Análise das Demonstrações Contábeis

Tomislav R. Femenick 
Natal: Fal, 2005 


PRIMEIRA AULA – Revisão de Conhecimentos Contábeis

1. BALANÇO PATRIMONIAL

O Balanço Patrimonial das empresas está dividido em:

• ATIVO, onde estão registrados os seus direitos e os bens.
• PASSIVO, que representa as obrigações e os recursos próprios.

Balanço é como se fosse uma fotografia do valor contábil da empresa, em uma determinada data. É como se toda a empresa tivesse ficado imóvel, momentaneamente. O Balanço é apresentado em dois segmentos: no lado esquerdo, estão os ativos, e no lado direito vemos os passivos e os recursos próprios da empresa. No balanço está evidenciado o que a empresa possui e como as suas atividades e os seus bens são financiados.

“A definição contábil subjacente ao balanço e que o descreve é: Ativos = Passivos + Patrimônio dos acionistas (dos sócios). Colocamos um sinal de identidade na equação para indicar que a igualdade deve sempre vigorar, por definição. Na realidade, o patrimônio dos acionistas é definido pela diferença entre os ativos e os passivos da empresa. Em princípio, o patrimônio é o que os acionistas deveriam ter na empresa, depois que esta saldasse todas as suas dívidas (…)

Os ativos são apresentados, no balanço, segundo a ordem do prazo que normalmente se passa até que uma empresa em funcionamento normal os converte em dinheiro. O lado do ativo depende da natureza do negócio e de como a administração decide conduzi-lo. A administração precisa tomar decisões quanto aos níveis relativos de caixa versus aplicações financeiras, vendas a prazo versus vendas a vista, se deve fabricar ou comprar mercadorias, arrendar ou comprar bens, os tipos de atividade em que deve se envolver, e assim por diante. Os passivos e o patrimônio são apresentados na ordem em que devem ser pagos.

O lado do passivo e do patrimônio dos acionistas reflete os tipos e as proporções de financiamento, os quais dependem da escolha pela administração de uma estrutura de capital, como, por exemplo, as proporções entre capital de terceiros e capital próprio, e entre endividamento de curto e de longo prazo” (ROSS, WESTERFIELD e JAFFE, 1995, p. 42).

ATIVO
CIRCULANTE (Curto Prazo)
Caixa, Bancos, Clientes (duplicatas, contas, valores), Estoques
REALIZÁVEL DE LONGO PRAZO
PERMANENTE
Imobilizado
Investimentos

PASSIVO
CIRCULANTE (curto Prazo )
Fornecedores, Bancos, Tributos (Impostos, Taxas, Contribuições Sociais), Salários
EXIGÍVEL DE LONGO PRAZO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Capital
Reservas e lucros

• Ativo Circulante é tudo aquilo que a empresa tem de direitos indiscutíveis, a seu favor, a curto prazo.
• Realizável são os direitos com realização prevista a longo prazo.
• Ativo Permanente é tudo aquilo que a empresa possui de imobilizado, como imóveis, máquinas, instalações etc., além das participações societárias em outras sociedades.
• Passivo Circulante é tudo aquilo que a empresa deve, a curto prazo.
• Exigível é o que a empresa deve a longo prazo.
• Patrimônio Líquido é composto pelo recursos próprios da empresa.

O Ativo menos o Passivo Circulante e o Exigível A Longo Prazo resulta no Patrimônio Líquido. Quanto maior o Patrimônio Líquido menos a empresa deve a terceiros. O contrário também é verdadeiro.

2. DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO

A Demonstração do Resultado evidencia o desempenho de uma empresa, no decorrer de um determinado período — legalmente obrigatório de um ano. Pode-se, também, levantar por períodos menores: um mês, um trimestre, um semestre, por exemplo.

“A definição contábil de resultado é: Receita – Despesas = Resultado
Enquanto o balanço assemelha-se a um instantâneo, a demonstração do resultado é similar a uma gravação em vídeo do que as pessoas fizeram entre dois instantâneos(…) A demonstração do resultado geralmente possui varias partes. A parte relativa às operações apresenta as receitas e despesas da empresa em suas atividades principais. Dentre outras coisas, a parte não operacional inclui todos os custos de financiamento, como as despesas com juros. Geralmente, uma outra parte indica, como item separado, o montante de impostos devidos sobre o lucro. O último item da demonstração é o resultado líquido do exercício” [lucro ou prejuízo] (Ibidem).

IMPORTANTE:

O BALANÇO PATRIMONIAL, obrigatoriamente, é realizado uma vez por ano, porém algumas empresas o faz a cada semestre ou mesmo mensalmente. Ele retrata a situação da empresa naquele determinado momento.

A DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO é o acumulado de tudo o que aconteceu na empresa, em termos de receitas e despesas, durante o ano. Este documento evidencia se as operações da sociedade deram lucro ou prejuízo.

SEGUNDA AULA – Análise das Demonstrações Contábeis

A análise de índices das Demonstrações Contábeis e Financeiras de uma empresa – o Balanço Patrimonial e as Demonstrações Financeiras – é de interesse dos sócios atuais e potenciais, aos credores e, também, aos administradores da própria empresa.

O interesse dos sócios (acionista existente ou potencial) é centrado em dois aspectos:

• No nível de risco presente e futuro, que a empresa analisada pode apresentar, isto é, na liquidez evidenciada, na atividade a que a empresa se dedica e no grau de endividamento.
• No retorno de suas aplicações, isto é na lucratividade que poderá obter em decorrência de ter aplicado (ou vir a aplicar) dinheiro na empresa.

Os credores estão basicamente interessados na liquidez (capacidade de pagamento) a curto prazo e na capacidade que a empresa tem de cumprir seus compromissos a longo prazo. Em outras palavras: eles querem certificar-se de que a empresa é líquida e poderá fazer os pagamentos dos recursos que tomou emprestados, mais os juros, na data de vencimento dos empréstimos e financiamentos. Os credores em potencial querem ter segurança de que a empresa pode arcar com novos empréstimos. Um interesse secundário dos credores é a lucratividade da empresa; eles querem se certificar de que a empresa é saudável e continuará a gerar rentabilidade.

Por sua vez, os administradores se preocupam com a capacidade da empresa obter dinheiro, através do lançamento de novas ações, por intermédio da obtenção de empréstimos, ou por qualquer outro meio. Além do mais os administradores usam os índices para acompanhar o desempenho da empresa. Quaisquer anormalidades indicada pela análise dos índices, devem provocar atos que visem eliminar os problemas.

“A análise financeira fornece ao administrador os instrumentos necessários para verificar continuamente o funcionamento da empresa, de forma a implementar programas corretivos, logo que forem encontrados sinais de problemas” (GITMAN, s/data, p. 215).

1. ANÁLISE VERTICAL E HORIZONTAL

1.1 Análise vertical

A análise vertical faz o estudo da estrutura do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado, evidenciando a participação de cada conta na formação do Ativo, do Passivo e do lucro ou prejuízo da empresa.

No caso do Ativo e do Passivo, o cálculo do percentual de participação relativa das rubricas é realizado dividindo-se o valor de cada item pelo valor total do Ativo ou do Passivo, respectivamente. A participação relativa dos itens da Demonstração do Resultado é levantada pelo cálculo do percentual de cada item em relação à Receita Operacional Líquida, dividindo-se o valor de cada item pelo valor da Receita Líquida.

•1.2 Análise horizontal

A análise horizontal tem a finalidade de evidenciar o comportamento das rubrica contábeis, no decorrer de mais de um exercício, tomando-se os valores registrados em cada conta do exercício mais antigo como base 100, para a evolução dos exercícios seguintes.

Segundo Hoji (1999, p. 274) as técnicas utilizadas em análise horizontal apresentam algumas limitações:
a) “ quando o valor do item correspondente no exercício-base é nulo, o número-índice não pode ser calculado pela forma proposta, pois os números não são divisíveis pelo número zero. Nesses casos, podem ser analisadas variações em valores absolutos;
b) quando o exercício-base apresenta um número negativo e no exercício seguinte o número fica positivo (e vice-versa), matematicamente, é calculável, mas o resultado deve ser tratado com bastante cuidado, para não ocorrerem interpretações equivocadas da evolução”.

3. ÍNDICES

3.1 Índice de Estrutura Patrimonial

Os Índices de Estrutura Patrimonial são calculados em termos de número de vezes que o numerador contém o denominador. Uma interpretação simplista desses índices seria dizer que quanto menor eles forem, melhor será a situação da empresa analisada.

“Na verdade, não se pode concluir que uma empresa esteja em melhor situação do que outra apenas porque apresentou menores valores nestes índices. Deve-se considerar que os mesmos constituem meros indicadores observados em dado momento e que os aspectos dinâmicos, que afetam a liquidez, não são captados por essas inter-relações. Todavia, uma empresa certamente não estará com uma situação financeira confortável se apresentar elevada participação de recursos de terceiros em relação ao capital próprio e ao ativo total, com predominância de dívidas a curto prazo nas exigibilidades totais, e com elevada imobilização dos seus recursos permanentes” (BRAGA, 1989, p. 155).

Capital de Terceiros /
Capital Próprio = PASSIVO CIRCULANTE + EXIGÍVEL A LONGO PRAZO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Significa o quanto à empresa usa de capital de terceiros, em relação aos recursos próprios (Patrimônio Líquido).

Composição do
Endividamento = PASSIVO CIRCULANTE
PASSIVO CIRCULANTE + EXIGÍVEL A LONGO PRAZO

É quanto à empresa tem de dívidas de curto prazo, em relação ao total de seus débitos para com terceiros. Quanto menor, melhor.

Endividamento
Geral = PASSIVO CIRCULANTE + EXIGÍVEL A LONGO PRAZO
ATIVO TOTAL

Mostra o total que a empresa deve em relação ao total que ela possui de direitos e bens, ou seja, o quanto ela pertence a terceiros e qual a sua liquidez.

