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EDITORA LANÇA COLEÇÃO DE TOMISLAV

Coleção Paco 03

A editora paulista Paco Editorial, que já tinha editado dois livros do professor Tomislav R. Femenick, tomou a iniciativa de publicar uma coleção exclusivamente para o autor potiguar. Inicialmente a coleção será composta de um livro já publicado anteriormente, “Conexões e Reflexões sobre Economia” e mais dois, “Conexões e Reflexões sobre História” e “Conexões e Reflexões sobre Jornalismo”, que serão lançados em maio, em solenidade programada pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Ainda este ano serão lançados outros dois: “Conexões e Reflexões sobre Contabilidade” e “Conexões e Reflexões sobre Hotelaria”. Os livros – classificados como paradidáticos, porém de fácil leitura pelo público em geral –, abrangem áreas de atuação profissional do autor, que é colaborador da Tribuna do Norte.

O professor Tomislav é mossoroense, filho de pai croata e mãe de tradicional família de Mossoró (neto do industrial José Rodrigues de Lima, sobrinho do Padre Mota e primo do deputado Mota Neto). É mestre em Economia pela PUC-São Paulo, com extensão em Sociologia e História, pós-graduado pela em Economia Aplicada para Executivos, pela FGV-São Paulo e bacharel em Ciências Contábeis pelo Universidade Cidade de São Paulo. Foi professor na capital paulista e em nossa cidade.

É autor de cerca de 50 abras e seus livros são adotados por importantes universidades brasileira e, também, estão nas prateleiras das bibliotecas das mais importantes instituições de ensino da América do Norte e da Europa. Suas obras estão em Harvard, Princeton, Stanford, Cornell, Berkeley, Washington University, Brown University, University of Illinois, Indiana University, University de Dlawere, Universidad Complutense de Madrid e na Universidade de Coimbra.

 

Tribuna do Norte. Natal, 05 maio 2018

CITADO NA ALEMANHA

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Enquanto isso, tem um outro mossoroense ancho da vida e estufando o peito de satisfação. É o economista, escritor e historiador (que já foi publicitário) Tomislav Femenick. Seu livro “Os escravos: da escravidão antiga à escravidão moderna”, acaba de ser citado num dos maiores jornais da Alemanha, o “Berliner Zeitung”. O mote da reportagem é a Rainha Zinga, apontada como percussora da luta contra os colonizadores portugueses em Angola.

No livro de Tomislav, a Rainha Zinga não é essa lutadora assim pelos direitos do seu povo. Aparece como “traficante de escravos”, tese que é sustentada pela autora da reportagem, a jornalista Maritta Tkalec.

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O Croata Mossoroense

Jornal de Hoje. Natal, 12 mai. 2003

 

Nele nada é usual. Tudo foge aos padrões normais; é incomum, insólito, estranho ou inabitual. Até aos sete anos não falada nada, embora entendesse quase tudo o que se dizia. Começou a falar e a escrever ao mesmo tempo. Como resultado, falava e escrevia com muitos erros. Aos doze anos sua família se transferiu para Alagoas. Um anos depois, ainda sem saber escrever direito e para se corrigir, arranjou emprego como repórter nos Diários Associados, na época a maior cadeia de comunicação do país. Aos quinze anos assumiu a sub-secretaria do Jornal de Alagoas e, entre outras façanhas, entrevistou Juscelino Kubitschek, quando ainda candidato a presidente, o general Janari Nunes, presidente da Petrobrás, João Agripino Filho, então secretário geral da UDN e futuro governador da Paraíba, Arnon de Melo, o pai de Fernando Collor de Melo e na época governador de Alagoas e muitas pessoas que fizeram história neste país. Era conhecido como o benjamim da imprensa alagoana, isso é, o mais jovem dos jornalistas da terra dos marechais (Benjamim foi o filho mais novo de Jacó com Raquel, líder de uma das doze antigas tribos que formaram o povo de Israel).

No mesmo dia conheceu Filinto Müller, o temível chefe da polícia política de Getúlio Vargas durante o Estado Novo, e o coronel João Bezerra, o homem que comandou o cerco da grota de Angicos, quando mataram Lampião. Aos dezesseis pediu uma entrevista a Gilberto Freire. Entrevista concedida, perguntas feitas e respondidas em menos de meia hora. Eis que o nosso homem (então uma criança) sacou uma lista com mais de vinte dúvidas sobre duas obras do mestre: Casa grande & senzala e Interpretação do Brasil. Foram mais quatro horas de conversa.

Além de jornalista já foi publicitário, bancário, dono de bar e boite (ressalve-se, uma das melhores casa noturna do Estado, mais para clube da sociedade que para boite), corretor do mercado de capitais (ações e câmbio), sócio-diretor de agência de notícias, especialista em elaboração de projetos econômicos e em O&M, até que resolveu “fazer São Paulo”. Lá “explorou o mundo”. Sua formação é a mais eclética possível: bacharel em ciências contábeis, especialista em economia para executivos e mestre em economia. Não contente, fez extensão em sociologia e história. Seus mestres foram os melhores de cada área: em contabilidade foi assistente de Hilário Franco, em economia teve como mestres Paul Singer, Guido Mantega e Francisco de Oliveira, em história Fernando Novais e em sociologia Octavio Ianni – todos expoentes máximo de suas respectivas áreas de conhecimento.

