“GERENCIAMENTO” DE PÓLOS TURÍSTICOS

Tomislav R. Femenick
Tribuna do Norte. Natal, 26 ago. 2007.
Gazeta do Oeste. Mossoró, 26 ago. 2007.

A grosso modo pode-se dizer que o nosso Estado possui quatro polos turísticos: a região de Natal, a mais importante; a Costa Branca, que compreende os municípios praianos do Norte do Estado, incluindo Mossoró; a região serrana de Martins e seu entorno e, ainda, a região do Seridó. Todavia, o turismo, apesar do peso que representa na economia do Rio Grande do Norte, quer com gerador de exportações de bens e serviços, quer pelo alto índice de ocupação de mão-de-obra ou por sua importância como elemento multiplicador de oportunidades para outros setores, não tem o peso político correspondente à sua importância real como gerador de desenvolvimento.

Parece até que algumas lideranças políticas compreendem o turismo como uma atividade marginal, ou mesmo como um inimigo da natureza, do meio ambiente, da cultura e do patrimônio nativo, dando-lhe o caráter de atividade especulativa que busca lucro fácil; diferentemente de outras atividades, tais como a indústria, a mineração, a agropecuária etc. Para essas pessoas, o turismo é uma atividade voltada à exploração de manifestações folclóricas ou de festas regionais, o que seria uma prova inequívoca de fragilidade econômica, um atestado de atraso e alienação cultural, ignorando que os maiores destinos turísticos são os Estados Unidos, a França, a Espanha, a Itália e a Inglaterra, todos situados entre as maiores economias do planeta.

Daí porque se faz necessário que a planificação econômica dos pólos turísticos leve em conta a necessidade de uma coordenação e participação política efetiva. Há que se criar ou delegar a um órgão, supramunicipal e apartidário, a responsabilidade de coordenar as tarefas individuais de cada Município, de forma que haja conhecimento geral dos objetivos de infra-estrutura, evitando realizações desnecessárias (por exemplo: dois parques temáticos iguais, na mesma região) ou que subprojetos locais sejam interrompidos. Isso porque, em toda política de planificação econômica de pólos do turismo, é imprescindível a existência de correlação e dependência entre o plano local e o plano regional, entre o setor do turismo e os outros setores da economia.

Por outro lado, por ser uma atividade com efeito multiplicador em vários outros setores produtivos, o planejamento do turismo deve contemplar metas de crescimento quantitativas e qualificativas, a serem atingidas em tempo certo, com a elasticidade necessária às adaptações decorrentes das mutações das políticas macroeconômicas governamentais. Esse planejamento deve ser segmentado em etapas sucessivas de tempo, de forma que torne exeqüível a realização dos objetivos traçados.

Assim, se os Municípios integrantes de um pólo turístico têm objetivos comuns, porém individuais, a coordenação do projeto deve traçar para si objetivos que visem assegurar que: a) as estratégias de desenvolvimento projetadas sejam apropriadas para cada local; b) os investimentos sejam voltados para a vocação natural (econômica, cultural e social) de cada localidade; c) as opções de lazer ofertadas ao turista sejam consoantes com a demanda existente no mercado, e d) que a atividade econômica do turismo proporcione condições reais para elevar a renda e o nível de vida da população local.

A integração econômico-turística, dos Municípios participantes de um pólo turístico, deve levar em consideração que as relações que se estabelece no interior do sistema (coletivamente entre as unidades que compõem a região, individualmente entre cada uma delas e o órgão gestor e individualmente entre si) têm efeito econômico diversos, conforme seja o tipo de ação. Como em todos os sistemas, também nos sistemas socioeconômicos existe a possibilidade de retroação dos efeitos sobre as causas: tanto pode originar a ampliação dos efeitos destas, como pode retardar ou mesmo inverter o sentido dos fenômenos desencadeados. Daí o porquê da atenção, e seriedade, que se deve ter nos componentes econômico da política adotada para a formação do pólo de desenvolvimento turístico.

Essa visão socioeconômica do turismo – principalmente dos pólos turísticos – não pode ignorar ou desprezar o meio ambiente e a preservação de recursos naturais, sob pena levar o empreendimento ao fracasso. Muito embora seja necessária a desburocratização e flexibilização das regras, há que se criar um ordenamento jurídico equilibrado, que leve em conta as necessidades do setor e a sustentabilidade ambiental, com Leis e portarias eficazes, baseadas na transparência. Em outras palavras, o ordenamento jurídico das atividades relacionadas com o turismo não pode está sujeito aos caprichos do governante da vez.

E sempre vale a máxima: o importante é gerenciar a exploração do potencial turístico e nunca explorar o turista.

OXÍMORO

Os nossos comunistas de botequim clamam aos ventos a sua posição de intransigentes defensores da democracia e dos direitos humanos. Entretanto, quando se trata de Cuba essa é uma valentia covarde, pois que eles se calam diante das mais absurdas atitudes de agressão a essa mesma democracia e a esses mesmos direitos humanos que eles dizem defender. O caso dos boxeadores desertores-fugitivos-arrependidos-repatriados é um exemplo. De volta a ilha, Fidel cassou-lhes a profissão. Em Cuba eles não mais podem lutar boxe.

NAS BEIRADAS DE SETEMBRO

Quando setembro vier, mais uma vez Mossoró vestira sua roupa de festa. De festa justa e merecida. Talvez sejamos a única terra cuja data municipal é a data da libertação dos seus escravos. Sim, somos a terra da liberdade. Da liberdade de ir e vir, da liberdade de ser ou não ser, da liberdade de pensar e agir. Bendita terra que tem homens e mulheres que pensar assim.

RECORDAR É VIVER

Em 25.08.1968 publiquei a seguinte notícia no Diário de Pernambuco, sobre um verdadeiro motim estudantil que acontecia em Mossoró, em plena ditadura: “Continua confusa à situação estudantil nesta cidade. Estudantes se reúnem em assembleias quase que diariamente, para discutir greves e passeatas, com ou sem o consentimento da polícia. Essas reuniões contam com a presença de Dom Gentil Diniz Barreto, bispo diocesano; Dr. Wander Said, diretor da Escola Superior de Agricultura; padre Sátiro Dantas, diretor da Faculdade de Filosofia; dos Drs. Vingt-un Rosado e América Rosado e do tenente Clodoaldo de Castro Meira, delegado de polícia, que procuram serenar os ânimos. Tudo começou quando 16 alunos foram expulsos do Ginásio Municipal, medida tomada pelo diretor do estabelecimento, monsenhor Raimundo Gurgel do Amaral, em consequência de diversos casos ocorridos na escola. Diversas passeatas programadas foram impedidas pela polícia. Quando procurava tirar fotografias de uma das assembleias, a reportagem foi barrada”.