Custos ABC: Prospecção de Conhecimentos

Questão 1: Quais os fatores que têm contribuído para que o sistema de custeio baseado nas atividades (Activity Based Costing) seja adotado por um número cada vez maior de empresas?
Resposta: Três foram os principais fatores que forçaram as empresas a adotarem o sistema de custeia baseado por atividade:
a) A globalização e as inovações tecnológicas nas áreas de informática e de comunicações, que permitiram rápida e extraordinária mudança no perfil da demanda e oferta de bens e serviços, em nível mundial.
b) A concorrência de empresas já inseridas no cenário de mercado global e que, conseqüentemente, já se adequaram a um sistema de enxugamento de custos e de produção em escala economicamente rentável.
c) A necessidade de um novo sistema que evidencie os custos empresariais de uma forma racional, isto é, pelo desempenho das várias atividades desenvolvidas dentro da organização. Só assim, as empresas podem sobreviver nesse cenário de maior concorrência, menores custos, mais eficiência.

Questão 2: Se o custeio ABC não é um sistema contábil, então qual a sua finalidade?
Resposta: O objetivo do custeio ABC é evidenciar o custo efetivo de cada uma das várias atividades desenvolvidas nos vários processos (compra, armazenamento, produção, embalagem, transporte, vendas, administração etc.) existentes dentro da empresa. É um sistema gerencial voltado à minimização dos custos e, por conseqüente, à maximização dos resultados, dos lucros da empresa, determinando como os custos indiretos devem ser rateados e qual a parcela do rateio que deve ser atribuída a cada produto ou serviço, de acordo com o tipo de atividade que gerou esses custos. É um método extra-contábil que permite obter, de forma detalhada, os custos de cada atividade da empresa, facilitando a identificação dos produtos rentáveis e dos não rentáveis e das atividades que agregam ou não agregam valor aos produtos.

Questão 3: Para efeito do sistema de custo ABC, o que se entende por “atividade”?
Resposta: Atividade é uma ação ou tarefa que reúne pessoas, materiais, recursos tecnológicos e financeiros com uma finalidade determinada. Por exemplo: o setor de vendas de uma empresa pode, na realidade, está realizando várias funções e não somente vendendo. Pode está, formalmente ou não, realizando atividades tais como: desenvolvimento de clientes-chaves, identificação das necessidades dos clientes, promoção de produto, pesquisa de mercado etc. Por outro lado, os setores de compra, almoxarifado e expedição podem estar envolvidos na atividade “transporte”. Partindo-se desse enfoque, chegamos a conclusão que todos os departamentos e processos de uma empresa possuem várias atividades e que uma mesma atividade pode ser realizada, complementar ou paralelamente, em vários departamentos ou processos.

Questão 4: O que significa “tecnologia de produzir” e “tecnologia do produto”, como esses dois fatores afetam a empresa e qual a sua importância para o custo ABC?
Resposta: A “tecnologia de produzir” é um processo criativo que se inicia na busca de meios para se atenderem as necessidades humanas. Pode-se dividir a criação tecnológica em três fases distintas: a inventiva, a inovação e a aplicação prática. A primeira é a fase de “criação”, de pesquisa e de formulação da nova maneira de se fazerem as coisas. A segunda, a da “inovação” tecnológica, é quando acontece a descoberta dos novos métodos, instrumentos, sistemas de elaborar, armazenar, transportar e financiar a produção dos bens, com resultados melhores do que os obtidos anteriormente. A fase final é a “aceitação da nova tecnologia”, configurada em um conjunto de princípios, métodos, instrumentos e processos aplicados às atividades produtivas. Por sua vez, a “tecnologia do produto” está ligada ao nível tecnológico “incorporado” ao produto. Se tomarmos uma fábrica de televisores como exemplo, teríamos como “tecnologia de produzir” a maneira como a empresa monta o televisor. Se ele é montado em uma bancada individual, todas as etapas de produção são realizadas por uma mesma pessoa; se é montado em uma linha de produção, cada etapa é realizada por uma pessoa diferente; se é montado por mecanismo automático, todas as etapas são realizados por robôs. A “tecnologia do produto”, ainda no mesmo exemplo, está envolvida com a qualidade do televisor produzido. O tamanho do aparelho, se é colorido ou preto e branco, se tem controle remoto ou não, se é comum ou digital, se possui tubo de imagem ou tela de plasma etc.

Questão 5: O que se entende por “cliente interno”?
Resposta: Entende-se como “cliente interno” todo o quadro funcional da empresa, envolve os empregados de todos os escalões e departamentos e, ainda, os próprios diretores. A empresa possui uma série de atividades que, para se realizarem, exigem o trabalho em equipe. Daí a importância do comprometimento na realização das tarefas que, em última análise, são todas elas interdependentes, isto é, são dependentes umas das outras. Senão vejamos: o cliente interno do almoxarifado é o setor de produção, cujos clientes são os departamentos de expedição e de vendas. É o bom atendimento ao cliente interno que faz com que o cliente externo seja atendido contentamente.

