Conexões e Reflexões Sobre Jornalismo

ÍNDICE

NOTA DO AUTOR

Primeira Parte: PERSONAGENS DA HISTORIA DO RIO GRANDE DO NORTE

I – ALUÍZIO ALVES

PRIMEIRA SÉRIE DE ENTREVISTAS

1.1 A esperança é verde

1.2 A cadeira do poder

1.3 As sensações do poder

1.4 A democracia e o golpe militar

1.5. A placidez das lideranças políticas

2. SEGUNDA SÉRIE DE ENTREVISTAS

2.1 Partidos políticos: democracia ou caos

2.2 Os partidos políticos

2.3 Os partidos brasileiros pós 1988

2.4 Novos caminhos

2.5 O chapéu dos políticos

2.6 O “ser político”

2.7 Os políticos partidários

2.8 A burocracia partidária

2.9 O marketing partidário

2.10 Atritos no caminho da harmonia

2.11 Conversando com deputados

2.12 Conversando com ministros

2.13 Conversando com magistrados

2.14 Na linha de corte das baionetas

2.15 De Jango a Castelo

2.16 Nem direita nem esquerda

2.17 Tempos de golpe

2.18 O homem só é feliz se tiver camisa

2.19 Desolação econômica

2.20 Em busca de um novo caminho

2.21 Uma nova infraestrutura

 II – MOTA NETO

  1. A mágica aparição de Mota Neto
  2. Um articulador invulgar
  3. O teatro da política
  4. A força da natureza
  5. A força do direito

 III – PADRE MOTA

  1. Res Publica
  2. As finanças públicas
  3. O funcionalismo
  4. A luta pela água
  5. Urbanização da cidade
  6. Ecologia e estética urbana
  7. Limpeza pública
  8. O ensino
  9. A banda
  10. A “Voz da Cidade”

IV – RAIMUNDO SOARES DE SOUZA

1. O HOMEM QUE NÃO QUIS SER GOVERNADOR

1.1 Política: quase sempre

1.2 Mossoró

1.3 Câmara Federal

1.4 Três grandes

1.5 Prefeito

1.6 Governador

1.7 Discrição

1.8 Governo

1.9 Realizações

1.10 Outro lado

1.11 E depois?

 2. CONTRADIÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL

3. MOSSORÓ E A BATALHA DA ÁGUA

3.1 Os recursos

3.2 As soluções

3.3 Água do arenito

3.4 As perfurações

V – SILVESTRE VERAS BARBOSA – O senhor do Monte Afraim

5.1 Forragem

5.2 Voz da experiência

5.3 Realidade

5.4 De cortar coração

5.5 Falta de incentivos

5.6 Importadores e exportadores

5.7 Compra e venda

Segunda Parte: FATOS DA HISTORIA DO RIO GRANDE DO NORTE

I – O 30 DE SETEMBRO E A REALIDADE HISTÓRICA

  1. A escravidão clássica
  2. A escravidão moderna
  3. A escravidão em Mossoró
  4. A abolição
  5. A Maçonaria e a abolição
  6. O 30 de setembro

II – A COLUNA PRESTES NO RIO GRANDE DO NORTE

  1. Gênese e pavor
  2. Repercussão em Mossoró
  3. Repercussão em Areia Branca
  4. Repercussão em Natal
  5. Lampião entra na dança
  6. O ataque a São Miguel
  7. Fatos e versões; uma controvérsia
  8. Testemunhas de si mesmo

III – O CONTESTADO RN x CE: a guerra que quase houve

  1. Uma disputa ainda insepulta
  2. Uma questão de sal
  3. Uma guerra que quase houve
  4. Nos anos 1960
  5. A Constituição

 IV – UMA HISTÓRIA DO PETRÓLEO POTIGUAR

  1. Características estruturais
  2. A história
  3. A Petrobrás na Gangorra
  4. Um Saco de Petróleo
  5. Óleo no coração
  6. O tempo certo
  7. Novos Preços, Novos Poços
  8. Produção cai e a crise bateu à nossa porta
  9. Causas da retração
  10. Descobertas recentes trazem novas expectativas
  11. A melhor notícia
  12. Projeto e realidade de uma refinaria
  13. O Lado Nobre
  14. E a refinaria foi para… Pernambuco
  15. Refinaria Clara Camarão torna o RN autossuficiente
  16. Capacidade potiguar será ampliada
  17. Além do econômico
  18. Construindo a infraestrutura
  19. Construindo a Cultura
  20. Os royalties do petróleo
  21. As empresas do polo petrolífero
  22. Formação de mão de obra
  23. Euforia, desânimo e esperança
  24. A dimensão sociocultural do petróleo

 V – OS “CABOCLOS DE CARÚBAS”

  1. Por herança ou por toponímia?
  2. Pesquisa está esperando publicação
  3. Conquistas fundiárias e melhorias
  4. Música e dança atraíram a atenção de Jorge Amado

