Economia Aplicada à Administração

Tomislav R. Femenick
 São Paulo: Top S, 2009. (2a. edição, em revisão)

Primeira Parte: MICROECONOMIA

Primeira Aula:

PARA APRENDER MICROECONOMIA

As Ciências Econômicas dividem-se em dois grandes segmentos de estudo: os estudos da Microeconomia e os estudos da Macroeconomia.

As análises microeconômicas estudam as:

• Teoria do Consumidor.
• Teoria do Produtor.
• Teoria da Produção.
• Teoria da Distribuição ou Repartição.

As análises macroeconômicas estudam:

• Teoria dos Agregados.
• Teoria Geral do Equilíbrio e Crescimento

Por sua vez, a “Teoria Geral do Equilíbrio e do Crescimento”, se subdivide em:

– Teoria da Moeda.
– Teoria das Finanças Públicas.
– Teoria das Relações Internacionais.
– Teoria do Desenvolvimento.

A junção das quatro teorias microeconômicas (do consumidor, do produtor, da produção e da distribuição) com as cinco teorias finais da macroeconomia (dos agregados, da moeda, das finanças públicas, das relações internacionais e do desenvolvimento) é que proporciona as condições para a elaboração e aplicação das Políticas Econômicas.

Os primeiros tratados sobre economia, considerados realmente científicos, apareceram no fim do século XVIII e no século XIX, abordando aspectos da produção e do consumo. As análises microeconômicas vieram com os primeiros autores clássicos: Adam Smith, David Ricardo, John Stuart Mill (na Inglaterra) e Jean Baptista Say (na França).

A partir do meio do século XIX a crítica marxista se contrapôs aos estudos microeconômicos, apresentando um enfoque global aos estudos da economia. Esse desvio do objeto da abordagem econômica foi corrigido, já em 1870, com teorias que apareceram na Áustria, Suíça e Inglaterra principalmente com Pareto e Marshall.

Dessa forma, até as primeiras décadas do nosso século, as Teorias Econômicas Clássicas e Neoclássicas, estiveram voltadas quase que somente à Análise Microeconômica, enfocando o exame do comportamento dos agentes econômicos privados (consumidor e produtor), através do que procurava a eficiência e o equilíbrio do sistema econômico.

Por causa dessa origem teórica, a Microeconomia é também chamada de teoria dos preços, uma vez que postula a articulação e coordenação das ações dos produtores e consumidores, por meio do sistema de livre funcionamento dos preços. Ao estudar a formação dos preços, a Microeconomia analisa: a oferta dos bens e serviços de consumo (comportamento dos produtores) e a demanda dos mesmos (comportamento e reação dos consumidores); o mercado em suas várias formas (monopólio, oligopólio e livre concorrência); a oferta e procura de Fatores de Produção e suas respectivas remunerações.

A partir do enfoque particular (produtor, consumidor), a Microeconomia atinge todo do sistema econômico, via preços livres. O meio usado é a divisão em setores específicos. Com a integração das quatro ramificações teóricas, toda a vida econômica é abordada e analisada pela Microeconomia, processo teórico elaborado com vistas a determinar as condições gerais de equilíbrio da economia, a partir do comportamento autônomo dos agentes econômicos individuais – produtores e consumidores.

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Segunda Aula:

O FLUXO ECONÔMICO

1. O destino da produção

Para que possamos melhor compreender como acontecem as relações, entre os agentes econômicos, é necessário que saibamos como elas se efetivam. Portanto, precisamos entender alguns elementos básicos nessas relações.

A soma de todos os bens e serviços produzidos pelo Aparelho Produtivo de um país, em um determinado período de tempo, representa o Produto nacional dessa sociedade. No nosso modelo de estudo, onde projetamos uma sociedade simples, sem o aparelho governamental (o governo) e sem o resto do mundo (comércio exterior), o Produto poderá ter dois e únicos destinos: será destinado ao consumo da população ou, então, retornará ao Aparelho Produtivo como bens de capital.

Podemos sintetizar a produção desse país hipotético, sob o ponto de vista de destino, na seguinte fórmula:

Pd = C + I

Onde:

Pd = Produção (todos os bens e serviços elaborados no período escolhido).
C = Consumo (todos os bens e serviços vendidos às Famílias).
I= Investimentos (a parcela da produção, reaplicada nas empresas).

Duas observações devem ser destacadas, visando evitar erros quando do levantamento do Produto de uma comunidade:

a) O Produto deve ter expressão monetária – Isto quer dizer que, quanto citado, o Produto representa uma quantidade de moeda. Por exemplo: o Produto brasileiro, em 200x, foi de R$ bilhões; o Produto dos Estados Unidos, no ano tal, foi de Us $ trilhões; em tal ano, o Produto argentino foi de tantos bilhões de pesos, e assim por diante.

b) No cálculo do Produto, os bens intermediários devem ser excluídos – Quando do levantamento dos itens que compõem o Produto, devem ser considerados somente os bens e serviços finais, isto para evitar que uma mesma mercadoria não seja computada mais de vezes.

2. Remuneração dos fatores de produção

Quando cedidos ao Aparelho Produtivo, os Fatores de Produção pertencentes às Famílias recebem uma determinada remuneração, específica e de acordo com a natureza do fator, conforme o quadro a seguir:

Trabalho= Salário
Recursos da natureza:
– Terra = Aluguel
– Minérios, Frutos, Caça, Pesca = Lucro
Capital:
– Financeiro = Juros
– Bens de Produção = Lucro
Tecnologia = Aluguel (royalty, know how, etc.).

Se somadas todas as remunerações recebidas pelas Famílias, tem-se como resultado a Renda nacional. Quando recebem suas respectivas remunerações (quer seja salário, lucro, juros ou aluguel) as pessoas podem comprar bens e serviços de consumo ou, então, poupar seus recursos. Ao fazer a segunda opção, estarão cedendo novamente o valor dessas remunerações ao aparelho produtivo, em forma de capital financeiro (quando a curto e a longo prazo) ou de capital produtivo (quando se tornam sócios de empresas).

Sob a ótica do uso possível da renda, o conceito de renda pode ser expresso pela seguinte fórmula:

R = C + Pç

Onde:

R = Renda.
C = Consumo (todos os bens e serviços comprados pelas Famílias).
Pç = Poupança (a parcela da renda, não consumida pela sociedade).

3. Produção x Renda

A simples contraposição das duas fórmulas evidencia uma série de conclusões. Vejamos como se dão essas evidências:

Pd = C + I
R = C + Pç

a. O valor do Produto nacional é igual ao valor da Renda nacional – Se toda e qualquer produção somente acontece com o emprego de fatores de produção e se o valor de todos os bens e serviços é, no final de contas, decomposto em salários, aluguéis, juros e lucros, então o valor do Produto nacional (soma de todos os bens e serviços finais) é igual a Renda nacional (soma de todas as remunerações dos fatores de produção).

b. Consumo sempre é consumo – Os bens e serviços finais vendidos pelo Aparelho Produtivo às Famílias são os mesmos bens e serviços finais comprados pelas Famílias ao Aparelho Produtivo, portando, o seu valor é o mesmo.

c. Investimento é igual a Poupança – Todo investimento somente pode acontecer como resultado de um processo pelo qual uma parte do Produto é transformado em novo capital. Em outras palavras, o investimento ocorre quando as famílias decidem não consumir uma parte do que é produzido pela sociedade; isto é, não gastar uma parcela de sua renda, poupar e não consumir.
Qualquer que seja a forma escolhida para “guardar” a parcela da renda não consumida, esta parte dos rendimentos das Famílias automaticamente se transforma em investimentos. Algumas dessas decisões são tomadas no próprio Aparelho Produtivo. Ao se fabricar um torno mecânico, há uma decisão antecipara de renuncia ao consumo. Ao se fazer qualquer tipo de aplicação financeira (CDB. RDB, Fundos, Caderneta de Poupança, Ações, “Commodities”, etc.), a renda se transforma em empréstimos ou em Capital. Ao se deixar dinheiro nos bancos, depositado em contas de livre movimentação, este chegará às empresas via empréstimos, feitos pelos bancos.

