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Análise de Balanço

Esta monografia nada mais é do que a reunião de apontamentos de aulas e não deve ser tomada como base principal para o estudo de parte da matéria ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTOS. Para um aprendizado correto nada pode substituir o livro didático. No final desta apostila há a bibliografia que recomendamos para que o aluno tenha o perfeito conhecimento da disciplina.

I – REVISÃO DE CONHECIMENTOS CONTÁBEIS

1. Balanço Patrimonial

O Balanço Patrimonial das empresas está dividido em:

● ATIVO, onde estão registrados os seus direitos e os bens.
● PASSIVO, que representa as obrigações e os recursos próprios.

Balanço é como se fosse uma fotografia do valor contábil da empresa, em uma determinada data. É como se toda a empresa tivesse ficado imóvel, momentaneamente O Balanço é apresentado em dois segmentos: no lado esquerdo, estão os ativos, e no lado direito vemos os passivos e os recursos próprios da empresa. No balanço está evidenciado o que a empresa possui e como as suas atividades e os seus bens são financiados.

Matematicamente o Balanço Patrimonial poderia ser apresentado pela seguinte formula: ”Ativos = Passivos + Patrimônio dos acionistas (dos sócios). Colocamos um sinal de identidade na equação para indicar que a igualdade deve sempre vigorar, por definição. Na realidade, o patrimônio dos acionistas é definido pela diferença entre os ativos e os passivos da empresa. Em princípio, o patrimônio é o que os acionistas deveriam ter na empresa, depois que esta saldasse todas as suas dívidas […]. Os ativos são apresentados, no balanço, segundo a ordem do prazo que normalmente se passa até que uma empresa em funcionamento normal os converte em dinheiro. O lado do ativo depende da natureza do negócio e de como a administração decide conduzi-lo. A administração precisa tomar decisões quanto aos níveis relativos de caixa versus aplicações financeiras, vendas a prazo versus vendas a vista, se deve fabricar ou comprar mercadorias, arrendar ou comprar bens, os tipos de atividade em que deve se envolver, e assim por diante. Os passivos e o patrimônio são apresentados na ordem em que devem ser pagos. O lado do passivo e do patrimônio dos acionistas reflete os tipos e as proporções de financiamento, os quais dependem da escolha pela administração de uma estrutura de capital, como, por exemplo, as proporções entre capital de terceiros e capital próprio, e entre endividamento de curto e de longo prazo” (ROSS et al, 1995, p. 42).

O Ativo do Balanço Patrimonial se apresenta na seguinte ordem (ordem de liquidez):

ATIVO
● CIRCULANTE (curto Prazo)
– Caixa
– Bancos
– Contas a Receber (duplicatas, contas corrente, adiantamentos, valores etc)
– Estoques
● REALIZÁVEL DE LONGO PRAZO
● PERMANENTE
– investimentos
– Imobilizado

Por sua vez o Passivo se apresente em ordem de exigibilidade:

● CIRCULANTE (curto Prazo)
– Bancos
– Fornecedores
– Tributos (impostos, taxas e contribuições sociais)
– Salários
● EXIGÍVEL DE LONGO PRAZO
● PATRIMÔNIO LÍQUIDO
– Capital
– Reservas e lucros

Lembrem-se:

● “Ativo Circulante” é tudo aquilo que a empresa tem de direitos indiscutíveis, a seu favor.
● “Realizável” são os direitos com realização prevista a longo prazo.
● “Ativo Permanente” é tudo aquilo que a empresa possui de imobilizado, como imóveis, máquinas, instalações etc., além das participações societárias em outras empresas.
● “Passivo Circulante” é tudo aquilo que a empresa deve, a curto prazo.
● “Exigível” é o que a empresa deve a longo prazo.
● “Patrimônio Líquido” é composto pelo recursos próprios da empresa.

O “Ativo” menos o “Passivo Circulante” e o “Exigível A Longo Prazo” resulta no “Patrimônio Liquido”. Quanto maior o Patrimônio Líquido menos a empresa deve a terceiros. O contrário também é verdadeiro.

2. Demonstração de Resultado

A Demonstração do Resultado evidencia o desempenho da empresa, no decorrer de um determinado período — legalmente obrigatório de um ano. Pode-se, também, levantar por períodos menores: um mês, um trimestre, um semestre, por exemplo.

“A definição contábil de resultado é Receita – Despesas = Resultado (destaque nosso). Enquanto o balanço assemelha-se a um instantâneo, a demonstração do resultado é similar a uma gravação em vídeo do que as pessoas fizeram entre dois instantâneos(…) A demonstração do resultado geralmente possui varias partes. A parte relativa às operações apresenta as receitas e despesas da empresa em suas atividades principais. Dentre outras coisas, a parte não operacional inclui todos os custos de financiamento, como as despesas com juros. Geralmente, uma outra parte indica, como item separado, o montante de impostos devidos sobre o lucro. O último item da demonstração é o resultado líquido do exercício” (ROSS et al, 1995, p. 42). – lucro ou prejuízo.

IMPORTANTE: O BALANÇO PATRIMONIAL é levantado, obrigatoriamente, uma vez por ano, porém algumas empresas o fazem a cada semestre ou mesmo mensalmente. Ele retrata a situação da empresa naquele determinado momento. Por sua vez a DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO é o acumulado de tudo o que aconteceu na empresa, desde o último Balanço até a data do seu levantamento. Este documento evidencia se as operações da empresa deram lucro ou prejuízo.

II – ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

A análise de índices das Demonstrações Financeiras de uma empresa, entre elas o Balanço Patrimonial e as Demonstrações Financeiras, interessa aos sócios atuais e potenciais, fornecedores, financiadores, governo, funcionários e, primordialmente, aos administradores da própria empresa.

O interesse dos sócios (acionista existente ou potencial) é centrado em dois aspectos:

● No nível de risco presente e futuro, que a empresa analisada pode apresentar, isto é, na liquidez evidenciada, na atividade a que a empresa se dedica e no grau de endividamento.
● No retornos de suas aplicações, isto é na lucratividade que poderá obter em decorrência de ter aplicado (ou vir a aplicar) dinheiro na empresa.

Os fornecedores e instituições financeiras estão basicamente interessados na liquidez (capacidade de pagamento) a curto prazo e na capacidade que a empresa tem de cumprir seus compromissos a longo prazo. Em outras palavras: eles querem se certificar de que a empresa tem condições concreta para pagar seus débitos e poderá fazer os pagamentos dos recursos que tomou emprestados, mais os juros e encargos, na data de vencimento dos empréstimos e financiamentos. Os credores em potencial querem ter segurança de que a empresa pode arcar com novos empréstimos. Um interesse secundário dos credores é a lucratividade da empresa; eles querem se certificar de que a empresa é saudável e continuará a gerar rentabilidade.

Por sua vez, os administradores se preocupam com a capacidade da empresa obter dinheiro, através do lançamento de novas ações ou debêntures, por intermédio da obtenção de empréstimos, ou por qualquer outro meio. Além do mais os administradores usam os índices para acompanhar o desempenho da empresa. Quaisquer anormalidades indicada pela análise dos índices, devem provocar atos que visem eliminar os problemas.

“A análise financeira fornece ao administrador os instrumentos necessários para verificar continuamente o funcionamento da empresa, de forma a implementar programas corretivos, logo que forem encontrados sinais de problemas” (GITMAN, s.d., p. 215).

1. Índices de Estrutura Patrimonial

Os Índices de Estrutura Patrimonial são calculados em termos de número de vezes que o numerador contém o denominador. Um interpretação simplista desses índices seria dizer que quanto menor eles forem, melhor será a situação da empresa analisada.

“Na verdade, não se pode concluir que uma empresa esteja em melhor situação do que outra apenas porque apresentou menores valores nestes índices. Deve-se considerar que os mesmos constituem meros indicadores observados em dado momento e que os aspectos dinâmicos, que afetam a liquidez, não são captados por essas inter-relações. Todavia, uma empresa certamente não estará com uma situação financeira confortável se apresentar elevada participação de recursos de terceiros em relação ao capital próprio e ao ativo total, com predominância de dívidas a curto prazo nas exigibilidades totais, e com elevada imobilização dos seus recursos permanentes” (BRAGA, 1989, p. 155).

● Capital de Terceiros/Capital Próprio = PASSIVO CIRCULANTE + EXIGÍVEL A LONGO PRAZO / PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Essa equação evidencia o quanto a empresa usa de capital de terceiros, em relação aos recursos próprios (Patrimônio Líquido), isto é, a proporção entre os recursos de terceiros e os recursos próprios usados pela empresa analisada.

● Composição do Endividamento = PASSIVO CIRCULANTE / PASSIVO CIRCULANTE + EXIGÍVEL A LONGO PRAZO

É quanto a empresa tem de dívidas de curto prazo, em relação ao total de seus débitos para com terceiros. Quanto menor for o montante das dívidas de curto prazo, melhor.

● Endividamento Geral = PASSIVO CIRCULANTE + EXIGÍVEL A LONGO PRAZO / ATIVO TOTAL

Mostra o total que a empresa deve em relação ao total que ela possui de direitos e bens, ou seja, o quanto ela pertence a terceiros e qual a sua liquidez.

● Imobilização do Capital Próprio = ATIVO PERMANENTE / PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Significa verificar o quanto do Patrimônio Líquido (recursos próprios) da empresa está aplicado no Ativo Permanente (Imobilizado em prédios, máquinas, instalações etc. e Investimentos em outros empresas), ou seja, tudo o que a empresa adquiriu com recursos próprios.

● Imobilização dos recursos Permanentes = ATIVO PERMANENTE / EXIGÍVEL A LONGO PRAZO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Revela quanto de financiamento de longo prazo e de recursos próprios estão aplicados em ativos, cuja maturação financeira é muito longa, o que resulta em baixa liquidez.

2. Índices de Solvência

“Expressos pelo número de vezes que o numerador contém o denominador, esses índices costumam ser avaliados pelo critério de ‘quanto maior, melhor’. Estes índices não medem a efetiva capacidade da empresa liquidar seus compromissos nos vencimentos, mas apenas evidenciam o grau de solvência em caso de encerramento total das atividades. Considerando essas inter-relações como indicadores gerais, pode-se supor que, quanto mais elevados forem os índices, melhor será a situação financeira da empresa” (BRAGA, 1989, p. 155).

● Liquidez Geral = ATIVO CIRCULANTE + REALIZÁVEL A LONGO PRAZO / PASSIVO CIRCULANTE + EXIGÍVEL A LONGO PRAZO

Evidencia a relação existente entre o total de suas dívidas e o total de seus créditos para com terceiros.

● Liquidez Corrente = ATIVO CIRCULANTE / PASSIVO CIRCULANTE

Evidencia a relação das dívidas e créditos de curto prazo.

● Liquidez Seca = ATIVO CIRCULANTE – ESTOQUES DESPESAS DE EXERCÍCIOS SEGUINTES / PASSIVO CIRCULANTE

Evidencia o quanto a empresa dispõe de imediato, para cobrir suas dívidas de curto prazo.

3. Índices de Cobertura

Os Índices de Cobertura medem quantas vezes o Lucro Operacional e outras receitas da empresa têm capacidade de fazer face (de cobrir) às suas Despesas Financeiras e seus Compromissos Fixos. O critério usado é de que “quanto maior, melhor”. No cálculo dos compromissos fixos são computados tão somente os valores do principal dos empréstimos e financiamentos, por que o valor dos gastos com juros e outros encargos já estão incluídos na rubrica Despesas Financeiras.

“As despesas com contratos de leasing reduzem o lucro operacional e, desse modo, devem ser adicionados a este para compor o numerador da fórmula. O ajuste do principal, pelo complemento da alíquota do imposto de renda, produz o mesmo efeito de considerar o lucro operacional e as demais receitas e despesas da fórmula líquidos desse tributo” (BRAGA, 1989, p. 156).

● Cobertura dos Encargos Financeiros = LUCRO OPERACIONAL + RECEITAS FINANCEIRAS + OUTRAS RECEITAS / DESPESAS FINANCEIRAS

Esse índice calcula se as fontes de receitas da empresa são suficientes para cobrir as Despesas Financeiras.