Imobilização do
Capital Próprio = ATIVO PERMANENTE
PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Significa verificar o quanto do Patrimônio Líquido (recursos próprios) da empresa está aplicado no Ativo Permanente (Imobilizado em prédios, máquinas, instalações etc. e Investimentos em outras empresas), ou seja, tudo o que a empresa adquiriu com recursos próprios.

Imobilização dos recur-
sos Permanentes = ATIVO PERMANENTE
EXIGÍVEL A LONGO PRAZO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Revela quanto de financiamento de longo prazo e de recursos próprios estão aplicados em ativos, cuja maturação financeira é muito longa, o que resulta em baixa liquidez.

Índices de Solvência

“Expressos pelo número de vezes que o numerador contém o denominador, esses índices costumam ser avaliados pelo critério de ‘quanto maior, melhor’. Estes índices não medem a efetiva capacidade da empresa liquidar seus compromissos nos vencimentos, mas apenas evidenciam o grau de solvência em caso de encerramento total das atividades.
Considerando essas inter-relações como indicadores gerais, pode-se supor que, quanto mais elevados forem os índices, melhor será a situação financeira da empresa” (Ibidem, p 155).

3.2 Índices de Cobertura

Os Índices de Cobertura medem quantas vezes o Lucro Operacional e outras receitas da empresa têm capacidade de fazer face (de cobrir) às suas Despesas Financeiras e seus Compromissos Fixos. O critério usado é de que “quanto maior, melhor”. No cálculo dos compromissos fixos são computados tão somente os valores do principal dos empréstimos e financiamentos, por que o valor dos gastos com juros e outros encargos já estão incluídos na rubrica Despesas Financeiras.

“As despesas com contratos de leasing reduzem o lucro operacional e, desse modo, devem ser adicionados a este para compor o numerador da fórmula. O ajuste do principal, pelo complemento da alíquota do imposto de renda, produz o mesmo efeito de considerar o lucro operacional e as demais receitas e despesas da fórmula líquidos desse tributo” (Ibidem, p. 156).

2.3 Índices de Prazos Médios

Essa análise que utiliza esses índices é voltada para contatar a qualidade da gestão do capital de giro da empresa, tendo por base o tempo médio necessário para a transformação desses recursos em disponibilidade efetiva (recebimento das vendas a prazo) ou em desembolso de valores (pagamento das compras), bem como o tempo de permanência das matérias primas e mercadorias na empresa (CARVALHO et all, 1985, p. 205).

2.4 Índice de gestão dos recursos

Os índices de Gestão dos Recursos da empresa são expressos pelo número de vezes que o numerador contém o denominador. Eles são avaliados pelo critério de “quanto maior, melhor”.

“A rotação ou giro dos recursos reflete o grau de utilização dos ativos na geração das vendas. Como as receitas de vendas constituem a principal fonte de lucros e de numerário (via cobrança), quanto maior for a sua proporção sobre os ativos, mais eficientemente estarão sendo administrados os fundos (recursos financeiros) neles investidos, beneficiando a liquidez e a rentabilidade da empresa.
O numerador e o denominador de cada índice devem estar compatibilizados quanto à natureza dos valores utilizados no cálculo do quociente. Deste modo, os estoques devem ser confrontados com o custo das vendas e as duplicatas a receber com a parcela das receitas que geraram esses saldos (Receita Operacional Bruta das vendas a prazo deduzidas das devoluções e abatimentos sobre essas mesmas vendas a prazo). Com os demais ativos compara-se a Receita Operacional Líquida.
Esses índices têm caráter dinâmico, uma vez que utilizam valores acumulados das receitas de vendas ou do custo das vendas e os comparam com os saldos médios dos ativos observados no mesmo período. A melhor forma de calcular esses saldos médios consiste em somar todos os saldos mensais do período e dividir esse total pelo número de saldos computados. Dispondo-se apenas dos saldos inicial e final, costuma-se utilizar a sua média aritmética. Este procedimento poderá provocar distorções decorrentes de influências sazonais sobre o comportamento dos saldos ativos” (BRAGA, 1989, p. 159 e 160).

TERCEIRA AULA – ANALISES DISCRIMINANTES

Prof. Dr. Aldo von Wangenheim

A análise estatística multivariada utilizando funções discriminantes foi inicialmente aplicada para decidir à qual de dois grupos pertenceriam indivíduos sobre os quais tinham sido feitas diversas e idênticas mensurações. Nessa análise, hoje conhecida como análise discriminante linear, a idéia básica é substituir o conjunto original das diversas mensurações por um único valor Di, definido como uma combinação linear delas. Quando se trata de discriminar entre mais de dois grupos torna-se necessário uma generalização na metodologia. A análise discriminante multigrupos, que utiliza procedimentos combinados da análise de variância e da análise fatorial, pode, então, ser utilizada.

EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DE ANÁLISE DISCRIMINANTE

Exemplo 1: Clientes de uma empresa (2 grupos):
• Análise de Discriminantes: Como selecionar variáveis que melhor discriminam clientes que permanecem e clientes que abandonam os serviços da empresa?
• Construção de regras de classificação: Conhecidos os valores das variáveis de um novo cliente, classificá-lo no grupo dos que abandonam ou no grupo dos que permanecem na empresa.
Exemplo 2: Clientes de um banco (2 grupos):
• Análise de Discriminantes: Como selecionar variáveis que melhor discriminam clientes que pagam e clientes que não pagam seus débitos?
• Construção de regras de classificação: Conhecidos os valores das variáveis de um novo cliente, classificá-lo no grupo dos que pagam ou no grupo dos que não pagam.
Exemplo 3: Escolhas educacionais (3 grupos -> análise discriminante multigrupos): Um pesquisador educacional, por exemplo, pode querer investigar quais variáveis discriminam entre absolventes do ensino médio que decidem:
(1) ir para a universidade,
(2) fazer algum tipo de ensino técnico ou profissionalizante ou
(3) não procurar nenhum tipo de educação adicional.
Para esse fim o pesquisador poderia coletar um grande número de variáveis a respeito da vida do estudante antes de sua formatura no ensino médio. Após a formatura no ensino médio, a esmagadora maioria dos estudantes cairá em uma das três categorias acima. A Análise de Discriminantes Multigrupos pode então ser utilizada para determinar quais variáveis melhor predizem qual será a escolha educacional do indivíduo após o término do ensino médio.
Exemplo 4: Prognóstico de recuperação (3 grupos -> análise discriminante multigrupos): Um pesquisador médico pode ter registrado um conjunto de diferentes variáveis relacionadas aos backgrounds de seus pacientes com o objetivo de descobrir retrospectivamente quais variáveis melhor predizem se um paciente tem chances de:
(1) recuperar-se completamente da doença,
(2) recuperar-se parcialmente da doença, mantendo algumas seqüelas ou
(3) não se recuperar de maneira alguma.
Exemplo 5: Discriminação entre espécies (n grupos -> análise discriminante multigrupos): Um biólogo pode ter registrado as várias características de tipos ou espécies muito similares (grupos) de flores. A seguir ele poderá executar uma análise de discriminantes para determinar quais características oferece,m a melhor discriminação entre as espécies. Esta aplicação está descrita abaixo no Segundo Exemplo Detalhado: Discriminando Diferentes Variedades de Iris.

OBJETIVOS DA ANÁLISE DE DISCRIMINANTES

Do ponto de vista computacional, a Análise de Discriminantes é muito similar à Análise de Variância (ANOVA). Para entender isto, vamos ver um exemplo simples: Suponha que nós meçamos a altura em uma amostra randômica de 50 homens e 50 mulheres. As mulheres, são em sua média, menos altas que os homens e esta diferença será refletida pela diferença nas médias entre as variáveis altura de ambos os grupos.
Em função disso, a variável altura nos permite discriminar entre homens e mulheres com uma probabilidade melhor do que o puro acaso (na nossa amostra, a probabilidade de alguém escolhido ao acaso ser homem é de 50%, a probabilidade de alguém escolhido ao acaso, se for alto, ser homem é maior): se uma pessoa for alta, ela será mais provavelmente um homem do que uma mulher.
Podemos generalizar esta idéia para variáveis menos triviais. Imagine um estudo similar ao exemplo 3, onde queremos saber quais as razões porque formandos do ensino médio escolhem ou não fazer um curso universitário. Poderíamos simplesmente ter medido, por exemplo, a intenção alegada pelos estudantes de seguir estudos universitários ou não um ano antes da formatura no ensino médio. Se as médias para os dois grupos (aqueles que de fato prestaram vestibular e aqueles que não o fizeram) são diferentes, então podemos dizer que a intenção alegada um ano antes de fazer ou não um curso universitário nos permite discriminar entre aqueles que com interesses universitário ou não. Essa informação poderia então ser utilizada de forma mais objetiva pelos conselheiros pedagógicos em diversas escolas do ensino médio para orientar os estudos dos alunos.
Estruturando o que foi dito acima, queremos:
• Medir o poder de discriminação de cada variável ou grupo de variáveis;
• Descrever graficamente ou algebricamente diferentes grupos em termos de variáveis discriminadoras;
• Desenvolver regras para classificar novos elementos.
O nosso objetivo é determinar quais variáveis são categóricas, i.e., nos permitem discriminar entre categorias.
Disponível em: http://www.inf.ufsc.br/~awangenh/RP/estatisticas.html#4.2.%20Análise%20de%20Discriminantes. Acesso em jul. 2005.

