FORMANDO UM PÓLO CERÂMICO

Tomislav R. Femenick
Tribuna do Norte. Natal, 12 ago. 2007.
Gazeta do Oeste. Mossoró, 12 ago. 2007.

Em 1971 Raul Barbosa e Antônio Martins Filho, respectivamente presidente do Banco do Nordeste do Brasil e reitor da Universidade Federal do Ceará, convidaram o Professor Morris Asimow, da Universidade da Califórnia, para criarem um programa voltado à prospecção das oportunidades de desenvolvimento socioeconômico, de algumas regiões do Estado do Ceará. Os estudos foram centrados na região do Cariri, evidenciando o potencial do Vale do Araripe.

Dessa experiência piloto, o projeto estendeu-se para outros Estados do Nordeste. Já estruturado e com o nome de Programa Rita-Rural Industrial Tecnical Assistence, em 1965 esse trabalho chegou ao Rio Grande do Norte. O projeto tinha como foco o Oeste do Estado, e funcionou como uma parceria entre a Utah State University e as Faculdades de Ciências Econômicas de Mossoró e Natal e, também, a Faculdade de Engenharia do RN. Um dos primeiros trabalhos do Programa Rita no Estado foi a identificação do potencial da região de Mossoró para a exploração da indústria de cerâmica. Inicialmente estudou a viabilidade econômica de uma empresa já existente, a CERAMOS-Cerâmica de Mossoró S/A, que produzia a chamada cerâmica vermelha: tijolos e telhas. Entretanto, os estudos do Programa identificaram um potencial bem maior para a cerâmica branca: de mesa, de revestimento e sanitária. Muito embora existisse abundância de matéria-prima – principalmente argilas, calcário e outros elementos – bem como vias de comunicações interligando a região aos mercados consumidores do produto final, a carência de oferta de energia inviabilizava os empreendimentos.

Hoje a situação se alterou, principalmente pela disponibilidade de gás natural, quer como combustível para geração de calor, que como elemento para fornecimento de eletricidade e de força motriz. O gás natural, além de ser apropriado para a produção de cerâmica, é muito mais barato que outras fontes de energia. Dependendo da escala de consumo, o metro cúbico pode custar entre R$ 0,14 e R$ 0,25 – aproximadamente 50% mais barato do que o seu preço no Centro-Sul do país -, graças ao Progás, um fundo formado por uma taxa ambiental, recolhida das empresas que exploram o insumo em terra.

A primeira empresa que se mostrou interessada a se instalar em Mossoró para produzir cerâmica branca foi a Cecrisa S/A, de Santa Catarina. Seu projeto previa o desembolso de R$ 40 milhões para construção de uma fábrica de revestimentos e de uma outra empresa, esta para produzir esmaltes e corantes para cerâmicas. Porém, por motivos internos do grupo, inclusive uma concordata, ela desistiu, temporariamente, do seu projeto no Rio Grande do Norte.

Da mesma época, data o projeto do grupo Itagres, também de Santa Catarina, porém com resultado diverso. O grupo criou uma empresa, a Porcellanati Revestimentos Cerâmicos Ltda., que já está com suas obras de engenharia civil praticamente concluídas e com sua maquinaria sendo montada. O projeto prever um investimento total em torno de R$ 100 milhões, para produzir 330 mil metros quadrados de revestimentos cerâmicos (em uma segunda fase, essa quantidade deverá dobrar), destinados ao mercado nacional e também para exportação. A indústria estará funcionando em abril de 2008, criando cerca de 500/600 empregos diretos.

Outro grupo que se mostra interessado é o da Cerâmica Santa Aliança, com matriz na Paraíba e filial no Ceará, para o qual a Prefeitura de Mossoró fez a doação de um terreno com 27 mil metros quadrados, onde a empresa construirá instalações com seis mil metros quadrados. Seu projeto prever alocação inicial de R$ 10 milhões, na primeira etapa, e uma produção anual de 105 mil metros quadrados de pisos de revestimentos e 56 mil peças de louça sanitária (esta numa segunda fase), com um faturamento da ordem de R$ 15 milhões. Já na primeira etapa, prevista para funcionar em fevereiro do próximo ano, a empresa contará com 150 empregados.

Por último, há o grupo Porcelanas Vista Alegre do Brasil Ltda., empresa gaúcha controlada por empresários portugueses, que em Mossoró criaria a empresa Porcelana Viva. O seu projeto teria R$ 47 milhões em investimentos. Segundo entendimento com as autoridades do Mossoró e do Estado, as obras deveriam ter início no final deste ano e o início da produção dar-se-ia em novembro de 2008. O empreendimento estaria voltado para a produção de porcelana fina (de mesa e decoração) e geraria algo em torno de 680 empregos diretos e mais de 2 mil indiretos na Região Oeste. Entretanto, corremos o risco de perder essa fábrica para os cearenses. As Portarias Nºs. 36/2006 e 68/2006, da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Estado do Ceará, respectivamente de 23.10 e 13.12.2006, autorizaram a viagem de dois técnicos às cidades de Quixeramobim e Aracati, nos dias 23 de outubro e 14 e 15 de dezembro do ano passado, a fim de acompanhar “empresários da empresa Porcelana Vista Alegre do Brasil Ltda., na pesquisa de matéria-prima minerais”, nos referidos municípios.

AS CÂMARAS

A considerar os trabalhos dos procuradores de justiça, estamos muito mal servidos de vereadores. As atividades das Câmaras de Natal e Mossoró saíram das páginas políticas e foram parar nas páginas policiais dos jornais. Agora estão dizendo que os procuradores somente querem aparecer. Pois que queiram e apareçam, desde que estejam trabalhando corretamente e acabem com as propinas, o nepotismo direto ou cruzado, o sequestro de parte dos vencimentos de servidores e outras coisas do mesmo quilate.

TRISTE SINA

Mais uma vez o ensino do Rio Grande do Norte foi classificado entre os últimos do país. Segundo avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, em 2005 todos os Estados tiveram média abaixo de 6, na primeira fase do ensino fundamental. Enquanto o Paraná teve uma média de 5,00, tivemos apenas 2,6. Estamos igual ao Piauí e à Bahia. Formamos a rabeira do ensino. Triste mesmo é quando se sabe que a nossa meta para 2021 é chegarmos a apenas 4,8. A nota seis somente atingiríamos em 2029.

A MOSCA

Pouca gente sabe que é proibido e muita gente tem o hábito de levar mudas ou sementes de arvores ornamentais ou frutíferas, de uma cidade ou mesmo Estado para outro. Ai é que está o risco para a fruticultura: essas mudas ou sementes podem introduzir novas pragas e doenças, resultando em graves consequências ecológicas e econômicas.

Marco Bertussi, o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Tratamento Fitossanitário e Quarentenário (Abrafit), diz mais. Diz que isso é perigoso para a agricultura. Lembra que foi esse comportamento que causou um problema sério no Amapá: a mosca-da-carambola, que veio da Guiana Francesa e pode atacar vários tipos de frutas. “Se chegar em […] Mossoró, a mosca acaba com a fruticultura dessa região”, alerta.