Administração Financeira & Orçamentos

Tomislav R. Femenick 
São Paulo: Unibero, 1997 

Esta monografia nada mais é do que a reunião de apontamentos de aulas e não deve ser tomada como base principal para o estudo de parte da matéria ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTOS. Para um aprendizado correto nada pode substituir o livro didático. No final desta apostila há a bibliografia que recomendamos para que o aluno tenha o perfeito conhecimento da disciplina.

I – REVISÃO DE CONHECIMENTOS CONTÁBEIS

1. Balanço Patrimonial

O Balanço Patrimonial das empresas está dividido em:

● ATIVO, onde estão registrados os seus direitos e os bens.
● PASSIVO, que representa as obrigações e os recursos próprios.

Balanço é como se fosse uma fotografia do valor contábil da empresa, em uma determinada data. É como se toda a empresa tivesse ficado imóvel, momentaneamente O Balanço é apresentado em dois segmentos: no lado esquerdo, estão os ativos, e no lado direito vemos os passivos e os recursos próprios da empresa. No balanço está evidenciado o que a empresa possui e como as suas atividades e os seus bens são financiados.

Matematicamente o Balanço Patrimonial poderia ser apresentado pela seguinte formula: ”Ativos = Passivos + Patrimônio dos acionistas (dos sócios). Colocamos um sinal de identidade na equação para indicar que a igualdade deve sempre vigorar, por definição. Na realidade, o patrimônio dos acionistas é definido pela diferença entre os ativos e os passivos da empresa. Em princípio, o patrimônio é o que os acionistas deveriam ter na empresa, depois que esta saldasse todas as suas dívidas […]. Os ativos são apresentados, no balanço, segundo a ordem do prazo que normalmente se passa até que uma empresa em funcionamento normal os converte em dinheiro. O lado do ativo depende da natureza do negócio e de como a administração decide conduzi-lo. A administração precisa tomar decisões quanto aos níveis relativos de caixa versus aplicações financeiras, vendas a prazo versus vendas a vista, se deve fabricar ou comprar mercadorias, arrendar ou comprar bens, os tipos de atividade em que deve se envolver, e assim por diante. Os passivos e o patrimônio são apresentados na ordem em que devem ser pagos. O lado do passivo e do patrimônio dos acionistas reflete os tipos e as proporções de financiamento, os quais dependem da escolha pela administração de uma estrutura de capital, como, por exemplo, as proporções entre capital de terceiros e capital próprio, e entre endividamento de curto e de longo prazo” (ROSS et al, 1995, p. 42).

PERMANENTE
– investimentos
– Imobilizado

Por sua vez o Passivo se apresente em ordem de exigibilidade:

● CIRCULANTE (curto Prazo)
– Bancos
– Fornecedores
– Tributos (impostos, taxas e contribuições sociais)
– Salários
● EXIGÍVEL DE LONGO PRAZO
● PATRIMÔNIO LÍQUIDO
– Capital
– Reservas e lucros

Lembrem-se:

● “Ativo Circulante” é tudo aquilo que a empresa tem de direitos indiscutíveis, a seu favor.
● “Realizável” são os direitos com realização prevista a longo prazo.
● “Ativo Permanente” é tudo aquilo que a empresa possui de imobilizado, como imóveis, máquinas, instalações etc., além das participações societárias em outras empresas.
● “Passivo Circulante” é tudo aquilo que a empresa deve, a curto prazo.
● “Exigível” é o que a empresa deve a longo prazo.
● “Patrimônio Líquido” é composto pelo recursos próprios da empresa.

O “Ativo” menos o “Passivo Circulante” e o “Exigível A Longo Prazo” resulta no “Patrimônio Liquido”. Quanto maior o Patrimônio Liquido menos a empresa deve a terceiros. O contrário também é verdadeiro.

2. Demonstração de Resultado

A Demonstração do Resultado evidencia o desempenho da empresa, no decorrer de um determinado período — legalmente obrigatório de um ano. Pode-se, também, levantar por períodos menores: um mês, um trimestre, um semestre, por exemplo.

“A definição contábil de resultado é Receita – Despesas = Resultado (destaque nosso). Enquanto o balanço assemelha-se a um instantâneo, a demonstração do resultado é similar a uma gravação em vídeo do que as pessoas fizeram entre dois instantâneos(…) A demonstração do resultado geralmente possui varias partes. A parte relativa às operações apresenta as receitas e despesas da empresa em suas atividades principais. Dentre outras coisas, a parte não operacional inclui todos os custos de financiamento, como as despesas com juros. Geralmente, uma outra parte indica, como item separado, o montante de impostos devidos sobre o lucro. O último item da demonstração é o resultado líquido do exercício” (ROSS et al, 1995, p. 42). – lucro ou prejuízo.

IMPORTANTE: O BALANÇO PATRIMONIAL é levantado, obrigatoriamente, uma vez por ano, porém algumas empresas o fazem a cada semestre ou mesmo mensalmente. Ele retrata a situação da empresa naquele determinado momento. Por sua vez a DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO é o acumulado de tudo o que aconteceu na empresa, desde o último Balanço até a data do seu levantamento. Este documento evidencia se as operações da empresa deram lucro ou prejuízo.

II – ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

A análise de índices das Demonstrações Financeiras de uma empresa, entre elas o Balanço Patrimonial e as Demonstrações Financeiras, interessa aos sócios atuais e potenciais, fornecedores, financiadores, governo, funcionários e, primordialmente, aos administradores da própria empresa.

O interesse dos sócios (acionista existente ou potencial) é centrado em dois aspectos:

● No nível de risco presente e futuro, que a empresa analisada pode apresentar, isto é, na liquidez evidenciada, na atividade a que a empresa se dedica e no grau de endividamento.
● No retornos de suas aplicações, isto é na lucratividade que poderá obter em decorrência de ter aplicado (ou vir a aplicar) dinheiro na empresa.

