Category Archives: Inéditos

Textos & Contextos das Palavras

Tomislav R. Femenick 
Seleção de crônicas publicadas em jornais

 

Veja a vida como é. A gente aqui, quando nos aparece o Tomislav. O professor escreve como um nobre inglês, o Charles, ou o ianque Mark. Chega e nos entra com o pé direito com aquela crônica O intelectual conterrâneo, que pra mim foi sua real entrada no folhetim potiguar. E dá um banho mostrando como se é intelectual. Cita Eça, Mattar, FHC, Cascudinho, Vingt-un, Diógenes e nos esverdeia quando sapeca uma linha de Woden Madruga. Como se tudo isso fosse natural, fosse diletantismo.

Nas crônicas sobre o acampamento Leningrado, ele investe tonelada de força contra um ato quando muito não saudável e explica, para quem não sabe, o que realmente foi Leningrado e que melhor seria que o loteamento se chamasse Aurora, Pujança, Cravinote.

Mas ele apareceu mesmo com aquele Uma prosa pra Rosecleide. Peça que tanto pode ser um conto como uma crônica. Francamente, é das melhores peças literárias já escritas neste ano em Natal. Seguramente a melhor do quadrimestre, levando-se em conta a leveza sem pieguice, que mancharia todo o esforço em nos contar a epopéia de Rose. O leitor se comove, sente que há ainda entre nós alguém que vale por uma esperança e não morre na ladeira do querer mostrar, dizer como se faz, querer impor-se pela graça de uma sensibilidade que há ainda. E a crônica sobre o Jeitinho brasileiro o torna emblemático.

E continua mandando abrir a cortina do encantamento em seus artigos. São de encher os olhos. Ele fala de assuntos nossos, como se fossem assuntos nossos mesmo e estivesse, em sua sabedoria simples de mercador, desafiando-nos. Vende tudo, para nosso deleite e felicidade geral dos leitores. Não sei como é que pode um homem desse aparecer assim do nada e, puff, sair derretendo estrelas nas nossas semanas, cheias de segundas-feiras tantas, entre outras de tantos tiros, tantos despeitos, tantas agressões políticas.

É um ilustre intelectual que nos incandesce com crônica fabulosa. O homem com um monograma desses que nós estamos a admirar, não pode mais cair no esquecimento. Tem que andar reto, escrever igual e ser quente. E há de levar a bandeira da terra, no desfile inaugural do comitê olímpico. Feliz de quem pode contar com Tomislav. Não adianta ser contra a ventania, se a ventania é maior, e o tempo de agir muito pequeno. A ventania nos derruba.

É menino nascido e criado ali em Mossoró, parente de Mota Neto e do Padre Mota. É descendente de croata e, durante a Guerra, sofreu aqui mesmo em Jundiaí. Diz isto noutra crônica de arrepiar… Ele nos surpreendeu até no monograma. O Tomislav é professor universitário, pesquisador, historiador e consultor de empresa. Tem medula demais.

Afrânio Pires Lemos

Nele nada é usual. Tudo foge aos padrões normais; é incomum, insólito, estranho ou inabitual. Até aos sete anos não falada nada, embora entendesse quase tudo o que se dizia. Começou a falar e a escrever ao mesmo tempo. Como resultado, falava e escrevia com muitos erros. Aos treze, ainda sem saber escrever direito e para se corrigir, arranjou emprego como repórter no Jornal de Alagoas, órgão dos Diários Associados, na época a maior cadeia de comunicação do país. Aos quinze anos assumiu a sub-secretaria e, entre outras façanhas, entrevistou Juscelino Kubitschek, o general Janari Nunes, presidente da Petrobrás, João Agripino Filho, então secretário geral da UDN e futuro governador da Paraíba, Arnon de Melo, o pai de Fernando Collor de Melo e na época governador de Alagoas e muitas pessoas que fizeram história neste país. Num mesmo dia conheceu Filinto Müller, o temível chefe da polícia política de Getúlio Vargas durante o Estado Novo, e o coronel João Bezerra, o homem que comandou o cerco da grota de Angicos, quando mataram Lampião. Aos dezesseis pediu uma entrevista a Gilberto Freire. Entrevista concedida, perguntas feitas e respondidas em menos de meia hora. Eis que o nosso homem (então uma criança) sacou uma lista com mais de vinte dúvidas sobre duas obras do mestre: Casa grande & senzala e Interpretação do Brasil. Foram mais quatro horas de conversa.

Sua formação é a mais eclética possível: bacharel em ciências contábeis, especialista em economia para executivos e mestre em economia. Não contente, fez extensão em sociologia e história. Seus mestres foram os melhores de cada área: Hilário Franco, em contabilidade; Paul Singer, Guido Mantega e Francisco de Oliveira, em economia; Fernando Novais, em história, e Octavio Ianni, em sociologia todos expoentes máximo de suas respectivas áreas de conhecimento.

Além de jornalista já foi publicitário, bancário, sócio-diretor de agência de notícias, especialista em elaboração de projetos econômicos, auditor, consultor, diretor de seguradora, promotor de eventos no Brasil e nos Estados Unidos, especialista em hotelaria e turismo, perito contábil e professor universitário. Suas publicações (livros, ensaios, monografias, artigos) versam sobre os mais vários assuntos: economia, política, contabilidade, auditoria, orçamento empresarial, custos, hotelaria, turismo e, principalmente, história não história local, regional ou mesmo do Brasil; são sempre sobre assuntos mais amplos: história da escravidão no mundo, da Península Ibérica na baixa idade média, dos descobrimentos, da América, do Rio da Prata etc.

È claro que estou falando de Tomislav Rodrigues Femenick.

Armando Negreiros

 

Notícias de um Tempo: 1 – A INTRA-ESTRUTURA

Tomislav R. Femenick
 Obra inédita - Trechos do Primeiro volume de um total de cinco.

 

Esta obra reúne matérias jornalísticas de minha autoria do, publicadas em vários órgãos de imprensa do país, porém principalmente no Diário de Natal, Diário de Pernambuco, O Povo. Há reportagens do Correio Braziliense, Jornal do Brasil, O Globo, Veja, Banas etc. Todas essas matérias divulgaram fatos de Mossoró, em uma das suas mais profícua e importante fase: os anos 60 e início dos anos 70.

Esse foi o “tempo” em que a cidade fincou base para o seu desenvolvimento, conseguindo água e energia elétrica, criando a ESAM e a Universidade, construindo seus primeiros núcleos habitacionais populares e ampliando os serviços públicos de educação, saúde etc. Outros fatores importantes se juntaram a esses: a descoberta de petróleo, a mecanização das salinas e o início da construção do porto salineiro, a agropecuária seletiva, a ampliação do sistema bancário, a dinamização da indústria local, a chegada da fábrica de cimento, a efetiva implantação do Distrito Industrial, os primeiros planejamento para a indústria do turismo etc.

Em outros campos também havia dinamismo: já tínhamos o eterno Vingt-un lançava livros, João Batista Cascudo Rodrigues implantava seus projetos Rita, Cimosa e ICOP, o saudoso Lauro Monte Filho e o seu TEAM-Teatro Escola Amador de Mossoró apresentava peças teatrais, o também saudoso Manuel Leonardo construía e inaugurava o seu Nogueirão,… e a minha Snob, “o início do refinamento da vida noturna no limiar da caatinga e da praia”, como disse o meu amigo Paulo Macedo.

Mas quem mais se destaca nesse cenário era a figura de Raimundo Suares de Souza, o prefeito que “maestrou” essa orquestra com firmeza e finura. Raimundo foi um empreendedor, mas acima de tudo um poeta. Só os poetas é que vêem os sofrimentos dos sem água, sem luz, sem alfabeto, sem emprego. E o nosso querido amigo prefeito deu água, Liz, ensino e empregos para Mossoró.

Esta obra compreende cinco volumes, cada um deles com aproximadamente quatrocentas páginas. Os jornais Gazeta do Oeste e O Mossoroense já publicaram matérias sobre seus “originais”. A Prefeitura Municipal, através de sua Fundação Municipal de Cultura, a Universidade Estadual do Rio Grande do Norte e a Escola e a Escola Superior de Agricultura e Mossoró se comprometeram com a sua publicação… e depois não sei o que houve. Mas isso foi em janeiro do ano 2000. De lá para cá já devem ter outros planos, estes muito mais importantes.

Antecedendo a sua impressão, resolvi divulgar trechos de algumas reportagens, mesmo sem correção de forma ou conteúdo.

Natal, agosto de 2003.
Tomislav R. Femenick

CONTRADIÇÕES DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Raimundo Soares de Souza, prefeito de Mossoró

O que sempre se temeu, afinal acontece. Aí está um Nordeste cada vez mais pobre, ou pelo menos com crescimento hipertrófico, ao lado de outro privilegiado que vem absorvendo, quase que totalmente, os incentivos fiscais da Sudene (…).

Particularizando o caso do Rio Grande do Norte, a injustiça é tanto mais clamorosa, envolvendo, porém, outras responsabilidades, não mais omissivas. No setor, por exemplo, de energia, cuidou-se com todo empenho de executar um plano de eletrificação que, quase deliberadamente, deixou à parte a zona mais rica do Estado, compreendida na já consolidada microrregião de Mossoró, classificada como pólo de desenvolvimento pela própria Sudene, pelo Serviço Geográfico do Exército e pelo Ministério do Planejamento, por suas notórias influências e irradiações numa vasta área que vai desde o estuário do rio Assu, em Macau, até a Paraíba e baixo Jaguaribe, com o planalto intervalar do Apodi (…).

Na verdade, muito temos a oferecer ao Nordeste e ao Brasil. Basta que se considere que, das cinco matérias primas básicas ao processo de desenvolvimento industrial, temos o sal, o calcário e, provavelmente, o petróleo que, há vários meses forra em plena cidade aguardando uma definição, em termos comerciais, da Petrobrás que estuda o assunto com o maior interesse. O fato revela-se como sinal altamente promissor da presença de óleo em nossa bacia sedimentar. Temos, além disto, uma reserva inesgotável de gipsita, aguardando uma unidade industrial produtora de ácido sulfúrico, deixando o cimento “Portland” como subproduto. Toda uma linha de produção industrial da mais nobre aguarda os incentivos do Poder Público para que se transforme nossa abundante matéria prima em riqueza para o país (…).

Temos absoluta confiança no futuro, por acreditar que, conforme já manifestou o atual Superintendente da Sudene, homem equilibrado, justo e patriota, uma reformulação dos antigos critérios do órgão possa eliminar as negativas contradições de nosso desenvolvimento. – Diário de Pernambuco – 23.06.1968

ÁGUA

Mossoró e a Batalha da água – I
FALTAM QUALIDADE E QUANTIDADE NA ÁGUA FORNECIDA AOS MOSSOROENSES

Água é o maior problema de Mossoró. Com 80.000 habitantes na sede do Município, a principal cidade do interior potiguar vê-se a braços com um grande problema: a falta do “precioso líquido”. Enquanto isso, cresce a demanda ao produto, o que torna a sua escassez ainda maior. O progresso da cidade, o aumento constante do seu perfil demográfico e a industrialização cada vez maior exigem água; pedem cada vez mais água.

CONDIÇÕES ATUAIS – O Serviço de Água de Mossoró, do Departamento Estadual de Saneamento, é o principal fornecedor do líquido à população e à indústria local. Não obstante, está capacitado para apenas 1.000 ligações quando existem atualmente 1.560 (100 desligadas temporariamente), o que provoca um racionamento em dias alternados e um fornecimento precário. Mesmo trabalhando 24 horas diariamente, as instalações da estação de tratamento, a usina matriz, a rede de recalque somente podem fornecer 2.800 metros cúbicos por dia.

A ORIGEM – Nos períodos em que o rio Mossoró permanece corrente, a água para abastecimento da cidade é captada diretamente dele, sendo que quando o rio seca, o líquido é extraído de 11 poços tubulares, insuficientes para atendem à demanda da cidade, pois que sua capacidade máxima de evasão é de apenas 1.000 cúbicos, quando o fornecimento, mesmo em condições precária, deveria ser de 2.800.

Em 1958 foram iniciadas as perfurações de 6 novos poços para o Serviço de Água de Mossoró, não obstante estes ainda não foram concluídos por falta de recursos, embora o material necessário já exista em poder do Serviço, faltando apenas dinheiro para a mão-de-obra. Caso este ano a precipitação pluviométrica nas nascentes do rio Mossoró não lhe forneça condições de cheia suficiente até o próximo inverno, o abastecimento de água entrará em colapso, fornecendo água apenas de três em três dias.

A QUALIDADE – Se há problema quanto a quantidade, também o há quanto à qualidade. O tratamento que ela recebe é muito simples e rudimentar: melhorada quanto à pureza, permanece pesada e com sabor desagradável. As instalações (técnicas) do Serviço de Água de Mossoró estão capacitadas apenas para adição de cloreto de cálcio e sulfato de alumínio à água bambeada do rio ou dos poços, passando-a, depois, por um processo de filtragem simples.

O QUE SE BEBE – Além de escassa e cara (mais cara do que a de Natal e já se fala em novo aumento), a água fornecida pelo Serviço de Água de Mossoró não se presta ao consumo humano.. Ela só apresenta condições para uso de outros tipo. A água que se bebe em Mossoró é de cisterna. Porém, apesar de contar com elevado número de cisternas, estas não podem atender a demanda por água potável de seus proprietários nos períodos de estiagem mais longa, até nos anos não tipicamente caracterizados de seca. Além do mais, não se pode pensar em cisternas em ternos de consumo para toda a cidade – seria impraticável, pelo lado técnico e econômico; não recomendável, pela lado da saúde pública.

POÇOS OU RESERVATÓRIOS – Há longos anos os políticos falam na construção de um grande reservatório, capacitado para perenizar o rio Mossoró e fornecer água de qualidade e em quantidade suficiente à população. Seria o Açude de Santa Cruz. Agora apresenta-se mais um item a este grande problema: a perenização prejudicaria o parque salineiro dos Municípios de Mossoró, Grossos e Areia Branca – com a permanência de água doce no rio Mossoró provocaria a sua dessalinização.

A solução prevista pelos técnicos da Prefeitura Municipal de Mossoró e por organismos de âmbito estadual e federal, aponta a perfuração de poços profundos, que atinjam a camada do arenito, onde existiria um lençol freático de grandes proporções. Algumas perfurações (exploratórias) já estão sendo feitas (…).

POPULAÇÃO POBRE – Se a cidade sofre, se todos sofrem com a falta e com a péssima qualidade da água fornecida em Mossoró, é a população pobre a que mais sofre. Nos bairros da periferia da cidade nem os canos do Departamento Estadual de Saneamento chegam. Para os pobres existem apenas 18 chafarizes (muitos deles construídos na atual administração municipal), algumas cacimbas públicas e muitas particulares, serviços de bolandeiras e carroças-pipas (estas últimas transportando água do rio, sem tratamento e altamente prejudicial à saúde), que substituem o serviço de abastecimento domiciliar. Não é outro o motivo do alto índice de doenças gastrointestinal incidente nessa parcela da população da cidade. – Diário de Natal – 01.03.1997

Mossoró e a Batalha da água – II
SERVI
ÇO DE ÁGUA ATENDE SÓ A DEZ POR CENTO DA POPULAÇÃO DA CIDADE

– “Água e esgotos sanitários são os mais agudos e urgentes problemas de Mossoró, cidade que, contando com oitenta mil habitantes, dispõe de um serviço de abastecimento que atende, há mais de sete anos, a apenas 10% da população e um sistema de fossas ultrapassado e anti-higiênico, que é um aspecto negativo do atual desenvolvimento do nosso Município” – declarou o prefeito Raimundo Soares à reportagem associada.

Continuou: “Tratando-se de um problema cuja solução está fora da capacidade financeira do Município, encaminhamos, no primeiro mês de governo, à SUDENE o exame do assunto, logrando sensibilizar o então superintendente João Gonçalves de Souza, a Divisão de Saneamento Básico e a CAENE-Cia. de Água e Esgoto do Nordeste, com a qual firmamos convênio. Em decorrência desse trabalho, obtivemos a inclusão dos serviços de ampliação da rede de abastecimento de água e de implantação de esgotos em Mossoró no plano prioritário de obras de saneamento do governo federal, estabelecido em decreto. Já no II Plano Diretor da SUDENE foram destinados recursos para esse fim, reproduzidos no III Plano Diretor, além de verbas consignadas no Orçamento da União”.

OS RECURSOS – Perguntado sobre o montante desses recursos, declarou-nos o prefeito mossoroense: – “Somavam cerca de oitocentos milhões de cruzeiros velhos, que evidentemente não cobrem o custo estimado das obras, ao redor de 3 bilhões. Mas, com eles a CAENE promoveu a atualização dos projetos, a cargo do Escritório Saturnino de Brito (em fase final de elaboração), o projeto de viabilidade econômica e contratou com a CONESP, outra subsidiária da SUDENE, a perfuração de poços tubulares profundos para aumento do manancial da cidade”.

AS SOLUÇÕES – Com relação às soluções viáveis para a falta de água em Mossoró, disse o sr. Raimundo Soares: – “Duas soluções foram examinadas: uma, a médio prazo, a construção do Açude de Santa cruz que, disciplinando o curso do rio Mossoró, torna-lo-ia permanente, resolvendo o problema do manancial que nos falta; e outra, a curto prazo, exigida pelas condições precarissimas do sistema atual, onde, na época mais aguda do verão, a partir de novembro, uma lata de água é obtida até por 300 cruzeiros, obrigando grande faixa da população a utilizar água do rio e de poços rasos, caracterizada por um alto grau de poluição. Partimos para a solução heróica e o petróleo veio perturbar nosso trabalho, que se tornou mais demorado”.

ÁGUA DO ARENITO – Falando sobre a água do arenito, disse o prefeito: – “É sabido que a bacia sedimentar de Mossoró, uma das mais ricas do Brasil sob o aspecto hidrológico, constitui um reservatório abundante, sendo o arenito Assu tido como mais produtivo que o de Dakota do Sul, onde existem em funcionamento cerca de 15.000 poços artesianos. Esse arenito está situado na profundidade de 500/600 metros. A opinião generalizada é a de que cinco poços profundos, que alcançassem a água do arenito, assegurariam uma vazão capaz de garantir o abastecimento para uma população de 200.000 habitantes”.

AS PERFURAÇÕES – A CONESP, com recursos do SUDENE, está perfurando um poço com aquela finalidade. Outro está sendo pelo DNOCS, que muito tem ajudado no programa de água para o Município de Mossoró, sobretudo na zona rural.

Um terceiro, com as mesmas características, está sendo perfurado pela CASOL. E agora, sob supervisão da Petrobrás, uma sonda moderna, rotativa, do Departamento Nacional de Produção Mineral, do Ministério de Minas e Energia, encontra-se em operação na localidade Panela do Amaro, onde um poço está sendo perfurado, cuja sonda acha-se a setecentos metros de profundidade, já jorrando água abundante e de excelente qualidade.

O QUE SE FAZ – Continuando, declarou o nosso entrevistado: – “Esse o trabalho de quase quatro anos, em que a atual administração do Município de Mossoró se empenhou para solucionar o problema. Tivemos a ajudar de todos os órgãos citados, notadamente da SUDENE, através dos recursos já liberados. O importante, porém, é que o Superintendente Rubens Costa, durante sua última viagem do aos Estados Unidos, obteve financiamento de US$ 25.000,000 do Banco Interamericano de Desenvolvimento, para o programa de saneamento básico em várias cidades nordestina. O projeto de Mossoró está ali incluído, dependendo apenas do resultado do estudo de viabilidade econômica, a cargo da CAENE. Eis o que temos feito para resolver o problema da falta de água e esgotos em nosso cidade. Aqui apresentamos apenas uma pálida idéia do esforço, da luta, do sacrifício que uma questão dessa envergadura exige da dedicação do homem público que se dispõe a aceitar os desafios da região. Somos, os que trabalham os trabalhamos (e não foram poucos), gratos às perspectivas que hoje se abrem à solução do problema, sem pretender nada mais que a satisfação de encontrar a solução que já está à vista, imposta exclusivamente pelo nosso dever, em benefício do grande povo mossoroense” – concluiu o prefeito Raimundo Soares de Souza. – Diário de Natal – 04.03.1967

Mossoró e a Batalha da água – III
DESDE SUA INAUGURAÇÃO NÃO HOUVE AMPLIAÇÃO DO SERVIÇO

– “As instalação do Serviço de Água de Mossoró não receberam nenhuma ampliação, desde a inauguração de suas atuais instalação técnicas. Há muito tempo que sabemos da necessidade de aumento da necessidade de aumento da capacidade das usinas, da rede de recalque, da estação de tratamento e da própria rede de distribuição. As atuais instalações foram planificadas para atender a população mossoroense em 1959, época de sua implantação” – estas foram as palavras do sr. José Marinho dos Santos gerente do Serviço de Água de Mossoró, do Departamento de Saneamento do Estado.

– “Com o aumento da população era de se esperar que, paralelamente, tivesse havido um aumento da capacidade de fornecimento por nossa parte. O crescimento da cidade exige, hoje, um fornecimento de água muito maior do que a nossa capacidade de atendimento”.

A MANUTENÇÃO – Acrescentou o sr. José Marinho que “a nossa repartição se mantém com a sua própria receita, a qual deve cobrir todas as despesas efetuadas com pessoal, material químico empregado na purificação, decantação e filtragem do líquido, bem como com combustível, luz, força e as outras coisas necessárias ao seu funcionamento, As vezes dá-se o caso atrasarmos os nossos compromissos, porém isso só ocorre quando outras repartições públicas atrasam na liquidação de suas contas para conosco” (…).

