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Questionário para acompanhamento de aulas

I – QUESTÕES GERAIS

1. Os cheques a receber podem ser confirmados através de circularização? A correspondência deve ser enviada ao banco ou ao emitente do cheque?
Resposta: Pode – são os cheques pré-datados. É enviada correspondência para o emitente e a resposta deverá ser encaminhada diretamente ao auditor.

2. Em se tratando de postura do auditor, qual a única oportunidade que ele pode interferir diretamente nos procedimentos da empresa auditada?
Resposta: Quando no Caixa são encontrados cheques emitidos por funcionários ou diretores, o auditor deve determinar que sejam depositados imediatamente.

3. A reconciliação bancaria deve obrigatoriamente encontrar saldos idênticos no Extrato do banco e no Razão da empresa?
Resposta: Não é obrigado que esses saldos sejamos iguais. Via de regra, tende a serem diferentes, pois podem existir créditos e débitos a serem lançados, tanto na empresa como no banco.

4. Se uma empresa omitir a retirada de bens do estoque, qual o resultado que será encontrado no DRE?
Resposta: Terá um aumento no lucro de forma fraudulenta. Quando isso acontece, a empresa o faz para conseguir empréstimos e financiamentos bancários maiores.

5. Após a regularização do inventario geralmente são encontrados divergências a maior ou a menor entre os registros dos Controles Internos e os números e valores encontrados pelo levantamento do inventario. Qual o tratamento para essas diferenças?
Resposta: Se o resultado for a maior, vai para o lucro operacional; se for a menor irá para as contas de Custo do Produto Vendido – mediante ajuste.

6. O que é “cruzamento das informações” nos papéis de trabalho?
Resposta: É quando se faz uma interligação entre duas informações, evitando assim uma possível duplicidade de trabalho da auditoria.

7. Quais as ordens principal e secundaria de arquivamento dos papeis de trabalho?
Resposta: A ordem principal é a ordem de referencia, já a secundaria é a que identifica o número de páginas de uma mesma conta.

8. O que é “auditoria linear” e “auditoria por circulo operacional”?
Resposta: A “auditoria línea” é realizada seguindo a ordem das contas; a “auditoria por ciclo” segue a ordem do processo, sem se preocupar com a data das ocorrências.

II – QUESTÕES SOBRE ESTOQUES

1. De quem é a responsabilidade pela realização do planejamento e pela realização do inventario dos estoques?
Resposta: Em ambos os casos a responsabilidade é da empresa. O auditor deverá “acompanhar” tanto o planejamento como a realização do inventario.

2. Como deve ser feita a contagem dos itens do estoque?
Resposta: Por três equipes, a 1ª para fazer a contagem, a 2ª para conferir e confirmar a contagem inicial e a 3ª para resolver as divergências entre as duas, se necessário.

3. As divergências encontradas durante a realização do inventario deve ser esclarecidas imediatamente. Como deve ser feito esse procedimento?
Resposta: Havendo divergência, será procedida uma 3ª contagem, esta com a presença do auditor.

4. Explique: Itens vencidos, obsoletos, danificados e defasados tecnologicamente.
Resposta: Itens vencidos são aqueles fora de validade; obsoletos aqueles produtos que estão fora de mercado; danificados são as mercadorias, matérias-primas ou equipamentos quebrados, avaliados; defasados tecnologicamente os que têm tecnologia ultrapassada.

5. Os itens citados na questão anterior, como devem se avaliados na conta Estoque?
Resposta: Pelo valor efetivo de realização, de venda.

6. Qual a participação do auditor externo na verificação do inventario?
Resposta Acompanhar o inventario e participar do 3º grupo de contagem.

7. Qual a orientação que o auditor pode oferecer a empresa, para corrigir as divergências evidenciadas pelo inventario?
Resposta: Os itens com valor a maior: os resultados podem ser classificados como receita não operacional. Os itens com valor a menor: os resultados podem ser classificados como custo operacional.

8. Por que é importante o acerto do inventario, antes do encerramento do balanço?
Resposta: Quando contabilmente o estoque estiver a maior que o real, é porque houve uma ocultação de custos e o lucro será menor. Quando o estoque for a menor, o lucro será a maior.

9. A materialidade das divergências pode influir na qualidade do Parecer dos auditores?
Resposta: Sim, pois depende da relevância do produto da empresa.

10. Qual o procedimento do auditor, se essas divergências não forem corrigidas contabilmente?
Resposta: Dependendo da relevância do fato, este pode exigir que o auditor emita um Parecer que retrate a ocorrência.

III – QUESTÕES SOBRE ESTOQUES SOBRE O ATIVO PERMANENTE

1. Quais as participações que devem ser registradas no ativo permanente e como elas devem ser auditadas?
Resposta: As participações da empresa auditada no capital social de empresas controladas e outras participações, das quais a empresa não queira se desfazer.

2. Como devem ser valorizadas essas participações, no caso específico de sociedades anônimas de capital aberto?
Resposta: Pelo valor de mercado, conforme suas respectivas cotações, no dia do encerramento do balanço. Os ganhos devem ser lançados em receitas não operacionais e as perdas em despesas não operacionais.

3. Como devem ser comprovadas as contas que registram terrenos e edificações?
Resposta: Pela escritura de compra e venda (dação em pagamento, permutação, integralização de capital, dação etc.) e seu registro (da escritura) no Cartório de Registro de Imóveis da circunscrição.

4. As Depreciações contemplam que itens do Ativo Fixo?
Resposta: Todos, menos Marcas e Patentes, Obras de Arte, Terrenos, obra em andamento de qualquer natureza e, por extensão, o Ativo Deferidos.

5. De que forma devem ser examinadas as contas que registram maquinas, equipamentos, moveis e utensílios e etc.?
Resposta: O exame deverá ser acompanhado de listagem detalhada de todos os bens, através de “fichas” individuais, corretamente elaboradas, que permitam a fácil identificação e que contenham os demais dados indispensáveis ao objetivo do exame. Além do mais, o auditor deverá examinar fisicamente a existência do bem.

6. Quais os documentos básicos para a auditoria de veículos?
Resposta: O Documento Único de Propriedade do veiculo, bem como o Certificado de Registro e Licenciamento e o Bilhete de Seguro obrigatório (DPVAT). O auditor deve, ainda, verificar se o veiculo não está ou não alienado ou se está vinculado a algum financiamento.

7. Quais os itens do Ativo Imobilizado devem ser verificados fisicamente pelo auditor?
Resposta: Todos, exceto Marcas e Patentes outros bens intangíveis.

8. O auditor pode impugnar lucro ou prejuízo causado por contas do Ativo Deferido?
Resposta: Pode, pois essas contas devem receber do auditor o mesmo tratamento que as demais.

IV – QUESTÕES SOBRE O PATRIMÔNIO LÍQUIDO

1. Quais os instrumentos formais, do ponto de vista legal, que devem ser examinado na auditoria de capital social?
Resposta: O Contrato Social e seus Aditivo, para empresas limitadas, e Atas das Assembléia Gerais, para as Sociedades Anônimas.

2. No ponto de vista contábil quais os exames que devem ser realizados para comprovação e integralização do capital social?
Resposta: Exame dos registros contáeis da entrada do valor correspondente ao aumento do capital e acompanhamento das saídas, pelos extratos bancários. Quando a integralização tiver sido realizda com utilização de bens, deve ser analisado o laudo Avaliação do mesmo.

3. Nos casos específicos de Sociedades Anônimas, qual a importância das assembléias gerais para formalizar aumento de capital?
Resposta: São as assembléias gerais que decidem todo aspecto estrutural dos Sociedades Anônimas, inclusive o valor do Capital Social e o montante de seus aumentos.

4. O livro de “Registro de Ações” deve existir em que tipo de sociedade?
Resposta: Não. Somente nas Sociedades Anônimas, porque somente elas têm acionista.

5. As Reavaliações do ativo imobilizado podem permanecer no Patrimônio Líquido até que esses bens sejam transferidos para terceiros, por venda, doação, trocas etc. Entretanto, quais os valores que podem ser acrescidos do Capital Social da empresa, sem pagamento de tributos?
Resposta: As parcelas correspondentes ao aumento do valor de bens Imóveis (terrenos e edificações), porque são os únicos em que essa operação é permitida pelo regulamento do Imposto de Renda.

6. Quais as fontes que devem ser examinadas para comprovar as seguintes contas: Reserva Legal, Reserva Para Contingências, Reserva Estatutária e outra similares?
Resposta: São os Demonstrativos dos Resultados dos Exercícios passados, exceto se o ultimo balanço tiver sido aditado.

7. Quais as fontes para exames da conta lucros ou prejuízos acumulados?
Resposta: São os Demonstrativos dos Resultados dos Exercícios passados, exceto se o ultimo balanço tiver sido aditado.

8. Qual a fonte para o exame da conta lucro / prejuízo do exercício?
Resposta: É o Demonstrativo do Resultado do Exercício que está sendo auditado.

IV – QUESTÕES SOBRE A DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

1. Considerado que as depreciações podem reduzir ou aumentar o lucro da empresa, qual a ação do auditor para identificar as naturezas dos controles internos da empresa e se houver manipulação nos cálculos?
Resposta: O auditor deve verificar se existe: a) um sistema de identificação através de aposição de etiquetas apropriadas nos bens; b) fichas ou listagens com individualização dos bens do Ativo Imobilizado, mantidas na seção destinadas a esse controle; b) registro de baixas, adições ou transferências de bens, acontecidas no exercício; c) política definida para a contabilização de gestos destinados a imobilizados de despesas; d) fichas ou listagens de depreciação acumulada e outras peculiaridades, obedecendo as taxas apropriadas para cada item

2. É sabido que os estoques também influenciam na evidência do lucro. As verificações que o auditor realiza nas contas de estoque são suficientes para que ele expresse sua opinião sobre o valor dessas contas? Explique.
Resposta: Sim, o auditor quando trabalha na conta Estoque utiliza de vários procedimentos de auditoria, como: a) inventários físicos e sua verificação; b) ajustes do inventário; c) Avaliação do estoque mediante análise nas fichas de estoques. Após ter todas essas informações, o auditor está apto para realizar seu parecer em relação a conta Estoque.

3. A Provisão para Devedores Duvidosos deve-se limitar ao percentual que é estabelecido pelo Regulamento do Imposto de Renda-Pessoa Jurídica? Explique.
Resposta: Não. Nenhuma empresa pode prever que um cliente não terá condições futuras de liquidar suas dívidas. Portanto, por precaução, deve adotar o índice histórico de inadimplência de seus clientes ou, ainda, fazer verificação nas Contas a Receber, para constatar se há clientes com concordata ou em estado de falência. Na Demonstração do Resultado do Exercício, a Provisão constituída deverá ser aquela que melhor retrate a possibilidade de “não recebimento” das vendas realizadas a prazo. Posteriormente, a empresa deverá ajustar sua Declaração de Importo de Renda, adotando o índice estabelecido pela Receita Federal.

4. Considerando que tenha havido recuperação de Prejuízos acontecidos em exercícios anteriores e que os valores recuperados foram lançados na conta Receita Bruta e que não transitaram pela Provisão para Devedores Duvidosos, que tipo de exame e recomendação o auditor deve fazer?
Resposta: O auditor deve examinar se a recuperação do prejuízo correspondeu, somente o valor do principal ou se houve encargos (juros, multas etc.). Os encargos, se houver, obrigatoriamente devem ser lançados como Receitas Financeiras, no grupo Receitas não Operacionais. O valor do principal também poderá ser lançado em Receitas não Operacionais (recuperação de prejuízo) ou reduzir a Provisão para Devedores Duvidosos. Essas sugestões devem ser expressas em uma “Carta de Recomendação”, endereçada à empresa auditada.

5. Se for evidenciado um terminado valor referente a Provisão para Pagamento de Imposto de Rendas e COFINS, onde essa importância deve aparecer no Balanço Patrimonial e qual o trabalho o auditor deve realizar?

a) Exame.
b) Verificação.
c) Análise.
d) Todas elas.
e) Nenhuma delas.

Explique.

Resposta: mmmmmmmmmm

Considerações sobre a Rubrica Estoques

A interpretação do termo estoque dá margem a distorções e erros que podem provocar resultados e registros equivocados e incorretos. A compreensão do censo comum é que estoque é toda mercadoria disponível para uso ou venda ou, ainda, representa uma quantidade ou importância acumulada em determinada data. Por esse entendimento, qualquer que seja a natureza dos itens “disponível para uso ou venda” estes seriam classificados como estoque, mesmo que invendáveis. Se considerada a possibilidade desses itens serem em quantidades e valores expressivos, ter-se-ia uma situação que desfiguraria a realidade apresentada pelo Balanço Patrimonial, uma vez que este estaria registrando bens com um valor realizável que não possui.

A moderna teoria contábil corrige esse desvio ao estabelecer que somente as “mercadorias destinadas à venda no transcorrer normal das operações e materiais a serem utilizados no processo de produção para venda” sejam entendidas como sendo verdadeiramente os componentes dos estoques de uma empresa, “excluindo-se dessa categoria os materiais que serão consumidos em operações não produtivas”.