No país dos paulistas, sua ação profissional foi tão diversificada quanto a sua formação acadêmica. Primeiro dedicou-se a trabalhar como auditor, depois como consultor em assuntos administrativos, diretor de seguradora, promotor de eventos (seminários, congressos, feiras etc.) no Brasil e nos Estados Unidos, especialista em hotelaria e turismo, perito contábil e, novamente, como auditor – hoje tem uma empresa de auditoria e consultoria, cuja primeira sede foi na Avenida Paulista, a mega financeiro do país – e professor universitário. Gerenciou a auditoria externa no Banco Mercantil de São Paulo, no Banco Real, no Brasilinvest e, crème de la crème, no Banco do Brasil, inclusive coordenando os exames das agências do exterior. Suas publicações (livros, ensaios, monografias, artigos) versão sobre os mais vários assuntos: economia, política, contabilidade, custos, hotelaria, turismo e, principalmente, história – não história local, regional ou mesmo do Brasil; são sempre sobre assuntos mais amplos: história da escravidão no Novo Mundo, história da Península Ibérica na baixa idade média, dos descobrimentos, da América, do Rio da Prata etc.

Todas as suas viagens ao exterior, viagens de negócios ou turismo, transformaram-se em viagens de pesquisas de seus tema favorito: a escravidão. Europa, América e África viram um pesquisador curioso e não contente com as verdades oficiais. Foi detido por alguma horas em Luanda, Angola, durante o regime comunista. Foi preso em Buenos Aires, na Argentina, e em Montevidéu, no Uruguai, durante os governos militares de direita. No primeiro caso porque queria saber das atividades de traficante de escravos da Rainha Nzinga, considerada pelo governo local heroína na luta contra o colonialismo. Nos dois últimos simplesmente porque queria dados do século XIX, sobre a população negra nas duas capitais. Em Cuba recebeu o tratamento diferenciado: o desestímulo pela burocracia e a proibição de manter contactos não autorizados pelas autoridades. Note-se que nunca recebeu ajuda de qualquer espécie para as suas pesquisas. Tudo foi feito as suas custas.

Se tudo isso não bastasse para ser um homem inusitado, é de origem croata, nasceu em Mossoró e fuma cachimbo – seu pai é de uma das mais tradicionais família de Varazdin, no norte da Croácia, e sua mãe pertence a duas das mais tradicionais famílias do Estado: Rodrigues e Mota. O padre Antonio Joaquim Rodrigues e o industrial Miguel Faustino do Monte eram tios do seu avô, o também industrial José Rodrigues Lima (uma das figuras mais injustiçada da história de Mossoró), assim como eram seu tio o Padre Mota (o grande prefeito de Mossoró) e seu primo o deputado Mota Neto.

È claro que estou falando de Tomislav Rodrigues Femenick, grande amigo do meu pai, Rafael Negreiro – ambos viviam brigando somente para terem motivo para fazer as pazes. Tomislav agora não é mais migrante, voltou a morar no Rio Grande do Norte, o que para nós seus amigos é uma grata notícia. E isso devemos a sua neta única, Débora Luiza, filha de sua filha Terenza, também única. Dizem que os filhos são ótimos, mas que os netos são os filhos com açúcar. Parece que para o meu amigo croata-mossoroense isso é verdade.

Tomislav veio e veio cheio de novidades. Sua biblioteca é grande e, coisa rara nas grandes bibliotecas particulares, é selecionada e organizada. Seu escritório é aconchegante. Sua hospitalidade e de sua esposa, D. Goreth, é apenas o que se é de esperar de pessoas de nível: indescritível. Mais o melhor de tudo é o papo descontraído, fluente e inteligente de seu e de seus convidados. O ambiente provoca essa incrível sinergia. Como se não bastasse há o seu novo livro – Os escravos: da escravidão antiga à escravidão moderna. É uma obra de fôlego, erudita, que vale quanto pesa – São 672 páginas, com uma bibliografia de quase 700 títulos, pesando mais de um quilo. Mas isso é assunto para mais um artigo.

 

O Homem das notícias inusitadas

Carlos Skarlack
Gazeta do Oeste.Mossoró, 16 jan. 2000

 

“Ao longo da minha vida, só acontecem coisas inusitadas. As coisas usuais não acontecem comigo” – assim define o mossoroense Tomislav Femenick a sua longa trajetória de uma vida experiente e repleta de muitas notícias.

Tomislav está para publicar este ano cinco volumes, cada um com 400 páginas, sobre notícias escritas por ele e que foram publicadas em vários jornais do país, sobre fatos importantes de Mossoró. Serão quase 2 mil páginas de pura informação, com os textos originais de cada notícia transcritos e datados. Um verdadeiro conteúdo jornalístico sobre a Mossoró da década de 60 e como se comportava naquela época.

A trajetória deste escritor, como ele mesmo se designa, um ‘multifacetado’, é um pouco da história do jornalismo mossoroense que começa apenas com o dom de quem quer ser jornalista, mas que por ser eficiente não cabe em um único livro. Os cinco volumes serão lançados pelo autor até o final de setembro em Mossoró, pela Coleção Mossoroense – Fundação Vingt Rosado.

JORNALISTA ‘DIFERENTE’ CRIA A SERPES EM MOSSORÓ

Filho de croata e nascido em Mossoró, Tomislav Femenick se considera verdadeiramente um homem inusitado. Mas não só por isso. Seu interesse pelas notícias começou ainda muito jovem, aos 13 anos de idade, época em que também começou a trabalhar em um jornal na cidade de Maceió (AL). Lá aprendeu a escrever, a alma de um jornalista e se apaixonou pelas notícias.

“Não demorou muito começaram a me chamar de ‘Benjamim da Imprensa Alagoana, ou seja o mais jovem jornalista da imprensa do Estado, naquela época. Isso me motivou
ainda mais em busca de notícias”, recorda o mossoroense Tomislav, hoje com 60 anos.