QUALIDADE E QUANTIDADE – Falando sobre a possibilidade para um aumento substancial do volume de água para fornecimento à população e para uma boa qualidade desse mesmo produto, continuou o sr. José Marinho dos Santos: – “Somente com a captação de água de poços profundos, como esse do Ministério de Minas e Energia perfurado no sítio Panela do Amaro, ou com a construção do reservatório do Açude Santa Cruz, a 72 quilômetros de distância da cidade, é que teremos água suficiente e boa para os mossoroenses”. – Diário de Natal – 06.03.1967

Mossoró e a Batalha da água – IV
ÁGUA É PERIGO PARA CRIANÇAS: MOSSORÓ

– “Muito embora se rejeite o líquido fornecido pelo Serviço de Água de Mossoró para o consumo humano, ele pode ser utilizado para isso. O tratamento a que é submetido, torna-o livre de impurezas. No entanto, o fato dessa água conter uma elevado proporção de substâncias calcárias e um sabor bastante desagradável cria no povo a impressão de que a mesma á água impura” – disse ao Diário de Natal o sr. Jair Nogueira Lima, médico diretor do Centro de Saúde.

MORTANDADE INFANTIL – A população pobre de Mossoró usa, com mais freqüência, para o próprio consumo água do rio ou de cacimbas rasas. Calcula-se que essa fator possa ser responsável por um processo que resulta no elevado índice de mortandade infantil, que a cidade apresenta. Sobre o assunto, disse o entrevistado: – “Não resta dúvida que a ingestão de uma água não tratada, por um organismo cuja defesas estejam diminuídas, ou não totalmente desenvolvidas, representa certo perigo para quem recebe, mormente se se falar em termos de população infantil. Nesse caso o perigo é tanto maior quanto menor for a idade da criança”.

ÁGUA DE CISTERNAS – Se a água de beber dos pobres é a retirado do rio ou das cacimbas rasas, aqueles que podem possuem cisternas. Falando sobre esse meio de armazenamento de águas de chuva, disse o sr. Jair Nogueira: – “Muito maior perigo acha-se representado pelo consumo de água de cisternas, cuja vedação não seja perfeita, principalmente considerando-se as condições peculiares da cidade sem rede de esgotos, como é Mossoró. Aqui abundam as fossas destinadas ao despejo de dejetos, raramente impermeabilizadas e quase sempre próximas às cisternas. Essa situação propicia a contaminação das águas das cisternas, através da porosidade natural do solo e de insetos. Este fato ocorre com uma freqüência muito maior do que se supõe, haja visto a alta incidência de parasitas intestinais entre a população da região, assim como a disenteria bacilar, principalmente no seio da população infantil”.

FALTA TÉCNICA – “O sistema de tratamento de água, utilizado pelo Departamento de Saneamento do Estado em Mossoró, é um sistema padrão – continuou o diretor do Centro de Saúde. Ressentindo-se apenas de falta de técnicos capacitados e especializados em controle químico e bacteriológico do líquido. Sabemos que, não obstante o esforço do pessoal que atualmente trabalha no Serviço de Água de Mossoró, não existem condições de que se consiga algo melhor sem a presença de um técnico especializado no assunto. Além disso, necessitamos que a água fornecida à população venha de outras fontes que não o rio, que ali se concentra uma série de impurezas que contamina a água e que exige processos de purificação que a torna pesada e de mal gosto”. – Diário de Natal – 08.03.1967

Mossoró e a Batalha da água – V
RURALISTA MOSSOROENSE É ETERNO “HOMEM COM SEDE”

Se na sede do Município a falta de água é um problema sério, pois que apenas 10% de sua população é abastecida pelo Serviço de Águas de Mossoró, muito mais grave apresenta-se o panorama rural.

Como Mossoró possui uma rede de Açudes muito pequena, a zona interiorana do Município tem que captar o líquido de poços pouco profundos, que atingem o lençol freático do subsolo. Dentro dessa vivência é o ruralista (este termo foi empregado no sentido de identificar o produtor rural; o agricultor, o pecuarista) mossoroense um eterno “homem com sede”. A água que ele consegue tem que ser dividida entre a sua sede pessoal e de sua família, a sede dos trabalhadores da fazenda e de seus familiares, bem como a sede do seu gado. Além disso, os produtores mais abastados têm uma preocupação a mais: repartir sua água com os vizinhos.

ÁGUA DURA – Aqui não existe um grande número Açudes, entre outras razões porque a maior parte do solo mossoroense tem formação de calcário. Este fato faz com que a região não se preste para nela se construir Açudes de grande porte ou mesmo em grande quantidade. Geralmente apela-se para a solução dos poços que atinjam a água subterrânea (localizada abaixo da placa de calcário), porém essa não possui boa qualidade. É a chamada água dura, de aspecto salobro, de gosto ruim e, além de tudo, de quantidade pouca.

O homem e o gado, a gosto ou a contragosto, bebem esse líquido por falta de opção. No entanto, muitas variedades de plantas a rejeitam, tornando o campo pouco produtivo em épocas de estiagem.

POÇOS PÚBLICOS – Há muitos anos os prefeitos mossoroenses se preocupam com a falta de água para a população e para as atividades rurais. Já na década de vinte, foram perfurados poços no interior do Município.

Atualmente existem cerca de sessenta poços públicos, sob administração da Prefeitura Municipal de Mossoró, instalados em distritos, núcleos, povoados e fazendas. Trinta novos estão sendo instalados. Muitos deles são equipados com motobombas, compressores, cata-ventos ou bombas manuais. Alguns (muito poucos) têm casa de máquina e reservatórios. A Prefeitura matem um Serviço de Poços, com 56 funcionários, incluindo os residentes nos locais de captação do líquido.

QUEM AJUDA – Diversos organismos ajudam os ruralistas mossoroenses na batalha pela água: a CASOL, o DNOCS e a própria municipalidade. Ainda existem em funcionamento, sob administração da Prefeitura, poços perfurados pela antiga Inspetoria Federal de Obras Contra a Seca, autarquia que foi posteriormente transformada no atual DNOCS-Departamento Nacional de Obras Contra a Seca.

A Cia. de Água e Solo do Rio Grande do Norte-CASOL fez diversos contratos com proprietários rural para perfuração em suas terras, com uma cláusula segundo a qual esses poços sejam também para uso dos moradores vizinhos e adjacentes. Esses contratos foram realizados principalmente no Distrito de Baraúnas e no núcleo de Alagoinha. A CASOL também perfurou poços públicos, visando minorar a falta de água no campo.

A CONESP, uma subsidiária da SUDENE, o DNOCS e a CASOL assinaram diversos contratos com a Prefeitura para perfuração de novos poços e para recuperação de poços que se encontram paralisados ou mortos. Esses convênios já apresentam algum resultado positivo e espera-se que eles continuem.

AINDA É POUCO – Não obstante esse trabalho que se realiza, o qual não deixa de ter seu mérito, ainda se faz pouco para matar a sede do homem do campo em Mossoró. Em se falando de água, não se pode pensar em termos de apenas o mínimo necessário para a sobrevivência. Não se pode negar o trabalho que é realizado, mas também não se pode esquecer a população que aumenta e o desenvolvimento agrícola que é tolhido porque falta água. Quando a população cresce, há necessidade de água para o consumo humano, quando a economia rural se desenvolve há necessidade de água para as plantações e para os animais de cria e corte que, têm por fim a alimentação dessa mesma população. Em Mossoró o problema é mais cruciante quando se sabe que nunca houve água, se não abundante, pelo menos em quantidade suficiente para as próprias necessidades premente de atendimento ao consumo das pessoas. – Diário de Natal – 09.03.1967

Mossoró e a Batalha da água – VI
MAIS DE CEM ANOS DE SEDE; AGORA EXISTE ESPERANÇA

A escassez de água é uma presença perene na história desta região e deste povo. Desde a presença de colonos ou viajantes pela região que viria a ser o Oeste Potiguar, que a falta de água é um registro constante. De passagem pela região do que viria a ser a cidade de Mossoró, em 1810, o viajante-aventureiro Henry Koster (filho de ingleses e nascido em Portugal), descreve situação características desse problema: rio seco, abandono de terra pela falta de fontes de água, água salobras retiradas de cacimbas. Fazenda, arraial, vila, paróquia e Município, a situação não mudou. Em 1965, bebia-se água de cacimbas e de raras cisternas que coletavam as águas pluviais. Em 1877, vitimada pela grande seca, a população teve que ser socorrida por uma Comissão de Socorros Públicos

Podemos dividir a história do abastecimento de água à população de mossoroense em quatro fases: a dos pioneiros, a dos “planificadores”, a dos “implantadores” do atual Serviço de Água de Mossoró e a presente. Destaque-se que nunca houve suficiência do líquido nesta região do Estado.

A luta pela água, em Mossoró, vem de há mais de cem anos. Desde o tempo do DA fazenda e arraial de Santa Luzia que os seus habitantes se preocupam com o assunto, numa busca contínua pela solução de como matar a sede e atender a outra necessidades básicas, só atendidas, se não pela abundância, pelo menos pela existência do precioso líquido.

RESERVATÓRIO – Data de 1917 o primeiro estudo realmente importante sobre o assunto. Naquele anos Guilherme Browne indicava como solução a construção de um reservatório no rio Upanema, no local Tabuleiro Grande, localizado a cerca de dez ou doze quilômetros da sede do Município. Ali deveria ser construída a represa que abasteceria a cidade e a população circunvizinha, inclusive para atividades agrícolas e pecuárias.

Desta época consta o trabalho de diversos mossoroenses pela concretização desde projeto, alguns propondo modificações na proposta inicial, mas sempre tendo como base o estudo de Browne. Jerônimo Rosado, Francisco Vicente Cunha da Mota, entre outros, eram batalhadores pela efetivação do projeto. Como alguns proprietários de terras que seriam desapropriadas não concordaram com a idéia e lutaram pelos seus direitos individuais, muito embora contra o s interesses coletivos, tempos depois o projeto foi substituído pelo projeto da construção do Açude de Santa Cruz, em local distante a mais de quarenta quilômetros da sede do Município. Esse foi a época dos pioneiros.

O PROJETO – Na etapa seguinte teve participação primordial o então prefeito da cidade, Luiz Cunha da Mota, o Padre Mota. Do seu trabalho e esforço é que resultou o estudo e esboço completo que serviu de base para o atual Serviço de Água de Mossoró. Durante a sua administração é que foram efetuados os estudos para a implantação dos serviços de água e esgotos da cidade. Esses projetos foram realizados com recursos da Municipalidade, contando apenas com pequena ajuda do governo do Estado.

No dia 6 de fevereiro de 1945, o padre Luiz Mota, autorizado pelo então interventor do Estado do Rio Grande do Norte, general Antonio Fernandes Dantas, assinou com o Escritório Satunino Brito, do Rio de Janeiro, o contrato para elaboração dos projeto de abastecimento de água e coleta de esgotos de Mossoró. O sistema de fornecimento de água compreendia: adução de água, numa base de 150 litro por habitantes (com capacidade de atendimento de uma vez e meia da população então existente, ou seja, prevendo-se o seu crescimento até cinqüenta por cento), projeto de purificação de água, de construção de reservatórios e esquema de redes de recalque e de distribuição e, ainda, a projeção de suprimento futuro. A coleta de esgotos contemplava: redes coletoras, delimitação dos bairros atendidos (inclusive prevendo a expansão urbana), técnicas de emissão dos dejetos, locais de centralização da coleta, sistemas de tratamento e descarga.

A IMPLANTAÇÃO – A Dix-Sept Rosado e a Duodécimo Rosado deve-se a efetivação do projeto do Padre Mota, com a implantação do serviço de distribuição de águas atualmente servindo ao Município. Ainda como prefeito, Dix-Sept Rosado batalhava pela solução do problema. Como governador, morreu a procurá-la, pois que o desastre de que foi vítima deu-se quando ia ao Rio de Janeiro para, entre outros assuntos, manter entendimentos com o Banco do Brasil, visando conseguir financiamento para o projeto de águas para Mossoró. Silva Pedrosa, como governador do Rio Grande do Norte, construiu e inaugurou o Serviço de Água de Mossoró, subordinado ao Departamento de Saneamento do Estado.

CEM ANOS DEPOIS – Hoje, a batalha continua. Amanhã, ela continuará. O mossoroense tem cem anos de sede. Desde o início de sua existência que toma água salobra, contaminada ou salobra e contaminada. Agora abre-se um novo horizonte, uma nova perspectiva. Descobriu-se água boa e em quantidade suficiente até para mais do que a população da cidade necessita atualmente. Mas, muitos investimentos têm que ser feitos. A rede de distribuição é precária e insuficiente; bairros inteiros existem que não possuem sequer um metro de cano do serviço público; quatro novos poços profundos têm que ser perfurados a mais de setecentos metros de profundidade; uma adutora tem que ser construída para trazer o líquido até uma estação de tratamentos ou caixas centrais; as escolas, os hospitais, hotéis, restaurantes, as residências e as indústrias não podem ficar com torneiras secas; as cisternas têm que ser abolidas e evitados os parasitoses; as crianças não podem viver com o perigo de morrer, cada vez que bebem água.

OS QUE TRABALHAM – Nesta série de reportagem, procuramos sempre por em evidência os trabalhos e realizações do Departamento de Hidrogeologia do Ministério de Minas e Energia, do DNOCS, da CASOL, da CONESP, da CAENE e da Prefeitura Municipal de Mossoró. No entanto nota-se que às soluções procuradas falta entrosamento. É o caso de se perguntar: muito bem, encontramos água, e agora? O problema exige solução imediata, porque a falta de água não é de agora, e de há mais de cem anos. Não há mais tempo para esperar. – Diário de Natal – 13.03.1967

MOSSORÓ TERÁ FORNECIMENTO DOMICILIAR DE ÁGUA MINERAL

MOSSORÓ (Serpes) – A Cia. de Águas e Esgotos do Nordeste-CAENE, subsidiária da SUDENE, iniciou os trabalhos de ligação do Poço do Triângulo com as caixas de água, nos reservatórios centrais da cidade. Logo que seja terminada a ligação direta para a rede de recalque da linha adutora existente, será fornecida água mineral para a população da cidade. O prazo previsto para o término do serviço é o dia 12 de janeiro próximo.

Segundo convênio assinado entre a SUDENE, governo do Estado e a Prefeitura de Mossoró, a rede de distribuição domiciliar do Serviço de Água de Mossoró será ampliada, ficando a execução das obras a cargo da CAENE. Todo o material técnico para utilização os trabalhos será fornecido pela SUDENE (e já estão chegando), não se sabendo, todavia, a data prevista para o seu início. Caberá à Prefeitura Municipal arcar com as despesas de mão-de-obra.

TRABALHOS – A montagem e instalação da motobomba que fará o suprimento da linha adutora já estão concluídas, faltando apenas a ligação dos equipamentos com a linha de recalque. Os serviços estão sendo efetuados em ritmo intenso. A equipe de trabalhos está dividida em três turnos, que trabalham dia e noite.

Com água captada a 909 metros de profundidade, jorrando a uma temperatura de 52 graus centígrados, o poço de água mineral recebera o nome de Marechal Artur da Costa e Silva. Sua inauguração está prevista para o dia 22 próximo, pelo próprio presidente da República, quando de sua visita a Mossoró. Vale ressaltar que Mossoró será uma das poucas cidades brasileiras a ter rede de distribuição domiciliar de água mineral, de primeira qualidade. – Diário de Pernambuco – 17.12.1967

COSTA E SILVA INAUGURA POÇOS DE ÁGUA EM MOSSORÓ (Resumo)

MOSSORÓ (Serpes) –Chegou ontem a esta cidade o presidente Costa e Silva, acompanhado do ministro Costa Cavalcanti, das Minas e Energia, e numerosa comitiva (…). O presidente chegou a Mossoró pouco antes das 13,00 horas, mas já a partir das 11,00 horas grande massa de povo de aglomerava no aeroporto e no local onde o primeiro mandatário do país inaugurou o poço artesiano que tomou o seu nome (…).

PRESIDENTE COSTA E SILVA INAUGURA OBRAS EM MOSSORÓ (Resumo)

Grande parte desta reportagem, distribuída pela Agência Nacional (órgão encarregado de divulgar as notícias de interesse do governo federal), teve como base matéria escrita pelo autor e remetida, via telegráfica, para as redações dos jornais Diário de Pernambuco, em Recife, e O Povo, em Fortaleza. “Não se sabe” como a Agência Nacional teve acesso à reportagem original e incorporou parte dela (com alguns acréscimos laudatórios) ao noticiário que distribuiu à imprensa nacional. Somente transcrevemos a parte que foi escrita pelo autor.

MOSSORÓ (Agência Nacional) – O presidente Artur da Costa e Silva (…) dirigiu-se (…) para Mossoró, onde presidiu várias inaugurações.

O chefe do governo (…) deslocou-se para o triângulo ferroviário, a fim de inaugurar o poço Costa e Silva, cuja água se assemelha, de acordo com análises, às águas minerais de melhor qualidade. O chefe pôs as mãos nas águas que escorriam em várias sangria da rede condutora do líquido, sob grande ovação popular. Descerrou, na oportunidade, a placa alusiva à inauguração. No local discursos o ministro de Minas e Energia, general Costa Cavalcanti, ressaltando a importância da obra. Em seguida, o presidente da República dirigiu-se ao bairro de Bom Jardim, onde inaugurou outro poço, denominado de Ministro Costa Cavalcanti. No local, o presidente Costa e Silva, emocionado, pôs novamente suas mãos no líquido, até há pouco escasso naquela região. – Diário de Pernambuco – 23.12.1967

MOSSORÓ CONTINUA COM RACIONAMENTO DE ÁGUA POR CAUSA DA BUROCRACIA

Por causa dessa matéria, mais especificamente por ter citado a inauguração do serviço de abastecimento de água, feita pelo presidente Costa e Silva, e a persistência dos “canos secos”, fui chamado a Natal e a Recife, para prestar esclarecimentos às autoridades competentes (como se dizia na época dos governos militares). A Natal fui acompanhado do deputado Vingt Rosado e do prefeito Raimundo Soares; a Recife fui com o prefeito. Segundo os oficiais do exercito que me interrogaram, a reportagem era uma “tentativa de envolver o nome do presidente da república em um problema insolúvel, (…) visando subverter a ordem pública, (…) jogando o povo contra o governo”. O argumento do prefeito (e também advogado) Raimundo Soares foi de que o próprio texto da reportagem dizia outra coisa. Se faltava água era por causa da burocracia, não por culpa dos governantes, ele mesmo também governo, talvez o que poderia ser mais responsabilizado. Tudo ficou resumidos a interrogatórios, sem inquérito, sem nada mais. Hoje, com a democracia normalizada, posso dizer que foi só chateação. Mas que foi um grande susto, foi.

MOSSORÓ (Serpes) – Água boa, água mineral, uma das melhores do Brasil, mas… nem todo dia há. Assim é o Serviço de Águas de Mossoró: ótima qualidade e irrisória quantidade. Localizada na região semi-árida que apresenta mais características da caatinga do que do litoral, a cidade de Mossoró há mais de um século vive o seu problema de falta do líquido essencial. O rio que banha as suas terras tem vazão sazonal e, mesmo quando corre, tem alto teor de dureza, provocado pelo calcário existente em suas margens e na própria estrutura do seu leito.

O ABASTECIMENTO – Nas primeiras décadas deste século, algumas pessoas da cidade procuraram resolver em parte o problema da água (pelo menos no que diz respeito a quantidade), organizando a Cia. de Águas de Mossoró, a qual perfurou poços de pequena profundidade, construiu reservatórios e estendeu uma rede de distribuição na cidade. Mas a água era salobra.

Quase cinqüenta anos depois, o governo do Estado, pelo seu Departamento de saneamento, organizou o Serviço de Água de Mossoró, que não atende nem a metade da população e cujos canos somente passam nas ruas centrais. De lá para cá a cidade mais do que duplicou – em recente estudo da SUDENE Mossoró aparece como a cidade nordestina de maior índice de crescimento, com uma taxa de 7,8% ao ano. No
entanto, até hoje o Serviço de Água não aumentou a sua canalização.

O RACIONAMENTO – Como era de se esperar, de uns anos para cá foi oficialmente estabelecido p racionamento de água em Mossoró. Dia sim, dia não, há falta de líquido em determinados ramais da rede de abastecimento. Hospitais, escolas, restaurantes, residenciais, tudo e todos “entram pelo cano”, quando vão a procura de água. Enquanto isso, o prefeito Raimundo Soares, por conta da Prefeitura, fez a abertura de vários chafarizes para atender aos bairros mais pobres e voltaram à paisagem local as carroças pipas e as “roladeiras”. E o governo do Estado fugia do assunto da distribuição de água em Mossoró.

PESQUISA – Há 18 meses vêm sendo feitas prospecções em terras de Mossoró, objetivando a localização de um lençol subterrâneo de água. A CAENE, a CONESP, a CASOL e o Ministério de Minas e Energia fizeram diversas perfurações e a água foi encontrada em quantidade quase infindável e de qualidade superior à esperada pelos próprios técnicos. Para quem tem sede há tanto tempo nem era necessário ser tanta e tão boa. Foi com imensa alegria que o mossoroense recebeu a notícia e, quase que incrédulo, ele passou a sonhar com água muito e muito boa em sua residência. As donas de casa não mais teriam a preocupação de marcar os “dias de água” nas folhinhas do calendário, as crianças poderiam tomar banho a qualquer hora e a cidade teria jardins regados com água mineral. Era sonho, não era quimera, iria acontecer. Era só questão de dias. Poucos dias mais.

AS TORNEIRAS SECAS – É, não era sonho. Era quimera mesmo. Nada mais do que sonhos irrealizados. As torneiras continuam secas, as folhinhas continuam com os “dias de água” assinalados, os jardins iniciados pereceram e só a qualidade do líquido mudou. O racionamento continua.

