Descobrimento e Colonização da América, Subprodutos do Mercantilismo

Tomislav R. Femenick 
Revista Unibero. São Paulo, Ano V, nº 10, jul-dez. 1999 


O descobrimento, a colonização e a exploração da América, por países europeus, se deu em uma época de profunda transformação na vida do velho mundo. Muito embora o modo de produção predominante na Europa fosse o feudalismo, este já perdia muito de sua rigidez clássica e convivia com situações que lhes eram exógenas, com reflexo em muitos aspectos da vida da época, com variações de nível de pais para pais, de região para região, dentro de um mesmo pais. Pode-se até aventurar-se e dizer que era uma época de anormalidade feudal, que os estudiosos do assunto convencionaram chamar de crise do feudalismo ou, mais apropriadamente, de período de transição do feudalismo para o capitalismo.

Essa transição não foi estática no tempo, não ocorreu somente no decorrer dos séculos XV e XVI. Ela foi dinâmica. Em algumas partes da Europa iniciou-se séculos antes; em outras séculos após; em outras, ainda, no decorrer desses séculos. O importante a destacar é que as infra-estrutura econômica e a supra-estrutura política, social, ideológica, religiosa etc. das potências européias estavam se transformando. Pouco a pouco, a Europa intramuros, da produção para consumo local, do servo da gleba, do senhor guerreiro, da vassalagem, de vida no campo, dava lugar a uma Europa mais aberta, com produção destinada ao mercado, com servos mais livres da tutela do senhor, este já não tanto guerreiro, com
relações já mais abertas, com cidades livres do poder feudal e, principalmente, com uma forte presença do capital comercial. Encontramos nessa época o prenúncio da produção capitalista.

Houve casos onde foram registrados retrocessos em relação à tendência predominante. Na Europa oriental, em algumas localidades, houve um fortalecimento do poder feudal e de suas formas de produção e representação política-ideológica. Não obstante não foram nada mais que situações isoladas e não representativas. Por outro lado, essa tendência de retorno ao feudalismo clássico ocorreu em regiões que não se fizeram presentes nos descobrimentos e colonização do novo mundo e, por conseguinte, não interferem no objeto de nosso estudo.

Alguns aspectos desse período interessa-nos em particular, por terem de certa forma, proporcionado ou interferido nos processos de descobrimento, colonização e exploração da América: a expansão das relações comerciais, a concentração de capitais e o escravismo remanescente.

A Expansão das Relações Comerciais

As relações comerciais, quer utilizando a simples troca de mercadoria ou com a intermediação monetária, sempre existiram e estiveram presente em quaisquer que sejam os modos de produção registrados na história da humanidade. Valor de troca e dinheiro (este último nas mais variadas formas) são conceitos apreendidos e conhecidos nas mais diferentes estruturas sociais, não podendo ser invocados como “evidenciadores” desse ou daquele sistema econômico ou social . O comércio, em maior ou menor grau, neste ou naquele lugar, nesta ou naquela época, sempre esteve presente na Europa feudal. Assim, é errado pensar-se que durante o feudalismo a produção de mercadoria deu-se somente para o consumo local e imediato. Muito embora essa fosse a essência do objetivo da produção, sempre houve uma parcela que extravasava e atingia o mercado, mesmo incipiente que fosse .

Fato destacado aqui é a relevância que tinha o comércio na vida econômica das potências européias nos século
s ora em estudo. Um dos fatos mais importantes, já no século XIV, foi o aparecimento de numerosas sociedades comerciais e o seu rápido crescimento, com criação de filiais, correspondentes e corretores, de forma a se fazerem presentes nas mais diversas regiões. Eram italianos e alemãs, principalmente; porém, o fenômeno também esteve presente na Inglaterra, França, Espanha, Portugal e Holanda .

De certa maneira, as atividades comerciais existentes no ocidente europeu dessa época tiveram como origem o comércio local, o trânsito de mercadoria entre pequenas distâncias e em pequenas quantidades. Com o desenvolvimento natural, chegou-se ao tráfico de longa distância e a quantidades bastante representativas.

Por suas próprias características estruturais e objetivas, essas sociedades mercantis representavam algo realmente novo. Por meio delas o comércio deixou de ser algo esporádico e explorado por mercadores itinerantes. As suas relações com o poder político se intensificaram e se imbricaram, atingindo um estagio em que se transformaram quase que em organismo diretamente para-representativos do Estado, detentores que eram de monopólios e privilégios concedidos pelo poder político.

Chegou-se a um ponto que eram necessárias novas mercadorias, em quantidade cada vez maior, para atender à demanda crescente. Como a expansão do capitalismo mercantil situava-se no domínio da troca (as vezes da pilhagem declarada) e quase nunca no domínio da produção, novos fornecedores e novos mercados tinham que ser abertos, para atender ao desenvolvimento de suas atividades. Da busca desses mercados, resultou o descobrimento da América, como subproduto. E, como disse Marx, “o comércio e o mercado mundial inauguraram no século XVI a moderna história do capital” .

A Concentração de Capitais

A concentração de capitais não ocorreu em decorrência da expansão comercial, somente. A atividade comercial foi apenas um dos muitos fatores que contribuíram para esse fenômeno. Como instrumentador da circ
ulação das mercadorias e da intermediação entre o produtor (externo ou local) e o consumidor, o mercador se apropriava de uma parcela do valor da mercadoria, transferindo para si uma parte do capital existente, em forma de dinheiro. O capital teve uma outra forma de concentração: a usura praticada contra pequenos produtores independentes e a classe feudal decadente.

Essas duas formas de concentração de capitais – a mercantil e a usurária – são formas antigas e não peculiares dos séculos XV e seus precedente e seguintes. Elas já estavam presentes na Antigüidade, inscrevendo-se, por exemplo, na história de Roma. Muito embora a Igreja, com toda sua força e poder proibisse o juro sob todas as formas, o juro usurário (diferente do juro remunerador do capital fornecido como capital potencial) é encontrado em várias fases da história medieval. No tempo de Carlos Magno se cobrava juros de 100%; em Lindau, em 1344, os juros chegavam a 216 2/3%. Dessa forma “a usura, que arruina os ricos proprietários de terras e esgota os pequenos produtores, faz que se formem e se concentrem grandes capitais em dinheiro”. A taxa de juros na Idade Média, no entanto, de forma geral tinha patamares bem mais baixos, ficando em torno de 12% a 14%. No século XV, se registrou uma baixa, ficando em torno de 10% a 5%.