QUARTA AULA – ALAVANCAGEM FINANCEIRA, OPERACIONAL E COMBINADA

Em física, alavancagem é o emprego de uma alavanca para mover ou levantar um objeto ou volume pesado, empregando-se força bastante reduzida. Conforme seja a posição do ponto de apoio em relação ao objeto a ser movido, emprega-se mais ou menos força na ponta da alavanca. Daí o verbo “alavancar” significar “mover ou levantar algo, com o auxílio de alavanca”. De forma figurativa, tem o significado de elevar a uma posição de destaque; promover e estimular um negócio; obter fundos para custear um projeto com recursos externos à empresa. Por sua vez, o substantivo “alavancagem”, dele derivado, diz respeito ao ato ou efeito de alavancar.
No mundo dos negócios, alavancagem é o método que utiliza recursos de terceiros com o fim de aumentar a taxa de lucros sobre o capital próprio. Portanto, o estudo da alavancagem financeira ou operacional procura evidenciar a importância relativa dos recursos de terceiros, na estrutura de capital de uma empresa. Para isso analisa-se a taxa de retorno do capital próprio, considerando-se os custos de remuneração dos capitais de terceiros, usados para alavancar as operações da sociedade. Portanto, alavancagem é a capacidade que uma empresa possui para utilizar ativos ou recursos externos, tomados a um custo fixo, visando maximizar o lucro de seus sócios.
Agora é necessário explicitar as características das categorias distintas de alavancagem, bem como o sentido do grau de alavancagem:
Alavancagem Financeira – Tem como base o aumento do lucro líquido, em contraponto às despesas financeiras. È a capacidade da empresa em maximizar o lucro líquido por unidade de cotas (no caso de uma empresa por cotas de responsabilidade limitada) ou por ações (no caso de uma sociedade anônima), com a obtenção de financiamento cujos juros e outros encargos são fixos. Essa capacidade é evidenciada pelo quociente entre o passivo e os recursos próprios; ou situação líquida da empresa.
Alavancagem Operacional – Tem como ponto de partida o aumento das Vendas, em contrapartida aos custos fixos. É determinada em função da relação existente entre as Receitas Operacionais e o Lucro Antes de Juros e Imposto de Renda, conhecido como LAJIR (este conceito confunde-se com o lucro operacional).
Grau de alavancagem financeira – É o aumento de rentabilidade dos sócios, em função da utilização de capitais de terceiros. Como cada empresa apresenta estruturas financeira e operacional próprias e individualizadas, o emprego de capitais de terceiros em sociedades diferentes produz resultados diferentes em termos de alavancagem. Então, grau de alavancagem financeira de um negócio é a relação entre endividamento de longo prazo e o capital empregado pela empresa, evidenciada pelo quociente encontrado pela equação “Endividamento de Longo Prazo / Capital Total Empregado”. Quanto maior for o quociente, maior será o grau de alavancagem, isto é, quanto maior a proporção de capitais de terceiros em relação ao capital próprio, mais elevado o grau de alavancagem financeira.

1. ALAVANCAGEM OPERACIONAL

Os custos operacionais das empresas permanecem inalterados em determinados intervalos de produção e venda, representando que quanto maior a produção menos e seu peso relativo e vice versa; quando menos se produz mais se sente o peso dos custos fixos. Quando as empresas elaboram projetos pra captar financiamentos, visando aumentar a produção sem aumentar os custos fixos ou aumentando menor do que o crescimento do lucro Antes das Despesas Financeiras e do Imposto de Rendas, elas buscam obter Alavancagem Operacional. Depois de implantado o projeto, se alcançarem seu objetivo, elas produzem “Alavancagem Positiva”; se simplesmente mantêm o mesmo nível anterior ao projeto, elas obtêm o que o mercado chama de “Alavancagem Travada” ou “Alavancagem Constante”; se o resultado for inferior ao lucro anterior, têm como resultado uma “Alavancagem Negativa”. Essa última posição, se indesejável no curto prazo, poderá ser aceita no longo prazo, pois quando da quitação dos recursos de terceiros a situação pode se reverter e, então, produzir “Alavancagem Positiva”.
O Grau de Alavancagem Operacional (GAO) sempre é evidenciado para níveis específicos de produção e venda (BRAGA, 1992, p. 204). “Em outras palavras, para cada ponto da escala de variação do nível de operações haverá um GAO diferente, expressando o número de vezes que o ΔLAJIR representa do ΔRTV [Receita Total das Vendas]. O GAO poderá ser calculado através de qualquer das seguintes fórmulas:

GAO = Variação percentual no LAJIR / Variação percentual nas vendas (receitas ou volume) = ΔLAJIR / ΔRTV (Δquantidade) = nº de vezes
ou

GAO” = Margem de contribuição total / LAJIR = MCT [Margem de Contribuição Total] / LAJIR = nº de vezes”
Chega-se, então, a conclusão de que as empresas procuram obter alavancagem operacional sempre que os seus custos fixos precisam ser cobertos pela ampliação da produção e, conseqüentemente, das receitas advindas das vendas. De forma geral, os projetos de alavancagem visam a aquisição de ativos imobilizados que aumentem o volume produzido e resulte em receitas mais do que suficientes para cobrir todos os custos fixos e variáveis.
Tome-se como exemplo dos vários intervalos de produção o Ponto de Equilíbrio de uma determinada empresa, que corresponda a um faturamento de R$ 23.076,92, correspondente à produção de 5.769,23 unidades. As receitas totais foram projetadas tendo-se como base um preço de venda constante por unidade de R$ 4,00, independente do volume da produção. Do mesmo modo, os custos variáveis baseiam-se na hipótese de um custo unitário constante de R$ 1,40. Os custos fixos são estimados em R$ 15.000,00. Para que os dados de custos sejam relevantes, uma análise do Ponto de Equilíbrio deve ter como base um universo temporal bem definido, daí porque no exemplo ele representaria um período de um ano. Também é estabelecido que toda a produção foi vendida.

O encontro das linhas que representam as vendas totais e os custos totais representam o Ponto de Equilíbrio. Dessa forma, quanto maiores forem à produção e a venda, maior é a margem de lucro. Se essa margem for maior que o montante dos juros pagos, temos uma Alavancagem Operacional Positiva.

2. ALAVANCAGEM FINANCEIRA

Como vimos na introdução deste trabalho, a Alavancagem Financeira é a prática de se utilizar recursos de terceiros para financiar investimentos. Sua importância está na relação que deve existir entre o LAJIR (lucro antes do juro e do imposto de renda) e o LPA (lucro por ação). Quando a empresa obtém recursos externos (por financiamento bancário, emissão de debêntures ou emissão de ações preferenciais) ela assume responsabilidade pelo pagamento de juros e outros encargos, bem como pela amortizar do principal em alguma data no futuro, nos casos de financiamentos e emissão de debêntures. Como os juros são despesas dedutíveis do cálculo do imposto de renda, sobra para os sócios uma maior parcela do lucro operacional.
Entretanto, é necessário se chamar a atenção para o fato de que quanto mais dívidas uma empresa tiver mais frágil é a sua estrutura financeira, isso porque os seus compromissos de pagamentos de juros são constantes (fixos), qualquer que seja o seu lucro operacional. Isto quer dizer que, em uma situação de retração de mercado as vendas caem mas o montante dos juros se mantêm no nível máximo de vendas. Portanto, quanto maior for o comprometimento dos lucros da empresa com “custos financeiros fixos”, mais ela incorre no perigo de não ser capaz de efetuar esses pagamentos. Se, por um lado, um maior endividamento pode se constituir em uma maior produção, venda e lucro, por outro pode significar um aumento do risco financeiro, representado pela pressão dos pagamentos de juros, “que se tornarão muito grandes em relação ao LAJIR. Se as atividades comerciais declinarem em função de uma contração no nível econômico, o LAJIR também declinará, aumentando a probabilidade da empresa não ser capaz de efetuar os pagamentos de juros com os lucros operacionais existentes. Portanto, lembre-se de que a alavancagem financeira (…) embora ela possa ser benéfica num período cíclico de expansão, ela é danosa numa fase cíclica de contração” (…). Via de regra quanto maior a dívida, maior o grau de alavancagem financeira da sociedade. “Entretanto, a alavancagem funciona em ambos os sentidos. Por exemplo, quando o grau de alavancagem financeira for igual a 2,0, uma queda no LAJIR de 1% produzirá uma queda de 2% no LPA. Portanto, quanto mais alavancagem financeira, mais volátil o LPA se torna – e maior o risco associado à empresa” (GROPPELLI e NIKBAKHT, 2002, p. 190 a 192).
O Grau da Alavancagem Financeira (GAF) de uma empresa evidencia quais os feitos das variações ocorridas no Lucro Antes dos Juros e do Importo de Renda, que se refletem no Lucro Líquido. O seu cálculo sempre toma como base de referência uma determinada data e se prolonga por um universo temporal conhecido (acontecido ou projetado); tem nível específico de produção e venda; preços de venda e custos operacionais variáveis e fixos que determinam um valor base para o LAJIR. O GAF, então, expressa o número de vezes que a variação do “Lucro Líquido” representa a variação do “Lucro Antes dos Juros e do Importo de Renda”, tomando-se uma data imediatamente anterior a tomada de recursos externos, como ponto de referência para o cálculo desse crescimento.
O GAF pode ser encontrado com o uso das seguintes fórmulas:
GAF = Variação % no Lucro Líquido / Variação % no LAJIR = ΔLL / ΔLAJIR = nº de vezes.
ou

GAF = LAJIR / LAJIR – Despesas Financeiras = JAJIR / LAIR = nº de vezes.