O presidente da República veio a Mossoró inaugurar o novo serviço de abastecimento da cidade. Houve foguetões, salva de 21 tiros, banquetes, mas ainda há falta de água. Isso aparentemente é inexplicável e o mossoroense procura entender o fato e só encontra uma possível causa: ganha a batalha pela localização da água, agora é a vez de se ganhar a luta contra os papéis.

DINHEIRO HÁ – Em agosto do ano passado a Cia. de Águas e Esgoto do Nordeste-CAENE, empresa subsidiária da SUDENE, já havia incluído em seu orçamento a importância de NCr$ 400.000,00, para os trabalho de perfuração de poços em Mossoró.

Agora, com os resultados das pesquisas feitas diretamente pelo Ministério de Minas e Energia, o prefeito mossoroense solicitou e conseguiu que aquele órgão deslocasse referida verba para os serviços de aproveitamento dos poços perfurados pelo Ministério de Minas e ampliação da atual rede que faz o abastecimento de água na cidade de Mossoró. Ainda com relação ao problema de água e esgotos da cidade, o dr. Raimundo Soares foi informado pela CAENE que o Banco Interamericano de Desenvolvimento havia aprovado uma verba de NCr$ 3.000.000,00, parte da qual seria vinculada aos referidos serviços.

UTILIZAÇÃO DAS VERBAS – Recentemente o prefeito mossoroense esteve com o superintendente da SUDENE, tratando da imediata utilização da verba já liberada de NCr$ 549.000,00, destinada ao serviço de água da cidade. Em contato com o governo do Estado, o chefe do executivo mossoroense fez os acertos necessários para uma fusão dos esforços da SUDENE e governo estadual e municipalidade, para utilização dos poços profundos aqui perfurados, tendo em vista o atendimento da demanda local.

E por ai vai a batalha burocrática, a luta contra os papéis, para vencer o tempo perdido e, só de vez em quando, as dificuldades naturais. Enquanto isso, perde-se milhões de litro de água por dia, escorrendo dos poços e correndo pelas sarjetas das ruas, porque somente um deles esta ligado a rede de abastecimento domiciliar do Serviço de Água de Mossoró. – O Povo – 17.02.1968

ENERGIA ELÉTRICA

MOSSORÓ SOB AMEAÇA DE FICAR SEM ENERGIA DE PAULO AFONSO

MOSSORÓ, 10 – Está ameaçada a chegada da energia de Paulo Afonso a Mossoró. Depois de muitas lutas e anos de trabalho, quando finalmente a CHESF tem projeto concluído e a União incluiu em seus orçamentos verbas para a execução do projeto, quando a SUDENE tem verbas liberadas e material comprado, de repente estoura a “bomba”: ainda não é desta vez que Paulo Afonso vai chegar a Mossoró.

PROJETO – O projeto elaborado levaria a energia da CHESF a Mossoró através de Assu, e todo o planejamento está sendo feito neste sentido. Sabe-se, agora que o sr. Apolonto Sales, presidente da CHESF, estaria tentando desviar a rota e levar a energia através da cidade de Russas, no Ceará. Isto levará a uma alteração dos planos que acarretará nova demora na execução. Uma demora de aproximadamente cinco anos para a chegada da energia que se esperava neste ano.

PROVIDÊNCIAS – Diversas autoridades tem procurado impedir que o boato seja confirmado e o projeto através de Russas executado. O prefeito Raimundo Soares telegrafou a órgãos federais e à SUDENE comunicando o fato e pedindo providencias. Dois representantes do nosso Estado no Congresso, srs. Vingt Rosado e Dinarte Mariz, falaram pessoalmente com o presidente da CHESF, que teria negado a intenção do desvio por Russas. Entretanto fontes, não oficiais da SUDENE confirmaram que o caminho da energia elétrica de Paulo Afonso para Mossoró está em vias de ser mudado, para passar por Russas ao invés de Assu. – Diário de Natal – 11.03.1967

LUZ DE PAULO AFONSO PARA MOSSORÓ

MOSSORÓ, 17 – Regressou a esta cidade o prefeito Raimundo Soares, após Ter mantido entendimentos em Recife com autoridades governamentais, durante o período em que o Presidente Costa e Silva ali manteve o governo federal. Na sua viagem foi acompanhado pelo Deputado Vingt Rosado, que o secundou em quase todos os contatos realizados.

ELETRIFICAÇÃO – No setor de eletrificação, foi assinado convênio entre a Sudene e o Serviço de Eletrificação Rural do Nordeste (SERNE), para realização da rede de eletrificação rural dos vales dos rios Assu e Mossoró. No caso do vale do rio Mossoró, (segundo nos informou o sr. Emerson Azevedo) haverá um repasse para a Cia. Melhoramento de Mossoró S/A (COMEMSA), a qual aplicará a parcela que lhe couber dos NCr$ 1.000.000,00 constante do contrato realizado. O serviços serão iniciados a dois de setembro próximo.

No departamento de eletrificação da Sudene, o prefeito fez gestão para que sejam liberado mais NCr$ 150.000.00 para que tenham prosseguimento dos trabalhos de substituição elétrica desta cidade. Ainda no setor de eletrificação, o Prefeito Raimundo Soares recebeu das mãos do Presidente Costa e Silva, no Palácio dos Campos das Princesas, a importância de NCr$ 20.000,00 a ser aplicada em cursos de cooperativismo rural, vistas a breve instalação da rede de distribuição de luz e força nos vales do Açú e Mossoró. – Diário de Natal – 17.08.1967

ESTAÇÃO ABAIXADORA DE MOSSORÓ EDIFICADA EM RITMO ACELERADO

MOSSORÓ (Serpes) – A cidade de Mossoró prepara-se para receber, dentro em breves dias a energia de Paulo Afonso, no dia 22 de dezembro, num trabalho conjunto entre a SUDENE e a CHESF, cujos serviços estão de intensificando dia a dia. Calcula-se que em fins do corrente mês esteja concluída toda obra.

TESTES PREVISTOS – O Sr. Emerson Azevedo, diretor presidente da Companhia Melhoramento de Mossoró S.A. (COMEMSA), empresa subsidiária dos serviços energéticos da cidade, declarou que não a possibilidades de haver adiamento de inauguração da energia de Paulo de Afonso, tudo depende apenas da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (CHESF), entregar a energia vinda de Paulo de Afonso quatro ou cinco dias antes, para os devidos testes.

Todo o serviço de “posteação” e da rede elétrica do centro da cidade já foram concluídos, faltando apenas o término da “posteação” e rede elétrica da zona urbana, que serão terminados nos próximos dias.

Salienta ainda o Sr. Emerson Azevedo, que apôs a inauguração serão mudados todos os transformadores que contiver 2.300 volts, por transformadores novos com 13.800 volts, devido a ciclagem antiga que era de 50 ciclos passar a ser de 60 ciclos. Para essas modificações toda cidade sentirá a falta de energia elétrica durante dois ou três dias, após as solenidades de inauguração. Salienta, ainda, que apesar do prazo estimulado ser um pouco restrito, os trabalhos ficaram prontos em tempo.

A construção da subestação, que está sendo edificada à margem da rodovia Mossoró-Areia Branca, encontra-se bem adiantada e é administrada pela SUDENE e CHESF. – O Povo – 06.12.1967

PAULO AFONSO VAI CHEGAR A MOSSORÓ ATÉ FIM DO ANO

MOSSORÓ, 8 – Paulo Afonso está sendo como que um passe mágico em Mossoró. Tudo aqui se move, se faz, se pensa e já se realiza em termos da energia que a Cia. Hidroelétrica do São Francisco vai fornecer à cidade. Parece uma força a mover a vida da cidade. Toda a comunidade espera pela vinda dos fios que já atravessam as zonas do sertão e do agreste e estão achegar até Mossoró. Foi preciso que dois Estados fossem atravessados pela rede da CHESF, para que esta viesse até aqui.

CUSTA, MAS CHEGARÁ – De há muito vem a luta para que Mossoró receba a energia de Paulo Afonso. Dirigentes, políticos, empresários, padre e estudantes, participam da batalha. Antes, individualmente, agora juntos em torno do Centro das Industriais do Estado do Rio Grande do Norte, entidade que tem sede em Mossoró, os industriais locais vem lutando de toas as maneiras para conseguir este objetivo. Em todas as frentes eles estão a pedir, solicitando, exigindo e indo, no Congresso Nacional, na Eletrobrás, na SUDENE e até na própria CHESF, fazem ver a necessidade desta cidade receber a energia que tem impulsionado o Nordeste. Afinal de contas, Mossoró também é Nordeste e, aqui, é localizado o maior parque salineiro do país. Por outro lado, o sal, as águas residuais a eletricidade podem gerar soda cáustica, um dos produtos básicos para a industria brasileira e com a importância do qual se gasta muito dos nossos poucos e preciosos dólares.

O ENCONTRO – Segundo consta, estaria sendo estudado pela SUDENE e pela Cia. Hidro-Elétrica do São Francisco um projeto para transformar Mossoró o ponto de encontro dos sistemas de eletrificação do Ceará e do Rio Grande do Norte. Isso evitará a possibilidade de falta de luz e força nesses Estados, em caso de rompimento de cabos de uma das duas direções, pois haveria um fechamento do circuito energético, como um suprimento de emergência.

Sabe-se que, ocasionalmente, tem havido falta de energia de Paulo Afonso, até mesmo em Natal e Fortaleza, motivada por defeitos nas linhas de transmissão que suprem essas capitais e outras cidades. Esses encontro dos dois sistemas seria uma solução para casos dessa natureza.

DISTRITO INDUSTRIAL – A atual administração do município criou, há aproximadamente dois anos o distrito industrial do município para funcionamento em modalidades modernas e adequadas às comunidades de produção. Dentro das condições de infra-estrutura para organização do DI, destaca-se em sua planificação o fornecimento de energia elétrica barata e economicamente recomendável. Somente mediante a utilização de energia hidráulica pode-se conseguir essa meta. Tão logo cheguem a Mossoró os fios da CHESF no dia 22 próximo a Municipalidade e a empresa concessionária do serviço de luz e força farão uma rede de transmissão até o Distrito Industrial. Desta maneira, a luz de Paulo Afonso integrar-se-á no processo de desenvolvimento de Mossoró.

NO SAL – Desenvolvendo a economia regional, essa energia elétrica também deverá ser fator participante do complexo industrial do sal que, aqui, poderá ser formado e ampliando por ela. Além da soda cáustica, do potássio, do cloro, do sódio, do magnésio e do gesso, uma infinidade de outros produtos e subprodutos poderão ser extraídos do sal e das águas residuais (águas mães) das salinas localizadas na região compreendida pelos Municípios de Mossoró, de Grossos e Areia Branca. Não obstante, para que processos especiais de industrialização, como os exigidos para a obtenção desses elementos , sejam postos em prática é essencial à existência de energia elétrica abundante e barata. Paulo Afonso criará essas condições.

PORTO – Em fins do ano passado e início de 1967, o governo federal resolveu, enfim, equacionar o problema dos portos salineiros do Rio Grande do Norte. Daí surgiu a autorização para os estudos das viabilidades técnicas dos portos de Areia Branca, localizado na foz do Rio Mossoró e de Macau, localizado na foz do Rio Assu.

No caso o porto de Areia Branca, que beneficiará diretamente toda a região oeste do Estado, qualquer das alternativas encontradas para as modalidades de sua construção e futuro funcionamento, ficará na dependência da utilização de energia elétrica. Este angulo do problema se amplia quando se sabe que, obrigatoriamente, deverá ser construído um teleférico para transporte do sal das salinas até o costado do navio, em alto mar, ou até os armazéns de um porto oceânico ou continental, conforme seja o caso. Este teleférico mover-se-á à energia elétrica.

ZONA RURAL – O INDA (Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário), que tem como seu atual presidente Dix-huit Rosado Maia, prepara-se também para aproveitar as oportunidades que serão oferecidas ao Município. Este organismo do Governo Federal já possui elaborado um completo plano de eletrificação rural para a bacia do Rio Mossoró, partindo da sede deste e espalhando-se por outros Municípios vizinhos.

A importância desse plano destaca-se mais ainda, quando sabemos que a região oeste do Rio Grande do Norte (o local da bacia do Rio Mossoró) é uma das mais áridas do Estado e, também, uma das que mais freqüentemente sofrem inundações, muito embora isso possa parecer paradoxal. Com a eletrificação rural, poder-se-ão utilizar modernos meios de irrigação à base de captação de água do subsolo, ao mesmo tempo em que evitar-se-á proliferação dos Açudes mal construídos e com paredes inseguras, uma das principias causas das inundações. Afora esse fator, outros de origem econômicas, mesmo de modernização de trabalho e das condições de vida, abrirão novos horizontes e darão novas perspectivas ao homem e ao trabalho do campo.

REGIÃO – De maneira geral, a vinda da energia elétrica de Paulo Afonso beneficiará a toda região. Os Municípios vizinhos serão também eletrificados; todos por onde a rede passar. Daqui, linhas subsidiarias seguirão para outras cidades. No projeto haverá bifurcação da linha. A zona Oeste do Rio Grande do Norte poderá, inclusive, mudar seu ritmo de vida, suas normas e mentalidade econômica, política e social com o simples advento da luz de Paulo Afonso.

A SUBSIDIARIA – Nesta cidade, a concessionária do serviço de luz e força é a COMEMSA – Companhia Melhoramentos de Mossoró S/A, empresa que foi organizada pela Prefeitura, e que era o seu principal acionista, com completo controle acionário. Muito embora não mais esteja nas mãos da municipalidade, a empresa ainda continua controlada pelo governo, porém agora pela União através da SUDENE.

A COMEMSA vai distribuir a luz da CHESF em Mossoró. Atualmente, já prepara toda a rede de distribuição da cidade, substituindo-a totalmente por fiação, posteação e luminárias novas. Este trabalho vem se processando em ritmo acelerado, sendo esperada a sua conclusão para antes do fim do ano.
Diário de Natal – 09.08.1967

COSTA E SILVA INAUGURA OBRAS EM MOSSORÓ (Resumo)

MOSSORÓ. Diante da Escola Superior de Agricultura de Mossoró, onde se encontrava grande massa popular, realizou-se o ato de inauguração das linhas de transmissão da CHESF, ligando Paulo Afonso à Mossoró e a várias outras cidades do Rio Grande do Norte. Após discursar o presidente da Companhia Hidroelétrica do São Francisco, sr. Apolônio Sales, o chefe da nação, acionou o botão que ligou Mossoró ao sistema da CHESF. – Diário de Pernambuco – 23.12.1967

VINTE ANOS FAZENDO O PROGRESSO DO MUNICÍPIO

Desde 1926, os serviços elétricos de Mossoró foram explorados por várias concessionárias, as quais foram incorporados pela Companhia Melhoramentos de Mossoró, em 1948. A partir desse ano, a COMEMSA ganhou a concessão para distribuir a energia elétrica da cidade e, em 1952, no Município de Mossoró, pelo prazo de 30 anos. Constituída como empresa de economia mista, cuja maior acionista era a Prefeitura Municipal. Em 1963, fez-se a elevação para 6 mil cruzeiros novos, atingindo, dois anos depois, a noventa mil e oito cruzeiros novos, já com a inclusão de recursos oriundos do Governo Federal, através da SUDENE, e convertidos em ações desta sociedade de economia mista. Apenas decorrido outro ano, o capital social da COMEMSA alcançava o total de 196 mil e oito cruzeiros novos, cabendo à SUDENE a parcela altamente representativa de 190.008 cruzeiros novos, ou seja, 96% do total.

EQUIPAMENTO – O equipamento elétrico da COMEMSA veio a operar, de início com dois grupos geradores de 300 HP, instalados em 30 de setembro de 1949. Com a crescente demanda de energia, foram adquiridas duas outras unidades, de 300 e 450 HP, em fins de 1951. Os recursos financeiros mobilizados foram da esfera própria, levantados na Carteira Agrícola e Industrial do Banco do Brasil S.A., agência local. Tais geradores entraram em atividade regular a partir de 30 de setembro de 1952.

Outro financiamento foi obtido junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, para novamente ampliar a sua capacidade geradora e expansão da rede distribuidora (postes, transformadores, cabos etc.). Adquirida nova unidade, com 1.000 HP, entrou em funcionamento em 30. 09. 57, sendo esse segundo empréstimo pago com amortização proporcionada pelos 50% dos recursos da coto federal do imposto de renda, entregue anualmente a parcela correspondente à Prefeitura Municipal de Mossoró. Aí já se dispunha da unidade nº 5, de sua usina geradora. Posteriormente, programada nova ampliação da oferta de energia na cidade de Mossoró, sob os auspícios da SUDENE, fez-se a aquisição de uma unidade diesel de 2.000 HP, peças sobressalentes para reequipamento das unidades de serviço, bem como ainda a aquisição de um rotor sobressalente para possibilitar sua mudança de freqüência para 60 ciclos por segundo, quando da chegada da linha tronco da CHESF a Mossoró. No esquema financeiro planejado, o Ministério de Minas e Energia entregou á COMEMSA a quantia de 19 mil e seiscentos cruzeiros novos, com a participação da própria SUDENE e provenientes de recursos previstos no Orçamento daquele Ministério para o ano de 1961 (…).

No último ano houve a inauguração dos serviços elétricos de Tibau, através de funcionamento de dois geradores com capacidade de 100 Kw e de custo da ordem de NCr$ 110.000,00 com a participação significativa do Ministério de Minas e Energia, no montante de NCr$ 100.000,00 (Cem Mil Cruzeiros Novos). A COMEMSA partiu para a ação promotora de desenvolvimento do turismo na Micro-Região de Mossoró, dotando aquele pitoresco recanto, encravado no vizinho Município de Grossos. O ano de 1967 termina com a integração definitiva da empresa ao sistema da Cia. Hidro-Eletrica do São Francisco, com a inauguração da subestação de Mossoró, em 22 de dezembro. – Diário de Pernambuco – 23.06.1968.

PORTO SALINEIRO

A ILHA DO SAL

Apesar das salinas do Rio Grande do Norte (o maior produtor nacional), de Alcântara, no Maranhão, ou de Cabo Frio, no Estado do Rio, vez por outra, o Brasil importa sal. Este é um dos inúmeros paradoxos da nossa economia. É certo que a causa importações é o processo de produção, que continuam sendo dos mais primários, tanto do ponto de vista e econômico quanto do humano e, portanto, do social. Entretanto é no sistema de embarque, transporte e desembarque do cloreto de sódio que se encontra o verdadeiro nó górdio dessa questão (…).

Diante desse problema, que pede atitudes urgente e integrada, parece que as autoridades resolveram adotar a técnica das soluções tópicas, isoladas – uma para cada caso. Em relação ao transporte do sal, por exemplo, decidiu-se pela construção de uma ilha oceânica, localizada no litoral do Rio Grande do norte. Seu objetivo será permitir o acostamento de navios de até 100 mil toneladas “dead weight”. Se considerarmos que atualmente o acostamento nos portos de embarque só permitia a utilização ou emprego de navios de até 25 mil TDW, temos que o avanço é grande: representa quadruplicar a capacidade de transporte.

A ILHA ARTIFICIAL – O porto-ilha será construído no litoral do norte-rio-grandense, a cerca de quinze quilômetros de Areia Branca (aproximadamente 10 milhas). Terá 150 metros de comprimento, por 66, de largura. Seu custo está orçado em NCr$ 19.170 mil, e o prazo de construção prevista é menos de três anos, pois deverá estar concluída a 19 de maio de 1970. Com a sua construção a média de carregamento de sal, que atualmente é de 800 toneladas por dia, com o uso de barcaças, será elevada para 1.500 toneladas por hora. A ilha comportará um estoque permanente de 90 mil toneladas. Um navio de 25 mil TDW, que leva hoje trinta dias para ser carregado, o será em cerca (limite máximo) de 20 horas. É um salto gigantesco (…). – Globo – 13.10.1967

ASSINADOS CONTRATOS DOS TERMINAS SALINEIROS DO RIO GRANDE DO NORTE

Esta matéria resultou de uma junção de uma reportagem do autor e de outra distribuída pela Meridional, a agência de noticias pertencente aos Diários Associados

RIO/NATAL (Meridional-DP) – O ministro dos transportes, coronel Mário Andreazza, assinará hoje à tarde os contratos de construção dos terminais salineiros de Areia Branca e Macau, ambos no Rio Grande do Norte, com a TERSAL-Terminais Salineiros de Areia Branca S.A. – e a TERMASA-Terminais Salineiros de Macau Sociedade Anônima. Os dois terminais objetivam movimentar, cada um, 1.500.000 toneladas anuais de sal a granel, em 1985, e atender aos diversos produtores dá região, representando um investimento global de 40.487.000 cruzeiros novos.

AREIA BRANCA – O terminal de Areia Branca será construído de uma ilha artificial, podendo armazenar 90 mil toneladas de sal a granel situada a 10 milhas a nordeste de Areia Branca, em área adjacente a um canal natural com 18 metros de profundidade. O local escolhido para a implantação da ilha tem entre 6 e 7 metros de profundidade e distância 150 metros de canal. Uma frota de barcaças, autopropulsadas de 200 toneladas TDW e de 60 toneladas TDW assegurarão a transferência do sal das salinas para a ilha, garantindo o embarque, nas salinas de 200 toneladas por hora, e a descarga na ilha, de 500 toneladas por hora.

Um carregador de navios ficará localizado numa das margens do canal, capaz de receber navios de até 40.000 TDW, inicialmente, e navios de até 100.000 TDW futuramente, e assegurar o embarque, pela esteira transportadora, que transferirá o sal da ilha até os porões, à razão de 1.500 toneladas/hora, permitindo que um navio adequado ao transporte de sal a granel seja carregado entre o máximo de 36 horas e o mínimo de 24 horas. Um sistema mecânico automático operará na ilha, proporcionando o descarregamento de 500 toneladas de sal por hora, e a formação de pilhas de sal lavado e não lavado e dos equipamentos destinados à movimentação da esteira transportadora; central elétrica; depósito de combustíveis e os prédios destinados à administração. O montante do investimento é de NCr$ 19.800.000,00 (…).