Esse conjunto singular de fatos propiciou a formação das primeiras grandes companhias comerciais, voltadas ao comércio de longas distâncias e em grandes quantidades, companhias essas quase sempre com características marítimas. Mas, qual era o quadro geral da Europa às vésperas ou nos primórdios dos grandes descobrimentos marítimos?

Na região nórdica, a hansa alemã, representativa de setenta cidades, impõe-se nas regiões do mar Báltico e no norte da Noruega e penetra na Europa oriental. Entretanto no século XV, ingleses e holandeses já tinham conseguido se infiltrar nesse verdadeiro domínio colonial alemão.

Venezianos e genoveses disputavam entre si o comércio com o oriente, via Império Bizantino, atingi
ndo a Síria, o Egito e até o Mar Negro, o Cáucaso e o Mar Cáspio, onde já tinham chegado séculos atrás. Com a queda de Constantinopla em poder dos otomanos, as cidades italianas tiveram que redirecionar seu comércio para rotas intra-européias.

Na Inglaterra, nada menos de 8 grandes companhias de comércio internacional foram fundadas entre o fim do século XV e 1600, ou seja, em pouco mais de 100 anos . Se considerarmos que praticamente não existiam sociedades similares antes delas, dá para se mensurar sua importância para a vida econômica inglesa da época.

A Península Ibérica

Caso singular era dos países Ibéricos, Portugal e Espanha. Livres das campanhas pela Reconquista de seus territórios, antes ocupados pelos muçulmanos, com uma peculiar concentração de poder nas mãos dos reis de Portugal e Castela, os portugueses e espanhóis se lançaram ao mar em busca de novas terras e conquistas.

Os ibéricos, espanhóis e portugueses, foram os descobridores e os primeiros colonizadores da América, criando moldes que serviram aos seus seguidores ingleses, franceses, holandeses, suecos e dinamarqueses. Antes da América, os ibéricos já haviam colonizado as ilhas atlânticas e os portugueses já exploravam as costas ocidentais da África e preparavam-se para adentrar no Oceano Índico . Essas descobertas fizeram parte e eram resultantes da expansão comercial européia que, no século XV, havia sido tolhida pelas invasões turcas, que interromperam a rota oriental de abastecimento de produtos (inclusive manufaturas) que tinham alta demanda na Europa de então. Note-se, no entanto, que a abertura das novas rotas marítimas por Portugal não foram resultantes tão somente da ruptura da “via Constantinopla”. De certa forma eles se anteciparão às invasões otomanas em um quarto de século . Assim, há duas razões para que nos demorarmos a analisar esses povos, os espanhóis e portugueses. Primeiro, por sua primazia como descobridores e colonizadores da América e norteadores das normas da colonização das outr
as metrópoles que lhes seguiram os passos. Segundo, e principalmente, pela posição singular que ocupavam na Europa no final do décimo quinto e inicio do décimo sexto século. Econômica, política e socialmente os ibéricos diferiam dos outros povos europeus. Diversos fatores contribuíram para que ocorressem essas diferenças, entre os quais destacam-se: a) a própria natureza, pois a península ibérica é uma espécie de apêndice da Europa, separada do seu restante pelos Pireneus , e b) a presença islâmica (uma religião não Cristã na época do reinado do Cristianismo) em grande parte de seu território, até bem pouco tempo antes do período das descobertas.

Os Descobrimentos na África

A Europa, anterior à expansão ultramarina, desconhecia quase que totalmente as civilizações existentes além de suas fronteiras. Pela própria natureza de seu regime econômico e político, pela estratificação de sua ideologia, a sociedade européia era estanque, fechada em si mesma. Exceto o conhecido por alguns mercadores italianos e judeus, quase nada sabiam dos povos asiáticos e africanos. Desses últimos conheciam apenas alguns aspectos das civilizações do norte do continente, com os quais mantinham relações, mesmo antes do império romano. A África negra, no entanto era-lhes trazida por relatos e escritos espaçados, cuja interpretação era distorcida, resultando numa imagem ora mirabolante, ora fantasmagórica.

Na Bíblia há várias passagens com referencia aos etíopes (negro). Heródoto, em um trecho dos Nove Livros da História, já falava em um país cujos “habitantes são pequenos e negros”. No século II, Ptolomeo escreveu sobre a costa oriental. Entretanto, quase não se tinha notícias das terras que ficam ao sul do Saara, quer dizer, da parte atlântica do continente africano. No inicio do século XVI, a Europa tinha idéias contraditórias sobre essa parte do mundo. O europeu comum pensava que lá ficava o Paraíso terrestre ou que seus habitantes eram monstros de quatro olhos.

O século XV foi um tempo de desente
ndimentos e insurreições. Os países da Europa viviam um período de guerras e revoltas internas – a guerra dos cem anos, a guerra das rosas, o avanço turco nos Bálcãs, as desavenças entre Castela e Aragão etc.. Enquanto isso, Portugal gozava de relativa tranqüilidade e estava sob um reinado absolutista, o que representa dizer, desfrutava de uma unidade de comando capaz de direcionar o país para às conquistas. Não devemos nos esquecer do importante papel que, a essa altura, tinha a burguesia portuguesa junto ao rei.

A primeira terra africana apossada pelos portugueses foi a cidade de Ceuta, tomada aos árabes em 1415. A cidade era um importante centro e entreposto comercial, fim da rota terrestre trans-saariana, para onde era trazido o ouro extraído das minas do Alto Niger. Esse ouro era necessário à economia européia de então, principalmente como meio circulante. É importante ter-se em mente que por essa época houve um aumento da circulação de moedas, causada pela “monetarização” da economia. Cidades, regiões e países passaram a cunhar moedas de ouro (Florença e Veneza já o faziam desde 1252 e 1280, respectivamente). Portugal, por não dispor de forte de abastecimento dos metais apropriados, não possuía moedas de ouro desde 1383 e era um dos poucos países nessa situação. Ideologicamente, essa primeira investida lusa teve a justificá-la a luta contra os infiéis mouros .

Entre 1418 e 1420 os portugueses redescobriram e povoaram o arquipélago da Madeira. As descobertas seguiram com as Canárias e os Açores. Em 1434, Gil Eanes consegue, após algumas tentativas fracassadas, ultrapassar o Cabo Bojador. Outros navegadores atingiram as Costas de Serra Leoa, Cabo Branco, Guiné, Ilhas de Cabo Verde, até a passagem pelo Cabo da Boa Esperança, Calecute, etc., numa cadeia de lugares, nomes e data.

Por que os Portugueses “foram dilatando a Fé, o Império, e as terras viciosas da África e da Ásia andaram devastando”? Certamente a fé não andou sozinha, teve como companheiros os mercadores que estavam e
m busca de ouro, marfim, malagueta, peles silvestres, ceras e escravos.