● Cobertura dos Compromissos Fixos = LUCRO OPERACIONAL + DESPESAS DE LEASlNG + RECEITAS FINANCEIRAS + OUTRAS RECEITAS / DESPESAS FINANCEIRAS + DESPESAS DE LEASING + (PRINCIPAL DOS EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS / 1 – ALÍQUOTA DO IMPOSTO DE RENDA)

Esse índice verifica se a empresa tem capacidade de cobrir os compromissos dos quais não há como fugir.

IMPORTANTE: Os contratos de Leasing são considerados como se fossem financiamentos de longo prazo, para aquisição de bens para o Ativo Imobilizado. Essa forma de “financiamento” reduz o imposto de renda a pagar da empresa tomadora dos recursos.

4. Índices de Prazos Médios

Essa análise que utiliza esses índices é voltada para contatar a qualidade da gestão do capital de giro da empresa, tendo por base o tempo médio necessário para a transformação desse recursos em disponibilidade efetiva (recebimento das vendas a prazo) ou em desembolso de valores (pagamento das compras), bem como o tempo de permanência das matérias primas e mercadorias na empresa (CARVALHO et al, 1985, p. 205).

● Prazo Médio de Estocagem = SALDO MÉDIO DAS CONTAS DE ESTOQUES / (CUSTO DAS VENDAS / 360 DIAS)

Indica qual o tempo médio de permanência das mercadorias na empresa — entre a data da compra e a data da venda.

● Prazo Médio de Cobrança = SALDO MÉDIO DE CONTAS A RECEBER / (RECEITA OPERACIONAL BRUTA – DEVOLUÇÕES E
ABATIMENTOS : 360 DIAS)

Evidencia qual o tempo médio que a empresa leva para receber o valor de suas vendas — entre a data da venda e a data do recebimento do valor da venda. OBSERVAÇÃO: Somente devem se consideradas as “Contas a Receber” originadas por vendas.

● Prazo Médio de Pagamento a Fornecedores = SALDO MÉDIO DE FORNECEDORES / (COMPRAS BRUTAS : 360 DIAS)

Evidencia qual o tempo médio que a empresa leva para pagar o valor de suas compras — entre a data da compra e a data do pagamento da mercadoria comprada. OBSERVAÇÃO: “Compras Brutas” é igual ao Custo das Mercadorias Vendidas, menos os Tributos incluídos no preço das mercadorias (IPI, ICMS etc.), as Devoluções de mercadorias vendidas pelos clientes e os Abatimentos concedidos pela empresa aos seus clientes.

5. Gestão dos Recursos

Os índices de Gestão dos Recursos da empresa são expressos pelo número de vezes que o numerador contém o denominador. Eles são avaliados pelo critério de “quanto maior, melhor”.

“A rotação ou giro dos recursos reflete o grau de utilização dos ativos na geração das vendas. Como as receitas de vendas constituem a principal fonte de lucros e de numerário (via cobrança), quanto maior for a sua proporção sobre os ativos, mais eficientemente estarão sendo administrados os fundos (recursos financeiros) neles investidos, beneficiando a liquidez e a rentabilidade da empresa.

O numerador e o denominador de cada índice devem estar compatibilizados quanto à natureza dos valores utilizados no cálculo do quociente. Deste modo, os estoques devem ser confrontados com o custo das vendas e as duplicatas a receber com a parcela das receitas que geraram esses saldos (Receita Operacional Bruta das vendas a prazo deduzidas das devoluções e abatimentos sobre essas mesmas vendas a prazo). Com os demais ativos compara-se a Receita Operacional Líquida.

Esses índices têm caráter dinâmico, uma vez que utilizam valores acumulados das receitas de vendas ou do custo das vendas e os comparam com os saldos médios dos ativos observados no mesmo período. A melhor forma de calcular esses saldos médios consiste em somar todos os saldos mensais do período e dividir esse total pelo número de saldos computados. Dispondo-se apenas dos saldos inicial e final, costuma-se utilizar a sua média aritmética. Este procedimento poderá provocar distorções decorrentes de influências sazonais sobre o comportamento dos saldos ativos” (BRAGA, 1989. p. 159 e 160).

● Giro dos Estoques Totais = CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS / SALDO MÉDIO DOS ESTOQUES

Evidencia a capacidade de venda da empresa.

● Giro dos Valores a Receber = RECEITA OPERACIONAL BRUTA – DEVOLUÇÕES E ABATIMENTOS / SALDO MÉDIO DAS DUPLICATAS A RECEBER

Calcula o quanto as vendas a prazo pesam no total das vendas da empresa. Somente devem ser considerados os valores originados efetivamente por vendas de mercadorias.

● Giro do Ativo Circulante = RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA / SALDO MÉDIO DO ATIVO CIRCULANTE

Engloba os estoques, os créditos a receber de curto prazo e as disponibilidades, envolvendo ativos operacionais e não operacionais.

● Giro do Ativo Fixo = RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA / SALDO MÉDIO DO IMOBILIZADO

Calcula o quanto o Imobilizado da empresa gerou de vendas.

● Giro do Ativo Operacional = RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA / SALDO MÉDIO DO ATIVO OPERACIONAL

Corresponde aos elementos que decorrem das atividades básicas da empresa e a parcela das disponibilidades necessárias à manutenção das referidas atividades.

IMPORTANTE: Para se evidenciar o “Ativo Operacional”, devem ser excluídos do Ativo Total todas as contas não claramente identificadas (Diversos, Outras etc), bem como itens que não sejam essenciais para que a empresa desenvolva as atividades a que se propõe (imóveis que não sejam envolvidos na atividade produtiva, máquinas não necessárias etc.) e valores a receber dos sócios, de empregados e outros de natureza idêntica.

● Giro dos Investimentos Total = RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA / SALDO MÉDIO DO ATIVO TOTAL

Evidencia o quanto os “Investimentos” da empresa produzem de “Receita Operacional Líquida”.

IMPORTANTE:

● Quanto maior o giro das mercadorias, maior será o volume das vendas.
● CURTO PRAZO: (contábil, legal, econômico) até 360 dias.
● MÉDIO PRAZO: em países desenvolvidos pode chegar a até 10 anos; em países em desenvolvimento pode variar de 3 a 5 anos (conceito econômico).
● LONGO PRAZO: todo período que exceda o médio prazo (conceito econômico) e que exceda a um ano (conceito contábil).
● A natureza dos empreendimentos é que deve caracterizar o prazo do financiamento.

ANÁLISE FINANCEIRA E CONTABIL DE BALANÇO – Primeira aula

Para ver uma apresentação, em Power Point com animação, de Análise Financeira e Contábil de Balanço – Primeira aula, clique aqui ou na figura abaixo para fazer o download:

ANÁLISE FINANCEIRA E CONTABIL DE BALANÇO – Segunda aula

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Mercados Futuros: Uma Introdução

1. Preliminares

Existe um mercado fascinante, onde é possível comprar sem ter dinheiro e vender sem ter mercadoria; em que menos de 2% das operações são liquidadas pela entrega efetiva do bem transacionado; onde a especulação, mais do que tolerada ou desejável, é imprescindível.

Nesse mercado, está-se muito próximo do conceito de aldeia global, primeiro porque, exceto por duas horas de defasagem no Pacífico, a qualquer outro momento do dia, existe uma bolsa funcionando, em algum lugar do mundo; segundo, porque as notícias sobre fatos relevantes, ocorridos em certo lugar, chegam a influenciar direta e imediatamente os negócios em andamento em região longínqua ou diametralmente oposta. Assim, informação de queda na produção brasileira de óleo de soja pode fazer subir a cotação do óleo de palma em Cuala Lumpur [Malásia]; as descobertas de novas jazidas de ouro no Amapá ou a colocação de parte das reservas soviéticas do metal talvez baixe o preço dos contratos correspondentes em Hong Kong, Londres e Nova Iorque; a ocorrência de pragas nas lavouras de algodão dos Estados Unidos é capaz de levar os preços de lã em Sydney a uma grande alta.

Também há situações que podem parecer incompreensíveis ao iniciante ou ao investidor de outras áreas, como o fato de, em apenas uma das três bolsas de Chicago, o giro, em volumes contratados, ser de várias vezes a safra mundial de grãos; ou de se operar, na Comex [Commodity Exchange Inc.] de Nova Iorque, muito mais ouro do que é produzido no planeta.

Em nenhum outro mercado, a alavancagem, positiva ou negativa, dos negócios, chega a níveis comparáveis – em nenhum outro, ganham-se ou perdem-se fortunas com tanta facilidade.

Tudo isso é o mercado de futuros, até recentemente denominado de commodities (mercadorias) […].

2. Origens

O princípio básico das negociações a futuro – contrate agora, acerte depois – é muito antigo. Na verdade, há fortes indícios de que esse conceito vigorava no ano 2000 a.C., quando mercadores do que hoje é o Estado do Barein recebiam bens em consignação, para permuta na Índia [o Reinado de Barein é localizado no Golfo Arábico, entre a península de Catar e a Arábia Saudita, e é formado por mais de 35 ilhas].

Mais tarde, na Grécia e em Roma, os mercados já apresentavam certo grau de formalização, com períodos e locais específicos para a realização de trocas, através da utilização de padrões monetários e da entrega diferida [futura] de mercadorias. Mercados tão importantes que Ágora de Atenas, de entreposto comercial, transformou-se no centro da política e do poder marítimo da cidade-estado, e o Fórum, de Roma, expandiu-se, a partir de um simples centro de comércio. No apogeu do Império Romano, 19 centros comerciais semelhantes, chamados de fora vendalia (locais de vendas), serviram como pontos de distribuição para as mercadorias que os romanos traziam dos confins do império […].

Um pouco mais de tempo e duas outras grandes áreas de comércio firmaram-se: no Norte da Itália (nas cidades de Gênova, Milão, Veneza, Florença e Pisa), competindo pelas transações com o Oriente, e na região de Champagne (França), onde apareciam mercadores da Escandinávia e até da Rússia, com os condes fornecendo proteção, câmbio de moedas e locais de armazenagem aos intervenientes.

A seguir, […] a Inglaterra criou locais permanentes, onde os mercados podiam comprar e vender mercadorias primárias e bens manufaturados o ano inteiro. Esses lugares passaram a ser conhecidos como bolsas, o melhor exemplo sendo a Royal Exchange (bolsa real), inaugurada em Londres em 1570. A Royal Exchange foi dividida, mais tarde, em bolsas especializadas, conhecidas, em grupo, como a London Commodity Exchange.

3. Evolução e panorama atual

Nos Estados Unidos do início do século passado, todos os anos, nos períodos de final de colheita e de engorda de gado, assistia-se a um problema de grandes proporções econômicas. É que os fazendeiros, chegando, ao mesmo tempo, aos poucos mercados regionais existentes, carregados de grão ou de reses, geravam excesso de oferta com relação à demanda imediata ou de curto prazo. Com isso, acabavam ficando inteiramente à mercê de açougueiros, processadores de carne e moleiros, que aviltavam os produtos. Ou, pior: não conseguindo colocar o que haviam trazido para vender, nem por valor irrisório, os fazendeiros tinham de despejar o trigo nas ruas ou deixar o gado morrer de inanição.

Por outro lado, ocorria também o inverso: em anos de quebra de safras ou de escassez de carne, os suprimentos exauriam-se, os preços disparavam e as pessoas passavam fome nas cidades. Nessa situação, os comerciantes enfrentavam alto risco de falência, por falta de matéria-prima para girar seus negócios. Mesmo o produtor rural, embora tendo suficiente comida para se manter, não conseguia o numerário necessário para adquirir manufaturados básicos, ferramentas, material de construção e tecidos, entre outros.

Em Chicago, escoadouro natural interno da produção agropecuária, o problema era particularmente agravado pela falta de armazéns e vias de transporte adequadas. Na windy city (cidade dos ventos), cujas severas condições atmosféricas são sobejamente conhecidas, as estradas ficavam intransitáveis durante a maior parte do ano. Além disso, a inexistência de boas instalações portuárias impedia o livre fluxo de transporte aquático de grãos para o Leste e do retomo de manufaturados para o Oeste. Quando, apesar de tudo, as mercadorias chegavam a Chicago, os compradores viam-se às voltas com obtenção de locais de estocagem apropriados.