3. ALAVANCAGEM COMBINADA

O estudo da alavancagem empresarial parte do princípio de que todos os negócios têm condição de impulsionar suas produção e venda, com a utilização de capital de terceiros. Se por um lado, o uso de recursos externos à empresa tem sido o modus operandi por excelência do sistema capitalista, por outro todas as organizações possuem custos operacionais fixos. Daí porque todas apresentam condições idéias para uma ação combinadas de alavancagem operacional e alavancagem financeira, efeito que se conhece por Alavancagem Total ou Alavancagem Combinada (GAC), que pode ser encontrada pelas seguintes fórmulas:

GAC = Variação % do Lucro Liquido / Variação % nas vendas = ΔLL / ΔRTV (Δ da quantidade) = nº de vezes
ou

GAC = Margem de Contribuição Total / LAJIR – Despesas Financeiras = Margem de Contribuição Total / ΔLucro Antes do Importo de Renda = nº de vezes

QUINTA AULA – ANÁLISE DO GRAU DE RISCO DE CRÉDITO

1. O RISCO DE CRÉDITO

Quando do Processo de Concessão de Crédito a empresa deverá ter presente que, paralelamente à Identificação de Potencial para aumento de Vendas, se defrontará com riscos no efetivo recebimento de seus Valores a Receber de vendas a prazo. Além do mais, a sociedade terá que contabilizar, a título de Devedores Duvidosos, as perdas prováveis. Graficamente, a situação pode ser apresentada da seguinte forma:

AUMENTO DE VENDAS

RISCO NA LIQUIDAÇÃO DOS VALORES COM PROVÁVEIS DEVEDORES DUVIDOSOS

2. GARANTIAS DE CRÉDITO

Quando da realização de negócios, envolvendo um grau de risco acima de limites considerados normais, é prudente que a empresa vendedora solicite garantias adicionais.

2.1 Caução

Dentre as principais espécies de garantias, está a caução, que é um tipo de garantia que pode ser real ou fidejussória (ou pessoal) a saber:
a) A caução real é a vinculação de um bem móvel ou imóvel, do próprio devedor ou de terceiros, responsável pelo cumprimento da obrigação.
b) A caução fidejussória é um compromisso firmado por uma ou mais pessoas, quanto a liquidação de determinada obrigação, sendo a fiança sua principal espécie.

2.2 Fiança

Outro tipo de garantia muito comum em operações entre vendedor e comprador ou entre financiador e financiado é a Fiança. É um contrato que deve caracterizar a figura de três pessoas básicas: o Fiador, o Credor e o Devedor ou Afiançado. Em alguns casos, pode aparecer ainda a figura do abonador que presta, na realidade, urna subfiança que favorece o credor, a empresa vendedora. Entretanto, há que se tomar alguns cuidados e se entender os seus princípios básicos. A seguir são relacionadas algumas das características dessa forma de garantia creditícia:
• Um dos pressupostos básicos, para eficácia do contrato de Fiança se refere a capacidade legal do fiador. Desta forma, ficam excluídos os interditos, os falidos e os menores, salvo quando emancipado.
• A Fiança de caráter comercial, pressupõe a existência de um comerciante a ser afiançado e que a obrigação principal tenha corno origem ou base urna causa comercial. Portanto, é designado “fiador comercial” como sendo a pessoa que garante o cumprimento de urna obrigação comercial.
• Um contrato de Fiança será sempre interpretado de forma dentro do seu teor, não admitindo interpretação extensiva.
• Um contrato de Fiança cingir-se-á, exclusivamente, à garantia que foi dada. Assim, uma fiança, garantindo apenas o valor principal de um contrato, não poderá ser estendida às multas contratuais e outros acessórios do crédito.
• Deve ser entendida, de forma clara, a distinção entre o Aval e o instituto da Fiança. O Aval constitui uma declaração cambial cuja finalidade básica é garantir a liquidação, fundamentalmente de uma Letra de Câmbio, Nota Promissória ou de outros títulos como o Cheque e a Duplicata. O instrumento de Fiança, inclusive, poderá ser formalizada no próprio contrato ou em separado. Por sua vez o Aval deve ser sempre consignado no próprio título cambial.
• Os Contratos ou Estatutos Sociais poderão fixar proibição quanto a prestação de Fiança em nome da sociedade. Neste caso, nenhuma Fiança prestada pela empresa em favor de terceiros terá valor legal.
• A Fiança prestada por um cônjuge só terá validade se contar com o consentimento do outro cônjuge. Assim, a Fiança prestada pelo marido sem consentimento da mulher (e vice-versa) é legalmente nula.
• Quanto a extensão da Fiança, essa poderá obedecer a limite contratualmente estabelecido. Pode, inclusive, ser de valor inferior ao da obrigação principal; ao valor da venda ou do empréstimo.
• O credor poderá exigir que o fiador seja substituído, quando este se tornar insolvente ou incapaz. Por outro lado, o fiador poderá desobrigar-se da fiança quando lhe convier. Neste último caso, o credor poderá exigir do devedor nova Fiança ou reclamar o pagamento imediato da dívida.
• No caso de fiança conjunta ou co-fiança fica presumida a solidariedade entre os co-fiadores. Nesse caso o credor poderá cobrar a dívida integral de qualquer um dos fiadores. Se no instrumento de Fiança estiver estipulado uma divisão de responsabilidade, cada fiador responderá unicamente pela parte identificada como de sua responsabilidade.
• Será considerada nula a Fiança prestada por pessoa absolutamente incapaz. Entretanto, o analfabeto poderá dar Fiança através de instrumento público, sem que o ato seja considerado nulo.
• Uma Fiança pode ser extinta através de diversas formas, destacando-se: Por pagamento do valor principal, por novação da divida, por compensação ou encontro de contas, por remissão ou perdão voluntário da divida, por nulidade, por prescrição etc.
• O falecimento do fiador extingue a responsabilidade da Fiança, mesmo que prestada por prazo determinado. Entretanto, a responsabilidade da Fiança se acumulará até a data de sua morte. Os herdeiros ficam inclusive responsáveis pelas obrigações ocorridas até aquela data. Quando de Fiança prestada por casal deve-se tomar cuidado que a mesma seja prestada de forma conjunta e solidária, pois em caso de falecimento de um dos cônjuges não se extinguirá a responsabilidade por falta da ação conjunta, o que ocorre diante de casos de consentimento informal (não escrito).

3. ANALISE DE CLIENTES EM DIFICULDADES

Um ponto que deverá ser objeto de especial atenção do profissional de crédito se refere ao processo de aprovação do crédito de clientes em situação de dificuldade acentuada. Além da análise quanto ao comportamento de pagamento que constitui um ponto de fundamental importância, quando se tratar de cliente de real importância para a empresa, uma série de aspectos de caráter estrutural deverão ser objeto de análise, destacando-se:

3.1 Aspectos empresariais

Na análise dos aspectos empresariais deverão ser observados os seguintes pontos:
a) Qual o porte da empresa em situação de dificuldade objeto de crédito?
b) Qual o Quadro de Acionistas da empresa e sua capacidade do ponto de vista econômico e financeiro?
c) Quais os Principais Dirigentes da empresa, sua capacidade e experiência profissional?

3.2 Aspectos industriais

Na análise dos aspectos industriais deverão ser observados seguintes pontos:
a) Qual o nível das instalações da empresa, mormente no que se refere à área industriais?
b) Qual o Grau de Tecnologia considerando os principais produtos da empresa?
c) Qual o grau de participação de custos fixos e variáveis custo de produção?

3.3 Aspectos mercadológicos

Na análise dos aspectos mercadológicos deverão ser os seguintes pontos:
a) Qual o Grau de Participação da empresa no Mercado?
b) Qual o Grau de Necessidade dos principais produtos da empresa?
c) Qual o Grau de Estrutura Mercadológica da empresa?

3.4 Aspectos financeiros

Na análise dos aspectos financeiros deverão ser observados seguintes pontos:
a) Qual o Grau de Liquidez e de Estrutura de Capital da Empresa?
b) Qual o Ponto de Equilíbrio operacional da empresa?
c) Quais os últimos Resultados Operacionais registrados pela empresa?
Portanto, além dos aspectos identificadores do comportamento financeiro do cliente, obtido através do registro de contas correntes, uma série de pontos de significativa importância podarão ser objeto de análise, a fim de se concluir sobre o real grau de confiabilidade e conseqüentemente do volume de crédito a ser concedido.
Uma empresa apresentando-se de forma positiva, considerados sob os diferentes aspectos, poderá estar apenas, temporária e transitoriamente enfrentando um problema de fluxo de caixa e, portanto, merecedora de um tratamento específico e não simplesmente ser destruída ou eliminada do quadro de clientes da organização.

4. ANALISE DAS PRINCIPAIS CAUSAS DE FALÊNCIAS E CONCORDATAS

O profissional de crédito deve ter, corno urna de suas responsabilidades básicas, acompanhar o andamento do mercado objeto de atuação da empresa, conhecendo seus desenvolvimento, tendências e principais problemas representativos de pontos de dificuldade ou situação gravosa.

4.1 Problemas de estrutura de capital

Uma das principais causas de dificuldades financeiras é decorrente da existência de urna estrutura inadequada de capital próprio e de terceiros. A empresa, em fundação de dificuldades de capitalização ou de prejuízos acumulados apresenta urna estrutura de capital em desequilíbrio com suas necessidades’ de capital de giro, agravando, em conseqüência, o seu fluxo de caixa. Para resolução do problema, a empresa passa a contratar somas adicionais de capital de terceiros, na forma de empréstimos e financiamentos, aumentando seus custos financeiros, às vezes, a limites acima de sua capacidade de absorção, agravando assim seus prejuízos.

4.2 Problemas de vendas
A queda no volume de vendas constitui urna segunda grande causa de falências e concordatas de empresas. Quando de sua identificação, a gerência de crédito deverá analisar as principais causas e prováveis problemas decorrentes, a fim de concluir quanto a probabilidade de recuperação e conseqüentemente do grau de risco para efeito de concessão de crédito. Na análise do problema podemos destacar:

4.2.1 Principais Causas
Dentre as principais causas de queda no volume de vendas podem identificadas como decorrente de:
a) Aumento do grau de competição.
b) Introdução de inovações técnicas tornando os produtos da empresa obsoletos.
c) Avanços tecnológicos de produção com redução de custos pelos concorrentes.
d) Mudança de hábitos ou estilos de consumo
e) Outros problemas políticos ou sociais.

4.2.2 Principais Conseqüências
Dentre as principais conseqüências decorrentes da queda no volume vendas podem ser destacadas:
a) Provável aparecimento de necessidades financeiras para cobertura de caixa.
b) Aumento da participação de custo financeiro.
c) Aumento nos custos de produção dado a redução no volume de produção com o conseqüente aumento na participação dos custos fixos.
d) Dificuldade de absorção de custos fixos de vendas e administrativos
e) Redução do grau de lucratividade da empresa.