VI – O MAIOR GRUPO EMPRESARIAL DO RIO GRANDE DO NORTE

  1. O império do sal
  2. O império do algodão
  3. Outras atividades
  4. Os empreendedores
  5. A crise do algodão
  6. A crise do sal

 VII – HÁ MILHÕES DE ANOS JÁ HAVIA VIDA NO RIO GRANDE DO NORTE

  1. Zona de pesquisa
  2. As condições
  3. Como se acha um fóssil
  4. Escassez de água
  5. Também em São Rafael
  6. De Instituto a Museu
  7. A equipe
  8. Material colhido

Terceira Parte: OUTOS FATOS

VIII – JK; O “MUSO” DO VERÃO 2006

IX – O PRESIDENTE TRAVESSO

X – A ENTREVISTA QUE NÃO FOI

XI – COISAS DE UM RIO ANTIGO

XII – TUDO COMEÇOU EM MOSSORÓ

XIII – PASSADO, PRESENTE & FUTURO

NOTA DO AUTOR

Há uma corrente de pensadores, que inclui alguns acadêmicos com bom pedigree, que segue uma linha de raciocínio que confunde “memória” com “história”. Na qualidade de integrante dessa espécie muito especial conhecida como “homo academicum”, sinto-me a vontade para divergir, embora reconheça que o que separa esses dois conceitos é algo tão fina como é fino o gume de uma navalha afiada.

Como historiador vejo a memória como algo suspeito, pois o memorialista é quase sempre uma testemunha de se mesmo; até quando é testemunha de algo de que não participa, é somente plateia de um acontecimento que lhe pode parecer simpático ou avesso. É por isso que não há verdade absoluta, uma vez que todas as verdades são relativas. Relativas a um determinado parâmetro, no caso o juízo de valor do memorialista.

Aqui surge a pergunta: e o jornalista, ele é um memorialista? Claro que é, mas também é um mensageiro da memória das suas fontes. Assim entendido, ele corre o risco de divulgar versões incorretas de acontecimentos e fatos, principalmente se suas matérias são baseadas nos press releases que hoje em dia invadem as redações dos jornais, revistas e dos setores noticiosos das rádios e televisões. Não custa destacar: os entrevistados, as fontes e os redatores dos informes dirigidos às redações são pessoas que têm por finalidade divulgar suas versões de fatos e atos; pessoas e documentos nem sempre comprometidas com a verdade. Pessoas mentem e documento podem ser falseados. Além do mais a retórica pode esconder a conformidade com a realidade, criando um ambiente propicio à subjetividade cognitiva do intelecto humano, distanciando os fatos e eventos da realidade objetiva. Aqui está o busílis, o cerne da questão.

Para evitar cair nessa cilada, a tarefa que cabe ao jornalista é verificar as informações que recebe, testando sua veracidade. Então, é preciso decifrar as mensagens que recebe e mergulhar em busca da verdade mais profunda. Isso só se consegue após examinar, investigar, pesquisar e esquadrinhar minuciosamente o que pode estar por trás das mensagens, dados e interpretações que recebe de terceiros. A dúvida é – e sempre será – a ferramenta basilar da profissão do comunicador.

Só com esse constante distanciamento crítico as memórias se transformam em história, matérias a serem divulgadas aos seus leitores ouvintes ou telespectadores. Com essa ação, os jornalistas contribuem para a construção, reconstrução e divulgação da verdade.

Mas existe um outro aspecto relevante no exercício da profissão: a aceitação de posições adversas à posição do jornalista, pois o alicerce da imprensa é a multiplicidade de posições ideológicas, a diversidade de ideias e conceitos. O contrário é nada mais nada menos que censura; tudo o que se deve evitar.

Durante a ditadura militar, como jornalista dos jornais Diário de Natal, Diário de Pernambuco e O Povo (este de Fortaleza-CE) e como colaborador do Correio Braziliense, do Jornal do Brasil e da Folha de São Paulo, tive a oportunidade que questionar e rebater a veracidade de entrevistados e informações recebidas, sempre em busca da verdade dos fatos, mas evitando a autocensura e a censuro dos outros, mesmo que os censores recebessem ordem das autoridades do momento.

Por causa das minhas matérias publicadas na imprensa regional e nacional, fui chamado várias vezes ao comando da 4º Exército, no Recife, para “prestar esclarecimentos”. Pelo mesmo motivo, perdi o registro de jornalista, na Delegacia Regional do Trabalho de Natal. Coagido no desempenho de minhas funções do Banco do Nordeste, onde era funcionário concursado e com estabilidade (mais de dez anos e não optante pelo FGTS), foi levado a pedir demissão.

Ainda hoje só escrevo o que acredito ser verdade; nada que tenha dúvidas não resolvidas. Porém respeito a divergência de opiniões, conceitos e ideias. Não, não é nada fácil.

Tomislav R. Femenick