Ora, “homens de imaginação raramente toleram tais condições por muito tempo, Alguns fazendeiros e comerciantes já haviam começado a firmar contratos para entrega futura. Isso, […] assegurava um comprador e um vendedor para suas mercadorias […]. Em 1848, 82 pessoas, representantes de vastos interesses comerciais, constituíram a Chicago Board of Trade, onde passaram a praticar operações a termo e a vista.

Depois, com a guerra civil e o agravamento dos problemas de oferta e demanda, surgiu o estímulo ao desenvolvimento de contratos a futuro. Porque, se os contratos a termo resolviam os problemas básicos de descobrir um comprador para um vendedor e vice-versa, nada podiam fazer para controlar o risco financeiro decorrente de alterações de preços imprevistas, resultantes de quebras de safra, perda de navios, transporte e armazenagem inadequados e fatores econômicos. Desenvolveu-se, então, o hedge, para minimizar o risco puro” […].

A partir da consolidação das bolsas de Chicago […], da conciliação das experiências japonesas e européias e do surgimento de novas necessidades orientações econômicas, foi-se delineando, com clareza e rapidez, o panorama do mercado mundial de futuros:

• já não se contratam futuros apenas de mercadorias ou produtos primários – evoluiu-se para a negociação com ouro e metais preciosos, obrigações e títulos governamentais, moedas estrangeiras, petróleo e outros hidrocarbonetos, madeira compensada, suco de laranja, índice de empresas (como o Standard & Poor, de 500 empresas, o índice da bolsa de valores da bolsa de Nova lorque e o Índice Bovespa, da BM&F) – mas de todos os bens, ativos ou indicadores que se revistam das características técnicas exigidas pelos negócios a futuro;
• por isso, não se fala em mercadorias ou commodities, e sim, simplesmente, em futuros;
• os contratos mais movimentados geram quase sempre, como subprodutos, contratos de opções;
• os centros de futuros mais importantes do mundo são Chicago, com três bolsas [Chicago Board of Trade, Chicago Mercantile Exchange e MidAmerica Commodity Exchange], Nova lorque, com seis, Londres, com mais de dez, e Japão, com 19;
• as bolsas especializam-se em certos contratos futuros, baseadas em sua experiência, seus instituidores e investidores, seu “marketing” ou nas características da economia da microrregião em que se situam. Dessa forma, a Board of Trade tem seu maior volume com futuros de grãos e ativos financeiros; a Mercantile Exchange, com madeira compensada, gado em pé e índices; a Comex, de Nova lorque, com ouro; algumas das bolsas japonesas, com casulos de bicho-da-seda; a de Hong Kong, com ouro; a de Winnipeg, com colza e sementes de girassol; a International Petroleum Exchange, de Londres, com óleo cru; a MidAmerica, com minicontratos; a de Rosário, na Argentina, com soja – e assim por diante.

4. Características

As principais características do mercados de futuros resultam da análise da definição e da natureza dos contratos nele operados […].

Os contratos são compensados através ou de urna divisão específica das bolsas de futuros ou de urna empresa autônoma prestadora de serviços dê compensação. Seja como for, há sempre uma Câmara de Compensação que adquire integral responsabilidade pelo cumprimento da liquidação dos contratos, assumindo o papel de terceiro garantidor das operações. Isso porque a padronização dos contratos futuros quanto à qualidade, à dimensão e à entrega tornou qualquer contrato futuro idêntico e intercambiável com todos os demais contratos sobre a mesma commodity, para o mesmo mês de entrega. Ora, tal possibilidade de intercâmbio deu ao vendedor original o poder de isentar-se de sua obrigação de entregar a commodity, simplesmente, liquidando por compensação ou contrato, através de uma operação igual e oposta (compra) com outro contrato futuro. O comprador, por sua vez, também passou a ter a faculdade de elidir sua obrigação de receber commodity, desde que por intermédio de uma operação igual e oporta (venda) com o mesmo contrato futuro.

Em outras palavras, cada acordo, compromisso ou contrato, para comprar ou vender no futuro, especifica a quantidade exata de bens de qualidade predeterminada – o que significa que tais contratos são intercambiáveis, podendo ser rapidamente negociados entre compradores e vendedores. Assim, um contrato para recebimento pode ser cancelado pela abertura de novo contrato para entrega, tomando o interessado livre de obrigações para o mercado; e vice-versa, um contrato para entrega liquida-se por compensação quando da assunção de novo contrato com obrigação inversa, isto é, de recebimento. Este é o aspecto que dá às negociações com futuros um caráter seguro de preço, altamente flexível para produtores, distribuidores ou todos aqueles de alguma forma envolvidos com a commodity operada: os hedgers, que são apresentados mais adiante.

Dessa explicação, decorre uma característica marcante do mercado de futuros atual: menos de 2% de todos os contratos futuros são liquidados pela entrega efetiva de seus objetos. Bem ao contrário dos primórdios das bolsas de futuros, quando a utilização básica do mercado era para entregar ou receber commodity fisica, hoje, os usuários, tantos comerciais (hedgers) quanto especuladores, preferem compensar ou liquidar sua obrigação, através da realização de transações inversas. Na verdade, as bolsas do século passado eram essencialmente mercados a vista, ao passo que, a..gora, constituem primariamente mercados financeiros, onde a habilidade de comprar ou vender a commodity é secundária, com relação ao risco financeiro da volatilidade de preços.

A Futures Industry Association-FIA elaborou um excelente esquema sobre o assunto:

a) o mercado de futuros existe para facilitar a transferência de risco e a apuração de preço; o principal propósito do mercado de ações é assistir à formação de capital;
b) as commodities são em geral de oferta ‘incerta; os títulos têm normalmente nível de oferta conhecido;
c) os contratos futuros são altamente alavancados; os títulos e papéis de mercado não. A margem mínima do investidor de futuros, por contrato, é de menos de 10% do total do compromisso; o investidor em ações precisa depositar 50% ou mais;
d) o mercado de futuros está sujeito a alterações de preço muito mais rápidas do que no mercado de capitais, as quais são amplificadas pela alavancagem de capital que a baixa margem proporciona;
e) a duração de um contrato a futuro é sempre limitada; a maioria dos papéis pode ser mantida indefinidamente;
f) no mercado de futuros, há sempre um vendedor a descoberto (short) para cada comprador a descoberto (long); no mercado de ações, as posições de venda a descoberto são em pequeno número. Vender futuros a descoberto não é mais difícil do que comprá-los a descoberto, e não há problemas nem preocupações com dividendos a serem pagos, se declarados durante a manutenção de uma posição a descoberto, como acontece com as ações;
g) a margem prestada para carregar uma posição a futuro é um dinheiro de boa fé, garantindo a promessa de pagar o saldo devido no vencimento; nas transações com ações, o saldo superior à margem é, na verdade, emprestado, devendo ser paga uma taxa pelo empréstimo;
h) no mercado de futuro, utilizam-se limites de preço e de posições; nenhum deles existe nos mercados de ações e de capitais. Os preços a futuro podem oscilar apenas dentro de parâmetros estabelecidos a cada dia, e há também limitações sobre o número total de contratos de certas commodities que um corretor ou investidor pode manter;
i) enquanto o estoque total de títulos é fixado, não há limites sobre o número total de contratos futuros que podem ser efetuados;
j) os investidores e os corretores precisam prestar mais atenção a suas posições em futuros do que as suas posições em papéis;
k) o mercado de futuros é mais competitivo, pois existem as figuras do especialista ou do <marke maker, de tanto realce; no mercado de ações (Estados Unidos), isso não ocorre;
l) nos Estados Unidos, as transações com futuros são regulamentadas pelas próprias bolsas, pela National Futures Association e pela Commodity Futures Trading Commission; as operações com ações e demais títulos são regulamentadas pelas bolsas, pelas agências de fiscalização estadual, pela National Association of Security Dealers e pela Securities and Exchange Commission.

Finalmente, outra grande e peculiar característica do mercado de futuros é a coexistência – por assim dizer, em simbiose operacional necessária – de duas figuras exponenciais de participantes: o hedger e o especulador. Aquele não existe sem este, e vice-versa, e o mercado não se forma nem evolui sem qualquer dos dois.

10. Os hedgers

O dicionário Webster define hedge, lato sensu, como, ato de “defender-se de alguém, de um risco ou prejuízo, por meio de arranjos compensatórios no outro lado”, e estende a compreensão de tal conceito apenas para o mercado de capitais, dizendo que, nele, hedge significa “contrabalançar a compra ou a venda de um título, através da venda ou da compra e ouro”.

O professor [Alan M.] Loosigian, aplicando essa definição ao mercado de futuros, ensina que hedge é “a compensação do risco de preço de possuir ou vender uma commodity, por intermédio da venda ou da compra de um equivalente contrato futuro de tal commodity”.

Já a Commodity Futures Exchange Commission-CFTC, fixando um entendimento oficial sobre o termo e sobre a operação, estipula que hedge é a “tomada de posição em mercado futuro oposta a posição assumida no mercado a vista, para minimizar o risco de perda financeira decorrente de alteração de preços adversa; a compra ou a venda de futuros como substituta temporária de uma transação a vista que venha a ocorrer mais tarde”.

Podem ser alinhadas dezenas de outras definições de hedging, todas parecidas, todas o conceituando como resultado de duas operações inversas, no mercado a vista e no mercado a futuro, ou como a contratação de uma posição a futuro que substitua, por algum tempo, a que necessariamente será assumida no mercado a vista. Desse modo, o produtor que está plantando grãos e que terá de vendê-los no mercado físico, vende contratos temporariamente, no mercado futuro; o exportador de produtos semi-industrializados, que terá de comprar os bens no disponível, compra e permanece comprado algum tempo a futuro, ou, como terá de vender a mercadoria ao Exterior (caso já possua, estocadas), vende futuros provisoriamente; o fabricante de películas fotográficas, que terá de comprar prata a vista, compra futuros do metal; e assim por diante.

Entretanto, por parecer muito mais claro, e à luz do verdadeiro papel do hedge, que se acaba assemelhando ao do especulador (conforme consta nas advertências iniciais), é preferível dizer, […] que hedge é administração de risco.

Sem nenhuma dúvida, fazer hedge é gerenciar, administrar o risco, conseguir quase um seguro de preço para o bem ou ativo transacionado. Este também é o pensamento do professor [Merril J.] Oster, que, em poucos parágrafos, fornece uma das explicações mais claras e abrangentes sobre o complexo tema do hedging: “hedge é a administração do risco. Em sentido amplo, o hedge não é feito apenas no mercado de futuros. Se você, por exemplo, contratar a venda de milho para uma cooperativa seis meses antes da colheita, estará fazendo uma operação de hedging, já que o risco será transferido a um terceiro elemento. E, se usar tanto o mercado físico quanto o de futuros, você estará reduzindo o risco financeiro envolvido nos movimentos abruptos de preços.

Fazer hedge é assumir posição igual e oposta nos mercados a vista e futuro. Você estará especulando se possuir 100 mil bushels de milho estocados no paiol de sua fazenda e não houver assumido uma posição a futuro. Se o preço do cereal cair dez centavos, você perderá dez mil dólares – exatamente como um especulador no mercado físico de grãos. Um especulador em commodities é usualmente alguém que possui posições a futuro, mas quem possui 100 mil bushels de milho somente no disponível perde tanto dinheiro quanto aquele que tem igual quantidade em futuros; logo, ambos são especuladores.

Fazer hedge é proteger-se contra os riscos de preços das commodities produzidas ou que precisam ser adquiridas para o giro do próprio negócio. Exemplo: você é um hedger quando possui 100 mil bushels de milho no paiol e tem 100 milbushels vendidos a futuro. Você trancou um preço; nessa situação, se o preço do grão subir dez centavos, estará ganhando dez centavos no mercado a vista do cereal e perdendo dez centavos no mercado futuro – compensando, portanto, lucros e perdas. Por outro lado, se o mercado de milho cair dez centavos, você perderá dez centavos no disponível e ganhará dez centavos no futuro. Desse modo, uma posição hedgeada permite um cerco contra as mudanças de preços.