CONTRATOS – Os contratos a serem firmados hoje pelo ministro dos Transportes, são parte do “Protocolo Básico de Convenção e Compromisso Mútuo”, assinado pelo Governo com os industriais salineiros do Rio Grande do Norte, em 11 de maio de 1967, com base nos estudos da Comissão dos Terminais Salineiros, criada em 1965 pelo então Ministério de Viação e Obras Públicas, hoje Ministério dos Transportes. Esse “Protocolo” definiu os terminais como de caráter prioritário, bem como decidiu que sua construção seria entregue à iniciativa privada, com o Governo, através de seus órgãos competentes, assegurando financiamentos e os avais necessários (…). – Diário de Pernambuco – 10.05.1968

TÉCNICOS ESTRANGEIRO INICIAM OS TRABALHOS DE CONSTRUÇÃO DO PORTO

MOSSORÓ (Serpes) – O presidente Costa e Silva assinou o ato referendando a concessão dos portos salineiros de Areia Branca e Macau. Anteriormente a concessão foi assinada, em protocolo, pelo ministro Mário Andreazza e os industriais salineiros potiguares, estes reunidos em duas sociedades especialmente formadas para explorar os referidos portos, a TERSAL-Terminais Salineiros de Areia Branca S/A e a TERMASA-Terminal de Macau S/A. A construção destas duas unidades de embarque representará um grande passo para a economia salineira do país, solucionando um dos pontos de estrangulamento nesse setor de produção.

ESTUDO E TRABALHO – Enquanto se processam as tramitações burocráticas, já se realizam os trabalhos práticos para a construção imediata do porto de Areia Branca, o que mais importância apresenta no quadro do escoamento do sal do Rio Grande do Norte, o maior produtor brasileiro desse produto. Equipes técnicas norte-americanas e francesas fazem estudos especializados de prospecção geofísica e de estrutura para a edificação de uma ilha artificial em pleno oceano Atlântico. A obra é de tal envergadura técnica que o Boletim Mundial de Construção (World Bulletin of Construction), publicação editada simultaneamente em Nova Iorque e Londres, a aponta como uma das mais inovadoras obras de engenharia do mundo, em fase do projeto.

A ILHA – Em recente conferência pronunciada perante a Escola Superior de Guerra, o industrial Antonio Florêncio de Queiroz, presidente da TERSAL-Terminais Salineiros de Areia Branca S/A, assim descreveu o porto ilha: “O sistema consiste na armazenagem de regularização ao largo, numa ilha artificial, permanentemente alimentada por barcaças de 600 toneladas, vindas diretamente das estações de carregamento das salinas. Da ilha para o navio, o carregamento será feito por esteiras transportadoras, com capacidade de 1.500 toneladas/hora, podendo ser elevada quando a demanda o exigir, por meio de aumento da velocidade d alteração do ângulo das esteiras”.

Prosseguindo em sua palestra, disse o industrial norte-rio-grandense: “Para um plano que preveja uma ilha artificial em alto mar, é desejável combinar uma suficiente profundidade para o acostamento dos navios com águas adjacentes relativamente rasas para baratear o custo das obras civis. Do estudo de cartas hidrográfica e outros dados, resultou a localização de um ponto, a 11 quilômetros da costa, que atende a esses requisitos. Assim, esta ilha, de 150 metros de comprimento por 66 metros de largura, será construída em um ponto de seis metros e meio a sete metros e meio de profundidade, adjacente a um canal natural de navegação de 16 a 21 metros de profundidade, que permite atracação de navios de até 100.000 TDW”.

Falando sobre o sistema operacional do porto, prossegui: “O descarregamento das barcaças será feito à razão de 600 toneladas por hora, com o uso de dois guindastes, tipo ponte rolante, dotados de caçambas automáticas que se moverão ao longo das vigas e que efetuarão a pesagem e o empilhamento do sal. A alimentação das esteiras transportadoras, que conduzirão o sal aos porões do navios, será feita através de tremonhas móveis ao longo da pilha, enchidas por meio de duas pás mecânicas de grande capacidade. Com velocidade inicial de carregamento e 1.500 toneladas por hora, poderá carregar um navio de 25.000 TDW em apenas um dia, enquanto hoje ele é carregado em aproximadamente 35 dias. A grande capacidade de estocagem (90.000 toneladas) da ilha elimina qualquer possibilidade de atraso dos navios, além de permitir que, se necessário, uma das barcaças fique fora de serviços para reparos ou manutenção. O sistema ilha/barcaça oferece grande flexibilidade e conveniência em acomodar um gradual aumento de produção, quaisquer que sejam os moldes em que isso ocorra”, finalizou. – Diário de Pernambuco – 03.09.1968

Notícias de um Tempo: 2 – Atividades Produtivas

Tomislav R. Femenick
 Obra inédita - Trechos do Segundo volume de um total de cinco.

AGROPECUÁRIA

OS GRAVES PROBLEMAS QUE DESAFIAM OS MOSSOROENSES

MOSSORÓ, 18 – Atendendo a convocação feita pelo prefeito Raimundo Soares e pelo senador Duarte Filho, estiveram reunidos em Mossoró representante das classes produtoras, os presidentes do Centro das Indústrias do Rio Grande do Norte e da Associação Comercial de Mossoró, além dos representantes do Lions Club, do Rotary Club e de diversas associação classistas desta cidade. Na reunião, aberta pelo senador Duarte Filho, foram tratados assuntos de interesse de Mossoró e da região oeste do Estado. O assunto, contudo, que mereceu destaque foi o problema do algodão, em virtude de sua má posição atual, como fonte produtora de recursos. Lembrou-se, então que, enquanto o nosso Estado produz cerca 180 quilos por hectares, a produção de São Paulo atinge 900 quilos. Este fato deixa o Rio Grande do Norte sem condições de concorrer no mercado algodoeiro com o produto paulista, em virtude do custo de nossa produção ser muitas vezes superior, em virtude da produtividade ser muitas vezes inferior.

CUSTO E VENDA – O problema é de tal ordem que, em média, o agricultor norte-rio-grandense despende a importância de noventa e cinco a cem mil cruzeiros para o cultivo de um hectares de algodão, enquanto o preço de venda, em São Paulo, só alcança o valor de sessenta e cinco a setenta mil cruzeiros. Para tal disparidade concorrem diversos fatores, sendo que um dos mais importantes é a falta de técnica de plantio, que é feito desordenadamente e sem a adubação adequada.

GERGELIM E ALGODÃO – Visando minorar a crise por que passam os produtores e maquinistas de algodão do Estado, principalmente da região oeste, aventou-se a possibilidade de substituir, por alguns anos, o plantio de algodão pela cultura do gergelim, produto de que se extrai um óleo de largo emprego em muitas indústrias nacionais.

Entretanto essas empresas não estão em condições de consumir um grande produção de óleo de gergelim, atualmente. Esse fato não seria um elemento impeditivo para a implantação dessa cultura agrícola, desde que são grandes as possibilidades que ela oferece para exportação (…). – Diário de Natal – 18.01.1967

MOSTRA AGROPECUÁRIA DE MOSSORÓ SERÁ A MAIOR DE TODO O NORDESTE

MOSSORÓ (Serpes) – A coordenação da VII Exposição de Animais e III de Máquinas Agrícolas de Mossoró recebeu, da agência local do Bando do Nordeste do Brasil S/A, comunicação de que este estabelecimento de crédito ficará a disposição dos ruralistas para financiar as compras realizadas durante o evento.

O comunicado do BNB esclarece que o total dos financiamentos poderá atingir um montante de NCr$ 400.000,00 (quatrocentos milhões de cruzeiros velhos), sendo que NCr$ 300.000,00 serão destinados à operações com compra e venda de gado e NCr$ 100.000,00 para negociação de máquinas agrícolas.

A MAIOR – A VII Exposição de Animais e III de Máquinas Agrícolas de Mossoró, que será realizada ainda no decorrer do presente mês de setembro, pelo número de inscrições de pecuaristas já feitas, será a maior mostra agropecuária da região. Dela participarão expositores do Rio Grande do Norte, do Ceará, da Paraíba, de Pernambuco, de Alagoas, de Sergipe e da Bahia. De anos para ano vem havendo uma gradativa seleção de animais, o que tem contribuído para o êxito alcançado pela mostra.

Como nos anos anteriores, este ano espera-se que os maiores planteis e os melhores exemplares de animais sejam, novamente, dos expositores tradicionais campeões Otoni Maia, Dix-huit Rosado (presidente do INDA-Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário), Antonio de Medeiros Gastão, Clóvis Miranda, Tarcísio Maia (presidente do IPASE) e outros, que na certa desejam superar os êxitos das exposições passadas. – O Povo – 24.09.1967

FALTA DE CRÉDITO, DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E DE INCENTIVOS REDUZIRAM CAMPO OPERACIONAL DO “OURO BRANCO” DO RIO GRANDE DO NORTE

No setor agrícola é a cultura de maior importância econômica do Estado do Rio Grande do Norte. No entanto, até hoje, pelo menos na Microrregião de Mossoró, não há um sistema definido desta cultura.

O agricultor, entregue à sua própria sorte, planta de acordo com a sua concepção e experiência, que nem sempre são positivas. Em terrenos com as mesmas características uns plantam o algodão herbáceo, poucos cultivam o arbóreo e a maioria dá preferência às sementes não selecionadas, ou seja, a uma mistura de sementes de algodão mocó, verdão e branco, resultando disso uma hibridação profundamente prejudicial à fibra. Os primeiros visam ao safrejamento (termo usado no oeste do Rio Grande do Norte para designar o plantio feito objetivando tirar o máximo rendimento, logo nos primeiras colheitas ou no mesmo ano) em toda sua plenitude, no mesmo ano, enquanto que os outros são realmente os mais esclarecidos, mais hábeis nas conclusões de suas observações e de maiores recursos financeiros. Os últimos visam ao safrejamento no primeiro ano e à vida longa da planta.

Por essa desordem três causas são responsáveis: falta de um órgão técnico de orientação eficiente, ausência de sementes selecionadas na época do plantio (as que há são poucas e caras) e carência de conhecimento dos agricultores. O espaçamento no plantio do algodão é outra questão ainda indefinida e não disseminada nesta região.

PRAGAS E MECANIZAÇÃO – O combate às pragas ainda é incipiente. Só se tem combatido – e precariamente – o curuquerê. Entretanto há outras pragas tão perniciosas s quais, por ignorância, não são combatidas. Em determinados anos, do fim do inverno (época das chuvas) para o começo do verão (época do calor) a folhagem do algodoal sofre uma mudança de coloração, sinal do ataque do “vermelhão”. Supõe-se que os agentes causadores dessa doença sejam os pulgões ácaros. O fato é que o algodoal, assim atacado, enfraquece e perde muito de sua produtividade. A praga nunca foi combatida. A mecanização da lavoura é, também, muito precária. Raríssimos são os agricultores que têm tratores com os necessários implementos. A grande maioria não pode comprar esse importante instrumento de trabalho.

Apesar de todas esses deficiências técnicas, o algodão da região de Mossoró é de boa qualidade, gozando de Dom conceito nos mercados consumidores nacional e estrangeiro, o que prova que temos solo e condições climáticas próprias para produzir fibra de excepcional qualidade.

TÉCNICA & FINANCIAMENTO – Segundo conclusões do relatório “O Desenvolvimento Econômico do Nordeste do Brasil”, apresentado pelo economista Stefen H. Robock às Nações Unidas, “a escassez de técnicos e o nível geralmente baixo de conhecimentos técnicos constituem os principais obstáculos ao desenvolvimento do Nordeste Brasileiro”. Felizmente estamos acordando deste marasmo em que permanecemos por muito tempo. Aqui já se cuida de preparar técnicos com conhecimentos especializados. E a lavoura algodoeira vai se beneficiar disso.

Quanto ao crédito agrícola porém, há contradição na opinião dos agricultores. Uns acham que os financiamentos concedidos pelas carteiras dos bancos oficiais são satisfatórios; outros os consideram deficientes.

Há um outro problema para o qual não se pode ficar omisso: a precariedade das estradas que ligam Mossoró ao seu hinterland. Este fato, além de dificultar o transporte do algodão entre o produtor e as empresas maquinistas, atua em detrimento da rentabilidade econômica do agricultor, sobre quem recai o custo da entrega do algodão vendido.

COMERCIALIZAÇÃO – A primeira fase da comercialização é realizada entre os agricultores e as empresa maquinistas (as descaroçadoras e enfardadoras). Os maquinistas de Mossoró têm disseminadas pelo interior do Estado, nos pontos mais estratégicos e convergentes, agências compradoras e algumas usinas de descaroçamento de algodão. Este sistema de trabalho é adotado visando, principalmente, fazer a ligação direta da firma compradora com o produtor, para evitar, tanto quanto possível, a ação dos intermediários. Por falta de compreensão do próprio agricultor, não se tem conseguido grande êxito neste particular. Todavia, os resultados têm apresentados uma melhora gradual, de ano para ano (…).

Do meado da safra em diante, ocasião que a falta de dinheiro é gritante, ocorre o inverso da medalha, isto é, os produtores só conseguem vender o algodão a prazo de 30, 60 e até 90 dias, desde que assim permitam as condições dos vendedores. Nestas operações os compradores pagam ágio sobre o preço do dia, correspondente à juros. E o resultado disso? Simplesmente, por incrível que pareça, o Nordeste, esta região subdesenvolvida, por vias indiretas está financiando a indústria têxtil do sul do país.

A outra face da comercialização do produto envolve as empresas maquinistas e a indústria têxtil, nacional ou internacional. O algodão em pluma da região é, também, escoado para o exterior. As vendas para exportação obedecem a um regime de preços mínimos, determinados pela governo, através da CACEX-Carteira e Comércio Exterior, do Banco do Brasil. As vendas para o mercado esterno são difíceis e diminutas, porque raramente se consegue obter dos compradores europeus os tais limites mínimos.

Para o mercado nacional o algodão em pluma é vendido a prazo que varia d 120 a 130 dias, sendo que as vendas são realizadas para embarques futuros, parcelados conforme a escola de consumo mensal dos compradores. E não se tem esperança de que essas condições sejam modificadas. Isso porque, além de se constituírem um praxe, pelos reflexos da crise por que atravessam as fábricas de tecidos não haveria meios de se alteram o sistema. Por outro lado, o Nordeste não possui outra fonte compradora.

Em resultado dessa situação – mercado interno sem elasticidade, compradores com pouco recursos e demanda externa reduzida – de ano para ano vem sendo reduzido o volume de capitais envolvidos no financiamento da safra do algodão. Logo nos primeiro meses de movimento, os limites operacionais dos bancos oficiais são tomados. Dai em diante se fica na expectativa do rodízio do crédito: a liquidação dos primeiros títulos descontados, abre margem para novos descontos. – Diário de Pernambuco – 23.06.1968

AGRICULTOR DO NORDESTE TERMINA COM DOR NO PESCOÇO DE OLHAR PARA AS NUVENS À ESPERA DE CHUVA

O pecuarista do Oeste Potiguar é um verdadeiro herói, porque luta contra a natureza, a falta de incentivos, de interesse dos governantes e, principalmente, de meios para aumentar o rebanho e, conseqüentemente, sua rentabilidade. Com as condições limitadas, pela falta de pastagens e de água, e ainda tendo que adquirir, por preços proibitivos, ração para alimentar o gado, tem de enveredar em outro campo de atividade para subsistir, a não ser que faça da criação um passa tempo.

FORMAÇÃO – A inadequação da terra para o plantio de forrageira (capim, xiquexique, macambira ou cardeiro) e, ainda, a ausência de chuvas e a quase impossibilidade de adquirir água fazem com que o pecuarista seja um homem cheio de problemas e eternamente preocupado. A plantação de capim requer grande investimento de capital, pois o terreno terá que ser devidamente preparado, coisa um tanto difícil, porque falta o financiamento público. A engorda por confinamento ainda é experiência quase desconhecida.

VOZ DA EXPERIÊNCIA – Todo o Rio Grande do Norte conhece Silvestre Veras Barbosa, ou simplesmente o coronel Silvestre, dono de dez mil hectares de terra, duas mil cabeças de gado e tantos empregados, que “para saber quantos lhe servem” tem que forçar a memória.

O coronel Silvestre – que anualmente viaja para o sul do país, conhece vários países da América e está projetando uma excursão à Europa – é o mais típico dos sertanejos. Possuindo dois automóveis, último modelo, jamais viajou, na sua cidade, nos veículos, pois prefere o cavalo, que considera “mais seguro”. Seu método é simples e objetivo. Do rebanho, tira anualmente, cerca de 500 cabeças para engorda, que lhe dão boa rentabilidade.

REALIDADE – Na sua fala mansa e característica de homem rude do sertão, diz aos amigos que “o sertanejo é um eterno homem com sede, que se arrisca a ficar com dor de pescoço de tanto olhar para o céu à espera de chuva”.

– “Seu moço, às vezes, no terraço da casa grande vejo um fiapinho de nuvem escura e digo de mim para mim que vai chover. Qual nada. O vento leva a nuvem e o sol volta quente e abrasador a queimar tudo. Nessa terra só há sol, capim queimado, areia quente, gado magro a mugir com fome e sede e nós bestas para lutar. Criar gado, num sertão deste, é negócio pra homem, homem macho”, disse-nos o coronel Silvestre a conversar, não deixando de blasfemar, de criticar a natureza e de pedir clemência a Deus.

DE CORTAR CORAÇÃO – No alpendre da casa senhorial, na Fazenda Monte Efraim, o coronel Silvestre olha o horizonte, solta uma praga e reinicia a conversa: “Todo dia, a pisada é a mesma, tratar do gado é uma obrigação. O diabo é que faltam os meios. A torta tem um preço tão alto que entorta a gente e a terra é ruim. É duro tirar água e comer da terra seca. Não há pastagem natural e não pudemos deixar o gado solto, porque se ficar solto no mato não volta mais. Como dói na alma ver os bichinhos com fome e sede, a mugir. É duro seu moço, a vida do campo”.

FALTA DE INCENTIVOS – Em 1960, a população pecuária dos municípios da região mossoroense, era de pouco mais de 400 mil cabeças, representando 20% do total do Estado, e era constituída, principalmente, de caprinos, ovinos e bovinos. A população de caprinos predominava em seis dos municípios. Em Assu, porém, a de bovinos era a primeira com 28%, e Carnaúbas, prontificava a de ovinos, apresentando a mesma percentagem.

O município que tinha maior participação no rebanho da área era Carnaúbas, com 32,5% do total. Em seguida, vinham os municípios de Assu, Apodí e Augusto Severo com cerca de 17% cada um. Mossoró não se destaca como criador, participando naquele ano apenas 8,7% do total da área.

Como área para o presente trabalho, que foi resultado de uma pesquisa do Banco do Nordeste do Brasil, foram considerados apenas os município de Mossoró, Assu, Apodí, Areia Branca, Augusto Severo, Carnaúbas, Grossos e Upanema, cujos distritos sede distam em Mossoró menos de 100 quilômetro. As novas comunas de Carnaúbais, Felipe Guerra, Governador Dix-sept Rosado, Janduís e Paraú, desmembrados de Assu, Apodí, Mossoró, Carnaúbas e Augusto Severo, respectivamente, também foram considerados, muito embora não tenham sido discriminados, pois o estudo foi baseado em dados anteriores a sua institucionalização.

COMPRA E VENDA – A cadeia de comercialização se encontra estabelecida há muitos anos pela tradição. Essa cadeia é muito fechada em redor de um grupo que torna difícil a criação de um novo elo. Os criadores, ou fazendeiros, estão localizados, parte no Rio Grande do Norte parte no Ceará. São procurados pelos “boiadeiros”. Que trabalham em áreas especificas nesses Estados, onde tem contatos estabelecidos. O boiadeiro compra o gado do fazendeiro usando uma unidade de peso chamada “arroba”, que é uma medida única no ramo de gado e que tem 15 quilos.

O boiadeiro, usualmente, traz o gado ao matadouro, num rebanho de 24 animais. Para levar o gado da área aonde são comprados precisam dos serviços de 3 tangerinos. Do Ceará a Mossoró, levam aproximadamente oito dias, enquanto que dentro do Estado – principalmente na Zona Oeste, necessitam de seis dias. Impostos são pagos pelo criador, o que origina o contrabando ou vendas clandestinas em larga escala.

A carne fresca é levada do matadouro, em veículos fornecidos pela prefeitura, ao marchante, que arrenda um pequeno local nos mercados públicos, para a venda ao consumidor. – Diário de Pernambuco – 23.06.1968

GIRASSOL ENTRARÁ PARA ECONOMIA MOSSOROENSE

MOSSORÓ (Serpes) – Este Município e sua região tem no algodão a sua cultura agrícola básica, com um produto de boa qualidade e que goza de bom conceitos nos mercados consumidores nacional e internacional. Isto porque o solo é apropriado e aqui se tem condições climáticas para produzir fibra de excepcional qualidade. No setor agrícola é a cultura de maior importância econômica do estado do Rio Grande do Norte. No entanto, Mossoró com todas as condições para produzir o “ouro branco” não possui ainda um sistema definido desta cultura, motivado por várias deficiências técnicas. Em Mossoró existem várias empresas que tratam do beneficiamento da fibra e da extração do óleo de caroço do algodão e dos seus subprodutos.

ENCONTRO – Não obstante a cultura, quase secular do algodão, o produto ainda sofre vários revezes motivados pelas condições agrícolas, industriais e comerciais do produto. Um fator que concorre para tal situação é a atitude de alguns Estados do Sul do país, que concedem isenção do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias, taxado sobre o algodão.

