujos distritos sede distam em Mossoró menos de 100 quilômetro. As novas comunas de Carnaúbais, Felipe Guerra, Governador Dix-sept Rosado, Janduís e Paraú, desmembrados de Assu, Apodí, Mossoró, Carnaúbas e Augusto Severo, respectivamente, também foram considerados, muito embora não tenham sido discriminados, pois o estudo foi baseado em dados anteriores a sua institucionalização.

COMPRA E VENDA – A cadeia de comercialização se encontra estabelecida há muitos anos pela tradição. Essa cadeia é muito fechada em redor de um grupo que torna difícil a criação de um novo elo. Os criadores, ou fazendeiros, estão localizados, parte no Rio Grande do Norte parte no Ceará. São procurados pelos “boiadeiros”. Que trabalham em áreas especificas nesses Estados, onde tem contatos estabelecidos. O boiadeiro compra o gado do fazendeiro usando uma unidade de peso chamada “arroba”, que é uma medida única no ramo de gado e que tem 15 quilos.

O boiadeiro, usualmente, traz o gado ao matadouro, num rebanho de 24 animais. Para levar o gado da área aonde são comprados precisam dos serviços de 3 tangerinos. Do Ceará a Mossoró, levam aproximadamente oito dias, enquanto que dentro do Estado – principalmente na Zona Oeste, necessitam de seis dias. Impostos são pagos pelo criador, o que origina o contrabando ou vendas clandestinas em larga escala.

A carne fresca é levada do matadouro, em veículos fornecidos pela prefeitura, ao marchante, que arrenda um pequeno local nos mercados públicos, para a venda ao consumidor. – Diário de Pernambuco – 23.06.1968

GIRASSOL ENTRARÁ PARA ECONOMIA MOSSOROENSE

MOSSORÓ (Serpes) – Este Município e sua região tem no algodão a sua cultura agrícola básica, com um produto de boa qualidade e que goza de bom conceitos nos mercados consumidores nacional e internacional. Isto porque o solo é apropriado e aqui se tem condições climáticas para produzir fibra de excepcional qualidade. No setor agrícola é a cultura de maior importância econômica do estado do Rio Grande do Norte. No entanto, Mossoró com todas as condições para produzir o “ouro branco” não possui ainda um sistema definido desta cultura, motivado por várias deficiências técnicas. Em Mossoró existem várias empresas que tratam do beneficiamento da fibra e da extração do óleo de caroço do algodão e dos seus subprodutos.

ENCONTRO – Não obstante a cultura, quase secular do algodão, o produto ainda sofre vários revezes motivados pelas condições agrícolas, industriais e comerciais do produto. Um fator que concorre para tal situação é a atitude de alguns Estados do Sul do país, que concedem isenção do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias, taxado sobre o algodão.

Para tratar de problemas atuais de produção e comércio algodoeiro, anuncia-se para a próxima semana um encontro, em Natal, do Ministro da Agricultura, Sr. Ivo Arzua, com os secretários de agricultura dos Estados nordestinos produtores de algodão. Como se sabe, o “ouro branco” nordestino está atualmente enfrentando concorrência dentro do país sem lhe serem oferecidas condições de sustentação.

EXPERIÊNCIA – A Companhia Alfredo Fernandes, empresa tradicional no ramo e maquinistas de algodão partiu agora para uma experiência piloto no Rio Grande do Norte; a extração do óleo da semente do girassol, iniciando no Estado uma maior diversificação no setor de extração de óleos vegetais.

Os testes de plantio do Girassol estão sendo feitos em seu próprio campo experimental, apresentando boas perspectivas de adaptabilidade. Apesar de se extrair principalmente óleo de semente de algodão na Região de Mossoró e nas demais partes do Rio Grande do Norte, a firma mossoroense está aplicando essa experiência com bons resultados, tendo em vista o programa nacional de agricultura que trata da diversificação da extração do óleo de fibra. – O Povo – 08.08.1969

BANCOS

MOSSORÓ PODERÁ TERÁ MAIS TRÊS AGÊNCIAS BANCÁRIAS

MOSSORÓ (Serpes) – Com o crescente desenvolvimento de Mossoró e de toda a zona de sua influência econômica, política e social, a economia da região liderada por essa cidade potiguar vem necessitando cada vez mais de ampliação da sua rede bancária, tanto no que diz respeito aos tetos operacionais dos bancos existentes, como do próprio número de unidades creditícias.

Foram registradas novas firmas e aumento do capital social de empresas já existentes, que representam vários milhões de cruzeiros novos, somente na cidade de Mossoró. Diversos são os ramos dessas novas empresas, que vão desde a construção e exploração de um porto oceânico até a novas pequenas oficinas mecânicas. Todas elas as grandes e pequenas, as novas e as que já funcionam há quase um século, necessitam de crédito bancário.

ATUALMENTE – Mossoró possui atualmente oito estabelecimentos de crédito, sendo três oficiais, três particulares e duas cooperativas de crédito. São eles: Banco do Brasil, Banco do Nordeste do Brasil, Banco de Mossoró, Banco do Rio Grande do Norte, Banco S. Gurgel, Banco do Povo, Cooperativa de Crédito Mossoroense Ltda e Cooperativa Mista Agro-industrial da Zona Oeste do Rio Grande do Norte Ltda. Os bancos oficiais possuem carteiras especializadas para operações rurais e industriais, fazendo a aplicação de seus recursos em suas áreas setoriais.

MAIS TRÊS – Mais três estabelecimentos de crédito fazem planos para instalar agencias em Mossoró. São eles o Banco Industrial de Campina Grande, o Banco da Lavoura de Minas Gerais e o Banco da Bahia. alguns deles, inclusive, já fizeram pesquisas sobre as condições econômicas da região e autorizaram entendimentos para locação de prédios. – Diário de Pernambuco – 30.09.1967

INSTALADA AGÊNCIA DO BNCC EM MOSSORÓ

MOSSORÓ (Serpes) – Com a presença do Dr. Pires de Almeida, presidente do banco Nacional de Crédito Cooperativo e representante do Ministro da Agricultura, do senador Dix-huit Rosado, presidente do INDA, do Dr. Virgílio Galassi, do conselho daquela autarquia federal, foi solenemente instalada e inaugurada a agência local do BNCC, a primeira unidade operadora desse banco a funcionar em cidade do interior.

Diversas outras autoridades vieram a Mossoró com intuito de participar das solenidades, entre elas os gerentes das agências do Banco Nacional de Crédito Cooperativo das cidades de Fortaleza e Vitória, bem como os delegados do INDA nos Estados do Ceará e Paraíba.

