Conceitos Funtamentais sobre Custos

1. CONCEITOS GERAIS

Custo é uma certa quantidade em recursos financeiros correspondentes a aquisição de bens materiais e imateriais, trabalho e serviços consumidos pela empresa, necessários à produção de seus bens e serviços, bem como as despesas que são realizadas para a manutenção de instalações e equipamentos e para a realização das funções administrativas.

Para funcionar, as empresas incorrem em uma série de dispêndios (aquilo que se gasta, se consome) com matérias-primas, gastos financeiros, com pessoal, provisões para amortizações do desgaste físico e tecnológico das máquinas e equipamentos, além de outros. Por isso é que os sistemas de custeio empresarial são de importância impar, pois não é possível planificar e controlar a administração financeira de uma organização, sem a perfeita previsão e controle desses desembolsos.

Praticamente todas as decisões, administrativas ou técnicas, de uma sociedade implicam em um custo concomitante e diferenciado, já que ao escolher uma opção o administrador está deixando de lado muitas outras que, certamente, ocasionariam desembolsos em montantes diferentes.

A análise dos fundamentos do sistema de custeio de uma organização leva a uma avaliação de todos os dispêndios que constituem o valor de suas aquisições e, ao mesmo tempo, de sua correta aplicação, pois que eles estão intimamente ligados com o êxito do planejamento empresarial. A “qualidade” dos custos (diretos, custos indiretos, custos fixos e custos variáveis) está integrada à realização de uma obra lucrativa.

Custos como o da aquisição de um terreno, dos impostos, do pagamento de serviços, tanto públicos quanto serviços privados e, ainda, da aquisição dos direitos de emprego das riquezas naturais, são condições muito variáveis de situação para situação. Este é o campo do estudo dos fundamentos dos custos.

A construção de um prédio para instalação de uma empresa, em condições que satisfaçam as exigências do mercado, requer uma soma grande de valores que incluem elementos tais como terreno, edificação, máquinas, equipamento e mobiliário. Para isso é necessário haver uma administração contábil muito qualificada. Esta condição prevalece também nos casos de reforma, ampliações e modificações em sua estrutura (o que ocorrem frequentemente), pois o produto da sociedade é “consumido” pela sua utilização.

2. TERMINOLOGIA

A palavra custo é, geralmente, atribuída aos dispêndios de uma maneira geral. Assim procedendo, não haveria diferença quanto à natureza, causa e finalidade na utilização dos recursos das sociedades empresariais. Entretanto, há que se fazer uma separação para que se possa identificar a sua origem, tanto funcional como gerencial. Por isso é que é necessário separá-los em três categorias distintas:

• Custos – São aqueles voltados diretamente para elaboração de produtos ou serviços, que se constituam no objeto social da empresa e que devem gerar receitas. Aqui se enquadram os insumos em gerias (inclusive as matérias-prima básicas), mão-de-obra, alugueis, seguro etc.

• Despesas – São aqueles os dispêndios compulsórios das empresas, aqueles que as empresas fazem de maneira compulsória. Nessa categoria estão todos os tributos – impostos, taxas e contribuições sociais.

• Gastos – São os desembolsos efetuados pelas empresas de forma voluntária, compreendendo contribuições para organizações culturais ou filantrópicas, por exemplo.

• Investimentos – São os valores utilizados para a formação ou ampliação do Ativo imobilizado da empresa, com a aquisição de terrenos. com a aquisição e construção de prédios ou com a aquisição ou fabricação de maquinas, equipamentos e outros instrumentos de trabalho. Note-se que somente devem sem considerados os custo de fabricação de maquinas, equipamentos e outros instrumentos de trabalho quando esses itens forem para uso próprio.

A técnica usada no sistema de custeio, ou custeamento, consiste especificamente no estudo, demonstração e análise das origens e destino dos custos, fornecendo subsídios para a administração.