De inicio, os lusos realizaram um comércio pacifico, utilizando barcos que navegavam pelas costas africanas, ancorando em lugares seguros. Trocavam sal, manufaturas metálicas, cavalos, tecidos e bijuterias pelas mercadorias que lhes interessavam. Posteriormente estabeleceram feitorias a partir de onde montaram suas bases de troca. A primeira delas em Arguim, 1445. Nas ilhas da Madeira e nos Açores o procedimento foi outro. Foram assentados colonos do Algarve, que produziam açúcar e cereais, iniciando-se assim a colonização além mar.

Os negócios portugueses na costa africana foram desenvolvidos sob o regime de monopólio. Os comerciantes que os executavam pagavam aos detentores do monopólio uma percentagem sobre os lucros, geralmente em torno de vinte por cento . Não tinham por objeto conquistar territórios, colonizá-los, exceto nas ilhas, estas locais seguros para reabastecer seus navios. Visavam tão somente assegurar bases para formação de uma rede comercial, instituindo pontos de embarque da produção local . A natureza desse comércio, obviamente, era bastante desvantajosa para os africanos. “Quando o capital mercantil agencia a troca de produtos de comunidades pouco desenvolvidas, o logro e a trapaça aparecem no lucro comercial, que delas deriva em grande parte”. Foi isso realmente o que aconteceu.

Enquanto Portugal ganhava os mares, os espanhóis ainda se recatavam na aventura marítima. Não obstante, seus navegadores também se lançaram pela costa africana, enfrentando a hostilidade dos lusitanos. Um tratado de 1480 dividiu as descobertas entre Portugal e Espanha. Os últimos ganharam as Canárias, mas perderam toda a África para os portugueses. Só posteriormente souberam que também tinham ganho a parte maior da América .

A América

Há duas perguntas que têm flutuado nos meios acadêmicos (e também em círculos estranhos às universidades), com relativa e injustificada insistência: quando e quem
descobriu a América? A nosso ver essas questões são irrelevantes. O importante, realmente, é que foram os espanhóis e portugueses que integraram esta parte do mundo no sistema internacional. Se o fizeram da maneira correta ou não é um outro aspecto, uma outra questão.

Egípcios, fenícios, romanos, viquingues, africanos, genoveses, catalães, marroquinos, chineses e japoneses se aqui estiveram foram meros visitantes (turistas por escolha própria ou forçados pelos ventos e calmarias) que podem ter deixados marcas de sua passagem, mas que não lograram realizar a façanha de fazer este continente conhecido dos outros povos. Os ibéricos fizeram mais ainda: se tornaram donos das terras novas .

É claro que o novo mundo somente era novo para os descobridores. Por aqui existiam povos e civilizações, algumas em estágios já bastante elevados de cultura . Os “mares nunca de antes navegados” , não eram navegados pelos europeus. Entretanto este não é o objeto do nosso estudo.

O Descobrimento

O descobrimento (ou o encontro) da América foi uma decorrência da expansão comercial e manufatureira ocorrida na Europa nos séculos XIV e XV. O desenvolvimento dessas atividades, resultados e ao mesmo tempo impulsionadores da monetarização da economia, pressionou a demanda do ouro, o que já fizera os portugueses se aventurarem pelas costas africanas, procurando contorna-las e atingir as Índias, suposta fonte interminável desse metal. Marco Polo havia difundido a lenda de que ali se “possuem ouro em enorme abundância, e as minas onde o encontram não se esgotam jamais”. Até a prata, o sucedâneo do ouro na circulação monetária, escasseava: a Alemanha, o maior fornecedor desse metal entre 1450 e 1550 , não conseguia atender à procura. Deve-se explicar que as “Índias”, no entender da Europa medieval, compreendiam a “Ásia, além do mundo islâmico”.

Nesse quadro pode-se compreender o porque a expedição/aventura de Cristóvão Colombo ter sido uma operação montada por banqueiros e comerciantes, espanhóis
e genoveses. Os espanhóis entraram com cerca de dois milhões de maravedis (antiga moeda gótica, com circulação em Portugal e Espanha) – 50% dos quais financiados por Martin Alonso de Pinzón, o comerciante mais rico da cidade de Palos. Cristóvão Colombo, além de empenhar metade dos seus lucros pessoais resultantes da expedição com D. Martin teria, ainda, recebido financiamento dos mercadores genoveses Di Negro e Doria e, possivelmente, do banqueiro florentino De Juanoto Berardi , além de outros. Descobrir o caminho das Índias, navegando em direção ao Ocidente foi, portanto, um negócio, bem ao estilo do mercantilismo.

Ao chegar na terra por ele descoberta, Cristóvão Colombo – que morreu depois de suas viagens ao Novo Mundo ainda convencido de que tinha atingido a Ásia, pelo caminho ocidental – aqui se dedicou com afinco a descobrir ouro, como escreveu em seus diários, cartas e relatórios: “Estava atento e tratava de saber se havia ouro (13.10.1492); não quero mais parar, para ir mais longe, visitar muitas ilhas e descobrir ouro (01.11.1492); o Almirante ordenou-lhes que não lhes tomassem nada, para que eles compreendessem que ele só procura ouro (01.11.1492); que Nosso Senhor me ajude, em sua Misericórdia a descobrir ouro (23.12.1492); nossa atividade, que é coletar ouro… (30.01.1494)” .

Cinqüenta e oito anos mais tarde, Frei Bartolomé de las Casas, dizia que os espanhóis tinham “por seu fim último o ouro e encher-se de riqueza em poucos dias…” , mesmo que fosse preciso roubar e matar.

Ao desvendar o caminho para a América, os espanhóis despertaram o interesse das outras nações no florescente negócio colonial. Os primeiros a lhes seguir os passos foram justamente aqueles que lhes precederam na navegação e nas conquistas ultramarinas; os portugueses. Por algum tempo “Espanha e Portugal pareciam dever partilhar entre si as novas terras”. E realmente o fizeram pela “Capitulação de Partição do Mar Oceânico”; mais conhecida por Tratado de Tordesilhas, em 07 de junho de 1494. Por esse a
cordo, foi traçada
“uma raia ou linha reta de pólo a pólo (…), a trezentas e sessenta léguas das ilhas de Cabo Verde (…). E que tudo o que aqui tenha achado ou descoberto e daqui em diante se achar e descobrir pelo dito rei de Portugal (…), que não seja atravessando a dita raia, que tudo seja e fique e pertença ao dito senhor rei de Portugal (…). E que tudo o mais, assim como ilhas como terra firme (…), descoberta ou por descobrir (…), pelos ditos senhores rei e rainha de Castela, de Aragão, etc (…), depois de passada a dita raia em direção ao poente (…) seja e fique, e pertença aos ditos senhores rei e rainha de Castela de Leão, etc.” .