ZONA DE ATUAÇÃO – Sendo um banco que volta suas atividade mais para o setor agrário, o BNCC vem sendo esperado na Microrregião de Mossoró, como um fator de desenvolvimento das atividades agro-pastoris e como tal vem repercutindo a instalação da nova agência bancária. Vale ressaltar que esta cidade estende a sua influência por uma área que abrange aproximadamente um milhão de habitantes, cuja percentagem voltada para as atividades rurais é bem elevada. A zona da atuação da unidade creditícia a ser inaugurada abrangerá, possivelmente, o vale do Açu indo até o seu delta, em Macau, o planalto intervalar do Apodi, até os limites da Paraíba e sua região sertaneja estendendo-se ainda pelo baixo Jaguaribe.

COMO SE FAZ – A agência do Banco Nacional de Crédito Cooperativo, em Mossoró, foi conseguida por um trabalho do senador Dix-huit Rosado, presidente do INDA, que obteve do banco Central a liberação da Carta Patente necessária em apenas quatro dias. No mesmo tempo, convenceu o presidente do BNCC a fazer uma modificação nos Estatutos do Banco. – O Povo – 03.06.1968

HOMENAGEM

O comércio e a indústria mossoroenses, representados por seus órgãos de classe – O Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte, Associação Comercial de Mossoró e o Clube de Diretores Lojistas, local – prestaram significativa homenagem ao senhor Orlando de Alencar Martins, na ocasião em que este deixava a gerência do Banco do Mossoró S/A. A homenagem constou de um banquete de cem talheres, na Esperança Palace Hotel. – Diário de Pernambuco – 14.06.1968

INDÚSTRIA QUER CAIXA ECONÔMICA EM MOSSORÓ

MOSSORÓ (Serpes) – Há mais de um ano que o Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte, vem promovendo uma campanha juntamente com o Clube de Diretores Lojistas de Mossoró, a Associação Comercial de Mossoró e o Sindicato do Comércio Varejista com vistas a que seja instalada nesta cidade uma agência da Caixa Econômica Federal. Diversos entendimentos já foram realizados, diversos encontros e conferências foram promovidos a fim de estudar o assunto em seus mínimos e máximos detalhes. O Centro das Indústrias chegou até a encaminhar documentação necessária ao estudo da liberação de carta patente à presidência da Caixa Econômica em Brasília.

ATÉ AGORA NADA – Não obstante todos estes esforços das entidades mossoroenses e mesmo do Centro das Indústrias do Estado, nenhuma solução foi dada ao problema. Nem uma resposta foi fornecida, pelo menos, às autoridades pleiteantes, como se não fosse merecida uma. O atual presidente do CIERGN, industrial Heriberto Escolástico Bezerra, vai novamente insistir no assunto organizando nova documentação e voltando a entender-se com os dirigentes da Caixa Econômica, em Natal.

BENEFICIADA – A agência desse estabelecimento de crédito, em Mossoró, viria beneficiar principalmente a classe média, inclusive aos funcionários públicos dos vários escalões de governo, existente na cidade. Por sua vez, indiretamente, o comércio e indústria também se beneficiaram pelo aumento de valores circulantes na região, o que faria crescer o poder aquisitivo local. Caso seja instalada a agência da Caixa Econômica Federal em Mossoró, esta seria a décima unidade creditícia juntamente com o Banco do Brasil, Banco do Nordeste; Banco do Rio G. do Norte, Banco de Mossoró, Banco da Bahia, Cooperativa Mista Agro-Industrial da Zona Oeste do Rio Grande do Norte e Cooperativa Mossoroense de Crédito Ltda.
O Povo – 21.08.1968

DUAS EMPRESAS MOSSOROENSES RECEBEM FINANCIAMENTOS DA COFERN E BANDERN

MOSSORÓ (Serpes) – Importantes contratos foram assinados pela Cia. de Fomento Econômico do Rio Grande do Norte e pelo Banco do Rio Grande do Norte com empresas mossoroenses. A COFERN que é uma empresa estatal voltada para o desenvolvimento potiguar, foi representada no ato pelo seu diretor presidente, Dr. Hênio Melo, e o BANDERN pelo seu diretor de Operações, Dr. Ernani José de Melo. A solenidade de assinatura dos contratos contou com a presença do prefeito Raimundo Soares de Souza, dos deputados Vingt Rosado e Diniz Câmara, do ministro Mota Neto, do vice-prefeito Joaquim da Silveira Borges, do reitor João Batista Cascudo Rodrigues e dos industriais Paulo Barreto, José Zamprogna, Pedro Fernandes Ribeiro, Francisco de Queiroz Porto e várias outras pessoas.

CAPITAL – Na solenidade de assinatura dos contratos, foi entregue pela COFERN a importância de NCr$ 11.900,00 à Cerâmica de Mossoró S/A, como subscrição de ações da mesma emprese. Por sua vez, o Banco do Rio Grande do Norte assinou contrato com a Fábrica Raimundo Fernandes S/A, pelo qual lhe foi concedido financiamento na ordem de NCr$ 400 mil para formação de capital de giro no seu projeto de instalação de uma fábrica de margarina e gorduras hidrogenadas, ampliando a sua linha de produtos, atualmente com óleos vegetais e seus subprodutos. – Diário de Pernambuco – 11.10.1968

UM BANCO QUE CRESCE

O Banco de Mossoró S/A vem mantendo a sua posição do banco que mais cresce na cidade, com maior volume de depósitos entre todos os que aqui operam. Assim, recentemente foi ultrapassada a casa de NCr$ 1 milhão e 500 mil. Paralelamente, o Banco de Mossoró vem de aumentar o seu capital social de cem para duzentos mil cruzeiros novos. Isso tudo foi feito pelo seu novo gerente, Antonio Antonelli do Nascimento que tem menos de cinco meses no cargo. – Diário de Pernambuco – 11.12.1968

SECA

FOME RONDA VALE DO AÇU NO RIO GRANDE DO NORTE

Texto da redação, elaborado em parte com matéria fornecida pelo autor

NATAL E AÇU (Sucursal) – O presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais do Rio Grande do Norte, Sr. Joaquim Coutinho, acaba de voltar do Vale do Açu, impressionado com a situação de miséria que reina naquela parte extrema da zona salineira potiguar. Constatou existir centenas e centenas de famílias inteiras desempregadas, passando fome, totalmente desassistidas. Não há emprego, porque não há lavoura e a falta desta é motivada principalmente porque o Banco do Brasil suprimiu os financiamentos, forçando os pequenos e médios proprietários a não plantarem, tendo em vista a falta de recursos para alugar a mão de obra.