Por possuírem caráter específico, os estoques devem ser tratados levando-se em conta os aspectos que lhes são únicos e que os diferenciam dos outros itens do Ativo. Observe-se como esses aspectos podem ser evidenciados. Os ativos monetários representam: a) disponibilidade imediata – caixa, bancos e aplicações financeiras de pronto resgate; b) disponibilidade em data futura – contas a receber, e c) valores a serem ressarcidos por lucros futuros da própria organização – despesas de exercícios seguintes. Os itens do almoxarifado encontram-se fora de qualquer um dessas conceituações, uma vez que “o volume de caixa ou recursos líquidos a ser gerado por sua venda geralmente depende de expectativas quanto a variações futuras de preços; mas, mesmo quando os preços podem ser previstos com precisão, o momento de ocorrência dos recebimentos futuros também pode ser incerto” (HENDRIKSEN e BREDA, 1999, p. 391 e 392).

1. CONCEITOS

Nas empresas industriais, comerciais e de atividades agropecuárias – isto é, em todas as empresas, exceto aquelas que se dedicam exclusivamente à prestação de serviços, onde não há a utilização de matérias-primas e produtos – os estoques têm dois aspectos fundamentais, embora que conflitantes entre si. Primeiro, representam bens da empresa, ativos circulantes, disponíveis e necessários para a efetivação dos negócios, de tal forma que sem estoques, essas organizações não teriam meios para realizar vendas e, consequentemente, obter faturamento. O outro ângulo relacionado aos estoques é que eles têm significativo reflexo na situação financeira das empresas.

O conflito de posições de gerenciamento é inevitável. E o fato curioso é que esse conflito é saudável e deve ser incentivado. Por um lado, a maximização dos níveis de estoques é justificada por aqueles que os veem como elementos preponderantes na geração de recursos para a organização, pois são eles que atendem à demanda interna por matérias-primas fornecidas por terceiros, ao mesmo tempo em que satisfazem a procura externa por produtos acabados fornecidos pela empresa, tudo isso em cenários de incertezas e flutuações constantes dessas mesmas demandas, de modo que a falta de itens podem afetar a produtividade, o faturamento e os lucros. Por outro lado, outros administradores analisam o problema com outra visão e advogam a sua minimização, alegando que os itens parados nos estoques não agregam valor aos produtos, que são encarecidos pelos custos da manutenção física (seguro, guarda, segurança e controle), além dos custos meramente financeiros; estes, causados pelo emprego de recursos escassos na compra dos produtos estocados, sem retorno em tempo hábil. Há, ainda, que se considerar os riscos de encalhe, danificação e defasagem tecnológica.

Assim, não se pode entender o conceito moderno de estoque, sem se entender as várias facetas dessa categoria e sua interdependência com outros fatores, tais como: o desenvolvimento de novos produtos, tecnologia de produção, processamento da produção, análises mercadológicas, logística de compras, logística de vendas etc. A interação desses aspectos com o condicionante financeiro fecha o ciclo da imbricação do fator estoque com esses outros elementos que compõem a empresa.

Os estoques devem ser considerados sob cinco conceitos: legal, fiscal, financeiro, contábil e gerencial.

a) Conceito legal

Segundo a Lei das Sociedades Anônimas, no seu Artigo 183:

“No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios:
II – os direitos que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comércio da companhia, assim como matérias-primas, produtos em fabricação e bens em almoxarifado, pelo valor de aquisição ou produção, deduzido de provisão para ajustá-lo ao valor de mercado, quando este for inferior.
§ 1º – Para efeito do disposto neste artigo, considera-se valor de mercado:
a) das matérias-primas e dos bens do almoxarifado, o preço pelo qual possam ser repostos, mediante compra no mercado”.

Muito embora a Lei 6.404/1976 seja voltada às empresas do tipo sociedade anônima, ela é também aplicável aos demais tipos de organizações, até pelo parâmetro de boa técnica que apresenta. No caso específico das sociedades limitadas, o Artigo 18º do Decreto 3.708/1919, estabelece que: “São observadas quando às sociedades por quotas de responsabilidade limitada, no que não for regulado no estatuto social e, na parte aplicável, as disposições da lei das sociedades anônimas”.

b) Conceito fiscal

Já, no que diz respeito ao aspecto fiscal, via de regra a Receita Federal tem reeditado os mesmo critérios para a avaliação de estoques. Assim, o Regulamento do Imposto de Renda tem estabelecido que, ao final de cada período de apuração do imposto, a pessoa jurídica deverá promover o levantamento e avaliação dos seus estoques, observando que as matérias-primas e os bens em almoxarifado sejam avaliados pelo custo de aquisição e, os produtos em fabricação e acabados, sejam avaliados pelo custo de produção.

Se a empresa mantiver sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração, poderá utilizar os custos apurados para avaliação dos estoques de produtos em fabricação e acabados. O RIR considera sistemas de contabilização de custo, integrados e coordenados com o restante da escrituração, aqueles que sejam apoiados em valores originados de escrituração contábil (matéria-prima, mão-de-obra direta, custos gerais de fabricação) e que permitam a determinação contábil, ao fim de cada mês, dos valores dos estoques de matérias-primas e de outros materiais, produtos em elaboração e produtos acabados, apoiado em livros auxiliares, fichas, folhas contínuas, ou mapas de apropriação ou rateio, tidos em boa guarda e de registros coincidentes com aqueles constantes da escrituração principal e, ainda, que permitam avaliar os estoques existentes na data de encerramento do período de apropriação dos resultados, segundo os custos efetivamente incorridos.

O Regulamento estabelece, ainda, que o valor dos bens existentes no encerramento do período de apuração seja o custo médio ou o dos bens adquiridos ou produzidos mais recentemente, ou que a avaliação seja efetuada com base no preço de venda, subtraída a margem de lucro. Se a escrituração não satisfizer essas exigências, os estoques deverão ser avaliados da seguinte forma: a) os de materiais em processamento, por uma vez e meia o maior custo das matérias-primas adquiridas no período de apuração, ou em 80% do valor dos produtos acabados, b) os dos produtos acabados, em 70% do maior preço de venda no período de apuração. Para aplicação desse critério, o valor dos produtos acabados deverá ser determinado tomando-se por base o preço de venda, sem exclusão de qualquer parcela a título de imposto e ser reconhecido na escrituração comercial. Já os estoques de produtos agrícolas, animais e extrativos poderão ser avaliados pelos preços correntes de mercado, conforme as práticas usuais em cada tipo de atividade.

O Fisco não reconhece como válidas reduções globais de valores inventariados, nem formação de reservas ou provisões para fazer face à sua desvalorização, deduções de valor por depreciações estimadas ou mediante provisões para oscilação de preços, manutenção de estoques básicos ou nominais a preços constantes ou nominais, bem como, despesa com provisão mediante ajuste para o valor de mercado, se este for menor, do custo de aquisição ou produção dos bens existentes na data do balanço.

c) Conceito financeiro

Do ponto de vista financeiro, os estoques são vistos, ao mesmo tempo, como necessários “ao funcionamento dos processos de produção e venda” e como fator que “exige o comprometimento de recursos que a empresa poderia aplicar em outras alternativas rentáveis” (GITMAN, 1997, p. 713 e 714). Daí o porquê da necessidade das empresas dimensionarem o nível das quantidades ótimas de cada item de insumos e mercadorias a serem mantidos estocados. Se não considerado o caso muito especial de especulação financeira com os estoques – prática rara e desaconselhável em épocas de inflação desacelerada e de pouca expressão –, têm-se duas situações não recomendáveis: a) a manutenção de quantidades em estocagem acima do necessário acarreta um maior custo e impossibilita uma maior rentabilidade dos capitais utilizados pela empresa; b) estoques abaixo do nível necessário exigem comprar ou fabricar pequenos lotes em maior número de vezes, implicando em mais trabalho para o setor de compras, alteração na programação da produção, ajustes de máquinas etc., além do que, a empresa corre o risco de não dispor do insumo ou da mercadoria em momentos críticos, implicando na paralisação da produção ou mesmo das vendas.

O grande desafio para o setor financeiro está no fato de que os estoques precisam ser adquiridos antes da realização das vendas. Além do mais, não há certeza absoluta da realização das vendas desses bens, a menos que se trate de produção ou aquisição com venda pré-estabelecida. Esses dois fatores tornam incertos quaisquer níveis preestabelecidos para os itens estocados. A melhor solução financeira seria aquela em que as vendas impulsionassem a produção e esta, por sua vez, motivasse as compras de insumos e produtos. Acontece que o movimento da realidade vai no contrafluxo dessa probabilidade. Daí o porquê de sempre os estoque representarem um investimento financeiro de realização incerta. Cabe ao setor que cuida da administração financeira proporcionar meios para garantir as operações de produção e venda, porém, sem descuidar do controle dos níveis dos estoques. Em quaisquer condições, um nível de estoques acima do recomendável encarece o produto final da empresa, podendo reduzir resultados ou inviabilizar a presença de um ou mais produtos da organização no mercado (BRIGHAM, 1999, p. 577 a 579), abrindo brechas para que os concorrentes “roubem” seus clientes.

d) Conceito contábil

O tratamento contábil dos estoques leva em consideração fatores que vão muito além da simples escrituração, do simples registro de entradas, saídas, quantidades, valores etc. Há que se considerar a classificação e a adequação dos registros, a constatação se os itens devem ou não ser considerados como estoques ou como bens de consumo, a propriedade e a posse etc. De forma geral, compõem a rubrica estoques (IUDÍCIBUS, MARTINS e GELBCKE, 2000, p. 101):

“a) itens que existem fisicamente em estoques, excluindo-se os que estão fisicamente na empresa, mas que são de propriedade de terceiros, seja por terem sido recebidos em consignação, seja para beneficiamento ou armazenagem por qualquer outro motivo;
b) itens adquiridos pela empresa, mas que estão em trânsito, a caminho da sociedade, na data do balanço, quando sob condições de compra FOB, ponto de embarque (fabrica ou depósito do vendedor);
c) itens da empresa que foram remetidos para terceiros em consignação, normalmente em poder de prováveis fregueses ou outros consignatórios, para aprovação e possível venda posterior, mas cujos direitos de propriedade permanecem com a sociedade;
d) itens de propriedade da empresa que estão em poder de terceiros para armazenagem, beneficiamento, embarque etc.

Outro grande problema contábil com relação aos estoques refere-se a sua valorização. O estabelecimento do valor de qualquer bem ou direito é eminentemente uma questão de julgamento subjetivo. Entretanto, a contabilidade não pode se pautar por decisões intangíveis. O único caminho é seguir as prescrições legais, isto é, o da Lei das Sociedades Anônimas, Lei 6.404/76 (aplicáveis às sociedades de demais tipos) e do Regulamento do Imposto de Renda e, ainda, dos procedimentos técnicos que forem recomendáveis para se obter uma certeza – a maior possível – das quantidades e valores dos itens do almoxarifado, de forma que não haja divergência entre o estado físico dos bens e os registros.

Resta ainda solucionar a questão da avaliação dos insumos e produtos. Essa, a avaliação, pode ser efetuada com base no custo médio ponderado de todos os itens da mesma espécie, adquiridos ou produzidos durante o exercício. Considere-se, também, a possibilidade de uso dos sistemas FIFO (first-in-first-out), ou PEPS (primeiro a entrar, primeiro a sair), hipótese em que se concebe que os bens retirados do estoques sempre seriam os mais antigos, de forma que os itens registrados no Balanço seriam os mais novos e, portanto, com valores mais atualizados.

Uma questão pouco analisada nos meios acadêmicos e pouco tratada na prática profissional e na própria legislação, diz respeito às mercadorias fungíveis, aquelas que se gastam facilmente ou que tenham alto percentual de perecibilidade. Esses estoques devem ser avaliados pelo valor de mercado, porém, computando-se os custo com suas respectivas quebras (perdas) por deterioração, obsolescência ou ocorrência de riscos não cobertos por seguro, desde que comprovadas por laudos de autoridades de segurança sanitária, certificado de perito (no caso de danos não cobertos por seguro) ou laudo de autoridade tributária competente à ocorrência.

Há, ainda, que se analisar as despesas que normalmente são incorporadas aos custos dos estoques e que não representam dispêndios com a sua aquisição. Nessa categoria estão incluídas as despesas com transporte, seguro, armazenamento, aluguel de prédios e instalações, taxas e armazenagem alfandegárias, além de outras mais. Alguns desses dispêndios podem ser considerados como custos administrativos – no elenco retro citado, por exemplo, seria questionável incorporar aluguel de prédio e taxas de armazenagem alfandegária aos custos de estoques. Isso porque só é recomendável adicionar despesas gerais e administrativas aos custos dos itens estocados, quando o ato ou fato representado pelas despesas estiver diretamente relacionado aos respectivos itens, adicionando-lhes valor ou evitando uma perda de valor.

e) Conceito gerencial

Apresentado de outra forma, o problema assume uma configuração que vai além das fases de produção-custo e venda-lucro. A problemática dos estoques envolve aspectos muito maiores e com faces múltiplas, que envolvem o recebimento de matérias-primas e mercadorias, sua classificação, armazenamento, alimentação do sistema de controle de estoques, separação, acompanhamento de uso do material na produção (no caso de indústrias e empresas rurais), abastecimento da produção ou dos pontos de vendas e Auditoria de estoques.

Tudo isso tem por finalidade um melhor controle dos estoques, por meio de uma maior eficiência e uniformidade nas informações de gerenciamento. O efeito esperado é a redução de custos das operações de produção e comercialização, obtida pela maior disponibilidade do produto para venda imediata, o que agiliza o pronto atendimento ao cliente, resultando na sua fidelidade aos produtos da empresa e, consequentemente, a repetição de suas compras e a obtenção de lucros adicionais.