Mas a trajetória de Tomislav se tornou mais evidente quando voltou a morar em Mossoró em 1956, quando trabalhou no Jornal O Mossoroense. Decidiu em seguida morar em São Paulo, onde trabalhou na Diários e Associados, onde escrevia informações aos vários jornais do Estado. Meses depois, voltou à Mossoró onde montou a Serviços de Informações e Pesquisas (SERPES), uma agência de notícias sobre as informações mais importantes da cidade para jornais de todo o país.

“A Agência divulgava notícias de Mossoró para três jornais da qual era contratada que eram Diário de Natal, Diário de Pernambuco e , O Povo de Fortaleza. Mas saia de forma eventual, notícias de Mossoró no Correio Brasilienze, O Globo, Jornal do Brasil, até Folha de São Paulo, onde Calazans Fernandes publicava algumas notícias em sua coluna”, relembra Tomislav, ressaltando que este trabalho perdurou de 1964 a 1971. A Serpes além de notícias fazia pesquisas de opinião pública, estudos econômicos, de oportunidade de negócios, piso salarial, enfim a empresa ‘multifacetada’.

Mesmo sem curso superior em Jornalismo, Tomislav disse nunca ter sentido qualquer dificuldade para divulgar as notícias de Mossoró, mesmo nos grandes jornais do país. “Na minha opinião, para ser jornalista é necessário se ter o dom. Ou se tem, ou não se é jornalista. Meu trabalho sempre seguiu esse critério”, opina categórico.

MUDANÇAS – Com os anos, a Serpes deu lugar a outros interesses como a sua formação em Contabilidade, mestrado em Economia e extensão em Sociologia e História. Tomislav atualmente leciona na Universidade Ibero/Americana em São Paulo – SP e possui uma empresa de desingner gráfico, onde lida também com jornais, porém sem esquecer que o período em que atuou com a Serpes conseguiu registrar notícias de acontecimentos importantes para a cidade.

“Hoje o meu contato com jornal é mais plástico que de escri
ta. Mas do jornalismo restou a mania de escrever, só que livros. Já publiquei 17 ao longo destes anos”, completa Tomislav.

NOTÍCIAS MARCANTES FORAM REUNIDAS AO LONGO DOS ANOS

Todas as reportagens feitas por Tomislav Femenick durante os anos em que atuou com a Serps foram recortadas dos jornais e reunidas pela sua esposa, professora Gorete Femenick.

Segundo Tomislav, ela guardou durante anos, reportagens marcantes como os primeiros serviços de distribuição da água pela CAERN, a energia pela CHESF que chegava a cidade naquela época, as inaugurações da Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM), da Universidade Regional do Rio Grande do Norte (URRN) na época, do Estádio Leonardo Nogueira, o “Nogueirão”, e muitos outros acontecimentos como criação de associações que até hoje permanecem e principalmente a primeira perfuração de petróleo em Mossoró, notícia que inclusive foi destacada nos grandes jornais do país.

“Minha esposa, a professora Gorete Femenick, descobriu os recortes de jornais, dividiu, classificou e providenciou a digitação de todo esse trabalho. O resultado disto foi o interesse em transformar todas essas noticias da década de 60 sobre Mossoró em livro para pesquisa, para o interesse dos jornalistas, enfim, uma contribuição para a cidade”, completa Tomislav.

CONTEÚDO

O escritor Tomislav Femenick ao perceber a quantidade de notícias daquela época, juntamente com a esposa decidiu publicá-las, mas em volumes distintos. Serão cinco volumes do livro, cada uma com 400 páginas somando quase 2 mil páginas só de notícias da década de 60 sobre Mossoró.

O primeiro volume – Trata da criação da Infra-estrutura de Mossoró naquele período. A chegada do serviço mais dinâmico de água, a energia pela Chesf, o porto salineiro que começou a ser construído também neste período, as primeiras estradas asfaltadas, problemas da ferrovia, problemas de abastecimento, matadouro e tudo ligado a infra-estrutura.

O segundo volume – Fala da economia da cidade
, a pecuária, as indústrias existentes na época, o sal que tem um grande destaque no livro com um capítulo especial, as associações de classes produtoras como CDL, Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte que teve sua primeira sede em Mossoró e que atualmente está em Natal, e o aparecimento do petróleo.

“Nessa época o furo nacional foi divulgar o aparecimento do petróleo em Mossoró, quando se buscava por água. Inclusive como eu mandava a matéria para os jornais pela Sesp, o Diário de Pernambuco deu um furo de reportagem no O Mossoroense”, relembra sorridente o escritor-jornalista.

O terceiro volume – Da educação, do esporte e da cultura na década de 60. Entram notícias das faculdades isoladas e depois da fundação da Universidade Regional, da inauguração do Nogueirão, jogos de inauguração do estádio e todos os prêmios conquistados por artistas locais em outros Estados do país.

O quarto volume – Vai ser um estudo sociológico, como a cidade estava organizada na época, as entidades, associações, clubes de serviços como Lions, Rotary que tinham uma importância maior que nos dias de hoje, Abrigo Amantino Câmara, a Igreja, a política da e a polícia.

O quinto volume – Vai tratar da microrregião de Mossoró, são notícias das cidades vizinhas que têm grande ligação de Mossoró como Areia Branca, Assu, Apodi e muitas outras.

Fotos – Os livros serão ilustrados com fotos da época, mostrando os acontecimentos conforme foram noticiados pelos jornais.

Algumas notícias retiradas do livro ainda não lançado “Notícias de um tempo” de Tomislav:

SOBRE O PETRÓLEO EM MOSSORÓ

Descoberto petróleo em Mossoró

MOSSORÓ (Do correspondente) – A escavação de um poço com a finalidade de encontrar água fez com que, ontem, na Praça Padre Mota, no coração de Mossoró, jorrasse petróleo abundantemente, de uma profundidade de 645 e 650 metros.

