Motores da Produção e do Consumo

Tribuna do Norte. Natal, 17 jul. 2011.

Os agentes econômicos são a força que movem a produção e o consumo de bens e serviços: as pessoas, as entidades com fins lucrativos (e até algumas organizações sem fins lucrativos) e o governo. Todos participam do processo econômico. Esses agentes assumem diferentes funções relacionadas com investimento, produção, transporte e comercialização de produtos e serviços. São as famílias, as empresas e o governo. Porém, estruturalmente, as ciências econômicas os classificam em cinco grupos.

O primeiro deles, as “Famílias” – o coletivo das pessoas – são as proprietárias dos Fatores de Produção (mão de obra, recursos da natureza, capital e tecnologia) e deles obtêm rendimentos que são usados para consumir os bens e serviços que necessitam. A parte da renda que não é usada para consumo, o excedente da renda das famílias, transforma-se em poupança. As empresas não financeiras formam o “Aparelho Produtivo”, que usam os fatores de produção que pertencem às famílias, pagando rendimento por esse uso. O objetivo do Aparelho Produtivo é organizar a produção de bens e serviços, comercializa-los no mercado e maximizar seus resultados. As “Instituições Financeiras” servem de intermediárias entre aqueles que se abstém de consumir parte de sua renda e aqueles que necessitam de recursos para produzir ou consumir. As Instituições Financeiras captam as poupanças (renda não consumida) e as repassam, em forma de empréstimos e financiamentos; às empresas para as atividades produtivas, às famílias para consumo.

Por sua vez, o “Governo” – formado pelos três níveis e três esferas do aparato estatal: governos federal, estaduais e municipais; executivo, legislativo e judiciário –, no exercício das suas funções de administração pública, coleta os tributos (impostos, taxas e contribuições) e deve aplica-los no planejamento e gestão da prosperidade nacional. A atuação do governo no campo econômico deve ser voltada para regulamentar as relações das Famílias com o Aparelho Produtivo e das empresas entre si, com o objetivo de buscar condições para ampliar o bem-estar social das pessoas, dando-lhes assistência nos campos da saúde, ensino, segurança e outras atividades que são de sua responsabilidade. Por último temos o “Resto do Mundo”, expressão que em economia identifica os países com os quais os agentes nacionais estabelecem relações econômicas, num quadro de economia aberta. O resto do mundo importa nossos produtos e serviços, exportam suas mercadorias e serviços para o nosso país e conosco mantêm transações financeiras.

Os agentes econômicos interagem entre si e, além do mais, são interdependentes. Suas ações provocam reação, reflexo e contrarreflexo de causas e efeitos, numa corrente constante de interação. As Famílias, detentoras dos fatores de produção, oferecem esses recursos ao Aparelho Produtivo em troca de remuneração e tomam decisões sobre o consumo dos bens e serviços postos no mercado pelas empresas. Por sua vez, o Aparelho Produtivo remunera as Famílias pelo uso dos fatores de produção, transforma-os em bens e serviços e os coloca no mercado. Paralelamente a esse processo, as Instituições Financeiras repassam os recursos dos poupadores para os que os necessitam de recursos para produzir (empresas) ou consumir (famílias). O Governo participa do sistema regulamentando e fiscalizando os investimentos, a produção, o consumo e estabelecendo a política macroeconômica do país. Há ainda que se considerar o Exterior, que representa todos os agentes econômicos não nacionais, mais que atuam comprando e/ou vendendo fatores, produtos e serviços em parceria com os agentes nacionais. A função de todos os agentes econômicos é fornecer e comprar fatores de produção, bens e serviços.

Tão importante quanto identificar os atores da economia é evidenciar o seu comportamento. O pressuposto central é de que eles agem e reagem com racionalidade, ainda que se saiba que nem sempre os agentes econômicos têm atitudes racionais, isto é, maximizar seus interesses. Todavia, trata-se de um pressuposto aceito, desde que essa interpretação seja aplicada ao coletivo de agentes e não a qualquer um deles individualmente.

Para alguns pensadores, os agentes econômicos – essencialmente seres humanos – agem impulsionados por hábitos e propensões e reagem a estímulos produzidos pelo ambiente externo, já que nem sempre são capazes de meditar e avaliar o conteúdo e as consequências de suas decisões. Mesmo assim, em última instancia seu comportamento é direcionado por ações intencionais. Qualquer que seja a linha de raciocínio da escola econômica, todas reconhecem que o funcionamento da economia está centrado no relacionamento de dois dos agentes econômicos: os consumidores (as Famílias) e os produtores (o Aparelho Produtivo).