Para tratar de problemas atuais de produção e comércio algodoeiro, anuncia-se para a próxima semana um encontro, em Natal, do Ministro da Agricultura, Sr. Ivo Arzua, com os secretários de agricultura dos Estados nordestinos produtores de algodão. Como se sabe, o “ouro branco” nordestino está atualmente enfrentando concorrência dentro do país sem lhe serem oferecidas condições de sustentação.

EXPERIÊNCIA – A Companhia Alfredo Fernandes, empresa tradicional no ramo e maquinistas de algodão partiu agora para uma experiência piloto no Rio Grande do Norte; a extração do óleo da semente do girassol, iniciando no Estado uma maior diversificação no setor de extração de óleos vegetais.

Os testes de plantio do Girassol estão sendo feitos em seu próprio campo experimental, apresentando boas perspectivas de adaptabilidade. Apesar de se extrair principalmente óleo de semente de algodão na Região de Mossoró e nas demais partes do Rio Grande do Norte, a firma mossoroense está aplicando essa experiência com bons resultados, tendo em vista o programa nacional de agricultura que trata da diversificação da extração do óleo de fibra. – O Povo – 08.08.1969

BANCOS

MOSSORÓ PODERÁ TERÁ MAIS TRÊS AGÊNCIAS BANCÁRIAS

MOSSORÓ (Serpes) – Com o crescente desenvolvimento de Mossoró e de toda a zona de sua influência econômica, política e social, a economia da região liderada por essa cidade potiguar vem necessitando cada vez mais de ampliação da sua rede bancária, tanto no que diz respeito aos tetos operacionais dos bancos existentes, como do próprio número de unidades creditícias.

Foram registradas novas firmas e aumento do capital social de empresas já existentes, que representam vários milhões de cruzeiros novos, somente na cidade de Mossoró. Diversos são os ramos dessas novas empresas, que vão desde a construção e exploração de um porto oceânico até a novas pequenas oficinas mecânicas. Todas elas as grandes e pequenas, as novas e as que já funcionam há quase um século, necessitam de crédito bancário.

ATUALMENTE – Mossoró possui atualmente oito estabelecimentos de crédito, sendo três oficiais, três particulares e duas cooperativas de crédito. São eles: Banco do Brasil, Banco do Nordeste do Brasil, Banco de Mossoró, Banco do Rio Grande do Norte, Banco S. Gurgel, Banco do Povo, Cooperativa de Crédito Mossoroense Ltda e Cooperativa Mista Agro-industrial da Zona Oeste do Rio Grande do Norte Ltda. Os bancos oficiais possuem carteiras especializadas para operações rurais e industriais, fazendo a aplicação de seus recursos em suas áreas setoriais.

MAIS TRÊS – Mais três estabelecimentos de crédito fazem planos para instalar agencias em Mossoró. São eles o Banco Industrial de Campina Grande, o Banco da Lavoura de Minas Gerais e o Banco da Bahia. alguns deles, inclusive, já fizeram pesquisas sobre as condições econômicas da região e autorizaram entendimentos para locação de prédios. – Diário de Pernambuco – 30.09.1967

INSTALADA AGÊNCIA DO BNCC EM MOSSORÓ

MOSSORÓ (Serpes) – Com a presença do Dr. Pires de Almeida, presidente do banco Nacional de Crédito Cooperativo e representante do Ministro da Agricultura, do senador Dix-huit Rosado, presidente do INDA, do Dr. Virgílio Galassi, do conselho daquela autarquia federal, foi solenemente instalada e inaugurada a agência local do BNCC, a primeira unidade operadora desse banco a funcionar em cidade do interior.

Diversas outras autoridades vieram a Mossoró com intuito de participar das solenidades, entre elas os gerentes das agências do Banco Nacional de Crédito Cooperativo das cidades de Fortaleza e Vitória, bem como os delegados do INDA nos Estados do Ceará e Paraíba.

ZONA DE ATUAÇÃO – Sendo um banco que volta suas atividade mais para o setor agrário, o BNCC vem sendo esperado na Microrregião de Mossoró, como um fator de desenvolvimento das atividades agro-pastoris e como tal vem repercutindo a instalação da nova agência bancária. Vale ressaltar que esta cidade estende a sua influência por uma área que abrange aproximadamente um milhão de habitantes, cuja percentagem voltada para as atividades rurais é bem elevada. A zona da atuação da unidade creditícia a ser inaugurada abrangerá, possivelmente, o vale do Açu indo até o seu delta, em Macau, o planalto intervalar do Apodi, até os limites da Paraíba e sua região sertaneja estendendo-se ainda pelo baixo Jaguaribe.

COMO SE FAZ – A agência do Banco Nacional de Crédito Cooperativo, em Mossoró, foi conseguida por um trabalho do senador Dix-huit Rosado, presidente do INDA, que obteve do banco Central a liberação da Carta Patente necessária em apenas quatro dias. No mesmo tempo, convenceu o presidente do BNCC a fazer uma modificação nos Estatutos do Banco. – O Povo – 03.06.1968

HOMENAGEM

O comércio e a indústria mossoroenses, representados por seus órgãos de classe – O Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte, Associação Comercial de Mossoró e o Clube de Diretores Lojistas, local – prestaram significativa homenagem ao senhor Orlando de Alencar Martins, na ocasião em que este deixava a gerência do Banco do Mossoró S/A. A homenagem constou de um banquete de cem talheres, na Esperança Palace Hotel. – Diário de Pernambuco – 14.06.1968

INDÚSTRIA QUER CAIXA ECONÔMICA EM MOSSORÓ

MOSSORÓ (Serpes) – Há mais de um ano que o Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte, vem promovendo uma campanha juntamente com o Clube de Diretores Lojistas de Mossoró, a Associação Comercial de Mossoró e o Sindicato do Comércio Varejista com vistas a que seja instalada nesta cidade uma agência da Caixa Econômica Federal. Diversos entendimentos já foram realizados, diversos encontros e conferências foram promovidos a fim de estudar o assunto em seus mínimos e máximos detalhes. O Centro das Indústrias chegou até a encaminhar documentação necessária ao estudo da liberação de carta patente à presidência da Caixa Econômica em Brasília.

ATÉ AGORA NADA – Não obstante todos estes esforços das entidades mossoroenses e mesmo do Centro das Indústrias do Estado, nenhuma solução foi dada ao problema. Nem uma resposta foi fornecida, pelo menos, às autoridades pleiteantes, como se não fosse merecida uma. O atual presidente do CIERGN, industrial Heriberto Escolástico Bezerra, vai novamente insistir no assunto organizando nova documentação e voltando a entender-se com os dirigentes da Caixa Econômica, em Natal.

BENEFICIADA – A agência desse estabelecimento de crédito, em Mossoró, viria beneficiar principalmente a classe média, inclusive aos funcionários públicos dos vários escalões de governo, existente na cidade. Por sua vez, indiretamente, o comércio e indústria também se beneficiaram pelo aumento de valores circulantes na região, o que faria crescer o poder aquisitivo local. Caso seja instalada a agência da Caixa Econômica Federal em Mossoró, esta seria a décima unidade creditícia juntamente com o Banco do Brasil, Banco do Nordeste; Banco do Rio G. do Norte, Banco de Mossoró, Banco da Bahia, Cooperativa Mista Agro-Industrial da Zona Oeste do Rio Grande do Norte e Cooperativa Mossoroense de Crédito Ltda.
O Povo – 21.08.1968

DUAS EMPRESAS MOSSOROENSES RECEBEM FINANCIAMENTOS DA COFERN E BANDERN

MOSSORÓ (Serpes) – Importantes contratos foram assinados pela Cia. de Fomento Econômico do Rio Grande do Norte e pelo Banco do Rio Grande do Norte com empresas mossoroenses. A COFERN que é uma empresa estatal voltada para o desenvolvimento potiguar, foi representada no ato pelo seu diretor presidente, Dr. Hênio Melo, e o BANDERN pelo seu diretor de Operações, Dr. Ernani José de Melo. A solenidade de assinatura dos contratos contou com a presença do prefeito Raimundo Soares de Souza, dos deputados Vingt Rosado e Diniz Câmara, do ministro Mota Neto, do vice-prefeito Joaquim da Silveira Borges, do reitor João Batista Cascudo Rodrigues e dos industriais Paulo Barreto, José Zamprogna, Pedro Fernandes Ribeiro, Francisco de Queiroz Porto e várias outras pessoas.

CAPITAL – Na solenidade de assinatura dos contratos, foi entregue pela COFERN a importância de NCr$ 11.900,00 à Cerâmica de Mossoró S/A, como subscrição de ações da mesma emprese. Por sua vez, o Banco do Rio Grande do Norte assinou contrato com a Fábrica Raimundo Fernandes S/A, pelo qual lhe foi concedido financiamento na ordem de NCr$ 400 mil para formação de capital de giro no seu projeto de instalação de uma fábrica de margarina e gorduras hidrogenadas, ampliando a sua linha de produtos, atualmente com óleos vegetais e seus subprodutos. – Diário de Pernambuco – 11.10.1968

UM BANCO QUE CRESCE

O Banco de Mossoró S/A vem mantendo a sua posição do banco que mais cresce na cidade, com maior volume de depósitos entre todos os que aqui operam. Assim, recentemente foi ultrapassada a casa de NCr$ 1 milhão e 500 mil. Paralelamente, o Banco de Mossoró vem de aumentar o seu capital social de cem para duzentos mil cruzeiros novos. Isso tudo foi feito pelo seu novo gerente, Antonio Antonelli do Nascimento que tem menos de cinco meses no cargo. – Diário de Pernambuco – 11.12.1968

SECA

FOME RONDA VALE DO AÇU NO RIO GRANDE DO NORTE

Texto da redação, elaborado em parte com matéria fornecida pelo autor

NATAL E AÇU (Sucursal) – O presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais do Rio Grande do Norte, Sr. Joaquim Coutinho, acaba de voltar do Vale do Açu, impressionado com a situação de miséria que reina naquela parte extrema da zona salineira potiguar. Constatou existir centenas e centenas de famílias inteiras desempregadas, passando fome, totalmente desassistidas. Não há emprego, porque não há lavoura e a falta desta é motivada principalmente porque o Banco do Brasil suprimiu os financiamentos, forçando os pequenos e médios proprietários a não plantarem, tendo em vista a falta de recursos para alugar a mão de obra.

PRIMEIRAS PROVIDÊNCIAS – Várias reuniões estão sendo coordenadas pelos trabalhadores rurais, que se mantém em contato permanente com a sede da Federação em Natal. Uma comissão foi formada para visitar, hoje, o escritório central da SUDENE, em Natal, oportunidade em que o problema será exposto, com vistas ao Governo Federal, e esclarecendo que o inverno tem sido irregular, com freqüentes e prolongadas estiagens, porém a crise foi gerada não pelos fenômenos climatéricos mas sim pela política financeira do governo.

EPIDEMIA, REVOLTA E SAQUE – Caso as autoridades federais e estaduais não se movimentem imediatamente, o quadro da atualidade, não é apenas de fome e tristeza em Macau, Alto do Rodrigues, Ipanguaçu, Pendências, São Rafael e Pedro Avelino, poderá se transformar em revolta, invasão e saque. Os famintos estão ficando fracos e sujeitos a epidemias; os mais resistentes poderão tomar medidas de desespero, a qualquer momento. – Diário de Pernambuco – 16.04.1968

SUDENE

SUDENE ESTUDA PROBLEMAS DAS SUBSIDIÁRIAS DO OESTE POTIGUAR

MOSSORÓ (Serpes) – “Todas as sociedades de economia mista, controladas pela SUDENE, estão sendo estudadas para entrar num esquema financeiro propício à atual conjuntura governamental. Todas elas são deficitárias e como atividade empresarial, não apresentam interesse. Analisando-se essa situação do ponto de vista econômico, chega-se à conclusão de que devem ser extintas como subsidiárias da SUDENE. Estamos estudando as possibilidades para que elas atinjam um grau de empresas economicamente garantidas para o investidor, para as entregar ao empresariado privado ou aos órgão do governo federal que são setorialmente encarregados”. A declaração é do general Euler Bentes, superintendente da SUDENE, em sua última visita a esta cidade.

SERVIÇOS CONTINUARÃO – “Nenhuma atividade ora exercida por empresa controladora acionariamente pela SUDENE será abandonada. Não é nosso intuito prejudicar os serviços prestados por essas companhias, pois elas são, muitas vezes, essenciais ao próprio motivo da criação do nosso organismo, ou seja, ao desenvolvimento nordestino, continuou. O nosso objetivo, frisou, é encontrar um enquadramento financeiro para a existência dessas empresas. Claro que é um problema bastante complexo para ser explicado em uma rápida entrevista, mas, em linhas gerais, é isso mesmo que procurei explicar: Extinguir o déficit e não a atividade empresarial”.

MINISTRO APOIA – O Ministro Albuquerque Lima, do interior, a cuja pasta está ligada à SUDENE, e que se encontrava no momento em que o general Euler Bentes fazia suas declarações, confirmou se apoio à atitude do superintendente da SUDENE, dizendo, que “a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste deve ser um órgão eminentemente de planificação . Essa deveria ter sido a sua estrutura, desde o início”.

JAGUARIBE – Falando a propósito de outra extinção prevista, do Grupo do Vale do Jaguaribe, composto por técnicos brasileiros e franceses, e que visa o desenvolvimento daquela importante área do Estado do Ceará, declarou o superintendente da SUDENE que aquela região não está prejudicada com a nossa atitude de extinguir o Grupo Vale do Jaguaribe, como ela é, pois a sua estrutura já estava deformada e o pouquinho que lá estava sendo feito não tinha nenhum significado econômico. As suas atividades restituídas aos organismos setorialmente responsáveis por cada uma delas e todas elas continuarão. No entanto, vamos fazer muito mais do que se faz atualmente. Vamos por em prática um grande projeto de irrigação, tanto no Vale do Jaguaribe, como no do São Francisco, isso já em março, coisa que nunca se fez no Nordeste, cuja a despesa inicial prevista é de NCr$ 28.000.000,00. O projeto será executado por técnicos franceses e firmas francesas, não há nada de pressão americana da história, finalizou. – Diário de Pernambuco – 28.01.1968

SUPERINTENDENTE FALA SOBRE OS PLANOS DA SUDENE PARA MOSSORÓ

MOSSORÓ (Serpes) – “A alegria maior que se pode ter de uma Universidade, nascida do esforço e do entusiasmo da gente nordestina, é quando ela prefere não caranguejar pela ordem marítima mas seguir o rumo da interiorização. Se a universidade tem prestado e prestará grande contribuição à comunidade dos centros urbanos litorâneos, certamente mais o fará alcançando o “hinterland” brasileiro. A Universidade Regional do Rio Grande do Norte é um desses casos. Como ela a Sudene pensa realizar alguns convênios de pesquisas científicas ou tecnológicos através do FURENE-Fundo de Pesquisas e de Recursos Naturais do Nordeste”. Estas foram palavras do general Tácito de Oliveira sobre a Universidade de Mossoró em entrevista que nos foi concedida durante a sua recente visita a esta cidade.
SANEAMENTO BÁSICO – “Mossoró sendo a cidade que mais cresce demograficamente na região chegando mesmo a ter um crescimento exagerado, representa um desafio às autoridades na procura da solução dos seus problemas. Entre estes talvez o de maior envergadura seja a implantação do sistema de abastecimento de água e de esgotos sanitários. A Sudene já dispõe de recursos que se elevam a quase um milhão de cruzeiros novos para esse serviço. No entanto é evidente que esse montante é já estamos fazendo gestão junto a órgãos nacionais e pouco expressivo para uma obra de tal porte, pelo que fontes externas de financiamento, com o objetivo de captar recursos que venham assegurar ao Nordeste um amplo programa de saneamento básico. Incluindo-se Mossoró entre os centros selecionados a, prioritariamente, receberem aqueles benefícios”- continuou o entrevistado.
PORTO SALINEIRO – A maior fonte de renda e o maior sustentáculo da economia regional, e mesmo de todo o Rio Grande do Norte está a extração de sal que se faz mais acentuadamente nos municípios de Mossoró, Grossos e Areia Branca. Atualmente grupos de economia privada, com o apoio do ministro Mário Andreazza intenta a construção de um terminal salineiro (porto), para o escoamento do sal a 10 milhas da costa de Areia Branca, onde será construída uma ilha artificial.
Falando sobre o assunto assim se expressou o general Tácito de Oliveira:
– “Essa iniciativa do Ministro dos Transportes e da economia privada, tinha obrigatoriamente de contar com a ajuda e colaboração da SUDENE a que o seu projeto foi submetido para aprovação , com vistas a receber o indispensável financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico”. – O Povo – 06.05.1969

<DIVERSOS

MERCADO DROGUISTA GANHA NOVA ÊNFASE NA REGIÃO MOSSOROENSE DENTRO DO ESQUEMA DAS VENDAS DA “Drogaria Rio Grande”

Os comerciantes droguistas do Oeste do Rio Grande do Norte, Alto Sertão da Paraíba e região Jaguaribana, do Ceará tem na Drogaria Rio Grande e centro abastecedor. Com dois endereços – Rua Coronel Vicente Saboia, nº 109 e Praça Getúlio Vargas, nº 40, a Drogaria Rio Grande conseguiu conquistar a preferência de todos os que comercializam com produtos farmacêuticos, face a uma série de fatores, onde aparece em primeiro plano o permanente estoque de mercadorias, as vendas e a cortesia de sua equipe de servidores, que tem por norma servir bem.

DESENVOLVIMENTOS – Fundada em 1953, a “Drogaria Rio Grande” está ligada à própria vida de Mossoró, pois criou uma nova mentalidade no comércio droguista, dando ênfase, principalmente, às vendas a crédito aos pequenos comerciantes. Dirigida pelo comerciante Francisco Cordeiro de Oliveira, homem de visão e, acima de tudo, um homem de comércio para o comércio, a DROGARIA RIO GRANDE continua em sua posição de líder do mercado droguista, com possibilidades de aumentar seu raio de ação, porque, além de oferecer condições aos pequenos comerciantes da região, em como principal temática servir cada vez melhor à sua clientela. – Diário de Pernambuco – 23.06.1968

ALEMANHA NA REDE

A Tecelagem Santo Antonio S.A., de Mossoró no Rio Grande do Norte, recebeu de uma firma da Alemanha Oriental consulta sobre a possibilidade de fornecimento regular de redes de dormir, fabricadas pela empresa potiguar. O importador alemão, para começo de conversa, já efetuou uma encomenda de 5 mil unidades. Outra consulta, vinda de Quebec, no Canadá, refere-se à possibilidade de fornecimento mensal de 10 mil unidades. anteriormente, a Tecelagem Santo Antônio já efetuara, através de terceira firma, uma venda de 1.200 unidades para a Guiana Inglesa. Face ao interesse constatado, cogitam seus diretores de organizar um departamento de Exportação. – Revista Visão – 15.01.1965

INVESTIMENTO NO RIO GRANDE DO NORTE

A FITEMA-Fiação e Tecelagem Mossoró, única empresa têxtil localizada na região algodoeira do Rio Grande do Norte, acaba de receber um empréstimo de 179 mil dólares e 126 milhões de cruzeiros para completar uma aplicação total de 740 milhões na expansão de sua fábrica. As inversões em cruzeiros serão aplicadas na compra de equipamentos no Brasil, as de moeda estrangeira para aquisições na Alemanha, Inglaterra e Itália. O Banco do Nordeste é o principal financiador. – Jornal do Brasil – 12.06.1965

SUDENE AUTORIZA INVESTIMENTOS NA FITMA

A SUDENE autorizou 17 firmas do Rio Grande do Norte a realizar investimentos na FITEMA-Fiação e Tecelagem de Mossoró S.A, utilizando recursos deduzidos do imposto de renda. A FITEMA é a primeira empresa daquele Estado a conseguir investimentos desse tipo. Até o fim deste ano deverá estar montado seu equipamento, já adquirido no exterior, iniciando-se em seguida a produção de tecidos médios e grossos. – Revista Visão 25.06.1965

INDUSTRIAL PAULISTA INTERESSADO INSTALAR USINA DE AÇÚCAR

MOSSORÓ (Do Correspondente) – O Distrito Industrial do Município de Mossoró vem despertando cada vez mais a atenção dos investidores do Sul do País. Diversas tem sido as consultas ao Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte e à Secretaria de Desenvolvimento da Prefeitura, sobre as possibilidades de instalação de novas empresas. Fato interessante de destacar é que o Distrito Industrial de Mossoró foi o primeiro a ser estruturado no Rio Grande do Norte, e um dos primeiros do Nordeste.

USINA DE AÇÚCAR – Em dias da semana passada, esteve em visita a Mossoró o Sr. Carlos Garms, industrial paulista que aqui veio fazer os estudos necessários para a instalação de uma usina de refinação de açúcar. O referido empresário, em Mossoró, entrou em contato com círculos técnicos, administrativos e industriais, visando a realizar o seu empreendimento. Nos entendimentos mantidos com técnicos do Programa Rita local, visitaram as instalações da CERAMOS-Cerâmica de Mossoró S/A, empresa organizada por aquele escritório técnico e cujas dependências fabris estão localizadas do Distrito Industrial.

MODALIDADES NOVAS – Dentro da mentalidade do Novo Nordeste, a atual administração do Município criou o Distrito Industrial mossoroense para funcionar em modalidades modernas e adequadas às comunidades de produção, obedecendo a uma planificação técnica. Todos os meios de infra-estrutura de produção foram estudados e ali serão oferecidos aos empresários, interessados. Dentre essas condições, destacam-se a eletrificação do DI, que será feita pela COMEMSA-Cia Melhoramentos de Mossoró S/A, empresa concessionária dos serviços de luz e força, em colaboração com a prefeitura e com financiamento do Banco do Nordeste.

