CUSTOS INVISÍVEIS

Tomislav R. Femenick
Tribuna do Norte. Natal, 31 ago. 2008.
Gazeta do Oeste. Mossoró, 30 ago. 2008.

Os administradores e contadores fazem uma caçada incessante aos custos, para identificar quais são custos diretos e indiretos e fixos e variáveis. Quando aprimoram suas técnicas, vão atrás dos custos semi-diretos, semi-indiretos, semi-fixos e semi-variáveis. Sabendo que a longo prazo todos os custos são variáveis, há os que buscam os custos médios, padrão, ABC e marginal. Tudo isso visando ultrapassar o Ponto de Equilíbrio e garantir uma razoável Margem de Segurança.

Entretanto, a economia hoje vivenciada exige muito mais dos executivos. Exige que o preço de venda de qualquer mercadoria ou serviço seja menor ou igual ao cobrado pela concorrência. Considerando que os elementos básicos da formação do preço de venda de qualquer produto são a natureza e a composição dos seus custos, o grande problema é que nem todos os custos são facilmente identificáveis, já que nem sempre são “custos contábeis”. Há os “custos invisíveis”, aqueles que estão nas empresas e, no entanto, não são mensurados, não são medidos pelos sistemas tradicionais de custeio. Alguns deles até têm origem fora da empresa, enquanto outros nascem e se desenvolvem dentro dela mesmo. Em muitos casos os custos invisíveis são “escalas comparativas de custos”, isto é, o resultado da comparação dos custos de uma determinada planta de produção com outra da mesma espécie ou, então, com a média de um segmento específico de mercado.

Daí a necessidade de compreensão dos princípios do “custo comparativo” e “custo de oportunidade ou de substituição”. A análise do custo comparativo envolve o estudo das condições objetivas em que se dá a elaboração de uma mercadoria específica. Antes aplicada nos estudos econômicos sobre a divisão territorial do trabalho e das trocas internacionais, atualmente essa sistemática é também utilizada para evidenciar o custo de uma determinada empresa e de seus concorrentes, obtido em relação das vantagens comparativas que aquela possui. Por sua vez, o conceito de custos de oportunidade visa evidenciar como uma determinada empresa utiliza as condições e oportunidades que lhe são disponíveis, para elaborar certos produtos. Essas condições e oportunidades são invisíveis, quer sob o ponto de vista econômico, contábil ou administrativo.

Dentre os custos invisíveis se destacam aqueles contra os quais as empresas pouco podem fazer. São os “custos tributários diferenciados”, pois decorrem de ações governamentais. Há vários casos, entre eles: a) Incentivo fiscal – Se duas empresas produzem uma mesma mercadoria e uma delas receber incentivo governamental na forma de isenção ou redução fiscal e a outra não, está última terá um “custo invisível” que deve ser levado em consideração no preço de venda de seus produtos. b) Diferença de alíquotas – Se uma delas está localizada em uma região em que um determinado tributo seja inferior ao cobrado em outra localidade, a empresa que estiver nessa última situação também deve levar em conta esse fato, quando for fazer os cálculos do seu preço de venda. c) Novo tributo – Quando em um determinado País ou Estado é instituído um tributo novo ou há um aumento significativo na alíquota de um dado imposto, o valor do novo tributo e o delta representado pela diferença da alíquota antiga e a nova é um “custo invisível” para a elaboração de suas mercadorias. d) Tributos em cascatas – A tributação em cascata acontece quando um mesmo imposto (ou impostos similares) é cobrado em toda a cadeia produtiva. Se houve a taxação na produção, transporte e moagem do trigo; no transporte e venda da farinha trigo para a indústria de panificação e, ainda, na venda do pão, temos um exemplo clássico de tributação em cascata, pois o produto final, o pão, teria sido tributado várias vezes, embora que em etapas diferentes, elevando o preço final, o preço de venda do produto para o consumidor. Quando aplicado às empresas exportadoras, o sistema faz com que a carga tributária seja um empecilho na conquista de mercados externos. Há tributos que, por sua própria natureza, são acumulativos. A CPMF é um deles, pois onerava as empresas em cada transação financeira que ela realiza.

Por outro lado, há os Custos Operacionais externos e internos, também invisíveis. No caso dos “custos invisíveis operacionais externos” há os custos de: a) Embarque – Taxas portuárias muito superiores às cobradas no exterior. b) Transporte de apoio – Alto custo do transporte entre a origem do produto e o ponto de embarque. c) Burocracia – No Brasil a burocracia está no aparato estatal e, também, infiltrada nas empresas privadas. Quanto aos os “custos invisíveis operacionais internos”, temos: a) Localização – No Rio Grande do Norte tem-se como exemplo a indústria sal. Enquanto a matéria-prima e as condições ambientais ótimas estão localizadas aqui no Estado, o principal mercado consumidor está localizado nas regiões sudeste, centro-oeste, centro-sul e sul do País. b) Tecnologia defasada – Tanto a tecnologia utilizada no processo de elaboração do produto e aquela que identifica a qualidade técnica da mercadoria, devem ser adequadas às exigências do mercado. Se não haverá um custo invisível; o desperdiço de insumos na fabricação de produtos não vendáveis.