Os fornecedores e instituições financeiras estão basicamente interessados na liquidez (capacidade de pagamento) a curto prazo e na capacidade que a empresa tem de cumprir seus compromissos a longo prazo. Em outras palavras: eles querem se certificar de que a empresa tem condições concreta para pagar seus débitos e poderá fazer os pagamentos dos recursos que tomou emprestados, mais os juros e encargos, na data de vencimento dos empréstimos e financiamentos. Os credores em potencial querem ter segurança de que a empresa pode arcar com novos empréstimos. Um interesse secundário dos credores é a lucratividade da empresa; eles querem se certificar de que a empresa é saudável e continuará a gerar rentabilidade.

Por sua vez, os administradores se preocupam com a capacidade da empresa obter dinheiro, através do lançamento de novas ações ou debêntures, por intermédio da obtenção de empréstimos, ou por qualquer outro meio. Além do mais os administradores usam os índices para acompanhar o desempenho da empresa. Quaisquer anormalidades indicada pela análise dos índices, devem provocar atos que visem eliminar os problemas.

“A análise financeira fornece ao administrador os instrumentos necessários para verificar continuamente o funcionamento da empresa, de forma a implementar programas corretivos, logo que forem encontrados sinais de problemas” (GITMAN, s.d., p. 215).

1. Índices de Estrutura Patrimonial

Os Índices de Estrutura Patrimonial são calculados em termos de número de vezes que o numerador contém o denominador. Um interpretação simplista desses índice seria dizer que quanto menor eles forem, melhor será a situação da empresa analisada.

“Na verdade, não se pode concluir que uma empresa esteja em melhor situação do que outra apenas porque apresentou menores valores nestes índices. Deve-se considerar que os mesmos constituem meros indicadores observados em dado momento e que os aspectos dinâmicos, que afetam a liquidez, não são captados por essas inter-relações. Todavia, uma empresa certamente não estará com uma situação financeira confortável se apresentar elevada participação de recursos de terceiros em relação ao capital próprio e ao ativo total, com predominância de dívidas a curto prazo nas exigibilidades totais, e com elevada imobilização dos seus recursos permanentes” (BRAGA, 1989, p. 155).

● Capital de Terceiros/Capital Próprio = PASSIVO CIRCULANTE + EXIGÍVEL A LONGO PRAZO / PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Essa equação evidencia o quanto a empresa usa de capital de terceiros, em relação aos recursos próprios (Patrimônio Líquido), isto é, a proporção entre os recursos de terceiros e os recursos próprios usados pela empresa analisada.

● Composição do Endividamento = PASSIVO CIRCULANTE / PASSIVO CIRCULANTE + EXIGÍVEL A LONGO PRAZO

É quanto a empresa tem de dívidas de curto prazo, em relação ao total de seus débitos para com terceiros. Quanto menor for o montante das dívidas de curto prazo, melhor.

● Endividamento Geral = PASSIVO CIRCULANTE + EXIGÍVEL A LONGO PRAZO / ATIVO TOTAL

Mostra o total que a empresa deve em relação ao total que ela possui de direitos e bens, ou seja, o quanto ela pertence a terceiros e qual a sua liquidez.

● Imobilização do Capital Próprio = ATIVO PERMANENTE / PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Significa verificar o quanto do Patrimônio Líquido (recursos próprios) da empresa está aplicado no Ativo Permanente (Imobilizado em prédios, máquinas, instalações etc. e Investimentos em outros empresas), ou seja, tudo o que a empresa adquiriu com recursos próprios.

● Imobilização dos recursos Permanentes = ATIVO PERMANENTE / EXIGÍVEL A LONGO PRAZO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Revela quanto de financiamento de longo prazo e de recursos próprios estão aplicados em ativos, cuja maturação financeira é muito longa, o que resulta em baixa liquidez.

2. Índices de Solvência

“Expressos pelo número de vezes que o numerador contém o denominador, esses índices costumam ser avaliados pelo critério de ‘quanto maior, melhor’. Estes índices não medem a efetiva capacidade da empresa liquidar seus compromissos nos vencimentos, mas apenas evidenciam o grau de solvência em caso de encerramento total das atividades. Considerando essas inter-relações como indicadores gerais, pode-se supor que, quanto mais elevados forem os índices, melhor será a situação financeira da empresa” (BRAGA, 1989, p. 155).

● Liquidez Geral = ATIVO CIRCULANTE + REALIZÁVEL A LONGO PRAZO / PASSIVO CIRCULANTE + EXIGÍVEL A LONGO PRAZO

Evidencia a relação existente entre o totaL de suas dívidas e o total de seus créditos para com terceiros.

● Liquidez Corrente = ATIVO CIRCULANTE / PASSIVO CIRCULANTE

Evidencia a relação das dívidas e créditos de curto prazo.

● Liquidez Seca = ATIVO CIRCULANTE – ESTOQUES DESPESAS DE EXERCÍCIOS SEGUINTES / PASSIVO CIRCULANTE

Evidencia o quanto a empresa dispõe de imediato, para cobrir suas dívidas de curto prazo.

3. Índices de Cobertura

Os Índices de Cobertura medem quantas vezes o Lucro Operacional e outras receitas da empresa têm capacidade de fazer face (de cobrir) às suas Despesas Financeiras e seus Compromissos Fixos. O critério usado é de que “quanto maior, melhor”. No cálculo dos compromissos fixos são computados tão somente os valores do principal dos empréstimos e financiamentos, por que o valor dos gastos com juros e outros encargos já estão incluídos na rubrica Despesas Financeiras.

“As despesas com contratos de leasing reduzem o lucro operacional e, desse modo, devem ser adicionados a este para compor o numerador da fórmula. O ajuste do principal, pelo complemento da alíquota do imposto de renda, produz o mesmo efeito de considerar o lucro operacional e as demais receitas e despesas da fórmula líquidos desse tributo” (BRAGA, 1989, p. 156).