PRIMEIRAS PROVIDÊNCIAS – Várias reuniões estão sendo coordenadas pelos trabalhadores rurais, que se mantém em contato permanente com a sede da Federação em Natal. Uma comissão foi formada para visitar, hoje, o escritório central da SUDENE, em Natal, oportunidade em que o problema será exposto, com vistas ao Governo Federal, e esclarecendo que o inverno tem sido irregular, com freqüentes e prolongadas estiagens, porém a crise foi gerada não pelos fenômenos climatéricos mas sim pela política financeira do governo.

EPIDEMIA, REVOLTA E SAQUE – Caso as autoridades federais e estaduais não se movimentem imediatamente, o quadro da atualidade, não é apenas de fome e tristeza em Macau, Alto do Rodrigues, Ipanguaçu, Pendências, São Rafael e Pedro Avelino, poderá se transformar em revolta, invasão e saque. Os famintos estão ficando fracos e sujeitos a epidemias; os mais resistentes poderão tomar medidas de desespero, a qualquer momento. – Diário de Pernambuco – 16.04.1968

SUDENE

SUDENE ESTUDA PROBLEMAS DAS SUBSIDIÁRIAS DO OESTE POTIGUAR

MOSSORÓ (Serpes) – “Todas as sociedades de economia mista, controladas pela SUDENE, estão sendo estudadas para entrar num esquema financeiro propício à atual conjuntura governamental. Todas elas são deficitárias e como atividade empresarial, não apresentam interesse. Analisando-se essa situação do ponto de vista econômico, chega-se à conclusão de que devem ser extintas como subsidiárias da SUDENE. Estamos estudando as possibilidades para que elas atinjam um grau de empresas economicamente garantidas para o investidor, para as entregar ao empresariado privado ou aos órgão do governo federal que são setorialmente encarregados”. A declaração é do general Euler Bentes, superintendente da SUDENE, em sua última visita a esta cidade.

SERVIÇOS CONTINUARÃO – “Nenhuma atividade ora exercida por empresa controladora acionariamente pela SUDENE será abandonada. Não é nosso intuito prejudicar os serviços prestados por essas companhias, pois elas são, muitas vezes, essenciais ao próprio motivo da criação do nosso organismo, ou seja, ao desenvolvimento nordestino, continuou. O nosso objetivo, frisou, é encontrar um enquadramento financeiro para a existência dessas empresas. Claro que é um problema bastante complexo para ser explicado em uma rápida entrevista, mas, em linhas gerais, é isso mesmo que procurei explicar: Extinguir o déficit e não a atividade empresarial”.

MINISTRO APOIA – O Ministro Albuquerque Lima, do interior, a cuja pasta está ligada à SUDENE, e que se encontrava no momento em que o general Euler Bentes fazia suas declarações, confirmou se apoio à atitude do superintendente da SUDENE, dizendo, que “a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste deve ser um órgão eminentemente de planificação . Essa deveria ter sido a sua estrutura, desde o início”.

JAGUARIBE – Falando a propósito de outra extinção prevista, do Grupo do Vale do Jaguaribe, composto por técnicos brasileiros e franceses, e que visa o desenvolvimento daquela importante área do Estado do Ceará, declarou o superintendente da SUDENE que aquela região não está prejudicada com a nossa atitude de extinguir o Grupo Vale do Jaguaribe, como ela é, pois a sua estrutura já estava deformada e o pouquinho que lá estava sendo feito não tinha nenhum significado econômico. As suas atividades restituídas aos organismos setorialmente responsáveis por cada uma delas e todas elas continuarão. No entanto, vamos fazer muito mais do que se faz atualmente. Vamos por em prática um grande projeto de irrigação, tanto no Vale do Jaguaribe, como no do São Francisco, isso já em março, coisa que nunca se fez no Nordeste, cuja a despesa inicial prevista é de NCr$ 28.000.000,00. O projeto será executado por técnicos franceses e firmas francesas, não há nada de pressão americana da história, finalizou. – Diário de Pernambuco – 28.01.1968

SUPERINTENDENTE FALA SOBRE OS PLANOS DA SUDENE PARA MOSSORÓ

MOSSORÓ (Serpes) – “A alegria maior que se pode ter de uma Universidade, nascida do esforço e do entusiasmo da gente nordestina, é quando ela prefere não caranguejar pela ordem marítima mas seguir o rumo da interiorização. Se a universidade tem prestado e prestará grande contribuição à comunidade dos centros urbanos litorâneos, certamente mais o fará alcançando o “hinterland” brasileiro. A Universidade Regional do Rio Grande do Norte é um desses casos. Como ela a Sudene pensa realizar alguns convênios de pesquisas científicas ou tecnológicos através do FURENE-Fundo de Pesquisas e de Recursos Naturais do Nordeste”. Estas foram palavras do general Tácito de Oliveira sobre a Universidade de Mossoró em entrevista que nos foi concedida durante a sua recente visita a esta cidade.
SANEAMENTO BÁSICO – “Mossoró sendo a cidade que mais cresce demograficamente na região chegando mesmo a ter um crescimento exagerado, representa um desafio às autoridades na procura da solução dos seus problemas. Entre estes talvez o de maior envergadura seja a implantação do sistema de abastecimento de água e de esgotos sanitários. A Sudene já dispõe de recursos que se elevam a quase um milhão de cruzeiros novos para esse serviço. No entanto é evidente que esse montante é já estamos fazendo gestão junto a órgãos nacionais e pouco expressivo para uma obra de tal porte, pelo que fontes externas de financiamento, com o objetivo de captar recursos que venham assegurar ao Nordeste um amplo programa de saneamento básico. Incluindo-se Mossoró entre os centros selecionados a, prioritariamente, receberem aqueles benefícios”- continuou o entrevistado.
PORTO SALINEIRO – A maior fonte de renda e o maior sustentáculo da economia regional, e mesmo de todo o Rio Grande do Norte está a extração de sal que se faz mais acentuadamente nos municípios de Mossoró, Grossos e Areia Branca. Atualmente grupos de economia privada, com o apoio do ministro Mário Andreazza intenta a construção de um terminal salineiro (porto), para o escoamento do sal a 10 milhas da costa de Areia Branca, onde será construída uma ilha artificial.
Falando sobre o assunto assim se expressou o general Tácito de Oliveira:
– “Essa iniciativa do Ministro dos Transportes e da economia privada, tinha obrigatoriamente de contar com a ajuda e colaboração da SUDENE a que o seu projeto foi submetido para aprovação , com vistas a receber o indispensável financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico”. – O Povo – 06.05.1969

<DIVERSOS

MERCADO DROGUISTA GANHA NOVA ÊNFASE NA REGIÃO MOSSOROENSE DENTRO DO ESQUEMA DAS VENDAS DA “Drogaria Rio Grande”

Os comerciantes droguistas do Oeste do Rio Grande do Norte, Alto Sertão da Paraíba e região Jaguaribana, do Ceará tem na Drogaria Rio Grande e centro abastecedor. Com dois endereços – Rua Coronel Vicente Saboia, nº 109 e Praça Getúlio Vargas, nº 40, a Drogaria Rio Grande conseguiu conquistar a preferência de todos os que comercializam com produtos farmacêuticos, face a uma série de fatores, onde aparece em primeiro plano o permanente estoque de mercadorias, as vendas e a cortesia de sua equipe de servidores, que tem por norma servir bem.

