Home
Busca

HOME
CURRICULUM
EMPRESA
LIVROS
ARTIGOS
Art. ACADÊMICOS
MONOGRAFIAS
INÉDITOS
NOTICIAS
BRASILIANA
SALA DE AULA
FALE CONOSCO
CURSOS

GALERIA DE FOTOS


ARTIGOS IMPRENSA

O BRASIL QUE NÃO DÁ CERTO
Tomislav R. Femenick
O Jornal de Hoje. Natal, 20 fev. 2006
O Mossoroense. Mossoró, 23 fev. 2006.



Semana passada publique neste espaço um artigo em que, despretensiosamente, comentei sobre as peculiaridades da formação do nosso país. Cometi a imprudência de dar uns passos mal ensaiados de sociologia e antropologia social, ao comentar a natureza dos povos que formaram a nossa nacionalidade, principalmente a dos índios, portugueses e negros. Por fim abordei a nossa condição geográfica, que nos separa das Américas e do mundo. Tudo isso falei para justificar um pensamento: nós somos um povo único, com uma formação única e com uma maneira bem própria de pensar. ? Referido artigo está na Internet, em meu site, com o seguinte endereço: http://www.tomislav.com.br/artigos_imp.php

Foi o suficiente para que a minha caixa de e-mails lotasse de mensagens, umas concordando comigo, outras discordando e outras mais com interpretações as mais equivocadas sobre as minhas intenções. Vamos esclarecer algumas dessas controvérsias: a) Dizer das características dos portugueses, nossos colonizadores, não é se posicionar contra ou a favor deles. Aliás, acho que dos colonizadores os portugueses foram os menos perniciosos, apesar de também o terem sido. b) O fato de sermos diferentes não nos torna nem superiores nem inferiores. Apenas não somos iguais a nenhuma outra nação. c) Não culpei a miscigenação de coisa nenhuma. Apenas enunciei um fato que contribuiu para sermos diferentes. A miscigenação é uma das melhores coisas de nossa cultura ? eu sou fruto dela. d) Dizer que nossas elites são atrasadas não é ser contra o Brasil, é se posicionar perante um fato concreto. Se elas não fossem atrasadas, as condições políticas, econômicas e sociais de nosso país seriam bem melhores do que são hoje.

Pela sua seriedade e singularidade, destaco a mensagem de um leitor que quis encontrar a causa de nosso atraso no fato de termos sido colônia e que, por isso, ?nós brasileiros, bolivianos e os demais povos ditos atrasados não poderiam ser diferentes?. É justamente o contrário da intenção do meu artigo: não há nada de comum entre brasileiros, bolivianos e outros latino-americanos. Nos diferenciamos de todos eles pela fala, pelo modo de pensar, de agir, de vestir etc. As únicas coisas que nos são comuns são a posição geográfica e a herança ibérica. No artigo da semana passada, o que eu faço é destacar as peculiaridades de nossa forma de ser, diversa dos demais países. Tento, ainda, explicar as causas dessa unicidade ? não se deve confundir causas, efeitos e opiniões. As primeiras devem embasar as últimas e explicar as conseqüências, o fenômeno estudado.

Esse mesmo leitor cita para a palavra ?colônia? (do latim colonia, ae = ?grande propriedade rústica, fazenda, quinta? ? mas também ?lugar para onde se manda povoadores novos, o campo de lavoura?), para justificar a origem de nosso atraso. Para Adam Smith, enquanto ?a palavra latina ?colonia? significava pura e simplesmente uma plantação, a palavra grega ?apoikia? [também colônia] pelo contrário significa uma separação de domicilio, uma saída do lar, um afastamento de casa? (A Riqueza das Nações, v. II, p. 94. Lisboa: Gulbenkian, 1981/3). Diz ainda o leitor, que ?nenhum investidor de uma colônia daria liberdade ou autogestão, pois se fosse o contrário seria a destruição do próprio país investidor. Por causa disto, por exemplo, no Brasil era proibido extrair sal das várzeas dos rios Mossoró e Assú no Século XVIII. Chegou-se ao cúmulo de proibir as bordadeiras de fazer bordados em tecidos, no Brasil colonial. Tudo para proteger a Metrópole?. Tudo isso eu sei. O meu livro ?Os herdeiros de Deus? trata do assunto ?colônias da América? exaustivamente, nas páginas 45 a 74. Mas... faz tempo que deixamos de ser colônia.

Finalizando. Acredito imensamente em nosso país e na nossa gente. Por isso é que não aceito a teoria de que nosso atraso é culpa por outros; do povo brasileiro ou das potências predominantes de ontem ou de hoje. Se há atraso, a culpa é bem definida: os responsáveis são os dirigentes políticos, os gestores econômicos e, não menos responsáveis, as ditas elites culturais nacionais ? essas as mais dependentes do exterior. Eles fazem o Brasil que não dá certo. Desde 1822 deixamos de ser colônia, mas muita gente por aqui ainda age como se fossemos subordinados à alguma potência estrangeira ? escolhida conforme seus interesses.

Quanto às críticas que por aqui se faz aos vencedores, uso apenas a opinião do Tom Jobim, que disse que "no Brasil o sucesso incomoda" ? por isso voltou a morar nos Estados Unidos, onde faleceu. E olhe que o maestro era quase que uma unanimidade nacional. Já que estamos falando dos EEUU, lá o programa de televisão é "Ricos e Famosos", aqui é "Chiques e Famosos". Por que? Medo das pedradas? Talvez.



   

Voltar



Leia também:

- AS SOCIEDADES DE NATUREZA ECONÔMICA
- O CICLO DO ALGODÃO NO SERIDO - II
- O CICLO DO ALGODÃO NO SERIDO - I
- ALGODOAL “AO DEUS DARÁ”
- O OUTRO “OURO BRANCO” DO OESTE
- O BICUDO SÓ MATOU O DEFUNTO
- A MÁSCARA NÃO ESCONDE A FARSA
- AINDA O ALGODÃO POTIGUAR
- EPICURISTAS E CICLOTÍMICOS
- O COMPLEEXO DE PETER
PAN DE LULA


Destaques
Outros Artigos
Copyright © 2003 - Tomislav R. Femenick
Desenvolvimento: AzComércio - Soluções Corporativas e Internet