4. Fluxo de Produtos e Fluxo de Renda

A atividade econômica se realiza através de dois fluxos que acontecem simultaneamente, ambos nascidos no Aparelho Produtivo, com valores idênticos. São eles:

a. Fluxo Real – Composto pelo mercado de Fatores de Produção, cedidos pelas Famílias ao Aparelho Produtivo, e pelo mercado de bens e serviços finais, vendidos pelo Aparelho Produtivo às Famílias.

b. Fluxo nominal – Composto pelos rendimentos dos Fatores de Produção, pagos pelo Aparelho Produtivo às Famílias, e pelos pagamentos que as Famílias fazem ao Aparelho de Produção, pelas compras dos bens e serviços finais.

A realização de ambos os fluxo acontece no mercado, obedecendo à lei da oferta e da procura, de forma tal que o preço individual de cada fator e de cada mercadoria é estabelecido pela concorrência entre os interessados em vender e entre os interessados em comprar, como se fora um grande leilão. Há sempre uma interdependência entre o mercado de fatores de produção e o mercado de bens e serviços, um influenciando e sendo influenciado pelo outro, no estabelecimento dos preços. No final, o valor total de um fluxo será igual ao valor do outro, se não em termos de realização, pelo menos em termos potencial.

Os fluxos real e nominal fazem uma mesma moeda, sendo um a contra-face do outro. Sem fluxo real não há fluxo nominal e vice-versa.

5. Demonstração gráfica

Graficamente podemos demonstrar toda a atividade econômica de uma sociedade da seguinte forma:

Fluxo 1

 

Fluxo 2

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TEORIA DO CONSUMIDOR

1. Os Agentes Econômicos

Agente econômico é qualquer entidade que pertence e atua num determinado sistema econômico. Pode ser uma pessoa, tomada individualmente, ou uma pessoal coletiva – (empresa, governo etc.). Têm funções econômicas diferentes (em termos de produção, consumo, investimento), estabelecendo entre si diversas relações de índole econômica. Os agentes econômicos são: as Famílias (que têm o objetivo de satisfazer suas necessidades), as Empresas (que têm o objetivo de maximizar seus lucros), as instituições financeiras e o Governo (que tem o objetivo de ampliar o bem-estar social). As Famílias tomam decisões sobre o consumo de bens e a oferta de trabalho e de outros Fatores de Produção; as Empresas tomam decisões sobre o investimento, sobre a produção de bens intermédios e de consumo e sobre a procura de trabalho; os bancos repassam os recursos dos poupadores para os carentes de recursos (empresas e famílias) e o Estado regulamenta o consumo, os investimentos e a política econômica.

Há ainda que se considerar o Exterior (ou o resto do mundo), que representa todos os agentes econômicos não nacionais para que atuam comprando e/ou vendendo fatures, produtos e serviços em parceria com os agentes nacionais. A função de todos os Agentes Econômicos é fornecer e pagar bens e serviços.

Em resumo, são habitualmente referidos cinco grupos de agentes econômicos:

• As famílias, que obtêm rendimentos de uma atividade produtiva, aplicando-os em consumo de bens e serviços e em poupança.
• As empresas de atividades não-financeiras, que produzem bens e prestam serviços.
• As instituições financeiras, cujas principais atividades são a captação de poupanças e a concessão de empréstimos para aplicações produtivas e/ou de consumo.
• O Estado, com as suas funções de administração pública, de coleta de impostos e de gestão da segurança e das prestações sociais.
• Finalmente, os países estrangeiros (exterior), com os quais os agentes econômicos nacionais estabelecem, num quadro de economia aberta, relações econômicas.

Tão importante quanto identificar os esses atores da economia e evidenciar o seu comportamento. O pressuposto central é de que eles agem e reagem com racionalidade, ainda que se saiba que nem sempre os agentes econômicos agem racionalmente, maximizando seus interesses. Trata-se de um pressuposto aceito, desde que essa interpretação seja aplicada ao coletivo e não ao individuo.

Diferentes escolas de pensamento têm diferentes interpretações sobre os padrões de comportamento assumidos pelos agentes econômicos. Para alguns pensadores, os agentes econômicos são guiados por instintos, hábitos de pensamento e intencionalidades que se encontram, por força de processos históricos, enraizados nas instituições e na cultura da sociedade. Para eles os agentes econômicos – essencialmente um ser humano – agem impulsionados por hábitos e propensões e reagem a estímulos produzidos pelo ambiente externo, já que são capazes de meditar e avaliar o conteúdo e conseqüências de suas decisões. Assim sendo, em última instancia seu comportamento é direcionado para ações intencionais.

Para outros estudiosos, o comportamento desses agentes tem raízes nas instituições e essas decorrem do processo evolutivo de socialização dos instintos humanos. Uma terceira escola assume outras características quanto ao comportamento e padrão de racionalidade dos agentes econômicos. Argumentam que os agentes são dotados de racionalidade limitada e de um comportamento oportunista – o que resultaria no fato de que, isoladamente, os agentes econômicos não seriam capazes de oferecer um maior dinamismo à economia.

Todavia, qualquer que seja a linha de raciocínio. da escola econômica, todas reconhecem que o funcionamento da economia está centrado no relacionamento de três dos cinco agentes econômicos:

• Os Consumidores (as Famílias).
• Os Produtores (o Aparelho Produtivo).
• Os proprietários dos Fatores de Produção (as Famílias).

• As Famílias fornecem insumos para o aparelho produtivo e, em contrapartida, recebem renda monetária.
• Os produtores organizam a produção e oferecem bens e serviços no mercado.
• Os consumidores recebem renda do aparelho produtivo e usam essa renda para comprar bens e serviços, produzidos pelas empresas.

2. As Teorias da Utilidade e da Preferência

Toda unidade familiar tem noção da sua renda e de como usa-la. A tarefa difícil é: como empregar essa renda, que é limitada, de forma a maximizar o bem-estar da família. A solução dessa equação é que determina a demanda por bens e serviços.

As teorias da Preferência e da Utilidade são baseadas no principio da otimização da aplicação dos recursos – que são escassos para os agentes econômicos. Isso é, o ser humano tende a escolher sempre a melhor alternativa que tem a seu dispor (aquela que mais o satisfaz), quando vai usar seus recursos. Embora possam existir certos casos que não se enquadrem nesse principio, estes com certeza se situam fora do domínio econômico.

2.1 A Teoria da Preferência

Partindo desse principio, a Teoria da Preferência supõe que, dada duas opções a um agente econômico – “assistir a um filme” ou “ir a um jogo de futebol” –, ele poderá chegar a uma das 3 conclusões abaixo:

a) O tomador de decisão prefere a opção assistir a um filme, e não a ir a um jogo de futebol.
b) O tomador de decisão prefere a opção ir a um jogo de futebol, e não a assistir a um filme.
c) O tomador de decisão é indiferente em relação às duas opções.

Quando o tomador de decisão prefere a opção assistir a um filme e não a ir a um jogo de futebol, ele escolherá a opção assistir a um filme, em detrimento da opção ir a um jogo de futebol. Como se pode ver, a preferência do tomador de decisão se reflete na sua forma de agir.

Há algumas outras suposições acerca da consistência das preferências dos tomadores de decisão. Esses pressupostos asseguram que as preferências não se tornem contraditórias, possibilitando seu estudo.