O primeiro jorro petrolífero em Mossor
ó ocorreu em fins de 1955, julgando os técnicos de então (inclusive alguns norte-americanos) que as pesquisas deveriam ser abandonadas, estando a Petrobrás ausente daquele centro potiguar.

A perfuração do poço estava, ontem à noite, em sua fase final, devendo hoje ocorrer a retirada dos aparelhos de escavação. Diário de Pernambuco – 31.12.1967

Em pleno coração de Mossoró: Poço d’água deu em petróleo

MOSSORÓ, 4 (Do correspondente) – Voltou a jorrar petróleo nesta cidade. Perfurando um poço na Praça Padre Mota, em pleno centro urbano, com a intenção de atingir lençol de água, a CASOL encontrou “ouro negro” na profundidade de 647 e 650 metros. O poço já está em fase de acabamento, com a retirada dos tubos metálicos. O primeiro jorro de petróleo no Rio Grande do Norte ocorreu em fins de 1966, em um poço da CAENE, na localidade Saco. Observe-se que a Petrobras, que fizera estudo da bacia local em 1955, está ausente de Mossoró. O Povo – 04.01.1968

Poço petrolífero localizado na praça Pe. Mota em Mossoró se encontra vedado

MOSSORÓ (Serpes) – Os jornais voltam a estampar notícias sobre o petróleo mossoroense. Um poço que estava sendo perfurado para captar água apresentou óleo a 290 metros de profundidade, em terras da Salina Guanabara. Aliás, em duas oportunidades anteriores o mesmo fenômeno foi constatado. Os primeiros indícios oficiais de existência de petróleo na região de Mossoró apareceram em 1965, quando a própria Petrobras fazia estudos na localidade de Gangorra, onde o óleo foi encontrado a aproximadamente 400 metros de profundidade.

EM MAIS TRÊS – Com a descoberta de óleo na Salina Guanabara sobem para três os casos de surgimento espontâneo de petróleo em Mossoró, desde agosto de 1967, quando no lugar Saco, uma sonda da CONESP retirou óleo de um poço que, na época, alcançava 378 metros. Em 30 de dezembro do ano que passou, em pleno centro da cidade, a CASOL encontrou petróleo numa perfuração que fazia entre as duas caixas de água do Serviço de Abastec
imento do Município, na Praça Padre Mota. O óleo correu abundantemente nas ruas da cidade, às vezes até em uma proporção de 40% de petróleo e 60% de água, conforme análises feitas na ocasião.

POÇOS VEDADOS – O poço da Gangorra foi tapado pela Petrobrás, as perfurações da CONESP foram paralisadas, o poço da Praça Padre Mota foi misteriosamente vedado, a ocorrência de óleo na Salina Guanabara está isolada e a perfuração continua em busca de atingir o lençol subterrâneo de água existente na região.

A empresa do monopólio petrolífero brasileiro tem realizado estudos e análises a propósito de todas essas perfurações e ocorrências, isoladamente e em correlação com os indícios de que dispõe. Nada de definitivo foi dito ainda e até parece que o petróleo de Mossoró quer sair da terra com as suas próprias forças.
ATITUDES DA PETROBRÁS – O aparecimento espontâneo de óleo na área de Mossoró não poderia causar uma precipitação nos estudos da Petrobrás. Poderia, e isto ocorreu, despertar um interesse maior da empresa, no tocante às suas pesquisas, às quais vem realizando desde 1949, ainda no tempo do Conselho Nacional do Petróleo.

O petróleo encontrado na localidade de Saco e na Praça Padre Mota contribuiu, de maneira relevante, para uma intensificação, e não precipitação, das atividades da empresa na zona oeste do Rio Grande do Norte. Diário de Pernambuco – 17.09.1968

SOBRE A ESAM:

Decreto dá a Mossoró escola de agricultura

MOSSORÓ, 20 – Decreto do Ministro de Educação criou a Escola Superior de Agricultura de Mossoró. Vários considerandos justificaram a criação dessa unidade de nível superior, destacando-se a realização de metas da nova política de desenvolvimento rural do governo central da república a ser implementada por órgãos federais, a importância da formação de técnicos de nível superior para atuar no meio rural, a necessidade de incentivos para a região de Mossoró intensificar sua produção agrícola e pecuária e, ainda, formar especialistas para criar na regiã
o meios para desenvolver uma forte industrialização de produtos de origem agropecuária.

A FACULDADE – Decreto do prefeito de Mossoró, Raimundo Soares de Souza, nomeou uma comissão para a organização da Escola Superior de Agricultura de Mossoró. O decreto assinala, também, que as despesas com a instalação da nova escola correrão por conta do orçamento do Município, nas rubricas próprias ao registro dos valores destinados à FUNCITEC-Fundação para o Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia. A contratação de pessoal para preencher as vagas de trabalho na nova unidade de nível superior será realizada observando-se a legislação trabalhista em vigor no país.

QUATRO ESCOLAS – Com a criação da Escola Superior de Agricultura de Mossoró esta cidade contará com quatro unidades de ensino universitário, sendo que três delas foram criadas na atual gestão do prefeito Raimundo Soares à frente do Executivo municipal. Atualmente existem as Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras, de Serviço Social e de Ciências Econômicas (esta a primeira delas) e, com o decreto recém-assinado pelo prefeito, a Escola Superior de Agricultura de Mossoró. Diário de Natal – 22.04.1967

Escola de agricultura será inaugurada em dezembro

MOSSORÓ – Segundo declarações do dr. José Rodrigues da Costa, a Escola Superior de Agricultura de Mossoró estará funcionando regularmente a partir do próximo ano.

