A REPÚBLICA PEDE RESPEITO

Tomislav R. Femenick
O Jornal de Hoje. Natal, 14 abr. 2008.
O Mossoroense. Mossoró, 17 abr. 2008.
Metropolitano. Parnamirim, 18 abr. 2008.

Quem tem os aloprados que o PT tem, não precisa e oposição (aliás, diga-se de passagem, eita que oposiçãozinha chinfrim é essa que o PT tem). Principalmente porque esse era o partido que se apresentava como o arauto das boas qualidades, virtudes e moralidade; dos valores autênticos de uma política eminentemente séria e praticada no interesse do povo. Não que se esperasse que todo petista fosse um vestal; virgem, castro, cheio de pudores, honesto e puro. Não, não se imaginava nada disso. Nada tão honesto e puro assim, pois esse nível de pureza e honestidade só existe nos campos de lírios onde vivem os anjos e os santos. Mas que, pelo menos, não se atolassem tão assim na lama da imoralidade e ilegalidade; dos experientes marotos, velhacos, tratantes, malandros e desavergonhados. E nos dinheiros sujos.

Quem estiver achando que eu estou exagerando, basta rever a lista de ministros de Lula que tiveram que renunciar ou foram demitidos por estarem envolvidos em alguma marotagem. Primeiro foi Benedita da Silva, Ministra de Assistência e Promoção Social e ex-senadora e ex-governadora do Estado do Rio de Janeiro. Saiu porque pagou com dinheiro público a conta de um dos hotéis mais luxuosos de Buenos Aires, quando viajou à Argentina para tratar de assuntos particulares – um café da manhã com evangélicos. O segundo foi Romero Jucá, ex-ministro da Previdência e atual líder do governo, no Senado Federal. A Frangonorte, empresa da qual era sócio, foi acusada de envolvimento em uma operação de crédito irregular, realizada com um banco do governo federal, o Banco da Amazônia – teria dado fazendas inexistentes como garantia de uma operação de financiamento. Quando era ministro dos Transportes, Anderson Adauto renunciou quando se viu envolvido em uma denúncia que o ligava ao esquema de corrupção na prefeitura de Iturama-MG.

Essas três primeiras foram cafés pequenos, se comparada as dos “três mosquiteiros” do governo Lula, também envolvidos em tramóias. A primeira queda foi a de Antonio Palocci, o prestigiado ministério da Fazenda, que foi acusado por um simples caseiro, Francenildo dos Santos Costa, de participar de um esquema de festas e partilha de dinheiro, em uma mansão no Lago Sul de Brasília, a chamada República de Ribeirão. Logo em seguida, a vida de Nildo virou um inferno: foi demitido e teve o seu sigilo bancário violado pela Caixa Econômica Federal – dizem que a mando de Palocci. A auto-demissão mais espetacular, no entanto, foi a do todo poderoso José Dirceu, Ministério da Casa Civil e ex-presidente do PT e virtual primeiro-ministro do governo Lula, em razão da denuncia de ser o idealizador e “comandante em chefe” do mensalão. Reassumiu seu mandato de deputado, mas acabou sendo cassado. Luiz Gushiken primeiro foi rebaixado de ministro chefe da Secretaria de Comunicação para simples encarregado do Núcleo de Assuntos Estratégicos; depois se afastou também desse cargo, quando foi alvo de investigação no Tribunal de Contas da União (TCU) e a CPI dos Correios ter levantado suspeitas sobre irregularidades na propaganda oficial (por ele comandada) e sua interferência em fundos de pensão de empresas públicas.

Silas Rondon, ministro de Minas e Energia, foi apontado pela Polícia Federal como suspeito de ter recebido R$ 100 mil da Construtora Gautama – entregou o cargo. Walfrido Mares Guia, ministro de Relações Institucionais, envolvido no caso do mensalão mineiro foi substituído. Matilde Ribeiro, ministra da Igualdade Racial, foi a última da lista. Entregou o cargo depois de a imprensa ter denunciado que ela fez uso indevido do cartão corporativo do governo federal – mais de R$ 120 mil só com aluguéis de carros.

Parece até que estamos vivendo um tempo de monarquia absolutista ou de ditadura, quando o estado é confundido com o grupo governante. Parece mas não é. Vivemos numa República e, em assim sendo, os governantes são servidores públicos, a quem devem respeito – a República pede respeito.

Em tempo: não vale contra-argumentar dizendo que em outros tempos, em outros governos, também houve desvios de conduta e de recursos. Essa defesa é pobre por excelência e própria dos culpados confessos e não arrependidos.