4.3 Problemas de gerencia
Urna terceira grande causa identificável como responsável por grande número de quebra de empresas, até mesmo de porte acentuado se refere a problemas de qualidade gerencial. A falta de capacidade da gerência, o grau acentuado de comodismo e incompetência aliado a maus hábitos e transferência de problemas particulares para empresa, além de total despreparo para participação em programas de treinamento gerencial constitui um problema de acentuada gravidade e responsável pelo fraco desempenho até de grandes organizações.
É exatamente nesse ponto que se deve ressaltar a importância de se manter um contato pessoal com a gerência das empresas dos clientes, principalmente aquelas mais representativas em termos de risco, a fim de que se possa avaliar o grau de problemas nessa área de análise.

SEXTA AULA – ANÁLISE DE CAPITAL DE GIRO

1. CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO

Os ativos circulantes, normalmente chamados de capital de giro ou capital circulante, representam a parcela do investimento que circula de uma forma a outra, durante a condução normal dos negócios. Essa idéia compreende a transição periódica de caixa para estoques, destes para duplicatas a receber e de volta para caixa, que compõe o ciclo operacional da empresa. Na condição de substitutos de caixa, os títulos negociáveis são considerados como parte do capital de giro. Da mesma forma, as despesas pagas antecipadamente estão incluídas no capital de giro porque representam serviços devidos à empresa e que são usados na realização de suas atividades, eliminando a necessidade de desembolsos de caixa posteriores.
Os passivos circulantes representam os financiamentos a curto prazo da empresa, pois incluem todas as dúvidas que terão seu vencimento (e deverão ser pagas) em um ano ou menos. Tais dívidas incluem normalmente os valores devidos a fornecedores (duplicatas a pagar), bancos (títulos a pagar), empregados e governo (contas a pagar), dentre outros.
[...] O capital circulante líquido (CCL) é usualmente definido como a diferença entre os ativos circulantes e os passivos circulantes da empresa. Quando os ativos circulantes superam os passivos circulantes, a empresa tem capital circulante líquido positivo. Nessa situação mais comum, o capital circulante líquido é a parcela dos ativos circulantes da empresa financiada com recursos a longo prazo (a soma do exigível a longo prazo e patrimônio líquido), os quais excedem as necessidades de financiamento dos ativos permanente. Visto que os passivos circulantes representam fontes de recursos a curto prazo, quando os ativos circulantes superam os passivos circulantes, a diferença precisa ser financiada com fundos a longo prazo.
Quando os ativos circulantes são menores que os passivos circulantes, a empresa tem capital circulante líquido negativo. Nessa situação menos usual, o capital circulante líquido é a parcela dos ativos permanentes da empresa que está sendo financiada com passivos circulantes. Essa conclusão decorre da equação do balanço patrimonial: o ativo total é igual à soma do passivo com o patrimônio líquido.
De forma geral, quanto maior a margem pela qual os ativos circulantes de uma empresa cobrem suas obrigações a curto prazo (passivos circulantes), tanto mais apta ela estará para pagar suas contas nos vencimentos. Essa relação resulta do fato de que a conversão de ativos circulantes, de estoques para duplicatas a receber e destas para caixa, provê os recursos necessários para pagamento das obrigações correntes, as quais representam uso de caixa. Tais saídas de caixa são relativamente previsíveis. Quando uma obrigação é assumida, a empresa geralmente sabe a data de seu vencimento. Por exemplo, quando se adquirem mercadorias a prazo, as condições estabelecidas pelo fornecedor incluem o pagamento em uma dada data futura. De outro lado, é difícil prever as entradas de caixa – isto é, a conversão de ativos circulantes para formas mais líquidas. Quanto mais previsíveis forem as entradas de caixa, menores as necessidades de CCL por parte das empresas. Como a maioria das empresas não consegue conciliar com precisão as entradas e as saídas de caixa, os ativos circulantes precisam exceder os passivos circulantes. Dito de outra forma, uma parcela dos ativos circulantes é freqüentemente financiada com fundos a longo prazo.

2. O TRADEOFF ENTRE RISCO E LUCRATIVIDADE

O investimento total de uma empresa os ativos circulantes (capital de giro) e ao ativos permanentes, sendo que sua lucratividade e risco são afetados pela relação entre essas duas categorias. O nível de ativos permanentes de uma empresa é determinado pela escala de produção e pela intensidade de uso do fator capital. Por sua vez, o nível de ativos circulantes guarda estrita relação com o nível da produção, acompanhando de forma direta os aumentos e reduções desta.
A lucratividade, neste contexto, é a relação entre receitas e custos gerada pelo uso dos ativos da empresa (circulante e permanente) nas suas atividades produtivas. O lucro de uma empresa pode ser aumentado de dois modos: (1) aumentando-se as receitas ou (2) reduzindo-se os custos. As empresas mais rentáveis são geralmente aquelas que detêm a maior parcela de mercado para seus produtos.
O risco [...] tem dois significado. O risco operacional é o risco de não se poder cobrir os custos operacionais. Já o risco financeiro refere-se à impossibilidade de efetuar os pagamentos fixos programados decorrentes de empréstimos, leasing e dividendos preferenciais. Para o objetivo deste capítulo, risco será definido como a probabilidade de que a empresa não esteja apta a pagar suas obrigações no vencimento. Uma empresa que não consegue saldar suas dívidas no vencimento é considerada tecnicamente insolvente.
Geralmente, entende-se que quanto maior o CCL de uma empresa, menor o seu risco, exatamente porque sua liquidez reduz a probabilidade de que ela se torne tecnicamente insolvente. Entretanto, tal suposição pode ser equivocada. Como já foi mencionado, um CCL positivo significa que fundos a longo prazo estão financiando parte dos ativos circulantes. Como os custos desses recursos a longo prazo costumam ser mais caros do que aqueles a curto prazo, a empresa poderá enfrentar maiores restrições.

3. VARIAÇÕES NOS ATIVOS CIRCULANTES

Os efeitos das variações no nível dos ativos circulantes sobre o tradeojfrisco-lucratividade das empresas podem ser ilustrados mediante a uso da relação ativos circulante totais, que indica a porcentagem dos ativos totais constituída por ativos circulantes. A parte superior do Quadro 16.2 resume os efeitos sobre o risco e a lucratividade a partir de variações desse índice, supondo-se que os ativos totais permaneçam inalterados . Quando o índice aumenta, a lucratividade reduz-se devido ao fato de que os ativos circulantes são menos rentáveis do que os ativos permanentes, dado que estes acrescentam mais valor aos produtos. Sem os ativos permanentes a empresa não poderia produzir.
O risco, entretanto, reduz-se à medida que cresce esse índice. Um aumento nos ativos circulantes eleva o CCL e, portanto, reduz o risco de insolvência técnica. Ademais, as contas do ativo são apresentadas no balanço em ordem crescente de risco. Assim, os investimentos em caixa e títulos negociáveis são menos arriscados que as duplicatas a receber, os estoques e os ativos permanentes. O investimento em duplicatas a receber apresenta menor risco do que em estoques e ativos permanentes. Finalmente, o investimento em estoques representa risco menor que o investimento em ativos permanentes. Em outros termos, quanto mais um ativo se aproxima da conta-caixa no balanço, tanto menos arriscado ele será. Geralmente, é mais fácil transformar duplicatas a receber em caixa do que fazê-lo com estoques. Como exemplo adicional, os investimentos em ativos permanentes têm maturação a longo prazo e o surgimento de maquinários e instalações novos e mais eficientes pode tornar os ativos permanentes de uma empresa relativamente ineficientes ou obsoletos. Efeitos opostos sobre a lucratividade e o risco resultam de uma diminuição na relação entre circulantes e ativos totais.

4. VARIAÇÕES NOS PASSIVOS CIRCULANTES

Os efeitos de variações no nível de passivos circulantes da empresa sobre a lucratividade e o risco também podem ser demonstrados, usando-se a relação dada por passivos circulantes e ativos totais. Esse índice revela a percentagem dos ativos totais da empresa que está sendo financiada por passivos circulantes. A parte inferior do Quadro 16.2 mostra as conseqüências sobre o risco e a lucratividade das variações nesse índice, enquanto se mantém inalterado o total de ativos da empresa. Vê-se que, quando o índice se eleva, a lucratividade aumenta, devido ao maior uso de recursos menos onerosos (financiamentos a curto prazo). Os passivos circulantes são menos onerosos, uma vez que apenas os títulos a pagar, que representam cerca de 20% do passivo circulante de um fabricante típico, têm um custo definido; as demais obrigações são dívidas sobre as quais normalmente não incidem encargos ou juros. Entretanto, o risco de insolvência técnica também se eleva, pois o aumento do passivo circulante leva à redução do CCL. Efeitos opostos sobre a lucratividade e o risco adviriam da redução no índice de passivos circulantes sobre ativos totais.

SÉTIMA AULA – FLUXO DE CAIXA

Introdução

A crescente complexidade do processo administrativo leva os gestores de empresa a buscarem incansavelmente alternativas para superar os desafios encontrados no seu dia-a-dia. A escassez de recursos financeiros e o elevado custo para sua captação, juntamente com a falta de planejamento e controle, têm contribuído para que muitas empresas encerrem suas atividades. Em épocas de crise o gestor precisa de informações contábeis precisas e oportunas para apoiar o seu processo decisório.

O objetivo do presente trabalho não é apresentar algo novo, mas sim, evidenciar a existência de ferramentas eficazes na gestão empresarial. Como exemplo disso temos o planejamento e o controle financeiro, que quando implantados com seriedade na gestão de uma empresa contribuem para o acompanhamento das diretrizes e para o alcance das metas estabelecidas.

