Curriculum – Depoimentos

II – DEPOIMENTOS

1. O CROATA-MOSSOROENSE

Armando Negreiros – Escritor (membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras) médico e articulista, no Jornal de hoje – Natal-RN, edição de 12.05.2003.

“Nele nada é usual. Tudo foge aos padrões normais; é incomum, insólito, estranho ou inabitual. Até aos sete anos não falada nada, embora entendesse quase tudo o que se dizia. Começou a falar e a escrever ao mesmo tempo. Como resultado, falava e escrevia com muitos erros. Aos doze anos sua família se transferiu para Alagoas. Um anos depois, ainda sem saber escrever direito e para se corrigir, arranjou emprego como repórter nos Diários Associados, na época a maior cadeia de comunicação do país. Aos quinze anos assumiu a sub-secretaria do Jornal de Alagoas e, entre outras façanhas, entrevistou Juscelino Kubitschek, quando ainda candidato a presidente, o general Janari Nunes, presidente da Petrobrás, João Agripino Filho, então secretário geral da UDN e futuro governador da Paraíba, Arnon de Melo, o pai de Fernando Collor de Melo e na época governador de Alagoas e muitas pessoas que fizeram história neste país. Num mesmo dia conheceu Filinto Müller, o temível chefe da polícia política de Getúlio Vargas durante o Estado Novo, e o coronel João Bezerra, o homem que comandou o cerco da grota de Angicos, quando mataram Lampião. Aos dezesseis pediu uma entrevista a Gilberto Freire. Entrevista concedida, perguntas feitas e respondidas em menos de meia hora. Eis que o nosso homem (então uma criança) sacou uma lista com mais de vinte dúvidas sobre duas obras do mestre: Casa grande & senzala e Interpretação do Brasil. Foram mais quatro horas de conversa.

Além de jornalista já foi publicitário, bancário, dono de uma das melhores casa noturna do Estado (mais para clube da sociedade), corretor do mercado de capitais (ações e câmbio), sócio-diretor de agência de notícias, especialista em elaboração de projetos econômicos e em O&M, até que resolveu ‘fazer São Paulo’. Lá ‘explorou o mundo’. Sua formação é a mais eclética possível: bacharel em ciências contábeis, especialista em economia para executivos e mestre em economia. Não contente, fez extensão em sociologia e história. Seus mestres foram os melhores de cada área: em contabilidade foi assistente de Hilário Franco, em economia teve como mestres Paul Singer, Guido Mantega e Francisco de Oliveira, em história Fernando Novais e em sociologia Octavio Ianni – todos expoentes máximo de suas respectivas áreas de conhecimento.

Sua ação profissional foi tão diversificada quanto a sua formação acadêmica. Primeiro dedicou-se a trabalhar como auditor, depois como consultor em assuntos administrativos, diretor de seguradora, promotor de eventos (seminários, congressos, feiras etc.) no Brasil e nos Estados Unidos, especialista em hotelaria e turismo, perito contábil e, novamente, como auditor – hoje tem uma empresa de auditoria e consultoria, cuja primeira sede foi na Avenida Paulista, a mega financeiro do país – e professor universitário. Gerenciou a auditoria externa no Banco Mercantil de São Paulo, no Banco Real, no Brasilinvest e, crème de la crème, no Banco do Brasil, inclusive coordenando os exames das agências do exterior. Suas publicações (livros, ensaios, monografias, artigos) versão sobre os mais vários assuntos: economia, política, contabilidade, custos, hotelaria, turismo e, principalmente, história – não história local, regional ou mesmo do Brasil; são sempre sobre assuntos mais amplos: história da escravidão no Novo Mundo, história da Península Ibérica na baixa idade média, dos descobrimentos, da América, do Rio da Prata etc.

È claro que estou falando de Tomislav Rodrigues Femenick”
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2. ANOTAÇÕES À GUISA DE UM PREFÁCIO“PÓS-DIFICIL”

Antônio Corrêa de Lacerda – Economista, professor do departamento de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Foi presidente do Conselho Federal de Economia.