DESENVOLVIMENTOS – Fundada em 1953, a “Drogaria Rio Grande” está ligada à própria vida de Mossoró, pois criou uma nova mentalidade no comércio droguista, dando ênfase, principalmente, às vendas a crédito aos pequenos comerciantes. Dirigida pelo comerciante Francisco Cordeiro de Oliveira, homem de visão e, acima de tudo, um homem de comércio para o comércio, a DROGARIA RIO GRANDE continua em sua posição de líder do mercado droguista, com possibilidades de aumentar seu raio de ação, porque, além de oferecer condições aos pequenos comerciantes da região, em como principal temática servir cada vez melhor à sua clientela. – Diário de Pernambuco – 23.06.1968

ALEMANHA NA REDE

A Tecelagem Santo Antonio S.A., de Mossoró no Rio Grande do Norte, recebeu de uma firma da Alemanha Oriental consulta sobre a possibilidade de fornecimento regular de redes de dormir, fabricadas pela empresa potiguar. O importador alemão, para começo de conversa, já efetuou uma encomenda de 5 mil unidades. Outra consulta, vinda de Quebec, no Canadá, refere-se à possibilidade de fornecimento mensal de 10 mil unidades. anteriormente, a Tecelagem Santo Antônio já efetuara, através de terceira firma, uma venda de 1.200 unidades para a Guiana Inglesa. Face ao interesse constatado, cogitam seus diretores de organizar um departamento de Exportação. – Revista Visão – 15.01.1965

INVESTIMENTO NO RIO GRANDE DO NORTE

A FITEMA-Fiação e Tecelagem Mossoró, única empresa têxtil localizada na região algodoeira do Rio Grande do Norte, acaba de receber um empréstimo de 179 mil dólares e 126 milhões de cruzeiros para completar uma aplicação total de 740 milhões na expansão de sua fábrica. As inversões em cruzeiros serão aplicadas na compra de equipamentos no Brasil, as de moeda estrangeira para aquisições na Alemanha, Inglaterra e Itália. O Banco do Nordeste é o principal financiador. – Jornal do Brasil – 12.06.1965

SUDENE AUTORIZA INVESTIMENTOS NA FITMA

A SUDENE autorizou 17 firmas do Rio Grande do Norte a realizar investimentos na FITEMA-Fiação e Tecelagem de Mossoró S.A, utilizando recursos deduzidos do imposto de renda. A FITEMA é a primeira empresa daquele Estado a conseguir investimentos desse tipo. Até o fim deste ano deverá estar montado seu equipamento, já adquirido no exterior, iniciando-se em seguida a produção de tecidos médios e grossos. – Revista Visão 25.06.1965

INDUSTRIAL PAULISTA INTERESSADO INSTALAR USINA DE AÇÚCAR

MOSSORÓ (Do Correspondente) – O Distrito Industrial do Município de Mossoró vem despertando cada vez mais a atenção dos investidores do Sul do País. Diversas tem sido as consultas ao Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte e à Secretaria de Desenvolvimento da Prefeitura, sobre as possibilidades de instalação de novas empresas. Fato interessante de destacar é que o Distrito Industrial de Mossoró foi o primeiro a ser estruturado no Rio Grande do Norte, e um dos primeiros do Nordeste.

USINA DE AÇÚCAR – Em dias da semana passada, esteve em visita a Mossoró o Sr. Carlos Garms, industrial paulista que aqui veio fazer os estudos necessários para a instalação de uma usina de refinação de açúcar. O referido empresário, em Mossoró, entrou em contato com círculos técnicos, administrativos e industriais, visando a realizar o seu empreendimento. Nos entendimentos mantidos com técnicos do Programa Rita local, visitaram as instalações da CERAMOS-Cerâmica de Mossoró S/A, empresa organizada por aquele escritório técnico e cujas dependências fabris estão localizadas do Distrito Industrial.

MODALIDADES NOVAS – Dentro da mentalidade do Novo Nordeste, a atual administração do Município criou o Distrito Industrial mossoroense para funcionar em modalidades modernas e adequadas às comunidades de produção, obedecendo a uma planificação técnica. Todos os meios de infra-estrutura de produção foram estudados e ali serão oferecidos aos empresários, interessados. Dentre essas condições, destacam-se a eletrificação do DI, que será feita pela COMEMSA-Cia Melhoramentos de Mossoró S/A, empresa concessionária dos serviços de luz e força, em colaboração com a prefeitura e com financiamento do Banco do Nordeste.

Por outro lado, ali deverá haver abundância de água industrial, terreno para construção a preço módico (controlado pela Secretaria de Desenvolvimento da Municipalidade), facilidade de transporte, etc. Os empreendimentos do Distrito Industrial de Mossoró serão financiados pela COFERN e pela CIMOSA, a primeira agente de desenvolvimento do governo estadual e a segunda da municipalidade. – Diário de Pernambuco – 24.09.1967

EMPRESA DO SUL QUER INSTALAR CERVEJARIA

MOSSORÓ (Serpes) – Está sendo noticiado que um grupo econômico do sul do país estava interessado em instalar, nessa cidade, uma moderna fábrica de cerveja. A notícia veio por intermédio de pessoas ligadas ao Centro das Indústrias do Estado do rio Grande do Norte, aqui sediado. Sabe-se que alguns diretores daquele órgão representativo da classe empresarial potiguar foram consultados a respeito do assunto e que já se entenderam com elementos da Companhia de Industrialização de Mossoró, empresa desenvolvimentista da municipalidade, visando a concretização da iniciativa.
ÁGUA BOA – Um dos fatores que teria mais influenciado a atitude dos investidores, seria a recente descoberta de extenso lençol aqüífero subterrâneo, em terras mossoroenses. Esse lençol, de um potencial praticamente infindável, é formado de água mineral de alta qualidade, que se prestaria magnificamente para a fabricação de cerveja.