A teoria da preferência está baseada nos três axiomas fundamentais a seguir, que, se atendidos, caracterizam a preferência consistente:

a) Completa – Duas opções quaisquer podem ser comparadas. Em outras palavras, dada duas opções quaisquer o tomador de decisão pode chegar a uma das três conclusões descritas acima.

b) Reflexiva – Todas as opções são tão boas quanto elas mesmas, ou seja, um tomador de decisão estará indiferente entre duas opções idênticas.

c) Transitiva – Se dado tomador de decisão prefere assistir a um filme e não a ir a um jogo de futebol e prefere ir a um jogo de futebol a ir tomar chope com os amigos então ele preferirá assistir a um filme a ir tomar chope com os amigos.

A utilidade pode ser vista como um modo de descrever as preferências do consumidor, como indivíduo. A função utilidade atribui um número a cada possível escolha, de forma tal que uma escolha obtenha um maior número do que outra somente se a primeira escolha for preferida à segunda. Ou seja, a opção “a)” será tomada em detrimento da opção “b)” se e somente se a utilidade da opção “a)” for maior que a utilidade da opção “b)”. Se duas opções tiverem a mesma utilidade, o tomador de decisão ficará indiferente entre uma e outra.

2.2 A Teoria da Utilidade

Através da função utilidade, podemos ordenar uma série de escolhas disponíveis para o tomador de decisão na ordem de sua preferência. No entanto, o valor em si da utilidade atribuído a uma determinada escolha não tem significado algum. Por exemplo, imagine que dentre duas alternativas a primeira tem o dobro da utilidade da segunda. O que isso significa? Significa apenas que o tomado de decisão prefere a primeira alternativa à segunda. Nada mais que isso.

Como somente a propriedade primeira colocada de uma função utilidade é relevante, qualquer transformação significativa de uma determinada função utilidade é capaz de descrever as preferências do tomador de decisão com igual eficiência.

3. Pleno Conhecimento

Essa concepção teórica estabelece que os vendedores e consumidor (o mercado, e não os indivíduos) têm informações suficientes, ou seja, pleno conhecimento sobre preços, para tomar decisões sobre a compra e venda:

• Todos os bens e serviços existentes no mercado
• A tecnologia desses bens e serviços
• Os preços atuais desses bens e serviços e as possibilidades de alterações futuras.
• A sua renda em determinado período

Sem conhecimento perfeito de todos os aspectos quantitativos e qualitativos que influem no mercado, não se pode esperar decisões racionais, dos agentes econômicos. Esta é uma condição abstrata, porém necessária para a construção de um modelo teórico. Há, entretanto, que se considerar a questão de que as informações do mercado são restritas, mesmo que apenas em alguns aspectos: os ofertantes (Famílias, de Fatores de Produção; e Empresas, de produtos e serviços) têm pleno conhecimento das condições de oferta e demanda, e os compradores (Empresas, de Fatores de Produção; e Famílias, de produtos e serviços) também, com exceção da relacionados à boa ou má qualidade do produto que estão comprando. Isso leva à introdução de dois novos conceitos, a saber, a “seleção adversa” e o “risco moral”.

O problema é que para os consumidores Famílias é impossível saber de antemão se o produto oferecido pelas Empresas é de boa ou má qualidade. Esse fenômeno gera-se na ação dos vendedores de produtos de boa qualidade e os de má qualidade. As vendas de produtos de má qualidade desperta a percepção dos compradores sobre a qualidade desses bens, reduzindo o preço que estão dispostos a pagar por eles. Como reflexo, e as vendas dos produtos de qualidade também são prejudicadas.

3.1 Seleção Adversa e Risco Moral

Esse é uma atitude do consumidor que se manifesta quando vendedores de bens com qualidades diferenciadas e custos igualmente diferenciados se defrontam, em um mercado altamente competitivo. Nessas condições de mercado, nenhum produtor tem condições de influir no preço de venda, fato que leva todos os produtores a reduzir custo e qualidade. O resultado é que os produtos de baixa qualidade expulsam os de melhor qualidade, pois é impossível informar, em tempo hábil, aos consumidores sobre a alta qualidade do produto.

Já o “risco moral” acontece de forma inversa: a quantidade demandada do bem, serviço ou Fator de Produção é maior do que a ofertada. Os consumidores são atraídos por bons de baixo custo, porém exigem uma qualidade melhor do que estão comprando.

4. Utilidade e Preferência

A utilidade é uma peculiaridade que torna uma mercadoria desejável. Essa utilidade é uma sublimação subjetiva dos indivíduos, pois cada pessoa tem o seu próprio juízo de utilidade. Essa teoria subjetiva do valor é a distinção entre a moderna e a clássica teoria microeconômica.

5. Função Preferência

A função preferência deve ser analisada tendo como ângulos as visões do consumidor e do produtor A função preferência é caracterizada por duas relações: preferência e indiferença. Quando são comercializados dois ou mais produtos, a função preferência indica a ordem de aceitação desses produtos. Então, dois produtos que têm o mesmo volume de comercialização têm o mesmo índice aceitação ou indiferença.

5.1 Preferência e Indiferença do Consumidor

Do ponto de vista do consumidor, a preferência ou a indiferença é evidenciada pelas quantidades de bens adquiridos, consumindo-se uma quantidade maior de um determinado bem, em detrimento do consumo de outro. As quantidades dos bens consumidos expressam, de forma quantitativa, as preferências do consumidor. Quanto maior a renda dos consumidores (principalmente no caso das Famílias), maior será o índice de aceitação de produtos. Isto porque a demanda agregada de bens e serviços é função da renda agregada dos consumidores.

5.2 Preferência e Indiferença do Produtor

As empresas possuem processos de produção com características diferentes de qualidade, visando atender a função preferência de sua clientela utilizando variáveis de otimização de produção, relacionadas com as diferentes características de qualidade exigidas pelo mercado.

Vista pelos produtores, a função preferência é usada para estabelecer a qualidade dos seus produtor e serviços, estabelecendo parâmetros que determinam os limites de qualidade superior e qualidade inferior, isso em decorrência das exigências dos consumidores. Esses parâmetros possuem diferentes características de qualidade, sempre determinados pelos consumidores:

a) Nível médio – Estes processos mensuram produtos ou serviços que possuam limites definidos de especificação (qualidade) superior e inferior.

b) Nível Maior – Esse tipo de processo apresenta somente um limite inferior, pois os consumidores (geralmente de maior renda) desejam uma qualidade maximizada.

c) Nível Menor – Esse tipo de processo apresenta somente um limite superior, pois os consumidores (geralmente de menor renda) não exigem uma qualidade maximizada.

6. As Características da Indiferença

O mercado oferece aos consumidores uma serei de produtos e serviços que, tomados em conjunto, configura a chamada cesta de produtos. A escolha dos consumidores pela cesta A ou pela cesta B resulta em uma “Curva de Indiferença”. Ao escolher entre gastar toda a renda em uma cesta e não em outra, mostra que o consumidor descarta um produto por outro; escolhe aquele que atende melhor às suas expectativas de consumo.

A indiferença possui quatro características básicas, que são:

a) Substituibilidade – Alguns bens e serviços, embora diferenciados, são substitutos perfeitos entre si, ou sejam têm um elevado grau de substituibilidade, têm uma elevada elasticidade de substituição. Por outras palavras, os produtos são heterogêneos (ou diferenciados), mas são substitutos próximos, proporcionando aos consumidores a escolha de adquirir um ou outro.

b) Há vários níveis de indiferença – Embora os produtos sejam substituíveis, os consumidores tendem a ter níveis diferentes de indiferença com eles, fato que não está relacionado somente aos aspectos econômicos. Fatores diversos podem intervir, criando uma graduação na indiferença.

c) Os vários níveis de indiferença não são intercambiáveis – Estabelecidos esses níveis, eles adquirem uma qualidade de rigidez que não possibilidade alternar a indiferença do consumidor.

d) A maximização da satisfação com um determinado desembolso – O fator econômico que estabelece os vários níveis de indiferença é baseado na relação maior satisfação do consumidor x menor custo.