Nem Adão faria melhor.

Essa verdadeira ação entre amigos recebeu a chancela papal em 1506. No entanto, nem todos concordaram com essa distribuição do mundo (o tratado era extensivo às terras da África e Ásia). Inglaterra, França, Holanda e, depois, outros países decidiram também participar da partilha das descobertas, da pimenta, do gengibre, do cravo, da noz-moscada e da canela. Mas, principalmente, do ouro e da prata, metais encontrados em grande quantidade no planalto mexicano e no altiplano andino. A guerra estava feita.

O descobrimento da América juntamente com o encontro do caminho das índias, contornando a África, formaram o conjunto de acontecimentos que mais transformou a história da humanidade, abrindo-lhe novos horizontes, quebrando as amarras do feudalismo, regime então dominante, fazendo despontar a nova formação econômica que viria mais tarde: o capitalismo. O principal efeito, a prazo mais curto, foi impulsionar o capital mercantil a um alto grau de realização e promover o desenvolvimento das manufaturas, contando com mercados consumidores na África, Ásia e América , agora trazidos à esfera do capital mercantil.

Entretanto, o comércio dessa época realizado com a América era de um tipo bastante peculiar. As viagens “muitas vezes nada eram do que expedições de saque para pilhar as terras de além mar (
…), a prata e o açúcar dificilmente chegavam à Europa sem uma mancha de sangue” , mas ninguém notava.

“As descobertas de ouro e de prata, o extermínio, a escravização das populações indígenas, forçadas a trabalhar no interior das minas, o inicio da conquista e pilhagem das Índias Orientais e a transformação da África num vasto campo reservado à caça comercial de peles-negras, são os acontecimentos que marcam os albores da era da produção capitalista” , dizia Marx.

A Exploração

Explorar terras novas era fazer o seu reconhecimento e saqueá-las. Esse costume vem das viagens portuguesas à África e Ásia e, até mais remotamente, se nos reportarmos aos gregos, romanos, turcos, árabes, bárbaros, vândalos etc. Dois fatores determinavam esse hábito nos descobrimentos da idade média: o econômico e o ético. Os descobrimentos marítimos eram empreendimentos comerciais de altos custo e riscos que, para serem lucrativos, exigiam ganhos altos e imediatos. O fator econômico era o norteador principal do desbravamento dos novos caminhos.

Por outro lado, para o homem europeu da idade média, não havia limitações de ordem ética que refreassem a sua busca de riqueza, mesmo que à custa de brutalidade e frias matanças coletivas, cometidas contra estranhos à sua ordem social. Esse comportamento era comum, mesmo em se tratando de atos praticados na própria Europa. A ética da época era uma total falta de moral nos atos para com os estranhos. Não havia obstáculos de ordem ideológica, que impedissem obter lucros às custas de outras comunidades. O critério usual era considerar, todo estranho à comunidade, um inimigo a ser vencido e espoliado.

A sociedade medieval era composta de uma nobreza guerreira, turbulenta e cruel; burgueses ávidos de lucros fáceis e imediatos; camponeses, pescadores, artesãos e jornaleiros incultos, místicos e embrutecidos pelo seu próprio estilo de vida. Dessa sociedade é que saíram os navegadores, mercadores, descobridores e colonizadores . Maquiavel retratou bem a ética
desse período de violência, intriga, trapaça e, acima de tudo, do emprego da crueldade para se atingir poder e, consequentemente, riqueza, quando recomendava: “Quando tiver de proceder contra o sangue de alguém, faça-o (…); quando o príncipe está à frente dos seus exércitos e tem soldados inúmeros sob o seu comando, então é preciso que não se importe com a reputação de cruel…”. É bem certo que também aconselhava abster-se no atentar “contra os bens dos outros; eis que os homens se esquecem mais depressa da morte do próprio pai que da perda do patrimônio”. Alerte-se que esse conselho era dirigido à ação no próprio território do conquistador e não no além mar , como no caso da América.

Terras já conhecidas também eram violentamente destruídas e saqueadas. A historicamente célebre cidade de Calecute assistiu uma ação dessa espécie, praticada por Pedro Alvares Cabral, no prosseguimento da mesma viagem em que fez o descobrimento do Brasil. O Piloto Anônimo assim descreveu essa ocorrência:
“O Capitão-mor (…) mandou aprisionar dez naus dos mouros, que estavam no porto, e fez matar toda a gente que nelas se achava, que seriam de quinhentos a seiscentos homens; (…) roubamos e saqueamos o que tinha dentro; achamos numa três elefantes, que matamos e comemos. As naus depois de descarregadas foram queimadas; no dia seguinte chegaram em terra todas as nossas embarcações e bombardearam a cidade de maneira que lhe matamos infinita gente e fizemos muito dano”.

Inúmeros outros exemplos podem ser citados, a título de comprovação desse método de gerar lucros. A tomada de Ormuz, a chave do Golfo Pérsico, foi uma das maiores carnificinas e razias realizadas pelos lusos. O assalto à cidade foi premeditado, tendo como base um plano que visava “estabelecer o terror”, atingindo-se essa meta com crueldade e saques em cidades que fossem próximas ou aliadas a Ormuz. Em Calayate “cento e cinqüenta mouros foram metidos (abatidos) à espada e também os velhos, os pobres e os doentes. Em Mascate a grande matança foi
de mulheres e crianças. Em Orfação, de mulheres grávidas! Adiante iam, aos centos, mancebos e raparigas com os narizes, orelhas e mão direita cortadas. Chegando a Ormuz o grande terror estava estabelecido”. As naus dos defensores da cidade foram incendiadas. “O fogo voltou-se para a cidade e a destruição foi terrível”. O botim do assalto foi compensador: Cem mil xarafins, mais jóias, ouro, pedras preciosas, e tecidos orientais , foram arrecadados.

No Novo Mundo o procedimento não foi diferente. No primeiro instante, não houve saques nas regiões onde os nativos não opuseram resistência aos descobridores ou quando estavam em estágio de desenvolvimento que não produzia nada que era de interesse dos europeus; nenhuma mercadoria de espécie ou quantidade suficientemente lucrativas para os exploradores.