● Cobertura dos Encargos Financeiros = LUCRO OPERACIONAL + RECEITAS FINANCEIRAS + OUTRAS RECEITAS / DESPESAS FINANCEIRAS

Esse índice calcula se as fontes de receitas da empresa são suficientes para cobrir as Despesas Financeiras.

● Cobertura dos Compromissos Fixos = LUCRO OPERACIONAL + DESPESAS DE LEASlNG + RECEITAS FINANCEIRAS + OUTRAS RECEITAS / DESPESAS FINANCEIRAS + DESPESAS DE LEASING + (PRINCIPAL DOS EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS / 1 – ALÍQUOTA DO IMPOSTO DE RENDA)

Esse índice verifica se a empresa tem capacidade de cobrir os compromissos dos quais não há como fugir.

IMPORTANTE: Os contratos de Leasing são considerados como se fossem financiamentos de longo prazo, para aquisição de bens para o Ativo Imobilizado. Essa forma de “financiamento” reduz o imposto de renda a pagar da empresa tomadora dos recursos.

4. Índices de Prazos Médios

Essa análise que utiliza esses índices é voltada para contatar a qualidade da gestão do capital de giro da empresa, tendo por base o tempo médio necessário para a transformação desse recursos em disponibilidade efetiva (recebimento das vendas a prazo) ou em desembolso de valores (pagamento das compras), bem como o tempo de permanência das matérias primas e mercadorias na empresa (CARVALHO et al, 1985, p. 205).

● Prazo Médio de
Estocagem
= SALDO MÉDIO DAS CONTAS DE ESTOQUES / (CUSTO DAS VENDAS / 360 DIAS)

Indica qual o tempo médio de permanência das mercadorias na empresa — entre a data da compra e a data da venda.

● Prazo Médio de Cobrança = SALDO MÉDIO DE CONTAS A RECEBER / (RECEITA OPERACIONAL BRUTA – DEVOLUÇÕES E
ABATIMENTOS : 360 DIAS)

Evidencia qual o tempo médio que a empresa leva para receber o valor de suas vendas — entre a data da venda e a data do recebimento do valor da venda. OBSERVAÇÃO: Somente devem se consideradas as “Contas a Receber” originadas por vendas.

● Prazo Médio de Pagamento a Fornecedores = SALDO MÉDIO DE FORNECEDORES / (COMPRAS BRUTAS : 360 DIAS)

Evidencia qual o tempo médio que a empresa leva para pagar o valor de suas compras — entre a data da compra e a data do pagamento da mercadoria comprada. OBSERVAÇÃO: “Compras Brutas” é igual ao Custo das Mercadorias Vendidas, menos os Tributos incluídos no preço das mercadorias (IPI, ICMS etc.), as Devoluções de mercadorias vendidas pelos clientes e os Abatimentos concedidos pela empresa aos seus clientes.

5. Gestão dos Recursos

Os índices de Gestão dos Recursos da empresa são expressos pelo número de vezes que o numerador contém o denominador. Eles são avaliados pelo critério de “quanto maior, melhor”.

“A rotação ou giro dos recursos reflete o grau de utilização dos ativos na geração das vendas. Como as receitas de vendas constituem a principal fonte de lucros e de numerário (via cobrança), quanto maior for a sua proporção sobre os ativos, mais eficientemente estarão sendo administrados os fundos (recursos financeiros) neles investidos, beneficiando a liquidez e a rentabilidade da empresa.

O numerador e o denominador de cada índice devem estar compatibilizados quanto à natureza dos valores utilizados no cálculo do quociente. Deste modo, os estoques devem ser confrontados com o custo das vendas e as duplicatas a receber com a parcela das receitas que geraram esses saldos (Receita Operacional Bruta das vendas a prazo deduzidas das devoluções e abatimentos sobre essas mesmas vendas a prazo). Com os demais ativos compara-se a Receita Operacional Líquida.

Esses índices têm caráter dinâmico, uma vez que utilizam valores acumulados das receitas de vendas ou do custo das vendas e os comparam com os saldos médios dos ativos observados no mesmo período. A melhor forma de calcular esses saldos médios consiste em somar todos os saldos mensais do período e dividir esse total pelo número de saldos computados. Dispondo-se apenas dos saldos inicial e final, costuma-se utilizar a sua média aritmética. Este procedimento poderá provocar distorções decorrentes de influências sazonais sobre o comportamento dos saldos ativos” (BRAGA, 1989. p. 159 e 160).

● Giro dos Estoques Totais = CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS / SALDO MÉDIO DOS ESTOQUES

Evidencia a capacidade de venda da empresa.

● Giro dos Valores a Receber = RECEITA OPERACIONAL BRUTA – DEVOLUÇÕES E ABATIMENTOS / SALDO MÉDIO DAS DUPLICATAS A RECEBER

Calcula o quanto as vendas a prazo pesam no total das vendas da empresa. Somente devem ser considerados os valores originados efetivamente por vendas de mercadorias.

● Giro do Ativo Circulante = RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA / SALDO MÉDIO DO ATIVO CIRCULANTE

Engloba os estoques, os créditos a receber de curto prazo e as disponibilidades, envolvendo ativos operacionais e não operacionais.

● Giro do Ativo Fixo = RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA / SALDO MÉDIO DO IMOBILIZADO

Calcula o quanto o Imobilizado da empresa gerou de vendas.

● Giro do Ativo Operacional = RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA / SALDO MÉDIO DO ATIVO OPERACIONAL

Corresponde aos elementos que decorrem das atividades básicas da empresa e a parcela das disponibilidades necessárias à manutenção das referidas atividades.