A construção do seu moderno edifício teve início no dia três de julho do corrente ano e estará concluída no próximo mês. O prédio está sendo erigido sobre pilotis, com aproveitamento somente da parte superior. É constituído de oito salas de aula, três salas para laboratórios, uma outra de Desenho, Biblioteca, Congregação, Diretório Acadêmico, Cantina e Secretaria. A área total é de 2.058 metros quadrados, inclusive duas rampas de acesso.

CONVÊNIO – A Escola Superior de Agricultura foi criada pelo prefeito de Mossoró, dr. Raimundo Soares de Souza, através do decreto 03/67, de 18 de abril do corrente a
no. A sua edificação é feita através de convênio firmado pela prefeitura com o INDA-Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário, que destinará os recursos suficientes para a concretização da mencionada obra, que já importa em NCr$ 350,00 (trezentos e cinqüenta cruzeiros novos).

INSTALAÇÕES – A faculdade de agricultura contará com cinco laboratórios, inclusive de Física, Química, História Natural e Zoologia. A biblioteca conta com cerca de 2.500 volumes especializados. A escola terá, também, uma Estação Experimental, numa área com cerca de 135 hectares, criando condições reais, com vistas a pesquisa aplicada, preconizada pela reforma universitária.

INAUGURAÇÃO – Segundo telegrama do presidente do INDA, dr. Jerônimo Dix-huit Rosado Maia, estão sendo acertados os detalhes finais para a vinda do presidente da República, marechal Artur de Costa e Silva, para o ato inaugural da Escola Superior de Agricultura. Nessa oportunidade, será concedido ao marechal Costa e Silva o título de Doutor Honores Causa por ter sido o grande codificador da Carta de Brasília. Acompanhando o presidente, virão ministros de Estado e outras autoridades civis e militares.
Diário de Pernambuco – 28.11.1967.

Presidente Costa e Silva inaugura obras em Mossoró

MOSSORÓ (Agência Nacional) – O presidente Artur da Costa e Silva, precedente da Guanabara (…) dirigiu-se (…) para Mossoró, onde presidiu várias inaugurações.

O Avião aterrissou no aeroporto de Mossoró às 12h40. Ao descer da aeronave, o presidente Costa e Silva foi cumprimentado pelos governadores do Rio Grande do Norte, monsenhor Walfredo Gurgel, pelo comandante do IV Exército, general Raphael de Souza Aguiar e pelo presidente do INDA, sr. Dix-huit Rosado Maia.

Uma banda de música do Exército tocou o Hino Nacional, sob o troar de 21 tiros de artilharia, em saudação ao chefe do governo. Após passar em revista as tropas, formada em sua honra, o presidente foi cumprimentado pelos governadores de Pernambuco, sr. Nilo Coelho; do Ceará,
sr. Plácido Castelo; pelo prefeito de Mossoró, sr. Raimundo Soares, além de altas autoridades civis e eclesiásticas. O chefe do governo, após receber um palma de flores, das mãos de uma menina da sociedade local, em companhia do governador Walfredo Gurgel e do chefe do Gabinete Militar da Presidência da República, general Jaime Portela, deslocou-se para o triângulo ferroviário, a fim de inaugurar o poço Costa e Silva, cuja água se assemelha, de acordo com análises, às águas minerais de melhor qualidade (…).

NA ESCOLA DE AGRONOMIA – O presidente da República dirigiu-se, em seguida, à ESAM-Escola Superior de Agricultura de Mossoró, dando-a por inaugurada, ao cortar a fita simbólica, colocada à entrada do prédio. Diante de um painel, usou da palavra o presidente do INDA-Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário, senador Jerônimo Dix-huit Rosado Maia.

O chefe da nação passou, em seguida, a visitar todas as dependências da Escola, onde, numa delas foi apresentado pelo presidente do INDA aos membros da Congregação da ESAM. Na oportunidade foi outorgado ao presidente o diploma de “Professor Honores Causa”. Logo depois, ainda na presença do chefe do governo, foi entregue pelo ministro Tarso Dutra, da Educação e Cultura, uma biblioteca à Escola Superior de Agricultura de Mossoró. Diário de Pernambuco – 23.12.1967

OUTROS TRABALHOS

Tomislav lança mais outros três livros este ano (Títulos provisórios – Data para lançamento): DESCOBRIMENTO E COLONIZAÇÃO: Abril/2000. PARA APRENDER ECONOMIA: 2a edição – Fev/2000. PERÍCIA CONTÁBIL: Jun ou Jul/2000 .

Conversando com… TOMISLAV FEMENICK

Gazeta do Oeste.Mossoró, 16 jan. 2000

 

Um mossoroense croata. Assim se auto define o multifacetado Tomislav R. Femenick. Nascido em Mossoró, no dia 19 de abril de 1939, ele é filho do croata Edmund Femenick e da mossoroense Maria José Mota Lima. Com mestrado em Economia, tendo extensão em sociologia e história pela Pontifícia universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Tomislav fez pós-graduação em Economia Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), tem bacharelado em Ciências Contábeis e formação em Administração de Empresas e Ciências Econômicas. Antes de viajar para São Paulo, há 30 anos, onde está radicalizado até hoje, Tomislav se notabilizou na direção da casa de shows Snob, uma das mais tradicionais de Mossoró, à época. Antes, havia instalado a primeira agência de publicidade da cidade, a Propag, com Walter Gomes e Francisco Ferreira Souto (Soutinho). Nos idos de 64 também instalou o instituto de pesquisas Serpes. Nesta entrevista, ele relembra fatos da história de Mossoró, anuncia lançamento de um mega livro sobre a cidade, avalia o atual momento econômico do país e discorre sobre outras questões. Ei-la:

GAZETA DO OESTE – Há quanto tempo o senhor partiu de Mossoró e onde reside atualmente?