7. Taxa Marginal de Substituição e Utilidade Marginal

Segundo essa teoria, diferentes combinações de mercadorias podem proporcionar o mesmo grau de utilidade, ao consumidor. Conforme o comportamento dos preços, uma mercadoria pode ser substituída por outra, numa certa quantidade, dando o mesmo grau de satisfação ao consumidor.

Primeiro vamos “traduzir” o conceito aqui envolvidos. O termo utilidade identifica a satisfação que determinado bem ou serviço proporciona ao seu comprador. Utilidade marginal significa o limite dessa satisfação, até onde essa satisfação vai, isto é, até o ponto onde ela começa a decrescer. Marginal, então, identifica cada unidade de um mesmo produto que é adquirido por um mesmo comprador e, por extensão, por toda a sociedade. Então utilidade marginal decrescente é a lei econômica que estuda o limite da satisfação das pessoas, proporcionada por uma determinada mercadoria. Esclarecendo melhor ainda: à medida que uma pessoa compra unidades adicionais de um produto qualquer, a posse dessa quantidade tende a aumentar sua satisfação. Ao atingir um determinado nível, esta satisfação começa a diminuir, podendo até se transformar em uma utilidade negativa. Tomemos como exemplo uma pessoa que não possua nenhum par de calçados. Ao adquirir o seu primeiro par, a utilidade que estes sapatos lhe proporcionarão será de 100%, pois sempre que precisar andar com sapatos terá que usar o único par que possui. Se comprar um segundo par, a utilidade média deste será de, no máximo, de 50%; se comprar um terceiro, será de 33,33% e assim por diante. Além do mais ele passará a ter despesas com a guarda e conservação dos sapatos, mesmo que não os utilize. Quanto maior a quantidade extra possuída, menor a utilidade marginal adquirida. Assim, quando uma mercadoria atinge o limite de satisfação dos seus consumidores, há uma retração de compradores.
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Quarta Aula:

TEORIA DO COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR

1. Maximização da Satisfação

O consumidor procura empregar sua renda (sempre limitada) em bens e serviços que lhe dêem o máximo de satisfação. Isto é, o consumidor organiza suas compras de forma a obter o maior benefício, com uma renda que lhe é limitada.

2. Renda limitada

Se cada consumidor tivesse uma renda monetária ilimitada, inesgotável, não existiria o problema de “economizar”, nem existiria a economia como ciência. Mas, como isso é irreal, as pessoas são compelidas a determinar uma linha de comportamento à luz de recursos financeiros limitados. Para a teoria do comportamento do consumidor isso significa que cada consumidor dispõe de um montante máximo que pode gastar em cada período de tempo. O problema do consumidor é gastar esse montante de forma a tirar o melhor proveito.

Se só houver dois produtos, X e Y, a demanda de um consumidor estará limitada à sua renda (M) e seu potencial de compra estará limitado ao preço (P) dessas mercadorias. Assim:

M > ou = X . Px + Y . Py

Somente para efeito deste cálculo, a poupança pode ser considerada um bem ou serviço disponível ao consumidor.

3. Deslocamentos no Orçamento

Consideremos um aumento ou uma redução na renda real do consumidor.

Um aumento na sua disponibilidade lhe dará condições de comprar mais produtos X, produto Y ou os dois, desde que o aumento marginal de suas compras seja igual ao acréscimo de sua renda.

Um decréscimo de sua renda real lhe forçará a diminuir as quantidades compradas do produto X, do produto Y ou dos dois, na mesma proporção do decréscimo de sua disponibilidade.

DM = D (Px + Py)

A maior utilidade marginal é que fará o acréscimo ou a redução das quantidades compradas de X e Y.

NOTA: Somente os preços relativos são relevantes no processo de tomada de decisão do consumidor, isto é, o poder de compra da moeda e os preços reais (relativos) das mercadorias. Preços e renda nominais não alteram o quadro inicial.

4. O Equilíbrio do Consumidor

Todas as cestas de bens do espaço-mercadoria são disponíveis para o comprador, no sentido de que ele possa comprá-las, caso queira. Entretanto, há a sua limitação orçamentária, de renda limitada. Por isso, o consumidor deve selecionar as cestas de bens mais preferidos, em seu limite orçamentário.

5. A Parte relevante do Espaço-Mercadoria

Existe uma limitação básica ao consumidor: sua escolha tem que ser realizada dentro do seu espaço-orçamento. As variações e mutações possíveis são resultantes das curvas de indiferença do consumidor para com determinados produtos.

6. A Maximização de Satisfação é limitada pela Renda Real

A maximização da satisfação de um consumidor se dá, levando-se em consideração sua renda real (poder de compra) e suas preferências e indiferenças individuais. Assim, seu poder de satisfação é uma junção entre suas limitações orçamentárias, preferências e indiferenças pessoais, para com os bens e serviços ofertados pelo mercado.

A substituição de um produto por outro decorre da reação do consumidor, face ao preço desses produtos e sua “taxa marginal de substituição”.

Exemplo 1: X = 2Y [Taxa marginal de substituição = 2]

Exemplo 2: X = W [Taxa marginal de substituição = 1]

No exemplo 1, para substituir uma unidade do produto X o consumidor necessita de duas unidades do produto Y. No exemplo 2, para substituir o produto X é suficiente somente uma unidade do produto W.

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Quinta Aula:

TEORIA DO PRODUTOR

1. Os agentes econômicos

As sociedades economicamente organizadas possuem dois agentes econômicos privados, que fazem contraponto entre si ao mesmo tempo em que se complementam: de um lado temos o consumidor e do outro temos o produtor. A atuação econômica do agente consumidor é adquirir bens e serviços finais. Por outro lado, a função econômica do agente produtor é elaborar esses bens e serviços.

O agente produtor nada mais é do que o conjunto das empresas que compõem o Aparelho Produtivo da sociedade. Por isso é que a Teoria do Produtor é também chamada de Teoria da Firma, pois que, predominantemente, o ato de produzir é executado em empresas juridicamente organizadas.

O objeto da Teoria da Produção é estudar os problemas da elaboração das mercadorias, dos custos da produção e dos rendimentos das empresas. Por sua vez, cada um desses aspectos é analisado sob a ótica de uma teoria própria.

2. Noção e definição de empresa

Toda produção ocorrer no âmago, dentro do Aparelho Produtivo; assim consideradas todas as organização (de qualquer tamanho ou espécie), que tenham por objetivo elaborar qualquer mercadoria ou prestar qualquer serviço. Integram o Aparelho Produtivo, como “empresas”, as fabricam de automóveis, os hospitais, as construtoras, as indústrias de qualquer natureza, as fazendas agrícolas, os profissionais liberais (contadores, dentistas, advogados, etc.), os artistas, os vendedores ambulantes que trabalham por conta própria, enfim, todas as unidades onde uma ou mais pessoas se dediquem a produzir algo para vender no mercado.

Essas unidades são que empregam os Fatores de Produção pertencentes às Famílias, organizando e estruturando a forma de seu uso, em troca de uma remuneração paga aos seus proprietários, que varia em função do mercado de fatores. Cada “empresa” tem a sua própria estrutura de capita, de mão-de-obra, de tecnologia e de recursos da natureza, que interagem entre si, dando uma característica única a cada unidade de produção.

Assim, uma empresa é uma unidade que tem por objetivo: produzir mercadorias a serem ofertadas ao mercado, com a maximização dos seus resultados, em termos de produção e lucros. Para produzir bens e serviços, a empresa usa os Fatores de Produção disponíveis no mercado; para maximizar sua produção, a empresa procura reduzir o desperdício de fatores e outros insumos; para maximizar seus lucros, a empresa procura distanciar o preço de venda de seus produtos dos custos desses mesmos produtos.