IMPORTANTE: Para se evidenciar o “Ativo Operacional”, devem ser excluídos do Ativo Total todas as contas não claramente identificadas (Diversos, Outras etc), bem como itens que não sejam essenciais para que a empresa desenvolva as atividades a que se propõe (imóveis que não sejam envolvidos na atividade produtiva, máquinas não necessárias etc.) e valores a receber dos sócios, de empregados e outros de natureza idêntica.

● Giro dos Investimentos Total = RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA / SALDO MÉDIO DO ATIVO TOTAL

Evidencia o quanto os “Investimentos” da empresa produzem de “Receita Operacional Líquida”.

IMPORTANTE:

● Quanto maior o giro das mercadorias, maior será o volume das vendas.
● CURTO PRAZO: (contábil, legal, econômico) até 360 dias.
● MÉDIO PRAZO: em países desenvolvidos pode chegar a até 10 anos; em países em desenvolvimento pode variar de 3 a 5 anos (conceito econômico).
● LONGO PRAZO: todo período que exceda o médio prazo (conceito econômico) e que exceda a um ano (conceito contábil).
● A natureza dos empreendimentos é que deve caracterizar o prazo do financiamento.

III – ORIGEM DOS RECURSOS

Para o início das suas atividades, para o seu funcionamento e, ainda, para o seu crescimento, as empresas necessitam de recursos para financiar seu Ativo Permanente (prédios, máquinas, instalações, veículos etc.) e seu Ativo Circulante e o Realizável de Longo Prazo. Esses recursos, por sua vez, exigem remuneração que podemos classificar como de duas natureza:

● Remuneração obrigatória, em forma de juros e outros encargos.
● Remuneração eventual, no caso de distribuição de lucros aos sócios ou acionistas.

No primeiro caso temos a remuneração dos recursos de terceiros (Passivo Circulante e Exigível de Longo Prazo), no segundo os recursos próprios (Patrimônio Líquido). No entanto não podemos ficar presos à essa abordagem, que é uma simplificação para efeito de aprendizagem. No mercado há instrumentos mais sofisticados. Alguns deles serão também estudados neste Capítulo.

A composição dos recursos da empresa (recursos próprios e recursos de terceiros; recursos de curto prazo e recursos de longo prazo) tem uma grande importância e se reflete nos seus lucros e na própria dinâmica da gestão diária dos negócios.

IMPORTANTE:

● Os recursos do Passivo Circulante devem financiar às necessidades de Capital de Giro (Ativo Circulante), ou seja, preponderantemente as necessidades financeiras sazonais da empresa.
● Os recursos do Exigível a Longo Prazo destinam-se a financiar o Permanente Imobilizado, porém podem ser aplicados em operações de realizável a Longo Prazo e, também, no Ativo Circulante.

1. Fontes Externas de Recursos Próprios

Essas fontes são aquelas que fornecem à empresa recursos que entram e não saem mais, recursos que vêm de fora da empresa para se incorporar aos seus lucros ou ao Patrimônio Líquido (Capital). Aqui temos alguns exemplo:

● Aumento das vendas, que geram lucros que podem ser incorporados ao Capital.
● Ágio sobre ações, no caso das sociedades anônimas (diferença entre o valor patrimonial e o nominal).
● Venda de bens do Ativo Imobilizado.
● Retenção do Lucro Líquido (o Lucro ao invés de ser dividido entre os sócios é incorporado ao capital).
● Redução dos estoques (aumentando as vendas ou reduzindo as compras).
● Diminuição ao prazo das vendas.

2. Fontes Externas de Recursos de Terceiros

As fontes externas de captação de recursos devem merecer uma especial atenção dos administradores. Além de poderem ser divididas entre as que exigem remuneração obrigatória e os que têm remuneração eventual, os recursos que têm origem fora da empresa apresentam características distintas quanto ao retorno ou não às suas origens. Alguns deles “ficam na empresa permanentemente”, enquanto que outros, ao término de determinado tempo, “saem da empresa, acrescidos de juros e outros encargos”.

As fontes externas de recursos de terceiros são:

● Aumento de capital (no caso das sociedades anônimas, venda de ações).
● Venda de debêntures (no caso das sociedades anônimas).
● Empréstimos (curto prazo).
● Financiamento (longo prazo).
● Leasing.

3. Fontes Internas de Recursos de Terceiros

Esses recursos representam valores que são retidos temporariamente pela empresa, em decorrência de suas atividades normais, sem que haja incidência de custos sobre eles. Esses recursos somente estarão a disposição da empresa enquanto ela estiver operando. Se a empresa parar de funcionar, ela não poderá contar com essa fonte de financiamento. Esses valores correspondem aos:

● Salários retidos, até a data legal de seu pagamento.
● Pró-labore retidos dos diretores, até a data legal de seu pagamento.
● Lucros a serem pagos aos sócios, porém ainda não distribuídos.
● Tributos não recolhidos, até a data legal de seu recolhimento.

4. Fontes Internas de Recursos Próprios

Esses são recursos que a empresa depõe em função de seu funcionamento e de características operacionais, tais como o montante das vendas e do Imobilizado. Esses valores têm origem em despesas que não acarretam desembolso de valores tais como:

● Depreciação.
● Provisão para Devedores Duvidosos.

Note-se que o valor dessas contas são verdadeiros “fundos” de reserva que a empresa pode dispor no seu giro de negócio e em “quaisquer outras atividades”.

5. Onde Captar Recursos

A decisão de onde e qual fonte de financiamento deve ser usada é uma atitude que requer acuidade dos administradores, pois essa decisão pode resultar em maiores ou menos lucros e até em crescimento ou geração de problemas futuros para a empresa.

“Na determinação dos tipos de fundos a serem empregados no financiamento das atividades empresariais devem ser considerados alguns princípios que muitas vezes são conflitantes. Acima de tudo deve-se ter em mente que cada empresa constitui um caso isolado e que a importância dos elementos envolvidos nestas decisões varia em função das condições da economia, das perspectivas do ramo de negócios e da situação específica da empresa.