A tarefa de escrever um prefácio se revela tão desafiadora que talvez, se me permitem o trocadilho, chamá-lo de “pós-dificil” seria mais adequado. Não é tarefa simples pretender escrever algo aproveitável diante de um trabalho, como é o caso em questão, que envolveu anos de pesquisa, reflexão e elaboração.

Conheci Tomislav no início da década de oitenta quando ambos fazíamos o mestrado em economia política na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). O convívio comprofessores e colegas era um fantástico estimulo para a atividade intelectual. Era um momento político que marcava o ocaso do regime militar no Brasil e borbulhavam as discussões sobre o modelo brasileiro de (sub) desenvolvimento.

As discussões com mestres comoPaul Singer, Francisco de Oliveira, Guido Mantega, Ademar Sato, Walter Barelli, Edgar Alves, Geraldo Muller, entre tantos outros igualmente brilhantes, nos proporcionava uma oportunidade talvez única, naqueles tempos bicudos, de exercício democrático das ideias e discussões, que não se limitavam às salas de aula e seminários regulares, e se estendiam por ambientes que iam da academia, à casa de algum colega, ou (este último o mais frequente) às mesas de bares paulistanos.

Vivemos hoje um período bem diferente daquele de vinte anos atrás que descrevi há pouco. A democratização no campo político evoluiu bastante, especialmente no que se refere ao livre debate das ideias. Mas, no campo econômico e social prevalece um modelo que não se revelou suficiente para cumprir a tarefa do desenvolvimento, na sua acepção mais ampla. O fato é que convivemos com vários “brasis”: um moderno e dinâmico do eixo sudeste, comparável a padrões sul-europeus, e os bolsões de pobreza na periferia desse mesmo eixo e que tende a prevalecer nas demais regiões do País. Os níveis de exclusão continuam vergonhosos para um País com a nossa dimensão, assim como o grau de concentração de renda, que restringe aos dez por cento mais ricos da população, quase a metade da renda nacional. A décima primeira maior economia do mundo ocupa o constrangedor septuagésimo terceiro posto no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), elaborado pela ONU (Organização das Nações Unidas).  

Quero destacar a importância de Os escravos: da escravidão antiga à escravidão moderna pela contribuição que representa para a discussão dos rumos da sociedade brasileira.

3. O ACADÊMICO EXIGENTE

Celso Moacir de Coelho – Editor e presidente da CenaUn, Comércio, Sistemas e Editora Ltda.

“Conheço o professor Tomislav há já alguns anos. Fui seu aluno, no último ano do curso de Administração de Sistemas de Informações. No início tive, assim como todos seus discípulos, uma postura de raiva e admiração. Raiva pela sua exigência acadêmica: exigência no cumprimento do horário, na atenção às aulas, no aprendizado da matéria. Admiração pela seu conhecimento técnico-científico, pela exigência que faz a si mesmo, pela preocupação não só em ensinar mas também em formar profissionais, capacitados a exercer suas atividades com saber e ética, para que este seja um país sem demagogia, sem pieguismo, mais rico, melhor e mais justo. Com o passar dos dias a raiva cedeu seu lugar à admiração e o professor Tomislav foi escolhido para ser nosso paraninfo.

Sempre seguindo o que aprendi com o mestre, de empregado tornei-me empregador e fundei uma editora. Depois de algum tempo sem contatos (a cidade grande é desumana), no final do ano passado recebi uma visita do professor Tomislav. Trazia ele um texto escrito por alunos de uma de suas classes, o qual ele havia refundido (e até reescrito), e agora queria publicá-lo, pois no mercado não existiam livros o assunto. Sabedor de sua exigência quanto ao nível da produção dos alunos, analisar o manuscrito foi meramente o cumprimento de uma tarefa burocrática. O resultado foi o esperado: a obra publicada é de alta qualidade e única nas livrarias brasileiras sobre o tema, sendo que já estudamos uma edição em espanhol de Sistemas de custos para hotéis.