Os conceitos da Teoria do Produtor nem sempre coincidem com os conceitos jurídicos ou contábeis. Se juridicamente somente são consideradas empresas as que são o resultado de um contrato entre cotistas ou acionistas, aqui são consideradas estas e mais aquelas sem organização formal. A forma como uma empresa é organizada não possui nenhuma relevância para a Teoria do Produtor. A idéia essencial é que a empresa é uma unidade voltada para a produção racional de qualquer tipo de bens e serviços.

3. Componentes da Teoria do Produtor

Para melhor compreender a Teoria do Produtor, há que se entender alguns dos elementos que lhe dão sustentação, alguns dos seus componentes:

3.1 O empresário

O empresário nada mais é do que a pessoa que dirige os destinos da empresa. Cabe a ele decidir o que, como, quando e quanto produzir. Essas suas decisões é que resultam em lucro ou prejuízo. Suas atitudes é que decidem a ampliação ou a redução dos negócios; a continuidade da empresa ou sua extinção. Nas pequenas empresas o empresário se confunde com o “dono” do negócio, que também é o seu administrador. Nas grandes organizações nem sempre isso acontece. Nelas é difícil identificar quem é “o” ou “os” empresários, pois as decisões são tomadas por um colegiado diretivo, muitas das vezes composto por um Conselho de Administração e uma Diretoria Executiva.

3.2 Os insumos

São todos os elementos (bens e serviços) que são utilizados no processo produtivos e que sofrem alterações de forma e/ou conteúdo, que resultam em mercadorias diversas dos elementos iniciais. Considera-se, pois, como insumos tudo o que é empregado no processo produtivo das empresas, inclusive os Fatores de Produção (trabalho, recursos da natureza, capital e tecnologia).

Considerando-se inalterados os demais elementos envolvidos no processo produtivo, os insumos são identificados e classificações da seguinte forma:

a) Identificação – Os insumos distinguem-se entre si, ao pertencerem a uma das duas categorias a seguir:

• Primários – São aqueles de existem independentemente da ocorrência de um processo produtivo anterior, tais como o trabalho não especializado, e os elementos dos reinos animal, vegetal e mineral, estes últimos gerados espontaneamente pela natureza.

• Secundários – São aqueles que resultam de um processo elaborativo, para que a sociedade possa deles dispor. Neste caso estão o capital, a tecnologia, o trabalho especializado e toda e qualquer matéria-prima que tenha sido fruto de um processo produtivo, tais como o trigo plantado pelo homem, qualquer minério que já tenha sido objeto de extração, produtos semi-elaborados como o ferro gusa, etc..

b) Classificação – A Microeconomia classifica os insumos em quatro categorias básicas:

• Critério da Variabilidade – Esse critério classifica os insumos em dois tipos: os insumos fixos e os insumos variáveis. Os insumos fixos são aqueles cuja quantidade utilizada no processo produtivo permanece inalterada, quando se altera a quantidade da mercadoria produzida. Os insumos variáveis, por sua vez, são os que têm alterada a quantidade usada, sempre que se altera a quantidade da produção. No primeiro caso temos os prédios e as máquinas das empresas industriais; no segundo temos as matérias-primas básicas. Há que se considerar que, em períodos longos, todos os insumos utilizados no processo produtivo são enquadrados como insumos variáveis.

• Critério da Disponibilidade – Por esse critério, os insumos são divididos em limitados e ilimitados. No primeiro caso estão aqueles cuja quantidade ofertada é inferior às necessidades do mercado e que, por isso mesmo, são objetos de pressão altista nos preços. Os insumos ilimitados são os que são ofertados em quantidades superiores às demandas pelas empresas.

• Critério da divisibilidade – Classifica os insumos em divisíveis e indivisíveis, quando de sua utilização no processo produtivo. Os insumos divisíveis permitem o seu uso em proporções iguais às necessidades dos processos elaborativos dos bens e serviços. O trigo é usado em quantidades diferentes, para produzir quantidades diferentes de pão, porém sempre na mesma proporção. Já os insumos indivisíveis não possuem essa elasticidade. Sua quantidade permanece inalterada, mesmo que alterada (para mais ou para menos) a quantidade de mercadorias produzidas. O forno de uma padaria é sempre um para produzir uma quantidade menor ou maior de pão. Há apenas um uso mais ou menos intensivo, por menor ou maior tempo, de um mesmo forno.

• Critério da Durabilidade – Os insumos também são classificados em duráveis e não duráveis ou fungíveis. Um insumo durável é aquele utilizado inúmeras vezes no processo produtivo, sofrendo desgastes imperceptíveis cada vez que é usado. As máquinas das indústrias se desgastam em pequena parte, cada vez que são utilizadas para produzir algo; as tecnologias têm um tempo relativo de uso, antes de ficarem desatualizadas. O forno de padaria é um insumo durável. Já os não duráveis se exaurem, se esgotam, no próprio ato de se produzir algo, ao se gastarem no processo ou serem incorporados no produto. A energia elétrica usado pelo forno da padaria é gasta ao se produzir o pão; o trigo fica incorporado no próprio pão.

3.3 A produção

O que se entende por produção em microeconomia? Donald S. Watson responde a esta pergunta dizendo que produção “é a transformação de bens e serviços em outros bens e serviços”. Entretanto é importante que se entenda que o conceito de produção não identifica apenas a transformação “física e material” de objetos tangíveis. Seu sentido é mais amplo, abrangendo também a oferta de serviços em geral, nos setores os mais diversos, tais como transportes, engenharia, saúde, educação, bancos, comércio etc.

3.4 Custo da Produção

A realização da produção implica em despesas para as respectivas empresas. Essas despesas são decorrentes dos custos dos insumos necessários para a obtenção dos produtos dessas empresas, insumos esses que são adquiridos no mercado, por preços que obedecem aos níveis de pressão da oferta e da procura.

NOTA: O custo de produção de uma empresa é o resultado da soma de todos os custos de cada um dos insumos, nas quantidades necessárias para produzir uma quantidade determinada de um dado produto, considerando-se a combinação de insumos mais recomendada economicamente.

Quanto à classificação, os custos dividem-se em fixo e variáveis. Os primeiros correspondem à parcela dos custos totais da produção, que não dependem da quantidade produzida. Representam os gastos efetuados com os insumos fixos e com outros que também permanecem inalterados, quando variam as quantidades produzidas, tais como certos impostos (IPTU, por exemplo), certos gastos com mão-de-obra (pró-labore da Diretoria), etc. Os custos variáveis – também uma parcela dos custos totais da produção – representam os dispêndios que oscilam de acordo com a variação da produção. Esses custos correspondem aos gastos com os insumos variáveis, tais como matéria-prima e componentes indiretos.

4. O rendimento e a renda

A existência das empresas tem por objetivos o alcance dos resultados economicamente positivos. Sendo mais claro: as empresas buscam lucros, como resultado de seus esforços. Esta é a própria razão e dinâmica do mundo dos negócios e o gerador do desenvolvimento econômico, científico e social da humanidade, independentemente no regime vigente e do nome que se dê ao lucro.

A efetivação do lucro é um processo que se inicia no momento da realização das vendas, quando a empresa recebe rendimentos que é algo muito diferente de renda. Rendimento é o resultado da multiplicação do número de unidades vendidas, pelo preço unitário de venda. Assim podemos dizer que o rendimento de uma empresa é o seu faturamento.

A renda de uma empresa é aquilo que significará a remuneração que a empresa pagará aos proprietários do Fator Capital utilizado por essa mesma empresa. Como a remuneração do Fator Capital é o lucro, então a renda de uma empresa é o lucro que ela obtém com suas atividades, em um determinado período de tempo. E como se evidencia o lucro? Partindo-se dos rendimentos (valor total das vendas), deduzem-se todas as despesas fixas e variáveis (inclusive impostos e provisões), para se chegar ao lucro do período. Esse é um exercício para os Contadores.

