A MÁSCARA NÃO ESCONDE A FARSA

Tomislav R. Femenick
O Jornal de Hoje. Natal, 03 maio 2010.
O Mossoroense. Mossoró, 07 maio 2010.

Nós latino-americanos padecemos de dois vícios que parecem incuráveis. Atribuímos aos outros todos os nossos pecados e insucessos e queremos ser melhores que eles, os outros. Os nossos dirigentes são exímios, notáveis mesmo, nessa arte de dissimulação. Mas esse é um pensar ingênuo e narcisista, que não há como levar a sério.

Fiquemos nos pecados e tomemos alguns exemplos recentes, que comprovam nossa asneira criativa. A Bolívia é um dos países mais pobre da América do Sul, se não o mais pobre de todos eles, onde a fome se faz presente de forma crônica. Em vez de procurar aumentar a produção de comida, o seu presidente Evo Morales recentemente atacou a criação intensiva de aves e o consumo de batatas holandesas e Coca-Cola. Segundo ele, esses produtos fazem mal à saúde: os frangos estariam contaminados com hormônios femininos e fariam os homens ficar afeminados, a batata holandesa seriam cultivadas com hormônios de pescado e a Coca-Cola somente serviria com desentupidora de esgotos. A consequência desse tipo de alimento seria a calvície. E profetizou: “Em 50 anos, todo mundo será calvo”.

Por sua vez, a presidente da Argentina, Sra. Cristina Kirchner, descobriu um supedâneo para o Viagra. Recomendou que se comesse carne de porco para melhorar a vida sexual que, segundo ela, é muito mais gratificante do que o medicamento famoso mundialmente. Disse que é “fanática por carne de porco” e contou que em um fim de semana “comemos um porquinho grelhado. E tudo correu muito bem”.

O nosso presidente é mais comedido, mas não deixa de ter as suas idiossincrasias, recorrendo às metáforas, a malícia e ao duplo sentido na linguagem, às vezes beirando o pornográfico. Em uma das suas verborréias com grande abundância de palavras, mas com poucas ideias, afirmou que “não tem país mais preparado para encontrar o ponto G que o Brasil”. O ponto G, ou ponto de Gräfenberg, é uma zona erógena do corpo da mulher que, quando estimulada, conduz a elevados níveis de excitação sexuais e ao orgasmo. Em seguida completou: “Graças a Deus, a perereca não pode se extinguir nunca”. Em outra oportunidade jogou uma das suas máximas: “o povo tá na merda”. Em seus discursos são comuns palavras como “sifu”, útero, bunda, porrada, sacanagem e defecar. Isso não é falar a linguagem do povo, isso é deboche, é ser chulo.

Já que enveredamos pelo ponto G, há a história do presidente do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, pai putativo (suposto) de pelo menos seis filhos bastardos, fato que obrigou a Igreja Católica do Paraguai a pedir perdão pelos pecados dos seus membros, numa alusão quase que explicita ao ex-prelado, o Presidente do país. As mães desses filhos intentam formar uma associação de mulheres para encaminhar os casos de suposta paternidade do presidente.

Na mesma linha de comportamento, porém um tanto pior, está o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que praticava abusos desonestos contra sua filha adotiva Zoilamérica Narváez (hoje uma socióloga de 42 anos) desde quando ela tinha 11 anos e a violentava sistematicamente a partir dos seus 15 anos, transformando-a em escrava sexual. Esses atos eram sabidos e aceitos pela mulher do presidente e pelo sistema de segurança dos sandinistas, quando ele governou o país pela primeira vez. Daniel Ortega foi denunciado à Justiça da Nicarágua (que arquivou o processo) e ao Comitê Interamericano dos Direitos Humanos (onde está aguardando julgamento).

No Brasil não chegamos a esse ponto. Entretanto temos o famoso envolvimento do ex-presidente Itamar Franco com Lilian Ramos e a famosa foto da modelo sem calcinha, no carnaval de 1994, divulgada pela imprensa do mundo todo. Quando governou Minas Gerais (de 1999 a 2003), Itamar teve três policiais militares femininas como ajudantes-de-ordens, com quem frequentemente aparecia de mãos dadas. A última deles Doralice Leal Lorentz, de 38 anos, publicamente reconhecida como “a namorada do governador”, foi promovida de capitã para major, passando na frente de 176 oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, que estavam na lista aguardando pela promoção.