ESTOQUES EM ECONOMIA GLOBALIZADA

Tomislav R. Femenick
Tribuna do Norte. Natal, 10 out. 2010.

A rubrica “Estoques” está entre aquelas mais sensíveis quando da determinação dos elementos para a formatação dos demonstrativos contábeis, principalmente na forma de se proceder ao seu levantamento e avaliação. Todavia não basta estabelecer os critérios de inventário ou avaliação no final do exercício (como manda o Novo Código Civil), é determinante que se observe os registros de entrada e saída dos itens, para se evitar saldos imperfeitos.

Além do mais, o processo de internacionalização da economia afetou diretamente o valor dos itens estocados nas empresas, de duas formas: esses bens podem ser nacionais ou podem ter sido elaborados no exterior; por outro lado, materiais importados da mesma categoria podem está no mercado a disposição da entidade e de seus concorrentes. Segundo a NBC T 19.20, os itens estocados devem ser valorizados pelo “custo de aquisição” (acrescido de outros incorridos para trazê-los à sua localização atual) ou pelo “valor realizável líquido”; melhor dizendo, a quantia que se espera receber com sua venda. Por sua vez o “valor realizável líquido” pode ser influenciado quer pelos preços das mercadorias postas no mercado por outros fornecedores, nacionais ou não, quer pela variação cambial, esta última com peso mais relevante ainda. A valorização ou desvalorização do Real perante as outras moedas pode valorizar ou desvalorizar os itens dos estoques e, também, pode atingir de forma positiva ou negativa o seu valor realizável líquido. Se não houve um critério com base em fatos absolutamente reais e claros, corre-se o risco haver super ou subavaliação dos registros da rubrica “Estoques”.

Em contexto de alta competitividade e em cenário onde os recursos financeiros estão cada vez mais escassos e caro, a redução de custos deve ser um processo contínuo em que se buscam os melhores resultados, especialmente para a área de estoque, aonde os reflexos combinados dessas condições chegam mais rápidos e de onde se espalham por todo o campo da empresa. Considerando-se essa realidade, os executivos devem trabalhar com alto nível de sensibilidade, de forma que possam facilmente perceber as alterações do mercado. Para atingir esse resultado, as sociedades devem atualizar – e mesmo inovar – os métodos que usam em todas as etapas na sua cadeia de suprimentos, investigando sobre fornecedores, qualidade e durabilidade dos materiais, prazos de entrega e de pagamento e outros elementos que influenciam na formação dos seus custos.

A ação empresarial na pesquisa operacional, com maior ou menor ênfase, hoje é uma realidade nas sociedades de todas as categorias e tamanho. É a única forma de enfrentar o desempenho e a pressão implacável dos concorrentes – que também estão ficando cada vez mais agressivos e ágeis – na formação de custo dos estoques, base para a formação do preço de venda dos seus produtos. Por isso os profissionais de pesquisa operacional devem fazer simulações e desenhos das alternativas possíveis para as aquisições de materiais, o recebimento, a forma e os prazos de estocagem; a forma e o prazo do processo de manufatura; e, ainda, a estocagem dos produtos acabados, o processo de venda e a logística para a entrega dos produtos vendidos. Ao se refletir sobre essas variáveis, pode-se chegar a evidências de que há necessidade de “profundas mudanças no desenho e na operação da cadeia de suprimento (incluindo seus sistemas de estoque) que melhoraram substancialmente a posição competitiva da empresa”.

Há algumas exigências para se satisfazer os modelos probabilísticos científicos de processos operacionais focados nos estoques, destacando-se o conhecimento sobre a gama de informações sobre as funções relacionadas ao setor de almoxarifado e suas ramificações, informações essas necessárias à formulação das táticas e estratégias a serem executadas pelos gestores empresariais. Em primeiro lugar se deve ter um “arquivo de dados” onde devem estar reunidas, selecionadas, reformuladas e armazenadas as informações sobre toda a cadeia de suprimento, porém já processadas com racionalidade técnica. Depois, porém não menos importante, é preciso promover a atualização desses dados, condicionando-os às situações objetivas da realidade corrente. Este segundo passo é essencial porque, muito embora o arquivo de informação seja importante para o processo operacional dos materiais, se os dados permanecerem estáticos, além de não concederem a dinâmica que se almeja do processo, o desfigura como elemento para obtenção dos resultados dele esperado.

A cadeia de suprimentos deve ter por base uma sistemática de pesquisa operacional permanente, apta a desenvolver métodos que contemplem metodologias de gestão de estoques e módulos para tomada de decisão, interligados e configurados em um mesmo processo. O objetivo deve ser formar uma dinâmica preparada para reagir com rapidez e eficiência às tendências e oscilações do mercado.