Negócios sem Lucro é Aventura

Tribuna do Norte. Natal, 20 jun.2011. 
Gazeta do Oeste. Mossoró, 17 jun.2011.

Nem sempre a solução dos problemas do “chão das fábricas” exige simplesmente alguns ajustes nas máquinas. Há casos em que os ajustes necessários devem ser efetuados nos conceitos de gestão empresarial, na cabeça dos gestores. Aqui trataremos de dois deles: nível de produção e nível de lucro.

Em um dos seus livros, o economista Joseph Schumpeter destaca que não poderia haver nenhuma atividade empresária sem que o lucro fosse um dos seus objetivos, e mais, que seja o fim primordial. Ao definir lucro, ele diz que o “o lucro empresarial é o excedente sobre os custos. Do ponto de vista do empresário, é a diferença entre receitas e despesas do negócio, […] o excedente realizado”. Analisando casos em que há redução na diferença entre receitas e custos, mesmo que ela não seja “aniquilada pela mudança dos preços” dos insumos e consequente aumento dos custos, afirma que “o encanto está quebrado”, e que “ocorre uma reorganização completa da indústria, com o aumento [da] luta concorrencial, superação dos estabelecimentos obsoletos, possível demissão de trabalhadores etc.”.

Essa percepção da importância dos custos dos insumos na viabilização dos empreendimentos foi ampliada pelos estudos realizados por Wassily Leontief sobre a relação insumo-produto. Diz ele que “O conceito central da análise insumo-produto, ou seja, a ideia de que há uma relação fundamental entre o volume de produção de uma indústria e o vulto de insumos que absorve. […] Como esses gastos são determinados por considerações tecnológicas relativamente inflexíveis ou por costumes e estruturar institucionais igualmente inflexíveis, essas razões poderiam ser utilizadas para calcular a demanda de materiais induzida pela produção”.

Acontecendo o crescimento dos custos com insumos variáveis, a empresa pode recorrem a vários expedientes para encontrar a solução para o impasse. Um deles seria aplicar o conceito de Economia de Escala e expandir sua dimensão, em busca de menos custos e mais receitas, através do aumento da produção, o que implicaria em obter mais recursos (próprios e/ou de terceiros), para fazer face aos novos investimentos em Ativo Fixo, para elevar a produtividade física, e aquisição de mais insumos, o que provoca a variação no uso de todos os fatores de produção. Portanto, a Economia de Escala tanto poderia ser do ponto de vista tecnológico como de custos.

Entendidos esses conceitos (e para que a empresa obtenha a maior lucratividade possível) se compreende a necessidade da aplicação prática dos elementos que encontrem os pontos ótimos para uma maior produção com o menor custo possível – pontos que podem ser encontrados pelas interseções evidenciadas nos quadros de isoquantas e isocustos – calma gente, essas são apenas palavras não usadas no nosso dia-a-dia.

Nas ciências econômicas, isoquantas e isocustos é o estudo que se faz para evidenciar as diferentes modalidades possíveis de combinações de fatores variáveis usados como insumos para se produzir a mesma quantidade de um determinado produto, com a utilização de métodos ou processos alternativos de produção, dentro da mesma matriz de custos. A quantidade produzida – ou a ser produzida – geralmente é limitada pela capacidade instalada da empresa (a capacidade máxima de suas máquinas e equipamentos) ou pela demanda que seus clientes fazem de seus produtos; das duas a menor.

Com base em dois desses elementos – isto é, nas combinações possíveis de insumos e na capacidade de quantidade de produto que as máquinas e equipamentos instalados são capazes de produzir ou na necessidade que os clientes têm dos produtos da empresa –, é possível se levantar um conjunto de isoquantas e isocustos que representem as plantas de produção que preenchem as condições do objetivo empresarial, mais lucro.

Portanto, os administradores de empresas podem e devem quebrar os limites que visam produzir a mesma quantidade de um determinado produto e procurar obter as combinações de fatores que favoreçam o volume máximo de produção desse produto, nunca perdendo de vista o outro ângulo do problema, redução dos custos, pois nem sempre o aumento de unidades produzidas de um mesmo produto significa economia de escala. Há casos em que a posição se inverte e acontece o que se chama de “deseconomia de escola”, quando o crescimento da produção é acompanhado por um impulso maior ainda nos custos.

Se negócio sem lucro é aventura, aumentar a produção diminuindo a lucratividade é irresponsabilidade administrativa ou incompetência na gestão da empresa.