Assim, o trabalho está dividido em duas partes. A primeira mostra o fluxo de caixa como peça fundamental do planejamento e controle financeiro, apresentando-se como instrumento imprescindível na gestão empresarial. A segunda parte evidencia o valor informativo do fluxo de caixa em forma de demonstração contábil, visando atender às necessidades dos usuários externos.

Planejamento e controle financeiro

Planejar é uma das tarefas mais importantes do gestor. Através do planejamento é que se realiza uma gestão eficaz. Administrar uma empresa sem planejar suas atividades é como pilotar uma aeronave sem fazer o plano de vôo: fica-se sujeito a um pouso forçado a qualquer momento e lugar, podendo sofrer apenas um grande susto, como também ter destruição total. Se não planejar suas atividades, o gestor corre o risco de ser surpreendido por imprevistos e colocar a empresa em grandes dificuldades, ou até mesmo levá-la à falência. O planejamento se faz necessário em todas as atividades da empresa, mas principalmente nas atividades da área financeira. Ross et al. (1995:522) afirmam que “o planejamento financeiro determina as diretrizes de mudança numa empresa. É necessário porque (1) faz com que sejam estabelecidas as metas da empresa para motivar a organização e gerar marcos de referência para a avaliação de desempenho, (2) as decisões de investimento e financiamento da empresa não são independentes, sendo necessário identificar sua interação, e (3) num mundo incerto a empresa deve esperar mudanças de condições, bem como surpresa.”.

Nesse contexto, planejamento financeiro é o processo formal que conduz a administração da empresa a acompanhar as diretrizes de mudanças e a rever, quando necessário, as metas já estabelecidas. Assim, poderá a administração visualizar com antecedência as possibilidades de investimento, o grau de endividamento e o montante de dinheiro que considere necessário manter em caixa, visando seu crescimento e sua rentabilidade.
Gitman (1987:250) afirma “os planos financeiros e orçamentos fornecem roteiros para atingir os objetivos da empresa. Além disso, esses veículos oferecem uma estrutura para coordenar as diversas atividades da empresa e atuam como mecanismo de controle estabelecendo um padrão de desempenho contra o qual é possível avaliar os eventos reais.”

Nota-se que o planejamento financeiro, além de indicar caminhos que levam a alcançar os objetivos da empresa, tanto a curto como a longo prazo, cria mecanismos de controle que envolvem todas as suas atividades operacionais e não-operacionais. O planejamento e o controle orçamentário, quando realizado juntamente com o controle financeiro, possibilitam mudanças táticas rápidas para tratar de eventos estranhos ao processo administrativo, os quais colocam em risco o alcance das metas estabelecidas. Aumentos inesperados no índice de inadimplência no recebimento de créditos ou dificuldades na obtenção de recursos de terceiros são rapidamente identificados. Com um controle financeiro eficaz, a empresa poderá sempre adotar uma postura proativa em relação a tais eventos.

Na visão de Welsch (1996:255-256), o planejamento e o controle de disponibilidades normalmente devem estar relacionados a três dimensões temporais diferentes: ”Planejamento a longo prazo quando a ocorrência de fluxos corresponde às dimensões dos projetos de investimento e à dimensão temporal do plano de resultados a longo prazo (geralmente de cinco anos).
1.Planejamento a curto prazo quando a ocorrência de fluxos está enquadrada no plano anual de resultados.
2. Planejamento operacional, em que as entradas e saídas de caixa são projetadas para o mês, a semana ou o dia seguint”.

O planejamento financeiro a longo prazo busca conhecer antecipadamente o impacto da implementação de ações projetadas sobre a situação financeira da empresa, indicando ao gestor se haverá excesso ou insuficiência de recursos financeiros. O planejamento financeiro a curto prazo reflete a preocupação de estimar detalhadamente as entradas e saídas de dinheiro geradas pela própria atividade da empresa. E o planejamento operacional destina-se ao controle preciso das disponibilidades, a fim de minimizar os encargos financeiros dos empréstimos e maximizar os rendimentos das aplicações dos excessos.

Afirmam Gropelli e Nikbakht (1998:365) que “o sucesso e a solvência de uma empresa não podem ser garantidos meramente por projetos rentáveis e pelo aumento das vendas. “A crise de liquidez”, isto é, a falta de caixa para pagar as obrigações financeiras sempre põe em perigo uma companhia.”

A gestão financeira, para ser eficaz, precisa estar sustentada e orientada por um planejamento de suas disponibilidades. Para isso o gestor precisa de instrumentos confiáveis que o auxiliem a otimizar os rendimentos dos excessos de caixa ou a estimar as necessidades futuras de financiamentos, para que possa tomar decisões certas e oportunas. A sobrevivência e o crescimento da empresa são conseqüências de um planejamento que envolve volume de vendas com margens de lucros que remunerem de forma satisfatória o capital investido e um plano de recebimentos e pagamentos intercalados com boa margem de segurança do primeiro para o segundo, garantindo assim a viabilidade e a permanência da empresa no mercado. Neste contexto, o fluxo de caixa tem-se apresentado como uma das ferramentas mais eficazes na gestão financeira das empresas, como afirma Zdanowicz (1998:19): “O fluxo de caixa é o instrumento que permite ao administrador financeiro planejar, organizar, coordenar, dirigir e controlar os recursos financeiros de sua empresa para um determinado período.”

O fluxo de caixa possibilita ao gestor programar e acompanhar as entradas (recebimentos) e as saídas (pagamentos) de recursos financeiros, de forma que a empresa possa operar de acordo com os objetivos e as metas determinadas, a curto e a longo prazos. A curto prazo para gerenciar o capital de giro e a longo prazo para fins de investimentos.

Gerenciamento do fluxo de caixa

Os relatórios provenientes do sistema contábil são os principais instrumentos de gestão empresarial, tendo como objetivo fornecer informações relevantes para que cada usuário possa tomar suas decisões com segurança. No entanto, com a crescente complexidade das organizações empresariais, somente com as informações clássicas da contabilidade, ou seja, Balanço Patrimonial, Demonstração de Resultado do Exercício – DRE e Demonstração de Origem e Aplicação dos Recursos – DOAR, dificilmente o gestor terá conhecimento imediato e oportuno da verdadeira liquidez da sua empresa. Não basta a empresa apresentar lucro contábil. É preciso que a equação “Ativo Circulante vs. Passivo Circulante” esteja compatível com sua necessidade de capital de giro. Isto faz com que o gestor se utilize de todos os instrumentos disponíveis que, juntamente com os demais demonstrativos contábeis, ajude-o a interpretar a realidade financeira da empresa, conhecendo e coibindo eventos estranhos que possam afetar o seu desempenho financeiro.

Assim, o fluxo de caixa apresenta-se como uma ferramenta de aferição e interpretação das variações dos saldos do Disponível da empresa. É o produto final da integração do Contas a Receber com o Contas a Pagar, de tal forma que, quando se comparam as contas recebidas com as contas pagas tem-se o fluxo de caixa realizado, e quando se comparam as contas a receber com as contas a pagar, tem-se o fluxo de caixa projetado. (Sá, 1998:03) (…)

O fluxo de caixa é um retrato fiel da composição da situação financeira da empresa. É imediato e pode ser atualizado diariamente, proporcionando ao gestor uma radiografia permanente das entradas e saídas de recursos financeiros da empresa. O fluxo de caixa evidencia tanto o passado como o futuro, o que permite projetar, dia a dia, a evolução do disponível, de forma que se possam tomar com a devida antecedência, as medidas cabíveis para enfrentar a escassez ou o excesso de recursos.

Por outro lado é importante ressaltar que o fluxo de caixa também apresenta suas limitações. Uma delas é a incapacidade de fornecer informações precisas sobre o lucro e sobre os custos dos produtos da empresa. Isto porque as apurações e demonstrações são realizadas pelo regime de caixa e não pelo regime de competência. Todavia, pode-se afirmar que o fluxo de caixa é um instrumento de controle e análise financeira que juntamente com as demais demonstrações contábeis torna-se efetivamente um instrumento de apoio à tomada de decisões de caráter financeiro.

Fluxo de caixa realizado

A finalidade do fluxo de caixa realizado é mostrar como se comportaram as entradas e as saídas de recursos financeiros da empresa em determinado período. O estudo cuidadoso do fluxo de caixa realizado, além de propiciar análise de tendência, serve de base para o planejamento do fluxo projetado.
Outro aspecto que deve ser considerado é a comparabilidade que existe entre os fluxo de caixa realizado e o projetado. Isto possibilita identificar os motivos das variações ocorridas, se ocorreram por falha de projeções ou por falhas de gestão. A análise das variações ocorridas no fluxo de caixa permite identificar as causas de eventuais divergências de valores; funciona como feedback, gerando informações para o processo decisório e para o planejamento financeiro futuro.

Fluxo de caixa projetado

O objetivo principal do fluxo de caixa projetado é informar como se comportará o fluxo de entradas e saídas de recursos financeiros em determinado período, podendo ser projetado a curto ou a longo prazo. A curto prazo busca-se identificar os excessos de caixa ou a escassez de recursos dentro do período projetado, para que através dessas informações se possa traçar uma adequada política financeira. A longo prazo, o fluxo de caixa projetado, além de identificar os possíveis excessos ou escassez de recursos, visa também obter outras informações importantes, tais como:

• verificar a capacidade da empresa de gerar os recursos necessários para custear suas operações;
• determinar o capital em giro no período;
• determinar o Índice de Eficiência Financeira da empresa. (IEF = capital em giro / capital de giro da empresa);
• determinar o grau de dependência de capitais de terceiros da empresa; etc.

É bom lembrar que as informações de que a empresa dispõe para elaborar o fluxo de caixa projetado a curto prazo diferem daquelas que estão disponíveis quando se projeta a longo prazo. Normalmente, quando se projeta a curto prazo, as principais operações que vão provocar entradas e saídas de dinheiro já foram realizadas e a empresa trabalha com relativo grau de certeza dos recebimentos e/ou pagamentos dentro do período. No entanto, quando se projeta a longo prazo, o que se conhece são apenas projeção das operações de ingressos e/ou desembolsos de recursos financeiros, ficando o fluxo de caixa projetado a longo prazo exposto a eventos estranhos ao conhecimento primário por parte da empresa, podendo comprometer as previsões consideradas.

