DE MITO À CIÊNCIA

Tomislav R. Femenick
Gazeta do Oeste. Mossoró, 25 mar. 2007.
O Jornal de Hoje. Natal, 26 mar. 2007.

Há certos assuntos que são entendidos de formas bastante diferentes, quando tomados de pontos de vista se não contrários, porém não iguais. Esse é o caso da psicologia. Visto pelo senso comum, campo em que todos somos doutores, a “psicologia é para louco”; pelo senso científico, campo dos especialistas, a matéria entra em setores de saberes especializados, que exigem muito estudo e muita prática. Até aqui a psicologia segue os passos das outras ciências, porém se diferencia das demais por um simples aspecto: ela analisa a alma humana, o comportamento do ser em função do meio em que se manifesta.

Os estudos da matéria que hoje conhecemos como psicologia são tão antigos como as primeiras aglomeração, nos primórdios da evolução do próprio ser humano. Entretanto, há que se fazer algumas segmentações que indicam as etapas evolutivas, quanto a qualificação da própria forma de abordar matéria tão complexa.

Na Mesopotânea (onde se calcula que tenta havido o início da ascensão civilizadora do homem), no Egito, na China, na Índia e em todas as civilizações pré-helênicas não se analisava o comportamento das pessoas como sendo uma decorrência de sua vontade (de sua determinação), ou mesmo dos elementos ao seu redor (do meio). O destino e comportamento dos serem eram tidos como predeterminados pelos deuses e demônios. As pessoas e a natureza em geral eram campos das “explicações” mitológicas, que se estendiam por todo o mundo objetivo. O diferencial dessas civilizações com os hebreus, é que estes apresentavam o homem como possuidor do livre arbítrio de ação. Esse foi um passo simples, porém importante, quanto ao entendimento individual e coletivo do comportamento das pessoas. Entretanto, essa maneira de pensar também tinha uma postura religiosa: o livre arbítrio era uma atitude do indivíduo perante Deus, as pessoas podiam ou não respeitar as Suas leis, sendo responsáveis pelos atos que praticavam. Dessa forma os hebreus desenvolveram uma espécie de auto consciência, uma percepção do “Eu”.

Porém foram os gregos os primeiros que se encaminharam para a formulação científica do entendimento do comportamento humano, ao desassociarem o procedimento dos homens dos mitos e da religião, voltando-se para a razão (logos). Ao afirmarem que os homens eram suficientemente capazes de usar o pensamento para delinear seu comportamento, os gregos não só reconheceram no ser humano o livre arbítrio perante Deus, mais perante a própria sociedade humana. O indivíduo não só “é parte” da sociedade, “faz” a sociedade e, também, “é responsável” pelos seus atos perante essa mesma sociedade. À medida que a sociedade grega foi se desenvolvendo, esse racionalismo foi se sedimentando no entendimento de seus pensadores, como base para a lógica aristotélica e dando conformidade a todo o arcabouço dos seus filósofos. A própria palavra psicologia é uma criação grega (“psykhe”, alma; “logos”, estudo).

A psicologia esteve como um ramo da filosofia durante muito tempo. Somente na metade do século XIX é que ela adquiriu status de ciência autônoma. De lá para cá tem crescido e atuado em várias especializações, porém sempre com um certo grau de desconhecimento para a grande massa, para a grande maioria das pessoas. Para uns, os psicólogos são tidos como gurus, com atribuições, se não de todo, porém quase esotéricas, não condizentes com o caráter científico de sua profissão. A eles são atribuídas funções de líderes, conselheiros, orientadores ou guias espirituais, principalmente em países com fortes conotações místicas em sua cultura popular, como no caso do Brasil. Há os que procuram fazer da psicologia um campo fechado de pesquisas, envolto em um manto de saberes eminentemente científicos, ocultos para os não iniciados. A psicologia seria uma doutrina para os mais cultos no entendimento da lógica do comportamento, considerando o “aspecto psicológico como o fundamento e o centro de todo o saber, de toda investigação filosófica, particularmente da lógica e da teoria do conhecimento”.

Aqui é que entra a importância da psicologia como entendida pelo senso comum e como pregada pelos seguidores do psicologismo. A psicologia não é uma panaceia esotérica, nem uma ciência de luminares; é apenas uma ciência que oferece elementos para entender o comportamento dos seres humanos, com instrumentos para melhorar o relacionamento entre as pessoas.

A ECONOMIA VIRTUAL

O desenvolvimento tecnológico, acontecido nas três últimas décadas do século XX, propiciou o aperfeiçoamento, a simplificação e o barateamento dos custos das comunicações internacionais. Uma vasta rede de satélites quebrou a barreira das distâncias entre os povos e forneceu condições para a transmissão de som, imagem e dados em tempo real, transformando o planeta em uma quase aldeia global. Essas condições deram lugar a uma extensa rede de comunicações, usadas por empresas financeiras do mundo todo. Aplicadores de Londres, Paris, New York, São Paulo, Buenos Aires, Hong Kong, Tóquio e Frankfurt, por exemplo, podem-se fazer presentes nos pregões das bolsas dessas cidades, interagindo entre si.

Entretanto, são as instituições administradoras de fundos, que geram recursos que somam mais de quinze trilhões de dólares, as mais ágeis na utilização do sistema. Operadores do mercado, em frente aos seus computadores, comandam entrada e saída de grandes quantidades de dinheiro nas bolsas, aplicando e resgatando somas volumosas em ações de empresas, no mercado de futuros ou em títulos públicos. Vivenciam um mercado virtual, onde o capital é remunerado quase por si mesmo, quase desassociado da produção.

FRANCISCO RODRIGUES DA COSTA “Vi hoje sua citação sobre o Bar Suez. Quem freqüentou-o não guarda dele suas saudades? Você, Noguchi e Borginho, se não me trai a memória, fizeram o “debut” nos palanques políticos em 1957, na saudosa e vibrante campanha do “Pisa na Fulô”, cujo pleito se deu no dia 5 de janeiro de 1958. Confirme, por favor”. Mossoró, 19 mar. 2007. Resposta: “Certíssimo”.