TOMISLAV R. FEMENICK – Há 28 anos sai de Mossoró, e já faziam dez anos que não visitava a minha cidade. Desde que parti de Mossoró, resido em São Paulo, capital. Porém, nunca perdi os laços de amizade deixados em Mossoró e, principalmente, a formação cultural aqui absorvida na minha infância, adolescência e mesmo na fase adulta. Eu me considero o homus mossoroense por formação e por adoração. Não há por que quebrar os laços telúricos.

GO – Enquanto residiu em Mossoró, o senhor desenvolveu inúmeras atividades. Poderia relembrar algumas?

TRF – A. minha primeira afetividade profissional em Mossoró foi como jornalista no jornal “O Mossoroense”. Na mesma época, associado com Walter Gomes e Francisco Ferreira Souto (Soutinho), criei a primeira agencia de publicidade de Mossoró, a “Propag”. Fui funcionário do Banco do Nordeste durante 13 anos, já possuí estabilidade, porém pedi demissão. Em 1964, criei o Serpes, um instituto de pesquisa, que depois se transformou em agência de notícia e que fornecia informações sobre Mossoró e sua região para os jornais “Diário de Natal”, “Diário de Pernambuco”, “O Povo” de Fortaleza (CE), “Correio Braziliense”, “Folha de São Paulo” e, eventualmente, para as revistas “Visão”, “Banas” e “Veja”. Dessa ‘forma, Mossoró estava na mídia nacional com duas matérias diárias. Acredito que tenha sido o período em que nossa cidade tenha tido mais divulgação.

GO – O senhor acredita que, a partir da criação do Serpes, passou a influenciar outros profissionais da comunicação a divulgar a cidade de Mossoró também?

TRF – Sim. Seguindo os passos do Serpes, outros jornalistas passaram também a mandar notícias de Mossoró para outros jornais. Elviro do Carmo Rebouças passou a ser o correspondente do jornal “Tribuna do Norte” e François Paiva tornou-se o representante do “Jornal do Commercio”, de Recife (PE). Não devemos nos esquecer que a “Folha de S. Paulo” naquela época contava em seus quadros de jornalistas com a figura de Calazans Fernandes, que muito divulgou Mossoró e todo o Estado do Rio Grande do Norte naquele periódico paulistano. Calazans usava as notícias do Serpes e as distribuía em várias seções da “Folha de S. Paulo”.

GO – O senhor atuou também como empresário na noite. Como se envolveu com uma atividade tão estranha para sua personalidade?

TRF – Desde criança, tenho uma persistente insônia. Durmo somente três horas por dia. Tinha que ocupar meu tempo. pensei numa boate, que era afinal de contas um clube para me divertir. Dois meses depois fui alertado pelo meu gerente de que a boate dava lucro. Deixei de me divertir e passei a trabalhar. Transformei as 12 mesas de então em 150, e o salão inicial de 30 m2 em 200 m2, com dois dancings. Sempre fui muito exigente com a qualidade do que faço. Com a “Snob” aconteceu a mesma coisa. Se era para ter uma boate, que fosse a melhor. E foi a melhor. Inovamos em iluminação, em som, em distribuição de espaços, em atendimento e na qualidade dos produtos servidos.

GO – O senhor transformou, então, a “Snob” em ponto obrigatório da sociedade mossoroense?

TRF – Melhor do que eu, a minha querida amiga Ivonete de Paula poderia responder sua pergunta. Porém, diria que a “Snob” passou a ser o clube da família mossoroense. Lá aconteciam as melhores festas, se apresentavam os melhores artistas, bem como passou a ser um ponto de referência do turismo do Estado. Não diria somente que a “Snob” foi apenas uma casa de diversão. Era um ponto de encontro onde aconteciam grandes negócios, grandes entendimentos políticos e casamentos também.

GO – Qual era a principal dificuldade em manter um estabelecimento desse porte, naquela época?

TRF – Só havia uma dificuldade: receber os pinduras.

GO – O que o levou a abandonar esse ramo e qual a sua atual função?

TRF – Vendi a “Snob” quando me transferi para São Paulo. Lá, tive que me redirecionar profissionalmente. Hoje, a minha principal atividade profissional (se não a que me dar maior renda, porém a que me consome maior tempo) é ser professor universitário. Tenho cerca de 40 horas semanais. Além disso, tenho uma empresa de auditoria e consultoria e uma outra de designer gráfico. Na primeira delas, trabalho com equipe que atende grandes empresas nos setores de indústria, transporte e alimentação. Na outra, fazemos atendimento a jornais no desenvolvimento de novas diagramações e escolha de tipagem etc. O que nós procuramos é criar uma forma de o jornal atrair o leitor e facilitar a leitura. Aí, como nas mulheres, a beleza é fundamental. Saravá, Vinícius!

GO- Como professor, quais as matérias que o senhor leciona?

TRF – Eu sou titular das cadeiras de Economia, Microeconomia, Contabilidade, Custos, Perícia Contábil, Câmbio, Comércio Exterior, Administração Financeira e Orçamento. Basta!

GO – Qual a avaliação o senhor faria de nossa economia?