Somente se entende a importância dos estoques se estes forem colocados na sua dimensão correta: além dos aspectos quantitativos, qualificativos, financeiros e físicos, eles devem integrar a representação matricial do sistema de logística da empresa. Isto porque, os novos desafios do mercado globalizado exigem que os administrados façam uso das alternativas e das ferramentas oferecidas pelas modernas técnicas de gerenciamento e de informação. A palavra “logística” integra atualmente o elenco dos termos em moda na administração, a ponto de a ela serem atribuídos vários significados, às vezes até conflitantes entre si. Entretanto, optamos pela definição dada pelo Concil of Logistics Manegement, segundo a qual: “Logística é o processo de planejar, implementar e controlar o fluxo e armazenagem, eficaz e eficiente em termos de custos, de matérias-primas, materiais em elaboração e produtos acabados, bem como as Informações correlatas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender às exigências dos clientes” .

É sob essa ótica que se faz necessário aperfeiçoar técnicas que assegurem a disponibilidade de insumos e produto ao menor preço, na qualidade e na quantidade certas, no momento em que sejam necessários à produção ou à venda. Aqui se destaca o papel das funções planejamento e controle, relacionadas aos estoques.

Os estoques podem ser entendidos de ângulos diferentes. Primeiro, eles podem assumir o papel regulador do fluxo, amenizando os efeitos das flutuações da oferta e da demanda (externas e internas), nas operações e nos resultados da empresa. Para isso a organização precisa está adequada ao seu mercado, considerando fornecedores e compradores, dimensionando corretamente os itens de uso (matérias-primas e outros insumos) e de venda (produtos acabados ou de revenda). Depois, os estoques devem ser organizados de forma a poder enfrentar riscos conjunturais, relacionados com variações de curto prazo na atividade produtiva ou nos preços dos materiais. Esses riscos relacionam-se com a possibilidade de falta do insumo, pela impossibilidade do fornecedor dar continuidade ao fluxo do seu abastecimento. Por último, os estoques podem assumir a função de ativos financeiros. Isso ocorre quando a empresa trabalha com produtos sazonais, que têm preços baixos nas épocas de safra e preços altos nos períodos de entressafra. Entendidos esses aspectos, há que se voltar às funções planejamento e controle.

O planejamento exige uma série de medidas que devem integrar uma política para os estoques, entre as quais: identificação dos itens de maior rotatividade (de uso constante) e dos itens de segurança (que apresenta dificuldade para reposição), estabelecimento de estratégia de dimensionamento (por quantidade e qualidade) dos itens em entoques, definição dos níveis de disponibilidade e de tolerância, definição dos lotes econômicos de compra ou produção, análise dos planos de contingências (compras ou fornecedores alternativos), plano de revisão periódica etc.

Por sua vez, o controle dos estoques deve considerar, entre outros, os seguintes aspectos: o comprometimento do capital de giro da empresa com a “função estocagem”, o atendimento aos setores produtivos e de venda, a interrupção ocasional nesse atendimento e a justificativa dessa falha (quando houver), a evidência de erros na projeção de demanda projetada (interna ou externa), a possibilidade de ocorrência de faltas críticas, o acompanhamento do giro dos diferentes itens de rotatividade e de segurança, a confiabilidade dos saldos dos registros contábeis e extracontábeis, o expurgo dos itens não vendáveis (meterias e produções danificadas, fora de linha e obsoletos tecnologicamente) etc.

2. DIMENSIONAMENTO DOS ESTOQUES

Aqui não se tem o objetivo final de apresentar as fórmulas ou de ensinar o dimensionamento ótimo dos níveis dos estoques. Se o assunto é abordado o é somente para destacar a sua importância, a sua relevância, nas empresas dos setores primário e secundário e algumas do setor terciário. Mesmo feita essa ressalva, há que se sugerir algumas soluções praticas, considerando-se os três aspectos principais da questão: rotatividade dos itens estocados, quantidades economicamente indicadas para compra e estoques mínimos recomendáveis. A análise desses três elementos é que pode indicar a posição ótima dos estoques, em termos de quantidade e custos. Partindo-se do princípio de que existe um custo para cada lote de materiais adquiridos e um custo de armazenagem, que independe de quantidade, tem-se o conceito de lote econômico, que nada mais é do que a quantidade que minimiza a soma desses dois custos. Ao se fixar os parâmetros para esses dois custos, é possível determinar o custo de gerenciamento dos estoques. A teoria do lote econômico é, ainda, a base para outras decisões administrativas, como, por exemplo, a que fixa o nível máximo de estoque (GITMAN, 1997, p. 112, 717 a 719; ROSS et al, 1995, p. 51, 538 e 539).

a) Giro dos estoques

O giro dos estoques mede a atividade ou a rotatividade dos estoques da empresa, em um determinado período. Ele é calculado utilizando-se o saldo da conta Custo dos Produtos Vendidos, dividido pelo saldo médio da rubrica Estoques. Se realizado pelo saldo geral da conta Estoques, evidencia quantas vezes, no período, houve a renovação (entradas e saídas) de todos os itens do almoxarifado. Se, por outro lado, tomar-se por base o saldo de um determinado item e se o dividir pelos custos dos itens da mesma natureza vendidos, mostra quantas vezes no período houve a renovação daquele mesmo item. A fórmula é simples:

G = CMV / SME = nº de giro dos estoques.

Onde:

G = Giro dos estoques.
CMV = Custo das mercadorias vendidas.
SME = Saldo médio dos estoques.

A rotatividade dos estoques também pode ser calculada em termos de número de dias. O cálculo pode ser efetuado tomando-se todo os itens dos estoques ou somente a posição individual de cada um deles. A fórmula assume a seguinte configuração:

G = 360 / (CMV / SME) = nº de dias de permanência

Assim, a rotatividade dos estoques evidencia o numero de dias que decorre entre o recebimento e registro da matéria-prima ou mercadoria, no almoxarifado, e a data da sua saída, ou por requisição para a elaboração de produtos ou por venda.

b) Lotes econômicos

Um dos grandes problemas da gestão de estoques é estabelecer o que comprar ou fabricar de cada vez. A solução desse dimensionamento é que vai indicar o quanto deve ser adquirido ou elaborado pela empresa, para fazer face as suas necessidades de produção e/ou venda, dentro dos menores custos financeiros e administrativos. É essa a quantidade (e esse o valor) que é mais conveniente para a empresa obter periodicamente, otimizando os custos.

O conceito de lote econômico é justamente estabelecer a quantidade de unidades que deve ser comprada aos fornecedores ou fabricada em cada pedido, de maneira que a empresa obtenha o menor custo com a aquisição e com o armazenamento das unidades que passam a compor seus estoques. O objetivo básico que se busca ao determinar o lote econômico é redução de custos, obtendo-se respostas para as pergunta: Quanto adquirir? Quando adquirir?

Para determinar o lote econômico tem-se que, em primeiro lugar, identificar os custos associados aos itens estocados. Entre eles os custos de:

• Colocação do pedido, ou seja, a mão-de-obra envolvida na preparação do pedido, o tempo de uso dos computadores, a burocracia de aprovação etc. Este é um valor fixo, qualquer que seja a quantidade do lote, pois essa função não é afetada pelo aspecto quantitativo da compra ou produção.
• Manutenção dos estoques, que estão diretamente relacionados com o seu volume. Quanto maior o volume, maior o custo e vice-versa. Além dos custos administrativos e financeiros, há outros provocados por perda, roubo, obsolescência e danificação.
• Custos do não atendimento ao cliente é um tipo de custo intangível. Ocorre quando a empresa, por falta de estoque, não pode atender a um pedido. Nesse caso, além da perda do lucro da venda, ainda podem ocorrer duas situações. Se a empresa trabalha por encomenda, o cliente espera para ser atendido, mas no futuro pode não voltar a comprar na organização. Quando se trata de venda não cativa, perde-se a venda e se pode perder o cliente.
• Superdimensionamento, que são aqueles causados por deteriorarão, obsolescência, perecibilidade e inutilização de itens do almoxarifado.

Para resolver esses problemas é que são estabelecidos os lotes econômicos de aquisição. Há várias formulas. Uma das mas simples tem os seguintes componentes:

q = (2.Q.P/c.i)1/2

Onde:

Q = Consumo do período.
P = Custo de aquisição ou fabricação.
c = Custo unitário da peça.
i = Custo de tendência (calculado em forma de taxa).

Esta fórmula é deduzida da seguinte maneira:

Custo de tendência: (q/2) c.i, sendo q/2 o estoque médio.
Custo de aquisição ou produção: (Q/q).P, sendo Q/q o número de compras ou produção.
Custo total = custo de tendência + custo de aquisição ou produção.
Isso faz com que o ponto mínimo tenha o mesmo nível que:
Custo de tendência = Custo de aquisição ou produção.

A partir desta igualdade:

(q/2).c.i = (Q/q).P

Ou então:

q = q (q/c).(P/i)

A partir deste lote econômico, pode-se calcular:

Número de compras: N = Q/q = consumo do período / lote econômico.
Freqüência de compras. Fr = 365 / número de compras.

c) Estoques mínimos

A adoção da política de estoques mínimos é uma forma de se atender às necessidades de produção e venda e, ao mesmo tempo, levar em consideração as condições financeiras da empresas. Isso determina a seguinte fórmula:
Em = ER + dt

Onde:

ER = Estoque de reserva.
d = Tempo médio para uso ou venda, em dias.
t = Tempo médio de espera para reposição, em dias.

Segundo Zaccarelli (1979, p, 53): “Existe estoque de reserva ER somente porque o consumo durante o tempo de espera [tempo médio para uso ou venda, em dias] não é constante. Se adotássemos Em = dt, cerca de 50% dos pedidos de reposição seriam recebidos após ter esgotado todo o estoque. Isso pode constituir grave inconveniente para a produção ou para fornecimento ao cliente. Como se deseja ter segurança de que o estoque não se esgote em situações normais de operação, inclui-se no cálculo do estoque mínimo uma parcela cuja função é evitar o esgotamento do estoque quando o consumo durante o tempo de espera e/ou o próprio tempo de espera assumirem valores maiores do que as respectivas médias […]. O estoque de reserva deve ser, em primeira aproximação, igual ao número máximo de unidades saídas de estoque durante o tempo de espera subtraído do número médio de saídas de estoque durante o tempo de espera. Desse modo, o estoque mínimo torna-se igual ao número máximo de saídas durante o tempo de espera”.

Essa noção de estoque mínimo deve ser adaptada para fazer com que o sistema em uso na empresa atenda às suas circunstâncias específicas e não, ao contrário do que muito recomendam, fazer a empresa se adaptar ao sistema.

BIBLIOGRAFIA

BRIGHAM, Eugene F. e HOUSTON, Joel F. Fundamentos da moderna administração financeira. Tradução de Maria Imilda da Costa e Silva. Rio de Janeiro: Campus, 1999.
GITMAN, Lawrence J. Princípios de administração financeira. Tradução de Arthur Ridolfo Neto et al. 7ª ed. São Paulo: Harbra, 1997.
HENDRIKSEN, Eldon S. e BREDA, Michael F. Van Breda. Teoria da contabilidade. Tradução de Antonio Zonatto Sanvicente. São Paulo: Atlas, 1999.
IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu e GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de contabilidade das sociedades por ação. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2000.
ZACCARELLI, Sérgio Baptista. Programação e controle da produção. 5ª ed. São Paulo: Pioneira, 1979.

Considerações Gerais sobre Auditoria de Estoques

Um bom planejamento de Auditoria de estoques deve ser centrado em dois pólos principais, a saber: a exatidão dos valores registrados nas contas do grupo Estoques e a adequação dos controles internos. Para que se possa alcançar esses objetivos, o Auditor deve ter ciência da amplitude e complexidade de seu trabalho, cujo resultado deve determinar a exatidão dos valores apresentados no Balanço Patrimonial, representando materiais e produtos da empresa auditada, estocados em armazéns da companhia, em poder de terceiros e em trânsito.

É, ainda, de sua responsabilidade que esses itens tenham sido avaliados de acordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade (aplicados consistentemente durante o período e com relação ao exercício anterior), além de avaliados a preço de custo ou mercado, dos dois, o menor. Para que isso ocorra, as listagens de inventários devem ter sido corretamente compiladas, somadas e sumarizadas, estando o total adequadamente refletido no balanço, registrando todos os itens em condições de venda.

