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OS PARLAPATÕES
Tomislav R. Femenick
O Jornal de Hoje. Natal, 08 ago. 2005.
Gazeta do Oeste. Mossoró, 13 ago. 2005.



Vaidosos, mentirosos, impostores, fanfarrões... parlapatões. Assim têm sido todos os depoentes que, até agora, se apresentaram nas Comissões Parlamentares de Inquérito ou na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, na qualidade de réus ou testemunhas. O senhor Roberto Jefferson, o novo herói para uma parcela da nação, também está nesse rol, pois só fala a verdade que lhe interessa. Mesmo quando relata fatos que comprometem a si mesmo ? arrotando coragem e destemor ?, só o faz para incriminar a covardia de seus semelhantes. O faz para arrastar consigo os seus desafetos, expondo-os à lama em que todos chafurdavam tranqüilamente até outro dia, sem receio de serem descobertos. O seu mérito está tão somente em se dizer criminoso entre criminosos. Disfarça o seu cinismo com uma eloqüente importação de voz, com jogos de cena, com gestos estudados. Mas nada disso o afasta do conluio de que participou, até que o afastaram do banquete pago com o dinheiro republicano. Nada consegue esconder a sua desfaçatez.

O mesmo se pode dizer da Fernanda Karina Somaggio, a ex-secretária que via tudo, sabia de tudo e, enquanto tinha o seu emprego garantido, nada disse, nada contou, nada denunciou. Somente quando foi descartada do jogo é que ameaçou (só ameaçou) falar. Mas, mesmo assim, primeiro foi consultar o seu ex-chefe. Agora quer tirar vantagem. Quer ser deputada federal e quer ganhar dinheiro tirando a roupa e saindo pelada na capa e na página dupla da Playboy. Já fez até um ensaio fotográfico para a Folha de S. Paulo, onde apresentou a sua silhueta desenxabida, sem graça, tediosa, insípida e sem libido.

Os outros são mais impudentes, desavergonhados, descarados. José Dirceu, Delúbio Soares, Silvio Pereira, Marcos Valério e sua mulher, Renilda Maria Fernandes de Souza, e sua diretora administrativa-financeira, Simone Vasconcelos, podem ter suas falas resumidas quase que em uma monocárpica expressão: ?não sei?. Entretanto os fatos são maiores que as palavras. Silvio Pereira renunciou até à sua filiação partidária, quando foi descoberta a propina que recebeu de uma contratada da Petrobrás. Quando se viu sozinho como responsável pelos empréstimos (serão empréstimos mesmos?), Marcos Valério requereu proteção judicial para dizer o que sabe e não disse na Comissão Parlamentar de Inquérito. Simone Vasconcelos, pelo que disse, ou é uma profissional incapaz e incompetente, pois não saberia a origens dos recursos que entraram na empresa, ou é uma grande mentirosa. Foi por orientação que dedurou parte dos que receberam o dinheiro escuso. Renilda, coitada da Renilda, enquanto tinha dois milhões em suas contas bancárias, enquanto tinha dinheiro para gastar, nunca se preocupou com a origem dos ganhos. Mas não ensaiou bem a sua fala. Para envolver o Zé Dirceu, acabou deixando escapar que sabia dos negócios com o PT.

O ex-ministro, o ex-poderoso primeiro-ministro de Lula, disse até que era humilde, que nunca foi posudo, que sua vida era um livro aberto. Para provar sua inocência evocou o seu passado revolucionário. Calma Zé, diria o Jefferson, o seu passado também o condena. Não se pode esperar que alguém como você, que escondeu o nome verdadeiro da mulher com quem viveu durante dez anos e que lhe deu um filho, diga a verdade. A verdade do José Dirceu é tão somente a verdade que interessa ao Zé Dirceu.

E o Delúbio? Esse está só licenciado do cargo de tesoureiro do PT ? pelo menos até quando escrevo essa crônica. Talvez por isso é que se conformou com o papel de boi-de-piranha, alguém que é deliberadamente sacrificado para a salvação dos outros. Acho que esses outros devem ser muito poderosos.



   

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