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PARTIDOS? QUE PARTIDOS?
Tomislav R. Femenick
O Mossoroense. Mossoró, 25 maio 2006.



O que é e para que servem ser os partidos políticos? Se nós olharmos pelo “senso comum”, eles devem simplesmente ser organizações cujos membros programam e realizam uma ação comum com fins políticos e sociais. Em outras palavras, são associação de pessoas unidas pelos mesmos ideais e interesses, isso porque devem ser organizações sociais espontâneas, fundamentadas numa concepção política ou de interesses políticos e sociais comuns e que se propõem alcançar o poder. Aqui encontramos a palavra mágica: “poder”. Sim, porque nos regimes representativos os partidos políticos devem ser elos de ligação entre o cidadão e o poder, entre o individuo e a sua representatividade no Estado nacional, provincial e local.

As organizações partidárias surgiram como causa e conseqüência do sistema de governo baseado no povo, no qual o apoio popular é base para a conquista e o exercício do poder. Assim, esse tipo de organização evoluiu paralelamente aos sistemas eleitoral e parlamentar, tendo por fundamento o pensamento predominante na Inglaterra e nos Estados Unidos, no final do século XIX e início do século XX. No decorrer do século passado os partidos modernos disseminaram-se pelo mundo, quando houve o aperfeiçoamento do sistema, embora que tenham aparecido dois modelos: o americano, com partidos menos ideológicos; e o europeu, com organizações mais fundamentadas em ideologias.

Em nosso país os partidos surgiram com a independência e a formação do império, ocasião em que as duas agremiações então existentes, os conservadores e liberais, caracterizou-se mais pela semelhança entre eles do que pelas diferenças. Na verdade eram apenas expressões de oligarquias locais, que se alternavam no cenário nacional. Os primeiros anos da república não mudaram esse quadro, a não ser pela projeção dos Partidos Republicano Paulista-PRP e o Republicano Mineiro-PRM, que se revezaram no poder. A Revolução de 30 e o Estado Novo getulista sepultaram os partidos, que somente voltaram a se firmar com a deposição de Vargas, em 1945. Nesse período, embora havendo partidos menores, pontificavam três agremiações: o PSD-Partido Social Democrático, a UDN-União Democrática Nacional e o PTB-Partido Trabalhista Brasileiro. Embora sem a representatividade dos europeus e americanos, os partidos políticos brasileiros de então contavam com expressiva participação de camadas da população.

O golpe de 1964 resultou no desaparecimento das agremiações partidárias como instâncias de participação popular no poder político do país. As agremiações criadas pelo regime militar – a ARENA, governista, e o MDB, de oposição – eram apenas simulacros de partidos, com lideranças capengas. O grande pecado dos governos militares foi impedir o surgimento de novos e autênticos lideres. De lá para cá todos nós conhecemos a história: finda a ditadura militar, aparecem o PMDB, PP, PSDB, PFL, PT, PTB, PPS, PSB, PCdoB e uma carradas de outros títulos, porém poucos deles com características próprias de um verdadeiro partido político. O que é comum à maioria deles é o individualismo das lideranças, o provincianismo dos quadros, a visão local se sobrepondo ao projeto nacional.

A mais recente demonstração desse fato foi a escolha do candidato a vice-presidente pelo PFL, na chapa presidencial em aliança com o PSDB. Na escolha de José Jorge pesou apenas o individualismo dos cardeais pefelistas, a luta interna para consolidação de lideranças intrapartido, a luta das vaidades. Ninguém pensou no nome que somaria mais votos à coligação, ninguém pensou realmente no melhor candidato. Somente prevaleceu o desejo de se sair vencedor na disputa interna; uma disputa liliputiana, de lideranças sem visão, de homens pequenos.

Caso tivessem realmente desejo de servir ao país, teriam escolhido José Agripino para ser o companheiro de Geraldo Alckmin, pois o líder do PFL no senado tem realmente um discursos anti-PT que falta ao candidato a presidente pelos tucanos. Ele, José Agripino, traria à chapa oposicionista a agressividade, a força de enfrentamento que não se ver no ex-governador paulista. Daria à coligação PSDB-PFL mais visibilidade, a tiraria do ambiente morno, sem sal, sem entusiasmo, sem nada que hoje a caracteriza. José Agripino seria o contra-ponto à passividade, ao marasmo, à falta de iniciativa que têm sido a marca do sr. Geraldo, um ótimo administrador, porém um político sem carisma eleitoral, que tem pela frente um opositor matreiro, carismático e experiente; só campanhas presidências Lula já viveu quatro como candidato.

Têm razão alguns críticos quando dizem que a chapa Geraldo Alckmin e José Jorge só se compara a um refogado de chuchu com maxixe... sem sal e sem pimenta.



   

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