A liberdade de ajustar a composição das fontes de financiamento é restringida pela disponibilidade dos vários tipos de fundos procurados. Os planos financeiros devem ser realistas sobrepondo as condições impostas pelos fornecedores de fundos àquilo que seria o ideal. Em outras palavras, a empresa não pode, obter todos os recursos de que necessita nas condições mais favoráveis. Assim, terá de recorrer a algumas fontes mais onerosas e até mesmo aceitar condições contratuais que reduzirão a flexibilidade na condução de seus negócios. Dentro destas condições, deverá ser buscada uma composição de fundos. que minimize riscos e ônus” (BRAGA, 1989, p. 313).

IMPORTANTE: A perspicácia do administrador deve procurar compatibilizar prazos e outras características das fontes de financiamento com a natureza dos Ativos em que esses recursos serão utilizados. Os recursos aplicados na empresa precisam estar em harmonia com as modalidades de ativos em que serão utilizados.

IV – SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

O Sistema Financeiro Nacional é constituído de instituições de vários tipos, que atuam cada uma no seu setor específico, mas que têm por objetivo propiciar um contínuo fluxo de recursos financeiros, fazendo uma ponte de transferência de valores entre os poupadores e as empresa e consumidores que necessitam desses recursos. Sua regulamentação foi dada pela Lei 004.595, de 1964.

“O mercado financeiro – onde se processam essas transações – permite que um agente econômico qualquer (um indivíduo ou empresa), sem perspectiva de aplicação, em algum empreendimento próprio, da poupança que é capaz de gerar, seja colocado em contato com outro, cujas perspectivas de investimento superar as respectivas disponibilidade de poupança. Destarte, o mercado financeiro pode ser considerado como elemento dinâmico no processo de crescimento econômico, uma vez que permite a elevação das taxas de poupança e investimento” (FORTUNA, 1995, p. 15).

1. Conselho Monetário Nacional

É um órgão normativo que estabelece a política da moeda e do crédito para o país, inclusive as regras para todas as outras instituições financeiras.

Suas atribuições, entre outras, são: “ orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras, quer públicas, quer privadas; tendo em vista propiciar, nas diferentes regiões do País, condições favoráveis ao desenvolvimento harmônico da economia nacional; propiciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros, com vistas à maior eficiência do sistema de pagamentos e de mobilização de recursos; zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras, e coordenar as políticas monetária, creditícia, orçamentária, fiscal e da dívida pública, interna e externa”.

2. Banco Central do Brasil

È um órgão executivo, tendo por função:

● Emitir moeda manual.
● Controlar os capitais estrangeiros e as operações cambiais.
● Recolher os depósitos compulsórios.
● Conceder empréstimos a instituições financeiras.
● Fiscalizar operações com títulos federais.
● Conceder autorização e fiscalizar as instituições financeiras.

3. Banco do Brasil S/A

Até 1964, o Banco do Brasil possuía o papel dominante no sistema financeiro nacional, pontuando como a maior autoridade financeira do país. Além das funções normais de um banco, exercia parte do papel de um banco central, dividindo essas funções com o juntamente com o Tesouro Nacional.

Atualmente é um banco múltiplo como os demais, porém presta serviços e executa algumas políticas creditícias setoriais do governo federal, mediante remuneração.

4. Comissão de Valores Mobiliários

Regulamenta e fiscaliza as Bolsas de Valores e seus integrantes, bem como
as Sociedades Anônimas de capital aberto.

Suas atribuições são:

● Assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão.
● Proteger os titulares de valores mobiliários contra emissões irregulares e atos ilegais de administradores e acionistas controladores de companhias ou de administradores de carteira de valores mobiliários.
● Evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação destinadas a criar condições artificiais de demanda, oferta ou preço de valores mobiliários negociados no mercado.
● Assegurar o acesso do público a informações sobre valores mobiliários negociados e as companhias que os tenham emitido.
● Assegurar a observância de práticas comerciais eqüitativas no mercado de valores mobiliários.
● Estimular a formação de poupança e sua aplicação em valores mobiliários.
● Promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de ações e estimular as aplicações permanentes em ações do capital social das companhias abertas.

5. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)

E um banco de desenvolvimento que tem por objetivo fazer investimentos em áreas prioritárias para o desenvolvimento econômico e social do país, através de linhas de crédito tipo FINAME (financiamento a longo prazo, com juros baixos). É, também, responsável pela privatização das empresas do governo federal.

Suas atividades estão voltadas para investimentos de longo prazo, nas áreas e atividades de interesse da política do Governo Federal. Seus financiamentos à iniciativa privada e aos órgãos públicos são realizados com recursos de fundos e programas de fomento federais e, ainda, com repasse de programas de instituições internais. Financia, principalmente, aquisição de máquinas, equipamentos, instalações, capital de giro, exportações das indústrias nacionais etc.

6. Caixas Econômicas

São instituições que captam e aplicam recursos em faixas populares. Juntamente com os bancos comerciais são as mais antigas instituições do sistema financeiro brasileiro. Operam no credito direto ao consumidor, financiando bens de consumo duráveis, empresta com garantia de penhor, caução de título e bens pessoais. Têm a concessão para emitir bilhetes de loterias e para outros jogos. Uma das duas principais atuação, dentro de sua funções social, é a gestão do “Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo” e do “Sistema Financeiro da Habitação”.

9. Bancos Comerciais

São as instituições que formam a base do sistema monetário brasileiro. Captam do público depósitos a vista e a prazo e realizam operações de crédito e prestam serviços, tais como cobrança, de forma a transferir “recursos de poupança” para as “atividades produtivas”, financiando a indústria, o comércio, a agropecuária e as empresas prestadoras de serviço. Para isso contam, além dos depósitos recebidos do público, com recursos recebidos de instituições governamentais, instituições e bancos internacionais. Atuam no mercado de câmbio e intermedeiam operações no mercado financeiro e de seguros etc.