Não demorou muito para que a necessidade de remunerar os capitais empregados nas descobertas, fizesse surgir maneiras de se extrair lucros da nova terra. “Causas comuns produzem efeitos comuns. Na América, os espanhóis procedem como os portugueses na Índia (…). A Espanha depara com uma presa que ela devorou na primeira investida. Não foram só as riquezas, foi tudo: povos, civilizações, monumentos históricos. A violência da sua voracidade tudo consumiu. Os portugueses cortavam os pés e as mãos às mulheres para arrancar-lhes os brincos e braceletes – os espanhóis arrasaram um mundo para colher alguns sacos de ouro”.

Na América, a exploração/reconhecimento e a exploração/saque andaram pari passus. Os marinheiros, que fizeram a primeira viagem com Colombo em direção ao poente, foram pagos com o ouro levado das Antilhas. Em 1495, somente três anos após ter descoberto o Novo Mundo, Colombo comandou pessoalmente um ataque militar contra os indígenas da Ilha Dominicana, que tinham se rebelado contra o trabalho forçado. Os índios foram massacrados e quinhentos deles levados à Espanha , onde foram vendidos como escravos.

Os requintes de crueldade empregados nas Índias repetem-se na América. Quando
os nativos tentavam se revoltar, a contra-ação dos espanhóis era sem medida de violência. “Entravam nos povoados, não deixavam crianças nem velhos, nem mulheres grávidas ou paridas que não lhes cortassem a barriga (…). Faziam aposta sobre quem de uma espadada abria um homem ao meio, ou lhe cortava a cabeça, ou lhe abria as entranhas”.

Esse quadro aconteceu no México, com Fernão Cortez, que matou milhares de astecas para se apoderar do fabuloso tesouro de Mantezuma; no Peru, com Francisco Pizarro, que matou outros milhares de incas e fez o seqüestro e arquitetou a morte de Atahualpa, de quem recebeu um resgate equivalente a 15.500.000 de “pesos ouro sellado”.

Os portugueses foram mais cautelosos, isso porque a terra que lhes coube na América, a primeira vista, era pobre de ouro, prata ou outra riqueza qualquer. Somente o pau-brasil, madeira de tinturaria, poderia lhes render algo. Algo muito pouco, se comparado o que lhe oferecia a rota das Índias e das costas africanas. Em 1503, foi feita a primeira tentativa de tirar lucro de nova possessão, mediante concessão a um consórcio de negociantes, para explorar a madeira de tintura. Antes do assentamento de portugueses no Novo Mundo, Lisboa só conseguiu levar daqui o pau-brasil, alguns índios escravizados e animais silvestres . Não havia nem uma razoável perspectiva de lucros.

Ingleses e Franceses – afora algumas viagens de reconhecimento e tentativa de também chegar às Índias ou descobrir metais preciosos – não foram presença marcante nesses primeiros tempos. Estavam demasiadamente voltados à solução de problemas internos nos seus respectivos países. Sua atuação deu-se mais no saquear aos saqueadores ibéricos e, as vezes, saquearem-se entre si, em atos de pura pirataria. A própria palavra corsário é uma corruptela de expressão francesa “expédition de corsaires”, que significa apenas navegação de longo curso. Piratas ingleses atacavam os navios espanhóis e piratas franceses atacavam as naus portuguesas, espanholas e inglesas ; não havia predil
eção pela presa.

As descobertas feitas pelas navegações, do final do século XIV e inicio do século XV, foram instrumentos do fortalecimento da burguesia que surgia, dando-lhe um mercado para expandir sua ação e obter confirmação dos seus privilégios. As Índias, a África e a América proporcionaram uma quantidade de mercadoria no comércio internacional jamais vista, dando um incremento aos meios de troca desconhecido até então. Todo esse processo, economicamente revolucionário, desenvolveu o comércio, a navegação e as manufaturas, desestruturando a sociedade feudal. A nova situação exigia mudanças. Os interesses regionais deram lugar aos interesses nacionais. A primazia do feudo cedeu às pressões das cidades. Os nobres perderam parte dos seus privilégios para os burgueses. A produção feudal foi substituída pela produção manufatureira e esta, mais tarde, pela produção industrial, quando a divisão do trabalho entre corporações deu lugar à divisão do trabalho na própria unidade produtiva .

Espanha e Portugal, embora detentoras das coloniais e do comércio, não foram os países mais beneficiados pelos descobrimentos. A incapacidade de suas burguesias em ultrapassar a fase mercantil e chegar a industrialização, somente se explica pela facilidade com que obtinham ouro e prata, em suas operações de descoberta e saque. Portugal e Espanha permaneceram como, “depois da Polônia, os dois países mais miseráveis da Europa”.

Os metais preciosos retirados da América tinham na Península Ibérica não o seu ponto de destino final, mas um entreposto para redistribuição na Europa, via importação de produtos dos países manufatureiros. Dois exemplos configuram essa situação, se bem que em épocas mais avançadas: no século XVII, a Espanha somente detinha 5% do comércio com suas colônias americanas; um terço estaria com os holandeses e flamengos, um quarto com os franceses, 20% com os genoveses e 10% com os ingleses. Entre 1761 e 1769, Portugal exportou 6.898.675 libras de ouro e prata para a Inglaterra, em troca de pro
dutos para consumo próprio e reexportação para suas colônias, principalmente o Brasil .

Presença Européia

Até a descoberta da América, os europeus da idade média mantinham suas relações comerciais com os povos de outros continentes sob dois sistemas básicos: a) monopólio de trocas de mercadorias, relativamente determinadas pela demanda; e b) estabelecimento de feitorias no exterior, nos pontos de escoamento da produção das nações estrangeiras, condicionando suas exportações a preços e rotas determinadas. No primeiro caso, em um mesmo local no estrangeiro poderiam coexistir vários vendedores, os preços eram estabelecidos mediante acertos entre vendedores e compradores, porém os compradores europeus deveriam ser sempre os mesmos, sob rígido esquema de monopólio. Exemplo dessa peculiar maneira de fazer negócios eram as cidades-estados italianas que, até o século XV, detinham a exclusividade do tráfego das especiarias e outros produtos orientais, na Europa. Os produtos da Síria, Egito e das regiões dos mares Negro, Cáucaso e Cáspio eram comercializados somente por algumas essas cidades que, inclusive, guerreavam entre si, objetivando deter o monopólio. Vez ou outra, instalavam feitorias que eram mais entrepostos comerciais do que propriamente um posto avançado de forças militares, se bem que as vezes também contavam com um contingente de homens armados. No primeiro caso, feitoria de caráter comercial, temos o exemplo das feitorias italianas no mar Egeu, na segunda metade do século XV. Como feitoria armada, no mesmo período, registramos a presença também italiana na Ilha de Chipre.