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Sexta Aula:

TEORIA DA PRODUÇÃO

1. O que é Produção

Até há pouco tempo a definição de produção era de que produção é “a criação de utilidade”. Por sua vez, utilidade era definida como “a capacidade de um bem ou serviço satisfazer uma necessidade humana”.

Essa definição é demasiada ampla, por englobar todas as atividades da economia – fabricação de bens materiais e de serviços. No primeiro caso, é fácil identificar os insumos utilizados no seu processo de elaboração, o que não acontece na preparação de serviços.

Enquanto o conceito de produção, em seu sentido global, se refere aos bens e serviços, esse mesmo conceito é mais claro quando falamos apenas em bens. É mais simples quantificar e qualificar os insumos usados por uma fabrica do que os usados por uma peça de teatro.

Todo ato de produção requer:

a) Trabalho humano – físico ou intelectual.
b) Capital – na forma de equipamentos, imóveis, meios de transporte, recursos financeiros etc.
c) Tecnologia – nos mais variáveis níveis, de acordo com o “estado da arte”.
d) Recursos da natureza – matérias primas básicas e semi-elaboradas – essas últimas originalmente também básicas.

2. O conceito teórico

A teoria da produção consiste em uma análise, de como a empresa produtora combina os vários insumos para obter o seu produto final.

O enfoque que aqui se dá é somente na produção de bens, portanto atividades primárias e secundárias. Não se deve esquecer, entretanto, de que, para a sociedade, não é menos importante a produção de serviços, principalmente para as pessoas que estão na faixa etária que mais os usa – menos de 20 e mais de 60 anos.

3. Produção com insumos fixos e variáveis

A teoria dos custos consiste em uma análise dos custos de produção – os custos são determinados em função da produção e refletem-se nas “curvas de custos”.

Os processos de fabricação exigem vários tipos de insumos e muitos deles são variáveis, de acordo com a demanda da produção. Para nosso estudo, vamos admitir uma abstração, ou seja, que exista somente um insumo variável. Vamos admitir, também, que esse insumo variável é combinado – em diferentes proporções – com um insumo fixo, para se produzir várias quantidades de bens. Nosso exemplo será baseado na produção agrícola, em que:

• Insumo Fixo = Terra
• Insumo Variável = Trabalho
• Os Insumos podem ser combinados em quantidades diferentes, para produzir uma mesma mercadoria.

Os Insumos fixos são aqueles cujas quantidades não podem ser facilmente aumentadas ou diminuídas, em decorrência de mudanças do mercado. Exemplo: fábricas, máquinas etc.

Os insumos variáveis são aqueles cujas quantidades utilizadas podem ser facilmente alteradas, em resposta as tendências do mercado. Exemplo: mão-de-obra, insumos básicos, matérias primas semi-elaboradas etc.

4. Conceito de curto e longo prazos

É bastante difícil se estabelecer se um dado insumo tem características de curto ou longo prazos. Todavia há meios para fazer sua classificação, do ponto de vista econômico.

a) Curto Prazo é o período de tempo no qual um determinado insumo é fixo, quantitativamente. As variações nas quantidades produzidas devem ser resultantes tão somente das variações havidas no volume dos insumos variáveis. Assim, no nosso exemplo se o produtor quiser produzir mais, terá que usar mais horas de trabalho com a mesma quantidade de instalações (terra) disponíveis. Em outras palavras, no curto prazo, o produtor somente é capaz de expandir sua produção operando as mesmas instalações durante mais horas por dia. Da mesma forma se dá a redução do nível da produção; isso é obtido pela diminuição das horas trabalhadas ou pela dispensa de alguns trabalhadores. A empresa não pode, imediatamente, vender suas instalações, sem perder grande parte do seu valor.

b) Longo prazo é o tempo futuro, no qual todos os insumos são variáveis. Portanto é nesse tempo que todas as alterações de insumos podem ser realizadas, sem prejuízos para o produtor. Por exemplo: no longo prazo poderá ser mais recomendável adquirir instalações adicionais do que trabalhar com horas extras. No nosso exemplo, estamos envolvidos com uma produção de curto prazo, pois há insumos fixos (terra) e variáveis (mão-de-obra).

5. Produção com insumos de proporções fixas e variáveis

No nosso exemplo há o uso de uma quantidade fixa de um insumo e um montante variável de outro, objetivando-se conseguir quantidades diversas de produção. Isto é, nesse caso há a possibilidade de se produzir, com proporções variáveis de insumos. Se as proporções entre as quantidades dos insumos podem variar, o produtor pode determinar:

• O nível (quantidade) de produção desejada.
• A proporção ótima da combinação (mistura) dos insumos, destacadamente de longo prazo.

Existem duas formas para se determinar as proporções variáveis:

• A proporção do uso de um insumo é alterada e a de outro permanece a mesma. Isto é, a produção muda pela alteração do montante de somente um dos insumos. Geralmente a variação se dá no insumo de curto prazo.

• O mesmo produto pode ser obtido por várias combinações de insumos, ou seja, por diferentes proporções dos seus insumos. No curto prazo ocorre quando se usa mais de um insumo variável.

Existem casos extremos em que a produção de um bem somente se consegue com montantes constantes dos insumos utilizados. Nesse caso teremos o que se chama de proporções fixas. Se a produção é aumentada ou reduzida, todos os insumos crescem ou diminuem, na mesma proporção. Exemplos de proporções fixas são difíceis de encontrar.

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Sétima Aula:

TEORIA DO CUSTO

1. Isoquantas e isocustos

As estruturas dos recursos físicos (capital) dos meios de produção e sua tecnologia, o custo dos insumos e a conduta empresarial do produtor, determinam o custo de produção de determinada empresa.

É a função produção que evidencia os quadros de isoquantas (as possíveis combinações de insumos, para a obtenção de um mesmo nível de produção) e isocustos (preços relativos dos insumos, em determinadas combinações do processo produtivo).

1.1 Isoquantas

É chamada de isoquantas a função empresarial que determina a produção de forma que, se eficiente, permite se obter um dado nível quantitativo com tal combinação de insumos, de forma a igualar as substituições técnicas possíveis às variações dos preços dos insumos.

O sistema isoquantas resulta no estudo que evidencia as diferentes formas possíveis de combinações de insumos, usadas para produzir a mesma quantidade de produto. A forma ou o perfil de uma isoquanta depende essencialmente do grau de substituição existente dos fatores de produção usado na elaboração de determinado bem ou serviço. Quando o grau de substituição entre os esses fatores é perfeito, tem-se uma isoquanta livre. Quando não há um grau perfeito de substituição, a isoquanta é tida como isoquanta semidependente. Quando não há possibilidade de substituição dos insumos, a isoquanta é classificada como dependente.

As empresas trabalham com um conjunto de isoquantas, cada uma delas representando determinado um nível de produção, nível esse que é mais que derivado, é determinado, pela combinação especifica de insumos usados em cada fase do processo ou setor da empresa.

Em função da variação da quantidade de insumos utilizados no processo de produção – composto pelos diferentes conjuntos de isoquantas –, é possível se identificar três tipos de rendimentos de escala:

a) Os rendimentos crescentes.

b) Os rendimentos constantes.

c) Os rendimentos decrescentes.

1.2 Isocustos

Isocusto é uma matriz de custo, evidenciada pelo estudo (projetado ou real) das varias matrizes de isoquantas empregadas pelo produtor.

