Margem de Contribuição

Margem de Contribuição é, falando-se de maneira simples, um estudo que evidencia quanto cada produto, linha de produção, filial etc. contribuí para a formação do lucro bruto ou do lucro líquido operacional da empresa. Entretanto, para se evidenciar a Margem de Contribuição é necessário que se compreenda os itens que servem como base para a sua formulação, os Custos Fixos, Custos Variáveis e os Custos Indiretos e, ainda, que a empresa tenha implantado o sistema de departamentalização dos custos, ou seja, controle e lance os custo nos setores onde efetivamente tenha ocorrido.

Assim, se uma determinada empresa produz três tipos de produtos – aqui chamados de produto “A”, produto “B” e produto “C” – o emprego do sistema da Margem de Contribuição encontra qual foi o lucro bruto (ou líquido) do produto “A”, o do produto “B” e o do produto “C”, bem como qual o percentual de cada um deles no lucro bruto (ou líquido) geral da empresa.

Para se calcular a Margem de Contribuição de cada um dos departamentos de produção (aqueles que produzem mercadorias ou serviços para vendas) primeiro devem ser localizadas as receitas de cada uma desses setores. Desses valores são subtraídos os custos variáveis, os custos fixos e os custos indiretos correspondentes aos respectivos setores. Podemos representar esse procedimento com a seguinte fórmula:

Por isso é que é importante identificar, previamente, o que será considerado como custo fixo do setor. Por exemplo, o serviço de vigilância de uma industria de massas alimentícias preserva, indistintamente, tanto o setor que produz macarrão, como o que produz massa para pizzas; a lavanderia de um hotel presta serviços ao setor de meios de hospedagem (apartamentos) e ao restaurante. Em ambos os casos há que registrar uma parcela do custo de vigilância entre os departamentos que se beneficiam desse serviço.

A pergunta é: como se deve calcular o montante do custo de cada um deles? Essas pergunta deve ser feita diariamente ao setor de Controladoria da empresa que, por sua vez, deve ter bases concretas (gráficos, planilhas, fichas de controles etc.) para formular a resposta correta.

Antes de mais nada, é necessários que se conheça algumas fórmulas para se evidenciar os elementos necessários ao estudo da Margem de Contribuição:

Receita do Produto – Custos Variáveis – Custos Fixo = MARGEM BRUTA OPERACIONAL.

Marfem Bruta Operacional – Custos Indiretos = MARGEM BRUTA LÍQUIDA.

Outras fórmulas, mais simples, podem agregar os Custos Indiretos aos Custos Fixos, resultando na seguinte maneira de se caular:

Margem de Contribuição = Receita – Custo Variável – Parcela dos Custo Fixo, incidente diretamente ao departamento analisado.

Lucro = Margem de Contribuição – Custo Fixo.

Lucro = Receita – Custo Variável – Custo Fixo total

Essa fórmulas podem ser melhor entendidas pelo estudo do quadro abaixo (tomando-se por exemplo um hotel):

SETOR DE ALIMENTOS E BEBIDAS
Vendas: $ 50.000
(-) Custos Variáveis: 15.000
(-) Custos Fixos: 10.000
= Margem de contribuição: 25.000

SETOR DE MEIOS DE HOSPEDAGEM
Vendas: $ 35.000
(-) Custos Variáveis: 20.000
(-) Custos Fixos: 7.000
= Margem de contribuição: 8.000

TOTAL: $ 33.000 + 8.000= $ 23.000.

Outro exemplo: Dentre os pratos (porção para 3 pessoas) mais vendidos no restaurante, qual teria maior Margem de Contribuição?

MASSAS
Preços de venda: $ 70,00
(-) Custos variáveis diretos: 27,00
(-) Custos variáveis indiretos: 7,50
= Margem de contribuição: 35,50

PICANHA
Preços de venda: $ 110,00
(-) Custos variáveis diretos: 45,00
(-) Custos variáveis indiretos: 12,00
= Margem de contribuição: 53,00

LAGOSTA
Preços de venda: $ 150,00
(-) Custos variáveis diretos: 32,00
(-) Custos variáveis indiretos: 15,00
= Margem de contribuição: 103,00

Neste exemplo o prato de maior contribuição seria a lagosta, devendo o mesmo receber o maior esforço de venda.