O hedge pode garantir uma aproximação de preço, mas nem sempre um lucro. Um hedger pode, algumas vezes, até trancar um prejuízo pequeno, quando prevê a possibilidade de perda maior.

O hedge em mercado futuro vai dar-lhe mais flexibilidade do que em mercado a termo. Você sempre poderá levantar um hedge ou sair da posição, se as perspectivas se alterarem ou se você mudar de idéia. Mas sair de um contrato para entrega efetiva no mercado físico é muito mais difícil.

Outra vantagem de utilizar um mercado a futuro é que você conserva liberdade de entregar a mercadoria em qualquer mercado. Já um contrato a termo ou a vista hão de amarrá-lo a um mercado específico.

Você pode ser um entre dois tipos de hedger. O primeiro é aquele que se encaixa na definição tradicional dehedging, assumindo um hedger que cubra toda a produção esperada e que não seja levantado até a transação final no disponível. Este é o hedger verdadeiro.

O outro tipo de hedger é o seletivo, que sabe quando está apto a assumir o risco de preço ou quando deve deixar o mercado tomar esse risco, colocando e levantando posições dehedging, conforme o panorama de mercado venha a determinar” .
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FORBES: Luiz F. Mercados futuros; uma introdução. São Paulo: BM&F, 1994.

Sistema Financeiro Nacional

São Paulo: Unibero, 1997 

O Sistema Financeiro Nacional é constituído de instituições de vários tipos, que atuam cada uma no seu setor específico, mas que têm por objetivo propiciar um contínuo fluxo de recursos financeiros, fazendo uma ponte de transferência de valores entre os poupadores e as empresa e consumidores que necessitam desses recursos. Sua regulamentação foi dada pela Lei 004.595, de 1964.

“O mercado financeiro – onde se processam essas transações – permite que um agente econômico qualquer (um indivíduo ou empresa), sem perspectiva de aplicação, em algum empreendimento próprio, da poupança que é capaz de gerar, seja colocado em contato com outro, cujas perspectivas de investimento superar as respectivas disponibilidade de poupança. Destarte, o mercado financeiro pode ser considerado como elemento dinâmico no processo de crescimento econômico, uma vez que permite a elevação das taxas de poupança e investimento” (FORTUNA, 1995, p. 15).

1. Conselho Monetário Nacional

É um órgão normativo que estabelece a política da moeda e do crédito para o país, inclusive as regras para todas as outras instituições financeiras.

Suas atribuições, entre outras, são: “ orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras, quer públicas, quer privadas; tendo em vista propiciar, nas diferentes regiões do País, condições favoráveis ao desenvolvimento harmônico da economia nacional; propiciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros, com vistas à maior eficiência do sistema de pagamentos e de mobilização de recursos;zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras, e coordenar as políticas monetária, creditícia, orçamentária, fiscal e da dívida pública, interna e externa”.

2. Banco Central do Brasil

È um órgão executivo, tendo por função:

● Emitir moeda manual.
● Controlar os capitais estrangeiros e as operações cambiais.
● Recolher os depósitos compulsórios.
● Conceder empréstimos a instituições financeiras.
● Fiscalizar operações com títulos federais.
● Conceder autorização e fiscalizar as instituições financeiras.

3. Banco do Brasil S/A

Até 1964, o Banco do Brasil possuía o papel dominante no sistema financeiro nacional, pontuando como a maior autoridade financeira do país. Além das funções normais de um banco, exercia parte do papel de um banco central, dividindo essas funções com o juntamente com o Tesouro Nacional.

Atualmente é um banco múltiplo como os demais, porém presta serviços e executa algumas políticas creditícias setoriais do governo federal, mediante remuneração.

4. Comissão de Valores Mobiliários

Regulamenta e fiscaliza as Bolsas de Valores e seus integrantes, bem como as Sociedades Anônimas de capital aberto.

Suas atribuições são:

● Assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão.
● Proteger os titulares de valores mobiliários contra emissões irregulares e atos ilegais de administradores e acionistas controladores de companhias ou de administradores de carteira de valores mobiliários.
● Evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação destinadas a criar condições artificiais de demanda, oferta ou preço de valores mobiliários negociados no mercado.
● Assegurar o acesso do público a informações sobre valores mobiliários negociados e as companhias que os tenham emitido.
● Assegurar a observância de práticas comerciais eqüitativas no mercado de valores mobiliários.
● Estimular a formação de poupança e sua aplicação em valores mobiliários.
● Promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de ações e estimular as aplicações permanentes em ações do capital social das companhias abertas.

5. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)

E um banco de desenvolvimento que tem por objetivo fazer investimentos em áreas prioritárias para o desenvolvimento econômico e social do país, através de linhas de crédito tipo FINAME (financiamento a longo prazo, com juros baixos). É, também, responsável pela privatização das empresas do governo federal.

Suas atividades estão voltadas para investimentos de longo prazo, nas áreas e atividades de interesse da política do Governo Federal. Seus financiamentos à iniciativa privada e aos órgãos públicos são realizados com recursos de fundos e programas de fomento federais e, ainda, com repasse de programas de instituições internais. Financia, principalmente, aquisição de máquinas, equipamentos, instalações, capital de giro, exportações das indústrias nacionais etc.

6. Caixas Econômicas

São instituições que captam e aplicam recursos em faixas populares. Juntamente com os bancos comerciais são as mais antigas instituições do sistema financeiro brasileiro. Operam no credito direto ao consumidor, financiando bens de consumo duráveis, empresta com garantia de penhor, caução de título e bens pessoais. Têm a concessão para emitir bilhetes de loterias e para outros jogos. Uma das duas principais atuação, dentro de sua funções social, é a gestão do “Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo” e do “Sistema Financeiro da Habitação”.

9. Bancos Comerciais

São as instituições que formam a base do sistema monetário brasileiro. Captam do público depósitos a vista e a prazo e realizam operações de crédito e prestam serviços, tais como cobrança, de forma a transferir “recursos de poupança” para as “atividades produtivas”, financiando a indústria, o comércio, a agropecuária e as empresas prestadoras de serviço. Para isso contam, além dos depósitos recebidos do público, com recursos recebidos de instituições governamentais, instituições e bancos internacionais. Atuam no mercado de câmbio e intermedeiam operações no mercado financeiro e de seguros etc.

10. Bancos de Investimentos

São instituições não monetárias, que operam subscrevendo ações e debêntures de Sociedades Anônimas e financiando projetos de desenvolvimento elaborados pelas empresa privadas ou públicas, dentro do seu objetivo de capitalizar o setor produtivo. As suas fontes de recursos são as emissões de CDB-Certificados de Depósitos Bancários e RDB-Recidos de Depósitos Bancários, repasse de financiamentos internos ou externos, formação de “fundos de investimento” etc.

11. Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento (Financeiras)

Atuam financiando diretamente o consumidor e fazem captação de recursos através de Letras de Câmbio.

12. Bancos Múltiplos

Exercem funções acumuladas de bancos comerciais, bancos de investimentos, financeiras, sociedades de crédito imobiliário e de outras instituições financeiras.

13. Bolsas de Valores

São Sociedades Civis (S/C), sem fins lucrativos, cujo sócios as Sociedades Corretoras que nelas operam. Sua função é promover, com segurança para os aplicadores, o funcionamento dinâmico do mercado de capitais, por meio de compra e venda de ações, debêntures, direitos sobre títulos mobiliários etc. As Bolsas de Valores, como todo o mercado de títulos mobiliários, estão sob supervisão e fiscalização da CVM-Comissão de Valores Mobiliários.

14. Sociedades Corretoras

Somente as sociedades corretoras podem operar nas Bolsas de Valores, de derivativos (futuros) e de cereais. As Corretoras também fazem repasse de títulos de renda fixa (CDB, RDB, LC) e fazem intermediação de operações de câmbio.

15. Sociedades Distribuidoras

Diferenciam-se das corretoras, por só podem operar no mercado primário de ações (ações novas, lançadas ao público não acionista).

16. Sociedade de Arrendamento Mercantil (Leasing)

Normalmente captam recursos através de lançamento de debêntures e empréstimo de longo prazo, estes tomados no país ou no exterior. Operam fazendo locação de bens produtivos – máquinas, prédios, equipamentos, veículos etc. No término do contrato esses bens podem ser adquiridos pelos seus clientes, pelo valor residual (valor contratado pelo arrendamento, menos o valor pago pelo arrendamento).

Alavancagem Operacional, Financeira e Combinada

Em física, alavancagem é o emprego de uma alavanca para mover ou levantar um objeto ou volume pesado, empregando-se força bastante reduzida. Conforme seja a posição do ponto de apoio em relação ao objeto a ser movido, emprega-se mais ou menos força na ponta da alavanca. Daí o verbo “alavancar” significar “mover ou levantar algo, com o auxílio de alavanca”. De forma figurativa, tem o significado de elevar a uma posição de destaque; promover e estimular um negócio; obter fundos para custear um projeto com recursos externos à empresa. Por sua vez, o substantivo “alavancagem”, dele derivado, diz respeito ao ato ou efeito de alavancar.

No mundo dos negócios, alavancagem é o método que utiliza recursos de terceiros com o fim de aumentar a taxa de lucros sobre o capital próprio. Portanto, o estudo da alavancagem financeira ou operacional procura evidenciar a importância relativa dos recursos de terceiros, na estrutura de capital de uma empresa. Para isso analisa-se a taxa de retorno do capital próprio, considerando-se os custos de remuneração dos capitais de terceiros, usados para alavancar as operações da sociedade. Portanto, alavancagem é a capacidade que uma empresa possui para utilizar ativos ou recursos externos, tomados a um custo fixo, visando maximizar o lucro de seus sócios.

Agora é necessário explicitar as características das categorias distintas de alavancagem, bem como o sentido do grau de alavancagem:

Alavancagem Financeira – Tem como base o aumento do lucro líquido, em contraponto às despesas financeiras. È a capacidade da empresa em maximizar o lucro liquido por unidade de cotas (no caso de uma empresa por cotas de responsabilidade limitada) ou por ações (no caso de uma sociedade anônima), com a obtenção de financiamento cujos juros e outros encargos são fixos. Essa capacidade é evidenciada pelo quociente entre o passivo e os recursos próprios; ou situação líquida da empresa.

Alavancagem Operacional – Tem como ponto de partida o aumento das Vendas, em contrapartida aos curtos fixos. É determinada em função da relação existente entre as Receitas Operacionais e o Lucro Antes de Juros e Imposto de Renda, conhecido como LAJIR (este conceito confunde-se com o lucro operacional).

Grau de alavancagem financeira – É o aumento de rentabilidade dos sócios, em função da utilização de capitais de terceiros. Como cada empresa apresenta estruturas financeira e operacional próprios e individualizadas, o emprego de capitais de terceiros em sociedades diferentes produz resultados diferentes em termos de alavancagem. Então, grau de alavancagem financeira de um negócio é a relação entre endividamento de longo prazo e o capital empregado pela empresa, evidenciada pelo quociente encontrado pela equação “Endividamento de Longo Prazo / Capital Total Empregado”. Quanto maior for o quociente, maior será o grau de alavancagem, isto é, quanto maior a proporção de capitais de terceiros em relação ao capital próprio, mais elevado o grau de alavancagem financeira.