Por outro lado, ali deverá haver abundância de água industrial, terreno para construção a preço módico (controlado pela Secretaria de Desenvolvimento da Municipalidade), facilidade de transporte, etc. Os empreendimentos do Distrito Industrial de Mossoró serão financiados pela COFERN e pela CIMOSA, a primeira agente de desenvolvimento do governo estadual e a segunda da municipalidade. – Diário de Pernambuco – 24.09.1967

EMPRESA DO SUL QUER INSTALAR CERVEJARIA

MOSSORÓ (Serpes) – Está sendo noticiado que um grupo econômico do sul do país estava interessado em instalar, nessa cidade, uma moderna fábrica de cerveja. A notícia veio por intermédio de pessoas ligadas ao Centro das Indústrias do Estado do rio Grande do Norte, aqui sediado. Sabe-se que alguns diretores daquele órgão representativo da classe empresarial potiguar foram consultados a respeito do assunto e que já se entenderam com elementos da Companhia de Industrialização de Mossoró, empresa desenvolvimentista da municipalidade, visando a concretização da iniciativa.
ÁGUA BOA – Um dos fatores que teria mais influenciado a atitude dos investidores, seria a recente descoberta de extenso lençol aqüífero subterrâneo, em terras mossoroenses. Esse lençol, de um potencial praticamente infindável, é formado de água mineral de alta qualidade, que se prestaria magnificamente para a fabricação de cerveja.

Caso os estados realizados com vistas a esse empreendimento industrial para Mossoró apresentem resultados satisfatórios, os empresários poderão dispor de área para construção da fabrica, em terrenos do Distrito Industrial, por baixo preço de custo. – Diário de Pernambuco – 14.11.1967; o Povo – 22.11.1967

KLABIN VISITA MOSSORÓ E ANALISA POSSIBILIDADES

MOSSORÓ (Serpes) – Visitou ontem esta cidade o Sr. Horácio Klabin, presidente do Diner’s Clube do Brasil, Alemanha e Portugal e dirigente das várias empresas que formam o grupo Klabin, fabricante de papel, papelão, porcelana, alumínio, etc., com atuação mais acentuada no sul do País, principalmente no Paraná. No Nordeste, o grupo investirá nos dois primeiros ramos citados, dentro do programa elaborado pela “Fundinor”. Outros ramos também poderão receber aplicação de capital das empresas integrantes daquela organização.

EM MOSSORÓ – Aqui o Sr. Horácio Klabin é hospede oficial do município. Do programa de homenagem ao visitante consta, inclusive, um banquete. O industrial no momento examina as condições de exploração de atividades fabris relacionadas com seu grupo; que poderá empregar a gipsita dos municípios vizinhos como matéria prima. – O Povo 26.04.1968

FABRICA DE MARGARINA VEGETAL COMPLETA CICLO DE INDUSTRIALIZAÇÃO DO ALGODÃO

Recentemente desmembrada da S/A Mercantil Tertuliano Fernandes, da qual ainda é subsidiária, a Fábrica Raimundo Fernandes S/A chamou a si as atividade de extração de óleos vegetais e de seus produtos e subprodutos, do grupo SANTEF. Iniciando suas atividades com um grande acervo de conhecimentos, maquinismo e edificações, a empresa conta ainda com a larga experiência do ramo, adquirida há quase cem anos. As suas atividades industriais estão centralizadas na cidade de Mossoró, onde possui um importante complexo de máquinas e onde espera instalar novos equipamentos dentro de breve espaço de tempo, visando a ampliação de sua linha de produção e mesmo a um melhor aproveitamento da sua capacidade produtiva.

NO CAROÇO DE ALGODÃO – A atuação fabril da empresa é baseada na extração de óleo do caroço do algodão, produto adquirido principalmente junto à Usina São Vicente S/A. Sua atual linha de produção conta com o óleo refinado, semi-refinado e bruto; linter, borra de linter, torta magra (farelo), casca de borra de óleo. De todos os produtos, destaca-se, entretanto, o Óleo Pleno, óleo refinado de caroço de algodão, cuja a análise feita pelo Laboratório Bromatológico do Rio de Janeiro – GB, apresentou um teor de acidez inferior a 0,07%. Para se ter uma idéia precisa da qualidade do Óleo Pleno, basta que se faça uma evidência do fato de que sua produção é inferior à procura dos distribuidores e vendedores. Naturalmente que é a boa qualidade que provoca essa demanda.

MARGARINA TAMBÉM – O próximo passo da Fábrica Raimundo Fernandes S/A, será a implantação de uma unidade produtora de margarina, cuja maquinaria já está sendo estudada para aquisição. A localização da fábrica será dentro do próprio parque da empresa, objetivando uma abundância de matéria-prima, sem quebra da corrente beneficiadora. Com o lançamento desse seu novo produto, a Fabrica Raimundo Fernandes S/A completará o seu programa de utilização integral dos recursos industrializáveis do caroço de algodão (…).

CAPACIDADE PRODUTIVA – A nova unidade, após a conclusão do investimento e completa instalação das máquinas, aparelhagens e equipamentos, estará capacitada para produzir anualmente os seguintes produtos intermediários e finais: 2.290 toneladas de óleo bruto de algodão, 2.106 toneladas de óleo refinado, 1.310 toneladas de gordura hidrogenada e 1.700 toneladas de margarina. Considerando-se apenas os produtos a serem comercializados, ou seja, abstraindo-se a produção intermediário do óleo bruto, parte do óleo refinado e gordura hidrogenada, o programa de produção será de 1.700 toneladas de margarina e 715 toneladas de óleo refinado de algodão.

MOBILIDADE – Convém ressaltar que o programa de produção da Fábrica Raimundo Fernandes S/A é perfeitamente adaptável às necessidades comerciais da empresa. Na realidade, os quantitativos anuais de margarina e óleos refinados a serem lançados no mercado serão necessariamente ajustáveis às eventuais flutuações da demanda de cada um dos produtos. A fim de permitir essa margem de variabilidade, as modificações previstas no projeto obedeceram a criteriosa seleção, de molde assegura à empresa alternativas várias de produção e venda.

Além dos produtos intermediários e finais apresentados anteriormente, o projeto prevê a obtenção substancial de subprodutos, a seguinte esquematização: 61 tonelada de linter, 61 toneladas de borra de linter, 7.350 toneladas de torta magra (farelo), 1.225 toneladas de casca e 366 toneladas de borra de óleo. Dados oficiais da Fabrica Raimundo Fernandes S/A: Capital Social, NCr$ 15.000,00 (quinze mil cruzeiros novos); Presidente, dr. Waldemar Fernandes Maia; Vice Presidente, dr. Antonio Florência de Queiroz; diretores, drs. Aldemar Fernandes Porto e Heriberto Escolástico Bezerra. – Diário de Pernambuco – 23.06.1968

INDUSTRIA DE MÓVEIS SILVAN REPRESENTA NOVO CONTEXTO INDUSTRIAL MOSSOROENSE

Empresa que é um exemplo da capacidade e da tenacidade dos mossoroenses, a Indústria de Móveis Silvan, vem desempenhando um papel importante na economia regional, concorrendo para o fomento da produção em área tão carente de desenvolvimento. A posição de destaque que a Indústria de Moveis Silvan ocupa um contexto industrial do rio Grande do Norte foi conseguida graças à esmera qualidade de seus produtos, à qualificação de sua mão-de-obra, e a visão administrativa do Sr. Silvio Mendes de Souza, que, procura acompanhar as inovações introduzidas na indústria moveleira do país, a fim de oferecer ao mercado consumidor o que existe de melhor.

MÁQUINA & HOMENS – Com maquinaria mais modernas, a Indústria de Moveis Silvan, obteve a racionalização dos processos produtivos, reduziu os custos operacionais, ganhando condições para concorrer em preço e qualidade, com os melhores produtores do país. Iniciada há alguns anos, impôs-se logo entre os seus pares, crescendo ordenadamente e em ritmo elevado, atingindo o estágio atual, de empresa de porte apreciável, uma das maiores no gênero, não apenas no Estado como em todo o Nordeste. Ocupando uma área coberta de cinco mil metros quadrados e oferecendo trabalho à cerca de cem pessoas, a Empresa mantém estritas relações com operariado, ao qual presta perfeita assistência social.

PRAÇAS E CLIENTES – Devido aos índices de qualidade e ao estilo de seus produtos, a Indústria de Móveis Silvan amplia constantemente seu mercado que já cobre quase todo o Nordeste e Norte, através de uma rede de revendedores em todas as capitais e principais cidades das regiões. Entre seus clientes, destacam-se estabelecimentos bancários, escritórios, hotéis, inclusive de categoria internacional. – Diário de Pernambuco – 23.06.1968

UM IMPÉRIO ECONÔMICO INICIADO NO SÉCULO XIX

Naquele tempo, todas as mercadorias exportadas pela praça de Mossoró seguiam-se até o porto de Santo Antônio, em carros de bois ou comboios, nas costas de burros possantes, que conduziam o algodão amarrado com cipós, além de peles de cera. Dali, os volumes eram levados em embarcações à vela até Areia Branca, de onde por sua vez, eram transportados em navios, ou ainda em embarcações a vela, de maior calado, para os mercados consumidores. De volta, os carros de bois e comboios traziam carregamento de sal destinado ao alto sertão potiguar, ao Ceará, à Paraíba ou a Pernambuco.

Esta era a vivência comercial de Mossoró em 1870, quando foi fundada a firma F. T. de Albuquerque, pelo comerciante Francisco Tertuliano de Albuquerque, homem progressista e com raro senso de observação. A casa se estabeleceu com o comércio de fazendas, ferragens e miudezas, tudo em pequena escala, tanto assim que o seu capital inicial era de apenas dezenove contos de réis. O primeiro gerente da firma foi o dr. Euclides Saboia, cunhado do seu fundador.

INÍCIO DE UM IMPÉRIO – Da pequena “Casa Tertuliano”, até a atual “S/A Mercantil Tertuliano Fernandes” – sua sucessora – noventa e oito anos se passaram, tempo em que homens corajosos criaram um império de progresso, desenvolvimento e sustentáculo de milhares de famílias de toda a região oeste do Rio Grande do Norte. A história desta firma está intimamente ligada à história da família Fernandes, através da figura ímpar de Raimundo Nonato Fernandes que ingressou em F. T. de Albuquerque como simples contínuo, mas já portador das qualidades de inteligência e força de vontade que o faziam destacar-se no mundo dos negócios. Aprimorando os seus parcos conhecimentos e aumentando os seus esforços, mais tarde foi nomeado gerente de empresa e em outra oportunidade foi convidado a se associar aos seus antigos patrões, quando, anos após, a razão social passou a ser “Tertuliano Fernandes & Cia”. Nessa época, a firma se dedica a outros ramos de comércio, entre eles de carnaúba, peles e outros produtos da região

MERCADO DO SAL – Nesse tempo, o sal mossoroense era bem conhecido e aceito no sertão, enquanto que no Sul do país se consumia quase que exclusivamente o sal importado de Cádiz na Espanha, não merecendo o produto nacional qualquer conceito. Depois de muito lutar, Raimundo Nonato Fernandes conseguiu vender a uma firma sulina umas trezentas toneladas de sal, por preço irrisório. Não queria lucro imediato com essa transação. Desejava ”fazer o mercado” para um produto estacionário. Logo depois o sal de Mossoró ganhava o mercado do sul, já com bases eminentemente comerciais.

COMPLEXO DE ATIVIDADES – A S/A Mercantil Tertuliano Fernandes tem por objetivos sociais a promoção, comércio, transporte, exportação, importação, industrialização de algodão, cera de carnaúba, couros, sal marinho, óleos e sementes oleaginosas, sabão, transporte e navegação, agenciamentos, comissões, representações, consignações, agricultura, pecuária, administração de bens próprios ou alheios e particulares em outras empresas com recursos sociais.

Dentre suas atividade, destaca-se a participação na Fabrica Raimundo Fernandes S/A, que fabrica, beneficia e comercializa óleos vegetais e animais, para fins comestíveis e industriais, ácidos, graxos e seus derivados, adubos, forragens e demais subprodutos derivados. Possui ainda, uma grande usina de beneficiamento e industrialização de algodão, através de sua participação na Usina São Vicente S/A e várias agências próprias de compra de algodão, localizadas no Rio Grande do Norte.

Explora atividade agro-pastoris, mantendo uma grande fazenda situada nos municípios de Caraúbas e Apodi. com uma área de 6.00 hectares, contendo dois açudes, 2.000 cabeças de gado e uma cultura de aproximadamente 10.000 pés de carnaúbas. É associada da SALMAC-Salicultores de Mossoró Macau Ltda, com mais de 55% do seu capital social, empresa que possui excelentes instalações no estado da Guanabara e nas cidades de São Paulo e Santos, destacando-se duas grandes unidades de refinaria de sal.

É também associada da firma Apodi de Administração e Participações S/A, com 50% do seu capital social, a qual por sua vez, é acionista majoritária da S/A Salineira do Nordeste – SOSAL, que juntamente com sua subsidiária Salinas Guanabara S/A, da qual também participa com 50% do seu papel, são detentoras do maior e mais moderno parque industrial do país. A SAMTEF, por outro lado, possui interesses em diversos outros empreendimentos, cuja participação total monta em mais de 20 bilhões de cruzeiros antigos, emprestando também a esses setores todo o seu vasto contingente, de “know-how” e experiência secular. A razão social “S/A Mercantil Tertuliano Fernandes” foi constituída em 6 de abril de 1949, em substituição à antiga “Tertuliano Fernandes & Cia”, remontando a sua fundação ao ano de 1870 quando, a partir de então, teve as seguintes razões sociais: “F. T. de Albuquerque”, “F. T. de Albuquerque & Cia”, “Tertuliano Fernandes & Cia” e, finalmente, “S/A Mercantil Tertuliano Fernandes”.

OS ALICERCES – Todas essas empresas, todas essas atividade se alicerçam no trabalho desprendido de homens da têmpera de Francisco Tertuliano Fernandes, Raimundo Nonato Fernandes, Euclides Saboya, Vicente José Tertuliano Fernandes, Francisco Xavier Filho, Rodolfo Fernandes, Rafael Fernandes Gurjão, Julio Fernandes Maia, José de Oliveira Costa e José Martins Fernandes. Foi também na pessoa da veneranda senhora Véscia Xavier Fernandes, que a S/A Mercantil Tertuliano Fernandes encontrou sempre ajuda, quer moral, quer material. Quando do falecimento do seu esposo, ajudou a firma em um período dos mais delicados do seu ciclo evolutivo.

A MESMA LUTA – Presentemente, prossegue a firma no constante aprimoramento de suas atividades básicas e na execução de um largo projeto de expansão. A atual diretoria da “S/A Mercantil Tertuliano Fernandes”, aliada à experiência acumulada em 90 anos de constante labor, continua lutando com o mesmo entusiasmo e denodo daqueles que a antecederam, dando assim uma prova suficiente do mesmo objetivo, que é à continua prosperidade da empresa. A “SAMTEF”, pode ser comparada a uma grande família, cujos ramos de sua árvore genealógica representam uma série de nobre atividades comerciais e industriais. À frente da firma e da família, encontra-se o dr. Valdemar Fernandes Maia, homem de grande visão, portador de um moderno espírito empresarial. Como resultado de sua liderança, nos últimos anos, a organização sofreu um grande impulso de crescimento, atingindo os níveis projetados para o seu desenvolvimento. Os esforços de Valdemar Fernandes Mais, juntam-se os trabalhos de Antônio Florêncio de Queiroz, Aldemar Fernandes Porto e Francisco de Queiroz Porto vice presidente e diretores, respectivamente.

O PRESIDENTE – Valdemar Fernandes Maia, e atual presidente da SAMTEF, exerce várias atividades públicas e privadas. Serviu na Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, no Piauí, de 1942 a 1943. Neste mesmo ano, foi admitido na Estrada de Ferro São Luiz-Terezina, no Maranhão. Em 1945, esteve agregado ao Gabinete do Ministro da Viação e Obras Públicas.

Suas atividades ligadas à iniciativa privada iniciaram-se nesse mesmo ano, quando desligou-se do MVOP. Pela ordem, vem ocupando os cargos de engenheiro de Valter Fernandes & Cia, e da Construtora de Portos e Estradas Ltda, do Rio de Janeiro, engenheiro da Divisão de Organização Hospitalar do Ministério da Saúde, diretor da S/A Mercantil Tertuliano Fernandes, gerente da SALMAC-Salicultores de Mossoró Macau Ltda, do Rio de Janeiro, diretor presidente da S.A Mercantil Tertuliano Fernandes, diretor presidente da SOSAL-S/A Salineira do Nordeste, diretor presidente de Apodi de Administração e Participações S/A, diretor das Salinas Guanabara S/A, diretor da SOTRAM-Sociedade de Transporte do Rio Mossoró Ltda, diretor presidente da Fábrica Raimundo Fernandes S/A, diretor presidente da Usina São Vicente S/A e diretor da TERSAL-Terminal Salineiro da Areia Branca S/A.

Dados oficiais da S/A Mercantil Tertuliano Fernandes: Capital social: NCr$ 6.435.000,00 (seis milhões, quatrocentos e trinta e cinco mil cruzeiros novos); Presidente, dr. Valdemar Fernandes Maia; Vice Presidente; dr. Antônio Florêncio de Queiroz e Diretores, dr. Aldemar Fernandes Porto e Francisco de Queiroz Porto. – Diário de Pernambuco – 23.06.1968

FÁBRICA DE CIMENTO INSTALA-SE EM MOSSORÓ

MOSSORÓ (Serpes) – Com uma produção inicial prevista para 15.000 sacos por dia, instala-se nesta cidade a Itapetinga Agroindustrial S/A, a primeira de um conjunto de duas fábricas de cimento do grupo econômico João Santos. A empresa ora em processo de edificação dos seus mais diversos prédios, prevê uma aplicação, nesta primeira etapa, de mais de Cr$ 10 milhões. A área total dos terrenos da fábrica compreende aproximadamente 3.500 hectares, de onde deverá provir toda a matéria prima necessária ao conjunto industrial. Apenas alguns insumos serão oriundos de outras regiões, porém todos eles advindos da chamada “zona de Mossoró”.

SUDENE & TCHECOSLOVAQUIA – Tanto a unidade ora em construção como a segunda delas receberão o suporte dos artigos 34/18 da SUDENE, a primeira com o processo já aprovado e a segunda (a de cimento branco, que será a segunda fábrica no gênero no Brasil) já está sendo com o seu projeto pronto e estudos no departamento industrial da autarquia.

A parte da engenharia civil da Itapetinga deverá estar concluída no dia 24 de dezembro próximo, devendo a maquinaria estar montada em meados de julho de 1971, quando a fábrica deverá dar início ao seu processo produtivo. A área coberta dos seus diversos prédios será da ordem de 120.000 metros quadrados, onde serão abrigadas as máquinas de fabricação checa, as quais já se encontram no porto de Hamburgo, na Alemanha, esperando ordem de embarque.

360 ANOS – Mantida a produção inicial, a matéria prima localizada nos terrenos da empresa são suficientes para supri-la por um período de até 360 anos, isso sem se levar em conta a capacidade de outras áreas mesmo vizinhas a propriedade citada. Esta primeira fábrica oferecerá a demanda local de empregos uma oportunidade de 350 colocações fixas, o que já representa algo em uma cidade de alto crescimento demográfico como esta.

INFRA-ESTRUTURA – As condições que ditaram a localização em Mossoró das duas fábricas do grupo João Santos foram – além da localização da matéria prima e principais insumos – as condições de infra-estrutura que existiam e que foram realizadas especialmente para a nova indústria. O sistema viário regional que coloca Mossoró em cruzamento rodoviário e início de um ramal ferroviário foi um dos pontos contribuintes para tal. Além disso, a Rede Ferroviária do Nordeste, está fazendo um ramal até a fabrica de cimento e estuda-se o abastecimento de parte da BR 304, pelo menos no trecho que liga esta cidade.

Visando complementar e, às vezes, criar estas condições o prefeito Antônio Rodrigues de Carvalho tem dado toda a colaboração indispensável aos empreendimentos do projeto, quer criando leis e assinando decretos especiais ou oferecendo outras ajudas da municipalidade. – O Povo – 16.09.1970: Diário de Natal – 17.09.1970

“FÁBRICA” DE CIMENTO CHEGOU

Chegou ontem, a Natal, procedente da Tchecoslováquia, todo o maquinário da fábrica de cimento, que a Itapetinga Agroindustrial S.A., de Pernambuco, vai instalar no município de Mossoró, 3 quilômetros distante da cidade. Do navio alemão “Lívia”, foram desembarcados em nosso porto 307 volumes, num total de 526 toneladas do material, logo transportado em caminhões, para Mossoró. A nova fábrica de cimento nordestina representa um investimento da ordem de 28 milhões de cruzeiros, com financiamento da Sudene e deverá entrar em funcionamento dentro de 6 a 8 meses, 39 caminhões completamente lotados fizeram o transporte da pesada maquinaria para a zona Oeste. Ontem, à tarde, o comandante do Livia, H. D. Scherdts Master Clivia e seus 30 companheiros de tripulação do Livia ofereceram um coquetel aos homens da empresa de Natal. – Diário de Natal – 02.12.1970

PETRÓLEO

PETROBRÁS MANDA SONDAS PARA MOSSORÓ

MOSSORÓ (Serpes) – Começaram a chegar nesta cidade os primeiros técnicos contratados pela Petrobrás para trabalharem em serviço de perfuração de poços destinados a exploração do potencial petrolífero da região.

BONS OLHOS – Por dez anos a Petrobrás não demonstrou interesse em fazer pesquisas na zona de Mossoró. Com as recentes descobertas feitas através da perfuração dos poços do Distrito do Saco (feita pela CONESP), do bairro de São Manuel (pelo DNOCS) e em pleno centro urbano da cidade, na praça PaDRE Mota (pela CASOL), algumas chegando a evidenciar a presença do ouro negro e outras apresentando indícios de sua existência; a empresa adotou outra atitude e mostra interesse para com o petróleo norte-rio-grandense principalmente de Mossoró.