10. Bancos de Investimentos

São instituições não monetárias, que operam subscrevendo ações e debêntures de Sociedades Anônimas e financiando projetos de desenvolvimento elaborados pelas empresa privadas ou públicas, dentro do seu objetivo de capitalizar o setor produtivo. As suas fontes de recursos são as emissões de CDB-Certificados de Depósitos Bancários e RDB-Recidos de Depósitos Bancários, repasse de financiamentos internos ou externos, formação de “fundos de investimento” etc.

11. Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento (Financeiras)

Atuam financiando diretamente o consumidor e fazem captação de recursos através de Letras de Câmbio.

12. Bancos Múltiplos

Exercem funções acumuladas de bancos comerciais, bancos de investimentos, financeiras, sociedades de crédito imobiliário e de outras instituições financeiras.

13. Bolsas de Valores

São Sociedades Civis (S/C), sem fins lucrativos, cujo sócios as Sociedades Corretoras que nelas operam. Sua função é promover, com segurança para os aplicadores, o funcionamento dinâmico do mercado de capitais, por meio de compra e venda de ações, debêntures, direitos sobre títulos mobiliários etc. As Bolsas de Valores, como todo o mercado de títulos mobiliários, estão sob supervisão e fiscalização da CVM-Comissão de Valores Mobiliários.

14. Sociedades Corretoras
Somente as sociedades corretoras podem operar nas Bolsas de Valores, de derivativos (futuros) e de cereais. As Corretoras também fazem repasse de títulos de renda fixa (CDB, RDB, LC) e fazem intermediação de operações de câmbio.

15. Sociedades Distribuidoras

Diferenciam-se das corretoras, por só podem operar no mercado primário de ações (ações novas, lançadas ao público não acionista).

16. Sociedade de Arrendamento Mercantil (Leasing)

Normalmente captam recursos através de lançamento de debêntures e empréstimo de longo prazo, estes tomados no país ou no exterior. Operam fazendo locação de bens produtivos – máquinas, prédios, equipamentos, veículos etc. No término do contrato esses bens podem ser adquiridos pelos seus clientes, pelo valor residual (valor contratado pelo arrendamento, menos o valor pago pelo arrendamento).

V – ORÇAMENTOS

Em uma definição simplista, pode-se dizer que todas as organizações empresariais têm como objetivo obter lucros de suas atividades, lucros esses que devem financiar a expansão dos negócios e, não menos importante, remunerar os sócios das empresas pelos seus capitais nelas empregados. No entanto, as sociedades empresariais têm muito mais do que essa responsabilidade para com sigo mesma e para com seus sócios, elas têm responsabilidade com a sociedade como um todo, com seus empregados, fornecedores, clientes, governo etc. A empresa não é uma entidade isolada, ela integra um complexo de interligações de partes diversas porém afins.

“Tanto as atividades empresariais como as não-empresariais devem possuir metas e objetivos. No campo empresarial, encontramos os objetivos múltiplo de lucro e contribuição para o melhoramento econômico e social do ambiente externo à empresa. De maneira semelhante, as atividades não empresariais possuem objetivos relativamente precisos, tais como o cumprimento de determinada missão ou a obtenção de certo resultado, geralmente dentro de limites específicos de custo. Em ambos os casos, é absolutamente essencial que a administração do empreendimento e outras partes nele interessadas conheçam os seus objetivos; caso contrário, a direção efetiva das atividades e a aferição da eficácia com que as atividades desejadas são executada torna-se-ão impossíveis” (WELSCH, 1992, p. 19 e 20).

Para contentar os objetivos de uma empresa, seus administradores devem planejar suas atividades, de forma a prever passos, andamento e resultados, sempre utilizando meios de controles. Um dos principais instrumentos para se atingir essa meta é o uso de planejamento, via estabelecimento de Orçamentos, que podem ser de diversas natureza e atingir um universo maior ou menor das atividades da sociedade. Assim, pode-se ter um Orçamento global, da empresa, para somente um setor (departamento de produção, por exemplo) ou só para determinadas funções (participação em uma concorrência, compra de matérias-primas, de caixa, etc.).

A motivação para a elaboração de Orçamentos pode estar em várias razões. A mais fundamental é oferecer aos administradores uma visão constante a atual do status da empresa, com relação a seus direitos e deveres. Porém há outras: o fluxos de recursos, o volume das vendas, o custo de estocagem de produtos, a compra de máquinas novas ou a reposição de equipamentos velhos e/ou defasados, a realização de novos investimentos para ampliação dos negócios da companhia, etc.

1. A Preparação dos Orçamentos

A decisão de se implantar Orçamentos para uma empresa é uma decisão de política administrativa, portanto deve ser um posicionamento de Diretoria, que deve especificar qual a finalidade dos mesmos e como devem ser organizados, discutindo esses aspectos com as gerências das áreas envolvidas que, por sua vez devem discuti-los com as chefias departamentais, observando-se os níveis de conhecimento necessários para cada um desses escalões hierárquicos. Essa linha de decisões e conhecimento, obviamente, deve vir de “de cima para baixo”, porém com uma retorno “de baixo para cima”, para que haja uma só linguagem entre as pessoas envolvidas na preparação e no controle desses instrumentos de gestão empresarial.

A implementação de um sistema de orçamento empresarial deve seguir quatro fases distintas:

● O levantamento de dados e a elaboração de um pré-projeto de orçamento.
● A discussão do pré-projeto com todos os setores que estarão envolvidos com a execução do orçamento e sua aprovação pela alta administração.
● A implantação do sistema orçamentário.
● O acompanhamento do orçamento.