Questão 6: Explique “ciclo de vida dos produtos” e “diversificação de utilidade para os produtos”.
Resposta: O “ciclo de vida dos produtos” considera o tempo compreendido entre a sua concepção, pesquisa de mercado, planejamento do modelo, desenvolvimento do design, escolha das tecnologias de fabricação e do produto, uso do produto, análise dos produtos semelhares dos concorrentes (existentes ou em desenvolvimento), fontes de matérias-primas, mercado comprador, produção efetiva, embalagem, transporte, venda até a data quando não mais for aceito pelo mercado. É, portanto, o período que vai desde a sua concepção até quando ainda for aceito pelo mercado e a sua produção seja rentável pela empresa. Quanto à “diversificação de utilidade para os produtos” esta está ligada diretamente ao uso que a sociedade faz do produto ou à tecnologia contida no produto. Vejamos alguns exemplos: no início a fotografia tinha uso apenas por ser imagens de pessoas ou coisas. Depois (sem necessariamente adicionar novas tecnologias) a sociedade passou a usá-la para registrar a ocorrência de fatos (fotos dos jornais e revistas) e como elemento de identificação das pessoas nos documentos de identidade, passaportes etc. No caso dos telefones foi a tecnologia contida no produto que lhe deu uso múltiplo. Há os fixos e os transportáveis. Servem para falar com as pessoas, mais alguns servem também como máquinas de calcular ou de vídeo games, para receber mensagens (em substituição ao pagers), para ligações pela Internet e como máquina fotográfica.

Questão 7: Explique “cultura organizacional”.
Resposta: Três elementos chaves fazem uma organização ser competitiva no mundo globalizado: o capital (ainda fator determinante); as leis que regem a atuação do setor em que ela atua; o conhecimento tecnológico, as informações que a empresa dispõe e o como as utiliza. Ao conjunto desses três últimos fatores (tecnologia, informações e o como os utiliza) é que dá o nome de “cultura organizacional”. Se uma empresa detiver tecnologia (de produção ou de produto) mas não tiver as informações do mercado, fatalmente estará fadada ao fracasso. Se possuir tecnologia e informações mas não souber fazer uso delas, dificilmente terá êxito. O sucesso das empresas está em fazer a interação desses fatores. À essa integração, à maneira como as empresas usam a tecnologia e as informações é que se dá o nome de “cultura organizacional”.

Questão 8: De que maneira fatores tais como “ciclo de vida dos produtos”, “diversificação de utilidade para os produtos” e “cultura organizacional” se transformam em elementos essenciais para que as empresas passem a usar o sistema de custeio baseado nas atividades?
Resposta: Como o sistema de custeio baseado nas atividades tem por objetivo evidenciar as atividades essências e as não essências para as empresas, as rentáveis e as não rentáveis, necessita de elementos que contemplem aspectos tais como: período de amortização dos investimentos com o projeto, pesquisa e desenvolvimento do produto (ciclo de vida); características do mercado comprador (uso dos produtos) e como a empresa elabora o produto (cultura organizacional). A necessidade de “dar valor” a essas atividades é que faz com que as empresas passem a usar o custo ABC.

Questão 9: Por que o sistema ABC evidencia da situação real da empresa, “quando analisa as funções exercidas pelos seus vários setores e estabelece critérios para o rateio dos custos diretos e indiretos tendo por base essas atividades”?
Resposta: Para a alocação dos custos diretos, os sistemas tradicionais de custeio tomam por base a origem dos dispêndios e sua relação com os diversos produtos da empresa. O rateio dos custos indiretos é feito de forma quase que aleatória, baseados em elementos tais como receitas, volume da produção e área ocupada. Ao transferir a alocação e o rateio dos custos para as atividades que originaram o dispêndio, o sistema ABC identifica o custo real de cada produto, quais os produtos lucrativos ou não, qual a margem de contribuição real de cada um deles, ao mesmo tempo em que evidência se há necessidade de agregar inovações tecnológicas etc.

Questão 10: No sistema ABC, o que se entende por “relação custo x benefício”, sabendo-se que as empresa têm várias atividades nos seus vários processos, que há processos que envolvem várias atividades e que os custos têm que ser alocados nas atividades e não nos processos, como é nos sistemas contábeis normais?
Resposta: Ao se identificar as várias atividades que existem em cada processo, é possível identificar todas as atividades existentes na empresa pela soma das atividades dos vários processos. Como o custeio ABC também evidencia as receitas pelo faturamento das atividades-produtos, torna-se fácil saber se o custo de cada produtos esta sendo coberto pela receita que proporciona (relação custo x benefício). Vai mais, ainda, ao identificar se o nível da lucratividade obtida é compensador.