Custo de Oportunidade

Tomislav R. Femenick
Tribuna do Norte. Natal, 04 jun. 2011.

A teoria do “custo de oportunidade”, “custo alternativo” ou “custo implícito” foi desenvolvida em 1914 pelo economista austríaco Friedrich von Wieser, cuja principal contribuição foi atribuir um custo às várias oportunidade de uso de recursos. Entretanto, ele não “inventou” os custos de oportunidade, apenas formalizou o conceito de que toda decisão envolve uma avaliação dos custos de oportunidade envolvidos, e de que a maioria das pessoas faz essa avaliação, ao realizar investimentos ou simplesmente fazer qualquer compra. Wieser era integrante da escola marginalista ou subjetivista do pensamento econômico.

O Custo de Oportunidade é um conceito das Ciências Econômicas, diretamente relacionado com o princípio que considera que os recursos (capital, mão de obra, recursos da natureza e tecnologia) sempre são escassos, pois sempre são insuficientes para satisfazer todas as necessidades da sociedade como um todo; de todas as pessoas.

É justamente pela falta de recursos – que atendam todas as suas expectativas de negócio – que as empresas optam por direcionar suas disponibilidades para alguns empreendimentos, abrindo mão de aplica-los em outros, pois a escassez de recursos torna as alternativas mutuamente excludentes. Deixar de aplicar recursos em alguns projetos para aplicar em outros resulta, paralelamente, em ter como receitas somente os rendimento oriundos dos empreendimentos que receberam seus investimentos. O Custo de Oportunidade seria, então, a soma das receitas que a empresa deixou de obter nos empreendimentos que não realizou, porque ao optar por dados projetos, renunciou as outras oportunidades.

O aprimoramento dos conceitos iniciais – que reconheciam o Custo de Oportunidade como a “soma das receitas que a empresa deixou de obter” –, levou a outro posicionamento teórico (este mais lógico): o Custo de Oportunidade “pode ser considerado como a oportunidade perdida com o não aproveitamento do investimento mais rentável”, isto é, ele é igual a diferença evidenciada pela comparação entre a renda que poderia ter sido obtida pela alternativa mais rentável e o ganho efetivamente realizado, em virtude da escolha da empresa. Então, hoje se considera como Custo de Oportunidade o que se deixa de ganhar por não se ter optado pela melhor alternativa. Em termos práticos, para a empresa esse é um custo derivado de sua escassez de recursos, escassez que a obriga a fazer escolha por esse ou aquele projeto, a optar por uns empreendimentos em detrimento de outros, uma vez que o total dos recursos disponíveis é o limite da possibilidade de investimentos.

Estabelecidas essas premissas, ver-se que os estudos para investimentos futuros ou as análises sobre as opções de encaminhamento dos recursos da sociedade deve, também, levar em consideração o conceito do custo-benefício. A incógnita a ser encontrada deve responder a seguinte questão: dentre as alternativas possíveis, qual aquela que apresentaria (ou apresentou) a melhor lucratividade? É uma probabilidade teórica.

Todavia, a empresa é um órgão vivo, pulsante, que tem função que interagem entre si; não há partes desse organismo que possam viver isoladas, por todas elas também são interdependentes. Não há função empresarial autossuficiente, capaz de atender às próprias necessidades, sem depender de outras. Por isso é que o Custo de Oportunidade não deve ser a baliza determinante do direcionamento dos recursos da entidade, por mais importante e relevante que esse conceito seja. Muitas vezes a empresa “precisa” fazer investimentos menos rentável, para alavancar a rentabilidade de outras atividades, essas essenciais para o seu desenvolvimento. Nesse caso, os estudos pré-operacionais do empreendimento e suas análises pós-operacionais devem integrar as atividades a serem alavancadas e o novo empreendimento, como se fossem um único projeto.

Ainda em termos práticos, se pode considerar duas situações. O primeiro exemplo seria o caso da empresa possuir um prédio em área extremamente valorizada e nele alojar seu almoxarifado, quando este poderia se localizar em regiões de menos valor. A diferença entre o valor de venda do prédio atual e o de compra de uma edificação mais barata, é o custo de oportunidade que a entidade assume ao não realizar essas operações; independente do motivo, ela deixou de registrar lucro. O outro ocorre quando a sociedade empresária define-se por fazer investimento em um projeto menos lucrativo em benefício do conjunto do seu faturamento. O hotel que amplia sua área de lazer (que não gera receitas diretas), para atrair mais hóspedes, que vão alavancar as vendas de meios de hospedagem e de alimentos e bebidas. Nesse último caso o Custo de Oportunidade foi assumido pela empresa em um setor, com vista a beneficiar outros departamentos, então a análise também deve levar em consideração todos os setores envolvidos.

 

 



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