ALAVANCAGEM OPERACIONAL

Os custos operacionais das empresas permanecem inalterados em determinados intervalos de produção e venda, representando que quanto maior a produção menos e seu peso relativo e vice versa; quando menos se produz mais se sente o peso dos custos fixos. Quando as empresas elaboram projetos pra captar financiamentos, visando aumentar a produção sem aumentar os custos fixos ou aumentando menor do que o crescimento do lucro Antes das Despesas Financeiras e do Imposto de Rendas, elas buscam obter Alavancagem Operacional. Depois de implantado o projeto, se alcançarem seu objetivo, elas produzem “Alavancagem Positiva”; se simplesmente mantêm o mesmo nível anterior ao projeto, elas obtêm o que o mercado chama de “Alavancagem Travada” ou “Alavancagem Constante”; se o resultado for inferior ao lucro anterior, têm como resultado uma “Alavancagem Negativa”. Essa última posição, se indesejável no curto prazo, poderá ser aceita no longo prazo, pois quando da quitação dos recursos de terceiros a situação pode se reverter e, antão, produzir “Alavancagem Positiva”.

O Grau de Alavancagem Operacional (GAO) sempre é evidenciado para níveis específicos de produção e venda (BRAGA, 1992, p. 204). “Em outras palavras, para cada ponto da escala de variação do nível de operações haverá um GAO diferente, expressando o número de vezes que o ∆LAJIR representa do ∆RTV [Receita Total das Vendas]. O GAO poderá ser calculado através de qualquer das seguintes fórmulas:

GAO = Variação percentual no LAJIR / Variação percentual nas vendas (receitas ou volume) = ∆LAJIR / ∆RTV (∆quantidade) = nº de vezes

ou

GAO” = Margem de contribuição total / LAJIR = MCT [Margem de Contribuição Total] / LAJIR = nº de vezes”

Chega-se, então, a conclusão de que as empresas procuram obter alavancagem operacional sempre que os seus custos fixos precisam ser cobertos pela ampliação da produção e, conseqüentemente, das receitas advindas das vendas. De forma geral, os projetos de alavancagem visam a aquisição de ativos imobilizados que aumentem o volume produzido e resulte em receitas mais do que suficientes para cobrir todos os custos fixos e variáveis.

Tome-se como exemplo dos vários intervalos de produção o Ponto de Equilíbrio de uma determinada empresa, que corresponda a um faturamento de R$ 23.076,92, correspondente a produção de 5.769,23 unidades. As receitas totais foram projetadas tendo-se como base um preço de venda constante por unidade de R$ 4,00, independente do volume da produção. Do mesmo modo, os custos variáveis baseiam-se na hipótese de um custos unitário constante de R$ 1,40. Os custos fixos são estimados em R$ 15.000,00. Para que os dados de custos sejam relevantes, uma análise do Ponto de Equilíbrio deve ter como base um universo temporal bem definido, daí porque no exemplo ele representaria um período de um ano. Também é estabelecido que toda a produção foi vendida.

O encontro das linhas que representam as vendas totais e os custos totais representam o Ponto de Equilíbrio. Dessa forma, quanto maiores forem a produção e a venda, maior é a margem de lucro. Se essa margem for maior que o montante dos juros pagos, temos uma Alavancagem Operacional Positiva.

ALAVANCAGEM FINANCEIRA

Como vimos na introdução deste trabalho, a Alavancagem Financeira é a prática de se captar recursos de terceiros para financiar investimentos. Sua importância está na relação que deve existir entre o LAJIR (lucro antes do juro e do imposto de renda) e o LPA (lucro por ação). Quando a empresa obtém recursos externos (por financiamento bancário, emissão de debêntures ou de ações preferenciais) ela assume responsabilidade pelo pagamento de juros e outros encargos, bem como pela amortização do principal em alguma data no futuro, nos casos de financiamentos e emissão de debêntures. Como os juros são despesas dedutíveis do cálculo do imposto de renda, sobra para os sócios uma maior parcela do lucro operacional.

Entretanto, é necessário se chamar a atenção para o fato de que quanto mais dívidas uma empresa tiver mais frágil é a sua estrutura financeir, isso porque os seus compromissos de pagamentos de juros são constantes (fixos), qualquer que seja o seu lucro operacional. Isto quer dizer que, em uma situação de retração de mercado as vendas caem mas o montante dos juros se mantêm no nível de vendas máxima. Portanto, quanto maior for o comprometimento dos lucros da empresa com “custos financeiros fixos”, mais ela incorre em maior no perigo de não ser capaz de efetuar esses pagamentos. Se, por um lado, um maior endividamento pode se constituir em uma maior produção, venda e lucro, por outro pode significar um aumento do risco financeiro, representado pela pressão dos pagamentos de juros, “que se tornarão muito grandes em relação ao LAJIR. Se as atividades comerciais declinarem em função de uma contração no nível econômico, o LAJIR também declinará, aumentando a probabilidade de a empresa não ser capaz de efetuar os pagamentos de juros com os lucros operacionais existentes. Portanto, lembre-se de que a alavancagem financeira (…) embora ela possa ser benéfica num período cíclico de expansão, ela é danosa numa fase cíclica de contração” (…). Via de regra quanto maior a dívida, maior o grau de alavancagem financeira da sociedade. “Entretanto, a alavancagem funciona em ambos os sentidos. Por exemplo, quando o grau de alavancagem financeira for igual a 2,0, uma queda no LAJIR de 1% produzirá uma queda de 2% no LPA. Portanto, quanto mais alavancagem financeira, mais volátil o LPA se torna – e maior o risco associado à empresa” (GROPPELLI e NIKBAKHT, 2002, p. 190 a 192).

O Grau da Alavancagem Financeira (GAF) de uma empresa evidencia quais os feitos das variações ocorridas no Lucro Antes dos Juros e do Importo de Renda, que se refletem no Lucro Líquido. O seu cálculo sempre toma como base de referência uma determinada data e se prolonga por um universo temporal conhecido (acontecido ou projetado); tem nível específico de produção e venda; preços de venda e custos operacionais variáveis e fixos que determinam um valor base para o LAJIR. O GAF, então, expressa o número de vezes que a variação do “Lucro Líquido” representa a variação do “Lucro Antes dos Juros e do Importo de Renda”, tomando-se uma data imediatamente anterior a tomada de recursos externos, como ponto de referência para o cálculo desse crescimento.

O GAF pode ser encontrado com o uso das seguintes fórmulas:

GAF = Variação % no Lucro Líquido / Variação % no LAJIR = ∆LL / ∆LAJIR = nº de vezes.

ou

GAF = LAJIR / LAJIR – Despesas Financeiras = JAJIR / LAIR = nº de vezes.

ALAVANCAGEM COMBINADA

O estudo da alavancagem empresarial parte do princípio de que todos os negócios têm condição de impulsionar suas produção e venda, com a utilização de capital de terceiros. Se por um lado, o uso de recursos externos à empresa tem sido o modus operandi por excelência do sistema capitalista, por outro todas as organizações possuem custos operacionais fixos. Daí porque todas apresentam condições idéias para uma ação combinadas de alavancagem operacional e alavancagem financeira, efeito que se conhece por Alavancagem Total ou Alavancagem Combinada (GAC), que pode ser encontrada pelas seguintes fórmulas:

GAC = Variação % do Lucro Liquido / Variação % nas vendas = ∆LL / ∆RTV (∆ da quantidade) = nº de vezes

ou

GAC = Margem de Contribuição Total / LAJIR – Despesas Financeiras = Margem de Contribuição Total / ∆Lucro Antes do Importo de Renda = nº de vezes

 

Meios de Pagamento

(Capítulo 8, do livro Para aprender economia)

1. UMA CATEGORIA COMUM A TODAS AS SOCIEDADES

A troca de mercadoria é uma prática existente em todas as sociedades, organizadas economicamente ou não. Sempre há pessoas que, individualmente ou em grupo, produzem certas mercadorias em volume maior do que têm capacidade de consumir. Por outro lado, estas mesmas pessoas não produzem outros tipos de mercadorias das quais necessitam. No primeiro caso temos um exemplo clássico de produção de excedentes; no segundo, um exemplo de carência de bens ou serviços. Como a sociedade é composta de vários grupos (ou Famílias), uns têm excedentes de um tipo de produto e outros de mercadorias diferentes. Da mesma forma que umas pessoas têm necessidade de determinados bens e serviços, outras precisam de produtos diferentes.

A solução inicial foi a troca de excedentes entre os grupos (também conhecida como escambo), para resolver a equação “excedentes x carência”. Para que acontecessem trocas nessas circunstâncias deveria, entretanto, haver coincidência de desejos, o que é muito difícil, principalmente nas economias de mercado. A solução encontrada pela sociedade foi, então, a criação de instrumentos que servissem de meios de troca para contornarem o problema das permutas diretas de mercadoria. Esses Instrumentos são chamados de Meios de Pagamento.

Os primeiros objetos adotados pela humanidade como meio de troca de mercadorias eram, eles mesmos, também mercadorias. Gado, sal, peles de animais, conchas, tecidos, bebidas, fumo etc. serviram como instrumentos de intermediação entre outras mercadorias, em diversas fases da história da humanidade. Eram “moedas” que tinham valor de troca, embora tivessem primordialmente valor de uso. Mas foram os metais que predominaram como meios de pagamento, em forma de moeda, principalmente o ouro, a prata e o cobre. “A associação histórica entre moeda e metal é mais do que próxima; para todos os fins práticos, durante a maior parte do tempo, a moeda tem sido representada por um metal mais ou menos precioso” (GALBRAITH, Moeda…, p. 7, MONTORO FILHO, Moeda…, p. 9).

2. A NATUREZA DA MOEDA

Conceitua-se como moeda corrente de um país o seu meio de troca oficial: o próprio dinheiro nacional. Chama-se de “corrente” porque a moeda circula entre a sociedade e, ao assim fazê-lo, corre de mão em mão.

Em seu processo evolutivo como meio de pagamento, a moeda teve três fases (PASSOS, Princípios…, p. 369.) distintas, aqui apresentadas não em ordem cronológica mas em ordem de aperfeiçoamento técnico:

a) O metalismo – Nesta fase usava-se moedas de metal – ouro, prata, cobre, ferro etc. No início, essas moedas valiam por sua própria natureza; elas valiam porque eram mercadorias como as outras, porém, com a característica de serem mais desejadas pela população. “A moeda de ouro e o ouro em barra só se distinguem pela aparência e o ouro pode apresentar-se sob uma ou outra dessas formas” (MARX, O Capital…, liv. 1, vol. 1, p. 130.), ou seja, a moeda-metal tinha um valor intrínseco, próprio de si mesma. Com o passar do tempo, algumas moedas metálicas conservaram o seu valor, porém, tiveram reduzidos seus pesos, passando a incorporar uma outra espécie de valor, este não mais relacionado com o conceito de mercadoria. O exemplo deste último caso é a moeda inglesa. A libra esterlina, a moeda nacional da Grã-Bretanha, originalmente pesava uma libra (correspondente a 453,5923 gramas) e era composta de prata. Posteriormente, quando a prata tornou-se muito valiosa, a moeda foi alterada: continuou com o nome de libra (unidade de peso), porém com menos quantidade do metal (VILAR, Ouro…, p. 31). Com isso, a moeda inglesa ganhou a característica de unidade de preço, deixando de ser uma unidade de peso.

b) A moeda-papel – Com a ampliação das atividades econômicas, as trocas deixaram de ter por objetivo atender somente às necessidades das pessoas, individualmente, ou de pequenos grupos de indivíduos. As transações entre os povos atingiram dimensões de tal volume que, os pagamentos a serem efetuados com moedas metálicas, tornaram-se difíceis e muito pouco práticos. Para superar esse novo obstáculo criaram-se novos meios de pagamento, todos representativos de moedas metálicas. Assim nasceu um novo meio de pagamento, baseado na confiança. No início eram certificados de depósitos, letras de câmbio ou algo assemelhado, emitidos por cambistas, comerciantes de metais nobres e, mais tarde, por banqueiros. Os portadores desses documentos tinham assegurado o direito de, no momento escolhido a seu critério, receberem os seus respectivos valores em ouro ou prata.

Embora amplamente aceita nas transações comerciais de grandes valores, a moeda-papel não possuía valor por ela mesma ou valor intrínseco; o seu valor estava no lastro metálico que possuía, pois o documento em si nada mais era do que a representação da quantidade de metal que lhe dava garantia.

c) O papel-moeda – Em determinado instante, os emissores de moeda-papel passaram a emitir “promessas de conversão” em volume muito superior aos metais que tinham disponíveis. Paralelamente, os governos começaram a emitir sua própria moeda-papel, também desprovida do respectivo lastro metálico, parcial ou totalmente. Mesmo assim, esses documentos tiveram sua aceitação ampliada e, em determinados momentos, chegaram a superar as próprias moedas metálicas.