Caso os estados realizados com vistas a esse empreendimento industrial para Mossoró apresentem resultados satisfatórios, os empresários poderão dispor de área para construção da fabrica, em terrenos do Distrito Industrial, por baixo preço de custo. – Diário de Pernambuco – 14.11.1967; o Povo – 22.11.1967

KLABIN VISITA MOSSORÓ E ANALISA POSSIBILIDADES

MOSSORÓ (Serpes) – Visitou ontem esta cidade o Sr. Horácio Klabin, presidente do Diner’s Clube do Brasil, Alemanha e Portugal e dirigente das várias empresas que formam o grupo Klabin, fabricante de papel, papelão, porcelana, alumínio, etc., com atuação mais acentuada no sul do País, principalmente no Paraná. No Nordeste, o grupo investirá nos dois primeiros ramos citados, dentro do programa elaborado pela “Fundinor”. Outros ramos também poderão receber aplicação de capital das empresas integrantes daquela organização.

EM MOSSORÓ – Aqui o Sr. Horácio Klabin é hospede oficial do município. Do programa de homenagem ao visitante consta, inclusive, um banquete. O industrial no momento examina as condições de exploração de atividades fabris relacionadas com seu grupo; que poderá empregar a gipsita dos municípios vizinhos como matéria prima. – O Povo 26.04.1968

FABRICA DE MARGARINA VEGETAL COMPLETA CICLO DE INDUSTRIALIZAÇÃO DO ALGODÃO

Recentemente desmembrada da S/A Mercantil Tertuliano Fernandes, da qual ainda é subsidiária, a Fábrica Raimundo Fernandes S/A chamou a si as atividade de extração de óleos vegetais e de seus produtos e subprodutos, do grupo SANTEF. Iniciando suas atividades com um grande acervo de conhecimentos, maquinismo e edificações, a empresa conta ainda com a larga experiência do ramo, adquirida há quase cem anos. As suas atividades industriais estão centralizadas na cidade de Mossoró, onde possui um importante complexo de máquinas e onde espera instalar novos equipamentos dentro de breve espaço de tempo, visando a ampliação de sua linha de produção e mesmo a um melhor aproveitamento da sua capacidade produtiva.

NO CAROÇO DE ALGODÃO – A atuação fabril da empresa é baseada na extração de óleo do caroço do algodão, produto adquirido principalmente junto à Usina São Vicente S/A. Sua atual linha de produção conta com o óleo refinado, semi-refinado e bruto; linter, borra de linter, torta magra (farelo), casca de borra de óleo. De todos os produtos, destaca-se, entretanto, o Óleo Pleno, óleo refinado de caroço de algodão, cuja a análise feita pelo Laboratório Bromatológico do Rio de Janeiro – GB, apresentou um teor de acidez inferior a 0,07%. Para se ter uma idéia precisa da qualidade do Óleo Pleno, basta que se faça uma evidência do fato de que sua produção é inferior à procura dos distribuidores e vendedores. Naturalmente que é a boa qualidade que provoca essa demanda.

MARGARINA TAMBÉM – O próximo passo da Fábrica Raimundo Fernandes S/A, será a implantação de uma unidade produtora de margarina, cuja maquinaria já está sendo estudada para aquisição. A localização da fábrica será dentro do próprio parque da empresa, objetivando uma abundância de matéria-prima, sem quebra da corrente beneficiadora. Com o lançamento desse seu novo produto, a Fabrica Raimundo Fernandes S/A completará o seu programa de utilização integral dos recursos industrializáveis do caroço de algodão (…).

CAPACIDADE PRODUTIVA – A nova unidade, após a conclusão do investimento e completa instalação das máquinas, aparelhagens e equipamentos, estará capacitada para produzir anualmente os seguintes produtos intermediários e finais: 2.290 toneladas de óleo bruto de algodão, 2.106 toneladas de óleo refinado, 1.310 toneladas de gordura hidrogenada e 1.700 toneladas de margarina. Considerando-se apenas os produtos a serem comercializados, ou seja, abstraindo-se a produção intermediário do óleo bruto, parte do óleo refinado e gordura hidrogenada, o programa de produção será de 1.700 toneladas de margarina e 715 toneladas de óleo refinado de algodão.

MOBILIDADE – Convém ressaltar que o programa de produção da Fábrica Raimundo Fernandes S/A é perfeitamente adaptável às necessidades comerciais da empresa. Na realidade, os quantitativos anuais de margarina e óleos refinados a serem lançados no mercado serão necessariamente ajustáveis às eventuais flutuações da demanda de cada um dos produtos. A fim de permitir essa margem de variabilidade, as modificações previstas no projeto obedeceram a criteriosa seleção, de molde assegura à empresa alternativas várias de produção e venda.

Além dos produtos intermediários e finais apresentados anteriormente, o projeto prevê a obtenção substancial de subprodutos, a seguinte esquematização: 61 tonelada de linter, 61 toneladas de borra de linter, 7.350 toneladas de torta magra (farelo), 1.225 toneladas de casca e 366 toneladas de borra de óleo. Dados oficiais da Fabrica Raimundo Fernandes S/A: Capital Social, NCr$ 15.000,00 (quinze mil cruzeiros novos); Presidente, dr. Waldemar Fernandes Maia; Vice Presidente, dr. Antonio Florência de Queiroz; diretores, drs. Aldemar Fernandes Porto e Heriberto Escolástico Bezerra. – Diário de Pernambuco – 23.06.1968

INDUSTRIA DE MÓVEIS SILVAN REPRESENTA NOVO CONTEXTO INDUSTRIAL MOSSOROENSE

Empresa que é um exemplo da capacidade e da tenacidade dos mossoroenses, a Indústria de Móveis Silvan, vem desempenhando um papel importante na economia regional, concorrendo para o fomento da produção em área tão carente de desenvolvimento. A posição de destaque que a Indústria de Moveis Silvan ocupa um contexto industrial do rio Grande do Norte foi conseguida graças à esmera qualidade de seus produtos, à qualificação de sua mão-de-obra, e a visão administrativa do Sr. Silvio Mendes de Souza, que, procura acompanhar as inovações introduzidas na indústria moveleira do país, a fim de oferecer ao mercado consumidor o que existe de melhor.

MÁQUINA & HOMENS – Com maquinaria mais modernas, a Indústria de Moveis Silvan, obteve a racionalização dos processos produtivos, reduziu os custos operacionais, ganhando condições para concorrer em preço e qualidade, com os melhores produtores do país. Iniciada há alguns anos, impôs-se logo entre os seus pares, crescendo ordenadamente e em ritmo elevado, atingindo o estágio atual, de empresa de porte apreciável, uma das maiores no gênero, não apenas no Estado como em todo o Nordeste. Ocupando uma área coberta de cinco mil metros quadrados e oferecendo trabalho à cerca de cem pessoas, a Empresa mantém estritas relações com operariado, ao qual presta perfeita assistência social.