Demonstração do fluxo de caixa realizado

Diante da abertura de mercado e da internacionalização de capitais, os investidores e financiadores de capitais buscam a cada dia mecanismos que permitam uma análise mais segura da situação financeira da empresa em que pretendam investir. As informações obtidas através das demonstrações contábeis clássicas não são suficientes para que os analistas de mercado avaliem os riscos e a capacidade de retorno do investimento que a empresa oferece. Segundo Yoshitake e Hoji (1997:149), os analistas de balanços com visão moderna dão mais importância ao fluxo de caixa: ” … não é muito importante saber se uma empresa teve lucro ou prejuízo em determinado exercício, pois o resultado pode ter sido maquilado por algum artifício contábil permitido pela lei e, portanto, sem conhecer o fluxo de caixa, não se pode saber que capacidade a empresa tem em gerar receita.”

Seguindo esse raciocínio, pode-se concluir que lucro não é sinônimo de caixa. De forma que a empresa pode apresentar lucro em suas demonstrações contábeis, no entanto, estar com dificuldade de geração de caixa. Ainda segundo os autores acima: “É sempre bom lembrar que as empresas quebram não por falta de lucro e sim por falta de caixa.” Cabe, porém, ressaltar, que as empresas também não sobrevivem sem lucros, pois sem remunerar o capital investido, a tendência é que as atividades operacionais consumam todo o capital de giro disponível e as levem ao processo de falência.

Para conhecer a capacidade de geração de caixa de uma empresa, é necessário obter, além das demonstrações contábeis clássicas, uma demonstração que evidencie os recebimentos e pagamentos de um determinado período. Buscando atender a essas necessidades dos usuários da informação contábil, países como Inglaterra, Japão, Estados Unidos e outros estão exigindo a publicação da demonstração do fluxo de caixa, por entenderem que somente as demonstrações contábeis clássicas não permitem uma análise segura da situação financeira da empresa.

Nos Estados Unidos, o “Financial Accounting Standards Board” – FASB (Comitê de Normas de Contabilidade Financeira), através do pronunciamento FASB 95 de novembro de 1987, passou a exigir a apresentação da demonstração do fluxo de caixa, em substituição à DOAR, por entender que essa demonstração facilita o entendimento por parte do usuário externo. De acordo com os §§ 4º e 5º do FASB 95, a demonstração do fluxo de caixa tem a finalidade de fornecer informações sobre os recebimentos e pagamentos da empresa em um determinado período, que utilizadas em conjunto com as informações das outras demonstrações contábeis, possibilitarão aos investidores, credores, acionistas e outros interessados conhecerem aspectos importantes da forma de condução do negócio e avaliarem a capacidade da empresa de geração de caixa futuro. Além desses aspectos, as informações sobre o fluxo de caixa poderão identificar a necessidade de financiamento a curto e a longo prazo.

Apresentação do fluxo de caixa realizado

A demonstração de fluxo de caixa não é um demonstrativo novo, pois há tempo é utilizado por muitas empresas para fins gerenciais. No entanto, com a crescente importância dada ao fluxo de caixa na avaliação de viabilidade econômica de projetos, na avaliação de riscos de investimentos, nas operações de fusão e aquisição de empresas, criou-se a necessidade de o usuário externo ter acesso a essas informações, para conhecer a real situação financeira da empresa. Assim, o fluxo de caixa realizado de um período passa a fazer parte das demonstrações contábeis dirigidas aos usuários externos, com o pro
propósito de informá-los sobre o fluxo de ingressos e desembolsos de recursos financeiros resultantes das atividades da empresa.

No Brasil a demonstração do fluxo de caixa ainda não é obrigatória para efeito de publicação. Entretanto estudos em andamentos no Conselho Federal de Contabilidade e no Instituo Brasileiro de Contadores – Ibracon, vêm demonstrando tendência favorável à publicação, de forma que algumas empresas e os fundos de investimentos imobiliários já estão publicando-a junto com as demonstrações contábeis, pois a mesma evidencia as entradas e saídas de caixa no período, numa linguagem que facilita a interpretação para os usuários das demonstrações financeiras (Terco Auditoria e Consultoria S/C, 1998).

O fluxo de caixa realizado pode ser apresentado por meio de duas formas: o método direto e o método indireto(…).

O método direto demonstra os recebimentos e pagamentos derivados das atividades operacionais da empresa em vez do lucro líquido ajustado. Mostra efetivamente as movimentações dos recursos financeiros ocorridos no período. Apresenta-se a seguir modelo adaptado de Yoshitake e Hoji (1997:153):

MODELO DIRETO

Recebimentos de clientes
(-) Pagamentos a fornecedores
(-) Despesas administrativas e comerciais
(-) Despesas financeiras
(-) Impostos
(-) Mão-de-obra direta
(=) Ingressos de recursos provenientes das operações
Recebimentos por vendas do imobilizado
(=) Total dos ingressos dos recursos financeiros
DESTINAÇÕES DE RECURSOS
Aquisição de bens do imobilizado
Pagamentos de Empréstimos bancários
(=) Total das destinações de recursos financeiros
Variação líquida de Disponibilidades
(+) Saldo inicial
(=) Saldo final de Disponibilidade

Como se verifica, a demonstração pelo método direto facilita ao usuário avaliar a solvência da empresa, pois evidencia toda a movimentação dos recursos financeiros, as origens dos recursos de caixa e onde eles foram aplicados.

Já o método indireto é aquele no qual os recursos provenientes das atividades operacionais são demonstrados a partir do lucro líquido, ajustado pelos itens considerados nas contas de resultado que não afetam o caixa da empresa. A seguir apresenta-se um modelo adaptado de Yoshitake e Hoji (1997:151)

MÉTODO INDIRETO

ORIGENS
Lucro líquido do exercício
Mais:
Depreciações
Aumento em imposto de renda a pagar
Aumento em fornecedores
Menos:
(-) Aumento em clientes
(=) Caixa gerado pelas operações
Venda do Imobilizado
(=) Total dos ingressos de Disponibilidade
APLICAÇÕES
Pagamento de Empréstimos bancários
Aquisição de Imobilizado
(=) Total das aplicações de Disponibilidades
Variação líquida das Disponibilidades
(+) Saldo inicial
(=) Saldo final das Disponibilidades

Observa-se pelo modelo apresentado, que a demonstração pelo método indireto é semelhante à DOAR, principalmente pela sua parte inicial, exigindo do usuário maior conhecimento de contabilidade.

Os modelos apresentados seguem a estrutura tradicional da demonstração do fluxo de caixa, que tem como objetivo principal mostrar apenas as entradas e saídas de recursos financeiros. De acordo com Yoshitake e Hoji (1997:153), basicamente demonstram os seguintes itens:

a) Entradas
b) Saídas
c) Diferença (a – b)
d) Saldo Inicial
e) Saldo Final (c + d)

Demonstração dos fluxos de caixa realizado por atividades

Numa visão moderna e buscando aumentar a capacidade informativa dessa demonstração é que muitos países, inclusive o Brasil, estão aderindo ao modelo apresentado pelo “Financial Accounting Standards Board – FASB”, que classifica as atividades em três categorias: atividades operacionais, atividades de investimentos e atividades de financiamentos.

1- Atividades Operacionais: são classificadas nessa categoria aquelas atividades normalmente decorrentes da operação da empresa, tais como: recebimentos pela venda de produtos e serviços; pagamento de fornecedores; despesas operacionais; salários; encargos sociais e outros recebimentos e pagamentos não classificados como atividades de investimentos ou de financiamentos.
2- Atividades de Investimentos: compreendem as transações: concessão e recebimento de empréstimos, compra e resgate de títulos financeiros, aquisição e venda de participações em outras sociedades, compra e venda de ativos utilizados na produção de bens e serviços ligados ao objetivo social da entidade. Não compreendem porém, as aquisições de ativos com o objetivo de revenda.
3- Atividades de Financiamentos: incluem-se nessa categoria: a captação de recursos dos proprietários ou acionistas; a devolução dos recursos e os rendimentos desses recursos em forma de dividendos ou não; a captação de empréstimos de terceiros, sua amortização e remuneração e a obtenção e amortização de outros recursos classificados no longo prazo.

Segundo Pinho (1996:9), “a demonstração dos fluxos de caixa para um determinado período deve apresentar o fluxo de caixa líquido oriundo ou aplicado nas atividades operacionais, de investimentos e de financiamentos e o seu efeito líquido sobre os saldos de caixa, conciliando seus saldos no início e no final do período”.

A movimentação dos recursos financeiros apresentados na demonstração dos fluxos de caixa não inclui somente os saldos de moedas em caixa e os depósitos em contas bancárias: considera também os equivalentes de caixa, ou seja, as contas que possuem as mesmas características de liquidez e de disponibilidade imediata.

Método de apresentação

Segundo o CRC-SP (1997:112-113), o fluxo de caixa referente às transações originadas de atividades operacionais poderá ser apresentado pelo método direto ou indireto. O FASB através da FAS-95 incentiva, mas não exige a utilização do método direto. Com relação às transações originadas em atividades de investimento ou financiamento, tanto pelo método direto como pelo indireto não apresentam diferença na demonstração do fluxo de caixa.

A apresentação pelo método direto, do demonstrativo do fluxo de caixa das atividades operacionais, deve refletir o montante bruto dos componentes principais dos recebimentos e dos pagamentos por caixa, tais como:

• recebimento de clientes, aluguéis e outros recebimentos similares;
• recebimento de juros e dividendos;
• quaisquer outros recebimentos por caixa;
• pagamento a empregados, fornecedores incluindo os de serviços como seguros, propaganda e outros;
• pagamento de juros, impostos e outros pagamentos similares;
• quaisquer outros pagamentos por caixa.

