ESTRUTURAS ADHOCRATICAS (Administrando Mudanças)

Tomislav R. Femenick e Claudete Coutrim 
DCI Diário Comércio & Indústria. São Paulo. 13 mai. 1993

 

Quando em fins do século, Max Weber, sociólogo alemão concebeu a BUROCRACIA nas empresas, objetivava combater e corrigir a corrupção e falhas administrativas, que se arrastavam desde a Revolução Industrial.

Entretanto, no Brasil, por exemplo, a burocracia tornou-se um hábito, que infelizmente não conseguiu atingir seu objetivo inicial. Ao contrário, gerou cabides de empregos, custos orçamentários, desperdícios em larga escala, morosidade no atendimento, excesso de papéis, mão-de-obra ociosa, duplicidade de tarefas, controles ineficazes e obsoletos, falta de espírito de equipe e poder na mão da minoria.

As idéias ultrapassadas de administração ainda permeiam a grande parte dos executivos, criando estruturas’ hierárquicas e burocráticas, que impedem a mudança e desmotivam a força-tarefa. Nem sempre o que é bom para a parte (equipe ou departamento) é bom para o todo (organização total).

Desta forma, temos convivido com o estereótipo de que resultados são apenas valores quantitativos (mensuráveis e inconstantes) e não qualitativos (que é a soma dos valores mensuráveis, mais a abrangência, credibilidade e durabilidade de valores agregados a produtos, serviços e principalmente, funcionários).

Entretanto, para obter resultados satisfatórios, a empresa deve considerar a “sabedoria” popular ou coletava; precisa sentir-se viva engajada com a equipe; incentivar os funcionários para a motivação e principalmente, estar em constante estado de experimentação. Muitas empresas Sucumbem, pois seus altos executivos administram apenas baseados nos modelos empurrados e que não necessariamente, se assemelham à nossa realidade político-fmanceira-sócio/cultural. Será que já não é passada a hora de administrar essas mudanças de uma forma mais nacionalista e menos utópica?

A administração adhocrática propõe revisão desses paradigmas ultrapassadose centralizadores, envolvendo os funcionários na força-tarefa, horizontalizando as estruturas hierárquicas, comunicando ao invés de simplesmente informar, contestando a hegemonia burocrática e comprometendo-se com a mudança constante.

Despreparados homens de Recursos Humanos investem horas e dinheiro em infrutíferos treinamentos intermináveis e a situação na empresa continua sempre a mesma: nada muda. As equipes de trabalho passam, mudam-se os organogramas, mas tanto a Burocracia como a adhocracia permanecem.

A Administração ad hoc não significa extirpar a burocracia, mas acenas torná-la inteligente e útil.

Outro ponto importante a ser considerado, é o lider substituindo o chefe, produto do fantasmagórico estilo autocrático gerencial. Ao líder cabe conduzir e não comandar (ou mandar), colocá-los as em prática e não apenas divagar em conceitos teóricos. Deve saber comunicar-se, ouvir e ponderar opiniões e não enclausurar-se e tomar decisões aleatórias e às vezes até irresponsáveis, que possam comprometer a credibilidade da administração. A adhocracia permite essa abertura, integração e participação das pessoas.

Outra grande falha consiste na necessidade que o alto executivo tem de trazer para a empresa conceitos atualizados de administração, todos de uma só vez: qualidade total, resultado ótimo, excelência, zero-base, just-in-time, espírito empreendedor, polivalência profissional, dentre outros. Acaba não chegando a lugar nenhum, pois ‘§e não existir consenso, não existirá força-tarefa. Racionalizar e concentrar atenção em um projeto de cada vez, ainda é o melhor calminho.

A adhocracia sugere mudança com calma e habilidade, sem atropelos e com estrutura montada adequadamente, para recebê-la. Não adiante a mudar a fIlosofia ou método de trabalho; se não mudar perímetro a mentalidade dos envolvidos, contando a todos o que é esperado deles.

Excesso de reuniões é também sintoma de falhas administrativas burocratizadas. O confinamento do executivo não lhe permite estar disponível para sua equipe. Deve ter precaução ao aparar “gorduras” para não cortar “músculos” de seu quadro funcional, deixando a estrutura vazia paira executar tarefas.

A ADHOCRACIA não permite que executivos se comprometam com prazos, orçamentos e objetivos que não possam ser cumpridos, caindo assim em descrédito.

Assim, a reengenharia de negócios sugere administração ad hoc em todas as áreas, visando qualidade e não somente quantidade.

(Claudete Coutrim jornalista e assessora de marketing jornalístico).



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