PRAÇAS E CLIENTES – Devido aos índices de qualidade e ao estilo de seus produtos, a Indústria de Móveis Silvan amplia constantemente seu mercado que já cobre quase todo o Nordeste e Norte, através de uma rede de revendedores em todas as capitais e principais cidades das regiões. Entre seus clientes, destacam-se estabelecimentos bancários, escritórios, hotéis, inclusive de categoria internacional. – Diário de Pernambuco – 23.06.1968

UM IMPÉRIO ECONÔMICO INICIADO NO SÉCULO XIX

Naquele tempo, todas as mercadorias exportadas pela praça de Mossoró seguiam-se até o porto de Santo Antônio, em carros de bois ou comboios, nas costas de burros possantes, que conduziam o algodão amarrado com cipós, além de peles de cera. Dali, os volumes eram levados em embarcações à vela até Areia Branca, de onde por sua vez, eram transportados em navios, ou ainda em embarcações a vela, de maior calado, para os mercados consumidores. De volta, os carros de bois e comboios traziam carregamento de sal destinado ao alto sertão potiguar, ao Ceará, à Paraíba ou a Pernambuco.

Esta era a vivência comercial de Mossoró em 1870, quando foi fundada a firma F. T. de Albuquerque, pelo comerciante Francisco Tertuliano de Albuquerque, homem progressista e com raro senso de observação. A casa se estabeleceu com o comércio de fazendas, ferragens e miudezas, tudo em pequena escala, tanto assim que o seu capital inicial era de apenas dezenove contos de réis. O primeiro gerente da firma foi o dr. Euclides Saboia, cunhado do seu fundador.

INÍCIO DE UM IMPÉRIO – Da pequena “Casa Tertuliano”, até a atual “S/A Mercantil Tertuliano Fernandes” – sua sucessora – noventa e oito anos se passaram, tempo em que homens corajosos criaram um império de progresso, desenvolvimento e sustentáculo de milhares de famílias de toda a região oeste do Rio Grande do Norte. A história desta firma está intimamente ligada à história da família Fernandes, através da figura ímpar de Raimundo Nonato Fernandes que ingressou em F. T. de Albuquerque como simples contínuo, mas já portador das qualidades de inteligência e força de vontade que o faziam destacar-se no mundo dos negócios. Aprimorando os seus parcos conhecimentos e aumentando os seus esforços, mais tarde foi nomeado gerente de empresa e em outra oportunidade foi convidado a se associar aos seus antigos patrões, quando, anos após, a razão social passou a ser “Tertuliano Fernandes & Cia”. Nessa época, a firma se dedica a outros ramos de comércio, entre eles de carnaúba, peles e outros produtos da região

MERCADO DO SAL – Nesse tempo, o sal mossoroense era bem conhecido e aceito no sertão, enquanto que no Sul do país se consumia quase que exclusivamente o sal importado de Cádiz na Espanha, não merecendo o produto nacional qualquer conceito. Depois de muito lutar, Raimundo Nonato Fernandes conseguiu vender a uma firma sulina umas trezentas toneladas de sal, por preço irrisório. Não queria lucro imediato com essa transação. Desejava ”fazer o mercado” para um produto estacionário. Logo depois o sal de Mossoró ganhava o mercado do sul, já com bases eminentemente comerciais.

COMPLEXO DE ATIVIDADES – A S/A Mercantil Tertuliano Fernandes tem por objetivos sociais a promoção, comércio, transporte, exportação, importação, industrialização de algodão, cera de carnaúba, couros, sal marinho, óleos e sementes oleaginosas, sabão, transporte e navegação, agenciamentos, comissões, representações, consignações, agricultura, pecuária, administração de bens próprios ou alheios e particulares em outras empresas com recursos sociais.

Dentre suas atividade, destaca-se a participação na Fabrica Raimundo Fernandes S/A, que fabrica, beneficia e comercializa óleos vegetais e animais, para fins comestíveis e industriais, ácidos, graxos e seus derivados, adubos, forragens e demais subprodutos derivados. Possui ainda, uma grande usina de beneficiamento e industrialização de algodão, através de sua participação na Usina São Vicente S/A e várias agências próprias de compra de algodão, localizadas no Rio Grande do Norte.

Explora atividade agro-pastoris, mantendo uma grande fazenda situada nos municípios de Caraúbas e Apodi. com uma área de 6.00 hectares, contendo dois açudes, 2.000 cabeças de gado e uma cultura de aproximadamente 10.000 pés de carnaúbas. É associada da SALMAC-Salicultores de Mossoró Macau Ltda, com mais de 55% do seu capital social, empresa que possui excelentes instalações no estado da Guanabara e nas cidades de São Paulo e Santos, destacando-se duas grandes unidades de refinaria de sal.

É também associada da firma Apodi de Administração e Participações S/A, com 50% do seu capital social, a qual por sua vez, é acionista majoritária da S/A Salineira do Nordeste – SOSAL, que juntamente com sua subsidiária Salinas Guanabara S/A, da qual também participa com 50% do seu papel, são detentoras do maior e mais moderno parque industrial do país. A SAMTEF, por outro lado, possui interesses em diversos outros empreendimentos, cuja participação total monta em mais de 20 bilhões de cruzeiros antigos, emprestando também a esses setores todo o seu vasto contingente, de “know-how” e experiência secular. A razão social “S/A Mercantil Tertuliano Fernandes” foi constituída em 6 de abril de 1949, em substituição à antiga “Tertuliano Fernandes & Cia”, remontando a sua fundação ao ano de 1870 quando, a partir de então, teve as seguintes razões sociais: “F. T. de Albuquerque”, “F. T. de Albuquerque & Cia”, “Tertuliano Fernandes & Cia” e, finalmente, “S/A Mercantil Tertuliano Fernandes”.

OS ALICERCES – Todas essas empresas, todas essas atividade se alicerçam no trabalho desprendido de homens da têmpera de Francisco Tertuliano Fernandes, Raimundo Nonato Fernandes, Euclides Saboya, Vicente José Tertuliano Fernandes, Francisco Xavier Filho, Rodolfo Fernandes, Rafael Fernandes Gurjão, Julio Fernandes Maia, José de Oliveira Costa e José Martins Fernandes. Foi também na pessoa da veneranda senhora Véscia Xavier Fernandes, que a S/A Mercantil Tertuliano Fernandes encontrou sempre ajuda, quer moral, quer material. Quando do falecimento do seu esposo, ajudou a firma em um período dos mais delicados do seu ciclo evolutivo.

