Heróis da Resistência

Tomislav R. Femenick
O Jornal de Hoje. Natal, 21 maio 2007.
Gazeta do Oeste. Mossoró, 20 maio 2007.
Metropolitano. Parnamirim, 25 maio 2007.

Uma das características do cidadão Luiz Ferreira Cunha da Mota, inseparável de sua condição de Padre, Vigário Geral e Prefeito de Mossoró por quase dez anos, era o seu humor ferino, brincalhão, travesso, com um toque de galhofa e de gracejo fino, sem ser grosseiro, nem descambar para o impudor e a agressividade. O Padre Mota sabia rir e não gostava de lamúrias, tristezas ou lástimas. Dizia que “Deus não é Triste. Se o fosse, não teria criado o mundo e a vida tão belos. Não teria feito os passarinhos cantar, o amor dos jovens, o sorriso das crianças, o sol, a lua, o mar”. Tal afirmativa se confirma na Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento, onde são encontradas várias manifestações de humor. São passagens leves, descontraídas, irônicas e formações linguísticas sutis.

O jornalista Lauro da Escóssia foi amigo e trabalhou ao lado de Padre Mota, enquanto este foi prefeito de Mossoró. Conhecia-o bastante bem, a ponto de provocá-lo, em determinadas situações, somente para ver a explosão de seu humor sagaz e, sobretudo, ferino. Durante algum tempo, juntou alguns causos – histórias pitorescas – do seu ex-chefe para publicar, em forma de série, em seu jornal O Mossoroense. Chegou até a mostrar algumas das histórias ao próprio Monsenhor Mota, que deu boas gargalhadas ao relembrá-las. Quando a coletânea estava quase que pronta, a cidade foi surpreendida pelo falecimento do seu vigário. Achando que o momento não era oportuno, jogou os originais do livro em uma gaveta qualquer e, por um tempo, se esqueceu do que tinha escrito. Vinte anos depois, contou esse fato ao Dr. Vingt-un. O editor da Coleção Mossoroense começou a fustigá-lo até que Lauro da Escóssia encontrou parte do manuscrito, juntou com outros e publicou “Anedotas do Padre Mota” (1986), porém bem mais reduzido do que era sua ideia original. Mesmo assim, o livreto é um retrato do bom humor do padre dos mossoroenses.

A outra marca pessoal do Padre Mota era ser rigoroso, quando necessário fosse agir com dureza e força. Sua participação na resistência de Mossoró ao ataque de Lampião é significativa de sua coragem. Raimundo Nonato e Vingt-un Rosado assim descrevem a atuação do Padre Mota e do Cônego Amâncio Ramalho, durante os momentos antecedentes e quando aconteceram os tiroteios: “O padre Mota deixa o velho Ginásio Santa Luzia e vai fazer um reconhecimento pela Cidade. Sozinho, desarmado, ei-lo percorrendo todas as trincheiras. Recolhe-se ao Ginásio. Neste momento, poucos minutos antes das dezesseis horas, o sino pequeno da Matriz de Santa Luzia começa a tocar. Padre Mota ordena: “Toquem no sino grande”. Os cangaceiros entravam pelo Alto da Conceição, aos saltos e atirando. Via-os através do seu binóculo. Um entrincheirado da Matriz visa-os com seu fuzil. A resposta é imediata. Até há poucos anos atrás, na torre direita da Matriz ainda havia esta gloriosa cicatriz de combate. O padre Mota e o cônego Amâncio seguem até à atual Praça Rodolfo Fernandes. Começara a luta. Os sinos de São Vicente e os da Matriz anunciam a batalha. Os dois sacerdotes, com extraordinário sangue frio, estimulam os combatentes. Eram soldados desarmados, os únicos a percorrerem a Cidade, na hora difícil. Regressaram à Praça da Matriz. Na Rua Idalino Oliveira, uma bala vinda da Praça da Independência, quase os atingia. Localizaram-se na trincheira do Telégrafo Nacional, onde ficam toda a noite de 13 para 14″.

Os heróis da resistência não foram somente aqueles que pegaram em armas, que atiraram contra os cangaceiros de Lampião. Aqueles que fizeram a logística da resistência também o são. Não me consta que o prefeito Rodolfo Fernandes, embora com rifle na mão, tenha atirado, mas foi ele o grande defensor da cidade. O Cel. Mota, então com 79 anos de idade, dirigia a Associação Comercial da cidade e, antes do ataque, solicitou ao Presidente do Estado que fossem remetidos para Mossoró setenta fuzis e respectiva munição. Quando as armas foram recebidas, estas foram distribuídas entre as pessoas que se apresentaram para compor a força de defesa. Após o ataque e o conseqüente fracasso da empreitada do cangaceiro, o Cel. Mota, ainda em nome da Associação Comercial de Mossoró, encaminhou petição – assinada subsidiariamente por outras instituições – a diversas autoridades, instituições e órgãos de imprensa do Rio de Janeiro, sugerindo que a perseguição a Lampião fosse feita pelo governo federal, único capaz de realizar tal tarefa. Além do mais, a sua empresa, a Vicente da Mota & Cia., juntamente como outras, contribuiu financeiramente para cobrir as despesas com a defesa da cidade.

POLÍTICA

Para as eleições do próximo ano, quando serão escolhidos os novos prefeitos, poucas serão as alterações significativas no quadro político do nosso Rio Grande do Norte. As mesmas oligarquias comandarão o espetáculo. Alves e Mais, os criadores, e Wilma de Faria, a criatura, estarão à frente de seus respectivos exércitos, cada qual com seus respectivos generais. Até agora nada de novo se prenuncia. Tudo será o mesmo Ouviremos os mesmo discursos, serão feitas as mesmas promessas e tudo ficará na mesma.

O PT, a grande promessa, se mostrou igual aos outros partidos e se compôs a favor ou contra a essa ou àquela corrente oligarca. A grande novidade será a força de alguns novos líderes, até então de menos importância e que agora assumem o posto de general na luta eleitoral. Neste caso estão Micarla de Souza, a vice-prefeita de Natal e comandante do PV no Estado, que fala a linguagem do povo e é uma figura simpática às massas, e Robinson Faria, o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, que preside o PMN.

No mais, o que se especula é como será serão as composições. José Agripino continuará a aliança com os Alves ou repetirá o bloco partidário que elegeu a governadora para o seu primeiro mandato? E o PT, como ficaria? Aliado com o PMDB no plano federal e no Estado seu inimigo, compartilhando o mesmo palanque, ao lado do DEM (ex-PFL), seus adversários no plano federal? Coisas da política.

FRACISQUINHA DIAS LEÃO

Adeus, querida amiga.