Há duas maneiras usuais de se preparar Orçamentos, quanto aos levantamentos de elementos que lhes servirão de base:

Bases incrementais – Esse método utiliza a experiência do passado da empresa, usar os valores que constam dos registros contábeis ou extra-contáveis da organização, ajustados às alterações planejadas de entradas e saídas de recursos, de custo, de metas etc. Essas é um sistema conservador, por mais que se queira implementar inovações de comportamento, de meios e objetivos.

Base zero – Neste caso despreza-se a experiência acumulada e parte-se para a formação de uma nova base, sempre exigindo justificação para os itens e valores componentes dos Orçamentos, numa postura crítica e inovadora de métodos. O questionamento deve ser feito sobre a necessidade ou não dos componentes, seu montante e valor.

“A filosofia de base zero pode restringir-se a certas funções administrativas, quando ela é particularmente relevante para se questionares procedimentos burocráticos redundantes. É, entretanto, aplicável em todos as áreas funcionais. Uma objeção maior pode ser o tempo e o esforço necessários para se efetuar um sistema base zero, comparado à abordagem incremental, que é muito mais rápida. Por essa razão, algumas organizações exigem um orçamento base zero de cada departamento no intervalo de alguns anos, intercalando-o com a abordagem incremental. Dessa forma, apenas alguns orçamentos de departamento são alvos de detalhamento escrutínio em determinado ano” (MOTT, 1996, p. 153 e 154).

No elenco de Orçamentos possíveis de serem elaborados pelas empresas, dois deles são de maior relevância: o Orçamento de caixa e o Orçamento de Capital.

2. Orçamento de Caixa

O Orçamento de Caixa é um instrumento que dá ao administrador uma previsão dos valores que espera-se que vão entrar e sair no caixa da empresa, com detalhamento de montantes em períodos certos. Esses elementos permitem que sejam feitos ajustes (tais como captação e aplicação de recursos), de forma a que a firma não perca a sua condição de liquidez.

Os itens componentes do Orçamento devem ser tantos quanto forem as fontes de entrada e saída de valores, considerando-se o fato de que fontes que tenham a mesma origem ou destino devem ser agrupadas em um mesmo item. Dessa forma, não teremos Clientes A, B e C, mas o item “Clientes”, não teremos os Fornecedores D, E e F, porém o item “Fornecedores”, e assim por diante.

O período de tempo que deve ser coberto pelo Orçamento de Caixa deve ser determinado pela natureza da empresa, pelas flutuações das entradas e saídas de dinheiro, pela sazonalidade de suas compras e vendas e, principalmente, pela liquidez de curto e médio prazo.

a) Entrada de Recursos

“O elemento determinante da precisão da maioria dos orçamentos de caixa é a previsão de vendas. Essa previsão poderá basear-se em análises internas, externas ou ambas. Na abordagem interna da análise, solicita-se aos vendedores a previsão das vendas para o período subseqüente. Os gerentes de vendas consolidam estas estimativas, em função das diversas linhas de produtos. As estimativas parciais resultantes, por sua vez são combinadas, formando a estimativa geral de vendas da firma. O problema básico desta abordagem refere-se à limitação de horizontes. Muitas vezes, importantes tendências da economia e da indústria não são consideradas.

Por esta razão, muitas empresas usam também análises externas. Através da abordagem externa, analistas econômicos efetuam previsões das vendas da indústria e da própria economia, para um período de vários anos. Poderão ser usadas análises de regressão, para estimar a relação entre as vendas da indústria e a economia em geral. Formuladas estas previsões básicas, o passo seguinte será estimar a participação dos diversos produtos nas vendas, preços que provavelmente prevalecerão e a recepção prevista para os novos produtos. Geralmente, tais estimativas são efetuadas em conjunto com os gerentes comerciais. Entretanto, a responsabilidade final é do departamento de estudos econômicos. Dadas estas informações uma estimativa externa de vendas poderá ser preparada.

Quando as estimativas interna e externa diferirem, como provavelmente acontecerá, alguns ajustes deverão ser efetuados. A experiência passada mostrará qual previsão é mais exata. Geralmente, a previsão externa servirá de base para a previsão definitiva. Entretanto, na maior parte das vezes, sofrerá modificações determinadas pela previsão interna. Por exemplo, a empresa poderá estar aguardando grandes encomendas de alguns clientes e estes pedidos não aparecerão na previsão externa. Portanto, torna-se mais adequado fundamentar a análise, em ambas as previsões. A previsão final de vendas deverá basear-se na demanda provável não podendo ser modificada, de início, por limitações de capacidade produtiva. A decisão de eliminar tais limitações dependerá da própria previsão. A importância de previsões precisas de vendas é fundamental, vista nela estarem baseadas quase todas as demais previsões”.

b) Saída de Recursos

“Dada a previsão de vendas, poderá ser construída uma escala de produção. A administração poderá escolher entre produzir de acordo com as vendas ou a ritmo constante. Com a primeira estratégia os custos de manutenção de estoques tornam-se menores, mas os custos totais de produção são mais elevados, em relação à segunda estratégia. Com produção constante, teremos o oposto. Se as vendas costumam oscilar, o estoque de produtos acabados crescerá, durante certos períodos, exigindo armazenagem. Por serem as exigências de armazenagem irregulares, durante o período anual, os custos de manutenção de estoque serão geralmente mais elevados, quando comparados à escala de produção vinculada às vendas . Por outro lado, a produção se torna mais eficiente. A escolha da melhor alternativa dependerá da comparação entre os custos adicionais de manutenção dos estoques e os ganhos resultantes do aumento na eficiência da produção. A programação da produção final inclui decisões relativas a administração de estoques (…)

Uma vez estabelecida a escala de produção, poderão ser efetuadas estimativas em relação às necessidades de matérias-primas e mão-de-obra, juntamente com outros ativos fixos indispensáveis à empresa. Tal como acontece com valores à receber, existe uma certa defasagem entre o momento da compra e o seu efetivo pagamento. Se as condições oferecidas pelos fornecedores forem de 30 dias para pagamento do valor líquido e a política da firma consistir em realizar o pagamento ao final desse período, decorrerá aproximadamente um mês entre a operação de compra e a saída de caixa correspondente.