Assim, a amplitude do escopo de trabalho do Auditor Independente deve contemplar um amplo elenco de atividades – que inclui planos de ação, programação de prazos, realização de exames, testes, circularizações, verificações, confirmações, cálculos, análises etc. –, a serem realizados em vários setores e funções da empresa auditada, com ações tão diversas (entre outras) como as que são apresentadas a seguir:

• Elaborar o planejamento de Auditoria, especificamente voltado para as áreas envolvidas com os estoques.
• Identificar os pontos a serem verificados pelos Auditores.
• Estabelecer, em comum acordo com a gerência da empresa auditada, a época da verificação e levantamento dos estoques.
• Considerar a possibilidade de ocorrências de fraudes e roubos.
• Elaborar os “Questionários de Avaliação dos Controles Internos”, especialmente desenvolvidos para o cliente.
• Examinar os livros de Inventário e de Registros de Estoque.
• Examinar os controles e registros, verificando os somatórios dos lançamentos contábeis e extracontábeis.
• Comparar os registros de inventário com as contas do Razão.
• Aplicar testes que comprovem a existência física dos itens dos estoques.
• Acompanhar o inventário.
• Testar os procedimentos dos ciclos de compra e de venda.
• Testar os procedimentos de encerramento do exercício.
• Verificar os controles de materiais de terceiros, consignados à empresa auditada.
• Verificar os controles de materiais da empresa auditada, consignados a terceiros.
• Comprovar, diretamente, a existência física dos itens dos estoques.
• Verificar os controles de materiais da empresa em poder de terceiros, para reparos, complementação etc.
• Verificar os controles de materiais de terceiros em poder da empresa, para reparos, complementação etc.
• Confirmar, por circularização, os saldos de mercadorias existentes em armazéns gerais e em armazéns alfandegados.
• Analisar o sistema de classificação dos estoques.
• Verificar se há materiais obsoletos, compondo os itens dos estoques.
• Levantar o quociente de rotação de estoques.
• Examinar os controles de retalhos, sobras e resíduos.
• Examinar a cobertura de seguros, para os bens estocados.
• Verificar os controles de materiais em trânsito, examinando valores e quantidades.
• Examinar as rotinas internas de armazenamento.
• Comparar os elementos substanciais de controle de compras.
• Examinar os controles de transportes e recebimento de mercadorias.
• Verificar os registros de compras, inventário, faturas e razão.
• Examinar os registros de devoluções.
• Fazer sondagens diretas de preços de compra, visando evidenciar fraudes.
• Examinar faturas e notas fiscais de fornecedores, visando evidenciar fraudes.
• Verificar as mercadorias e produtos já vendidos e não entregues.

1. VERIFICAÇÃO DAS TRANSAÇÕES

Nos exames e verificações dos registros dos estoques, o Auditor deve ter como objetivo a apuração da origem e natureza dos fatos que provocaram os lançamentos, bem como, as características gerais dos bens que compõem o grupo Estoques.

Segundo Crepaldi (2000, p. 352): “Um procedimento que as Normas de Auditoria dão como norma de Auditoria geralmente aceita, é a observação dos estoques. Esse procedimento ajuda os Auditores a atingirem vários objetivos, inclusive aqueles relativos à propriedade, quantidade, existência real e possibilidade de venda. Uma observação bem feita do estoque dar ao Auditor a certeza com relação às características físicas, quantitativas e qualificativas dos estoques” .

Têm-se, então, três categorias de ocorrências para investigar: o saldo inicial do exercício, as adições e as baixas dadas como havidas durante o exercício em exame.

No primeiro caso, a constatação da veracidade do saldo inicial pode ser realizada pelo exame das posições dos controles contábeis (Razão, Livro de Inventários etc.) e, também, pela análise dos papéis de trabalhos da Auditoria do exercício anterior – papéis esses próprios ou de outros Auditores. A evidência das entradas exige procedimentos mais complexos, pois envolve o exame de todo o procedimento de suprimento ao almoxarifado. Então, há que se investigar os sistemas de pedidos internos de reposição de itens com saldo abaixo da média de segurança, as autorizações de compra, de cotações de preço, as emissões dos pedidos colocados junto aos fornecedores, a recepção das mercadorias compradas (incluindo o cotejamento da qualidade e quantidade, do preço e prazo etc., entre pedido e Nota Fiscal), os registros e a sistemática de guarda.

O exame das saídas dos estoques exige que o Auditor faça dois direcionamentos nos seus exames. No caso de vendas, ele deve examinar as transações em si e a emissão das respectivas Notas Fiscais, os pedidos de entrega, os registro de baixa nos controles internos e na contabilidade, a saída das mercadorias dos depósitos e a entrada dos valores respectivos nas contas Caixa, Bancos, Cheque a Receber, Clientes, Duplicatas a Receber etc. Quando se tratar de pedidos de matérias-primas e outros insumos enviados ao setor de produção, o Auditor deve verificar as Requisições de Materiais, os registro de baixa nos controles internos e na contabilidade. Aleatoriamente, o Auditor deve acompanhar o atendimento a algumas dessas requisições.

Outros procedimentos visam obter certeza quanto a alguns aspectos específicos à natureza dos estoques do cliente e da materialidade envolvida. Para se certificar das diferentes características dos itens estocados, o Auditor deve efetuar os seguintes procedimentos (ATTIE, 1998, p. 294 e 295):

a) Exame físico e contagem de estoques de matérias-primas, outros insumos, produtos em elaboração e produtos acabados, cotejando-os com os registros dos controles internos.
b) Confirmação, por circularização, de mercadorias de terceiros em poder da empresa auditada, mercadorias da empresa em poder de terceiros – por consignação ou não.
c) Exame documental de contratos de compra ou venda, de Notas Fiscais de compra ou venda e dos relatórios de apropriação de materiais e de mão-de-obra, referentes ao processo produtivo.
d) Confirmação das somas de contagem, dos cálculos das quantidades, dos preços unitários, dos cálculos dos impostos e da apropriação das despesas gerais de fabricação.
e) Exame das contas do Razão, referentes a produtos acabados, importações em andamento, ordens de fabricação etc.
f) Acompanhamento do follow-up das contagens físicas.
g) Investigação da documentação de compra, das ordens de fabricação em processo, dos registros permanentes e dos cut-offs de compra e venda.
h) Inquérito sobre as variações dos estoques, dos itens de baixo giro e das mercadorias obsoletas, danificadas etc.
i) Correlação das compras com as entradas e das vendas com as baixa nos registros contábeis (e auxiliares) de estoques.
j) Observação da classificação contábil adequada – individual, por subgrupo e por grupo de itens – e do respeito aos Princípios Fundamentais de Contabilidade.

2. INVENTÁRIO FÍSICO

A maior responsabilidade e, conseqüentemente, o trabalho do Auditor Independente de, maior alcance com relação aos estoques, está na sua participação na realização do inventário físico, quando são evidenciadas suas quantidades e os valores. Cabe, portanto, ao profissional de Auditoria observar o desenvolvimento do inventário físico em toda a sua amplitude, para poder certificar-se de que esse esteja corretamente registrado no Balanço Patrimonial. Para isso é necessário se inteirar das condições objetivas da empresa auditada, conhecendo os locais de guarda dos bens, o sistema de movimentação e os montantes relativos a cada subgrupo.

Muito embora seja de responsabilidade exclusiva da empresa, o Auditor deve participar de todas as fases relacionadas ao levantamento físico dos itens estocados. Os principais procedimentos de Auditoria iniciam-se com atividades prévias, as quais devem ser combinadas com a empresa. Essas providências se relacionam com o estabelecimento da data e do horário para a realização do inventário, quando as mercadorias devem estar adequadamente arrumadas e os relatórios de controles disponíveis. Os produtos acabados devem ser os primeiros a serem contados, seguidos pelas matérias-primas e outros insumos. Os produtos em fabricação devem ser os últimos a serem verificados.

Para que o inventário tenha êxito este deve ser realizado por pessoal preparado e que tenha conhecimento de suas localização e características. Sendo assim, não há como não usar funcionários da própria empresa auditada, o que exige um maior cuidado por parte do Auditor. Daí porque, o Planejamento de Auditoria de Estoques e o Questionário de Avaliação dos Controles Internos, devem contemplar uma ampla gama de procedimentos, de forma a evitar falhas na contagem e garantir resultados confiáveis.

BIBLIOGRAFIA

ATTIE, William. Auditoria: conceitos e aplicações. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 1998.
CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria contábil: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2000.

Prospecção de conhecimentos básicos para a disciplina AUDITORIA – Teste Nº 1

ASSINALE AS ALTERNATIVAS TOTALMENTE CORRETAS

Questão 1: Títulos negociáveis são:

(   ) São duplicatas emitidas pela empresa auditada, de liquidez imediata.
(   ) Ações emitidas pela empresa, desde que esta seja sociedade anônima.
(   ) Títulos emitidos pelo governo, em poder da empresa auditada.
(   ) Títulos de terceiros, em poder da empresa auditada, de liquidez imediata ou não.
(   ) CDB, RDB, ações, nota fiscal, debêntures etc.

Questão 2: Identifique o item dos controles internos, específicos para Caixa e Bancos.

(   ) Circularização de saldos.
(   ) Ata de contagem de valores.
(   ) Conciliação ou reconciliação de saldos.
(   ) Conferência diária de saldos.
(   ) Saldos disponíveis.

Questão 3: Qual o objetivo relevante da reavaliação de itens do Ativo Imobilizado?

(   ) Aumentar o poder de captação de recursos junto a terceiros.
(   ) Aumentar o valor das reservas.
(   ) Controlar a rentabilidade do capital da empresa.
(   ) Aumentar o valor da conta imobilizado.
(   ) Atualizar o Patrimônio Líquido.

Questão 4: Identifique as contas que registram a origem dos recursos da empresa.

(   ) Caixa e Bancos.
(   ) Caixa, Bancos e Títulos Negociáveis.
(   ) Ativo Circulante, Imobilizado e Patrimônio Líquido.
(   ) Passivo Circulante, Exigível a Longo Prazo e Patrimônio Líquido.
(   ) Ativo Circulante menos o Passivo Circulante.

Questão 5: Quais as contas que compõem o Passivo Permanente?

(   ) Fornecedores e empréstimos.
(   ) Capital e Reservas.
(   ) Patrimônio Líquido e Exigível a Longo Prazo.
(   ) Exigível a Longo Prazo e Passivo Circulante.
(   ) Patrimônio Líquido e Imobilizado.

Questão 6: Identifique as contas que registram a aplicação dos recursos da empresa.

(   ) Patrimônio Líquido, Ativo Permanente e Realizável a Longo Prazo.
(   ) CMV, Estoques e valores a receber.
(   ) Ativo Circulante menos Passivo Circulante.
(   ) Ativo Circulante, Realizável a Longo Prazo e Imobilizado.
(   ) Realizável a Longo Prazo, Imobilizado e contas a receber.

Questão 7: Quais as ações que devem preceder as aquisições de mercadorias para o estoque

(   ) Requisição, cotação de preço, prazo e qualidade, pedido de compra, recepção e conferência da mercadoria.
(   ) Verificação do nível do estoque, justificativa para a requisição, requisição e cotação de preços.
(   ) Reposição de estoque e compra.
(   ) Cotação de preços e verificação do preço menor, para formação de estoques, visando não haver falta da mercadoria.
(   ) Primeira e Segunda opções.

Questão 8: Quais as datas recomendadas pela “boa técnica” para registro das baixas da conta Provisão Para Devedores Duvidosos?

(   ) No encerramento do Balanço Patrimonial.
(   ) No encerramento do Balanço Patrimonial e do Demonstrativo do Resultado do Exercício.
(   ) Sempre que houver inadimplência de cliente ou que fornecedores, funcionários e diretores que tenham recebido adiantamentos não tenham prestado conta.
(   ) Quando forem esgotados todos os meios para recebimento de valores não pagos por devedores.
(   ) Quando títulos de crédito emitidos contra terceiros forem protestados.

Questão 9: Como a contabilidade da empresa e a auditoria devem levar em conta os valores a receber e a pagar de curto e longo prazo?

(   ) Fazendo registro na data da venda, da compra e dos contratos de crédito.
(   ) Ajustando os valores de curto e longo prazo, na data de encerramento do Balanço.
(   ) Considerando os registro de prazo realizados na data de abertura do exercício auditado.
(   ) Fazendo o lançamento das contas pelo prazo certo.
(   ) Esta é uma preocupação somente do auditor.

Questão 10: Como deve ser realizado o lançamento do lucro do exercício?

(   ) Considerando recursos da empresa, portanto lançando do Patrimônio Líquido.
(   ) Considerando como reserva da empresa, compondo o Patrimônio Líquido.
(   ) Considerando integrante do Passivo Permanente.
(   ) Considerando valores a pagar a terceiros, lançandos no Passivo Circulante.
(   ) Como esses valores estão disponível aos sócios, lançando no Caixa ou Banco.

Questão 11: Descreva os objetivos da auditoria externa (auditoria independente).

Questão 12: Descreva alguns procedimentos adotados pela auditoria externa.

Questão 13: Quais as demonstração contábeis passíveis de serem auditadas? Justifique.

Questão 14: Quais os conceitos básicos dos controles internos das empresas?

Questão 15: Quais os fundamentos legais da auditoria contábil?

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Prospecção de conhecimentos básicos para a disciplina AUDITORIA – Teste Nº 2

ASSINALE AS ALTERNATIVAS TOTALMENTE CORRETAS

Questão 1: As demonstrações contábeis são:

(   ) Ativo, Passivo, Demonstração do Resultado, Demonstração de Origem e Aplicação dos Recursos e Patrimônio Líquido.
(   ) Balanço Patrimonial, Lucros (ou Prejuízo), Demonstração do Resultado, Demonstração de Origem e Aplicação dos Recursos e Patrimônio Líquido.
(   ) Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado, Demonstração de Origem e Aplicação dos Recursos e Patrimônio Líquido.
(   ) Ativo, Passivo, Receitas, Despesas, Resultado do Exercício.
(   ) Todas as alternativas estão corretas.

Questão 2: O principio da competência NÃO é aplicável.