2.000 METROS – Já chegou a Mossoró uma sonda do Departamento Nacional de Produção Mineral, com capacidade de furo rotativo de até 2.000 metros. Esta máquina, bem como a equipe que a opera, integrada por 13 técnicos, está cedida a Petrobrás, sob contrato de trabalho na área petrolífera do Rio Grande do Norte. Inicialmente a sonda fará a perfuração de um poço no lugar Panela do Amaro, deslocando-se posteriormente para outros pontos deste Município.

VOLTA O ENTUSIASMO – A constatação da presença de Petróleo em terras mossoroenses deu a seu povo uma verdadeira onda de entusiasmo. Não obstante, passaram-se os dias e nada de coNCreto aparecia. Algumas máquinas e equipes, estas com reduzido número de elementos, chegavam e partiam. Agora volta o entusiasmo inicial. Vai começar a segunda etapa da partida, a etapa decisiva, e a torcida é grande. – Diário de Natal – 27.01.1967

MOSSORÓ SONDAS FURAM O CHÃO EM BUSCA DE ÁGUA E APARECE PETRÓLEO

MOSSORÓ, 16 – Quatro sondas/perfuratrizes firam o chão mossoroense em busca de água, porém o líquido que encontram não dá para matar a sede, pois vem com vestígio de petróleo, fato que não deixa de ser auspicioso. Nesse ponto os trabalhos tomam um aspecto diferente do objetivo inicial e a Petrobrás junta-se aos outros órgãos nas perfurações realizadas em Mossoró, em convênios de coordenação. Assim encontra-se uma convivência prática: se der água, muito bem; ser der petróleo, também.

TREZENTOS METROS – A mais nova perfuratriz – e a mais possante – em funcionamento em Mossoró é de propriedade do Ministério de Minas e Energia e é operada por técnicos de uma firma particular, a Drilico, sob a supervisão de técnicos do Departamento de Hidrologia daquele ministério, sob controle analítico de pessoal da Petrobrás. Com dez dias de funcionamento a sonda já atingiu 302 metros de profundidade, cerca de um terço de sua capacidade testada. Até agora somente calcário tem sido encontrado nesse poço. A máquina está montada no lugar Panela do Amaro.

POÇO DO SACO – Atualmente com 420 metros, o poço localizado na localidade de Saco se encontra paralisado, em decorrência de defeitos técnicos dos equipamentos que acionam a sonda. A ocorrência de petróleo se deu a 378, 389 e 402 metros, sendo que ainda é registrada a presença de óleo em todas as imersões de material. Esse poço da CAENE será perfurado até 500 metros, conforme convênio assinado com a Prefeitura Municipal de Mossoró. Enquanto isso, os poços da CASOL, na praça PaDRE Mota, e do DNOCS, no bairros de São Manuel, continuam a evidenciar a presença de óleo em terras mossoroenses. – Diário de Natal – 16.02.1967

EM MOSSORÓ SE PROCURA ÁGUA E APARECE PETRÓLEO

MOSSORÓ (Serpes) – Novamente Mossoró volta a viver o drama da água. O poço que estava sendo perfurado no local Panela do Amaro atingiu uma camada de folhelho de cor escura, abaixo do cristalino, fato que prenuncia a presença de petróleo. A máquina que fazia os trabalhos de perfuração parou, porque os técnicos têm receio de se deparar com uma quantidade de petróleo que, misturado à pouca quantidade de água até agora encontrada inviabilize a utilização desta para consumo humano. A Petrobrás foi cientificada da nova ocorrência de óleo em Mossoró e se comprometeu a enviar maquinário para fazer quatro perfilagem no poço da Panela do Amaro.

TRISTEZA – Ao contrário do que ocorreu quando da descoberta de petróleo no poço perfurado no lugar Saco, que fez vibrar a população mossoroense, desta vez o júbilo desapareceu, cedendo lugar à tristeza. As esperanças de água potável para abastecer a cidade desapareceram e expressões de descontentamento são ouvidas.

A história do poço do Saco repete-se: a CONESP procurava água naquele poço e encontros petróleo, quando o óleo surgiu os trabalhos foram paralisados – nem água, nem petróleo; o Ministério de Minas e Energia buscava água e achou petróleo – os trabalhos desenvolvidos em favor da procura de água novamente estão paralisados – Diário de Natal – 18.03.1967

PETROBRÁS REALIZA PERFILAGEM NO POÇO DA PANELA DO AMARO

MOSSORÓ, 23 – Em decorrência dos indícios de existência de petróleo, evidenciados pela perfuração que o Departamento de Hidrogeologia, do Ministério de Minas e Energia, vem fazendo na localidade conhecida por Panela do Amaro, a Petrobrás vem de deslocar para esta cidade uma equipe técnica, especializada em análise estrutural. A equipe e maquinário deslocadas para Mossoró é especializa em perfilagem elétrica de poços e estão ligadas à empresa Schlumberger, de origem européia. A sua vinda para esta cidade deve-se a descoberta de uma camada de folhelho, abaixo da formação de calcário, feita pela sonda que opera na Panela do Amaro. Indício bastante promissor da existência de petróleo, o folhelho mossoroense assemelha-se, em aparência e cor, ao existente de Candeias, na Bahia, local de grande concentração de poços extrativos da empresa petrolífera brasileira.

EXAMES – A espera da conseqüência dessa análise estrutural do terreno tem gerado grandes expectativas na cidade, não obstante esses resultados serem divulgados para conhecimento público. Via de regra a Petrobrás mantém sigilo sobre seus exames técnicos, só os divulgando quando julga oportuno. Essa atitude de cautela visa não provocar falsas esperanças e, também, para que não haja contradição nas opiniões das autoridades públicas sobre assuntos de interesse nacional. A equipe da Schlumberger continua realizando seu trabalho, enquanto os mossoroenses mais uma vez vêm surgir de seu solo evidências da existência do ouro negro. – Diário de Natal – 23.03.1967

Notícias de um tempo

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3- Educação e cultura

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4- Fatos e notícias

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5- A região e as cidades

Administração de Custos em Hotéis

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Obra inédita – Trechos de alguns Capítulos

Administração Financeira e Orçamentária

Tomislav R. Femenick
Obra inédita – Trechos de alguns Capítulos

ORÇAMENTOS

Toda empresa precisa controlar seus custos e incrementar suas receitas, para isso é que são estabelecidos os orçamentos, que devem cobrir todas as áreas da empresa. Esse controle de custos e projeção das vendas é mais importante ainda e necessário num cenário de alta competitividade como o dos dias atuais, pois através deles se pode detectar desde pequenos desperdícios até grandes desvios. Por suas importância, esta é uma atividade ligada diretamente à diretoria executiva das empresas. Cabe a ela estabelecer as políticas gerais e tomar as decisões para o planejamento, a preparação, elaboração e controle do orçamento da organização, inclusive estabelecer o período e sua abrangência. Período e abrangência que podem variar de empresa para empresa, dependendo de suas táticas e estratégias empresariais, do seu tipo de atividade, de sua grandeza e ambição de crescimento, de ser uma empresa produtora rural, industrial ou prestadora de serviços.

É necessário, ainda, que se estabeleça quais relatórios o sistema de orçamento deve emitir, pois é a sua utilização efetiva que proporcionará aos administradores meios para melhor controlar os resultados e desempenhos dos diversos departamentos e gerências e, principalmente, dos seus resultados financeiros, de forma a adequar a organização ao mercado que em atua.

A preparação dos orçamentos tem como objetivo a projeção de receitas, custos e resultados, conforme objetivos previamente definidos, geralmente elaborados com base em períodos anteriores, projetando esse comportamento para períodos futuros, fazendo enquadramento de receitas e custos, de forma a aperfeiçoar os resultados. Essa metodologia faz com que as decisões para os próximos períodos sejam tomadas com mais segurança, principalmente aquelas que envolvam novos investimentos, objetivos empresariais, políticas de produção, níveis de estoques e vendas.

1. O PANEJAMENTO E A IMPLANTAÇÃO

Uma empresa é uma organização na qual foi investido um considerável volume de recursos financeiros, desde a sua concepção, seu pleno funcionamento e em épocas posteriores. E, para que este capital seja “pago”, o negócio precisa ser rentável, precisa apresentar lucros, precisa que suas receitas sejam maiores que suas despesas. Por isso mesmo é que é preciso saber administrar a empresa, cuidando da exatidão de sua estrutura de custos, um dos fatores mais importante e decisivo no gerenciamento de qualquer empreendimento, inclusive para prever o seu direcionamento. O sistema integrado de orçamentos visa, justamente, suprir essa necessidade administrativa; sistema este que tem origem na atividade de planejamento dos orçamentos.

Para entender melhor o conceito de planejamento dos orçamentos e resultados, temos que compreender o conceito do sistema, que abrange todos os aspectos funcionais e operacionais da empresa. As informações setoriais, coletadas em cada departamento, é que comporão o orçamento geral. Para que o orçamento seja uma peça realista, todas as áreas da empresa devem ser interligadas, fornecendo as informações necessárias para que os valores-bases tenham a maior veracidade possível, de forma a oferecer segurança na preparação do projeto do orçamento, que somente deve conter valores verdadeiros e não pode conter valores aleatórios.

A supervisão do trabalho de preparação de orçamento deve ser feita por uma “Comissão de Orçamento”, constituída de pessoas integrantes do comando administrativo da empresa, isto é, por pessoal que tenha pelo menos nível de gerência. Essa comissão deverá fixar as diretrizes que todos os departamentos deverão seguir, coordenar os sub-orçamentos (orçamentos departamentais) preparados pelos vários setores e solucionar as divergências que surgirem entre eles, submetendo a proposta final do orçamento à diretoria executiva e à presidência da empresa, para sua aprovação.

Há vários caminhos para a elaboração de um orçamento. Optamos por apresentar aquele que apresenta a maior segurança e menos risco de apresentar conter falhas ou erros. As empresas podem e devem adaptar o modelo às suas necessidades reais. O orçamento a empresa deve ser subdividido em centros de responsabilidade, evidenciando separadamente os custos de cada centro de responsabilidade. Para que isso seja real, os responsáveis pelos diversos níveis departamentais devem participar do processo de fixação dos elementos do orçamento, baseando-se em informes escritos, porém, principalmente, das reuniões em que se discute o seu preparo. Cada chefia departamental deve ser a responsável pela elaboração e fornecimento das informações do seu respectivo setor, apresentadas em forma de um orçamento próprio, o qual deve ser enviado ao Departamento de Contabilidade que, nessa primeira fase, deve centralizar o recebimento das informações e fazer a primeira triagem, comparando números recebidos com os dados históricos (reais) de cada um dos setores, apontando as variações, sem alterar os valores. Em seguida os orçamentos setoriais são encaminhados à Gerência Financeira, que deve fazer a sua análise e apresentar sugestões, quando cabíveis, porém deve se pronunciar sobre as propostas de todos os setores. Nessa fase, os orçamentos individuais de todos os departamentos devem ser encaminhados à “Comissão de Orçamento”, para preparação do orçamento geral da empresa, que não deve ser uma simples consolidação dos orçamentos departamentais, mas a melhor expressão dos custos e o melhor entendimento do mercado comprador dos produtos da empresa.

A estimativa que envolve mais cuidados é a de se fazer a projeção da receita e das vendas. Recomenda-se que se trabalhe com três instrumentos paralelos: faz-se uma previsão estatística, tendo como parâmetro períodos anteriores; uma previsão do cenário futuro, em que se coleta opiniões dos diretores e vendedores responsáveis pelo atendimentos direto aos clientes habituais; projeta-se o potencial de crescimento da empresa, em mercados antes não atingidos.

Os orçamentos devem ser um sistema global; devem ser planos e políticas que expressam formalmente o que se deseja em termos de resultados financeiros. Com eles a administração tem o conhecimento das receitas, custos e resultados projetados, podendo assim tomar as devidas decisões para que os objetivos sejam alcançados. Após aprovado, o orçamento deve ser bancado por toda administração da empresa, que deve considera-lo um instrumento para melhor administrar, para obter melhores resultados, e não como um mero dispositivo burocrático ou contábil.

1.1 – A elaboração

O preparo de um orçamento tanto pode ser entendido como um processo contábil, como um processo de administração. Do ponto de vista contábil as cifras do orçamento são estimativas do que acontecerá no futuro, ao contrário dos dados históricos que representam o que aconteceu no passado. Já do ponto de vista administrativo, o processo de orçamento está intimamente associado à operação da empresa.

Há algumas regras básicas que devem ser observadas na preparação dos orçamentos:

• Os orçamentos podem ser anuais ou não, isso depende muito do tipo de empresa e de suas características e necessidades. O período de tempo coberto por um orçamento deve estar relacionado com a necessidade e a possibilidade de uma ação administrativa eficiente. Um intervalo útil de tempo para um orçamento é, via de regra, de um ano, dividido em sub-períodos mensais, usando-se estes últimos como data básica para comparação dos resultados reais com os valores orçados (ver item 1.3, a seguir).
• Os valores planejados no orçamentos são metas que devem se equiparar ao desempenho real.
• As metas incluídas no orçamento devem ser atingíveis, não sendo tão elevadas que causam frustração significativas quando não atingidas, nem tão baixas que estimulem a complacência e, consequentemente, a falta de empenho nas vendas e na contenção de custos, por exemplo.

A preparação do orçamento exige uma série de subdivisões (além dos sub-orçamentos departamentais), quase considerados orçamentos em si mesmo. Assim, pode-se ter vários orçamentos por atividades, por áreas e/ou funções:

• Orçamento de vendas.
• Orçamento de produção e serviço.
• Orçamento de matéria-prima.
• Orçamento de mão-de-obra direta e indireta.
• Orçamento de custos diretos e indiretos.
• Orçamento de despesas comerciais e administrativas.
• Orçamento de investimentos.
• Orçamento de caixa.
• Orçamento do resultado.
• Orçamento/Balanço projetado.

Quando da preparação do orçamento geral a empresa, se elabora um cronograma, onde são especificadas as datas e a ordem em que os orçamentos setoriais devem ser concluídos e a época em que cada um deverá ser ajustado com novos elementos. Em geral, a cronologia dos passos do processo de orçamento é fixada por diretrizes que prevêem a coordenação dos orçamentos departamentais, sua revisão geral e aprovação. A “Comissão de Orçamento” pode, a partir dai, revisar os diversos orçamentos (como por exemplo um plano de investimentos), fazer uma analise estratégica e prever eventuais mudanças. A área financeira deve acompanhar o andamento das atividades orçamentais e controlar o cumprimento dos cronogramas.

As decisões para a elaboração orçamentária devem ser tomadas pelos diretores executivos, estabelecendo parâmetros, aprovando novos projetos e investimentos, fazendo o corte de verbas e revisando os planos anuais das diversas áreas. Aprovado o projeto, que se transforma em uma meta da empresa, a “Comissão de Orçamento” iniciará o processo orçamentário do ano corrente.

1.2 – Orçamento com base zero ou incremental?

Existem dois critérios que podem ser usados, como base para a elaboração orçamentária. Um deles é o critério com base zero, que não utiliza as experiências dos anos anteriores para a preparação do orçamento e exige justificativas (apresentadas pelas chefias de cada departamento/atividade diretamente responsável) para todos os valores do próximo orçamento. Este método tem uma postura crítica porém flexível, que exige explicações para os valores propostos e para as causas de suas decisões. Este tipo de orçamento é utilizado tendo por base as reais necessidades da empresa e não os resultados dos períodos anteriores, ou por esses terem apresentado resultados não satisfatórios, ou por mudança das políticas da organização, ou por outros motivos relevantes.

O outro critério utiliza a base incremental, que são estudos onde as experiências dos anos anteriores são usadas como determinantes para as tomadas de decisões, podendo-se alterar e ajustar as entradas e saídas dos recursos, custos e metas, porém sempre com uma visão histórica do passado da empresa. Este processo, comparado ao anterior é mais conservador, não permitindo muitas inovações de comportamento.

Orçamento com base zero – O orçamento com base zero resume-se em uma elaboração sem considerar os valores do passados. A “Comissão de Orçamento” deverá explicar (com base nas justificativas apresentadas pelas chefias de cada departamento/atividade diretamente responsável por cada receita e despesas) cada custo e cada previsão de receita contidos no orçamento. Essa prática é aplicável em todas as áreas funcionais. Uma das visões negativas do orçamento com base zero está no tempo e no esforço gastos com a sua elaboração e, também, no desprezo à experiência acumulada durante a existência da empresa.

Orçamento incremental – Trata-se de um orçamento contido aos elementos (receitas e custos) de anos anteriores, os quais serão ajustados aos valores atuais e a algumas pequenas mudanças de metas. Um dos aspectos positivos dessa abordagem é que ela não exige muito tempo e nem muito esforço dos funcionários responsáveis, pois os valores são facilmente levantados. O aspecto negativo dessa metodologia é que ela impossibilita a correção de prováveis ineficiências existentes nos processos produtivo e administrativo da empresa, condicionando-a a permanecer em erros que podem afasta-la do mercado, em pouco tempo.

A escolha de qual o método a ser utilizado depende de aspectos fundamentais, próprios a cada empresa. Para um melhor entendimento suponhamos que na elaboração do orçamento se chegue a conclusão de que não é indicada a utilização da teoria incremental para toda a empresa, por ser necessário apenas adotar essa teoria para alguns setores e a teoria base zero para outros departamentos. Por exemplo, adotando o método implementar talvez não seja possível levantar os custos de elaboração de determinado item da linha de produtos da empresa, pois a variação dos preços dos seus insumos é muito freqüente. Neste caso (o caso específico da produção desse item), a aplicação viável seria a elaboração do orçamento com base zero.

Por outro lado, com a aplicação da teoria incremental, se pode analisar e detectar possíveis falhas ou desperdícios, existentes nos setores da empresa, simplesmente comparando-se os números orçados com os dos períodos anteriores. Assim, recomenda-se uma reflexão quanto ao método a ser usado pela empresa (ou mesmo pelo setor), antes de sua adoção.

Outro problema é com o valor dos produtos existentes nos estoques, que são registrados pelo seu custo original de entrada, ou seja, pelo seu valor histórico. No mais das vezes a atualização do valor desses itens (em função de alteração de preços) é extra-contábil. Contabilmente, raríssimas vezes é admitido se trabalhar com valores que não são históricos. O uso dos valores históricos é critico, mais ainda, quando em épocas de inflação ou de variações cambiais relevantes, quando se registam oscilações constante nos custos. Ao se considerar os valores originais, acaba-se por ter um ativo que diz apenas quanto custou à empresa na época em que foi adquirido, porém, com a variação de preço do mercado, esses valores podem não corresponder ao valor de reposição, muito menos ainda, ao seu valor de venda.

Ainda com relação aos itens do estoque, tem-se que considerar os cuidados a serem tomados com a legislação fiscal. Contabilmente há que se atender o que é imposto pela legislação fiscal, ou seja, recomenda-se a adoção do método de custo por “absorção média”, o qual pode ser acionado por três sistemas: sistema de custo por “absorção padrão”, que valoriza os itens do estoque, pelo método do custo padrão; sistema de custo “direto médio”, que valoriza os itens do estoque, pelo custo médio real, e o sistema de custo “direto padrão”, o qual utiliza o custo direto, com valorização dos estoques pelo custo padrão.

E qual a sistemática usualmente adotada pela empresa, ao considerar esses itens na elaboração de seus Orçamentos? Via de regra se adota um sistema misto, sem seguir uma rigidez teórica, sem atitudes ortodoxas, optando em alguns setores, funções ou mesmo caso específicos dentro de setores e/ou funções por um ou outro dos sistemas. Por exemplo: uma mesma empresa, para um mesmo ano, pode-se fazer um orçamento incremental para os custos administrativos e outro, com base zero, para os custos com vendas. Pode-se, ainda, usar um método para fazer algumas estimativas de uns dos setores, e outro para os outros departamentos. Devem ser adotados os sistemas que melhor atendam aos objetivos e à política da empresa.

1.3 – Curto e longo prazo

O período orçamentário é geralmente dividido em curto e longo prazo. A duração desses períodos deve ser determinada de acordo com as necessidades concretas da empresa e nunca para obedecer padrões estabelecidos ou simplesmente pela vontade dos administradores. O período orçamentário de curto prazo, via de regra, ocorre num período anual, porém fracionado em meses, para que se acompanhe melhor as tendências do mercado real, ajustando-se a elas. Em algumas empresa com maior sofisticação de controle esses meses, por sua vez, são fracionados – divisão dos meses em quinzenas, semanas e até mesmo em dias.

As estimativas de planos a longo prazo, não deve ser fantasiosa. Deve seguir tendências e ser, principalmente, atingível. Esse período vai de três a quadro anos, pois períodos maiores alcançam universo de tempo que torna o planejamento uma peça de ficção, dadas as transformações econômicas de acerto inseguro. Alem de ser inviável, um orçamento de prazo maior estaria fora das expectativas dos clientes. No período orçamentário a longo prazo, normalmente estão programados os custos significantes que requerem uma atenção especial dos administradores, pois esses custos são elevados e exigem a formação de uma disponibilidade de caixa. Para etapas superiores a quatro anos, é mais recomendável a elaboração de um outro tipo de projeto: a programação estratégica, com fixação de metas e políticas de longo prazo.

