UMA NOITE DESVAIRADA NA PAULICÉIA
Tomislav R. Femenick
Gazeta do Oeste. Mossoró, 04 dez. 2005.
O Jornal de Hoje. Natal, 05 dez. 2005.

Um dia desse um amigo paulista mandou-me, via Internet, uma foto tirada no inicio dos anos setenta. Lá estavam o cineasta Cacá Diegues, a cantora Nara Leão, o jornalista Samuel Wainer, a jornalista Sheila Leirner, o cartunista Geandré e o jornalista e escritor Jorge da Cunha Lima (atual presidente da TV Cultura e da Associação das Emissoras Educativas). Seria apenas um grupo de intelectuais, algo sem importância, não fosse também a presença da famosa Dona Laura, proprietária da boate La Licorne (onde a foto foi tirada) e de uma outra casa noturna, a Scarabociu.
Para quem não nunca ouviu falar, o La Licorne, principalmente, e o Scarabociu, integravam o famoso circuito da Boca do Luxo, onde estavam os melhores cabarés e boates da capital paulista. Tão famosas quanto essas casas eram sua meninas, geralmente estudantes e algumas já formadas, que optavam por continuar na noite. Mais famosos ainda eram seus freqüentadores. Dizem que o charme dessas mulheres encantou o Secretário de Estado americano, Henry Kissinger; o presidente do Chile, Eduardo Frei; o piloto Niki Lauda, o cantor Julio Iglesias e até uma comitiva da primeira-ministra hindu, Indira Gandhi. O La Licorne estava para São Paulo assim como o Moulin Rouge está para Paris.
Mesmo morando em São Paulo, a verdade é que até o inicio dos anos setenta eu nunca tinha ido ao La Licorne. Foi então que, por essa época, o meu primo Carlos (o Dr. Charley do DNER) foi à capital paulista participar de um seminário sobre construção de estradas. Caxias como ele era com o dinheiro público, ficou hospedado lá em casa. No dia do encerramento do encontro ele descolou um convite e me chamou para ir ao jantar no Hotel Hilton. Terminado o banquete, os promotores do evento fizeram uma surpresa: todo mundo estava convidado para tomar uns scotts no Scarabociu e, depois, assistir ao show e tomar outros drinques no La Licorne. Fomos todos, até dois engenheiros que eram evangélicos. No Scarabociu fomos recebidos pelas ?hostess? da casa e por algumas garrafas de whiskies Buchanan?s, Old Par e President, todos devidamente com maioridade plena, isso é, 21 anos. O ambiente era pequeno, agradável e aconchegante, como devem ser as casas do ramo. Mas lá estávamos apenas fazendo hora. Perto da meia-noite levantamos acampamento e fomos em direção ao La Licorne.
Aqui se deu um fato insólito. Quando estávamos entrando na famosa casa o show já havia começado e as luzes do salão estavam apagadas. Ao meu lado estavam Charley e um engenheiro do Paraná. Este me perguntou: ?Você conhece bem o ambiente daqui?? Eu respondi: ?Não porque, como você, está é a primeira vez que entro aqui?. Como se fora uma deixa de teatro, no mesmo instante uma voz saída da escuridão gritou: ?Tomislav!!?. Eu fiquei sem jeito ? ou, como se dizia naqueles anos, perdi o rebolado. Como Tomislav é um nome incomum, ninguém acreditou no que eu havia dito antes.
Fique em pé, esperando as luzes se acenderem. Terminada a apresentação, notei uma mão acenando para mim. Era meu amigo José Laorte, que morava em Brasília, estava visitando São Paulo e, como eu, visitava o La Licorne pela primeira vez. Depois das explicações, acho que tinha convencido que eu não era um "habitué? daquele cabaré. Ai aconteceu o mais inesperado. Um outro amigo de Mossoró, que há muito tempo eu não via, aproximou-se de mim, cumprimento-me e disse: ?Hoje você vai conhecer Dona Laura? ? ele era seu motorista particular. Depois dessa, ninguém mais acreditou em mim. Acho que nem mesmo eu.

COMPETÊNCIA
De férias no Brasil, Olavo Maia Neto, bacharel formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e advogado atuante em várias Comarcas do Estado, principalmente na área em que se especializou, direito empresarial. Ele é neto do casal de mossoroenses de adoção Olavo e Véscia Maia e atualmente está cursando o mestrado em Ciências Jurídicas e Empresariais na Faculdade de Direito, da Universidade Clássica de Lisboa. O seu avô, dr. Olavo Maia, foi juiz de direito em Mossoró durante vários anos e, depois, membro do Tribunal de Justiça do Estado, aonde chegou a ocupar o cargo de presidente.
NAS ASAS DO LÓIDE AÉREO

