E Macro? O que é Macroeconomia?

Tomislav R. Femenick
Tribuna do Norte
. Natal, 11 set.2011.
Gazeta do Oeste
. Mossoró, 10 set. 2011.

Em meu artigo anterior (O que é Microeconomia?) abordei a divisão das Ciências Econômicas em duas grandes partes e foram explicadas as funções da microeconomia. Hoje, falaremos do outro lado da moeda, a macroeconomia.

As teorias macroeconômicas lidam com o desempenho dos agregados econômicos, tais como o produto, a renda, o consumo e a poupança; esta entendida como toda parte da renda que não é consumida. A macroeconomia aborda, ainda, fatores tais como a formação estrutural, os níveis de produção e de emprego, a taxa de inflação, a regulamentação do comportamento econômico e as tomadas de decisão em níveis local, regional, nacional e mesmo global. Estuda as políticas monetária e fiscal, as taxas de juros, o nível do endividamento público e o comércio internacional.

Os primeiros estudos de macroeconomia foram desenvolvidos pelos fisiocratas, considerados os primeiros economistas a raciocinar em termos científicos. Seus precursores foram Francois Quesnay e Anne-Robert-Jacques Turgot. Outros autores também se dedicaram aos estudos da macroeconomia, quer nas escolas clássica, neoclássica e moderna, destacando-se Adam Smith, David Ricardo, Karl Marx e, principalmente John Maynard Keynes e Milton Friedman.

Na opinião dos professores Sachs e Larrain, “…a abordagem básica da Macroeconomia, portanto, consiste em observar as tendências gerais da economia, em vez de examinar as tendências que afetam isoladamente empresas, trabalhadores ou regiões. Medidas especiais e resumidas da atividade econômica (produto nacional bruto, taxa de poupança, índice de preços ao consumidor) revelam a “grande fotografia” das alterações e tendências. Essas medidas macroeconômicas gerais são a ferramenta com a qual os macroeconomistas analisam as principais alterações, em vez de as influências específicas que afetam somente as partes individuais dessa economia. A Macroeconomia examina a vasta quantidade de dados coletados na maioria das nações para poder compreender as tendências gerais. Na realidade, o moderno campo da Macroeconomia só surgiu na década de 1930, quando estatísticos econômicos começaram a coletar e a publicar o grande conjunto de dados estatísticos usados para descrever o comportamento econômico agregado. Os mais importantes são as contas nacionais, que registram o nível agregado de produção, renda, poupança, consumo e investimento. A compreensão adequada das contas nacionais é a coluna mestre da moderna análise macroeconômica”.

A macroeconomia se divide em duas vertentes: a) Teoria dos Agregados; b) Teoria Geral do Equilíbrio e Crescimento. Por sua vez, a “Teoria Geral do Equilíbrio e do Crescimento” se subdivide em outras quatro: a) Teoria da Moeda; b) Teoria das Finanças Públicas; c) Teoria das Relações Internacionais; d) Teoria do Desenvolvimento.

Na atual crise por que passam as finanças públicas e a produção em todo o mundo, principalmente afetando os Estados Unidos e os países da Europa, as quatro subteorias (se podemos assim chamar) têm assumido um papel cada vez mais relevante, na marcha que os governos fazem em busca de caminhos para “ver a luz no fim do túnel”. Junto com a ação governamental, veio à tona novamente as discussões sobre a Teoria da Moeda e a Teoria do Desenvolvimento.

O foco está centrado nas ideias dos economistas da chamada Escola de Chicago, uma corrente que defende o mercado livre, sem a interferência do Estado. Entre esses pensadores estão quase dez ganhadores do Premio Nobel de Economia, entre eles Milton Friedman, Stanley Becker e George Stigler. Além deles, a lista é ampla. O pensamento da Escola de Chicago foi uma das principais bases do comportamento econômico dos governos de Thatcher, na Inglaterra, Reagan, nos Estados Unidos e Augusto Pinochet, no Chile, com êxitos retumbantes. Mas há praticantes de todos os credos que criticam a Escola de Chicago, com destaque para as esquerdas de todas as nuances.

O certo é que, independentemente das respectivas convicções políticas dos seus dirigentes (Thatcher e Reagan tinham formações democráticas, embora às vezes tomassem posições firmes e duras; Pinochet foi um ditador cruel e sanguinário), esses países foram grandemente exitosos ao seguirem os princípios da Escola de Chicago. Todavia, hoje os tempos são outros e as controvérsias econômicas também. Nada nos garantes que a receita nascida em Chicago seja a melhor indicada para a crise do momento, notadamente quando a presença do governo é essencial para a manutenção da produção, da taxa de emprego e solidez dos bancos (os brasileiros foram salvos pelo PROER, ainda no governo FHC).

 



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