O armazenamento de informações, se baseado em técnicas contábeis corretas, pode fornecer ao sistema de contabilidade de custos elementos que, uma vez compilados, propiciam a geração de relatórios e análise que norteiam a gestão administrativa das empresas. Nessas condições, os contadores podem desenvolver um trabalho ordenado dos registros das operações, considerando o emprego do custeio direto e o custeio de reposição como fator de avaliação dos preços e, para tanto, utilizam-se dos chamados códigos de custos. Estes códigos, geralmente, são representados por no mínimo três grupos de seqüências numéricas, de modo a indicar:

a) O centro de custo, ou seja, o departamento que efetuou ou despendeu o gasto que se está classificando.

b) O tipo de despesa, ou seja, o bem, produto, serviço etc. consumido ou aplicado nos serviços próprios do setor hoteleiro.

c) A que produto ou serviço o custo foi aplicado.

Nas grandes organizações, geralmente parte dos valores é aposta em documentos identificadores dos custos dos departamentos onde estes foram gerados, sendo posteriormente complementados pela Controladoria ou pela Contabilidade. Por exemplo: o código que indicam o departamento de geração do custo é informado pelo próprio departamento e o restante da numeração é complementada pela Contabilidade. Esses dados são armazenados e processados, gerando-se as informações relacionadas com os custos, de forma a propiciar a elaboração dos relatórios necessários à boa gerência financeira. O entendimento da sistemática de apuração de custos implica na necessidade de conhecimento e aplicação de uma determinada terminologia específica, desenvolvida pela ciência da contabilidade.

Os principais termos utilizados pelos sistemas de custeio são:

• CENTRO DE CUSTOS – São as unidades nas quais são realizadas as acumulações de custos. Normalmente a acumulação é feita por um departamento, mas, pode haver tantas subdivisões quantas sejam necessárias. Assim pode haver custeio por uma seção ou até por uma máquina, guardando-se sempre a noção de relevância dos valores que estas unidades representam, em dos valores envolvidos ou da importância da informação gerencial evidenciada.

• UNIDADES DE CUSTO – Representam a totalização de custos por lotes, pedidos ou outras unidades de medida utilizadas para fornecimento de serviços aos clientes da empresa. Por exemplo, o Setor de Eventos de um hotel recebe um pedido para promoção de um banquete e cria uma “ordem de serviço” para acumular os dispêndios de sua preparação, objetivando apurar o seu custo efetivo.

• CUSTOS – É a avaliação em unidades de dinheiro de todos os bens materiais e imateriais, trabalho e serviços consumidos pela empresa, na produção de seus produtos ou serviços, bem como aqueles consumidos na manutenção de suas instalações e equipamentos.

3. CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS

Para a gerência da empresa, é importante que os custos sejam divididos conforme a sua origem, de forma que se possa determina o custeio efetivo. Isso porque há custos perfeitamente identificados e aplicados diretamente em um tipo de produto ou serviço, enquanto outros são do negócio como um todo e não somente de um dado produto ou serviço. Tomando-se uma revenda de automóvel como exemplo: o valor pago à montadora pela aquisição de um veículo para revenda, seria custo direto do departamento de “Venda de Veículos”; o valor pago pelo aluguel do prédio, seria custo indireto, pois teria que ser rateado entre os departamentos de “Venda de Veículos”, “Peças” e “Serviços”.

Para que os custos possam ser perfeitamente quando a sua origem, devem ser classificados da seguinte forma:

a) CUSTOS DIRETOS – São os custos que podem ser identificados diretamente com uma unidade de um produto ou serviço, que nele são incorporados diretamente – observado o período de tempo em que foi elaborado. Estes custos não deixam dúvida, pois eles são apropriados ao produto, sem necessitar rateio.
Devido a sua irrelevância ou por serem difíceis de ser medidos rigorosamente, alguns custos diretos podem ser classificados com indiretos e assim lançados nos custos de produção. Por exemplo: em uma fábrica de móveis seria preciso colocar um medidor em cada uma das varias máquinas, para se medir a quantidade exata de luz e força utilizada na elaboração de um produto. Além de resultar em uma apuração irrelevante, esse seria um processo difícil e muito caro. Nestes casos recomenda-se a apropriação como custo indireto.