Paulatinamente, o sistema evoluía. Os bancos, conseguindo a confiança da população, fizeram as primeiras emissões legais sem nenhum lastro de metal ao criarem o papel-moeda ou moeda fiduciária, isto é, moeda cujo valor é baseado na confiança inspirada por seu emitente. Essa nova moeda compreendia as cédulas bancárias emitidas e tinha como base as operações de crédito realizadas pelos próprios bancos, sendo declaradamente sem lastro metálico, isto é, sem uma quantidade correspondente de ouro, prata ou outro metal que lhe desse garantia de valor. O passo seguinte foi as emissões passarem a ter caráter governamental, com o papel-moeda tendo somente garantias legais. Com as garantias, veio também a imposição da lei, isto é, uma decisão de poder estabelecendo a obrigação de que a moeda nacional fosse aceita em todo território do país.

3. A MOEDA HOJE

O avanço qualificativo da moeda proporcionou as condições ideais para ela ser utilizada na aquisição de quaisquer bens e serviços, com rapidez e segurança. O uso generalizado do sistema financeiro (banco e outras instituições creditícias) sofisticou a moeda e deu-lhe a conversibilidade necessária para que se possa adquirir qualquer mercadoria com a moeda corrente do país e, ao mesmo tempo, transformar qualquer mercadoria em moeda. Dependendo do tipo de moeda usada, as transações são efetuadas com maior ou menor liquidez (velocidade). Essa nova característica dos meios de pagamento gerou um novo problema: a quantidade de moeda de um país deve ser mensurada para ser possível evidenciar a quantidade ideal de moeda em circulação. Isso faz surgir um outro problema: identificação das diversas moedas que circulam paralelamente no mercado de dinheiro. As Ciências Econômicas classificam as moedas pelo seu nível de liquidez. “Cada país classifica os seus agregados monetários (moedas) por ordem de liquidez. No Brasil (…) existem 5 agregados monetários: M0, M1, M2, M3, M4” ( MONTORO FILHO, Manual…, p. 344 e 345).

M0 = Moeda em poder do público (papel-moeda e moeda metálica).
M1 = M0 + depósitos a vista nos bancos comerciais.
M2 = M1 + fundos do mercado monetário + títulos do governo em poder do público.
M3 = M2 + depósitos de poupança.
M4 = M3 + títulos privados (depósitos a prazo e letras de câmbio).

Os meios de pagamento com liquidez imediata são então representados pelo M1 que compreende duas categorias de moeda:

a) Moeda manual – Composta pelo valor da moeda metálica e papel moeda em poder do público.
b) Moeda escritural – A soma do total dos saldos dos depósitos bancários de livre movimentação, isto é, os depósitos à vista, mantidos pelo público nas instituições financeiras, quer dizer, aquelas contas correntes que as pessoas podem movimentar com a simples emissão de cheques.

3. AS CARACTERÍSTICAS DA MOEDA

Ao se desenvolverem, as relações econômicas dotaram as moedas de três características fundamentais:

a) Liquidez Total – Se a liquidez é a facilidade e rapidez que certos bens, serviços, direitos etc. têm para se transformarem em dinheiro (serem vendidos a terceiros), então a moeda, o dinheiro, é o objeto que tem a maior liquidez entre todos os demais. Entretanto, essa liquidez somente acontece quando a moeda é aceita em todas as transações de compra e venda. Há ocasiões, como de hiperinflação, estado de guerra etc., que outros ativos financeiros (ouro, moedas de outros países, por exemplo) são melhor aceitos.

b) Aceitação Geral – O conceito de aceitação geral exige que no país todos aceitem a moeda, em todas as transações. Não importa que essa aceitação seja o resultado de uma imposição governamental, de uma simples política que inspira confiança, ou pela pura e simples espontaneidade das pessoas. Mas, para que essa aceitação seja realmente geral, a moeda nacional necessita atender a algumas exigências práticas: tem que ser uma e somente uma (não podem circular no país duas moedas paralelas); tem que ser divisível (a moeda não pode ter somente uma unidade de valor), tem que ser transportável e difícil de ser falsificada.

c) A Moeda Não Produz Renda por si Mesma – A moeda, enquanto dinheiro, não produz nenhuma espécie de rendimento. Se alguém tiver dinheiro em casa ou depositado em um banco, em conta corrente de livre movimentação, nada recebe como renda. Quando aplicada em CDB, RDB, caderneta de poupança, debêntures, fundos de renda fixa, títulos do governo etc., a moeda se transforma Capital Financeiro e este sim é que tem a propriedade de receber juros. Quando aplicada em ações ou em qualquer fundo que as tenha como fonte primária, a moeda se transforma em Capital Produtivo que pode gerar lucros ou prejuízos, pois o seu proprietário passa a ser sócio, dono de uma fração da empresa ou do fundo. Deve-se enfatizar que, em ambos os casos, a moeda deixou de ser dinheiro – no primeiro para ser Capital Financeiro e no segundo para ser Capital Produtivo.

5. AS FUNÇÕES DA MOEDA

Ao atingir um determinado grau de maturidade econômica, as sociedades passam a dispor de uma moeda estável e com importante papel a ser desempenhado nas relações produtivas, de trocas e na distribuição da renda nacional. Mesmo as nações não desenvolvidas precisam que as suas moedas atendam a essas funções (LOPES e ROSSETTI, Economia…, p. 20) para poderem crescer com estabilidade monetária.

Para desempenhar esse papel de impulsionadora ou pelos menos de estabilizadora da economia, a moeda deve atender às seguintes funções:

a) Meio de troca – Esta é a mais antiga função da moeda, causa até de seu aparecimento como categoria da economia. Em algumas situações, a moeda de um país pode perder essa função, principalmente nas transações que envolvam grande soma de valores. O exemplo concreto da perda dessa função pode ser encontrado nos momentos de grande inflação, quando essas transações passam a ter por base outros ativos financeiros e até moedas de outros países. No caso concreto do Brasil, nos períodos inflacionários, por exemplo, as negociações envolvendo imóveis usavam o dólar norte-americano como parâmetro de valor. Na Argentina o dólar norte-americano é o parâmetro de valor da própria moeda nacional, o peso.

b) Medida de valor – A moeda deve ser o referencial de valor comum a todas as mercadorias, aqui entendidas como os Fatores de Produção, bens e serviços intermediários e finais (de consumo e de capital). A moeda nacional tem que ser o parâmetro único de comparação de preços. Só assim se pode comparar o valor dos objetos. Como comparar o valor de um cafezinho com o valor do ingresso para uma peça de teatro; o valor desses dois com o de uma passagem de avião da Ponte Rio/São Paulo; de todos eles com o de uma consulta médica ou de uma camisa de algodão? Somente se a moeda for uma medida de valor confiável é possível evidenciar alguns absurdos de disparidade de preços, não visíveis em períodos inflacionários. Por exemplo, na época em que a inflação brasileira era descontrolada, o preço de um “cafezinho” custava setenta moedas, enquanto que a xícara de louça onde ele era servido custava menos da metade, apenas trinta moedas.

c) Reserva de valor – Essa função garante que a moeda não perca o seu poder de troca. Ela permite às pessoas fazerem suas reservas de riqueza, ou seja, postergarem o consumo e fazerem poupança, abstraírem os gastos de hoje para fazê-los amanhã. Se a moeda tem o seu valor de troca inalterado, as pessoas podem deixar de comprar algo hoje por uma quantidade de moeda, para comprar a mesma mercadoria quando lhes for mais conveniente, pagando o mesmo montante de moeda. Durante este período, poderiam aplicar seu dinheiro e ter rendimentos extras. Numa economia com altos índices de inflação, isto é impossível. Ainda se utilizando o exemplo inflacionário brasileiro: ao receberem seus salários, os empregados corriam aos supermercados para fazerem logo as compras do mês pois, se deixassem para fazê-las alguns dias depois, o poder de compra da moeda já seria menor, corroído pela desvalorização provocada pela inflação.

6. TEORIA QUANTITATIVA DA MOEDA

De todos os estudos sobre o reflexo que a quantidade de moeda em circulação em um país tem sobre a sua economia, alguns se destacaram e vêm se impondo pelo alto percentual de acerto, entre o que dizem as análises teóricas e o que acontece no mundo real.

Uma dessas teorias tem como base proposições feitas por Milton Friedman (LOPES e ROSSETTI, Economia…, p. 177), talvez o mais polêmico economista do século XX, e seus seguidores. Segundo ele, a moeda seria um importante instrumento para a harmonia do sistema econômico de um país quando há perturbações ou para a manutenção e equilíbrio do sistema em situação de normalidade. Isso se daria através do controle quantitativo da moeda em circulação e do ajuste entre essa quantidade e o estado do crescimento econômico do país. Essa corrente de economistas parte de algumas premissas: a) a oferta de moeda é o principal determinante da demanda agregada; b) em sendo constante a velocidade da moeda a curto prazo, ela pode ser usada como instrumento para viabilizar o crescimento econômico; c) se a curto prazo a moeda influencia a demanda agregada e, consequentemente, os níveis de produção e de emprego, a longo prazo perde seu poder para os fatos da economia real, afetando apenas o nível geral de preços, e d) a política monetária perde o seu poder de influenciar a economia quando age defasada no tempo, em função do que se pode transformar em uma fonte de instabilidade para o sistema econômico do país.

OBS:- Demanda agregada é a capacidade e desejo de compra de um sociedade (compreendendo as Famílias, as empresas e o governo), de bens e serviços, a um determinado nível de preço. A demanda agregada considera o saldo da Balança Comercial (exportações menos importações) e é medida em período de tempo estabelecido.

As teorias monetaristas são apresentadas com as seguintes proposições (MAYER, DUESENBERRY e ALIBER, Moeda…, p. 287 e seguintes. Mantivemos as fórmulas como no original. Os alunos devem considerar Y = Renda Nacional), variando conforme as escolas de pensamento econômico:

a) A teoria mais simples apresenta a seguinte fórmula para explicar o nível em que os preços se manteriam estáveis:

MV = YP

Onde: M seria a moeda; V, a velocidade monetária (ou o número de transações efetuadas pela sociedade, com a mesma quantidade de moeda, em dado período de tempo); Y, a renda das famílias, e P, o nível geral de preços.

b) Uma segunda teoria foi desenvolvida por Alfredo Marshall, mais conhecida como a “equação de Cambridge”, apresenta a seguinte equação:

MV = YP e M = KYP

As variáveis V, M, Y e P continuam para os mesmos fenômenos e k seria 1/V.

c) A terceira teoria aqui apresentada é a teoria de Fisher, que tem o seguinte desenvolvimento:

MV’ = PT

Onde: M, mais uma vez, seria a moeda; V’ representaria o número de vezes que uma unidade monetária se tornaria receita para alguém; P, o preço médio das mercadorias vendidas em um dado período, e T, todas as transações realizadas com moeda, também em um dado período de tempo.

d) Uma fórmula mais elaborada desta mesma proposição seria assim apresentada (MAURO, Portugal…, p. 177.):

P = MV + m’v’ / Q

Onde: P seria o nível geral de preços; Q, o nível geral da produção; M, o total de moeda em circulação; V, a velocidade monetária; MV, a circulação monetária; m’, as moedas fiduciária e escritural, e v’, a velocidade de rotação da soma das moedas fiduciária e escritural.