TRF – Economia é uma matéria que não deve ser vista isolada das outras realidades. Não se pode falar em economia sem se falar em política. Economia não tem vida autônoma, ela é dirigida pela política. Da mesma forma que também influencia a política. Essas duas atividades são imbricadas tal qual irmãs siamesas. A realidade econômica se apresenta difícil, como resultado de uma série de políticas totalmente erradas, adotadas por governos de direita e de esquerda. Desde o regime militar que se criou dois monstros. De um lado a reserva de mercado para as empresas nacionais. Do outro, a inflação. Então, nós tínhamos empresas que não sabiam quanto estavam gastando e nem se preocupavam com isso, pois o consumidor brasileiro era obrigado a consumir os seus produtos a qualquer que fosse o preço. Paralelo a isso, houve a defasagem tecnológica, que transformou os produtos nacionais em mercadorias de segunda ordem. Nesse quadro, o Brasil foi cada vez mais se transformando em um fornecedor internacional de matérias-primas básicas e de produtos semi-manufaturados. Em outras palavras: se produzia um baixo valor agregado que resultava um pequeno poder aquisitivo dos trabalhadores. Essa situação perdurou desde o golpe de 64 até o governo Sarney. Todos os planos econômicos do governo Sarney foram meros paliativos. Menos que operação plástica, foram retoques de maquiagem. O que se teve que fazer foi acabar com a inflação, para se identificar o custo real da produção; acabar com a reserva de mercado, para que o empresário se visse compelido a reduzir os seus custos; atualizar tecnologicamente o sistema produtivo e o próprio produto. Então, a economia de hoje é uma economia que visa a transição de uma ordem arcaica para uma ordem globalizada, em que a castanha de caju de Mossoró compete com a castanha de caju da Índia, por exemplo.

GO – Retornando a Mossoró. Como o senhor vê a economia da região?

TRF – Quando saí de Mossoró, havia uma situação em que politicamente o Estado tinha Natal como pólo diretor e Mossoró era o pólo econômico. Além do mais, as grandes empresas de Mossoró eram mossoroenses. Dirigidas por mossoroenses. A S/A Mercantil Tertuliano Fernandes, a Alfredo Fernandes & Cia., Antonio Ferreira Néo & Cia., J. Duarte & Cia., F. Souto & Cia., e várias outras. Hoje, as grandes empresas de Mossoró não são mossoroenses. Estão em Mossoró. Hoje em Natal também está o pólo econômico do Estado. A minha analise é que Mossoró, infelizmente, perdeu a importância. O preço disso tudo é um inchaço da cidade, que cresceu de forma desordena e que, além de tudo, recebeu o impacto do reflexo da política econômica em crise.

GO – O senhor já publicou 17 obras e prepara o lançamento de um livro sobre Mossoró nos anos 60 e 70. De que se trata essa obra?

TRF – A culpada de tudo isso é minha mulher, a professora Goreth Femenick. Mexendo nos meus arquivos, ela descobriu os recortes de todas as notícias divulgadas pela Serpes. E viu que era a história de Mossoró, de 1966 a 1971, período em que foram descobertos a água e o petróleo em Mossoró, que aqui chegou a luz de Paulo Afonso, que foram criadas a Esam e a Universidade Estadual, que foi iniciada a construção do Porto Salineiro, que as estradas começaram a ser asfaltadas. Em síntese, foi um período fértil. O governo de Raimundo Soares e o início do segundo mandato de Antônio Rodrigues de Carvalho.

GO – Sobre suas obras já lançadas?

TRF – Tenho publicado um total de 17 obras. São 13 monografias, todas voltadas para o campo da economia, da sociologia e da história econômica, e mais quatro livros. Existe uma aspecto que eu gosto de ressaltar. E que dois livros meus são resultado de pesquisas realizadas pelos meus alunos. No Centro Universitário lbero-Americano, eu ensino duas matérias que julgo bastante interessantes. Uma delas é Contabilidade para o curso de Hotelaria. Os alunos do segundo ano pesquisaram a Metodologia de Custos e resultou no livro “Sistema de Custos para Hotéis”. Também os alunos do curso de Administração Financeira fizeram um trabalho sobre Câmbio e Comércio Exterior, e resultou no livro “O Brasil na Crise Global”. Note-se que eu publico o nome dos alunos nos seus respectivos capítulos.

GO – Em que período o senhor realizou uma pesquisa eleitoral que acabou se tornando histórica na política de Mossoró?

TRF – Havia um compromisso das duas grandes correntes políticas de Mossoró, Rosado e Duarte Filho, em se unirem na eleição de um senador e, posteriormente, na eleição do prefeito, o que resultaria numa pacificação das forças, que se chocavam até então. Duarte Filho foi eleito senador e me encomendou uma pesquisa de opinião pública para identificar o melhor candidato dá coligação para ocupar a prefeitura de Mossoró. Feita a pesquisa, o nome do único candidato a candidato, Vingt-un Rosado, apareceu como o mais votado. Porém, correndo por fora, sem ser cogitado de nenhuma forma, apareceu em segundo lugar o nome de Antônio Rodrigues de Carvalho. Na interpretação da pesquisa, eu indiquei que a única força política independente, com votos próprios, era o senhor Antônio Rodrigues. O detalhe importante é que Duarte Filho tinha sido derrotado para a Prefeitura de Mossoró anos antes, pelo mesmo Antônio Rodrigues. Querendo obter apoio de Aluízio Alves para a coligação, o senador Duarte Filho apresentou-lhe o resultado da pesquisa. Então, Aluízio interpretou que Antônio Rodrigues poderia vencer os Rosado, o apoiou, e, ao final, todos sabem: Antônio Rodrigues venceu Vingt-um Rosado. O fato curioso é que eu é que fiz a campanha de Vingt-un, pessoa por quem tenho o melhor e mais respeitoso afeto, desde a minha infância.

GO – Como funcionava a imprensa no período em que o senhor militava em Mossoró?

