ELEITORES NÃO SE IMPORTAM
Tomislav R. Femenick
Gazeta do Oeste. Mossoró, 05 nov. 2006.
O Jornal de Hoje. Natal, 06 nov. 2006.


Desde as primeiras horas da noite de domingo passado, venho recebendo dos leitores desta coluna uma enxurrada de e-mails sobre os resultados das eleições passadas. Inadvertidamente, alguns me atribuem a condição de perdedor e outros até me dão parabéns pela reeleição do presidente Lula, como se eu fosse membro de algum partido ou, se não, pelo menos um torcedor partidário. Um dos princípios fundamentais da democracia é justamente aquele dá ao cidadão o direito da livre escolha, perfeitamente aplicável ao sistema democrático brasileiro. Por isso é que eu não me filio a nenhum partido, visto que na hora em que isso fizer terei a obrigação de votar em seus candidatos e, consequentemente, perderei a liberdade de escolher aqueles que, embora de outras legendas, eu ache que sejam melhores. Um outro conceito do direito democrático, aquele que concede ao eleitor o direito de também não escolher – não votar – nos é negado, sob o pretexto de que o povo poderia abdicar de votar. Então, em nosso país a democracia eleitoral não é simplesmente um direito. É muito mais; é uma obrigação a ser exercitada pelos brasileiros e brasileiras.
Já que estamos entendidos que, embora eleitor compulsório, isto é, coagido a votar, não sou torcedor eleitoral e nem eleitor de cabresto, podemos analisar os resultados da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. No caso do presidente, visto à luz da razão, é incompreensível e inexplicável o fato dele ter ganho em todos os Municípios do Estado. Todas as grandes reivindicação do Rio Grande do Norte junto ao governo federal foram negadas. Vamos aos fatos: O polêmico projeto de transposição das águas do Rio São Francisco somente beneficiaria o Rio Grande do Norte em uma segunda etapa, depois de atender a carência de água dos Estados de Pernambuco – de Lula; Paraíba e Ceará – do ex-ministro Ciro Gomes. Detalhe: essa segunda etapa não tem data marcada. Um outro projeto, o da estrada de ferro Transnordestina também pára na Paraíba e recomeça no Ceará, ou melhor, faz a ligação desses dois Estados pelo norte do primeiro e sul do segundo, deixando-nos sem trilhos, locomotivas e vagões. O projeto que existe é para ser tocado pela iniciativa privada. Mas a pedra de toque nesse quadro de trama diabólica foi nos roubar o direito, mais do que líquido e certo, de termos em nosso solo a tão prometida refinaria da Petrobrás. Para onde ela foi? Para Pernambuco, a terra natal do senhor Lula.
Há outros elementos. Dados da Pesquisa Nacional de Amostragem de Domicílio-PNAD realizada pelo IBGE (órgão do governo federal, portando insuspeitos sob a ótica partidária) comprovam que a população do nosso Estado ficou mais pobre entre 2003 e 2005. Aqui 500 mil famílias sobrevivem com menos de 1,5 salário mínimo por mês. Por outro lado, entre dezembro de 2001 e julho de 2006, houve um crescimento de 11,88% no número de famílias pobres, que passou de 274.274 para 306.866. A pobreza aumentou mais em 138 Municípios, destacando-se os casos de Goianinha, com um índice de crescimento de pobreza de 53,68%; São João do Sabugi, com 36,90%; Patu, com 36,84%; Lucrécia, com 31,82; Santa Cruz, com 31,40%, e Ceará Mirim, com 23,38%. Entretanto, parece que os eleitores não se importaram com isso, pois em Goianinha Lula obteve 8.526 votos, enquanto Geraldo somente 3.318; em São João do Sabugi Geraldo teve 1.076 e Lula 3.037; em Patu a votação de Geraldo foi de 1.274 votos e a de Lula 5.214; em Lucrécia Geraldo teve 259 votos e Lula 1.959; em Santa Cruz Lula obteve 12.988 e Geraldo teve 4.055 e em Ceará Mirim Geraldo teve 7.911 e Lula 23.265 votos.
A democracia tem dessas coisas, porém ainda é o melhor sistema de escolha de governantes e de governo. Como dizia Winston Churchill (ex-primeiro-ministro britânico, responsável pela vitória dos ingleses na segunda guerra mundial e derrotado nas eleições realizadas logo em seguida): “Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”. _______________________________________________ Sir. Winston Churchil.
Lula ganhou. Agora só nos resta desejar que ele faça um bom governo. Tão bom quanto seja possível. Sem revanchismo e ou oposicionismo xenófobos. Depois... bem, depois e só cantar um daqueles sambas antigos, do tempo de Noel, Pixinguinha e Dorival.


ROBSON & MICARLA
O deputado estadual reeleito Robinson Faria, atual presidente da Assembléia Legislativa e candidato declarado a ocupar novamente esse cargo, desponta como uma nova liderança no Estado. Seu filho, Fábio Faria, se elegeu deputado federal com 195.148 votos – sendo o candidato mais votado no Rio Grande Norte – e muito dos liderados do PMN foram reconduzidos à Assembléia. Em seus redutos foram expressivas as votações obtidas pela governadora Wilma de Faria e pelo presidente Lula. Entretanto o que irá definir o grau da liderança de Robinson será o seu comportamento como integrante da facção da governadora. Quanto maior for sua influência nas decisões do grupo, maior será o seu comando.
Por outro lado Micarla de Souza, a vice-prefeita de Natal, pelo seu empenho na reeleição da governadora – além de que pelos votos recebidos e pela sua eleição como deputada estadual – se credencia a ser a candidata da corrente governista ao cargo de prefeita da capital, em 2008. Muita gente não vai aceitar pacificamente a sua indicação: o próprio prefeito Carlos Eduardo, o deputado Luiz Almir e outros mais.
FARÃO FALTA
Dos deputados federais do Rio Grande do Norte que não voltarão ao Parlamento Nacional na próxima legislatura, dois nomes farão falta. Um deles, indubitavelmente, é Betinho Rosado; o outro é Ney Lopes – ambos do PFL do senador José Agripino.
ESTRANHO
No país do mensalão, dos sanguessugas, de doláres em malas e em cueca, dos fuliaduto e fuliatur, é natural que se denuncie a compra de votos. O que é estranho, estranhíssimo, é a forma como se procura sujar a biografia da senadora eleita Rosalba Ciarlini. Já se disse que as últimas eleições foram as mais caras e se desconfia que houve muito Caixa 2 por ai. Porém não seria um carro usado a causa de todos os crimes. Se houve irregularidade, essa tem que ser investigada. Entretanto, para que haja imparcialidade, o fato tem que ser divulgado com a versão de todos os lados envolvidos.

A. E. MAIA AMARAL: “Seu Livro ‘Fundamentos, metodologia e práticas do orçamento empresarial’ já se encontra em nossa Biblioteca, a disposição dos cursos que lhe são pertinentes”. Diretor Adjunto da Biblioteca da Universidade Coimbra. Coimbra, Portugal, 23 ago. 2006.

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