A MESMA LUTA – Presentemente, prossegue a firma no constante aprimoramento de suas atividades básicas e na execução de um largo projeto de expansão. A atual diretoria da “S/A Mercantil Tertuliano Fernandes”, aliada à experiência acumulada em 90 anos de constante labor, continua lutando com o mesmo entusiasmo e denodo daqueles que a antecederam, dando assim uma prova suficiente do mesmo objetivo, que é à continua prosperidade da empresa. A “SAMTEF”, pode ser comparada a uma grande família, cujos ramos de sua árvore genealógica representam uma série de nobre atividades comerciais e industriais. À frente da firma e da família, encontra-se o dr. Valdemar Fernandes Maia, homem de grande visão, portador de um moderno espírito empresarial. Como resultado de sua liderança, nos últimos anos, a organização sofreu um grande impulso de crescimento, atingindo os níveis projetados para o seu desenvolvimento. Os esforços de Valdemar Fernandes Mais, juntam-se os trabalhos de Antônio Florêncio de Queiroz, Aldemar Fernandes Porto e Francisco de Queiroz Porto vice presidente e diretores, respectivamente.

O PRESIDENTE – Valdemar Fernandes Maia, e atual presidente da SAMTEF, exerce várias atividades públicas e privadas. Serviu na Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, no Piauí, de 1942 a 1943. Neste mesmo ano, foi admitido na Estrada de Ferro São Luiz-Terezina, no Maranhão. Em 1945, esteve agregado ao Gabinete do Ministro da Viação e Obras Públicas.

Suas atividades ligadas à iniciativa privada iniciaram-se nesse mesmo ano, quando desligou-se do MVOP. Pela ordem, vem ocupando os cargos de engenheiro de Valter Fernandes & Cia, e da Construtora de Portos e Estradas Ltda, do Rio de Janeiro, engenheiro da Divisão de Organização Hospitalar do Ministério da Saúde, diretor da S/A Mercantil Tertuliano Fernandes, gerente da SALMAC-Salicultores de Mossoró Macau Ltda, do Rio de Janeiro, diretor presidente da S.A Mercantil Tertuliano Fernandes, diretor presidente da SOSAL-S/A Salineira do Nordeste, diretor presidente de Apodi de Administração e Participações S/A, diretor das Salinas Guanabara S/A, diretor da SOTRAM-Sociedade de Transporte do Rio Mossoró Ltda, diretor presidente da Fábrica Raimundo Fernandes S/A, diretor presidente da Usina São Vicente S/A e diretor da TERSAL-Terminal Salineiro da Areia Branca S/A.

Dados oficiais da S/A Mercantil Tertuliano Fernandes: Capital social: NCr$ 6.435.000,00 (seis milhões, quatrocentos e trinta e cinco mil cruzeiros novos); Presidente, dr. Valdemar Fernandes Maia; Vice Presidente; dr. Antônio Florêncio de Queiroz e Diretores, dr. Aldemar Fernandes Porto e Francisco de Queiroz Porto. – Diário de Pernambuco – 23.06.1968

FÁBRICA DE CIMENTO INSTALA-SE EM MOSSORÓ

MOSSORÓ (Serpes) – Com uma produção inicial prevista para 15.000 sacos por dia, instala-se nesta cidade a Itapetinga Agroindustrial S/A, a primeira de um conjunto de duas fábricas de cimento do grupo econômico João Santos. A empresa ora em processo de edificação dos seus mais diversos prédios, prevê uma aplicação, nesta primeira etapa, de mais de Cr$ 10 milhões. A área total dos terrenos da fábrica compreende aproximadamente 3.500 hectares, de onde deverá provir toda a matéria prima necessária ao conjunto industrial. Apenas alguns insumos serão oriundos de outras regiões, porém todos eles advindos da chamada “zona de Mossoró”.

SUDENE & TCHECOSLOVAQUIA – Tanto a unidade ora em construção como a segunda delas receberão o suporte dos artigos 34/18 da SUDENE, a primeira com o processo já aprovado e a segunda (a de cimento branco, que será a segunda fábrica no gênero no Brasil) já está sendo com o seu projeto pronto e estudos no departamento industrial da autarquia.

A parte da engenharia civil da Itapetinga deverá estar concluída no dia 24 de dezembro próximo, devendo a maquinaria estar montada em meados de julho de 1971, quando a fábrica deverá dar início ao seu processo produtivo. A área coberta dos seus diversos prédios será da ordem de 120.000 metros quadrados, onde serão abrigadas as máquinas de fabricação checa, as quais já se encontram no porto de Hamburgo, na Alemanha, esperando ordem de embarque.

360 ANOS – Mantida a produção inicial, a matéria prima localizada nos terrenos da empresa são suficientes para supri-la por um período de até 360 anos, isso sem se levar em conta a capacidade de outras áreas mesmo vizinhas a propriedade citada. Esta primeira fábrica oferecerá a demanda local de empregos uma oportunidade de 350 colocações fixas, o que já representa algo em uma cidade de alto crescimento demográfico como esta.

INFRA-ESTRUTURA – As condições que ditaram a localização em Mossoró das duas fábricas do grupo João Santos foram – além da localização da matéria prima e principais insumos – as condições de infra-estrutura que existiam e que foram realizadas especialmente para a nova indústria. O sistema viário regional que coloca Mossoró em cruzamento rodoviário e início de um ramal ferroviário foi um dos pontos contribuintes para tal. Além disso, a Rede Ferroviária do Nordeste, está fazendo um ramal até a fabrica de cimento e estuda-se o abastecimento de parte da BR 304, pelo menos no trecho que liga esta cidade.

Visando complementar e, às vezes, criar estas condições o prefeito Antônio Rodrigues de Carvalho tem dado toda a colaboração indispensável aos empreendimentos do projeto, quer criando leis e assinando decretos especiais ou oferecendo outras ajudas da municipalidade. – O Povo – 16.09.1970: Diário de Natal – 17.09.1970

“FÁBRICA” DE CIMENTO CHEGOU

Chegou ontem, a Natal, procedente da Tchecoslováquia, todo o maquinário da fábrica de cimento, que a Itapetinga Agroindustrial S.A., de Pernambuco, vai instalar no município de Mossoró, 3 quilômetros distante da cidade. Do navio alemão “Lívia”, foram desembarcados em nosso porto 307 volumes, num total de 526 toneladas do material, logo transportado em caminhões, para Mossoró. A nova fábrica de cimento nordestina representa um investimento da ordem de 28 milhões de cruzeiros, com financiamento da Sudene e deverá entrar em funcionamento dentro de 6 a 8 meses, 39 caminhões completamente lotados fizeram o transporte da pesada maquinaria para a zona Oeste. Ontem, à tarde, o comandante do Livia, H. D. Scherdts Master Clivia e seus 30 companheiros de tripulação do Livia ofereceram um coquetel aos homens da empresa de Natal. – Diário de Natal – 02.12.1970

PETRÓLEO

PETROBRÁS MANDA SONDAS PARA MOSSORÓ

MOSSORÓ (Serpes) – Começaram a chegar nesta cidade os primeiros técnicos contratados pela Petrobrás para trabalharem em serviço de perfuração de poços destinados a exploração do potencial petrolífero da região.

