Há marginais do mal e do bem

Tomislav R. Femenick
Tribuna do Norte. Natal, 12 jun.2011
Gazeta do Oeste. Mossoró, 10 jun. 2011.

Na crônica policial – e atualmente até na crônica política – marginal é alguém delinquente e que vive fora da lei. Porém em economia, a expressão “marginal” é utilizada para identificar variações não necessariamente significativas de produção, demanda, custos, preços e utilidade, variações essas que tomam como partida quantidades ou valores previamente conhecidos. Daí o conceito de marginal refere-se a uma dada “variação na margem”. Partindo desse axioma, os estudos das variações marginais são voltados para evidenciar taxas de variação de quantidades econômicas.

A Escola Clássica de Economia, formada pelos precursores do moderno pensamento das Ciências Econômicas – entre eles Adam Smith, David Ricardo e Thamas Robert Malthus – formulou teorias nas quais os conceitos de utilidade marginal e, por decorrência, do Custo Marginal se não estava totalmente ausentes eram abordados como anomalias do comportamento dos agentes privados e públicos. Para esses autores, os custos derivavam essencialmente do valor dos insumos utilizados na elaboração dos bens e serviços e do volume da produção. Se a produção aumentava, os custos cresciam; se fosse reduzida, eles se contrairiam na mesma proporção. Entretanto essa análise se mostra imperfeita, quando comparada com a prática empresarial, pois quando o volume de produção aumenta os custos tendiam a cair.

Esse paradoxo teórico foi objeto dos estudos da chamada Escola Marginalista, movimento que surgiu no final do século XIX, mas que teve como principais bases as “teoria da utilidade e da utilidade marginal”, respectivamente, do inglês William Forster Lloyd e de alemão Hermann Heinrich Gossen, a primeira apresentada em 1833 e a segunda cinquenta anos mais tarde. Porém foi a teoria de Gossen a primeira exposição formal do conceito de utilidade marginal. Posteriormente essas ideias foram retomadas, recriadas e desenvolvidas, simultaneamente, por Carl Menger, na Áustria; Léon Walras, na França, e William Stanley Jevons, na Inglaterra.

Todavia foi Alfred Marshall, em seu livro “Princípios de Economia”, quem mais se aprofundou na teoria do Custo Marginal, sedimentando o conceito de que custos e preços são decorrentes dos dispêndios com insumos e da intensidade da demanda, numa complexa rede de causas e efeitos, onde elementos tais como produção, demanda, custos, preços e utilidade se interagem reciprocamente. Esses foram os pontos de partida da racionalidade marginal das Ciências Econômicas, que culminaram, inclusive, na teoria do Custo Marginal.

O Custo Marginal é o valor que corresponde à “variação dos custos totais de produção”, sempre que há variação na quantidade manufaturada de um determinado produto, ou seja, representa a variação do custo total pela produção de mais unidades, “corresponde ao custo da última unidade produzida”. A curva de custos sempre começa em decida, vez que os custos necessários para se produzir cada unidade adicional sofreriam redução, redução essa que acontece porque os custos de alguns fatores (aluguéis, depreciação, despesas administrativas etc.) passam a ser divididos por uma quantidade maior de unidades produzidas. Todavia, o crescimento da produção termina por demandar mais investimentos, mais custos administrativos, mais depreciação e novas fontes de insumos, elementos que formam uma cadeia de dispêndios que resultam em crescimentos dos custos total e unitário, cuja consequência é um processo de evolução do custo marginal.

As causas que alteram a taxa de variação do Custo Marginal são explicadas pela “lei dos rendimentos decrescentes”, concebida por Thomas Robert Malthus e desenvolvida por David Ricardo. Essa proposição teórica defende a ideia de que o aumento da produção de qualquer mercadoria eleva o uso de um ou mais insumos, enquanto a quantidade dos demais fatores permanece constante, inalterada. Inicialmente a produção apresentará taxas marginais positivas e também crescentes, porém a partir de determinado ponto, essas taxas serão negativas e decrescentes. Isso ocorre porque os insumos variáveis contribuem cada vez menos para o crescimento da produção, com a participação cada vez menor dos insumos fixos.

Em síntese, a lei dos rendimentos decrescentes assegura que as alterações sucessivas no uso de determinados insumos, sem que haja alteração em outros, resulta em custos marginais positivos, até que os insumos variáveis se mostrem dispêndios improdutivos, em função da imobilidade dos fatores fixos.