b) CUSTOS INDIRETOS – São os custos relacionados com a elaboração dos produtos e serviços, mas que não podem ser economicamente identificados com o que está sendo produzido e que não se relacionam com a sua execução.
Deve-se observar que os custos com mão-de-obra podem ser classificados como custos diretos ou indiretos, depende da função exercidas pelos funcionários. O salário de um cozinheiro é um custo direto, pois sua mão-de-obra é voltada para os produtos preparados na cozinha. Já o salário de um segurança é classificado como custo indireto e rateado por vários departamentos da empresa, pois seu serviço está ligado a vários setores; ele presta serviço aos setores de produção, vendas, administração geral etc. Todos os processos que se utilizam de divisão para a associação a um produto, por meio de estimativa ou por medição direta, evidencia um custo indireto.
Entre os custos indiretos há uma divisão entre menos indiretos e mais indiretos. Os menos indiretos são alguns materiais de consumo, pois são quase indiretos (por exemplo, os lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos). Os mais indiretos são similares aos salários de segurança.
Para a distribuição dos custos indiretos existem vários métodos. Os sistemas mais comuns são os que fazem o rateio proporcional ao faturamento dos vários departamentos, proporcional ao volume da produção de cada setor ou pela área física que cada setor ocupa. Estes custos também podem ser rateados por um sistema misto. Na há um sistema indicado para todas as empresa. O sistema deve se adaptar à empresa, e não o contrário.

3.1 Depreciação

Os custos com a Depreciação do Ativo Imobilizado são considerados como custo indireto. Isso porque: a) os imóveis, máquinas e equipamentos geralmente são de uso comum a todos os departamentos da empresa; b) o seu valor representa uma perda do valor de uso de um determinado bem, considerando-se o seu desgaste físico ou tecnológico, que provoca um decréscimo do valor original.

Utiliza-se o seguinte critério para evidenciar o valor da depreciação:

Depreciação = Custo original do bem x Tempo de uso do bem / Vida útil do bem

Onde:

Depreciação: Despesa considerada pelo uso efetivo do bem ou o decréscimo do seu valor original.

Custo original: Valor de aquisição do bem.

Vida útil: Tempo (calculado em anos) projetado para o uso do bem pela empresa, considerando o seu desgaste físico e/ou tecnológico.

Tempo de uso: Tempo decorrido entre a data de aquisição do bem e a data da apuração da depreciação.

4. CUSTOS FIXOS E CUSTOS VARIÁVEIS

Os custos fixos são aqueles que não variam em proporção ao volume de produção da empresa. Se uma fábrica de móveis produzir uma cadeira ou cem cadeiras, por exemplo, paga o mesmo aluguel do prédio, o mesmo IPTU, o mesmo salário do contador etc. Já os custos variáveis são aqueles que variam de acordo com o volume produzido Tomemos como exemplo uma indústria de confecção que, para produzir dez peças de camisa usa “15” metros de tecido (15 metros / 10 peças = 1,5 metros de tecidos por peça); produzindo cem peças da mesma espécie gasta “150” metros do mesmo tecido (100 peças x 1,5 metros de tecidos por peça = 150 metros de tecidos). O crescimento do custo com a matéria-prima “tecido” cresceu proporcionalmente ao crescimento da produção.

Esta classificação de custos é de grande importância para a fixação dos preços de venda e determinação do nível de produção mais rentável para a empresa. Por isso, alguns elementos básicos são de muita relevância para classificação dos custos, quanto ao aspecto de “variáveis” ou “fixos”. Entre eles estão os desembolsos efetuados com:

• Matérias-Primas – Os custos com a matéria-prima básica e outros insumos utilizados na elaboração dos produtos e serviços da empresa, ou os “materiais e produtos utilizados no processo de produção de mercadoria ou na elaboração de serviços”.

• Mão-de-Obra – Representado pelo “dispêndio com o pessoal dos setores de produção”.

• Gastos Gerais – Custos não relacionados com a produção, representados pelos “dispêndios necessários ao desenvolvimento das atividades operacionais, porem não aplicáveis diretamente na produção”, como, por exemplo, os impostos, os custos com venda, aluguel da área comercial, gastos administrativos etc.