BONS OLHOS – Por dez anos a Petrobrás não demonstrou interesse em fazer pesquisas na zona de Mossoró. Com as recentes descobertas feitas através da perfuração dos poços do Distrito do Saco (feita pela CONESP), do bairro de São Manuel (pelo DNOCS) e em pleno centro urbano da cidade, na praça PaDRE Mota (pela CASOL), algumas chegando a evidenciar a presença do ouro negro e outras apresentando indícios de sua existência; a empresa adotou outra atitude e mostra interesse para com o petróleo norte-rio-grandense principalmente de Mossoró.

2.000 METROS – Já chegou a Mossoró uma sonda do Departamento Nacional de Produção Mineral, com capacidade de furo rotativo de até 2.000 metros. Esta máquina, bem como a equipe que a opera, integrada por 13 técnicos, está cedida a Petrobrás, sob contrato de trabalho na área petrolífera do Rio Grande do Norte. Inicialmente a sonda fará a perfuração de um poço no lugar Panela do Amaro, deslocando-se posteriormente para outros pontos deste Município.

VOLTA O ENTUSIASMO – A constatação da presença de Petróleo em terras mossoroenses deu a seu povo uma verdadeira onda de entusiasmo. Não obstante, passaram-se os dias e nada de coNCreto aparecia. Algumas máquinas e equipes, estas com reduzido número de elementos, chegavam e partiam. Agora volta o entusiasmo inicial. Vai começar a segunda etapa da partida, a etapa decisiva, e a torcida é grande. – Diário de Natal – 27.01.1967

MOSSORÓ SONDAS FURAM O CHÃO EM BUSCA DE ÁGUA E APARECE PETRÓLEO

MOSSORÓ, 16 – Quatro sondas/perfuratrizes firam o chão mossoroense em busca de água, porém o líquido que encontram não dá para matar a sede, pois vem com vestígio de petróleo, fato que não deixa de ser auspicioso. Nesse ponto os trabalhos tomam um aspecto diferente do objetivo inicial e a Petrobrás junta-se aos outros órgãos nas perfurações realizadas em Mossoró, em convênios de coordenação. Assim encontra-se uma convivência prática: se der água, muito bem; ser der petróleo, também.

TREZENTOS METROS – A mais nova perfuratriz – e a mais possante – em funcionamento em Mossoró é de propriedade do Ministério de Minas e Energia e é operada por técnicos de uma firma particular, a Drilico, sob a supervisão de técnicos do Departamento de Hidrologia daquele ministério, sob controle analítico de pessoal da Petrobrás. Com dez dias de funcionamento a sonda já atingiu 302 metros de profundidade, cerca de um terço de sua capacidade testada. Até agora somente calcário tem sido encontrado nesse poço. A máquina está montada no lugar Panela do Amaro.

POÇO DO SACO – Atualmente com 420 metros, o poço localizado na localidade de Saco se encontra paralisado, em decorrência de defeitos técnicos dos equipamentos que acionam a sonda. A ocorrência de petróleo se deu a 378, 389 e 402 metros, sendo que ainda é registrada a presença de óleo em todas as imersões de material. Esse poço da CAENE será perfurado até 500 metros, conforme convênio assinado com a Prefeitura Municipal de Mossoró. Enquanto isso, os poços da CASOL, na praça PaDRE Mota, e do DNOCS, no bairros de São Manuel, continuam a evidenciar a presença de óleo em terras mossoroenses. – Diário de Natal – 16.02.1967

EM MOSSORÓ SE PROCURA ÁGUA E APARECE PETRÓLEO

MOSSORÓ (Serpes) – Novamente Mossoró volta a viver o drama da água. O poço que estava sendo perfurado no local Panela do Amaro atingiu uma camada de folhelho de cor escura, abaixo do cristalino, fato que prenuncia a presença de petróleo. A máquina que fazia os trabalhos de perfuração parou, porque os técnicos têm receio de se deparar com uma quantidade de petróleo que, misturado à pouca quantidade de água até agora encontrada inviabilize a utilização desta para consumo humano. A Petrobrás foi cientificada da nova ocorrência de óleo em Mossoró e se comprometeu a enviar maquinário para fazer quatro perfilagem no poço da Panela do Amaro.

TRISTEZA – Ao contrário do que ocorreu quando da descoberta de petróleo no poço perfurado no lugar Saco, que fez vibrar a população mossoroense, desta vez o júbilo desapareceu, cedendo lugar à tristeza. As esperanças de água potável para abastecer a cidade desapareceram e expressões de descontentamento são ouvidas.

A história do poço do Saco repete-se: a CONESP procurava água naquele poço e encontros petróleo, quando o óleo surgiu os trabalhos foram paralisados – nem água, nem petróleo; o Ministério de Minas e Energia buscava água e achou petróleo – os trabalhos desenvolvidos em favor da procura de água novamente estão paralisados – Diário de Natal – 18.03.1967

PETROBRÁS REALIZA PERFILAGEM NO POÇO DA PANELA DO AMARO

MOSSORÓ, 23 – Em decorrência dos indícios de existência de petróleo, evidenciados pela perfuração que o Departamento de Hidrogeologia, do Ministério de Minas e Energia, vem fazendo na localidade conhecida por Panela do Amaro, a Petrobrás vem de deslocar para esta cidade uma equipe técnica, especializada em análise estrutural. A equipe e maquinário deslocadas para Mossoró é especializa em perfilagem elétrica de poços e estão ligadas à empresa Schlumberger, de origem européia. A sua vinda para esta cidade deve-se a descoberta de uma camada de folhelho, abaixo da formação de calcário, feita pela sonda que opera na Panela do Amaro. Indício bastante promissor da existência de petróleo, o folhelho mossoroense assemelha-se, em aparência e cor, ao existente de Candeias, na Bahia, local de grande concentração de poços extrativos da empresa petrolífera brasileira.

EXAMES – A espera da conseqüência dessa análise estrutural do terreno tem gerado grandes expectativas na cidade, não obstante esses resultados serem divulgados para conhecimento público. Via de regra a Petrobrás mantém sigilo sobre seus exames técnicos, só os divulgando quando julga oportuno. Essa atitude de cautela visa não provocar falsas esperanças e, também, para que não haja contradição nas opiniões das autoridades públicas sobre assuntos de interesse nacional. A equipe da Schlumberger continua realizando seu trabalho, enquanto os mossoroenses mais uma vez vêm surgir de seu solo evidências da existência do ouro negro. – Diário de Natal – 23.03.1967