7. O USO DA POLÍTICA MONETARISTA

Segundo Keynes (KEYNES, Breve…, p. 92 e 95), “a quantidade de moedas de que o público dispõe habitualmente depende da quantidade de poder aquisitivo que se decide manter ou levar consigo e de mais nada. A quantidade desse poder de compra depende em parte de sua riqueza e em parte de seus costumes. A riqueza do público em seu conjunto só pode variar em forma gradual. Seus costumes quanto ao uso do dinheiro se modificam com mais facilidade” – durante o uso de moeda manual ou de depósitos bancários movimentados por cheques. “Porém se sua riqueza e hábitos não se alteram, então a quantidade de poder aquisitivo que mantém sob a forma de dinheiro está definitivamente fixa”. Por outro lado “todo mundo admite que os hábitos do público no uso do dinheiro e serviços bancários e a prática bancária com respeito a suas reservas mudam de quando em quando, como resultado de desenvolvimentos maior ou menor óbvios. Esses hábitos e práticas são o reflexo das variações nas organizações econômicas e sociais”.

Se a alguém faltava uma fundamentação lógica para o uso efetivo de uma política monetária, aqui surge a resposta. Resta encontrar qual a política a ser adotada em épocas distintas. Há uma correlação de causa e efeito entre a demanda, quantidade e velocidade da moeda e o nível dos preços, consumo, poupança e investimentos. A alteração de uma dessas variáveis pode interferir no montante das demais. Em um sistema de mercado livre, o único meio do governo intervir no mercado é pela trava monetária (aumentando ou diminuindo a oferta de moeda ao público). Por exemplo, se houver o interesse de expandir a economia a curto prazo, com a criação de empregos e aumento do valor agregado, o governo deve aumentar a emissão de moedas (em um nível que não provoque efeitos inflacionários), diminuir a taxa do depósito compulsório (parcela dos depósitos que o público mantém no sistema bancário e que este é obrigado a recolher ao Banco Central) e resgatar títulos governamentais em poder do público (MONTORO FILHO, Manual…, p. 358).

Plano de Ensino

I – IDENTIFICAÇÃO DA DISCIPLINA
CÓDIGO: A.02.033
NOME: Análise das Demonstrações Contábeis II
PROFESSOR: Tomislav R. Femenick
PERÍODO: 6º
CARGA HORÁRIA: 72 horas.
CURSO: Ciências Contábeis

II – EMENTA
Análise econômica e financeira em condições inflacionárias, retorno sobre o investimento. Índices técnicos do mercado de capitais. Alavancagem operacional e financeira. Análise de investimentos em ações. Análise aplicada à situação especificas. Indicadores. Padrão. Análise das perspectivas econômicas. Elaboração de relatórios de analise. Termômetro de insolvência e desempenho.

III – OBJETIVOS
Gerais
• Fazer com que os alunos adquiriram habilidades conceituais e críticas dos problemas de contabilidade
• Fazê-los compreender os aspectos relevantes de operacionalização da análise contábil.

Específicos
• Despertar o interesse pelos problemas de planejamento e análise.
• Dimensionar a importância da contabilidade no contexto empresarial.
• Fazer conhecer os procedimentos e as técnicas utilizadas nos diversos sistemas contáveis.
• Saber preparar e analisar os relatórios contábeis, visando os ambientes interno e externo às empresas

IV. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

• 1a UNIDADE
1 – Apresentação do conteúdo do período
1.1 Metodologia de ensino
1.2 Conteúdo da matéria

2 – Alavancagem
2.1 Alavancagem financeira
2.2 Alavancagem operacional

3 – Análise de investimentos
3.1 Investimentos em ações
3.2 Retorno dos investimentos em ações

4 – Análise econômico-financeira em condições inflacionárias

• 2a UNIDADE
5 – Mercado de capitais
5.1 Composição do mercado de capitais
5.2 Índices técnicos do mercado de capitais

6– Análise das perspectivas econômicas

7– Análise de investimentos
7.1 Investimentos em ações
7.2 Retorno dos investimentos em ações

8 – Análise econômico-financeira em condições inflacionárias

V – METODOLOGIA
O conteúdo programático será desenvolvido com a participação das alunos, principalmente com aulas expositivas e com a utilização de métodos variados, inclusive com discussões, seminários, debates, simpósios e exercícios individuais e em grupo. Para isso serão utilizados livros, matérias correlatas publicadas em periódicos, exposições utilizando recursos audiovisuais etc.

VI – AVALIAÇÃO
A avaliação é expressa em Notas, em escala de zero a dez (0 a 10), obtidas pela Média Ponderada entre as Provas Escritas e Trabalhos Individuais ou em Grupos. Poderá, também, compor a nota do aluno sua exposição sobre trabalhos desenvolvidos em sala de aula, exposição ou explicação de trabalhos, sempre compondo as médias das avaliações.

VII – BIBLIOGRAFIA

BÁSICA
ASSEF NETO, Alexandre. Estrutura e análise de balanços. São Paulo: STlas, 1998.
IUDÍSCIBUS, Sérgio de. Análise de balanço. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 1998.

COMPLEMENTAR
MATAREZZO, Dante C. Análise financeira de balanço: abordagem básica e gerencial. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 1998.
SILVA, José Pereira de. Análise financeira das empresas. 2ª ed. São Paulo:Atlas, 1993.
BRAGA, Roberto. Fundamentos e técnicas de administração financeira. . São Paulo:Atlas,1989.
GITMAN, J. Lawrence. Princípios de administração financeira. São Paulo: Harbra, 1997.

O Mercado e a Bolsa

Tomislav R. Femenick
São Paulo: Unibero, 1997

I – O MERCADO DE CAPITAIS

O mercado de capital é formado pelo conjunto das instituições financeiras, que fazem o fluxo de oferta e procura de recursos, intermediando operações entre os que têm disponibilidade de valores e os que desejam captar esses valores.

Essas instituições atuam nos mercados de longo e de curto prazo, agindo como atacadistas na emissão e venda de novos títulos financeiros ou como agentes que adaptam a oferta e a procuras, conforme as condições do mercado. Os produtos do mercado de capital são direitos e haver financeiros de todas as espécies e quantidades, tanto novos (mercado primário) como de segunda mão (mercado secundário) – (SELDEN et al, 1977, p. 289).

O Mercado de Bolsa é uma especialização do mercado de capitais. Aqui há a preocupação adicional de se proporcionar liquidez aos possuidores de títulos das empresas, tais como ações e debêntures, bônus etc., de forma a permitir a circulação dos recursos.

1. HISTÓRICO

Foi o comércio atacadista , principalmente de produtos agrícolas, quem desenvolveu o comércio apregoado em leilões, daí se dizer que a fase preliminar das Bolsas foram as feiras. A diferença entre as duas é que na feira o objeto das negociações, a mercadoria, é um produto que está presente, enquanto que nas Bolsas é apenas um direito, que é intangível. Um outro elo entre as Bolsas e as feiras é a denominada “feira permanente”: em todas as grandes praças mercantis construíram-se, desde o século XVI a XVIII, “edifícios que levam o nome de Bolsa”, onde as mercadorias eram exibidas regularmente (ou delas haviam amostras), operando-se segundo os tipos e padrões de cada produto.

“O comércio da Bolsa, no sentido moderno, desenvolveu-se, primeiramente, no setor das operações com valores e moedas, não com mercadorias, porque os valores e moedas dos diferentes países têm características perfeitamente definidas. Só durante o século XIX, operou-se com determinadas mercadorias capazes de uma padronização. A inovação no comércio da Bolsa, já desenvolvida, prende-se à especulação racional na baixa, ou seja uma venda com o objetivo de poder comprar mais barato as mercadorias prometidas, antes de terminado o prazo de entrega” (WEBER, 1968, p. 263).

A primeira bolsa de valores a operar foi a “Bourse de Paris”, em 1141, cuja regulamentação só ocorreu em 1304. A Bolsa de Fundos Públicos de Londes, foi fundada em 1698.

No Brasil, muito embora a figura do corretor tenha sido objeto de legislação específica desde antes o meados do século XIX, só em 1877 se estabeleceu que as bolsas são o “lugar (…) destinado às operações de compra e venda de títulos públicos, de ações de bancos e companhias de valores comerciais e de metais preciosos” (MEDEIROS, 1987, p. 15).

Atualmente as bolsas são muito mais que um simples lugar onde se compra e vende mercadorias, valores e moedas. As bolsas, como instituições, são responsáveis pela operações nelas realizadas, devendo garantir a conclusão física e financeira das negociações com papéis, produtos e direitos negociados sob a sua jurisdição.

2. AS BOLSAS DE VALORES

As bolsas de valores (em São Paulo, a BOVESPA-Bolsa de Valores de São Paulo; no Rio de Janeiro, a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro) são associações civis, sem fins lucrativos, que funcionam com autorização do governo federal, sob fiscalização da CVM-Comissão de Valores Mobiliários, obedecendo à diretrizes e políticas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.

Além de oferecer um mercado para a cotação das ações e debêntures das companhias de capital aberto, as bolsas orientam e fiscalizam os serviços prestados pelas corretoras, fazem a divulgação de informações sobre as empresas que têm títulos nelas cotados e dos negócios que se realizam sob seu controle. Um dos papéis mais importante desempenhado pelas bolsas de valores é proporcionar liquidez às aplicações de curto e longo prazos, através de seus pregões diários. O capitalismo moderno tem nas bolsas um meio de estimular à poupança do grande público, transformando essa poupança em investimento das empresas, de forma a assegurar o desenvolvimento.

As bolsas realizam operações em modalidade que diferem entre si, quanto ao aspecto de forma de realização da negociação, tais como:

Mercado a vista – Define-se como Mercado a Vista o conjunto de operações onde a liquidação física (entrega dos títulos pelo vendedor) se processa no primeiro dia útil após a realização do negócio em pregão e a liquidação financeira (pagamento dos títulos pelo comprador) ocorre no segundo dia útil, posterior a negociação e somente quando realmente tenha havido a liquidação física.

Mercado de opções – No Mercado de Opções não são realizados negócios com ação, mas sim de direitos sobre elas. “Opção é o direito de uma parte comprar ou vender a outra parte, até determinada data, uma quantidade de ações a um preço preestabelecido” (SANVICENTE e MELLAGI FILHO, 1988, p. 58). Na prática, o comprador de um contrato de opção paga uma determinada quantia ao proprietário de um lote de ações de determinada empresa, para que ele garanta um preço de venda prefixado durante um período de tempo, também predeterminado. Durante o vigência do contrato, o comprador poderá, a qualquer tempo, exercer o seu direito de compra, pagando o preço estabelecido no contrato. A diferença entre o preço contratado e o valor das ações no momento da efetivação da sua negociação é que representará o lucro do comprador.

• Mercado a termo – Este é um mercado onde se contrata a compra e venda futura de determinado lote ações, com prazos (mais comuns) de 30, 60, 90 120, 150 e 180 dias para a liquidação da operação, com preço prefixado.

3. BOLSAS DE FUTUROS

Tal como as bolsas de valores, as bolsa de futuro (em São Paulo, A BM&F-Bolsa de Mercadorias & Futuros; no Rio de Janeiro a Bolsa Brasileira de Futuros) são sociedades civis, sem fins lucrativos, que funcionam com autorização do governo federal, sob fiscalização da CVM-Comissão de Valores Mobiliários, obedecendo à diretrizes e políticas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.

É de responsabilidade das bolsas de futuros supervisionar as operações realizadas em seu recinto e sua liquidação, bem como divulgar informações e as cotações dos contratos nelas negociados. Toda a atuação do corpo diretivo deve ser no sentido de assegurar que as operações sejam efetuadas competitivamente, sem manipulações por compradores e vendedores.

“Existe um mercado fascinante, onde é possível comprar sem ter dinheiro e vender ser ter mercadorias; em que menos de 2% das operações são liquidadas pela entrega efetiva do bem transacionado; onde a especulação, mais do que tolerada, é imprescindível” (FORBES, 1994, p. 5).

Derivados que são dos contratos a termo, os contratos a futuro têm condições similares a estes. Um contrato de futuros nada mais é do que um compromisso para entregar de uma certa quantidade, de uma determinada mercadoria, a um preço prefixado. O compromissado vendedor tem a opção para entregar o produto a qualquer momento, durante o mês especificado para a entrega. A maioria esmagadora das vezes a liquidação é efetuada em valores monetários, em quantias que correspondem aos valores dos produtos nominalmente negociados.