Muito embora não possa ser considerada como forma de relação comercial, no “extricto senso” da expressão, há, ainda, uma outra maneira empregada pelos mercadores europeus que, pela sua habitualidade e pelo alto volume de mercadorias envolvidas, exige registro: o simples saque direto. A Quarta Cruzada foi um bom exemplo. Tão desvirtuada, violenta e desassociada do ideário cristão foi essa expedição que foi tod
a ela excomungada pelo Papa Inocêncio III. Essas cruzados exigiram que a Ístria e a Dalmácia a lhe pagassem tributos. Saquearam a cidade de Zara (Zadar), as aldeias próximas à Constantinopla e, a 13 de abril de 1204, a própria cidade, que a essa época já teria um milhão de habitantes. No saque, os soldados da cruzada “a submeteram durante três dias a depredações de crueldade inaudita, saqueando os tesouros acumulados em Constantinopla durante séculos. Nem os templos, nem os objetos sagrados, nem os monumentos, nem as propriedades privadas escaparam à pilhagem” . Tudo era transformado em botim.

As linhas que separavam a troca monopolizada da feitoria e desta do saque direto era m muito tênues. As correlações de forças militares e oportunidades momentâneas eram as variantes que determinavam o comportamento da ocasião. Em alguns lugares, a troca de mercadorias com europeus tinham um certo caráter de rotina, em outras localidades essas trocas eram esporádicas. As feitorias poderiam ser mantidas somente por funcionários civis, ou ter uma composição mista. Os saques eram organizados tendo um objetivo visado, ou aconteciam aleatoriamente. Não havia uma maneira de se fazer negócios, nem várias maneiras definidas. Aconteciam variantes de matrizes múltiplas.

A variante principal na determinação da forma de relação comercial dos povos europeus com os não europeus, tomava por base e estava em razão direta com a capacidade desses últimos em produzir excedentes, com demanda garantida na Europa. Se uma sociedade produzia uma pequena quantidade de mercadoria vendável, com ela se mantinham trocas, sob o regime de monopólio. Se produzia uma quantidade maior, de forma constante e em razoável período de tempo, ali se fundava uma feitoria. Porém, se historicamente essa comunidade fosse produtora de excedentes e se esses excedentes tivessem sido cristalizados em forma de produtos cobiçados (isto é, produtos de alto valor na Europa, como ouro, prata, pedras preciosas, especiarias, etc.), fatalmente seria mira de um saq
ue em alto estilo.

Essa estranha maneira de se fazer negócios foi transplantada para a África e Ásia pelos portugueses, quando de seus descobrimentos marítimos, com a seguinte ordem de preferência: primeiro, o saque; se não fosse possível, a feitoria; em último caso, a troca monopolista. Como vimos, a primeira experiência lusitana além mar foi o saque à cidade de Ceuta, em 1415. “Os despojos foram abundantes e muito ricos…” . Os soldados arrasaram a cidade em busca de ouro em pó, especiarias e pedras preciosas. A partir de então Ceuta foi transformada em um porto pirata, ponto de onde partiam navios lusitanos que iam aprisionar embarcações árabes , para roubar-lhes as cargas.

Ainda copiando os modelos já existentem, os ibéricos trouxeram o sistema de troca, as feitorias e os saques para a América.

No entanto, a grandeza e outras peculiaridades da América tiveram influência decisiva no molde de relações do Velho com o Novo Mundo. As simples trocas de mercadorias só houve no inicio ou, posteriormente, em operações realizadas por europeus não colonos titulares do local. As feitorias não existiram como tal. As razias exauriram os excedentes de ouro, prata e pedras preciosas acumulados ao longo dos anos pré-colombianos.

As Trocas, os Saques e as Feitorias

Os saques praticados pelos europeus na América (principalmente pelos espanhóis) integram uma página da história das mais bárbaras e conhecidas. Várias obras tratam do assunto em profundidade. Numa tentativa de mensurar seu efeito na economia européia, é suficiente estudar a inflação resultante do violento acréscimo da quantidade de metais “moedáveis”: um século após os descobrimentos, os preços de alguns produto subiram de 100 até 500 por cento.

No presente trabalho os saques somente nos interessam sob dois aspectos específicos. Primeiro, no que representam acumulação dos recursoss, necessários ao financiamento da colonização e, segundo, ao financiamento do tráfico, como conseqüência. Assim, trataremos mais espec
ificamente das trocas e das feitorias, passos iniciais da etapa principal, a colonização.

a) Os Espanhóis

Papagaios, algumas arrobas de novelos de fio de algodão, lanças curtas e rudimentares e outras coisas pobres por contas de vidros e guizos, tudo na maior boa vontade de ambas as partes. Essas foram as primeiras trocas de mercadorias realizadas entre europeus e gentios americanos, no dia 12 de outubro de 1492, dia em que a expedição de Colombo pisou terras do Novo Mundo pela primeira vez. No dia seguinte, os espanhóis já trabalhavam para conseguir coisa melhor e descobrir de onde vinha o ouro que alguns nativos traziam preso no nariz.

Na América Espanhola houve desde o início uma certa preocupação em se concretizar a posse da terra, em efetivá-la sob a proteção (e poder) dos reis de Castela e Aragão. As feitorias instaladas eram uma ponta de lança da colonização que viria mais tarde. Já na sua primeira expedição, Colombo construiu uma pequeno forte, La Navidad, deixando nele uma reduzida guarnição. Na viagem seguinte fundou a primeira povoação européia no Novo Mundo, Isabela, no atual Haiti. Esse povoado era uma espécie de feitoria, que obrigava os índios a entregar aos espanhóis ouro (meia onça por pessoa, a cada três meses) ou algodão (uma arroba). Essa imposição causou a revolta dos indígenas que foram massacrados impiedosamente, conforme já dito aqui. Dois terços da população nativa foram mortos. Colombo necessitava de ouro em abundância, para demonstrar aos reis Fernando e Isabel e aos seus financiadores que as suas descobertas eram rentáveis .

b) Os Portugueses

Também em clima de boa vontade a expedição de Pedro Alvares Cabral trocou cocares e barretes de penas de aves, arcos e flechas, contas silvestres, pedras semipreciosas e papagaios por sombreiros, carapuças de linho, guizos e outras coisas de pouco valor. Procuraram, mas não conseguiram saber se por aqui havia ouro ou prata.