TRF – Realmente, eu comecei a trabalhar na imprensa no “Jornal de Alagoas”, um órgão dos Diários Associados na capital alagoana. Eu comecei com treze anos exercendo as funções de repórter, me forçando a escrever, pois eu não sabia escrever ainda. De lá é que vim para Mossoró. A grande diferença da imprensa daquela época para hoje é que essa era uma atividade mais idealista, mais intelectualizada e menos profissional. Isso era bom, sob o aspecto de ambiente nas redações. Porém, se refletia num trabalho de menos qualidade técnica. Havia ainda uma certa associação indecente entre parte da imprensa e o poder da vez. Não é que hoje isso tenha acabado. Mas até quem faz se envergonha de dizer que faz. Antes era escancarado.

Escritor Mossoroense lança livro que analisa o Brasil na crise global

O Jornal de Hoje. Natal, 11 jan. 2000

 

O escritor mossoroense Tomislav Femenick está de passagem por Natal para divulgar o lançamento de seu 17° livro: “O Brasil na crise global“, uma coletânea de textos acadêmicos com enfoque para assuntos da economia nacional. A obra foi lançada em outubro, em São Paulo, mas a edição está quase esgotada.

Esse mossoroense de nome croata, herdado do pai que era descendente direto do ducado de Varazdin, iniciou sua multicarreira profissional aos 13 anos de idade, como redator do Jornal de Alagoas, veículo dos Diários Associados. “Eu não sabia escrever e decidi ser jornalista para aprender essa arte”, recordou.

O escritor não se adaptou ao funcionalismo público. Tinha um emprego com estabilidade no Banco do Nordeste, mas pediu demissão depois de 13 anos de serviços. Tomislav descreve-se como um homem que gosta de investir tempo e dedicação em atividades variadas, por isso não poderia se adaptar ou se satisfazer com a rotina da burocracia bancária.

Em 1955, ele fundou a primeira agência de propaganda de Mossoró: a Propag, ao lado do jornalista Walter Gomes. No fim dos anos 60, quando os Beatles lideravam as paradas musicais, abriu a boate Snob em Mossoró.Na mesma época, entre 1965 e 1972, o escritor comandava uma agência de notícias: a Serpes Serviços de Promoções e Pesquisas, que publicava as notícias de Mossoró em jornais de Natal, Recife, Fortaleza, Brasília e Rio de Janeiro.

As matérias produzidas pela Serpes, que contou parte da história de Mossoró, estão reunidas em uma coleção de cinco volumes que está preste a ser lançada. Nos cinco livr
os, o escritor vai publicar as notícias sobre a construção da infra-estrutura da cidade; a economia da época, com a perfuração dos primeiros poços de petróleo; a educação, o esporte e a cultura mossoroense, com a fundação das escolas de ensino superior e a construção do Estádio Leonardo Nogueira, que ganhou grama importada da Inglaterra; a organização social da cidade e algumas de suas personalidades mais importantes, e a influência da micro-região de Mossoró na economia do Estado.

Outro lançamento engatilhado, esse com data prevista para o dia do aniversário de 500 anos de descobrimento do Brasil (22/04/00), é o livro Descobrimentos e Colonização Uma odisséia Ibérica (publicada sob o título de Os “herdeiros” de Deus). A obra é uma pesquisa analítica sobre os fatores econômicos que influenciaram as descobertas ibéricas. Esse livro é resultado de uma pesquisa que começou há cerca de 15 anos e tem contribuições de pesquisadores argentinos, colombianos, mexicanos e uruguaios, etc.

Apesar de suas últimas obras se constituírem em incursões históricas, os 17 livros já lançados do escritor tratam basicamente sobre economia. Tomislav é graduado em Ciências Contábeis, Ciências Econômicas e Administração de empresas, com curso de extensão acadêmica em Sociologia e História, mestrado em Ciências Econômicas e pós-graduação técnica em Economia Empresarial.

Aos 60 anos de idade, o escritor comemora as bodas de prata de seu casamento com a pedagoga Goreth Femenick. Há 30 anos, Tomislav reside na área nobre de São Paulo, onde é quase vizinho do presidente Fernando Henrique Cardoso

Sem mostrar interesse em aposentadoria, Tomislav é professor universitário do Unibero Centro Acadêmico Ibero-Americano, lecionando nos cursos de Hotelaria, Turismo, Contabilidade, Administração Financeira e Administração de Sistemas de Informações, além de administrar uma empresa de design gráfico e outra de auditoria e consultoria empresarial.

 

Professor da Ibero-Americana reúne-se com deputada Catalunia

Boletim Unibero. São Paulo, mar. 1998

Em recente viagem a Buenos Aires, o professor Tomislav R. Femenick, titular das cadeiras de ECONOMIA e CONTABILIDADE, nos cursos de Turismo, Hotelaria, Administração Financeira e Bancária, teve oportunidade de reunir-se informalmente com a Sra. Dolors Montserrat I Culleré, depudada do Parlamento da Catalunha, que tem como capital a cidade de Barcelona.

A deputada Dolors Montserrat I Culleré, que pertence ao Grup Popular, e que é integrante do comitê de assuntos e integração Ibero-Americana do parlamento provincial, convidou o professor Tomislav e sua esposa, professora Maria Goreth Femenick, a visitarem Barcelona em julho próximo, quando terão oportunidade de serem apresentados aos outros integrantes do comitê e, também, a professores de universidades locais.

Sedo esta uma instituição que se dedica especial atenção ao estudo das matérias que unem o continente americano à Penísula Ibérica, este encontro de nosso professor com a ilustre deputada foi de grande importância para que possamos aprofundar, ainda mais, as relações da FACULDADE IBERO-AMERICANA com a Espanha e, em particular, com a Catalunha.

No centro a deputada Dolors Montserrat I Culleré (tendo seu marido à esquerda da foto) e o professor Tomislav R. Femenick (com sua esposa, professora Maria Goreth Femenick, à direita).