Supõe-se que as despesas de salários cresçam com a produção. Entretanto, são mais estáveis que as compras. De modo geral, quando a produção decresce ligeiramente, não são efetuadas dispensas de trabalhadores. No caso oposto, o trabalho pode se tornar mais eficiente através de pequenos acréscimos nos pagamentos totais de salários. Somente após determinado ponto será necessário dilatar as horas de trabalho ou contratar novos trabalhadores(…)

Além dessas saídas de caixa devemos levar em conta despesas de capital, pagamentos de dividendos, impostos sobre a renda e quaisquer outras saídas. Como as despesas de capital são planejadas com antecedência, tendem a ser, em geral, bastante previsíveis no que se refere ao orçamento de caixa a curto prazo. À medida em que a previsão envolver períodos mais longos, porém, o montante de tais despesas tornar-se-á cada vez mais incerto. Ao contrário; os pagamentos de dividendos, são estáveis, sendo efetuados em datas conhecidas. A estimação dos impostos sobre a renda deverá basear-se nas projeções de lucros para o período em questão” (VAN HORNE, 1974, v 2, p. 542 e 543).

3. Orçamento de Capital

Os Orçamento de Capital são instrumentos usados tanto pelas empresas como por seus sócios, na previsão de investimentos de longo prazo e suas respectivas rentabilidades. As empresas usam desse recurso para analisar a viabilidade econômica de seus projetos de expansão, medindo o tempo de retorno dos valores a serem aplicados e a segurança financeira do empreendimentos. Os sócios (principalmente os acionistas investidores em sociedades anônimas) fazem uso do Orçamento de Capital, para verificar a rentabilidade que suas inversões possam ter, em decorrência dos novos negócios da empresa.

“O orçamento de capital envolve a geração de propostas de investimento; a estimação dos fluxos de caixa das diversas propostas; a avaliação dos fluxos de caixa; a escolha de projetos com base num critério de aceitação; e, finalmente, a reavaliação permanente dos projetos de investimento já aceitos e em execução (…) Dependendo da empresa envolvida, as propostas de investimento poderão provir de diversas fontes. Para fins analíticos, podemos classificar os projetos em uma das cinco categorias: 1.Novos produtos ou expansão das linhas de produtos já existentes. 2.Substituição de equipamentos ou prédios. 3.Pesquisa e desenvolvimento. 4.Exploração.5.Outros” (VAN HORNE, 1974, v 2, p. 36).

Quando se visa substituir um equipamento, qualquer que seja o motivo (ineficiência mecânica ou tecnológica, por exemplo), por um modelo mais moderno, há procedimentos administrativos por onde devem trafegar as solicitações de recursos para tal finalidade. Diversos níveis de autoridade analisam propostas de investimento, podem envolver chefes de seção, gerentes técnicos, gerentes departamentais, a gerencia financeira, a diretoria financeira e até o presidente e a diretoria da empresa.

Esses procedimentos variam de empresa para empresa, obedecendo às circunstâncias específicas. O importante a observar é que, nos casos em que a aprovação dependa da aprovação de diversos níveis, deve haver um mesmo critério de avaliação, com objetividade e uniformidade em toda a organização. Caso isso não ocorra, fatalmente haverá falha na aplicação dos recursos de capital da empresa..

“Uma das tarefas mais importantes do processo de orçamento de capital consiste em estimar os fluxos de caixa a serem gerados pelo projeto. A qualidade dos resultados finais é dada pela própria precisão das estimativas. O motivo pelo qual os benefícios esperados de um projeto são expressos em termos de fluxos de caixa, ao invés de rendas, explica-se pelo fato de os recursos monetários serem vitais para qualquer decisão tomada dentro da empresa. A empresa investe o dinheiro agora para receber montantes superiores no futuro. Somente recebimentos em dinheiro podem ser reaplicados na empresa ou distribuídos aos acionistas sob a forma de dividendos. Portanto, os fluxos de caixa, e não de rendas, é que são importantes para o orçamento de capital” (VAN HORNE, 1974, v 2, p. 37).

As proposta de investimento devem ser acompanhadas de informações sobre os fluxos futuros de caixa. Essas informações devem ter como base os elementos do passado recente da empresa (base incremental), para que se possa comparar os fluxos de caixa da empresa, com e sem os investimentos propostos.

“Por exemplo, se uma empresa estiver pensando em lançar um produto para concorrer com outros da própria empresa, não será acertado expressar os fluxos de caixa em termos das vendas estimadas do novo produto. Deveremos lembrar que provavelmente ocorrerá a ‘caniba-lização’ dos produtos existentes, o que nos obrigará a formular nossas estimativas de fluxos de caixa em termos de vendas adicionais” (VAN HORNE, 1974, v 2, p. 37).

BIBLIOGRAFIA

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CARVALHO, Fernando Mauro et al. Análise e administração financeira. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ibmec, 1985.
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GITMAN, Lawrence J. Princípios de administração financeira. 3ª ed. São Paulo: Harbra, s.d.
MOTT, Graham. Contabilidade para não contadores. São Paulo Makron, 1996.
ROSS, Stephen A., WESTERFIELD, Randolph W. e JAFFE, Jeffrey F. Administração financeira. São Paulo: Atlas, 1995.
VAN HORNE, James C. Política e administração financeira. São Paulo: Edusp / Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1974.
WELSCH, Glenn A. Orçamento empresarial. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 1992.