Os custos dos insumos influenciam nas decisões de produção das empresas, pois os custos determinam o que e quanto será produzido. A Microeconomia procura explicar se, ao decidir pela produção em um determinado nível, quanto de cada insumo representaria uma decisão que maximizasse o lucro. Entretanto os custos dos insumos se apresentam com diversos formatos e envolvem volume, qualidade, modalidade de pagamento e prazos, todos com variáveis diferentes. Por outro lado, é preocupação do produtor saber o custo unitário, o custo médio e o custo total do seu produto. Há, pelo menos, dois aspectos a considerar:

a) Custos a serem considerados – Na análise do comportamento dos custos de produção, devem ser levados em conta aqueles que são relevantes para o processo de elaboração do bem ou serviço.

b) Custos Econômicos versus Custos Contábeis – As Ciências Contábeis tratam os custos de forma diferente das Ciências Econômicas. Os contadores se preocupam com os registros dos custos efetivamente realizados em um determinado exercício, bem como o lucro contábil e a respectiva tributação. Os economistas se preocupam com a perspectiva dos custos, o custo do capital próprio e com as oportunidades perdidas. Assim, uma empresa pode apresentar lucro contábil e, ao mesmo tempo, ter lucro econômico zero.

Os insumos possuem preços que representam custos, a escolha da combinação dos insumos e da quantidade de produção se dá no pressuposto da racionalidade do produtor, que teria interesses em maximizar seus benefícios. Assim, o empresário pode se deparar com dois tipos de situações envolvendo suas decisões em produção:

a) Maximizar a produção, visando a redução dos custos, coma economia de escala.
b) Minimizar os custos, tendo como conseqüência um determinado nível de produção.

Na primeira situação de decisão de produção, a empresa possui como restrição um valor que pode ser o máximo de seus custos, ou seja, a decisão de aquisição dos insumos dependerá de seus preços e, portanto, de quanto irá custar. Na segunda situação, a empresa se defronta com o problema de minimizar seus custos dado um determinado nível de produção.

Se cada nível de produção e cada combinação de insumos têm custos diferentes, é a função empresarial que deve achar o custo ótimo.

2. O Custo social da produção

De que se constitui o autêntico custo de produção? Existem duas respostas desta questão:

Os economistas se interessam principalmente pelo custo social da produção, isto é, o custo que uma sociedade suporta quando seus recursos são usados para produzir uma dada mercadoria. Em qualquer tempo, uma sociedade possui uma reserva de riquezas, pertencentes a proprietários privados ou à coletividade, ao governo. Do ponto de vista social, o objetivo da atividade econômica é obter o máximo possível desse conjunto de reservas. Naturalmente, o que é possível depende não somente da eficiência e da plena utilização dos recursos, mas, também, do tipo de bens que se queira produzir.

NOTA: O custo social da utilização de uma cesta de recursos para produzir uma unidade de mercadoria X, é um número de unidades da mercadoria Y que devem ser sacrificadas no processo. Os recursos podem usados para produzir X e Y e todas as demais mercadorias, porém de maneira excludente. Assim, os recursos usados na produção de X não podem, ao mesmo tempo, ser usados para produzir Y, ou qualquer outra mercadoria.

O custo alternativo ou de oportunidade da produção de uma unidade da mercadoria X é o montante de mercadoria Y que deve ser sacrificado, a fim de que os recursos sejam alocados para produzir X em vez de Y. Este é o custo social da produção de X.

4. O custo privado da produção

Existe estreita relação entre o custo de oportunidade da mercadoria X e o cálculo que o produtor de X deve fazer, para analisar seus resultados. O uso de recursos para produzir X em vez de Y, resulta num custo social e, também, num custo privado, este de responsabilidade única do empresário.

O Custo Privado da produção é evidenciado, sob três ângulos:

1. Custos explícitos – Estes são a soma dos valores pagos pela empresa para aquisição dos bens, serviços e Fatores necessários à fabricação de seus produtos. Aqui estão incluídos matéria-prima, salários, impostos, provisões, etc.

2. Custo implícito – O Custo implícito consiste no montante evidenciado pela diferença entre o lucro contábil da empresa e o lucro que ela poderia ter obtido, na melhor alternativa de uso dos seus recursos (por exemplo, se tivesse reduzido seus custos explícitos, aumentado ou diminuído o volume da produção, aplicado seus recursos em outro ramo de negócio, comprado ações, debêntures etc.).

3. Lucro econômico – Quando a receita da empresa é superior a soma dos seus custos explícitos e implícitos, ela obter lucro econômico. Este serve para medir a eficiência administrativa da empresa, para avaliar como estão sendo empregados seus recursos, seu grau de competitividade no mercado, a dinâmica e agilidade na tomada de decisões etc.

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Oitava Aula:

TEORIA DA DISTRIBUIÇÃO

1. Teoria da Produtividade Marginal

A análise de como ocorre a renda das pessoas e a distribuição da renda em uma sociedade de economia privada é chamada de teoria da produtividade marginal.

Os proprietários de um determinado Fator de Produção são remunerados com um preço unitário igual à receita marginal do produto e, ainda, igual ao valor do produto marginal desse determinado Fator de Produção. O preço de um Fator de Produção não é determinado por uma única empresa do Aparelho Produtivo, que usa esse Fator. É o conjunto de todas as empresas que usam e de todos os proprietários (Famílias) que fornecem Fatores da mesma natureza. Em outras palavras, o valor de um determinado Fator de Produção é uma função da ação conjunta de todos os seus compradores e de todos os seus vendedores; o mercado é quem estabelece o valor, em determinado instante, cada tipo de Fator.

Se a remuneração de um Fator estiver abaixo do que o seu uso poder proporcionar de receita marginal ao Aparelho Produtivo, certamente haverá um acréscimo da procura por esse Fator, o que ocasionará sua escassez. Mantido o preço baixo, as empresas o utilizarão em quantidades cada vez maiores, chegando a um nível de procura que não poderá ser atendido pelas Famílias. A disputa pela quantidade disponível no mercado provocará a elevação da oferta e, também, do preço do fator. Ao subir de preço, o Fator causará um aumento de custo para as empresas que os empregam, provocando o desaparecimento da receita marginal.

Ao aumento de valor, o Fator de Produção pode ver-se numa nova situação:

• Os preços altos atrairão novos fornecedores.
• O aparelho produtivo buscará fatores alternativos

O resultado disso será uma oferta maior do que a procura, isto é, haverá uma quantidade excedente. Essa nova situação provocará dois novos movimentos:

• As empresas somente adquirirão as quantidades necessárias para igualar sua receita marginal ao custo do Fator.
• Os proprietários do Fator de Produção reduzirão seus preços, a fim de garantir o uso do mesmo, pelo Aparelho Produtivo.

Agora temos um movimento inverso. A queda do preço ocasionará a expansão do uso do Fator pelas empresas, chegando novamente ao ponto inicial do processo, quando há um crescimento da demanda e, consequentemente, um crescimento no valor do Fator. O processo é circular: o aumento do preço provoca a diminuição da demanda; a diminuição da demanda provoca a queda do preço; a queda do preço provoca o aumento da demanda.

2. A renda das pessoas

A renda das pessoas deve sempre ser medida tendo por base três elementos:

• Uma unidade de tempo (um período de tempo com início e fim conhecidos).
• Os Fatores de Produção disponíveis.
• Os valores recebidos pelas Famílias, como remuneração dos Fatores de Produção cedidos às empresas.

Portanto, a renda de uma determinada pessoa será a soma de todas as remunerações recebidas, em um determinado período de tempo, por ter fornecido um ou mais de um Fator de Produção ao Aparelho Produtivo. A renda tanto pode ser em forma de salário, de aluguéis, de juros ou de lucro, conforme a natureza dos Fatores de que essa pessoa seja proprietária.

3. A distribuição da renda

Toda discussão sobre a distribuição da renda, inevitavelmente, levanta questões sobre se o nível da distribuição é justo ou injusto; se deveria ser mais eqüitativa etc. Esses conceitos de justiça e eqüidade embora próprios e objetos da Teoria da Distribuição estão sempre embasados em juízos de valor, que significam coisas diferentes para diferentes indivíduos. As causas das diferenças de renda e o que provoca essas diferenças é o objeto de nossos estudos.