Os contratos de futuros são compensados através de uma câmara de compensação ou de uma empresa separada da Bolsa. Dessa forma, a câmara de compensação assume, perante compradores e vendedores, a responsabilidade pela efetivação da operação, mesmo que uma das partes não tenha condições de cumprir sua obrigação contratual.

Os contratos a futuro são padronizados no que refere a qualidade, lote e prazo de vencimento. Sendo um contrato totalmente idêntico a outro da mesma categoria eles são intercambiáveis com os outros, para o mesmo mês de entrega. Assim, um vendedor que tenha superado o seu risco de preço, pode extinguir a sua obrigação de entregar a mercadoria através de uma compra igual à sua venda, o que na prática estorna ou liquida o contrato original.

Estas características levaram empresas comerciais e especuladores a participar cada vez mais do Mercado Futuro. As primeiras para terem um mecanismo de proteção financeira contra a variação dos preços, os especuladores por terem oportunidade de aplicarem seus recursos com segurança e com boa rentabilidade.

II – AÇÕES E DEBÊNTURES

“O capital das Sociedades Anônimas é dividido em ações, que constituem títulos representativos dos direitos e obrigações do acionista na sociedade”.

Ação “é um título que comprava a qualidade do sócio, nas sociedades cujo capital e representado por títulos dessa espécie e a sua posse pressupõe a integralização do capital que ela representa. Sem essa integralização, logicamente, não pode o acionista reclamar a entrega, a posse do título”.

“As Debêntures são obrigações representativas de parcela de um único empréstimo tomado por sociedade anônima (…). A obrigação é um título representando fração de um empréstimo a longo prazo, emitido pela sociedade e normalmente munido de garantia. Daí resulta que as obrigações não estão submetidas às regras que regem o capital propriamente dito …” (MAGALHÃES, s.d., p. 13, 3 e 188).

1. AÇÕES

As ações representam o capital social de um tipo de sociedade, as Sociedades Anônimas (SA’s). Cada ação é uma fração, a menor parte do capital das sociedades anônimas. A Ação é individual, incindível ou indivisível, perante a empresa emitente. Pode haver divisão simbólica ou ideal quanto a sua propriedade, sendo permitida a existência de co-proprietários ou condôminos. Assim, a ação é indivisível perante a sociedade e divisível quanto a sua propriedade.

IMPORTANTE: Segundo a Doutrina Jurídica, as Ações são títulos de propriedade e não títulos de crédito, mesmo quando emitidas ao portador (a atual legislação brasileira proíbe Ação ao Portador).
a) Classe

As Ações se dividem em dois tipos diferentes, quais sejam:

● Nominativas

Esse tipo de Ação identificam seus possuidores, pois possuem o nome de seu proprietário escrito no Certificado. São registradas, inicialmente, no “Livro de Registro de Acionistas” e, nas negociações seguintes, no “Livro de Transferência de Ações”. Têm direito a voto, na relação direta de um voto para cada uma ação. São nominativas, obrigatoriamente, as ações de empresas de:

– Compra e venda de imóveis.
– Exploração de imóveis urbanos.
– Jornalísticas e de radiodifusão, inclusive TV’s.
– Mineração.
– Energia Elétrica.
– São também nominativas as ações não integralizadas.

IMPORTANTE: A atual legislação brasileira obriga que todas as ações das Sociedades Anônima sejam emitidas na forma nominativa.

● Ao Portador

As Ações ao portador aparecem no Século XVII e se difundiram durante a Revolução Industrial, com a multiplicação dos Sociedades Anônimas. Como foi dito anteriormente, a legislação brasileira atual não permite a existência de ação ao portador. Suas características eram:

– Pertenciam ao seu detentor.
– Eram conversíveis em nominativas, à vontade do seu proprietário.
– Para terem direito a voto, devem ser convertidas em nominativas.

Vantagens: Não identificavam seu possuidor, perante o fisco.

b) Tipo

● Ordinária

Têm as seguintes características:

– Titularidade plena de direito.
– Direito a voto nas Assembleias Gerais de Acionistas.
– Lucro proporcional, no exercício.
– Não confere privilégios ou direitos.

VANTAGEM : Somente ações ordinárias podem controlar as SA’s.

● Preferencial

Privam seus proprietários de alguns direitos políticos, dando-Ihes vantagens
econômicas e patrimoniais, tais como: :

– Prioridade no recebimento dos dividendos.
– Prioridade na eventual liquidação da sociedade.
– Acumulação das vantagens.

Podem atingir até 2/3 do capital social, da companhia.

Podem ou não ter direito a voto.

c) Formas

As Ações da Sociedades Anônimas podem ser emitidas de duas formas:

● Com Certificado

Neste caso, uma Ação é igual a um titulo que, por sua vez é igual a um Certificado. Porém pode haver (é mais usual) títulos múltiplos, em que várias ações são representadas por um só certificado, isto e, um Certificado representando um certo número Ações

● Escritural

Neste caso, as Ações da companhia não são representadas por Certificado. Os estatutos da sociedade devem estabelecer que as Ações sejam mantidas em contas depósito, em nome de seus titulares (acionistas), em instituição financeira. A identificação dos proprietários das ações escriturais dá-se pelo registro na conta de depósito, aberta em nome do acionista nos livros da instituição financeira.

Essas Ações são de fácil transferência, através de registro contábil, igual a uma conta corrente bancária comum, mediante autorização escrita do acionista. A movimentação das contas de Ações escriturais é realizada com lançamentos de “crédito” e “débito”, através de ordem do titular. Os movimentos são informados aos acionistas mediante “recibos” e/ou “extratos”, onde deve constar o “saldo” da conta.

2. DEBÊNTURES

As Debêntures tiveram origem na Inglaterra e uso comum na França no século XIX, principalmente nas empresas de estrada de ferro. O nome vem de uma palavra do inglês arcaico “debentur”, que por sua vez era uma corruptela da expressão latina “debentur mihi” (devem-me). No Brasil o título apareceu em 1860, sendo aperfeiçoado por legislação de 1902 .

As Debêntures, são titulo de crédito, emitidos por Sociedades Anônimas, que têm por garantia todo o Ativo e Bens da empresa emitente. Esses títulos possuem características singulares, que os diferenciam dos outros títulos de crédito.

a) Emissão

A emissão de Debênture deve ser uma deliberação da Assembleia Geral dos acionistas da companhia, que estabelece as cláusulas e condições da emissão, que constarão de uma Escritura de Emissão, além da fixação dos seguintes itens:

– O valor da emissão, onde a companhia estabelecerá o montante de capital a ser captado.
– O número de debêntures e, por conseguinte, seu valor nominal.
– As garantias que serão oferecidas aos debenturistas, se real ou flutuante.
– As condições de correção monetária, se houver.
– A conversibilidade das debêntures em ações da companhia, ou não.
– A época e as condições de pagamento dos juros, da participação nos lucros e do prêmio de reembolso, se houver.
– O tipo de Debênture, bem como o seu modo de subscrição ou colocação no mercado.

Quando se tratar de lançamento dos título com oferta pública a Escritura de Emissão de Debênture deve ser registrada na CVM-Comissão de Valores Mobiliários (SOUZA e LOMÔNACO, 1990, p. 22 a 24).

Muito embora seja um título emitido pelas Sociedades Anônimas, algumas delas não podem emitir Debêntures, em função das suas atividades e ramo de atuação. Enquadram-se nesse caso as empresas de:

• Crédito imobiliário.
• Instituições financeiras, que recebem depósito do público.

b) Garantias

As Debêntures oferecem aos seus possuidores garantias que são diferentes, de conformidade com as características de cada lançamento. As garantias poderão ser:

● Reais – Nesse caso seriam bens tangíveis, da empresa ou de terceiros, geralmente imóveis, os quais não poderão ser negociados pelos seus proprietários enquanto os títulos não forem resgatados. Em caso de disputa judicial (inadimplência simples, concordata, falência, etc.), esses credores estariam em posição inferior somente aos créditos trabalhistas, fiscais e para fiscais.

● Flutuantes – Muito embora sem garantia específica (como no caso das emissões com garantia real), os possuidores de Debêntures com garantia flutuante são classificados como credores privilegiados, no caso de insolvência da empresa. Em caso de disputa judicial, esses credores estariam em posição inferior as garantia reais, dos créditos trabalhistas, fiscais e para fiscais, porem acima dos credores quirografários (credores sem privilégio, tais como fornecedores, empréstimos bancários sem garantia real, etc).

● Sem preferência – Também conhecidas como Debêntures não preferenciais. Em caso de disputa judicial, esses credores estariam em posição inferior as garantia reais, aos créditos trabalhistas, fiscais e para fiscais, na mesma posição dos credores quirografários.

● Subordinadas – Esses títulos são emitidos praticamente sem garantia. Nesse caso os debenturistas (portadores dos Debêntures) estariam em condição superior apenas aos acionistas, em casos de cobrança judicial dos seus créditos.

Observe-se que as garantias podem seu oferecidas de forma cumulativa, mais de uma espécie de garantia para um mesmo título (SOUZA e LOMÔNACO, 1990, p., 71 a 74).

c) Rendimentos

O comprador do debênture pode receber como rendimento de sua aplicação: juros, correção monetária (quando estipulado na Escritura de Emissão de Debênture e cabível), participação nos lucros da sociedade e prêmios de reembolso. Esses rendimentos podem ser cumulativos ou alternados.

Os juros tanto podem ser fixos como variáveis e devem ser pagos em épocas previamente mancadas. A participação nos lucros da companhia incide sobre o Lucro Líquido e é pago pelo sistema de rateio. Uma das características dos títulos que dão aos seus possuidores somente participação nos lucros da emitente é que eles perdem liquidez, pois perdem a característica de título executivo extrajudicial. Por sua vez o prêmio de reembolso é uma quantia que o debenturista recebe (além do valor nominal do título), por ocasião do resgate do mesmo pela companhia emitente.

d) Conversibilidade

As Debêntures podem ser:

● Conversíveis em ações da empresa emitentes, ou
● Não conversíveis.

A Escritura de Emissão das Debêntures deve estabelecer se os títulos poderão ser ou não convertidos em ações da companhia. Trata-se de mais uma faculdade, de uma característica optativa da Sociedade emissora. Quando o lançamento foi expresso de forma conversível deverá observar as seguintes condições:

“As bases de conversão deverão estar especificadas na Escritura de Emissão, estipulando como deve ser a relação de conversão, se do tipo valor ou do tipo quantidade. O tipo valor é aquele em que a relação leva em consideração o valor nominal das debêntures e o valor nominal da emissão das ações, ao passo que relação do tipo quantidade é aquela em que a base de conversão considera o número de ações que corresponderá a cada debênture existente. Não se pode deixar de salientar os parâmetros atinentes a novas emissões de ações, no que respeita ao valor de emissão” (SOUZA e LOMÔNACO, 1990, p. 67 a 69).

Estas condições, ou balizamento são:

• O valor das cotações das ações no mercado de capitais, via de regra, as cotações nas Bolsas de Valores
• O valor do patrimônio líquido da companhia.
• As perspectivas de rentabilidade.

A Escritura de Emissão deve também especificar a espécie e a classe das ações em que as Debêntures poderão ser convertidas, se em ações ordinárias ou preferenciais; se ao portador (já citamos que atualmente a legislação brasileira proíbe títulos ao portador) ou nominativas etc.

Também na escritura de lançamento deve ser estabelecido prazo em que o debenturista deverá exercício de seu direito de conversão.

A conversibilidade das debêntures em ações pode alterar o equilíbrio acionário da companhia, em se tratando de emissão que garanta a conversibilidade em ações ordinárias. Nestas condições, e a fim de evitar que tais distorções ocorram no seio da companhia, a Lei da Sociedades por Ações provê a regra que deverá dar aos acionistas originários o direito de preferência na subscrição de Debêntures com cláusulas de conversibilidade em ações.

e) Forma, Tipos e Classe

Tal qual as Ações, as Debêntures são indivisíveis. Elas podem ser:

– Com certificado.
– Escriturais.
– Nominais.
– Ao Portador.
– Sem direito de Transferência (Garantia especifica).