Pode-se, também, obter o índice de Margem de Contribuição de cada item em um período de tempo, cuja fórmula e:

Índice da Margem de Contribuição = Margem de Contribuição / Preço de Venda

Então tomemos o exemplo acima para um dia, com resultados em percentuais, como demonstrado em seguida:

MASSA
Margem de Contribuição: $ 710
Preço de Vendas: 1.400
Índices: 68,67%

PICANHA
Margem de Contribuição: $ 841
Preço de Vendas: 7.050
Índices: 50,71%

LAGOSTA
Margem de Contribuição: $ 901
Preço de Vendas: 1.870
Índices: 48,18%

TOTAL:
Margem de Contribuição: $ 6.452
Preço de Vendas: 10.320
Índices: 65,52%

Nestes exemplos percebemos o quanto cada setor ou item está gerando de Margem de Contribuição. A partir dos valores de venda, subtraímos os Custo Fixo e obtemos o lucro.

Outra fórmulas indicam as Margens de Contribuição Bruta e Líquida:

Margem de Contribuição Bruta = Receita – Custos variáveis – Custos fixos
Margem de Contribuição Liquida = Margem de Contribuição Bruta – Rateios de custos administrativos

No exemplo a seguir temos a aplicação das fórmulas. O total das Despesas Administrativas foi de $ 13.000 e que estas foram distribuídas entre os setores de acordo com o seu faturamento que foi: Produto A, $ 4.000 (30,76%); Produto B, 3.000 (23,03%), e Produto C, $ 6.000 (46,16%):

PRODUTO A
Preço de Venda: $ 4.000
(-) Custos Variáveis: 400
(-) Custos Fixos: 500
= Margem de Contribuição Bruta:3.100
(-) Rateio dos Custos Administrativos: 399
= Margem de Contribuição Líquida:2.701

PRODUTO B
Preço de Venda: $ 3.000
(-) Custos Variáveis: 300
(-) Custos Fixos: 100
= Margem de Contribuição Bruta: 2.600
(-) Rateio dos Custos Administrativos: 301,00
= Margem de Contribuição Líquida:2.299

PRODUTO C
Preço de Venda: $ 6.000
(-) Custos Variáveis: 430
(-) Custos Fixos: 230
= Margem de Contribuição Bruta: 5.340
(-) Rateio dos Custos Administrativos: 600
= Margem de Contribuição Líquida: 4.740

APLICAÇÃO DO CONCEITO DE MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO

A Margem de Contribuição pode ser calculada para:

a) Um simples item da linha de produção (uma camisa de um determinado modelo, em uma indústria de confecção, ou um tipo específico de mesa de trabalho, em uma indústria de móveis etc.).
b) Para toda uma linha de produtos (roupas masculinas e móveis para escritório, nas mesmas indústrias).
c) Para as diferentes filiais.

Existe um amplo leque das abordagens. Em todas elas a Margem de Contribuição proporciona aos administradores de empresas uma visão geral da natureza dos custos da organização. Devemos ressaltar que os “custos fixos representam gastos constantes, de forma que devem ser considerados como relevantes”, na formulações das decisões administrativas. Portanto, ao analisar a Margem de Contribuição devemos cuidar para encontrar a melhor forma de ratear estes custos, tanto no seu aspectos quantitativo como qualitativo.