Um plano orçamentário de curto ou longo prazo, bem formulado, é a mais sólida base para serem tomadas as melhores decisões no decorrer dos período abrangidos, mesmo que o mercado seja mutável e essas mudanças ocorram rapidamente, sem nenhuma condição de previsibilidade. O planejamento orçamentário deve sempre procurar seguir as tendências do segmento de mercado, no qual ele esteja situado – seja para uma grande ou uma pequena organização industrial, de serviços ou mesmo agrícola ou extrativista. Por isso, a formulação deve ser de tal forma que ofereça alternativas durante o decorrer do tempo, para alterações que sejam decorrentes de uma nova realidade do mercado. O período orçamentário pode coincidir com o período contábil, desde que não interfira no bom andamento dos negócios ou da administração da empresa, pois o período contábil tem seu fechamento no final de cada ano, época de maior concentração das vendas na maioria das organizações empresariais, sendo necessária a total dedicação de todos os seus funcionários à tarefa de atender aos clientes, objetivo principal da empresa.

1.4 Orçamentos flexíveis/combinatórios

Os orçamentos são demonstrações financeiras projetadas. Quando bem elaborados têm a finalidade de melhorar o controle das receitas e das despesas, pelo que devem ser usados para controlar as entradas e saídas de recursos, antes de sua efetiva ocorrência e, com isso, fornecer uma meta gerencial antecipada. O controle é alcançado pelo fornecimento das provisões orçamentárias e pela medição da eficácia com que os custos são controlados durante um certo período, às chefias departamentais. Assim se fornece objetivos de receitas e de despesa às gerências setoriais. De acordo com a grandeza da empresa, os orçamentos podem ser aplicados em todos os departamentos, como produção, vendas, administração, etc. Porém é necessário que haja uma certa flexibilidade nos instrumentos de preparação dos orçamentos.

Aqui temos a necessidade de relembrar alguns conceitos importantes:

• Os orçamentos auxiliam a administração, fornecendo um plano bem estabelecido para a coordenação das atividades gerais da empresa.
• Os responsáveis devem pensar na relação entre as operações individuais e a empresa como um todo.
• Os orçamentos revelam a solidez e as fraquezas da estrutura organizacional.
• A administração de um bom orçamento isola problemas de comunicação, de responsabilidade e de relações de trabalho.

O orçamento flexível identifica como e em que medida cada item de despesa de um departamento é influenciado pelo volume de produção e trabalho realizado nesse departamento; de que modo cada item de despesa deve variar com as alterações de volume, produção ou atividade. São valores de diversas despesas a diferentes volumes e não um volume específico ou fixo. O orçamento flexível expressa a relação entre o custo e o volume, a curto prazo. O seu ponto chave é a flexibilidade na sua técnica, que fornece uma base dinâmica de comparação, que destacam as variações favoráveis e, também, as desfavoráveis. No último caso nada indica que o orçamento seja ineficiente, pois há influências internas e externas, que atuarão de alguma maneira nas variações.

Para se elaborar um orçamento flexível é preciso ter receitas e despesas em montantes estabelecidos, porém de forma a aceitar um certo grau de flexibilidade, em relação a outros fatores – fatores esses que podem ser estranhos ao departamento a que os valores estejam alocados e, até mesmo, à empresa. Essa é uma instrumentação flexível, pois é um grupo de vários orçamentos, ligados a diferentes níveis de operação. Um orçamento flexível deve ser construído para se ajustar a qualquer nível de atividade, dentro de um certo intervalo de aceitação.

Os orçamentos flexíveis são preparados para uma larga atividade e não para um único nível de atividade. Eles fornecem uma base ativa de comparação, por serem combinados com as variações de volumes. Por isso, permitem uma comparação interligada e mais significativa.

Há uma curiosidade no orçamento flexível: ao contrário do que seu nome indica, ele não é tão flexível assim, pois possui um limite de variáveis. O planejamento realizado com essa sistemática consiste em usar duas partes, que se complementam. A primeira delas pode ser chamada de flexível, pois representa os custos variáveis. A outra parte, representa os custos fixos e é chamada de orçamento estático. Portanto, quando o orçamento flexível abrange os itens de custos fixos e variáveis, o que lhe dá uma forma realmente mista. Muitos autores o chamam de “orçamento flexível combinado”, por se constitui de uma parcela fixa (estática) mais uma outra variável (dinâmica), este última ligada às variações da atividade da empresa.

Embora muitos itens diferentes possam ser relacionados no orçamento flexível, o mais importante no planejamento e controle dos orçamentos é a análise das avaliações dos itens individuais, que devem ser estudados um a um.

O planejamento orçamentário deve ser elaborado tendo por base as experiências acumuladas da própria empresa, bem como o cenário futuro que se apresenta para o seu segmento mercadológico. A forma da programação orçamentária deve atender às características do tipo de planejamento escolhido, pois quando uma organização planeja seu orçamento ela programa o seu futuro e deve adotar sistemas orçamentários que venham de encontro com suas necessidades. Essa programação pode durar semanas, meses ou anos, de acordo com sua conveniência, pois um planejamento orçamentário a longo prazo depende de possibilidades de fracionar o todo. Por isso a importância do sistema flexivel/combinatório.

2. ACOMPANHAMENTO

Um relatório de controle orçamento é a comparação de dados reais das receitas e custos com os dados orçados, referendo-se ao mês corrente ou aos meses decorridos, neste último caso com resultados cumulativos. Por exemplo tomemos o acompanhamento do orçamento de um determinado mês, da lavanderia de um hotel. A análise a ser efetuada pelo relatório será a comparação das receitas e despesas previstas, com as receitas e despesas efetivamente registradas por esse departamento, no mês analisado e, também, nos meses compreendidos desde o início do período do orçamento, até o mês corrente, ele inclusive, de forma acumulada. O mais importante, nos dois casos, será a identificação das diferenças entre o previsto e o real.

Esse relatório deve ser elaborado pela Controladoria (na falta deste setor pelo Setor de Contabilidade) da empresa e encaminhado a sua administração e aos gerentes de cada área – neste último caso para que tenham conhecimento das distorções sofridas pelos parâmetros do orçamento, nos itens pelos quais são responsáveis. Somente desta maneira é possível ter ações e decisões administrativas baseadas em fatos efetivos e não em impressões e projeções infundadas. O objetivo principal desses relatórios é a comunicação da performance de desempenho e resultado operacionais, de cada uma dos centros de lucros e custos. Eles fornecem aos seus respectivos responsáveis uma visão essencial de todos os aspectos da eficiência com que as operações estão sendo executadas. Os relatórios que comunicam informações corretas a todos os níveis administrativos estimulam iniciativas e influenciam positivamente as decisões gerenciais. Por isso é que a concepção e o preparo dos relatórios para uso administrativo deve ser de competência da Controladoria, setor que tem a obrigação de conhecer e compreender os problemas e métodos de toda as áreas e setores da empresa.

Nunca é demais ressaltar que numa comparação de desempenho real com o orçado, a atenção deverá se concentrar nas exceções significativas, números que sejam significativamente diferentes daqueles orçados.

2.1 – Tipos de relatórios

Os relatórios internos são denominados como relatórios de desempenho, relatórios operacionais, relatórios contábeis, relatórios orçamentários ou simplesmente relatórios financeiros. Algumas empresas elaboram relatórios internos “contábeis” e “orçamentários” separados, mas isso, para fins de administração interna é apenas duplicação de tarefas.

A seguir, temos um exemplo de relatórios de orçamento, ainda tomando por base a lavanderia de um hotel:

Deve-se observar alguns detalhes importantes: no nosso exemplo o orçamento teria sido elaborado em nível departamental, com um consolidado da empresa; em nível mensal, com posição consolidada até o mês corrente. O hotel teria projetado um orçamento e elaborado o relatório de acompanhamento para a lavanderia, meios de hospedagem, alimentos e bebidas, recepção, etc., e para todo o hotel; para cada um dos meses do ano, com posição acumulada até o mês.

O relatório deve identificar ou descrever cada item ou rubrica; depois disso, comparar o valor orçamento com o valor real; em seguida, numa terceira coluna, evidenciar a diferença entre os dois valores, que será a variação ocorrida entre o orçado e as receitas e despesas efetivas, em valores absolutos e relativos – em Real e percentual. O mesmo acontece com o período cumulativo até o mês. Algumas organizações optam por fracionar os períodos acumulados em três ou seis messes ou somente usa em período anual. A Controladoria deve proceder com rigidez para que a elaboração desses relatórios sejam realizada em tempo preciso, para que as informações sejam “checadas”, pois as variações devem ser analisadas e, principalmente, terem explicadas as suas causas. Não se pode esquecer que há variações que são admissíveis, em percentuais que oscilam de área para área e cujas explicações não necessitam de “retórica”. Porém, deve-se investigar tanto as variações contrárias (gastos maiores ou receitas menores), como as variações favoráveis (gastos menores ou receitas maiores), pois é possível que ambas causem problema para a empresa.

2.2 – Relatórios das varianças

Há organizações que usam reuniões para a apresentação oral de relatórios, simplificando o processo de acompanhamento do orçamento; outras exigem dos setores explicações escritas para os problemas mais importantes. Ambos os métodos permitem a discussão dos pontos que não estejam muito claros. Para facilitar a compreensão e comunicação das pessoas responsável pelas cobranças das causas das variações e pelas suas explicações, é importante que esses relatos não sejam longos nem complicados, com tabelas numéricas extensas e complexas. Além disso, a padronização desses relatórios é uma forma de facilitar (e muito) a compreensão de todas as pessoas envolvidas.

3. MATERIALIDADE E SIGNIFICÂNCIA

O Controle Orçamentário serve para analisar as atividades de uma empresa, no que se diz respeito às suas receitas e aos seus gastos. Quando os gastos são significativos (de grande valor), é necessário que se faça um orçamento mais detalhado, para que os custos sejam analisados individualmente. No entanto, o detalhamento orçamentário só passa a ser desnecessário quando os custos de cada item ou tarefa são insignificante para a empresa. Esse procedimento é mais comum quando se trata de investimentos (compra de máquinas e equipamentos que operam de forma integrados, tais como maquinas de lavar e enxugar, para a lavanderia; central telefônica e aparelhos de telefonia) e pode ser feita através de orçamentos integrados. A significância está mais presente nos orçamentos de investimento; na aquisição de itens do Ativo Permanente.

A significância é a afirmação de que os custos com certos investimentos são altos (bastante significativos), dando base para uma melhor análise à respeito dos investimentos a serem feitos. A significância abrange tanto os aspectos qualitativos como os quantitativos. Um exemplo seria a instalação de um sistema integrado de computação (hardware e software), para funções específicas de produção industrial, de vendas, de controle. A aquisição de um sistema dessa natureza não poderia ser feita parcialmente, portanto não há por que se particularizar os curtos do investimento. Porém esta aquisição provocará mais despesas com pessoal, pois exigira profissionais especializados, com custos acima da média; com a manutenção dos equipamentos que certamente seria relevante. O importante, neste caso, seria procurar ver se esse serviço traria benefícios para a empresa. O novo sistema seria um meio de atualizar tecnicamente a organização (aspecto quanlificativo positivo), mas que exigirá gastos operativos constantes, antes não existentes. Deve-se prestar muita atenção nesse último aspecto, pois o investimento inicial pode ser bem menor do que os custos futuros.
Sendo os gastos bastante significativos para a empresa (pois sempre há escassez de recursos para investimento), é necessário que se faça antes um orçamento prévio, completo e integrado, para que os custos inicial e constantes sejam analisados. A análise dos custos é muito importante. Da mesma maneira que os administradores precisam consultar a disponibilidade de seu caixa antes que sejam feitos novos investimentos, devem também consultar suas planilhas de custos antes de agregar novos custos. Não custa relembrar a velha parceria custo x benefícios.

3.1 – Exemplos

Custos significantes para as empresas: Um custo significante nas empresas industriais, e um dos mais importantes, é a aquisição de novas máquinas e as reforma periódica que deve ser realizada nas suas máquinas e equipamentos, para que sejam mantidos os níveis tecnológicos de seus produtos. Para se fazer aquisições e/ou reformas, é necessário que se faça antes um orçamento dos custos envolvidos. Não nos esquecemos que as reformas nas máquinas e equipamentos implicam na sua paralisação por um determinado tempo, tempo necessário para os reparos e/ou modernização, tempo em que sua linha de produção deixa de produzir.

Custos insignificantes para as empresas: Os custos insignificantes, por exemplo, são aqueles feitos com os produtos para manutenção rotineira com maquinas periféricas ao processo produtivo (com lubrificantes, por exemplo). Esses produtos não têm um valor muito alto, tornando-se assim desnecessário que haja um orçamento antes da realização da compra dos mesmos, não precisam chamar a atenção dos administradores, para as comprar individuais desses itens; é suficiente a sua previsão orçamentária.

Receitas significantes para as empresas: As receitas significantes são aquelas que, apesar de provocar um custo inicial alto, possibilita um retorno ainda maior, atingindo as expectativas dos administradores. Um exemplo são as embalagens de certos produtos (jóias, por exemplo), onde se gasta muito, com um custo agregado significativo, mas possibilita um retorno ainda maior, através de certos clientes que são atraídos.

Receitas insignificantes para as empresas: As receitas Insignificantes são aquelas que exigem gastos com investimentos que são bem maiores do que o retorno esperado. Muitas vezes isso ocorre por falta de uso dos itens adquiridos. Podemos citar como exemplo certas empresas que compram sistemas de computação em rede, com terminais nas meses de todos diretores e gerências, sem que muitos deles façam uso desses equipamentos. Gasta-se muito com tecnologia, manutenção e pessoal especializado e é pouquíssimo utilizada para agregar valor ao produto da empresa ou aos seus controles internos.

Significante x Insignificante: O que é investimento/custo significante tem provocado muita controvérsia entre administradores, principalmente no dia-a-dia das empresas. Identificar o que é importante e o que não é importante no planejamento orçamentário não é tarefa das mais fáceis. O bar da piscina de um hotel, é um exemplo bastante próprio, já que sua principal atividade gira em torno do setor de alimentos e bebidas (uma das maiores fontes de renda das empresas hoteleiras). Porém a piscina, além de ficar desativada em certas estações do ano, não é freqüentada por uma grande massa de hóspedes, principalmente se o hotel for freqüentado por homens de negócios. Neste exemplo, o departamento (alimentos e bebidas) é uma atividade bastante significante, mas o ponto de venda (piscina) é insignificante.

É de extrema importância que haja, antes de qualquer grande investimento, uma análise não só da disponibilidade financeiras da empresa, mas também uma análise do produto onde vai ser realizado o investimento e do quanto será sua aceitação, pelo mercado alvo. Os administradores devem prestar muita atenção na qualidade dos produtos a serem oferecidos e não somente na quantidade dos mesmos, pois não se tem bons resultados oferecendo produtos, com tecnologia defasada, com imperfeições ou em desacordo com os desejos do mercado.

Todas essas análises podem e devem ser realizados quando da preparação do Orçamento de Investimentos. Elas são realizadas para que a empresa não perca dinheiro e atue da melhor forma com relação aos seus investimentos.

4. ORÇAMENTO POR OBJETIVOS

Nunca é demais lembrar que o sistema orçamentário de uma dada empresa depende de um bom planejamento, programação e adoção de um sistema que mais se identifique com as necessidades da organização. Esses três elementos formam um único conceito de elaboração orçamentária. O planejamento, programação e sistemas de controle orçamentários são atividades que devem ser integradas, fazendo parte de uma mesma política administrativa, geralmente de longo prazo. O primeiro passo é se definir quais os objetivos para a empresa (planejamento); em seguida se procura os meios para que se consiga realizá-los (programação), estabelecendo os custos estimados para se alcançar tais objetivos. Por fim há a tarefa de se verificar, com periodicidade conhecida, o seu andamento (controle).

Outra diferença desse sistema, para com os outro tipos de planejamento orçamento, é que ele visa a “organização como um todo”; devem estar incluídos na programação todos os setores e recursos da organização, mas ao mesmo tempo cada um deles deve ser visto separadamente. O que isso significa? Se, por exemplo, em uma empresa acontece um problema de falta de um determinado insumo, é possível localizar exatamente de onde vem o problema, para que este possa ser resolvido. Basta localizar em qual dos departamentos há uma falha na preparação do orçamento. E, por outro lado, visando toda a organização, pode-se verificar se o objetivo inicial (melhorar a qualidade do serviço, por exemplo) está sendo atingido.

É por essas características que esse tipo de planejamento é mais indicado para estabelecimentos prestadores de serviços, tais como bancos, supermercados, etc.

5 – UM CASO A PARTE: O ORÇAMENTO DE VENDAS

As vendas, não custa relembrar, são determinantes para o êxito da empresa e também para que ela tenha lucros. Porém, quase nunca se tem em mente que a tarefa de vencer é uma meta de responsabilidade de toda diretoria e de todos os funcionários da empresa.

Há dois componentes que devem ser considerados quando do planejamento das vendas, as condições reais do mercado (aspectos exógenos) e as condições internas da empresa (aspectos endógenos) para atender aos desejos e necessidades dos clientes. O tratamento dado a essas variáveis devem considerar sua natureza complementar, porém adversa. Enquanto que a empresa pode alterar suas condições internas – ampliando ou reduzindo a produção de um determinado item, lançando ou retirando produtos de seu catálogo, aprimorando a tecnologia usada na elaboração do produto e incluída na própria mercadoria – a realidade do mercado não está ao seu alcance para serem modificadas. A empresa tem que se adaptar àquilo que o mercado exige e suas vendas estão condicionadas a crescerem em proporção exata a essa adequação. Portanto, ao se fazer o orçamento de vendas não é suficiente a expressão do desejo de crescer; mais importante ainda é se estudar a relação existentes entre os produtos da empresa e a tendência do mercado.

Muito embora deve existir um planejamento a longo prazo, é mais importante se interessar pelo orçamento de venda a curto prazo, isto é, para o período que coincida com o orçamento geral da empresa, dividido em sub-períodos trimestrais e mensais, de forma a facilitar o seu acompanhamento e possibilitar as revisões, que devem acontecer sempre que as vendas reais ficarem muito inferiores ou superiores às vendas previstas. A estruturação do plano e, consequentemente, do orçamento de venda deve ficar a cargo do departamento respectivo, porém deve contar com suporte técnico das diretoria de produção e financeira. A primeira verificando se a quantidade e a qualidade dos produtos planejados para a venda são exeqüíveis; a segunda estudando se os custos de elaboração (matérias-primas, inovações tecnológicas, aquisições de novas máquinas etc.) está ao alcance da organização. A presença de outros setores também é obrigatória: os departamentos de marketing, expedição, atendimento a clientes etc.

Por causa do grande número de elementos a serem considerados no plano de venda a curto prazo, pelo envolvimento de inúmeros departamentos da empresa e, ainda, pela sua importância no orçamento geral da empresa, o orçamento de venda deve ser elaborado com alto grau de detalhamento, usando-se estudos de estatística do comportamento passado da empresa, projeção do mercado dos seus produtos e o estado da economia do país.

O nível de detalhes do orçamento de venda deve considerar a grandeza da empresa, o tipo de seus produtos, sua área de atuação e, principalmente, a política e a estratégia de crescimento estabelecidas pela diretoria. Há várias maneiras de se estabelecer um orçamento de venda razoavelmente exeqüível: as condições externas e interna são analisadas por uma equipe de profissionais independentes, por assessores ligados à empresa, por executivos pertencentes ao quadro funcional da organização ou, ainda, por equipes mistas.

Após verificadas as condições e possibilidades de vendas, pode-se iniciar o orçamento de produção, com vistas a que o nível de produção seja igual às vendas projetadas. O orçamento da produção indicará quais os produtos a serem elaborados, quando devem ser produzidos e os curtos mensais de cada linha de produto.

A complementação do orçamento de venda exige que se faça um orçamento de caixa, que controlará todas as entradas e saídas do caixa e, também, um orçamento de capital, que é um agrupamento dos desembolsos da empresa, que são usadas tanto para repor ou para comprar novos ativos (máquinas, equipamentos, prédios etc.), de forma a tornar mais transparente o orçamento do ano seguinte. Entretanto não se pode deixar de ter em mente que os gastos totais devem está compatíveis com a capacidade financeira da empresa.

Fazendo vários orçamentos, é mais fácil saber o que está faltando em cada um dos setores, bem como evidenciar o desempenho dos serviços dos funcionários. Orçamentos funcionais dão base para um orçamento geral na forma de projeção de um Balanço Patrimonial e de uma Demonstração de Resultado do exercício. Note-se que esses orçamento devem seguir os trâmites dos demais sub-orçamentos e devem ser discutidos e aprovados pelas chefias dos departamentos envolvidos e pela diretoria.

5.1 – A Qualidade

A globalização da economia, a incorporação de novas tecnologias e o controle dos custos têm provocado a busca da excelência na qualidade dos produtos e seus preços de venda. Já no final da década de oitenta, começaram a aparecer e a ser postos em funcionamento equipes encarregadas pelo Controle de Qualidade, que reúnem empregados de todas as áreas envolvidas com o atendimento aos clientes. Em algumas empresas, os Comitês de Controle de Qualidade são responsáveis pela apresentação de sugestões para a melhoria da qualidade dos produtos, para a racionalização de custos e para o aperfeiçoamento no atendimento aos clientes.

Os custos, receitas e resultados da qualidade dos produtos devem sem contemplados na preparação das peças orçamentárias. Ao elaborar os orçamentos da empresa, os administradores devem sempre seguir uma regra: o cliente é o fator determinante da própria existência da empresa e a qualidade dos produtos é o fator chave. Essa regra deve sempre ser a baliza para se orçar as receitas e despesas.

BIBLIOGRAFIAS BÁSICA:

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CHARLES, T. Horngren. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 1997.
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MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 1995.
MOREIRA, José Carlos. Orçamento empresarial – Manual de elaboração. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 1987.
MATZ, Adolph, Curry, Othel J. e Frank, George W. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas.
MOTT, Graham. Contabilidade para não contadores. São Paulo:Makron Books, 1996.
PARSON, Mary J. e Culligan, Matthew J. Planejamento de volta às origens. Best Seller, 1995.
WELSH, Glenn Albert. Orçamento empresarial. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 1983.