COMPLEXO QUÍMICO-SALINEIRO

Tomislav R. Femenick
Tribuna do Norte. Natal, 05 ago. 2007.
Gazeta do Oeste. Mossoró, 05 ago. 2007.

As plantas industriais destinadas à fabricação de carbonato de sódio – conhecido comumente como “barrilha” – são consideradas entre as mais importantes das químicas pesadas. Isso se deve às multiplicas aplicações desse produto como matéria-prima essencial para as indústrias de vidro, remédio, siderúrgica, petróleo, fotografia, detergente, papel, celulose, cerâmica, têxtil e sabão, bem como no tratamento de couros e de águas, na metalurgia e na fabricação de tintas. O carbonato de sódio pode ser encontrado na natureza ou ser obtido artificialmente, este via dois sistemas: o processo idealizado em 1791 pelo químico francês Nicolas Lablanc, usando sal comum (cloreto de sódio) para as reações químicas, ou pelo método mais dinâmico, desenvolvido pelo químico industrial belga Ernest Solvay, em 1861.

Compondo o programa para transformar o país auto-suficiente em alguns setores da indústria pesada, o presidente Vargas criou, em 1943, a Cia. Nacional de Álcalis, com sede no Município de Araial do Cabo-RJ, destinada à produção de soda e barrilha, porém a empresa só iniciou suas operações no final dos anos 50, usando o cloreto de sódio como matéria-prima básica. Como a produção de sal do Estado do Rio era (e ainda é) insuficiente para atender a demanda nacional de barrilha, em 1976 foi fundada a Alcalis Rio Grande do Norte S.A.-Alcanorte, uma subsidiaria da primeira, com instalações na cidade de Macau-RN. Essa unidade contaria com abundancia de suprimento dos principais insumos (sal ou águas-mães), estaria próxima às fontes energéticas (gás natural e etano), teria grande disponibilidade de água e acesso a um ramal ferroviário para escoamento da produção. Entretanto a Alcanorte nunca chegou a funcionar, apesar de grande parte de sua maquinaria ter sido adquirida e montada e dos US$ 150 milhões de recursos públicos investimentos.

A partir daí, começou uma história de desperdiço e irresponsabilidade com os recursos governamentais, quer pelo uso direto de verbas do Tesouro Nacional, quer pelo uso de fundos formados com dinheiro do governo federal. Quase vinte anos depois, em 1992, no governo Collor, as duas empresas foram privatizadas; vendidas ao grupo de Fragoso Pires (Companhia de Navegação Frota Oceânica e Amazônica), que então controlava 55% da produção brasileira de sal, a matéria-prima da barrilha. Como parte dessa mal explicada privatização, o BNDES oferecia ao comprador um crédito imediato de US$ 81 milhões, e mais US$ 150 milhões para financiar a Alcanorte, tudo isso a juros subsidiados. O resumo dessa opera de horror foi que o grupo Fragoso Pires deixou uma dívida de 500 milhões de dólares, junto a órgãos públicos de financiamentos e, em 2006, cessou a produção de barrilha da empresa do Estado do Rio. Afora os desmandos da administração quando as empresas estavam sob o controle governamental e, também, do grupo privado, a desvalorização do dólar perante a moeda nacional, foi outra das causas dessa paralisação: em julho do ano passado a barrilha importada custava US$ 226 (R$ 497,00) a tonelada, CIF, incluídos o imposto de importação de 10%, o frete e demais taxas, enquanto que a produzida em Araial do Cabo custava R$ 600, sem considerar os impostos diretos e indiretos.

Hoje a Alcanorte continua controlada pela Cia. Nacional de Álcalis, que é controlada pela Cirne-Companhia Industrial do Rio Grande do Norte S.A., que pertence à Nova Álcalis, uma associação formada por 640 ex-funcionário da empresa fluminense (há um movimento para que os empregado da empresa potiguar também façam parte da Nova Álcalis), que assumiu a empresa em janeiro de 2004, quando José Fragoso Pires a “doou” aos empregados.

Já houve negociações com alguns grupos para que esses assumissem o controle do conglomerado empresarial – inclusive com a Peak Investments, L.L.C. e mais dois outros, um nacional e outro estrangeiro -, porém a nossa realidade cambial e fatores internos da empresa têm inviabilizado que os entendimentos se concretizem.

A análise que se faz da Alcanorte é que 56% do maquinário ainda pode ser aproveitado, pois sua estrutura é nova e não houve alterações de relevo na sistemática moderna de produção da barrilha. Além do mais, continuam inalteradas as disponibilidades de matéria-prima, de águas e de fonte de energia (poucos seriam os investimentos para esta última). Mesmo assim, para fazer funcionar a planta industrial seria necessário um aporte de capitais num montante mínimo de cerca de US$ 70/US$ 100 milhões.

Caso a empresa venha realmente a funcionar, na primeira fase geraria aproximadamente mais 1.103 empregos diretos e, na segunda etapa, outros 1.232 novos postos de trabalho diretos. Com todo o e complexo industrial funcionando – inclusive a unidade de fabricação de cimento, a partir do calcário excedente da produção de barrilha – ela empregaria cerca de 30 mil pessoas em todo o Estado, de forma direta e indireta, na cadeia produtiva e de comercialização. O funcionamento do complexo industrial da Alcanorte representaria um forte impulso para a economia do Rio Grande do Norte, contribuindo, de forma decisiva, para o desenvolvimento da região e seria a consolidação do complexo químico-salineiro potiguar.

BETINHO DE VOLTA

Muito embora que por uma interferência indesejada, a morte de Nélio Dias, Betinho Rosado volta ao cenário da Câmara dos Deputados. O seu passado o recomenda, o seu trabalho dignifica o Rio Grande do Norte e o Brasil e reforça a tradição dos bons representantes mossoroenses.

O TEMPO

A direita, agora se diz adepta da cartilha que privilegia o “social”. Por sua vez, a esquerda radical se diz democrática. Se você é do tempo em que todas as geladeiras eram brancas e em que todos os telefones eram pretos, não há porque ficar perguntando por que as coisas mudam tanto. Mudam para agradar o consumidor. Ou o eleitor. Agradar ou enganar?

ESPÓLIO POLÍTICO

Sou brasileiro, com muito orgulho. Inclusive torço pelos nossos atletas e times de qualquer modalidade de esportes, quando eles estão jogando… embora curta muito mais um bate-papo, uma rede e um whisky 21 anos, em minhas escassas horas vagas. Mas não sou cego. Tem coisas que somente acontecem em nossa pátria amada, Brasil. Só aqui há “donos” de partidos. Getulio era o dono do PTB; Leonel Brizola do PDT e por ai afora. Aqui no Estado, os Rosados eram donos do PR; Aluízio era do PMDB; José Agripino controla o DEM (ex-PFL); Wilma o PSB etc. e tal. Agora, com a morte de Nélio Dias, aparece um novo lado desse torcicolo partidário: a luta pelo espólio. Agnelo Alves diz que era intenção do falecido líder passa-lhe o comando do partido. Alguém aventa os nomes de Betinho Rosado, Rosalba e Sandra . Outros nomes também aparecem, enquanto os antigos filados estrebucham.

Triste esse exemplo de como se faz política na Pindorama.