Poucos anos após, os portugueses instalaram as primeiras feitorias em Pernamb
uco, Rio de Janeiro, Cabo Frio e, provavelmente, em Porto Seguro e na Ilha de Santo Aleixo. Essas feitorias se dedicavam principalmente à exploração do pau-brasil (com um tráfego continuado entre o Brasil e Portugal) e serviam como porto para reabastecimento das frotas portuguesas que se destinavam ao oriente. Afora as madeiras de tinturaria, poucas coisas tínhamos que encontrassem demanda no mercado europeu de então.

c) Os Franceses

As primeiras incursões de franceses pelo Novo Mundo datam de, aproximadamente, 1504. Comerciantes e piratas normandos e bretões eram presenças freqüentes nas águas da costa brasileira, numa iniciativa não governamental. Entre seus objetivos estava o tráfico do pau-brasil, no que contavam com a colaboração dos nativos. Esse comércio evoluiu a ponto de ter um caráter de regularidade; tão acentuado que Portugal organizou uma expedição armada, destinada a exterminar essas e outra presença também indesejável na colônia, a presença espanhola.

Embora as primeiras tentativas tenham sido de particulares, o Estado francês não ficaria ausente do Novo Mundo. O Rei de França, Francisco I, não aceitou que a herança de Adão fosse dividida entre Portugal e Espanha, como preconizava a bula papal “Ea Quo Pro Bono Pacis”, de 1506. Em 1524 o soberano francês enviou à América, a seu serviço, o navegador italiano Giovanni de Varrazano, que atingiu as costas da América do Norte, porém não teve êxito comercial. Mais dez anos foi a vez de Jacques de Cartier, que também aportou no norte do continente americano , com igual resultado do seu predecessor.

A primeira tentativa de estabelecer feitoria francesa deu-se em 1548, em Cabo Frio; mais uma vez sem êxito. Em 1555, com apoio do Rei, da Igreja Católica e também dos reformistas calvinistas, Nicolas Durand de Villegainon tenta fundar a França Antártica, na ilha Coligny (hoje ilha de Villegainon), na Baia da Guanabara, contando com financiamento de armadores e mercadores de seu país. Em 1560, os portugueses li
quidam a feitoria e expulsaram os franceses.

No entanto os atos de pirataria francesa continuaram na costa brasileira. Entre o final do século XVI e início do século seguinte, as tentativas de fundação de feitorias transferiram-se para a região amazônica e para o Maranhão, onde fundam a cidade de São Luís e organizam a França Equinocial, também rechaçada pelos lusos logo depois.

d) Os ingleses

Já na época dos primeiros descobrimentos das terras americanas, os ingleses acreditavam que o seu futuro estava em desbravar o além mar, muito embora fosse a Inglaterra um reino sem frota naval de envergadura e dividido internamente por lutas políticas e religiosas. Sob a tutela do rei Henrique VII, tentaram se organizar para a empreitada. Construíram embarcações, prepararam um arsenal militar e se lançaram às conquistas, tendo como artífice o sempre presente capital mercantil . A expedição de 1498, chefiada pelo italiano Giovanni Cabonato, atingiu as costas da América do Norte, porém só conseguiu um resultado medíocre. A Inglaterra ainda não estava suficientemente preparada para concorrer com os Espanhóis e Portugueses. Os insucessos se repetem no decorrer do século. Só no início do século XVII é que os ingleses conseguiram se firmar na América do Norte.

No sul do novo continente, suas tentativas de comércio e feitorias continuam sem grandes êxitos. Mercadores ingleses freqüentaram as costas brasileiras desde 1530, fazendo um comércio regular e proveitoso, entre o Brasil e a África. Em 1542 construíram um forte perto da Bahia de Todos os Santos, “para proteção do comércio inglês”, que se estendia pelas regiões costeiras do Nordeste brasileiro, traficando madeira de tinturaria, algodão e animais silvestres. No entanto, essa feitoria teve pouca duração. Houve, ainda, comércio regular com o litoral da capitania de São Vicente e presença de piratas ingleses, estes durante todo o século XVI, no sul da América, no Mar das Antilhas e no Golfo do México, saqueando os navios de qualquer outra nacional
idade, principalmente espanhóis. A pura pirataria foi uma das principais fontes da acumulação de capitais na Inglaterra. Keynes diz que “uma parte considerável dos recursos (acumulados pela Grã Bretanha) se deveu a captura dos navios do Tesouro Espanhol e a razias similares. Essas expedições (piratas), se deviam a sindicatos e companhia que aportavam o capital e representavam especulações de negócios, cujo êxito e frutos estimulavam o espírito de empresa em outras atividades. O período de máxima prosperidade da Inglaterra começou notadamente com o retorno da primeira expedição importante de Drak (sua terceira viagem) em 1573, e se firmou com os imensos ganhos da segunda expedição, que regressou em 1580, sem esquecer a terceira, de 1586. O valor do ouro e da prata que trouxe Golden Hin (navio de Drak), cuidadosamente guardado em seu tempo, se estimou de modo muito variado pelos historiadores, entre 300.000 e 1.500.000 libras esterlinas (…). O botim do Golden Hin veio a ser uma das bases do Banco da Inglaterra”.

Em 1604 os britânicos fundaram uma feitoria na região do Oiapoque , dentro do seu esquema de comércio com a América.

e) Os Holandeses

Uma feitoria bem peculiar foi estabelecida pelos holandeses na América no inicio do século XVII. Nos anos vinte, a Cia. Holandesa das Índias Ocidentais construiu alguns fortes nos locais hoje se situam a cidade de Albany e na ilha de Manhattan, dando o nome de Novo País Baixo à região e denominando de Nieuwe Amsterdam (Nova Amsterdã) a povoação que ficava na parte meridional de Manhattan. As tentativas de fixação não vingaram, apesar de até terem tentado desenvolver atividades agrícolas. A feitoria holandesa fazia um comércio de peles com os nativos e servia de ponto de apoio aos navios holandeses que praticavam a pirataria contra os espanhóis, cujas embarcações, que transportavam os metais e as pedras preciosas saqueados do México e Peru, seguiam a rota do mar das Caraíbas. Data de aproximadamente 1595 a fundação das feitorias holandesas de Forte O
range e Forte Nassau, situadas na região do rio Amazonas. Por essa época barcos holandeses faziam a rota da Guiana , visando fazer trocas e estabelecer feitorias.

A Colonização da América

A América tinha riquezas demais e potencial de lucro em tal monta que as trocas, as feitorias e os saques não poderiam esgotá-las. Era um mundo vasto, desconhecido e desprotegido contra a cupidez européia. Em poucos anos a razias dizimaram as riquezas acumuladas, as feitorias e as trocas garantiam somente o comércio de pequenos excedentes da população local, porém o grande potencial de exploração que a nova terra oferecia teria que ser ativado de outra maneira. Os próprios europeus teriam que arrancar da terra americana os seus minerais, o lucro agrícola e pecuário; se possível fazendo que outros trabalhassem para eles. A experiência anterior já existia. As colônias das ilhas africanas, pertencentes aos portugueses, foram o modelo.