Quando são analisados os diferentes patamares de renda da sociedade, via de regra somente se entende os diferentes níveis como unidades consumidoras, ou seja, evidencia-se grupos ou classes de consumidores. Entretanto, em um mesmo grupo de consumidores há diferentes níveis de renda, originados pela própria formação heterogênea dos grupos, pelos seus diferentes tamanhos, pela sua composição etc. Por isso, mesmo quando há igualdade entre grupos da mesma classe ou nível, há diferenças de renda entre os indivíduos que compõem esses grupos.

As unidades consumidoras podem ser de tamanhos os mais diversos. Pode ser uma pessoa solteira ou uma unidade familiar composta de duas ou mais pessoas. Qualquer que seja sua composição ou tamanho, conceitua-se a unidade consumidora (o agente consumidor) como Família, a qual deve ser entendida como pessoas que compartilham um mesmo orçamento, para as mesmas despesas.

4. Causas das diferenças de renda

Há duas causas para a existência de rendas diferentes, entre as pessoas que formam a sociedade:

• Diferença nas quantidades e qualidades dos Fatores de Produção, possuídos pelas Famílias.

• Diferença nos valores recebidos como remuneração desses Fatores.

As quantidades e qualidades dos Fatores possuídos são as maiores causas das diferenças de renda. Entretanto, a variação no nível das remunerações dos Fatores deve sempre ser considerada, pois ela ocorre em função do desempenho de cada possuidor de um determinado Fator de Produção e do sistema de preços imposto pelo mercado.

5. Diferença de renda do Fator Trabalho

O trabalho é o resultado do esforço humano, que assume características herdadas e adquiridas pelo seu executante, pela pessoa que realiza o trabalho. Por isso não há uma homogeneidade do Fator de Produção Trabalho, pois existem trabalhos de qualidade e em quantidade diferentes. Da mesma forma não existe uma só forma de rendimento originado deste Fator. Formas diferentes de trabalho geram rendimentos diferentes.

As diferenças de rendimento do Fator Trabalho podem ser classificadas em dois grupos, a saber:

a) Diferenças horizontais – Se considerarmos pessoas pertencentes a um mesmo grupo de profissionais, essas podem ter rendimentos diferentes, em razão de três causas:

• Quantidade – Algumas pessoas executam o mesmo trabalho, porém em quantidade diferente. Os que trabalham mais horas, dias, meses ou anos ou que são mais rápidas na execução das suas tarefas, ganham mais do que as outras.

• Qualidade – Algumas pessoas têm mais habilidade e executam trabalho de melhor qualidade. Em conseqüência, o trabalho dessas pessoas é mais rentável, pois são disputadas pelos empregadores do mercado de trabalho.

• Valor – Em determinadas circunstâncias, quando há uma procura localizada por um determinado tipo de trabalho, em quantidade maior do que a oferta existente no local, paralelamente há uma valorização desse trabalho específico. Quando isso ocorre, o mercado elevará a remuneração do Fator Trabalho, acima do patamar normal de preço.

b) Diferenças verticais – Os diferentes grupos profissionais, que congregam cada um deles pessoas de profissionais da mesma categoria, representam por si mesmo diferentes classes de percepção de rendimentos do Fator Trabalho, que dão origem as diferenças na renda entre esses grupos. Entretanto, entre as pessoas integrantes do mesmo grupo há diferenças de renda. Essas têm origem em dois fatores:

• Aptidões naturais – O número limitado de pessoas com as características físicas e mentais necessárias para a execução de determinados trabalhos, principalmente os de alto nível.

• Aptidões adquiridas – O número também limitado de pessoas com os conhecimentos e treinamentos necessários para determinadas função, ainda principalmente os de alto nível.

As diferenças do Fator Trabalho originadas por características físicas e mentais – com aquelas que nascem com as pessoas – não podem ser facilmente modificadas. Já os conhecimentos e treinamentos são características que as pessoas podem adquirir. Entretanto, são os indivíduos nascidos de famílias ricas que têm mais condições e oportunidades de obter essas características, ao contrário das pessoas de baixa renda que, além do mais, não têm acesso aos ambientes sociais e culturais necessários à ascensão aos altos níveis de ganho. As profissões mais remuneradas são aquelas que exigem longos e caros períodos de aprendizado escolar, somente acessível às pessoas de famílias de poder aquisitivo alto, por posição social ou por herança.

Aqui se pode identificar:

• Uma escassez de Fator Trabalho com alto nível de especialização, exigido para o desempenho de tarefas de alto nível, que geram as melhores remuneração.

• Uma alta oferta de Fator Trabalho, com baixo nível de especialização, que geram as menores remunerações.

6. Diferença de renda do Fator Capital

Tal como acontece com o trabalho, registram-se grandes diferenças nos rendimentos gerados pela propriedade do Fator de Produção Capital. Há causas de origem, circunstanciais e de comportamento, conforme segue:

6.1 Origem

Considera-se causas de origem a maneira como as Famílias (e as pessoas) se tornaram proprietárias de Bens de Capital ou Capital Financeiro. Diferença nas quantidades de Capital, herdadas ou recebidas por doação, ocasionam disparidade na renda das Famílias.

O instituto da propriedade privada, em que se apóia o regime de maior sucesso econômico, o regime capitalista, está ligado às leis de herança, pelas quais a propriedade dos Fatores de Produção tangíveis (capital, tecnologia e recursos da natureza) acumulados por uma pessoa possa ser transferida aos seus herdeiros.

Assim, a origem diferencia a renda. Um filho de um bóia-fria, mesmo que tenha inteligência e aptidões iguais ou mesmo superiores às que tenha um filho de pai rico, contribuirá menos que o primeiro para o processo produtivo e, conseqüentemente, também receberá menos rendimentos que ele pelo Fator Capital (se tiver algum).

6.2 Circunstâncias

O acaso, a sorte ou outras circunstâncias fortuitas, que não dependem da ação das pessoas, podem alterar as rendas de Capital das Famílias. Vejamos alguns exemplos:

• A descoberta de minérios raros e/ou caros em determinadas terras, sempre provoca a elevação de seus preços a patamares muito superiores aos ocorridos anteriormente.

• O acerto em loterias e em outros tipos de jogo de aposta.

• Mudanças nas tendências de mercado podem valorizar ou desvalorizar algumas espécies do Fator Capital. O exemplo mais típico seria a valorização de algumas áreas urbanas e a desvalorização de outras.

6.3 Comportamento

Diferentes capacidades financeiras e propensões psicológicas a acumular, resultam em diferentes estágios e em diferentes quantidades de propriedade de Capital, entre as Famílias. A capacidade de acumular depende em grande parte da existência e da quantidade de propriedades inicialmente pertencentes a uma Família. Há necessidade que já se tenha algo acumulado, para se poder acumular mais ainda. Quanto maior a renda e a propriedade, menor o seu comprometimento com as necessidades de consumo da Família sua proprietária, conseqüentemente maior será sua propensão a poupar, a aumentar o seu Fator Capital.

O processo de acumulação do Capital pode ser iniciado com as rendas do Fator Trabalho ou de outro Fator de Produção, desde que esses gerem rendas além das necessidades de consumo.

7. Manipulação dos preços dos fatores

Alguns grupos sociais organizados possuem instrumento de pressão sobre a sociedade como um todo, de modo a valorizar os Fatores de Produção de que são proprietários. Essa manipulação dos preços é, também, uma forma de distribuição de renda.

Temos alguns exemplos desses grupos de pressão: os trabalhadores pertencentes aos sindicatos mais fortes, quer por sua organização.



Alguém nos encontrou com os seguintes termos de pesquisa:

  • economia aplicada a administração