Difícil mesmo foi convencer o professor Tomislav a publicar seus livros Para aprender economia e Ensaios de economia. No seu entender os textos eram apenas “anotações despretensiosas para aulas, coisas sem importância”. Foi uma luta árdua de vencer. Depois veio o segundo “round” da luta: os textos nunca estavam prontos para serem publicados, sempre havia algo a acrescentar, para corrigir, para suprimir. Só com a ajuda da professora Goreth, sua mulher, é que consegui vencer mais essa etapa.

Sei que o mestre tem mais quatro ou cinco textos; segundo ele simples rascunhos, mas para mim manuscritos prontos para se transformarem em livros. Pelo que parece, vou precisar novamente da cumplicidade da professora Goreth”.

4. DISTRIBUINDO SABERES

Prof. Dr. Haroldo Leitão Camargo – Ex-Coordenador dos cursos de graduação em Hotelaria, Turismo e de Pós-Graduação em Turismo do Centro Universitário Ibero-Americano, no prefácio do livro Sistemas de custos para hotéis.

“Não poderia ser de outra forma, na voz de quem conhece o coordenador dos textos, enfatizar a generosidade e a vivacidade de seu espírito, o temperamento adequada às transformações e às mudanças, a ausência e a recusa quando instado à acomodação. O professor Tomislav alia a generosidade ao exercício da ética, não muito comum nos meios universitários, onde a produção do alunado, quando este é inconsciente e auto-depreciativo de sua capacidade, permite nestas circunstâncias a rapina e a incorporação do saber produzido à bagagem cultural do autor-professor. Não é preciso esclarecer o que fica evidente ao leitor empenhado, caso a caso, cada capítulo discrimina a autoria ou grupo que detém a autoria. Generosidade e, porque não dizer, desprendimento inteligentes”.

5. A PRATICA E A TEORIA

Prof. Dra. Terezinha O. Dantas da Costa – Pro-reitora do Centro Universitário Ibero-americano, na apresentação do livro Para aprender economia.

Este novo livro “do Professor Tomislav R. Femenick, é uma síntese do conhecimento econômico de forma didática, com linguagem direta e com rigor teórico e conceitual. Gostaria de registrar outra faceta do prof. Tomislav. Trata-se de um professor dinâmico, com muitas inquietações. Mantém um relacionamento amigo e cordial com colegas e alunos. Procura incentivar nas suas disciplinas a prática aliada à teoria, propiciando um melhor aprendizado aos seus alunos, com o intuito claro de levar o maior número de adeptos à sua paixão maior – a economia”.

6. TEXTO DIDÁTICO, COM LINGUAGEM SIMPLES

Prof. Roberto de Almeida – Coordenador dos cursos de Economia, Administração, Comércio Exterior, Administração Financeira e Bancária e Contabilidade, do Centro Universitário Ibero-Americano, na apresentação do livro Para aprender economia.

“Os textos do prof. Tomislav Rodrigues Femenick são contribuições efetivas no sentido de tornar as Ciências Econômicas compreensível ao leitor comum. Têm como principal característica a desmistificação do hermetismo que cerca o ‘economês’. São textos eminentemente didáticos”.

7. UN TESTIMONIO QUE NOS ENORGULLECE

Jose Antonio Fernández Castro, Oscar Manuel Pérez Outomuro e María Luz Roo Cabo – Universitários espanhóis, alunos da Universidad de Vigo (os dois primeiros) e da Universidad de Santiago de Compostela (a última), no Unibero, publicação do Centro Universitário Ibero-Americano, Ano XXI, nº 12, out/1994.