(   ) Quando o fato gerador da receita e despesas é desconhecido.
(   ) Quando a data do fato gerador da receita e despesa é desconhecida.
(   ) Quando o ato ou fato contábil for desconhecido do contador.
(   ) Quando o ato ou fato contábil for desconhecido do contador no encerramento do exercício.
(   ) Todas as alternativas estão erradas.

Questão 3: A contabilidade deve considerar os cheques pré-datados como:

(   ) Valores a receber de terceiros, componentes do saldo de Caixa.
(   ) Valores a receber de terceiros, em conta própria.
(   ) Integrantes dos valores em tesouraria, portanto assim lançados.
(   ) Laçados em conta representativa de clientes.
(   ) Lançados como conta redutora do Ativo Circulante.

Questão 4: Os cheques pré-datados negociados com bancos ou empresas de factoring, contabilmente devem ser como lançados:

(   ) Como os outros cheques pré-datados existentes na empresa.
(   ) Como conta redutora do Ativo Circulante.
(   ) Como valores em trânsito.
(   ) Como valores de Caixa.
(   ) A negociação não deve ser considerada, pois os cheque não liquidados pelos clientes poderão ser substituídos por outros.

Questão 5: Na formação da Provisão para Devedores Duvidosos, deve ser tomados como base para o seu valor total:

(   ) O que estabelece o Regulamento do Imposto de Renda.
(   ) A média da inadimplência nos últimos anos.
(   ) A parte dos valores a receber de clientes considerada incobrável pelo setor de contas a receber.
(   ) O valor determinado pela Administração da empresa.
(   ) Uma média ponderada entre o que estabelece o Regulamento do Imposto de Renda e o percentual da inadimplência nos últimos anos.

Questão 6: A Depreciação Acelerada é?.

(   ) Aplicada somente aos veículos da empresa.
(   ) Toda que exceder a 10% por ano.
(   ) Aplicada às máquinas que trabalhem mais de um turno diário.
(   ) Aplicada ás máquinas que trabalhem mais de um turno diário, em 7 dias por semana.
(   ) As que excedam a 10% por ano, desde que autorizadas pelo Imposto de Renda.

Questão 7: No Balanço Patrimonial, a conta Capital a Integralizar pode ser lançada em Canta a Receber porque representa:

(   ) Valores da empresa em poder de terceiros.
(   ) Valores da empresa em poder de sócios.
(   ) Uma parte do capital de giro da empresa que, temporariamente, ainda não foi integralizado.
(   ) Um reforço do Patrimônio Líquido.
(   ) Todas as alternativas estão erradas.

Questão 8: As receitas e despesas financeiras (juros ativos e juros passivos), já acontecidas, devem ser lançadas em contas do:

(   ) Ativo Circulante e Passivo Circulante, respectivamente.
(   ) Realizável e Exigível, respectivamente.
(   ) Despesas Administrativas, pelo saldo.
(   ) Outras Receitas e outras Despesas não Operacionais, pelo saldo.
(   ) Receitas e Despesas operacionais, respectivamente.

Questão 9: Os adiantamento concedidos a fornecedores devem ser lançados:

(   ) Em canta a receber, no grupo Adiantamento.
(   ) No grupo estoques, em uma sub-conta específica de Adiantamento.
(   ) Como conta redutora da conta Fornecedores.
(   ) Como valores a receber de clientes.
(   ) Todas as alternativas estão erradas.

Questão 10: Indique o título de crédito que somente pode ser emitido com base em efeito comercial de compra e venda ou de prestação de serviços:

(   ) Letra de câmbio.
(   ) Debênture.
(   ) Duplicata.
(   ) CDB ou RDB.
(   ) As segunda e terceira alternativas.

Questão 11: Que são tributos acumulativos e tributos compensatórios? Dê dois exemplos de cada um deles.

Questão 12: Sob o ponto de vista contábil, o que é Depreciação?

Questão 13: Por que o auditor não pode intervir na administração da empresa auditada? – Não considerar o caso específico de cheques que compõem a rubrica Caixa.

Questão 14: Qual a importância dos Controles Internos para a formação da opinião do auditor, sobre as Demonstrações Contábeis da empresa auditada?

Questão 15: O que é materialidade e qual a sua importância no planejamento da auditoria?

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Prospecção de conhecimentos básicos para a disciplina AUDITORIA – Teste Nº 3

Este questionário é indicado para testar o aprendizado de alguns aspectos da disciplina que exigem conhecimentos de outras áreas das Ciências Contábeis. Sua base principal foram os conhecimento teóricos e prático do professor e o livro de…

FRANCO, Hilário e MARRRA, Ernesto. Auditoria Contábil. São Paulo: Atlas, 2003.

Nota: Neste documento O termo auditor é empregado para identificar tanto a pessoa física do auditor, como as empresas de auditoria

Questão 1: Qual o conceito e objetivo de auditoria?

A auditoria é um conjunto de procedimentos técnicos que têm por objetivo a emissão de um Parecer sobre as Demonstrações Contábeis da empresa auditada, tendo como base os Princípios Fundamentais de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade. Na ausência de procedimentos expressos nesses instrumentos normativos, prevalecem aqueles geralmente aceitos pelas empresas e profissionais do setor. O objetivo da auditoria é validar os saldos contábeis e avaliar a adequação dos controles internos da empresa auditada, para formar uma opinião sobre as demonstrações contábeis e os controles internos, necessária à emissão do Parecer dos Auditores Independentes.

Questão 2: Quais os procedimentos padrões de auditoria?

Os procedimentos de auditoria são um conjunto de técnicas que permitem ao auditor obter evidências e provas sobre o sistema contábil e os controles internos da empresa auditada, de modo que possa fundamentar uma opinião sobre as demonstrações contábeis da empresa auditada. Os trabalhos do auditor são baseados em testes de observância e testes substantivos.

Os testes de observância têm por fim verificar se os controles internos são adequados ao ramo, estrutura e grandeza da empresa auditada e se estão em total funcionamento. Os teste substantivos são realizados sobre as transações e saldos contábeis. Em ambos os casos o objetivo é evidenciar e validade a exatidão das informações geradas pelo sistema contábil da empresa auditada, inclusive através de procedimentos de revisão analítica (ver item “6”, a seguir).

Questão 3: O que são considerado fraudes e erros?

Fraude é um ato intencional de omissão ou manipulação das transações da empresa, com a adulteração de documentos ou registros contábeis. Erro é um ato não intencional, resultante da omissão, desatenção ou má interpretação de atos e fatos geradores de registros contábeis.

Embora a responsabilidade pela identificação de fraudes e erros seja da administração da empresa (através de implementação e manutenção de sistemas contábil e de controle interno confiáveis), o auditor deve planejar seu trabalho de forma que possa detectar possíveis atos dessa natureza. Assim, o auditor ao detectar fraudes e erros tem a obrigação de comunicar o fato à administração da empresa auditada, para que esta tome as medidas cabíveis de correção.

Questão 4: Como deve ser feito o planejamento do trabalho de auditoria?

O auditor deve planejar seu trabalho de acordo com as normas legais e profissionais. Para isso necessita de adequados níveis de conhecimentos econômicos, da legislação aplicável e das práticas operacionais do cliente. Deve, ainda:

a) Conhecer os procedimentos contábeis e os controles internos da empresa a ser auditada e o seu grau de confiabilidade.
b)Identificar os riscos da auditoria e as áreas importantes da empresa, com relação às suas atividades.
c) Se há filiais e empresas controladoras, controladas e coligadas.
d) Tomar conhecimento do trabalho de outros auditores independentes e consultores que tenham prestado serviço à empresa auditada (bem como a natureza dos seus respectivos pareceres e relatórios) e dos trabalhos dos auditores internos (e de seus relatórios).
e) Estabelecer prazos para as diversas etapas do trabalho e do seu encerramento, de forma que possa atender às necessidades dos usuários externos (CVM, bancos, fornecedores, acionistas etc.).

O auditor deve fazer o planejamento por escrito, detalhando os procedimentos aplicados. Essa tarefa deve ser elaborada de forma que toda a equipe de trabalho assuma total responsabilidade pelos exames realizados. Por sua vez, as equipes técnicas devem ser compostas por profissionais habilitados e capacitados a executar os trabalhos. O planejamento pode ser revisado e alterado no decorrer dos trabalhos de campo.

Caso o auditor esteja efetuando o trabalho no cliente pela primeira vez e as demonstrações contábeis do exercício anterior não tenha sido examinadas por outro auditor, deverão ser observados os seguinte procedimentos:

a) Confrontar os saldos das rubricas no fechamento do exercício do exercício anterior com os saldos na abertura do exercício a ser auditado, visando evitar erros e distorções.
b) Verificar se as práticas contábeis adotadas no atual exercício são uniformes com o exercício anterior.
c) Identificar a ocorrência de fatos relevantes que tenham acontecido (durante o exercício a ser examinado) e que tenham comprometido a situação da empresa auditada, principalmente seu patrimônio e suas finanças.
d) Identificar eventos relevantes no exercício anterior, que não tenham sido considerados ou não relatados em Parecer de Auditores Independentes ou outro documento.

Observe-se que a relevância de um evento deve ser considerada pelo auditor, para que ele possa determinar a natureza e extensão dos procedimentos de auditoria; avaliar os efeitos desse evento sobre as demonstrações financeiras e, ainda, determinar a adequada apresentação das informações contábeis

Questão 5: Como devem ser aplicados os procedimentos de auditoria?

Devem ser aplicados em razão do volume e da complexidade das operações da empresa auditada, por meio de provas e amostragem seletivas, cabendo ao auditor realizar seus exames e análise com os elementos que dispuser, de maneira que possa formar uma convicção sobre o fato examinado.

Questão 6: Como devem ser realizados os trabalhos de auditoria e quais devem ser as extensões e a profundidades dos seus exames e testes?

Devem-se considerar os seguintes procedimentos:
a) Inspeção – Exame de registros, documentos e de ativos tangíveis.
b) Observação – Acompanhamento dos procedimentos adotados pela empresa e se há continuidade na aplicação dos controles internos.
c) Investigação (Circularização) – Confirmação que se obtém por informação junto a pessoas ou entidades conhecedoras das transações.
d) Cálculo – Conferência dos documentos comprobatórios e registros das demonstrações contábeis.
e) Revisão analítica – Verificação do comportamento dos valores através de índices ou coeficientes de quantidades absolutas ou relativas, isto é, valores e quantidades ou percentuais.

Na data da aplicação de teste substantivos, o auditor deve observar se :

a) Os itens patrimoniais realmente existem e se todos estão contabilizados.
b) Os direitos e obrigações registrados existem e se todos estão contabilizados.
c) As ocorrências e transações têm fundamento real e se todas as ocorrências e transações foram registradas na contabilidade.
d) A mensuração, apresentação e divulgação de todos os itens estão avaliadas de acordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade.

Na revisão analítica o auditor deve considerar:

a) O objetivo e o grau de confiabilidade dos resultados obtidos pelos índices e coeficientes.
b) Os conhecimentos adquiridos pelo trabalhos realizados pelos auditores anteriores.
c) A disponibilidade de informações, sua confiabilidade e compatibilidade
Se durante a revisão analítica o auditor não obtiver informação suficientes, deve efetuar novos procedimentos, até se certificar do acerto ou erro da contabilidade de empresa auditada.

Se os valores envolvidos forem expressivos com relação a posição patrimonial da empresa, o auditor deve:

a) Confirmar os valores das contas a receber e a pagar através de comunicado a terceiros envolvidos.
b) Acompanhar os inventários físicos dos estoques, efetuando teste de procedimentos.

Caso os exames e testes de auditoria apresentem resultados não confiáveis, o auditor pode ampliar a extensão (maio número de elementos examinados) e a profundidade (maior número de testes sobre o mesmo documento) dos exames

Questão 7: Qual a importância dos papéis de trabalhos e como eles devem ser elaborados e arquivados?

O papel de trabalho é a principal ferramenta do auditor. È nele que são registrados os exames, análises e revisões analíticas efetuadas na empresa auditada, evidenciando o respeito (ou o desrespeito às normas contábeis). Os papéis de trabalho devem ser claros e com detalhes suficientes para facilitar o entendimento da auditoria executada, compreendendo a documentação do planejamento e a extensão e profundidade dos procedimentos adotados pelo auditor. Devem ser organizados e arquivados de forma racional, facilitando futuras consultas.

Questão 8: Os papéis de trabalho consistem no conjunto de documentos e apontamentos com informações e provas coletadas pelo auditor independente. São de sua propriedade e têm como principal objetivo (selecione uma das alternativas abaixo):

a) Servir de elemento de prova para registro no departamento contábil.
b) Evitar desperdício e erros por parte da administração da empresa.
c) Dar suporte a opinião do auditor, expressa no seu parecer. <– Resposta correta.
d) Controlar os compromissos assumidos pelo auditor.

Questão 9: O que é amostragem e como deve ser estabelecida pelo auditor?

Amostragem é o método de seleção de itens a serem examinados e testados pelo auditor, que deve aplicar procedimentos que obtenham evidências suficientes e apropriadas para o seu trabalho. O tamanho da amostra deve ter uma relação direta com o volume das transações a serem examinadas, com seus reflexos na situação patrimonial e financeira da empresa auditada, levando em consideração os seguintes fatores:

a) O número de transações objeto de amostra.
b) A qualidade e confiabilidade da amostra.
c) O tamanho da amostra.
d) O risco assumido pelo auditor, em função do tamanho de amostragem.
e) O número de erros esperados e tolerados.

