A MINA DO SEU TOMAZ

Tomislav R. Femenick
Tribuna do Norte. Natal, 27 abr. 2008.
Gazeta do Oeste. Mossoró, 03 mai. 2008.

A atual fase de crescimento da economia mundial está impulsionando a demanda por alguns commodities; produtos básicos e de ampla aplicação como matéria-prima e insumo secundários da indústria, agropecuária e do setor de serviços. Esses produtos podem ter origem rural, como boi, soja e café; industrial, tecido de natureza específica (algodão, poliéster), ferro gusa e açúcar; financeira, como dólar, euro, ações de grandes empresas e títulos de governos, ou mineral, ouro, prata, petróleo, platina e scheelita. Após sofrer um período de retração, principalmente entre o início da última década do século passado e 2005, o mercado internacional de scheelita voltou a se aquecer. A causa? A China, maior produtora mundial, reduziu suas exportações e redirecionou boa parte dos seus produtos primários para a fabricação de mercadorias com maior valor agregado.

O Rio Grande do Norte tem a maior concentração de minério de scheelita no Brasil e é o maior produtor do país. Enquanto as reservas nacionais totalizam cerca de 8.528 toneladas de tungstênio contido em minérios de scheelita e wolframita, as reservas potiguares de scheelita atingem 5.323 toneladas. Há ocorrência do produto nos municípios de Bodó, onde atua a METASA-Metais do Seridó S.A., Laje, Santana do Matos e notadamente em Currais Novos, onde a atividade é desenvolvida pela Mineração Tomais Salustino S.A., Mineração Acauã Indústria & Comércio S.A. e Emprogeo Ltda. Para se ter uma idéia da importância que a scheelita teve para a economia do nosso Estado, em 1963, ano de pleno desenvolvimento da cultura do algodão, só a Mineração Tomaz Salustino realizou exportações que atingiram cerca de US$ 5,3 milhões, mais da metade de todo o valor obtido com as nossas exportações de algodão. De janeiro a setembro do ano passado (últimos dados levantados), as exportações norte-rio-grandenses de scheelita representaram US$ 1,7 milhão, contra US$ 534 mil, no mesmo período de 2006. Foi um bom crescimento, porém falta multo para se chegar ao nível do passado.

A scheelita é um tungstato de cálcio, minério do qual se extrai o tungstênio e seus compostos. O tungstênio – de cor branca acinzentada, brilhante, muito duro e denso -, além de ser escasso, somente é encontrado em forma de óxido ou de sais em certos minérios, tais como wolframita e a scheelita, entre outros. É utilizado na fabricação de lâmpadas, eletrodos, ligas de aço, ferramentas, bem como em ligas de metais pesados usados em armamentos, munições e turbinas e, ainda, em esmaltes cerâmicos, equipamentos de radiologia, fornalhas elétricas e nas indústrias petrolífera, de produtos químicos, tintas e curtumes.

Recentemente o jornalista Gildo da Costa Dantas lançou um livro em que retrata a importância da mineração de scheelita para o Rio Grande do Norte, partindo da história da Mina Brejuí, da Mineração Tomaz Salustino, empresa que se confunde com a história da exploração da scheelita em nosso Estado e no país. Gildo produziu um livro-reportagem em que conta, pormenorizadamente, a história daquela que é “considerada maior mina de scheelita do Brasil e uma das maiores do mundo”. Além de explicar a natureza e importância do minério de onde se extrai o tungstênio, ele ensina a importância deste último para a economia do mundo moderno. Descreve as primeiras descoberta acontecidas no Brasil e no Rio Grande do Norte e a escala de importância que o produto consegue atingir no ranking das exportações do Estado. Vai mais longe e destaca Currais Novos como centro da produção desse minério, tendo como epicentro a Mina Brejuí. Não é fora de propósito que o titulo de seu livro é “Mina Brejuí: a maior produtora de scheelita do Brasil”.

A Mina foi descoberta na década de 40 do século passado e iniciou suas operações já em 1943, sendo concessionário o Desembargador Tomaz Salustino Gomes de Melo. Logo em seguida já possuía 900 empregados, uma Vila Operária com 80 casas, igreja, clube social, quadra esportiva, posto de saúde, cooperativa etc. Seu Tomaz construiu hotel, rádio, cinema, pista de pouso e um prédio para a agência do Banco do Brasil. Na década de 90, sua força de trabalho foi reduzida para cerca de 300 ou 400 empregados, até ser fechada em 1997. Em 2005 a Mina Brejuí ressurgiu e reativou suas operações, porém seu quadro esta restrito a aproximadamente 100 pessoas, isso em função das novas técnicas de exploração e porque o mercado ainda não assumiu uma posição de demanda igual a que tinha no passado. Prova disso é que a Tomaz Salustino S.A. possui somente quatro clientes, três metalúrgicas paulistas e um grupo holandês. Este reexporta o produto para a China – que de exportadora passou a importadora de scheelita.

Embora seja uma sociedade anônima, a Tomaz Salustino S.A. é de capital fechado e se caracteriza como uma empresa familiar. Seu projeto para o futuro é simplesmente vender o controle para “algum grupo estrangeiro”. Carlos Alberto Salustino Dutra, seu atual presidente, vai mais longe: “Realmente nós estamos com alguns contatos com grupos europeus e esperamos que dentro dos próximo 6 meses tenhamos algum resultado em relação a essa démarche. Nós temos não só um, mas 3 grupos empresariais interessados na Mineração Tomaz Salustino”.

Está tudo lá, no livro de Gildo.