“Agosto de 1994. Tres alumnos españoles llegan a la Facultad Ibero-Americana, de São Paulo, con la misión de intercambiar información, experiencia y conocimientos con alumnos nativos sobre el mercado de valores. Al principio todo eran incógnitas, preguntas sin respuestas que se sucedían en nuestras mentes y sobre todas ellas una gran duda: ¿lograríamos nuestro objetivo? Un día recibimos nuestra primera propuesta, asistir a una clase. Curso: 4º año de Administração de Sistemas de Informação; professor: Tomislav R. Femenick; matéria: Mercado de Valores.

Sin duda fue una gran sorpresa. El aula estaba organizada en grupos de cinco alumnos, cada grupo representaba una empresa, y estaban organizadas como tales. Su función era invertir su patrimonio en la Bolsa de Valores montada entre los alumnos de Administración (empresas corretoras con capital propio) y los alumnos de Informática (inversores individuales). La clase marchó bien, demasiado bien para ser la primera. Se notaba que había ganas de trabajar y se disfrutaba con el tema. La siguiente propuesta fue ver el otro lado de la moneda, las empresas corretoras (Administración) y su forma de actuar. Fue increíble, en la primera clase sobre Bolsa se Ilegaron a cerrar más de 250 operaciones de compraventa, y todo gracias a la coordinación implantada por el profesor Tomislav y sus monitores.

Nos gustaría comparar esta experiencia con el sistema educativo español, pero no es posible, ya que nuestros conocimientos se basan en cursos paralelos a la Facultad, pero independientes de ella.

Decir que esperábamos algo semejante sería mentir, así que lo único que podemos hacer es felicitar a la Facultad Ibero-Americana por disponer de un sistema y a la vez de un profesor tan competente. Sería interesante, si fuera posible, introducir este método en España.

Finalmente, decir a los alumnos brasileños que en cierto modo los envidiamos, y que nos gustaría quedarnos más tiempo y disfrutar con ellos de esta locura hecha realidad.

Objetivo cumplido. Gracias”

8. CORRESPONDÊNCIA

Deputado Jerônimo Ving Rosado Maia – Deputado federal, em carta de 11.11.68.

“Caro amigo Tomislav. Li na edição de ontem do Correio Braziliense uma matéria de sua autoria, sobre o potencial turístico da nossa cidade e Estado. Como não poderia deixar de ser, estava muito boa.

Ler sua produção jornalística está se tornando uma obrigação para nós homens públicos da região de Mossoró, pois sempre nos surpreende com uma nova faceta: ora divulga o turismo, outras vezes fala sobre a nossa eterna luta pela água, conta o aparecimento de petróleo (que, mesmo sem ser procurado, teima em aparecer na abençoada terra de Santa Luzia), luta pelo esporte, ensino e pela cultura, conta a saga do 30 de Setembro e a resistência ao cangaço. Em suma, sempre tem algo novo, surpreendente e necessário para se ler. Com o seu trabalho, Mossoró está bem mais divulgada e conhecida no país”.

9. CORRESPONDÊNCIA

Senador Francisco Duarte Filho – Carta dirigida ao jornalista Hilton Mota, superintendente dos Diários Associados em Pernambuco e Alagoas, em novembro de 1967.

“Há momentos em que não podemos deixar de externar as nossas opiniões e há fatos que exigem o nosso pronunciamento. Assim é o que ocorre com relação a nós mossoroenses e o Diário de Pernambuco. O seu jornal, por sinal o de maior circulação em nossa cidade, vem fazendo algo verdadeiramente formidável por nossa região e, consequentemente, pelo Rio Grande do Norte.

Outra coisa que o seu jornal não poderia ter feito melhor: a escolha do correspondente. O jornalista Tomislav R. Femenick tem trânsito livre em todos as áreas. Quando quer uma entrevista ou um furo é cabeçudo como deve ser todo jornalista que se preza. Infeliz daquele que lhe nega uma entrevista. Quem o fizer não terá mais sossego, enquanto ele não atingir o seu objetivo. Essas são as opiniões de um homem que ama à sua terra, ao seu povo e, consequentemente, à sua pátria e que não poderia deixar de agradecer quando fazem algo por Mossoró”

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