A amostra pode ser selecionada de forma aleatória ou sistemática (estabelecendo-se intervalos constantes entre as transações). Fica a critério do auditor o sistema de seleção a ser adotado.

Questão 10: Durante o processo para determinar a extensão dos testes de auditoria externa, após a avaliação dos controles internos, a seleção da amostra deverá ser efetuada (selecione uma das alternativas abaixo):

a) Sempre com base em critérios não estatístico.
b) Sempre com base em certeiros estatístico.
c) Por critérios estatísticos ou não, dependendo do julgamento do auditor <– Resposta correta.
d) Por critérios não estatísticos, somente para contas com baixo risco para a auditoria.

Questão 11: Como devem ser os procedimentos iniciais de auditoria em Processamento Eletrônicos de dados?

Inicia-se pela auditoria ao redor do computador quando deve ser verificado se as informações fornecidas para processamento são suficientes e completas. Deve-se, também, ver se as planilhas emitidas refletem o conjunto das informações fornecidas. É preciso verificar a segurança de acesso ao sistema e aos aplicativos, senhas de segurança de acesso ao processamento e segurança na guarda da documentação.

Questão 12: O que se entende por Carta de Responsabilidade da Administração?

È uma carta emitida pela Diretoria da empresa auditada, na qual é evidenciada a sua responsabilidade quanto às informações e dados usados para a elaboração e preparação das demonstrações contábeis submetida aos exames do auditor, bem como as informações prestadas diretamente ao auditor.

Questão 13: Entre os tipos de pareceres de auditoria NÃO está previsto (selecione uma das alternativas abaixo):

a) Parecer sem ressalva.
b) Parecer com abstenção de opinião.
c) Perecer com ressalva.
d) Parecer com ressalva condicionada.

Questão 14: Qual o objetivo principal nos exames das Contas que representam a Disponibilidade da empresa e como devem ser realizadas essas verificações?

Na maioria dos casos, as fraudes e desfalque estão relacionados com valores registrados no Disponível. Por isso é muito importante a verificação da contas que integram esse grupo de rubricas. O objetivo não é examinar todas as disponibilidades, mas sim aquelas que sejam de maior relevância e que apresentem maior possibilidade de manipulação. Os exames devem fornecer ao auditor segurança de que, através de lançamentos indevidos, não haja transferência e escamoteação e outros artifícios indevidos.

Devem ser efetuadas as seguintes verificações:

a) Controles internos – Para evitar desvios e desfalques é necessário um bom controle interno, por isso o auditor deve observar a sua qualidade e a rigidez com que são obedecidos.
b) Conciliações e Reconciliações – São não houver conciliação das contas que envolvam bancos e outras instituições financeiras, o auditor deve fazê-la, juntamente com o setor da empresa responsável pela confirmação desses saldos. Se houver conciliação, o auditor deve realizar uma reconciliação, revisando a conciliação anterior, de modo a se assegurar da exatidão dos seus valores. Esses documentos devem ser guardados, compondo os papéis de trabalho.
c) Circularização (Confirmação direta) – Além de se basear somente nos extratos bancários originais, o auditor deve fazer circularização, para confirmar os saldos bancários na data dos exames.
d) Contagem dos valores – A conta Caixa deve ser examinada de surpresa, fazendo-se uma ata destacando-se os valores existentes na tesourara e as possíveis irregularidades. A ata deve ser datada e assinada pelo auditor, pelo responsável pela guarda dos valores e demais participantes da contagem.
e) Corte na data da contagem (“cut off”) – Nos exames devem ser consideradas as últimas operações (entradas e saídas de valores) antes dos exames da conta Caixa, a interrupção das operações e o momento de sua retomada.
f) Exame posterior – No dia seguinte da contagem dos valores, o auditor deve verificar se as rotinas da Tesouraria e do Caixa foram alteradas.
g) Operação subsequente – Através da movimentação do Razão das contas do Disponível e dos extratos bancários, o auditor deve analisar as operações num período de 10 dias após os exames da conta Caixa, procurando lançamentos que possam distorcer a contagem e a verificações de valores.
h) Saldos contábeis – Os saldos encontrados pela contagem física do Caixa e pela reconciliação bancária devem ser confrontados com os saldos contábeis, para verificar sua conformidade.
i) Exames das operações Contábeis – Dentro da amostragem, o auditor deve efetuar exames de extensão de profundidade, para detectar possíveis irregularidades. Para isso, são muito importantes a eficiência dos controles internos e a conferência dos lançamentos contábeis selecionados e seus documentos, atentando para sua credibilidade.

Questão 15: Quais os procedimentos indicados para os exames das contas que representam especificamente títulos negociáveis?

Conforme o prazo de realização dos títulos eles podem ser classificados no ativo circulante (Disponível ou Realizável a Curto Prazo) ou no Realizável a Longo Prazo. O auditor deve verificar se os controles existentes são adequados, levando em conta principalmente que alguns títulos podem ser ao portador e que permitem fácil negociação e alta rotação e que, além do mais, podem se traduzir em omissão de rendimentos durante o exercício.

O auditor deverá obter uma listagem de todos os títulos, inclusive aqueles que foram negociados durante o exercício e já liquidados, de forma a evidenciar os lucros ou prejuízos obtidos nas operações encerradas e os rendimentos proporcionais esperados dos títulos ainda a realizar. Os títulos em poder de terceiro poderão ser verificados no local, através de Carta de Circularização. Neste caso ênfase especial deve ser dada para a possibilidade de os títulos estarem onerados, ou representarem garantia para outro tipo de negocio que deve ser investigado.

Os títulos devem ser considerados pelo custo de aquisição. Todavia deve ser realizada uma pesquisa para conhecer o seu valor presente (valor de mercado), se houver. Essa pesquisa pode ser realizada junto a corretores, agentes financeiros e algumas publicações que fornecem os dados necessários. Quando se tratar de ações de companhias, o auditor pode se utilizar da cotação em bolsa de valores. Em todos os casos, o auditor deve levar em conta o fator relevância, para decidir quanto a profundidade do trabalho investigado.

Questão 16: Como devem ser examinadas as rubricas que representam valores a receber de terceiros e suas respectivas contas redutoras?

Deve-se verificar se os valores são autênticos, se são realizáveis (recebíveis), se esses valores correspondem a transações comerciais e não a devoluções, descontos e abatimentos, de forma que haja uma avaliação prudente nas contas a receber, para efeito de balanço.

As áreas a serem examinadas são: vendas a clientes, clientes, títulos a receber, duplicatas a receber, cheques em cobrança, adiantamentos a fornecedores, diretores e empregados e outros créditos junto a terceiros, inclusive tributos a compensar ou pendências judiciais contra terceiros, entidades particulares ou governamentais. Considere-se que os adiantamentos são não dedutíveis das contas de passivo, devendo permanecer em conta de ativo. Entretanto se o adiantamento estiver vinculado ao fornecimento de mercadoria, matéria prima ou máquinas e equipamentos, sua classificação deverá ser em Estoques ou Imobilizado, conforme o caso. O auditor deve, ainda, verificar os controles internos, objetivando identificar a possibilidade de haver duplicatas frias. Esses títulos deixam de ser valores ativos, passando a ser responsabilidades passivas.

Terminando o exame da área e auxiliados pelo resultado da circularização, o auditor terá condições de determinar o valor da Provisão Para Devedores Duvidosos. Para isso deve, ainda, observar o comportamento da provisão e o percentual dos anos anteriores, solicitar ao departamento de cobrança da empresa relações das pendências (recebimentos não realizados) e solicitar aos advogados da empresa auditada informações sobre o estado dos processos movidos contra os devedores faltosos.

A conta Duplicata Descontada deve ser examinada em duas etapas: primeiro a sua composição e origem; depois a sua posição como conta redutora do Ativo Circulante.

Questão 17: Qual deve ser a meta principal do auditor ao examinar as contas de estoques?

a) Assegura-se que os estoques existem fisicamente e são de propriedade da empresa (cuidado com as mercadorias recebidas em consignação e mercadorias de controladas e coligadas).
b) Identificar se existe ônus sobre alguns itens do estoque.
c) Verificar se os estoques estão sendo usados para sua finalidade, não tendo itens obsoletos, defeituosos ou inadequados ao objeto social da empresa.
d) Examinar os critérios de avaliação e sua adequação.
e) Programar os períodos para realização dos inventários, quantas contagens devem ser realizadas e estabelecer que haja boa arrumação no estoque.
f) Realizar um pré-inventário, no qual deve ser determinado que os produtos acabados sejam os primeiros itens a serem verificados (nesse e nos exames seguintes); identificar os produtos que têm pouca movimentação; identificar os critérios de contagem; determinar que as fichas de estoque fiquem sobre a responsável do setor e que sejam liberadas somente no final do inventário
g) Durante a realização do inventário, estipular data e horários para a paralisação dos setores da produção e do almoxarifado; estabelecer o controle por etiquetas, sempre que o controle da empresa apresente rasuras; estabelecer critérios para a liberação das áreas inventariadas (para isso a empresa deve indicar pessoa responsável pelo serviço de corte nas operações).

Concluindo o trabalho de inventário, o auditor, conjuntamente com representante da empresa auditada, deve apurar as diferenças nos controles. Se as diferenças forem relevantes, deve-se propor um ajuste contábil, para que o montante que figure no balanço seja correto e confiável. Devemos lembrar que o estoque deve ser avaliado pelo preço de custo ou mercado, dos dois o menor.

Questão 18: O que se entende por investimentos relevantes e como devem ser examinadas essas rubricas?

Investimentos relevantes são recursos da empresa auditada aplicados em outras empresas. Isto é, essa conta representa o comprometimento dos capitais próprios em outras empresas, que podem ou não ser do mesmo grupo empresarial. Esse comprometimento diz respeito a lucratividade e segurança do investimento, pois se não houver lucro ou se estes forem menores do que o da empresa auditada, esta pode ficar prejudicada em seus resultados. Consideram-se coligadas as sociedades em que o investimento, embora relevante, não seja suficiente para dar à empresa investidora o predomínio nas decisões administrativas das investidas. As controladas são aquelas em que a empresa investidora pode exercer esse domínio.

São relevantes os investimentos que:

a) Em cada sociedade coligada e controlada, o valor contábil for igual ou superior a 15% do valor do patrimônio liquido.
b) No conjunto das coligadas e controladas, deve-se considerar também, os 15% do valor contábil.
c) As sociedades coligadas e controladas onde haja participação de 20% ou mais do capital, serão avaliadas pelo valor patrimonial.

A determinação de valor relevante dos investimentos é evidenciada da seguinte forma:

a) Quando o valor contábil do investimento em cada coligada for igual ou superior a 10%.
b) Considerando em seu conjunto, o valor contábil dos investimentos nas controladas e coligadas for igualou superior a 15%.
c) É necessária a verificação do valor do investimento, quando de sua aquisição.
d) A avaliação em coligadas e controladas, deve ser feita pelo método de equivalência patrimonial.
e) Os critérios contábeis adotados devem ser os mesmos, tanto pela empresa participante como pela empresa participada.
f) Devem ser excluídos os resultados ainda não realizados.
g) Devem ser excluídas as participações recíprocas no capital social das empresas.

Questão 19: Destaque os objetivos e exames que devem ser realizados nas contas do Ativo Permanente, incluindo o Ativo Deferido. Nesta área os objetivos dos exames deverão estar voltados para:

a) Avaliação dos bens.
b) Existência de propriedade e posse.
c) Existência de ônus.
d) Critérios de depreciação e amortizações.

Sendo a primeira auditoria, por ocasião do inventário anual o auditor deve examinar quase a totalidade dos bens, excluindo somente aqueles com valores baixos. Para efeito de controle deve-se testar a existência do imobilizado, sua localização e utilização, através de listagem detalhada de todos os bens, elaborada de forma que permita a fácil identificação e estado de conservação. O auditor deve acompanhar essas verificações, fazendo suas anotações e observações. Para os imóveis é necessário verificar as escrituras de aquisição e sua transcrição no Cartório de Registro de Imóvel, bem como a sua atualização com registro de alteração, benfeitorias etc.

O auditor deve verificar as adições e baixas havidas no imobilizado, durante o exercício auditado. A verificação do valor da documentação é necessário para se averiguar se os valores correspondem realmente aos acréscimos e redução do imobilizado, e se este está corretamente apropriado.

É, também, necessária a verificação da existência de ônus sobre bens do Imobilizado, geralmente relacionados com financiamentos obtidos pela empresa auditada, junto a instituições financeiras. Neste caso as confirmações bancárias (Circularizações) revelarão os fatos.

ATIVO DIFERIDO – O Diferido deve ser composto por aplicação de recursos em despesas que contribuirão para formação de resultados durante o período que antecede o exercício social inclusive juros pagos ou creditados a acionistas. O auditor deve examinar esta rubrica com o mesmo cuidado aplicado nas verificações do Imobilizado, excluída a parte documental que exige registro cartorial.