Três outros fatores proporcionaram o desenvolvimento do sistema colonial. No século XIV, a Europa foi devastada pela peste negra, provavelmente trazida pelos italianos das suas feitorias da Criméia. Em algumas regiões, um terço da população pereceu. Aldeias inteiras desapareceram, outras se viram reduzidas a poucos sobreviventes. A recuperação do nível populacional foi lenta e, com raras exceções, somente dois séculos após se atingiu àquele anterior à peste. As guerras intermináveis também contribuíram para esse quadro de despovoamento. No século XVI, no entanto, a Europa já tinha recomposta a sua população e possuía um contingente de habitantes que lhe permitiu se lançar à tarefa colonial. Além do mais essa população, que crescia e não encontrava ocupação, formava uma legião de desocupados e famintos, que infestava as cidades grandes. Lisboa, Paris, Londres, Amsterdã eram alguns dos centros para onde se dirigia essa massa de desocupados e desesperados. Dela se formou a parcela principal dos povoadores brancos da América; voluntários ou forçados pelas Leis que foram insti
tuídas especialmente para empurrar esse contingente de mão-de-obra européia para o Novo Mundo.

Por outro lado, a acumulação de capitais, já existente na Europa no século XVI, propiciou os recursos que a burguesia necessitava para financiar tal empreendimento – sem ele não teria havido a colonização.

Por último, grande parte da nobreza estava empobrecida, quer pelo uso mais generalizado do costume da progenitura, segundo o qual o filho mais velho tinha direito a suceder ao pai falecido, quer pelo seu enfraquecimento econômico, causado pela ocupação de espaço e crescimento da burguesia, que fragilizava os privilégios que o feudalismo proporcionava aos nobres.

Aos fatos econômicos, ajuntou-se uma ideologia de exaltação ao Novo Mundo, onde “as pessoas só morrem de velhice, o que se atribui à pureza e à calma do ar que respiram (…). Ignorantes, iletrados, sem lei nem rei, nem religião alguma, sua vida desenvolve-se numa admirável simplicidade (…). Os homens têm várias mulheres, em tanto maior número quanto mais famosos e valentes” . O embaixador Português em Londres dizia que “na sua terra era freqüente irem homens idosos, ou de saúde decadente, sem esperança de ter mais do que um ou dois anos de vida, de viagem numa frota brasileira, vivendo longamente depois de ali chegarem, às vezes vinte, trinta, ou mais anos”. Os escritores criavam uma imagem de eterna primavera. De clima, paisagem, solo, tudo enfim, superiores ao que existia na Europa.

Além dessa visão paradisíaca, outras mais práticas, ajudaram na formação mítica da América: aqui estaria a fonte de juventude eterna e aqui existiria o Eldorado, o estuário de muitas riquezas. A fonte da juventude era uma lenda em que acreditavam os europeus, antes mesmo de saberem da existência do novo continente. Com as descobertas, para cá foi transferido o sonho. Sua localização foi imaginada na Florida, mais precisamente, onde os velhos, se banhando, rejuvenesceriam. Essa crença era compartilhada por nobres, burgueses e plebeus pobres ,
todos enfim.

O Eldorado foi a lenda que mais perdurou e se difundiu sobre a América, entre os europeus. Montanhas e minas de ouro, prata e esmeraldas, esse era o Eldorado imaginado pelos habitantes do Velho Mundo. Na Amazônia, no centro do continente sul-americano, nas Antilhas e, se bem que raramente, até no norte do continente estaria esse manancial de riqueza a espera de quem lhe fosse procurar. A lenda era tão forte que até peça de teatro foi escrita na Inglaterra, no inicio do século XVII (a comédia Eastward Ho), onde a América do Norte era apresentada como um Eldorado , a ser explorado.

Se bem que um empreendimento resultante da expansão do capital mercantil europeu, utilizando as condições favoráveis que a época lhe ofereceu, o povoamento da América pelo homem branco foi, também, uma aventura. Alias, durante todo o período colonial a fronteira que separava o lucro da aventura era muito maleável e tolerante. A grande maioria dos colonos, com raras exceções, era de puros aventureiros, que buscavam uma forma fácil de fazer fortuna rápida, que pensavam desfrutar no seu país de origem.

Um outro grupo, se bem que menor, era composto de colonos que desejavam, realmente, deixar a Europa e se fixar no Novo Mundo, por motivos políticos e religiosos, porém também econômicos. Geralmente os puritanos do Mayflower são citados como exemplo típico dessa corrente migratória. Dissidentes da Igreja da Inglaterra e perseguidos na sua terra de origem, os puritanos primeiramente se transferiram para a Holanda. Lá organizaram uma sociedade anônima para realizar a colonização da Virgínia, associados a negociantes londrinos, de quem posteriormente adquiriram sua participação, ficando com todo o capital do empreendimento.

Apesar de todo esse aparato econômico, demográfico e ideológico, não se pode falar em separação ou mesmo em segmentação de fases caracterizadoras do contato do homem europeu com a América. Até quando se tem em mente uma mesma nação (a Espanha por exemplo) os vários sistemas coexistira
m. As trocas, os saques, as feitorias e as formas distintas de colonização eram utilizadas, em um mesmo instante, em regiões diferentes ou, até, em uma mesma região. Não devemos perder de vista que os primeiros europeus que vieram para a América eram declaradamente aventureiros, em busca da bem aventurança econômica, política ou religiosa, quando não criminosos degredados. A decisão de realizar a colonização do novo continente cristalizava, nitidamente, dois objetivos: obter, manter ou aumentar os lucros com os negócios da América; e conseguir, segurar ou alargar a posse de novas terras. Como se tentou ou se realizou esse desiderato, foi uma determinante das condições das metrópoles européias e da habilidade de sua burguesia e governantes.

A colonização da América deu-se sob dois modelos principais e basilares, que as vezes se imbricavam e criavam variantes menos importantes, porém sempre mantendo como característica modelar uma das duas formas: colônia de exploração, ou colônia de povoamento.

Se recuarmos no tempo, veremos que essa diferenciação tem bases bem mais antigas. As duas culturas que moldaram o pensamento de civilização da Europa Ocidental, tinham maneiras diferente de conceber o que para elas significava o termo colônia – e, por conseguinte, o ato de colonizar – refletidas até no significado das suas respectivas palavras que, traduzidas, corresponderiam ao nosso vocábulo colônia. “A palavra latina ‘colônia’ significa pura e simplesmente uma plantação. A palavra grega ‘ ’ pelo contrário, significa uma separação de domicilio, uma saída do lar, um afastamento de casa” .

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