Os Custos podem ser classificados segundo o critério de aglutinação de itens comuns, tais como:

MATÉRIA-PRIMA BÁSICA E OUTROS INSUMOS – São todos os itens primordiais para a elaboração de determinado produtos ou serviços. Exemplo: para a fabricação de queijo são necessários os ingredientes básicos, neste caso o leite, e mais outros insumos, soro, sal, água, força elétrica (gás, óleo, carvão ou lenha), embalagem etc. O preço que a empresa paga por esses ingredientes são custos variáveis. Mas deve-se considerar, ainda, o preço pago pelos outros insumos, esses invisíveis mas que são componentes do custo do produto queijo: transporte, armazenagem, impostos etc. Para que o planejamento e o controle dos custos sejam eficazes, é necessário que haja um controle detalhado em todos os as fases de produção, nos os períodos de “pré-fabricação”, de “fabricação” e pós-fabricação”, no sentido de quantificar as porções de cada um desses fatores (de incidência direta ou indireta) em cada unidade produzida. Para que se possa desenvolver este controle, deve-se implantar “controles orçamentais específicos dos custos”, desenvolvidos para cada empresa, em cada uma das unidades de produção.

MÃO-DE-OBRA – O processo de transformar matéria-prima em produto acabado (no nosso exemplo, uma peça de camisa masculina), exige a utilização de trabalho humano. Não se deve “contar” tão somente o gasto efetivo de tempo em homem/hora necessário para a peça ficar pronta, multiplicado pelo salário nominais médios dos operários envolvidos no processo. Deve-se, ainda, levar em conta os encargos que incidem sobre os custo da mão-de-obra. Por outro lado, há que se considerar que existem custos de mão-de-obra que são “fixos” e outros que são “variáveis”. A título de incentivos, muitas empresa concedem aos funcionários uma “bonificação” sobre o volume produzido; este é um típico de “custo variável”. Já aqueles funcionários que recebem salários fixos (supervisores, gerentes etc.) representam um valor constante, que é um “custo fixo” para a empresa. Por sua vez, os salários do setor de compras também são despesas fixas. No custo de mão-de-obra deve-se computar, ainda, alguns custos invisíveis que envolvam: recrutando, treinamento, avaliação de candidatos, especificação de tarefas, avaliação de desempenho, negociação com sindicatos e administração de pessoal. Os custos diretos e indiretos de mão-de-obra englobam todas as despesa relacionadas com pessoas que trabalham na empresa, desde a diretoria até os de manutenção, segurança etc.

ELETRICIDADE, ÁGUA E COMBUSTÍVEL – Os custos de eletricidade, água e combustível representam tanto “custo fixo” como “custo variável”. Nem sempre é fácil atribuir a cada um setor o seu consumo efetivo, porém às vezes isso é irrelevante para o calculo da Margem de Contribuição. “Dentro de um mesmo setor, o consumo de um desses itens pode ser parcialmente classificado como fixo e uma outra parcela como variável”. Quando relacionado diretamente com o nível da produção, é um “custo variável”; quando não, é um “custo fixo”. Podemos exemplificar com o consumo de eletricidade na área de hospedagem de um hotel: o custo da energia elétrica gasta nos apartamentos é variável; a energia gasta na área de transito dos hospedes é custo fixo.

Há outros custos.

CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTO OU SERVIÇO PARA O RESULTADO DA EMPRESA

Mesmo quando se estuda um setor ou produto específico para se tomar uma decisão gerencial, é necessário que se tenha uma visão global da empresa. Suponhamos que uma filial cuja Margem de Contribuição seja negativa, seja deficitária, tenha atingido a sua capacidade máxima de produção (a capacidade máxima de produção de suas máquinas) e que a diretoria tenha que tomar a decisão de ampliar a filiar, manter a sua produção nos níveis em que se encontra ou simplesmente fechá-la. Somente o estudo integrado de todos os fatores da empresa é que pode apontar o melhor caminho. Admitamos que essa unidade produza matéria-prima para uma outra filial e que esta outra filial seja lucrativa. A análise da Margem de Contribuição de toda a empresa pode “concluir” que é mais lucrativo para a organização continuar a operação da unidade deficitária. Neste caso o “fator de decisão” seria o resultado da Margem de Contribuição de toda a empresa, analisado de forma integrada. Esta abordagem permitiria a Controladoria e a Gerência Geral decidir com base em dados e índices concretos e reais. Sem esses elementos, a conclusão (evidentemente errônea) seria de que a filial deficitária deveria ser fechada.



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