Questão 20: As contas do Passivo Circulante e do Exigível a Longo Prazo possuem características próprias que exigem cuidados nos seus exames. Quais são elas e como devem ser realizados esses exames?.

a) Avaliar se os controles internos são eficientes e adequados para a finalidade, se estão organizados para assegurar a correta contabilização de todas as obrigações passivas da empresa, principalmente no que diz respeito a fornecedor e a instituições financeiras.
b) Assegurar que todas as obrigações da empresa auditada estão contabilizadas e que todas as obrigações registradas são realmente dela.
c) Assegurar que todas as obrigações estão sendo liquidadas e sejam realmente devidas, conforme a política financeira da empresa auditada.
d) Assegurar que os valores a pagar estão corretamente demonstrados no balanço.
e) Examinar todo passivo, independente do prazo de vencimento e dos tipos de contas a pagar.

A classificação dessas contas no balanço dependerá sempre dos seus respectivos prazos de vencimento. O Passivo Circulante deverá conter somente aquelas que se vencerão no decorrer do exercício seguinte; no Exigível a Longo Prazo, aquelas cujo vencimento exceder ao exercício seguinte

Nas contas a pagar, a preocupação maior deve ser com os controles internos. Por isso o auditor deve se preocupar, principalmente, com os seguintes aspectos, verificando se existem:

a) Sistema adequado para controle das contas a pagar (incluindo rotinas de autorização para efetivação dos pagamentos), se esse sistema é obedecido e como é realizada a contabilização dos pagamentos.
b) Autorização prévia e hábil (a pessoa que autoriza deve ter poderes para tal) para a contabilização dos valores registrados no passivo.
c) Contabilização de passivos não autorizados.
d) Autorização prévia e hábil para os pagamentos efetuados.

Para executar essas tarefas, o auditor deve obter listagens analíticas de todo o passivo em data base por ele escolhida. Essa listagem deve ser por ordem alfabética de credores, sendo que a listagem de cada credor deve ser realizada por ordem de vencimento (os mais antigos em primeiro lugar). No exame dessas listagens, o auditor deve atentar para as seguintes ocorrências:

a) Contas antigas não baixadas.
b) Contas canceladas durante o exercício.
c) Devoluções inconvenientes.
d) Contas com saldo devedor.

Na conta Salários a Pagar, deve-se pesquisar o movimento durante o exercício, a fim de evidenciar lançamentos extraordinários (grandes diferenças de valores, sem motivo aparente), confrontando de Folhas de Pagamento de vários meses; se os pagamentos estão sendo realizados em dia, e se existem autos de infração por sonegação de impostos e/ou contribuições sociais, em razão de erros fortuitos ou intencionais. Se houver autos de infração, deve-se solicitar carta dos advogados da empresa auditada, na qual deve constar um sumário da defesa efetuada e a possibilidade de êxito. E, finalmente, carta de responsabilidade, assinada pela administração da empresa, dirigida ao auditor.

Questão 21: Dentre os recursos de terceiros em poder da empresa, quais as características especificas dos valores de Provisão para Imposto de Renda e como devem ser seus exames?

O imposto de renda a pagar deve ser considerado um encargo do exercício encerrado. Por isso, sua correta classificação contábil é no Passivo Circulante, pois seu pagamento deve ocorrer no exercício seguinte. Para que haja a apuração de imposto de renda em 31 de dezembro de cada ano, a legislação obriga a apuração e o pagamento mensal por estimativa, fazendo o cálculo pela receita bruta.

Se o imposto pago já tiver superado o imposto devido, o pagamento daquele mês poderá ser suspenso, será pago o valor menor do que o apurado pela estimativa. Se o imposto estimado para o mês, somado com o já recolhido do mês anterior ultrapassar o imposto devido, o cálculo desse imposto só pode ser efetuado no término do trabalho de auditoria. Sendo assim, o auditor deverá fazer os cálculos, ficando atento a legislação do imposto de renda para atualizar o programa para que o tributo seja calculado com eficiência, pois o imposto de renda tem profunda influência em quase todo os setores do patrimônio.

Questão 22: Qual o objetivo dos exames e como devem ser realizadas as verificações das rubricas do Patrimônio Líquido?

Nas contas do patrimônio liquido os exames abrangem não só os lançamentos contábeis mas também os livros societários, estatutos sociais e respectivas alterações. No caso de sociedade de pessoas e sociedades limitadas, o contrato social, as respectivas alterações, as atas de reunião de quotistas e/ou diretores. Quando se tratar de sociedades anônimas, as atas das assembleias gerais, das reuniões do conselho e da diretoria e os estatutos atualizados (para cada data dos eventos significativos) – Como a lei determina a contratação de um agente emissor de certificados representativos de ações e escrituração e guarda dos respectivos livros societários, o auditor pode recorrer a esse agente (geralmente um banco), quando houver necessidade de informações sobre a composição acionária da empresa auditada.

O auditor deve organizar um quadro com a movimentação de todas as contas do Patrimônio Líquido, desde o inicio da atividade da empresa. Note-se que as operações de crédito e/ou pagamento de dividendos já devem ter sido verificadas juntamente com as contas do Passivo Circulante.

Questão 23: Como devem ser realizados os exames das Contas de Resultados tendo por parâmetro seus objetivos e metas?

As contas de receitas e despesas tem influência direta nas contas de disponibilidades por isso estão mais sujeitas a fraudes. Entretanto os exames não devem ficar limitados a essas rubricas. Devem, também, ser cuidadosamente examinadas as contas de Provisões, Depreciações, Amortizações e Exaustão, sejam para devedores duvidosos, para provisionar recursos para substituição de ativos ou mesmo para despesas financeiras vencidas e não pagas. Assim, todas as contas que interferem no resultado devem ser examinadas. O auditor deve estar focado nestes exames, sem preocupação com outras tarefas. Uma forma recomendável é a comparabilidade dos valores ao longo dos meses. Havendo irregularidade e variações significativas de valores, deve-se assegurar que estas sejam corrigidas, atentando, porém para o volume de salários em meses sazonais, para o custo de mercadorias, em épocas certas de aumento de preço etc., levando sempre em consideração os aspectos de relevância e materialidade. As amostragens devem escolher meses de normalidade.

Questão 24: O que se entende por Auditoria por Ciclo?

É um tipo de exame que orienta a auditoria para fazer análise por ciclo de operação da empresa auditada No sistema compra/venda, por exemplo, verifica-se desde a requisição da mercadoria para formação ou substituição de estoques, cotação de preços, autorização para sua aquisição, efetivação do pedido de compra ao fornecedor, conferência e recebimento da mercadoria comprada, sua entrada e registro no estoque, registro em contas a pagar, pagamento ao fornecedor, venda da mercadoria, saída e baixa no estoque, envio da mercadoria vendida ao cliente, registro em contas a receber, recebimento do valor vendido.
Ainda no caso de compra/venda, deve-se auditar, ao mesmo tempo, os impostos incidentes nas operações e as contas dos bancos envolvidos, tanto nos valores a pagar como nos valores a receber

Questão 25: Qual a diferença entre “auditoria por conta” e a “auditoria por ciclo” e quais as vantagens da segunda sobre a primeira?

Na “auditoria por conta” os exames são efetuados de forma linear, fazendo uma varredura não dirigida, enquanto que os exames da “auditoria por ciclo” são determinados por operações já realizadas pela empresa. Esse segundo método oferece uma maior segurança e uma otimização do tempo do auditor. Portanto, a “auditoria por ciclo” oferece mais segurança e direcionamento dos exames.

Questão 26: A data do parecer do Auditor deve ser (Escolha a alternativa correta):

a) O dia da entrega do Parecer,
b) O dia do encerramento do balanço.
c) A data do recebimento da carta de responsabilidade da Administração.
d) A data em que foram realizados os últimos exames de campos. <-– Resposta correta.

Questão 27: Os papéis de trabalho são padronizados ou há liberdade para que os auditores escolham a melhor maneira e forma para anotar suas observações?

Não há padronização, mas é uma obrigação formal. As anotações devem ser claras e de fácil entendimento não só para o auditor mas para os outros contadores.

Questão 28: O que se entende por “fé pública” dos papéis de trabalho dos auditores independentes?

Eles têm valor perante a justiça, mesmo que redigido a lápis.

Questão 29: De que forma as informações de exame contidas nos papéis de trabalho devem ser confirmadas, quando registradas em mais de uma folha?

É através de cruzamento dos papéis de trabalho, com o uso de ticket, que se dá confirmação das informações e dos exames de auditoria. Estes devem ser padronizados para todos os exames da empresa auditada, sendo que os seus significados devem ser registrados somente uma vez, em uma folha do Planejamento da Auditoria. Exemplo:  = Examinado o documento de origem; ∑ = Verificados os totais; ‡ = Apresentou diferencia imaterial; # = Erro relevante.

Questão 30: O que é circularização e qual o seu conceito em auditoria?

Circularização é a correspondência enviada aos credores e devedores da empresa auditada e assinada por seus responsáveis, solicitando que sejam confirmados, diretamente ao auditor independente, os saldos devedores e credores da empresa. Seu conceito é a comprovação de valores registrados nas respectivas rubricas, dando ao auditor maior segurança nas suas verificações.

Prospecção de conhecimentos básicos para a disciplina AUDITORIA – Teste Nº 4

Questão 1: Em quantos blocos de rubricas se divide o Demonstrativo do Resultado do Exercício? Detalhe pelo menos dois grupos.
Resposta: O Demonstrativo do Resultado do Exercício se divide em 5 (cinco) grandes blocos de rubricas:
• Receitas – Onde estão as contas Receitas Brutas e suas rubricas redutoras, tais como Devoluções e Abatimentos e as de tributação direta.
• Despesas Operacionais Diretas – Representadas pelas contas que representam os custos de produção ou de aquisição dos produtos vendidos.
• Despesas Administrativas – Com as rubricas do “custo do negócio”.
• Outras Receitas e Outras Despesas Não Operacionais – Onde estão registradas todas as operações que não tenham origem no objeto social da empresa, inclusive juros passivos e ativos,
• Resultado – Aqui se concentram as contas que evidenciam o lucro do exercício, os tributos a serem pagos, o lucro líquido e seu destino (parte a ser distribuída entre os sócios e parte a ser retida na empresa, neste último caso com o rateio entre os diversos fundos de Reserva e Lucros Retidos).

Questão 2: Se durante o exercício a empresa alienar um bem do seu Ativo Permanente e obtiver lucro ou prejuízo, aonde essa operação deve ser registrada no Demonstrativo de Resultado? Justifique.
Resposta: O resultado da operação (Valor da Venda – Custo histórico, menos Depreciação) deve ser lançado em Outras Receitas Não Operacionais ou Outras Despesas Não Operacionais, respectivamente, se for evidenciado lucro ou prejuízo. Isto porque é o registro de um fato não inerente, não próprio, à natureza da empresa, pois se pressupõe que o Imobilizado contenha apenas itens que deem a organização condições de atuar e produzir de acordo com a finalidade expressa em seu Contrato Social ou Estatutos.

Questão 3: Nos exames da conta Capital Social quais os documentos que, obrigatoriamente, o auditor externo deve examinar e analisar? Quais desses não são documentos eminentemente contábeis?
Resposta: No Caso de sociedades anônimas, o auditor independente deve examinar o Contrato Social e suas alterações. Em se tratando de sociedades anônimas os Estatutos e atas das Assembléias Gerais e do Conselho de Administração. Esses exames devem contemplar, inclusive, a verificação na Junta Comercial. Nenhum desses documentos é eminentemente contábil.

Questão 4: Que contas do patrimônio líquido devem ser auditadas conjuntamente com rubricas do Demonstrativo do Resultado?
Resposta: Todas as contas de Reservas e de Lucros (Retidos, do Exercício etc.). Sendo que as Rubricas que envolvam o rateio do Lucro do Exercício devem ser analisadas conjuntamente, inclusive com os Lucros ou Dividendos a Distribuir, estes últimos rubricas do Passivo Circulante.

Questão 5: O que é capital autorizado, quais as empresa que podem possuir esse tipo de capital, quem tem poderes para transformar o capital autorizado em capital subscrito e qual a sua importância para a análise dos recursos próprios?
Resposta: O Capital Autorizado é, ao mesmo tempo, uma meta e um limite estatutário estabelecidos pela Assembléia Geral ou pelo Conselho de Administração, para aumento do Capital Social da empresa, independentemente de alterações estatutárias futuras. É um caso particular das sociedades anônimas. A transformação do Capital Autorizado em Capital Subscrito depende do lançamento de subscrição das novas ações, em data ou datas determinadas pela Diretoria da empresa. Para que se possa evidenciar com exatidão os Recursos Próprios da empresa, deve-se atentar para o fato de que o valor do Capital Autorizado não necessariamente correspondente ao valor do Capital Subscrito e muito menos do Capital Integralizado, este último sim recurso da empresa.

Questão 6: Por que os lucros a serem distribuídos aos acionistas não podem integrar o patrimônio líquido? A explicação deve ser eminentemente contábil e não legal.
Resposta: O Princípio da Entidade afirma que “o patrimônio [da sociedade] não se confunde com aquele dos seus sócios ou proprietários”. Aplicando-se a reciproca a esse conceito, conclui-se que no grupo Patrimônio Líquido somente devem ser registrados valores que representem os Recursos Próprios da Empresa. Por sua vez, no grupo do Passivo (Corrente ou Exigível de Longo Prazo) devem ser registrados todos os compromissos que a empresa possui com terceiros. Como os lucros a serem distribuídos não pertencem à empresa mas sim a seus sócios, estes dever ser lançados no Passivo, mais propriamente no Passivo Circulante, por se tratar de valores a serem pagos antes do encerramento do Balanço do exercício seguinte.