A empresa poderá optar por determinar indiretamente os valores que compõem o fluxo de caixa líquido de suas atividades operacionais pela conciliação do lucro líquido com o fluxo de caixa líquido proveniente das atividades operacionais, utilizando desta maneira o método indireto. No entanto, para conciliar o lucro líquido com o fluxo de caixa líquido se fazem necessários alguns ajustes para eliminar do lucro líquido o efeito de todos os valores diferidos decorrentes de operações de recebimentos e pagamentos, bem como os efeitos de todos os itens classificados no fluxo de caixa como investimentos ou financiamentos, tais como: depreciação, amortização de fundo de comércio, ganhos ou perdas com vendas do ativo imobilizado e outras operações descontínuas.

Independentemente de a empresa optar pelo método direto ou indireto para demonstrar o fluxo de caixa líquido decorrente de suas atividades operacionais, o FASB-95 requer a conciliação do lucro líquido com o fluxo de caixa líquido. Esta conciliação proporciona informações sobre o efeito líquido das transações operacionais e de outros eventos que afetam o lucro líquido e o fluxo de caixa líquido das atividades operacionais em diferentes períodos.

Se a empresa optar pelo método direto a conciliação deve ser feita em demonstrativo anexo à demonstração do fluxo de caixa. Se a opção for pelo método indireto, a conciliação pode ser incluída como parte da demonstração. Outras informações não contempladas pela demonstração devem ser evidenciadas em notas explicativas. Informar em notas explicativas o índice médio de inadimplência, por exemplo, é um método que provavelmente ajudará os usuários externos a formarem melhor opinião sobre a capacidade de realização dos créditos da empresa.

A seguir é apresentado modelo dos métodos direto e indireto, adaptados do CRCSP (1997:114), baseado no FASB-95.

Fluxo de caixa das atividades operacionais

Recebimentos de clientes
Dividendos recebidos
Juros recebidos
Recebimentos por reembolso de seguros
Recebimentos de lucros de subsidiárias
(-) Pagamentos a fornecedores
(-) Pagamentos de salários e encargos
(-) Imposto de renda pago
(-) Juros pagos
Outros recebimentos ou pagamentos líquidos
Caixa Líquido das Atividades Operacionais

Fluxo de caixa das atividades de investimentos
Alienação de imobilizado
Alienação de investimentos
(-) Aquisição de imobilizado
(-) Aquisição de investimentos
Caixa Líquido das Atividades de Investimentos

Fluxo de caixa das atividades de financiamentos
Integralização de capital
Juros recebidos de empréstimos
Empréstimos tomados
Aumento do capital social
(-) Pagamento de leasing (principal)
(-) Pagamentos de lucros e dividendos
(-) Juros pagos por empréstimos
(-) Pagamentos de empréstimos/debêmtures
Caixa Líquido das atividades de financiamentos
Aumento ou redução de Caixa Líquido
Saldo de Caixa – Inicial
Saldo de Caixa – Final

Conciliação do resultado líquido com o caixa líquido das atividades operacionais

Resultado Líquido
(±) Ajustes que não representam entrada ou saída de caixa
(+) Depreciação e amortização
(+) Provisão para devedores duvidosos
(±) Resultado na venda do imobilizado
(±) Aumento ou diminuição do contas a receber
(±) Aumento ou diminuição de estoques
(±) Aumento ou diminuição de despesas antecipadas
(±) Aumento ou diminuição de passivos
(±) Aumento ou diminuição de outros ajustes
(=) Caixa Líquido das Atividades Operacionais

Demonstração do fluxo de caixa – Método indireto

Fluxo de caixa das atividades operacionais

Resultado Líquido
(±) Ajustes que não representam entrada ou saída de caixa
(+) Depreciação e amortização
(+) Provisão para devedores duvidosos
(±) Resultado na venda do imobilizado
(±) Aumento ou diminuição do contas a receber
(±) Aumento ou diminuição de estoques
(±) Aumento ou diminuição de despesas antecipadas
(±) Aumento ou diminuição de passivos
(±) Aumento ou diminuição de outros ajustes
(=) Caixa Líquido das Atividades Operacionais

Fluxo de caixa das atividades de investimentos

(+) Alienação de imobilizado
(+) Alienação de investimentos
(-) Aquisição de imobilizado
(-) Aquisição de investimentos
(=) Caixa Líquido das Atividades de Investimentos

Fluxo de caixa das atividades de financiamentos

(+) Integralização de capital
(+) Juros recebidos de empréstimos
(+) Empréstimos tomados
(+) Aumento do capital social
(-) Pagamento de leasing (principal)
(-) Pagamentos de lucros e dividendos
(-) Juros pagos por empréstimos
(-) Pagamentos de empréstimos/debêmtures
(=) Caixa Líquido das atividades de financiamentos
(=) Aumento ou redução de Caixa Líquido

É oportuno lembrar que os modelos das demonstrações ora apresentados são ferramentas de apoio ao processo decisório construídas com base nas informações do fluxo de caixa realizado, destinadas a atender aos usuários externos, informando-lhes a situação e a capacidade que a empresa teve de geração de caixa num determinado período.

Conclusão

Buscou-se nesse trabalho apresentar ferramentas para evidenciar um dos ativos mais importante de uma empresa, o “Disponível” – pois é ele que supre as necessidades básicas diárias de uma organização, permitindo a continuidade de seu funcionamento.

Percebe-se ainda mais a importância do fluxo de caixa na gestão financeira quando as empresas, principalmente aquelas com segmentos de produtos pouco diferenciados, elaboram o fluxo de caixa para cada linha de produto, procurando obter informações cada vez mais detalhadas do seu processo administrativo diário, facilitando assim o seu processo decisório.

O fluxo de caixa é apresentado como instrumento essencial para a gestão do disponível. A empresa que mantém continuamente atualizado seu fluxo de caixa poderá dimensionar a qualquer momento o volume de entradas e saídas de recursos financeiros, através de mudanças nos prazos de recebimentos e pagamentos, bem como fixar o nível desejado de disponibilidade para o próximo período.

Foram apresentadas várias formas e métodos de se elaborar um fluxo de caixa. Não existe um modelo melhor que o outro, tudo depende da necessidade de informação do usuário. É importante ressaltar que apesar de sua validade o fluxo de caixa apresenta limitações em oferecer informações que diz respeito ao lucro e aos custos dos produtos da empresa. Isto porque sua elaboração é feita pelo regime de caixa e não pelo regime de competência. Todavia, o fluxo de caixa é mais um instrumento que o gestor e o analista de mercado têm a seu alcance, para que, juntando-o às demais demonstrações contábeis, possam tomar suas decisões com maior segurança.

BIBLIOGRAFIA

CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO. Contabilidade no contexto internacional. São Paulo: Atlas, 1997.
GITMAN, Lawrence J. Princípios de administração financeira. 3. ed. São Paulo: Harbra, 1987
GROPPELLI, A. A. e NIKBAKHT, Ehsan. Administração financeira. Tradução de André Olimpio Mosselman Du Chenoy Castro. 3.ed. São Paulo: Saraiva, 1998.
PINHO, Adelino Dias. Demonstração dos fluxos de caixa. São Paulo: Boletim do Ibracon, n.º 220 setembro de 1996.
ROSS, Stephen A. et al. Administração financeira. Tradução Antônio Zoratto Sanvicente. São Paulo: Atlas, 1995.
SÁ, Carlos Alexandre de. Gerenciamento do fluxo de caixa. Apostila, São Paulo: Top Eventos, 1998.
TERCO AUDITORIA E CONSULTORIA S/C. Demonstrações de origens e aplicações de recursos e fluxo de caixa. Apostila, São Paulo: Ibracon, 1998.
WELSCH, Glenn Albert. Orçamento empresarial. Tradução e adaptação à terminologia contábil brasileira de Antônio Zoratto Sanvicente. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1996.
YOSHITAKE, Mariano. e HOJI, Masakazu. Gestão de Tesouraria: controle e análise de transações financeiras em moeda forte. São Paulo: Atlas, 1997.
ZDANOWICZ, José Eduardo. Fluxo de caixa: uma decisão de planejamento e controle financeiros. 7. ed. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1998.

Disponível em: http://www.milenio.com.br/siqueira. Acesso em 24 ago. 2003.

BIBLIOGRAFIA

BRAGA, Roberto. Fundamentos e técnicas de administração financeira. São Paulo: Atlas, 1989.
CARVALHO, Fernando Mauro et all. Análise e administração financeira. 2ª ed. Rio de Janeiro: IBMEC, 1985.
DOWSEY, Getúlio dos Santos. Administração financeira e economia empresarial. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1989.
GITMAN, Lawrence J. Princípios de administração financeira. 7ª ed. São Paulo: Harbra, s/data.
LEITE, Helio de Paula. Introdução à administração financeira. São Paulo: Atlas, 1993.
MARTINS, Eliseu e ASSAF NETO, Alexandre. Administração financeira. São Paulo: Atlas, 1992.
ROSS, Stephen A, WESTERFIELD, Randolph W. e JAFFE, Jeffrey F. Administração financeira. São Paulo: Atlas, 1995.
SANVICENTE, Antonio Zoratto. Administração financeira. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 1987.
FEMENICK, Tomislav R. Análise de risco de crédito: formação para executivos. 3ª ed. São Paulo: Acrefi/Femenick & Associados, 1992.
VAN HORNE, James C. Fundamentos de administração financeira. 5ª ed. Rio de Janeiro: Prentice-Hall: 1984.
VAN HORNE, James C. Política e administração financeira. São Paulo: Edusp/Rio de Janeiro: Livros Técnios e Científicos, 1974.



Alguém nos encontrou com os seguintes termos de pesquisa:

  • Quais são as regras que obrigatoriamente o analista deverá seguir para fazer as adequações das demonstrações contábeis para fins de análise?