Cada uma dessas categorias básicas de custo deve ter, por parte da administração da empresa, uma forma própria de controle e análise. Relativamente à mão-de-obra, por exemplo, devem ser utilizados meios para evidenciar o tempo efetivamente utilizado – cartões de ponto ou outro tipo de apontamentos que objetivam mensurar o tempo aplicado por cada empregado em determinada função ou tarefa etc. Estes apontamentos são desenvolvidos para apuração de custos, suporte ao sistema de pagamentos dos empregados, mensuração do nível de produtividade de cada empregado etc.

Tempo por base esses conceitos sobre a natureza dos custos fixos e dos custos variáveis, pode-se, então, estudá-los de forma detalhado, como segue:

a) CUSTOS FIXOS – São aqueles que, a curto prazo, independem do nível de produção. Eles permanecem inalterados independentemente do número de peças produzidas e são originados pela própria existência da empresa e de sua estrutura, sem levar em conta se esta produz mais ou produz menos, até mesmo se está ou não produzindo. Por exemplo os juros, as depreciações etc. Na indústria de confecção, os custos fixos ocorrem sem levar em conta o volume físico de camisas produzidas, ou seja, são custos que ocorrem independentemente da empresa produzir ou vender produtos ou serviços.
Destaque-se que, a longo prazo, a empresa pode ser capaz de se ajustar totalmente as mudanças de circunstancias. Em outras palavras, os custos fixos podem ser adaptados aos fatores da realidade concreta. Por exemplo, se as vendas caírem a empresa pode “trocar” um prédio grande por um menor, assim caem as despesa de aluguel, de depreciação, de IPTU; pode reduzir as despesas financeiras etc.

b) CUSTOS VARIÁVEIS – Ao contrario dos custos fixos, os custos variáveis oscilam conforme a quantidade empregada dos “fatores variáveis” e, portanto, do volume da produção. Na mesma indústria de confecção, eles variam conforme o volume de “camisas” e “calças” produzidas, pois quanto maior for o número de itens fabricados maior serão os custos com matérias-primas etc. Os custos variáveis oscilam em função do volume físico de produtos ou serviços, que aumentam e diminuem de acordo com a alteração da quantidade de produtos ou serviços produzidos.

Os conceitos de custos variáveis e de custos fixos são determinantes para a analise de custos, preços e volume de produção e serviços e, principalmente, para a evidência da margem contribuição e do ponto de equilíbrio da organização.

4.1 Custos Semifixos e Custos Semivariáveis

Há situação que exigem um maior grau de detalhamento sobre a ocorrência dos os custos. Nesse caso encontramos custos que têm características variáveis, como segue:

a) Custos Semifixos – Na realidade, os custos devem ser predefinidos de acordo com o comportamento histórico do seu registro na empresa, porém com larga margem de flexibilização. Determinados serviços terceirizados podem sempre ser considerados como um custo de um determinado setor porém, em certa época do ano, alguns departamentos fazem contratação de mão-de-obra terceirizada em maior quantidade e por um longo período; aquele procedimento deve sofrer alteração, cabendo à Controladoria adequá-lo à nova situação. Estes gastos adicionais são considerados como Custos Semifixos, pela elevação que ocorre historicamente. Por exemplo, a variação da taxa de ocupação do hotel, sempre registrada em determinada época, exige um tratamento que evidencie essa ocorrência.

b) Custos Semivariáveis: Alguns especialistas consideram que certos custos podem ser classificados como Custos Semivariáveis, por possuírem, ao mesmo tempo, características dos custos fixos e variáveis. Considerando-se o consumo de energia elétrica de um hotel, têm-se duas alternativas. Na primeira, esse custo pode ser dividido; parte como Custo Fixo (parcela consumida pelas áreas comuns e administrativas) e parte como Custo Variável (consumo dos hóspedes). Na segunda, todo o consumo de energia elétrica seria considerado como um Custo Semivariável, rateado sob critérios específicos para as características do estabelecimento. A divisão de custos de uma empresa deve ser relativa à sua operacionalidade, não há uma regra única e rígida para todas as situações.



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