Questão 7: Havendo aumento de capital, sem que a subscrição do novo valor tenha obedecido ao principal da proporcionalidade para os sócios antigos, quais os documentos que devem ser analisados pelo auditor?
Resposta: A ata da Assembléia Geral que tenha autorizado o aumento de capital; a oferta de subscrição aos acionistas da época; o respeito ao “direito de preferência” na proporção das ações que possuírem na data do aumento do capital; o pronunciamento dos acionistas (ou não) e a determinação dada pela Assembleia Geral para as ações não subscritas. Circunstancialmente outros documentos poderão ser examinados, tais como: ata do Conselho de Administração e da Diretoria, formalização de lançamento em bolsa de valores etc.

Questão 8: O que é “Pasta Permanente”, quem deve organizá-la, qual sua finalidade e quais os documentos relativos ao patrimônio líquido que nela devem ser guardados?
Resposta: Dá-se o nome de “Pasta Permanentes” aos arquivos que contêm documentos que são usados por mais de um exercício, para as verificações de auditoria em uma mesma empresa. Ela deve ser organizada pelo auditor e sua finalidade é proporcionar uma uniformização e continuidade nos exames, de forma a oferecer maior segurança nos trabalhos de auditoria. No caso específico da “Pasta Permanentes” do Patrimônio Liquido, ela deve conter todos os documentos legais relativos a evolução do Capital Social da empresa, em suas várias modalidades: autorizado, registrado, subscrito, integralizo. Assim, teremos Estatutos, Atas de Assembleia Geral, Contratos Sociais e suas alterações, registros em unta Comercial, etc.

Questão 9: Por quê a boa técnica recomenda que haja separação entre os lucros retidos de exercícios anteriores e do exercício corrente?
Resposta: A boa técnica recomenda essa segregação para que seja facilmente identificada a parcela dos lucros retidos que seja oriunda das atividades da empresa no exercício a que as Demonstrações Contábeis se referem. Por outro lado, se fossem registrados em conjunto o lucro do exercício que se encerra poderia encobrir prejuízos de exercícios passados ou vice-versa.

Questão 10: Qual deve ser a atitude do auditor se identificar erros no cálculo da depreciação, quando da realização de seus exames antes do encerramento do exercício?
Resposta: Um dos erros mais comum no cálculo das Depreciações é realizá-la pelo saldo de cada conta dos vários itens do Imobilizado, quando não há ficha individualizada para cada bem, registrando o seu custo histórico e a Depreciação incorrida sobre ele. Agindo-se assim, pode-se erradamente acelerar a Depreciação de um item novo, se houver um outro da mesma categoria já totalmente depreciado. Ao constatar um caso dessa natureza, ou outro qualquer, o auditor deve formalizar (através de Relatório) sugestão para que a empresa altere seu procedimento naquele caso particular.

10 Perguntas sobre Auditoria Interna

PERGUNTA 1. Os exames demonstraram que há saldo maior no Realizável a Longo Prazo do que no Exigível a Longo Prazo. Como os comentários da Auditoria Interna devem indicar a situação da empresa em duas etapas: a) Tempo presente; b) Tempo futuro?

Resposta: No tempo presente a empresa está financiando seus clientes sem que haja uma contrapartida de financiamento de recursos de terceiros. Esta situação exige um aporte de capitais próprios, os quais estão sendo desviados da função produção para a função venda, acarretando uma redução da produção de mercadorias e, consequentemente, da realização de lucros. No tempo futuro os recursos do Realizável e do Exigível serão transferidos para o Ativo Circulante e para o Passivo Circulante, respectivamente, podendo proporcionar uma boa situação de capital de giro – desde que a empresa consiga estabilizar as fontes de recursos próprios.

PERGUNTA 2. Os mesmos exames demonstraram que a soma do Realizável a Longo Prazo e do Permanente era inferior do que a soma do Exigível a Longo Prazo e Patrimônio Líquido. Qual deve ser o comentário da Auditoria Interna?

Resposta: Esta situação indica que os recursos permanentes (Exigível a Longo Prazo mais o Patrimônio Líquido) estão financiando as vendas de longo prazo (Realizável a Longo Prazo), bem como e os investimentos financeiros e técnicos da empresa (Ativo Permanente). Muito embora isto indique uma situação econômico-financeira confortável representa, também, uma administração bastante conservadora, que realiza um perigoso gerenciamento da sociedade quando limitando seu crescimento à possibilidade de utilização dos recursos dos sócios, sem recorrer a capitais de terceiros. Esse tipo de administração reduz a capacidade de geração de lucro da empresa e o seu crescimento. Em outras palavras: o conforto financeiro representa timidez administrativa, redução do crescimento da empresa e comprometimento o seu futuro.

PERGUNTA 3. No desenrolar dos trabalhos normais da Auditoria Interna foram realizados exames que constataram um desfalque nos valores que compõem o Caixa da empresa. Quais os procedimentos e Recomendações que devem ser realizados pela Auditoria Interna?

Resposta: Fundamentar as provas do desfalque em papeis de trabalho, de forma a não gerar dúvidas sobre sua ocorrência. Em seguida, providenciar o imediato afastamento do responsável pela guarda e movimentação dos valores (o afastamento deve ser imediato, não dependendo da realização do relatório). Comunicar verbalmente a ocorrência (desfalque e afastamento) ao responsável pelo Departamento de Auditoria Interna e ao responsável pela Tesouraria. Elaborar o Relatório, relatando o fato e recomendando alteração dos Controles Internos, quando cabível.

PERGUNTA 4. Em um outro caso, também no desenrolar dos trabalhos normais da Auditoria Interna, os exames constataram um desfalque nos valores da Tesouraria, que está sob responsabilidade do Diretor Financeiro da empresa. Quais os procedimentos e Recomendações que devem ser realizados pela Auditoria Interna?

Resposta: O desfalque acontecido em uma Tesouraria que está sob o controlado do Diretor Financeiro deve ser tratado com as devidas cautelas, maior para não ferir o conceito de “Accountability”. Tão logo surjam as primeiras evidências, o fato deve ser comunicado verbalmente ao responsável pelo Departamento de Auditoria Interna. Em seguida, tal como na ocorrência de desfalque no Caixa, fundamentar as provas do desfalque em papeis de trabalho, de forma a não gerar dúvidas. De acordo com a desenrolar dos fatos (e por demanda das instancia superiores), elaborar relatório circunstanciado do desfalque, recomendando implantação ou alteração dos controles internos.

PERGUNTA 5. Os levantamentos da Auditoria Interna identificaram que embora sejam respeitados os controles internos estabelecidos pela empresa, os seus procedimentos operacionais estão gerando prejuízo. Qual a Recomendação que deve ser feita neste caso?

Resposta: Este é um caso claro de procedimentos operacionais errados. Uma das principais funções da Auditoria Interna é verificar a aplicabilidade e o acerto dos controles internos, não somente o seu cumprimento. Desta forma os responsáveis técnicos devem ser consultados sobre a conveniência de se alterar a prática estabelecida, mesmo antes da alteração formal dos manuais técnicos e/ou operacionais. O relatório da Auditoria Interna deve identificar os procedimentos errados, sugerir os novos procedimentos e recomendar a alteração dos controles internos. Todo o processo deve contar com a participação (e colaboração) do pessoal técnico das áreas envolvidas: compra, produção, transporte, venda etc.

PERGUNTA 6. Os exames físicos realizados pela Auditoria Interna no Setor de Estoques mostraram quantidades físicas maiores que as registradas nas contas específicas na Contabilidade (entenda-se que na empresa não há procedimentos anormais de compra e venda). O Relatório deve identificar a causa deste divergência, bem como quais os efeitos dessa ocorrência nos demonstrativos contábeis e no gerenciamento da empresa e fazer as Recomendações pertinentes.

Resposta: A existência de uma quantidade física maior de itens nos Estoques do que os registros contábeis indica, claramente, erros nos controles internos, porém este não é o erro principal. A requisição contábil de um número maior de itens dos Estoques do que os efetivamente utilizados no sistema de produção produz os seguintes efeitos: a) aumento irreal dos custos e a consequente distorção dos controles gerenciais; b) aumento dos preços de vendas, o que poderia está provocando perda de mercado; c) impedimento de redução dos preços de venda, o que estaria impedindo a ampliação do mercado para os produtos da empresa; d) redução contábil dos lucros da empresa; e) a empresa estaria pagando menos Imposto de Renda e outros tributos incidentes sobre o lucro; f) por dolo, ou involuntariamente, a empresa estaria praticando fraude fiscal, sujeito a multas retroativas. A recomendação a ser feita é uma completa devassa nos procedimentos contábeis e nos controles internos de compra, armazenamento e requisição de materiais para o setor de produção etc.

PERGUNTA 7. A Auditoria Interna constata que o valor contábil da maioria dos itens do Ativo Imobilizado está inferior ao seu valor venal (valor de mercado). Qual deve ser a recomendação e qual deve ser a justificativa da recomendação?

Resposta: A recomendação neste caso seria de se contratar junto a profissionais especializados a reavaliação do Ativo Imobilizado, de forma a se nivelar o valor contábil com o valor de mercado. A justificativa estaria nos seguintes elementos: a) os relatório e demonstrativos gerados pela Contabilidade passariam a expressar melhor a realidade econômico-financeira da empresa; b) O aumento do valor do Imobilizado teria uma contrapartida no mesmo montante no Patrimônio Líquido; c) o aumento do valor dos imóveis (terrenos e edificações) poderiam ser incorporados no Capital Social, sem pagamento de Imposto de Renda.

PERGUNTA 8. Quais as Recomendações que a Auditoria Interna deve fazer, quando constata que o Capital de Giro Líquido (Capital Circulante Líquido) da empresa está negativo?

Resposta: As recomendações devem visar uma maior concentração de recursos no Ativo Circulante da empresa, quer com recursos próprios, quer com recursos de terceiros. As fontes de recursos que poderiam ser sugeridas são: a) aumento do capital social, com aporte de recursos pelos sócios; b) captações de novos recursos de terceiros, tais como financiamento bancários, lançamento de debêntures (nos casos de sociedade anônimas de capital aberto), todos de longo prazo; c) negociação com os credores, para se obter o alongamento do perfil das dívidas da empresa (transformar dívidas vencíveis em curto prazo em dívidas de longo prazo); d) venda de itens do Ativo Imobilizado, desde que não seja afetada a capacidade produtiva da empresa; e) alienação de itens do Ativo Imobilizado pelo processo de “leasing back” etc. Os recursos que entrassem via aumento do capital social, captações de novos recursos de terceiros de longo prazo, venda de itens do Ativo Imobilizado e alienação de itens pelo processo de “leasing back seriam carreados para os Caixa/Bancos, aumentando o Ativo Circulante, sem que houvesse alteração do Passivo Circulante. A transformação de dívidas de curto prazo em longo prazo, reduziria o Passivo Circulante, sem efeitos no Ativo Circulante. Ambos os casos resultaria na obtenção de Capital de Giro Líquido positivo, desde que fossem conseguidos recursos nos montantes necessários.

PERGUNTA 9. A verificação dos controles internos identificou que há divergências entre os setores de produção e de distribuição (entrega de mercadorias aos clientes) da empresa. Quais as atitudes e quais as Recomendações que devem ser feitas pela Auditoria Interna?

Resposta: Nos anos cinquenta e sessenta do século XX, quando houve uma fase de explosão de consumo no mundo, paralela às economias fechadas, havia o conceito de que “a oferta gera a demanda”, o que não deixava de ser verdadeiro naquelas circunstâncias específicas. Isto fazia com que as empresas priorizassem a produção de mercadoria e que a função venda fosse apenas uma extensão da função produção; isto é, o Departamento de Venda teria simplesmente que vender o que fosse produzido. A globalização, a abertura do mercado e outras realidades alteraram esta postura, fazendo com que a situação se invertesse. Hoje é a função venda, atendendo às demandas do mercado, que deve determinar o que e quanto as empresas devem produzir. No caso específico o que estaria acontecendo era um desencontro entre venda e produção. A empresa estaria seguindo um cronograma de produção desassociado dos pedidos em carteira, resultando em mercadorias estocadas sem venda e vendas sem mercadorias para serem entregues. A Auditoria Interna deveria provocar o acerto entre venda e produção, invocando a intermediação da Controladoria para os acertos administrativos necessários. Em relatório, deverá recomendar que o cronograma de produção seja acionado pelas vendas efetivadas, isto é, pela carteira de pedidos.

PERGUNTA 10. Os exames da Auditoria Interna, realizados conjuntamente com o departamento técnico da empresa, constataram que a tecnologia de produção estaria provocando o encarecimento dos custos de produção, fazendo com que estes ficassem acima dos custos obtidos pela concorrência. Qual a Recomendação a ser proposta em relatório?

Resposta: Os custos de produção quando superiores ao padrão do mercado podem ter várias causas. No caso presente estamos restrito aos custos da tecnologia de produção (portanto, estão excluídos os custos financeiros, de estocagem etc.), onde os mais comuns são: a) maquinarias obsoletas; b) “lay out” inadequado do processo produtivo. A recomendação da Auditoria Interna seria no sentido de se reestudar o “lay out” do chão da fábrica e verificar a adequação tecnológica das máquinas. Se for o caso de se substituir as máquinas, recomendar ainda que as compras sejam financiadas por recursos captados a longo prazo.

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