Rio de Janeiro, 1958. Delegação mossoroense ao congresso de UBES-União Brasileira de Estudantes Secundários, que se realizava na então capital federal. Foto 1: Elder Heronildes da Silva, Tomislav e Joaquim Borges Junior. Foto 2: Paulo Fernandes, Borginho, Carlos Costa, Jaime Hipólito Dantas e Tomislav. Foto 3: Paulo Fernandes, Tomislav, Jaime Hipólito e Carlos Costa. Foto 4: Tomislav e Noguchi Rosado. Foto 5: João Fernandes da Costa, Tomislav, Lurdinha Monte, Carlos Costa e Lauro Monte Filho.
AMÉRICO SIMONETTI
No dia 2 passado o padre Américo Simonetti comemorou 49 anos de sua sagração como sacerdote. Figura impar entre os seus amigos, expressão de vocação sacerdotal que se espalha por sua família (Américo, Alfredo e Angelina), sempre foi um homem de realização. A primeira central telefônica de Assú, a Rádio Rural de Mossoró, a estruturação e organização das festas de Santa Luzia e sua atuação à frente da Cáritas Diocesana são exemplos de sua ação religiosa e no mundo laico. Teve o seu nome lançado como candidato a prefeito de Mossoró, mas recusou dizendo: ?Não é de meu feitio participar de lutas partidárias?.
A ?CIDADÃ? ALGOZ
No dia 27 de julho de 1988, ao promulgar a nova Constituição Brasileira, o deputado Ulisses Guimarães, pronunciou uma frase que, talvez, foi a melhor daquelas locuções típicas do velho guerreiro da luta pela redemocratização do país: ?Essa será a Constituição cidadã?. Entretanto, nem sempre boas intenções fazem bons caminhos. As formulações tributárias previstas na nova Carta Magna, deram ensejo a que a carga tributária nacional subisse de 20 para 40 por cento do PIB. Nesses 17 anos, novos tributos foram criados (CPMF, CIDE, COFINS etc.), foram aumentadas as alíquotas do Imposto de Renda de Pessoa Física e de outros impostos e institucionalizas as antecipações e retenções na fonte. Isso quer dizer que o governo fica com quase a metade de todos os ganhos que os brasileiros percebem. Em outras palavras: de cada R$ 100,00 que você ganha, o governo passa a mão em R$ 40,00.
SOBRE ANTONIO FLORÊNCIO
Falar do movimento de industrialização do Nordeste, em particular do Rio Grande do Norte, sem detalhar a luta do seu maior empreendedor, o industrial Antonio Florêncio de Queiroz, é não se identificar bem com a população de Mossoró, que tem nesse cidadão o exemplo de uma nova mentalidade. A atividade empresarial e administrativa do sr. Antonio Florêncio fundamenta-se exclusivamente em tecnologias modernas, pautadas por resultado de pesquisas realizadas por equipes altamente capacitadas. Essa forma de tomar decisões tem sido levada para os órgãos classistas e para outras instituições de que ele participa. Em sua atuação pelo desenvolvimento do Rio Grande do Norte, o industrial tem participado de quase todos os grupos de trabalho formados para estudar soluções para os problemas da industria salineira país, nos setores de produção, embarque, transporte e distribuição do cloreto de sódio. Segundo Antonio Florêncio, sua extensa atuação nessa luta tem uma causa: ?está nesse sistema integrado o futuro, a estabilização econômica de todo os norte-rio-grandenses e dos mossoroenses, em particular? ? Jornal O Povo. Fortaleza, 28 set. 1968.
SOBRE IMPROBIDADE
O poder encanta determinadas pessoas. A sra. Marta Wermus ou Favre (também conhecida por Marta Suplicy), mesmo tendo sido a sua administração à frente da prefeitura paulistana condenada por improbidade, comunicou oficialmente ao presidente Lula que vai ser candidata ao governo do Estado de São Paulo. O PT não merece isso, depois de todos os problemas enfrentados nas prefeituras de Campinas, São Caetano, Ribeirão Preto etc.
O PREÇO DO PROGRESSO
Os shoppings centers são tidos como símbolos do desenvolvimento das cidades brasileiras. Há uma série de fatores que impulsionam essa onda. Os econômicos são que as lojas ocupam menos espaço, os estoques são menores e seu giro mais rápido, o público comprador tem maior poder aquisitivo. Os práticos envolvem problema de estacionamento e, principalmente, segurança. O preço que se paga por isso é a morte das regiões tradicionais do comércio.
Em natal esse fenômeno acontece de forma acelerada. Com vários shoppings, recentemente teve a inauguração do MIdway Mall e agora chega o Orla Sul, um investimento de R$ 35 milhões. Enquanto isso, a Ribeira padece de abandono, o Centro (Av. Rio Branco, Rua João Pessoa e adjacências) se transforma em ponto de comercio popular e o Alecrim ver sua clientela se espalhar por toda a cidade.

? Do memorialista Obery Rodrigues: ?Quando fiquei sabendo que você foi convidado para ocupar, na Gazeta do Oeste, a página que era do nosso amigo Dorian, fiquei aguardando a sua reação. Depois, li sua entrevista e concordei com a afirmação de que Dorian é insubstituível. De fato, é. Por sua história de vida, seu idealismo, coragem, obstinação, sua tarimba como jornalista perspicaz e combativo, seu estilo impar e inconfundível ? devendo-se destacar, ainda, a resignação com que enfrentou todos os reveze, que não abalaram sua fé absoluta em Deus. Tive a honra de ser um dos privilegiados com sua amizade e ainda sinto muito sua ausência, amigo-irmão que éramos. Conhecendo sua capacidade, não me surpreendeu o convite e, pelo que li nas edições dos dois últimos domingos da Gazeta, você confirmou, pela excelência dos textos, o acerto da escolha. Parabéns à redação e parabéns para você?.
? Do jornalista Caio César Muniz: ?Excelente o seu artigo ?Somente até dez linhas?. Estou numa briga constante com a caneta e os papéis. Cid Augusto me pegou pelos colarinhos e me jogou dentro da redação de ?O Mossoroense?. Não sendo jornalista, meu texto não tem passado de poucas linhas, o que tem me preocupado. Lendo o seu artigo, fiquei mais aliviado?.

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